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28/12/2024

Carlos Xavier Blanco - O Suicídio da Europa: O Declínio do Campo, a Ascensão da Pornografia e do Homem de Massa

 por Carlos Xavier Blanco

(2012)

 


 

Introdução


Neste ensaio, meditaremos sobre o Ocidente. Faremos isso principalmente com a orientação de Oswald Spengler, mas sem esquecer Nietzsche, Marx, Freud, Fromm e outros grandes pensadores. O filósofo germânico, genial autor de A Decadência do Ocidente, previu, entre o estrondo dos tambores de guerra que assolavam a Europa no início do século XX, a morte de nossa civilização e a necessidade de libertar, por meio de uma guerra expansiva, as últimas possibilidades de uma civilização velha, prestes a se tornar cadáver e tempo reduzia a fósseis de formas caducas. O pluralismo cultural de Spengler pressupõe o fim das abstrações vazias: Humanidade, assim como Progresso ou Liberdade, Igualdade ou Fraternidade, são esses novos deuses frios e abstratos, que não exigem mais do que uma devoção morna e que são tão caducos quanto a própria Modernidade que os criou. Os ideais da Ilustração e da Revolução conspiraram com a coisificação do homem no industrialismo e prepararam o cenário de uma Europa de fábricas, de “mão de obra” e de cidades globais absolutamente artificiais, desconectadas progressivamente da cultura que as precedeu.

Mas «a humanidade» não tem um fim, uma ideia, um plano; assim como não tem fim nem plano a espécie das borboletas ou das orquídeas. «Humanidade» é um conceito zoológico ou uma palavra vã. Que desapareça esse fantasma do círculo de problemas referentes à forma histórica, e veremos surgir com surpreendente abundância as verdadeiras formas.

22/08/2024

Carlos Xavier Blanco - A Hispanidade Segundo Alberto Buela

 por Carlos Xavier Blanco

(2020)


Lá pelo ano de 1996, a editora Barbarroja lançou o livro de Alberto Buela, "Hispanoamérica contra Occidente". Trata-se de uma coleção de ensaios e apresentações que o grande filósofo argentino uniu com um fio condutor: a própria identidade. Neste caso, trata-se da identidade do Hispano-americano. Esperemos que este livro seja republicado mais cedo do que tarde e que os espanhóis de ambos os lados do Atlântico possam ter acesso de forma mais geral aos seus pensamentos ricos e profundos, que são muitos e fecundos.

A própria identidade.

24/01/2024

Carlos Xavier Blanco - A Quarta Ideologia do Capitalismo: Antropofobia

 por Carlos Xavier Blanco

(2023)



Modernidade é um termo que equivale a capitalismo. Quando a civilização cristã começou sua ruína (século XIV, o século do nominalismo e a ascensão do individualismo e da burguesia), foi exatamente o ponto em que a terra e o trabalho se tornaram mercadorias.

Mas falar de terra e trabalho é precisamente falar de homem. O homem sem raízes não é mais homem: ele é uma unidade discreta e substituível. O homem cria raízes na terra e é ele próprio a terra. Traçando sulcos e comendo seus frutos, percorrendo-a no rastro de uma presa, buscando novas terras como se elas próprias fossem presas? O homem é a Terra.

04/10/2019

Carlos Xavier Blanco - O Espelho Russo: Europa e a Alma do Oriente

por Carlos Xavier Blanco

(2018)



Finalmente contamos novamente, em nossa língua espanhola, com o trabalho de Walter Schubart (1897-1942), Europa e a Alma do Oriente.

Este pensador, filósofo, eslavista, teólogo, é muito pouco conhecido em nosso país. Ele era um alemão báltico, um "ocidental no Oriente", e isso é um fato em si mesmo: é preciso levar em conta que os teutões se expandiram em direção ao leste, em direção ao que hoje é a Rússia e os países bálticos, desde os tempos medievais, contribuindo grandemente para a cultura dessas nações e deixando bolsões de população germânica, bolsões que as tragédias da guerra e os inevitáveis reajustamentos de fronteiras na Europa modificaram notavelmente. Schubart, de origem teutônica, no entanto, era muito próximo, geograficamente e psiquicamente, da grande Rússia.

Schubart é um filósofo, parece, destinado a ser uma ponte. A ponte entre o Ocidente, que está imerso na ruína e na decadência, e um Oriente que vê como promessa e salvação do europeu. O Ocidente e sua terra natal, a Alemanha, estão condenados. Não apenas o hitlerismo, mas também as forças liberais e "democráticas" que irão combatê-lo na Segunda Guerra Mundial são sintomas de uma perda da alma.

O europeu medieval era "o homem gótico". Em sua versão degenerada, o homem gótico tornou-se por volta do século XVI em "homem prometéico". O homem prometéico que desafia os deuses, querendo roubar seu fogo, que é basicamente o pecado de hybris, de insolência, falando como grego. O olhar esperançoso de Schubart, eslavista por formação, filósofo das culturas e religiões, se põe sobre a Rússia, a Grande Mãe dos povos eslavos que pode ser um dia, uma vez superado o episódio do bolchevismo, a salvação desse “homem prometeico", que é um tipo de homem degenerado e seduzido pelo dinheiro e pela técnica. A mãe Rússia vai resgatar o potro desenfreado da Europa Ocidental, prestes a despencar por pura loucura. Mas o germano-balto que foge de um nazismo que se expande para o leste, casado com uma judia, cairá cara a cara com o bolchevismo, cujas garras causarão sua morte. Um campo de prisioneiros no Cazaquistão será o lugar onde Walter e sua esposa Vera desaparecerão.

A partir dessas linhas animamos à leitura do livro que a Ediciones Fides volta a apresentar para o público que lê na língua de Cervantes. Animamos também a que se empreendam investigações em espanhol sobre um filósofo tão pouco conhecido, pelo menos em nossa língua.