"O mundo pagão era duro, mas havia nele um princípio de receosa submissão às forças da natureza, às suas Leis, ao Destino. A esperança cristã fez-lhe rebentar as severas fundações. Para triunfar das velhas muralhas não bastam algumas flores silvestres, medrando as suas raízes em cada fissura, com a humidade da terra? E eis que a Esperança, desviada dos seus fins sobrenaturais, lança o homem à conquista da Felicidade, enche a nossa espécie de uma coisa parecida com orgulho colectivo que tornará o seu coração mais duro do que o aço das suas máquinas."
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08/06/2011
02/06/2011
O mundo é do risco
"Pois se o Dinheiro não solicita ainda o reconhecimento público da sua soberania, é menos por astúcia e prudência do que por sua insuperável timidez. Os que escapam ao seu império conhecem a sua força, topam-no à distância. Ele ignora totalmente, a deles. Os santos e os heróis sabem o que ele pensa, e ele não tem nenhuma do que podem pensar dele, ao certo, os santos e os heróis. É verdade que o exclusivo amor ao dinheiro nunca fez mais do que maníacos, obcecados que a sociedade mal conhece que lamuriam e apodrecem nas regiões tenebrosas, como agáricos. A avareza não é uma paixão, mas um vício. O mundo não é do vicioso, como imaginam as castidades torturadas. O mundo é do Risco. Isto é coisa para fazer rebentar a rir os sensatos cuja moral é a da poupança. Mas esses, se não arriscam eles próprios, vivem do risco dos outros. E sucede também, graças a Deus, que morrem disso. Certo engenheiro obscuro decide bruscamente, com estupefacção dos seus conhecidos, passar a fabricar um pássaro mecânico, certo ciclista aposta, na hora do vermute, pilotar essa curiosa máquina, e não são necessários mais de trinta anos para que caiam sobre a cabeça dos Poupantes, caídas do céu, bombas de mil quilogramas. O mundo é do risco. Amanhã o mundo será de quem arriscar mais, correr mais firmemente o seu risco."
19/04/2011
Resignação
"O homem é naturalmente resignado. O homem moderno mais do que os outros, em consequência da extrema solidão que o mergulha uma sociedade que praticamente já não conhece entre as pessoas outras relações que não sejam as do dinheiro. Mas mal andaríamos se acreditássemos que essa resignação faz dele um animal inofensivo. Ela concentra no homem venenos que, chegando o momento, o tornam disponível para toda a espécie de violência. O povo das democracias não passa de uma multidão, uma multidão mantida na expectativa pelo Orador Invisível, pelas vozes vindas de todos os cantos da terra, pelas vozes que a agarram pelas entranhas, que exercem tanto mais poder sobre os seus nervos quanto mais se dedicam a falar a própria língua dos seus desejos, dos seus ódios, dos seus terrores. É verdade que às democracias parlamentares, mais excitadas, falta temperamento. As ditatoriais, essas, têm fogo no ventre. As democracias imperiais são democracias com cio."
(George Bernanos)
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