27/04/2026

Claudio Mutti - A Influência de Julius Evola na Hungria

 por Claudio Mutti

(1997)


Na Hungria, circula uma espécie de "lenda evoliana". Nos anos 30, Julius Evola efetivamente esteve em Budapeste, onde proferiu uma conferência em Óbuda, no Castelo Zichy. De fato, o próprio Evola, no texto da sua "autodefesa", proferida em 1951 perante o Tribunal de Júri de Roma, afirma "ter sido convidado para falar em sociedades estrangeiras, abertas apenas aos principais expoentes do pensamento tradicional e aristocrático europeu"; neste contexto, citou expressamente a "Associação Cultural" da Condessa Zichy. As ocasiões para se deslocar a Budapeste não faltavam a Evola. A Hungria fazia parte dessa área de "países vizinhos" (vizinhos da Alemanha) nos quais Evola desenvolveu a sua "atividade propagandística", conforme um relatório secreto da Ahnenerbe aponta à atenção de Heinrich Himmler em 1938.

25/04/2026

Sertorio - Konstantin Leontiev: O Spengler Russo

 por Sertorio

(2018)


A sociedade russa iniciou a sua deriva em direção à revolução em 1861, quando a libertação dos servos deu início a um caminho de reformas ocidentalizantes que puseram fim ao sistema que governou durante séculos o império dos czares. A maior parte dos críticos dessas políticas eram defensores do pensamento progressista e liberal; para eles, a principal objeção que se podia enunciar contra as reformas era a sua insuficiência, o seu conservadorismo, os seus resquícios arcaicos. Perante esta corrente maioritária encontravam-se vozes discordantes, como a de Liev Tolstói e o seu utopismo cristão e agrário, negador da cultura e da civilização, que provocavam agitação pela sua interpretação radical do Evangelho. Mas nem tudo na Rússia era niilismo, também surgiram observadores lúcidos que viam com muita antecedência os perigos que se aproximavam não só para o império dos Romanov, mas para toda a civilização: a este seleto número pertence Konstantin Leontiev (1831–1891), ensaísta muito desconhecido na Europa e esquecido na sua pátria desde 1917.

20/04/2026

Alex Graham - O Nacionalismo Cosmopolita de Ravel

 por Alex Graham

(2025)


Hoje marca o 150º aniversário do nascimento de Maurice Ravel, um dos compositores mais importantes da França. A música de Ravel é facilmente reconhecível pelo seu som sobrenatural e colorido e pelas suas harmonias e orquestrações inovadoras.

Tal como o seu aluno e amigo Ralph Vaughan Williams, Ravel era muito original, mas rejeitava o iconoclasmo popular entre muitos dos seus contemporâneos. A sua música destaca-se pela ênfase na melodia e pelo uso de formas tradicionais, assim como por uma sensibilidade claramente francesa.

15/04/2026

Collin Cleary - Que Deus Odin Adorou?

por Collin Cleary

(2011)



I

Introdução


Na Edda Poética, Odin narra sua descoberta das runas:


Sei que pendi da árvore fustigada pelo vento
Nove noites inteiras,
Ferido pela lança, consagrado a Odin,
Eu mesmo consagrado a mim,
Naquela árvore de que ninguém sabe

De que raízes ela se ergue.
Não me ergueram um chifre nem me deram pão;
Olhei para baixo –
Gritei em alta voz –
Agarrei as runas, agarrei-as clamando,
Dali caí novamente ao chão.[1]


Esta é uma das passagens mais famosas da Edda, e uma das mais misteriosas. Ela parece representar um ato de autossacrifício, através do qual Odin adquire as runas. Mas como Odin pode sacrificar-se a si mesmo? O que isto pode significar? Claro, se Odin é o deus supremo, o Pai de Todos, então não há um deus maior a quem ele possa se sacrificar. Mas isso dificilmente elimina o mistério. Se Odin é o deus supremo, por que ele precisa fazer algo para adquirir as runas? Por que ele já não as possui, simplesmente em virtude de ser Odin? E ainda assim, ele faz algo: sacrifica-se a si mesmo. Este ato (que dá ao termo “autossacrifício” um significado totalmente novo) sugere irresistivelmente que há uma dualidade em Odin; que existem dois “Odins”: aquele que tem o segredo das runas, e aquele que quer adquiri-lo. Neste ensaio — que é um exercício altamente especulativo na interpretação do mito — sugerirei que o Odin que fala nesta passagem, e em geral o Odin que nos é familiar, representa uma metade de uma divindade complexa: a metade que aparece. Odin é a “face” deste deus, que transcende as aparências e nunca nos aparece em sua totalidade.

10/04/2026

Joakim Andersen - Kafka contra Kafka

 por Joakim Andersen

(2025)


Franz Kafka (1883-1924) é um dos grandes escritores da era moderna, notadamente graças à sua variante particular do realismo mágico. Trata-se de alguma forma de um realismo social mágico, de uma mito-sociologia que evidencia a dimensão oculta e incompreensível do mundo moderno.

Coisas estranhas acontecem na vida quotidiana do mundo moderno: «Quando Gregor Samsa acordou uma manhã de seus sonhos agitados, encontrou-se em sua cama, transformado num inseto gigantesco». O Processo e O Castelo são descrições brilhantes da burocracia, mesmo que seus personagens principais sejam mais ou menos tão heroicos quanto os de Lovecraft.

07/04/2026

Kazuhiro Hayashida - Fronteiras entre as Civilizações do Altai-Amur e do Rio Amarelo

 por Kazuhiro Hayashida

(2025)


De acordo com a ortodoxia acadêmica, a pré-história japonesa é geralmente descrita como uma transição linear do período Jōmon para o Yayoi, entendendo-se este último como sucessor direto do primeiro. No entanto, na realidade, o complexo cultural Yayoi, caracterizado pelo cultivo de arroz, bronze e ferro, surgiu como uma fronteira civilizatória meridional que fluía das bacias dos rios Amarelo e Yangtzé, enquanto, ao mesmo tempo, no final do período Jōmon, também estavam a entrar no arquipélago elementos do norte do Amur, como motivos animais, práticas de caça e técnicas militares. Por outras palavras, as ondas de civilização provenientes tanto do norte como do sul penetraram no Japão de forma paralela e foi precisamente no seu ponto de interseção que surgiu um espaço cultural integrador. A razão pela qual o mundo acadêmico não reconheceu esta estrutura paralela é porque continua ligado a um modelo evolucionista simplista —«Jōmon = primitivo, Yayoi = progressista»— e, portanto, carece da perspectiva de situar estas fronteiras civilizatórias como contemporâneas. Sustento que apenas através desta compreensão paralela norte-sul se pode definir com precisão o Japão como uma zona de dupla fronteira de contato civilizatório.

05/04/2026

Geydar Dzhemal - Luta de Classes no Século XXI: Parte V - O "Islã Político" e o Governo Mundial

 por  Geydar Dzhemal

(2012)


Muitas pessoas acostumadas a que o Islã político é um fator antiocidental, não conseguem aceitar a coexistência e até colaboração entre o Islão radical e a burocracia internacional, que atuam conjuntamente em alguns pontos quentes do planeta.

Lembramos que no seu dia os Estados Unidos apoiaram a resistência afegã e a sua ala internacional contra o assim chamado contingente limitado soviético. (Ali foi, por sinal, onde se criou a marca da dita “Al-Qaeda”, que não é mais do que a nomenklatura dos comandantes militares de formato internacional, que podem ser mobilizados para as atividades militares em determinados lugares). 

03/04/2026

Claude Bourrinet - A Revolução e as Estrelas

 por Claude Bourrinet

(2025)


Para que haja revolução, não basta decretá-la, ou pensar que uma revolta (a dos Coletes Amarelos, por exemplo, seja suficiente), ou que uma crise económica vai empurrar a população para os seus últimos redutos (pelo contrário, uma ditadura feroz pode daí nascer e achatar qualquer sobressalto).

As revoluções nascem quando se tem um mundo a defender, ou um mundo a conquistar.

29/03/2026

Geydar Dzhemal - Luta de Classes no Século XXI - Parte IV: Governo Mundial como Caminho para a Nova Sociedade

 por Geydar Dzhemal

(2012)


Todas as discussões sobre a “Nova Ordem Mundial” que tiveram lugar no discurso social mundial desde os anos 30 do século XX e até os neoconservadores de Bush não foram na realidade mais do que discussões sobre a nova formação político-social que vem substituir tanto o capitalismo como o socialismo. O socialismo via-se a si mesmo como a saída para a fase final do progresso histórico, mas está claro que esta ambição era ignorada tanto no Reich, como nos Estados Unidos do modelo 11 de setembro. O socialismo, em definitivo, não representava uma ruptura radical com a história mundial anterior. Para esta rutura faltava-lhe o principal: não superava o critério liberal da “boa vida” – o livre consumo dos bens materiais.

Claro que no socialismo estava presente a corrente religiosa ascética do anticonsumismo, a visão mística da revolução a partir de baixo, mas esta visão não superava os marcos do cosmismo, estava determinada pelo horizonte do titanismo, arraigado na camada arcaica da atitude perante o mundo. Este cosmismo titânico dentro do conjunto do fenômeno socialista era marginal com respeito à linha geral materialista.

23/03/2026

Geydar Dzhemal - Luta de Classes no Século XXI: Parte III - O Governo Mundial e o Fim da Democracia Eleitoral

por Geydar Dzhemal

(2012)


Ao longo dos séculos, o tema do governo mundial foi objeto de fantasias políticas, sonhos e projetos entre muitos pensadores preocupados com a paz mundial e o bem-estar. O governo mundial parecia a panaceia para todos os males que afligem a humanidade. Na realidade, o próprio surgimento do conceito do governo mundial centralizado rompia com a Idade Média e abria caminho para as iniciativas que mais tarde foram batizadas como “Modernidade”.

Mas é apenas uma ilusão progressista pensar que tais concepções são o produto da mentalidade da Época Moderna. Na realidade, a ideia do governo mundial ou, mais exatamente, do “Rei do mundo” é uma ideia perfeitamente tradicional oculta, própria de muitos sistemas simbólicos. De maneira evidente, o governante do mundo está presente na metafísica budista e na teologia católica. Pax Romana – o Império Romano – também se fundamentava na ideia da união de todos os povos sob o comando de um único centro imperial. Antes de Roma, a tentativa mais significativa de criar o governo mundial foi realizada por Alexandre Magno – 300 anos antes de Jesus Cristo. Mais sucesso na mesma direção obteve Gengis Khan, cujo império durou mais tempo… Em outras palavras, a ideia de um mundo unificado governado por um só homem está presente na consciência religiosa desenvolvida e na prática histórica. Certamente, também os impérios coloniais de alguma forma formavam o governo mundial, sobretudo levando em conta que alguns deles eram governados por parentes.

22/03/2026

Geydar Dzhemal - Luta de Classes no Século XXI: Parte II - Os Senhores dos Clãs Burocráticos

 por Geydar Dzhemal

(2012)


Pela sua composição humana e de quadros, a burocracia internacional diferencia-se fundamentalmente das burocracias nacionais. Estas duas corporações diferenciam-se não só pela sua ideologia, objetivos históricos, métodos de governo e fontes de financiamento. Opõem-se também pela sua base antropológica: possuem diferente antropologia social.

Anteriormente dissemos que existem três tipos fundamentais de burocracia internacional: supraestatal, interestatal e não estatal. As fontes para o fornecimento dos quadros destes três contingentes também são distintas.

21/03/2026

Geydar Dzhemal - Luta de Classes no Século XXI: Parte I - Época Atual como Campo de Batalha entre Clãs Burocráticos Mundiais

 por Geydar Dzhemal

(2012)



Indubitavelmente, o maior mérito do marxismo consistia em que utilizava a “abordagem de classe”. Essa expressão específica define ao mesmo tempo várias posturas intelectuais. Em primeiro lugar, trata-se da doutrina da luta de classes. Representa o fundamento e o nervo do marxismo. Segundo esta doutrina, a humanidade, cuja principal ocupação consiste no intercâmbio de substâncias com o meio que a rodeia, divide-se em grupos que desempenham papéis distintos dentro deste intercâmbio. Diferenciam-se pela sua relação com o processo de produção e o consumo dos bens. No marxismo, as classes definem-se estritamente do ponto de vista da economia, de maneira “materialista”. No entanto, há que assinalar que o marxismo não consegue manter a pureza da sua abordagem materialista e tinge-se de entusiasmo irracional quando fala do papel messiânico libertador da missão do proletariado. Um segundo momento importante da abordagem de classe, além da própria doutrina, é a análise de classe. O que significa que, por trás do que ocorre na cena política, o marxismo busca a luta de grupos que perseguem os seus interesses de grupo concretos. Se se trata da história, apenas há que determinar em que época que classes estão a atuar. Por exemplo, seria estranho tentar compreender através das realidades da “Situação da classe operária em Inglaterra” (trabalho de Engels) a situação em Florença do século XIV: tratam-se de classes distintas! Mas se os atores de cada época estão determinados, a compreensão de qualquer acontecimento converte-se em algo fácil e divertido…

14/03/2026

Aleksandr Dugin - Os Indo-Europeus

 por Aleksandr Dugin

(2018)



Vamos falar dos indo-europeus. Por que isto é importante? Porque, durante os últimos milênios, os povos indo-europeus, tanto no Ocidente – na Europa – como no Oriente – no Irã e na Índia –, estiveram no centro de todos os acontecimentos e processos mais significativos à escala planetária. Longe de todos estes acontecimentos terem sido engraçados ou maravilhosos, mas os altos e baixos dos últimos milénios não são obra de nenhum outro senão dos indo-europeus. Hoje, como o destino dos povos e culturas indo-europeias é cada vez mais problemático com cada dia que passa, e como uma crise de identidade, uma catástrofe demográfica e, em geral, uma espécie de obscurecimento evidente da consciência encaram os indo-europeus de frente, é hora de colocar a questão: quem são os indo-europeus? O que os une, se é que algo os une? O que eles enfrentam neste momento crítico da sua história e do seu destino?

11/03/2026

Geydar Dzhemal - As Portas do Reino do Messias

 por Geydar Dzhemal

(2009)




Quem é a medida de todas as coisas?


Existem dois tipos principais de consciência que formam os polos metafísicos entre os quais se encontra a história universal. Um deles é percebido hoje como liberal e moderno, mas, na realidade, é antigo, natural e universal. Os gregos formularam melhor a essência desse tipo de consciência: «o homem é a medida de todas as coisas».

De fato, a especificidade do homem e sua diferença em relação a todos os seres que entram em sua órbita de atenção — dos animais aos anjos — é sua «centralidade». O homem se percebe como o fim da existência, como aquilo por que, segundo a expressão dos gregos, «o ser é e o nada não é».

Claro, esse polo tem versões sérias, tradicionalistas, «espirituais»... Mas também existem versões bastante egoístas e liberais. O antropocentrismo da Grécia Antiga, interpretado pelos magnatas financeiros modernos, se transforma em um hedonismo descarado e agressivo, no qual as grandes revelações dos metafísicos se convertem no pathos do consumo desenfreado. A diferença entre tradicionalismo e liberalismo é evidente!

22/02/2026

Geydar Dzhemal - Obra em Vermelho

 por Geydar Dzhemal

(2010)



«A diferença entre o espírito e a matéria é apenas uma questão de grau, e nossa tarefa consiste em transformar a matéria em espiritual e o espírito em material». - Mercurio van Helmont, alquimista.

Entre todos os revolucionários da história mundial, Lênin representa uma figura muito especial. O fenômeno do leninismo é único. A revolução leninista, o «Grande Outubro», teve sucesso, enquanto todas as outras revoluções sociais que ocorreram ficaram na fase de tentativas fracassadas, projetos inconclusos e esperanças frustradas. Qualquer revolução tem que agir contra a colossal inércia do sistema mundial. Para realizar uma revolução, é necessário que confluam tantos fatores que é mais fácil imaginar a origem da vida na Terra. Uma revolução bem-sucedida é um milagre. A de outubro é um milagre duplo: em primeiro lugar, foi realizada e, em segundo lugar, praticamente tudo o que Lênin fez durante toda sua vida pré-revolucionária para realizá-la não serviu para nada ou, em alguns casos, acabou sendo um obstáculo.

17/02/2026

Julius Evola - O Significado Espiritual da Autarquia

 por Julius Evola

(1938)



Não é incomum, em nossa época atual, que a força das circunstâncias — e essas "causas positivas" tão valorizadas em certos círculos — gerem situações que, à primeira vista, parecem extrair seu significado exclusivamente delas. No entanto, para o olhar perspicaz, tais situações prontamente se revelam suscetíveis de incorporar um valor superior e, assim, elevar-se acima do plano da mera contingência.

Usamos a palavra "suscetível" com plena intenção, desejando transmitir o sentido de possibilidade, e não de necessidade, que é próprio a essa vocação superior. Muitas vezes, o destino coloca algo ao nosso alcance sem que o percebamos ou saibamos como aproveitá-lo. E em muitas outras ocasiões, tanto na vida individual quanto na coletiva, a força das circunstâncias age como um domador que, embora possua um amor genuíno por um novo cavalo, é obrigado a chicoteá-lo repetidamente porque este não compreende sua vontade: executa cada parte do exercício com cuidado, mas invariavelmente para justamente no último passo — que, com o mínimo esforço, se apenas entendesse, poderia ser facilmente superado.

08/02/2026

Horst Mahler, Günther Mäschke & Reinhold Oberlercher - Declaração Solene sobre o Movimento de 1968

 por Horst Mahler, Günther Mäschke e Reinhold Oberlercher

(2002)


Após os discursos de Bernd Rabehl nos comícios de Munique e Bogenhausen e o apelo de Mahler por uma união nacional além da esquerda e da direita, uma declaração solene sobre o movimento de 1968 lança uma nova pedra no charco dos círculos de esquerda. Esta declaração é obra de três antigos militantes da SDS (Federação Alemã dos Estudantes Socialistas) – Horst Mahler, Günter Maschke e Reinhold Oberlercher:


Aqueles que, como funcionários e apologistas, defendem hoje o domínio estrangeiro sobre o povo alemão e, mais amplamente, a dominação "global" imperialista do capital sobre todos os povos da Terra, têm o estranho hábito de invocar o mito de 1968. Este abuso de linguagem levou os signatários a publicar esta declaração para as gerações futuras e para a História. É o testemunho de pessoas que viveram os eventos de 1968 e podem afirmar que esse movimento não defendia nem o comunismo, nem o capitalismo, nem o terceiro-mundismo, nem os valores propagados pelo Ocidente ou pelas democracias populares. O movimento de 1968 trabalhava apenas pelo direito de cada povo à autodeterminação de tipo nacional-revolucionário. Nunca defendemos a política partidária, o parlamentarismo, as coalizões vermelho-verdes ou o capitalismo político sob o disfarce da democracia. O liberalismo era tão estranho para nós quanto o conservadorismo ou o socialismo, entendidos como a dominação de uma classe sobre a sociedade. O movimento de 1968 não defendia a americanização do mundo, a destruição dos povos e das famílias pela redução de tudo e de todos ao mercado, o foco no emprego, a má música, a pornografia, as drogas, o capitalismo e o crime, mas sim o seu oposto.

31/01/2026

Kai-Uwe Zwetschke - Entrevista com Horst Mahler

 por Kai-Uwe Zwetschke

(2000)



Introdução


No final de março de 2000, o público que compareceu a Karlsruhe a convite da estrutura local dos Nacionalistas Independentes (organização da qual fazem parte os membros alemães da Frente Europeia de Libertação) pôde ouvir um orador pouco comum: Horst Mahler, ex-líder da extrema-esquerda, hoje muito requisitado pelos meios nacionalistas e conservadores. Seu percurso político é, no mínimo, inesperado. Nascido na Silésia, em uma família nacional-socialista, ele se interessou pela política desde cedo. Sua trajetória o levou das Juventudes Socialistas à principal organização da extrema-esquerda alemã nos anos 1960, o SDS (Sozialistischer Deutscher Studentenbund: Federação Alemã dos Estudantes Socialistas). Em 1968, ele foi um dos principais porta-vozes da revolta estudantil. Seu coração estava decididamente à esquerda, e, pela virulência de seus discursos, ele rapidamente se tornou, aos olhos da direita conservadora, a encarnação do grande Satã. Seu envolvimento como advogado ao lado dos terroristas da extrema-esquerda do Grupo Baader assumiu formas tão extremas que lhe renderam uma condenação a dez anos de prisão.

25/01/2026

Deutsche Stimme - Entrevista com Horst Mahler

 por Deutsche Stimme

(1999)


 

Em uma entrevista concedida ao jornal nacional-democrata Deutsche Stimme em abril de 1999, Horst Mahler, o ex-ativista da Fração do Exército Vermelho (Rote Armee Faktion), tornando-se advogado em Berlim após sua saída da prisão, explica suas posições. Pareceu-nos útil reproduzi-las aqui em tradução francesa, pois elas nos revelam a evolução incomum e surpreendente desse homem apaixonado. Nosso objetivo, aqui, não é tomar partido pelos compromissos passados ou atuais do Dr. Mahler, mas sim fazer um trabalho de historiador, ou seja, revelar um documento-testemunho importante, que permita julgar com serenidade com base em fatos e não gritar slogans ditados pela ditadura midiática. Aqueles que os gritam, e aqueles que, certamente, nos criticarão, com a boca em bico ou babando de raiva, por termos traduzido esta entrevista, são profundos imbecis. Debiloides mentais. Que desprezamos profundamente. Suas logorreias nos deixarão indiferentes. O documento é interessante porque foi publicado antes que o Dr. Mahler se envolvesse ruidosamente nas fileiras nacional-democratas, no momento em que esse partido está ameaçado de dissolução pelo tribunal constitucional da RFA. Nossa posição nesse debate é clara: não defendemos os nacional-democratas, somos críticos em relação ao pessoal que essa formação política recruta em suas fileiras e depois exibe nas ruas, mas também afirmamos com igual clareza que não cabe a um tribunal constitucional examinar, com vistas a uma proibição, os programas, escritos e opiniões emitidos no âmbito de um partido, seja qual for sua orientação. Esse exercício é ainda mais inútil porque o partido não atrai especialmente o eleitorado, justamente por causa de sua política medíocre de recrutamento. Aqui, a vox populi não se engana: essa política é de fato inaceitável.

15/01/2026

Claudio Mutti - A Gotteskampf de Johann von Leers

 por Claudio Mutti

(2000)

 


 

I

Sol Invictus


"E estas Rochas, eu sabia, tinham sido o centro dos ritos solares germânicos em tempos imemoriais. (…) Aqui, há mais de quatro mil anos, os sábios e guias espirituais das tribos germânicas (…) reuniam-se para saudar o primeiro nascer do Sol no dia sagrado de junho."
Savitri Devi, Pilgrimage, Calcutá 1958.

Se devêssemos acreditar em certos caçadores de nazistas desesperados à procura de “criminosos de guerra”, o prof. dr. Johann von Leers estaria hoje, no ano 2004 da era vulgar, ainda vivo e bem [1]. E teria a venerável idade de cento e dois anos. Na realidade, o professor von Leers morreu em 1965, aos sessenta e três anos.

Nascido em 25 de janeiro de 1902 em Vietlübbe, Mecklemburgo, Johann (Johannes) von Leers estudou nas universidades de Kiel, Berlim e Rostock. Doutorou-se em direito, mas também cultivou estudos linguísticos, dedicando-se à eslavística; estudou russo e polonês, mas também iídiche e até mesmo húngaro e japonês; como tantos outros intelectuais alemães de sua geração, escrevia fluentemente em latim. Ernst Jünger (1895-1998) não estava, portanto, errado ao defini-lo como “um gênio linguístico” [2].