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02/03/2022

Carlos Salazar - A Quarta Teoria Política e o Socialismo na América Latina

 por Carlos Salazar

(2021)

Durante os últimos dois meses de 2020, participamos de várias instâncias de colaboração com intelectuais e ativistas da luta anti-imperialista no mundo. Em 19 de novembro, como representante do Círculo, falei na conferência internacional "Uma Alternativa Multipolar para a América Latina: Geopolítica, Ideologia, Cultura". Naquela ocasião, além de apresentar os temas que já havia abordado em meu texto: "A Quarta Teoria Política ou Um Pensamento para a América do Sul", pude apreciar muito boas apresentações de Vicente Quintero (Venezuela), Pavel Grass (Brasil), Nino Pagliccia (Canadá/Venezuela), Valeri Korovin (Rússia) entre outros, e concordar com eles em vários pontos de vista. Destacou-se a apresentação do professor Aleksandr Dugin, na qual ele fez o inevitável convite aos povos de Nossa América para abordar seus problemas a partir da Quarta Teoria Política (4TP), desta vez fazendo uma proposta para pensar num novo tipo de socialismo, que se distingue do antigo socialismo e também da esquerda liberal ("liberal-bolcheviques" como ele os chama, não sem um certo sarcasmo).

Este novo socialismo, que, seguindo a ideia de Dugin, deveria buscar suas raízes no populismo integral (antiliberalismo radical), tomaria os melhores aspectos do antigo socialismo, como a luta da classe trabalhadora contra a exploração capitalista, mas também resgataria aqueles aspectos que a direita (hoje, liberal e globalizante) abandonou, ou instrumentalizou para defender os interesses das oligarquias, como a defesa da Pátria e certas tradições ligadas à identidade dos povos.

22/01/2020

Carlos Salazar – A Quarta Teoria Política ou um Pensamento para a América Latina

por Carlos Salazar

(2019)



A quarta teoria política, cuja gênese devemos atribuir ao grande Martin Heidegger, e que posteriormente foi habilmente desenvolvida e interpretada por Alain de Benoist e Aleksandr Dugin, nos apresenta uma superação teórica da primeira (liberalismo), segunda (comunismo) e terceira teorias políticas (fascismo). A quarta teoria política é taxante ao apontar a morte da terceira e segunda teoria na Europa. A única teoria vigente é a primeira, que já está mudando do liberalismo para o pós-liberalismo, um estágio de primazia do poder econômico sobre o político e, conseqüentemente, a perda de relevância do fenômeno político-institucional frente a nova política dirigida pelas empresas transnacionais.

Precisamente, o projeto da quarta teoria é propor uma alternativa contrária ao liberalismo e ao pós-liberalismo. Sua impressão anti-individualista se traduz no que Dugin chamou, de uma maneira muito sábia, Populismo Integral. Este propõe como sujeito político o "Ser-aí" (Dasein) em oposição ao "indivíduo" do liberalismo: "O homem é tudo, menos indivíduo". Em outras palavras, o atomismo uniformizador globalista se opõe e se contrapõe a todos os tipos de identidades coletivas que o liberalismo constantemente negou: “O homem é sua classe, sua nação, sua tribo, seus costumes, sua comunidade, sua história, sua espiritualidade, etc”. Não existe interesse individual para a Quarta Teoria (doravante 4TP), pelo contrário, o interesse do homem em particular é o de suas identidades coletivas, sem que isso signifique contradição, uma vez que o antagonismo entre o individual e o coletivo é novamente uma conceituação própria do liberalismo.