por Aleksandr Dugin
(2018)
Vamos falar dos indo-europeus. Por que isto é importante? Porque, durante os últimos milênios, os povos indo-europeus, tanto no Ocidente – na Europa – como no Oriente – no Irã e na Índia –, estiveram no centro de todos os acontecimentos e processos mais significativos à escala planetária. Longe de todos estes acontecimentos terem sido engraçados ou maravilhosos, mas os altos e baixos dos últimos milénios não são obra de nenhum outro senão dos indo-europeus. Hoje, como o destino dos povos e culturas indo-europeias é cada vez mais problemático com cada dia que passa, e como uma crise de identidade, uma catástrofe demográfica e, em geral, uma espécie de obscurecimento evidente da consciência encaram os indo-europeus de frente, é hora de colocar a questão: quem são os indo-europeus? O que os une, se é que algo os une? O que eles enfrentam neste momento crítico da sua história e do seu destino?
Isto também é importante porque nós, os eslavos, também somos parte da civilização indo-europeia. A nossa língua, cultura e história são indo-europeias. Por outro lado, a esmagadora maioria dos historiadores e linguistas está convencida de que as primeiras tribos indo-europeias – os antepassados dos povos da Europa, Índia, Irã e até os hititas da Malásia – procediam das terras que durante séculos têm sido territórios do nosso país, a Grande Rússia.
A identidade dos indo-europeus assenta no seguinte. Estes não são outros senão os povos que desde a antiguidade adoraram os deuses celestiais e patriarcais da luz. Na antiguidade, o politeísmo predominou entre os indo-europeus, mas após o nascimento de Cristo, há exatamente 2017 anos, cada vez mais indo-europeus, começando pelos gregos e pelos romanos, abraçaram o cristianismo. Nem toda a Europa se tornou cristã, mas neste caso o Deus da Trindade foi concebido como a Luz incriada, o Rei Celestial e, afinal de contas, a lealdade à luz e ao céu era uma característica integral da religião indo-europeia.
Os povos indo-europeus são da família patriarcal. Não humilhavam as mulheres, nem as consideravam objetos ou escravas, mas não lhes davam livre-arbítrio. O patriarcado indo-europeu originou-se do princípio de que o céu é o pai e a terra é a mãe. Isto não menospreza a terra ou as mulheres, mas a vertical é óbvia.
O historiador francês Georges Dumézil justificou e demonstrou que todas as sociedades indo-europeias se construíram sobre um modelo triádico fundado em três castas ou estados. Os sacerdotes, os reis sagrados e o sacerdócio eram a primeira casta. O sacerdócio estava inseparavelmente ligado ao reino. O reinado de um usurpador, de um violador ou de um idiota era considerado uma anomalia.
A segunda casta era a dos guerreiros profissionais. Os indo-europeus não conheciam iguais a este respeito. Eles sabiam lutar e sempre o fizeram. Os indo-europeus domesticaram o cavalo e inventaram a carruagem com a qual, claro, costumavam atacar, lutar e vencer. Com tal espírito, os indo-europeus criaram todos os estados da Europa e muitos dos estados da Ásia. Num certo sentido, graças à segunda casta, os indo-europeus gradualmente alcançaram a dominação mundial. Se isto é bom ou mau é outra questão. Mas é um fato que o fizeram. Não são outros senão os guerreiros que criam os Estados, e os indo-europeus compreenderam isto na perfeição.
A terceira casta dos indo-europeus era formada por camponeses e operários. Entre os povos nômades, como os citas, os sármatas, os jász, os cuchanas, os sacas, os partos e os ários védicos, esta casta era formada por pastores. A produção material, a riqueza, a alimentação e as mulheres pertenciam principalmente à terceira casta, ou seja, encontravam-se na parte inferior da hierarquia indo-europeia.
Os sacerdotes e o rei correspondiam ao céu, os guerreiros ao ar, e os camponeses à terra. O sistema de valores dos indo-europeus fundou-se nisto, e assim foi durante milénios. Todos os tipos de religiões, sociedades, culturas, mitos, contos, crónicas históricas e sistemas económicos indo-europeus construíram-se sobre este modelo patriarcal e trifuncional. Isto quer dizer que ser indo-europeu significa pertencer à sociedade dos sacerdotes, guerreiros e trabalhadores.
“Mas como é que isto se relaciona com os mercadores, os comerciantes e os usurários?” – pergunta você. De maneira nenhuma. Tais tipos eram desprezados nas sociedades indo-europeias. O capitalismo apareceu apenas quando os valores indo-europeus começaram a ser rapidamente esquecidos, degradados e degenerados. As sociedades indo-europeias também não conheciam a igualdade, um sinal de degeneração. Não conheciam o feminismo ou a sodomia, pela qual diferiam das terras matriarcais e dos cultos não indo-europeus como o culto de Cibele.
A modernidade europeia, que aboliu a religião, a fé no Rei e no Pai Celestial, as castas, a compreensão sagrada do mundo e essencialmente o patriarcado, foi o começo da queda da civilização indo-europeia. O capitalismo, o materialismo, o igualitarismo e o economicismo são a vingança daquelas sociedades contra as quais os indo-europeus fizeram a guerra, subjugaram e se esforçaram por corrigir, o que compunha a essência de toda a história dos povos indo-europeus. A modernidade foi o fim da civilização indo-europeia. Corresponde naturalmente ao nadir. Isto não é uma abstração, porque nos afeta da maneira mais direta.
Desejo-vos tudo de bom, estiveram a ver a Linha Orientadora de Dugin sobre a profunda crise da civilização indo-europeia.
Nenhum compromisso nos ajudará. Ou desaparecemos e somos dissolvidos, ou devemos restaurar a nossa civilização indo-europeia na sua totalidade, com todos os seus valores, maneiras e metafísica. Se queremos preservar-nos como povo, como povo indo-europeu, devemos despertar e renascer em contraste com tudo o que se tem dado por certo no mundo da modernidade. Que se dane este mundo da modernidade.
