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02/08/2026

Julius Evola - Dante Templário?

 por Julius Evola

(1951)


Foi por meados do século passado que, no que diz respeito a Dante, começaram a tornar-se de domínio comum dados que atuaram como desmancha-prazeres nos estudos dantescos, destacando, do Poeta e da sua obra, aspectos inesperados e enigmáticos. Esta ação perturbadora manifestou-se sob um duplo aspecto. 

Para os estudos dantescos acadêmicos e, em geral, segundo os critérios estéticos prevalecentes, a obra dantesca só deveria ser considerada à luz da «arte», e todos os elementos de caráter moral (e geralmente além disso não se via mais nada) devendo valer apenas de forma acessória e subordinada. Em segundo lugar, não se nutriam dúvidas sobre a ortodoxia católica de Dante: em Dante gostava-se de exaltar um dos maiores expoentes do pensamento católico medieval. 

29/07/2026

Julius Evola - Uma Linguagem Codificada na Divina Comédia

 por Julius Evola

(1954)



Data de 1927 uma obra que deveria ter marcado uma revolução no campo dos estudos dantescos, mas que, após algumas discussões num âmbito restrito, hoje parece ter deixado mais ou menos as coisas no ponto em que estavam: sinal, este, da obtusa força de inércia própria aos hábitos e aos cânones de certa crítica oficial firmemente instalada nos postos de comando da cultura e do ensino italiano. A obra a que aludimos tinha por título: Il linguaggio segreto di Dante e dei Fedeli d’Amore e autor era Luigi Valli, nobre figura de pensador, de erudito e de homem político (foi também um dos primeiros expoentes militantes do nacionalismo), que viria a morrer não muitos anos após a saída daquele livro quase na linha de combate: no decurso de uma das suas numerosíssimas e apreciadas conferências destinadas a defender e a elucidar as suas teses. Estas dizem respeito a uma dimensão secreta e ignorada não só de Dante, mas também da literatura que se costuma designar como a dos «Fiéis do Amor» e que tem estreitas relações com o «doce estilo novo». A dizer verdade, as teses de Valli não eram novas e inusitadas senão com referência à Itália, e ao plano de rigorosa crítica em que vinham agora formuladas.

18/07/2026

Julius Evola - Enquadramentos Dantescos

 por Julius Evola

(1939)


Quem examinasse a obra recentíssima de Merezhkovsky sobre «Dante», que viu pela primeira vez a luz traduzida para o italiano por Küfferle (Ed. Zanichelli, Bolonha, 1939), receberia uma impressão oposta à que pode dar outra obra do mesmo escritor, saída também há pouco na Itália, sobre «Tolstói e Dostoiévski». 

Com efeito, ao ler esta segunda obra, podia-se ser incentivado unicamente pelo nome do autor: mas, uma vez enfrentada a leitura, fica-se agradavelmente surpreso ao constatar que Tolstói e Dostoiévski, como também os seus personagens e os seus problemas, no fundo não servem a Merezhkovsky senão como pretexto, como pontos de partida para enfrentar grandes problemas espirituais que certamente transcendem o plano da simples literatura. Na obra sobre Dante, pelo contrário, nós vemos que o autor no fundo fica aquém do argumento a analisar e a interpretar. Isto, pode-se dizê-lo no entanto de um ponto de vista todo particular. Se se tem em vista o nível dos chamados «estudos dantescos», pode-se sem dúvida dizer que a obra de Merezhkovsky está «em ordem», é rica de sugestões felizes, de efetivas dramatizações, de enquadramentos que já remetem a problemas espirituais e religiosos gerais. As coisas, porém, passam-se de outro modo, se se tem em vista não o Dante da comum exegese literária, teológica ou psicológica, o Dante dos vários Passerini, D’Ovidio, Papini e companhia, mas aquele Dante secreto, que já começou a ser pressentido por um Aroux, por um Rossetti, depois por um Pascoli e com traços sempre mais claros por um Guénon e por um Valli. No que diz respeito à interpretação de Merezhkovsky ser «esotérica» perante as comuns avaliações dantescas, ainda assim ela aparece em grande medida profana quando é este segundo Dante que se tem em vista. 

24/05/2026

Julius Evola - O que quer o "falangismo" espanhol?

 por Julius Evola

(1937)


Embora as fases da guerra civil espanhola sejam seguidas por todos com vivo interesse, as ideias que precisamente animam a insurreição das forças nacionais espanholas contra o comunismo não são tão conhecidas: devido a que muitos pensam que a fase ideológica positiva nas revoluções é sempre levada a cabo no período sucessivo.

Nós não somos partidários desta opinião. Acreditamos que o melhor soldado é aquele que combate com um conhecimento preciso de sua causa e que as ideias, já sejam presentes ou confusamente intuídas, mais do que formuladas com clareza, são a realidade primeira em todo processo histórico realmente importante. Agradecemos pois a Alberto Luchini por nos ter introduzido no programa doutrinário de uma das principais correntes nacionalistas espanholas. O da chamada “Falange Española”, vivificando e exaltando suas propostas com os recursos de um estilo de tradução neorromântico, vigoroso, preciso e com felizes improvisações (I Falangisti Spagnoli, Florença, 1936).

O programa é uma profissão geral de Fé política, cuja formulação parece dever-se a José Antonio Primo de Rivera ou ao escritor Giménez Caballero. Por sua riqueza de conteúdo espiritual, a qual nos surpreendeu tanto que cremos muito oportuno assinalá-lo ao público italiano dando, em definitiva, seu significado.

27/04/2026

Claudio Mutti - A Influência de Julius Evola na Hungria

 por Claudio Mutti

(1997)


Na Hungria, circula uma espécie de "lenda evoliana". Nos anos 30, Julius Evola efetivamente esteve em Budapeste, onde proferiu uma conferência em Óbuda, no Castelo Zichy. De fato, o próprio Evola, no texto da sua "autodefesa", proferida em 1951 perante o Tribunal de Júri de Roma, afirma "ter sido convidado para falar em sociedades estrangeiras, abertas apenas aos principais expoentes do pensamento tradicional e aristocrático europeu"; neste contexto, citou expressamente a "Associação Cultural" da Condessa Zichy. As ocasiões para se deslocar a Budapeste não faltavam a Evola. A Hungria fazia parte dessa área de "países vizinhos" (vizinhos da Alemanha) nos quais Evola desenvolveu a sua "atividade propagandística", conforme um relatório secreto da Ahnenerbe aponta à atenção de Heinrich Himmler em 1938.

17/02/2026

Julius Evola - O Significado Espiritual da Autarquia

 por Julius Evola

(1938)



Não é incomum, em nossa época atual, que a força das circunstâncias — e essas "causas positivas" tão valorizadas em certos círculos — gerem situações que, à primeira vista, parecem extrair seu significado exclusivamente delas. No entanto, para o olhar perspicaz, tais situações prontamente se revelam suscetíveis de incorporar um valor superior e, assim, elevar-se acima do plano da mera contingência.

Usamos a palavra "suscetível" com plena intenção, desejando transmitir o sentido de possibilidade, e não de necessidade, que é próprio a essa vocação superior. Muitas vezes, o destino coloca algo ao nosso alcance sem que o percebamos ou saibamos como aproveitá-lo. E em muitas outras ocasiões, tanto na vida individual quanto na coletiva, a força das circunstâncias age como um domador que, embora possua um amor genuíno por um novo cavalo, é obrigado a chicoteá-lo repetidamente porque este não compreende sua vontade: executa cada parte do exercício com cuidado, mas invariavelmente para justamente no último passo — que, com o mínimo esforço, se apenas entendesse, poderia ser facilmente superado.

21/12/2025

Julius Evola - O Barão Sanguinário

 por Julius Evola

(1973)


 

O livro de F. Ossendowski Bestas, Homens e Deuses, cuja tradução italiana está prestes a ser reimpressa, já alcançou grande notoriedade quando foi publicado, em 1924. Nele, interessam tanto o relato das peripécias da viagem agitada que Ossendowski realizou entre 1921 e 1922 através da Ásia Central para escapar dos bolcheviques, quanto o que ele relata sobre uma figura excepcional que encontrou — o barão Von Ungern Sternberg — e sobre o que ouviu a respeito do chamado “Rei do Mundo”. Aqui, retomaremos ambos os temas.

31/07/2025

Julius Evola - A Religiosidade do Tirol

 por Julius Evola

(1936)


À beira do caminho há uma grande cruz, com uma data e uma inscrição desbotada, da qual não lembramos exatamente as palavras em alemão, mas que dizia aproximadamente o seguinte: “Tu que passas, detém-te por um momento, olha os gelos e os sinais d’Aquele que morreu pela nossa redenção, ensinando-nos que a morte é o caminho para a vida.”

Uma lenda enigmática sugere que o Santo Graal, a mítica taça que recolheu o sangue de Cristo e simboliza a tradição espiritual viva do Ocidente medieval, teria se transferido da Espanha – do Monsalvato de Salvatierra – após várias peripécias para a Baviera e, finalmente, para o Tirol.

08/05/2024

Julius Evola - O Navegar como Símbolo Heroico

 por Julius Evola

(1933)


Se há uma característica das novas gerações, é a superação do elemento "romântico"; o retorno ao elemento épico. Elas não estão mais interessadas em palavras, complicações psicológicas e intelectualistas, mas em ações. E o ponto fundamental é este: ao contrário do fanatismo e dos desvios "esportivos" das raças anglo-saxãs, nossas novas gerações tendem a superar o lado puramente material da ação, tendem a integrar e esclarecer esse lado com um elemento espiritual, retornando, mais ou menos conscientemente, a essa ação, que é uma liberação, um contato real, e não estético e sentimental, com as grandes potências das coisas e dos elementos.

Agora, há ambientes naturais que propiciam mais particularmente essas possibilidades libertadoras e reintegradoras da epopeia da ação, e eles são as altas montanhas e os altos mares, com os dois símbolos de ascensão e navegação. Aqui, de forma mais imediata, a luta contra as dificuldades e os perigos materiais torna-se um meio de realizar simultaneamente um processo de superação interna, uma luta contra elementos que pertencem à natureza inferior do homem e que devem ser dominados e transfigurados.

07/02/2024

Julius Evola - O Exemplo Japonês

 por Julius Evola

(1971)


Em nosso artigo anterior "O que é tradição", não mencionamos que o autor que pretendia tratar desse tópico em um livro recente tem, entre outras coisas, uma espécie de fobia pelas formas da realidade política e parece confinar o conceito de tradição a uma esfera que é, afinal de contas, estranha a essa realidade, portanto, também a tudo o que é estado, hierarquia política e imperium. Isso é um absurdo devido a uma idiossincrasia pessoal e a certas visões espiritualistas-cristãs equivocadas[1]. Em vez disso, é um fato que a Tradição se manifesta em seu pleno poder formador e animador precisamente no domínio da organização sociopolítica, dando-lhe um significado e uma legitimidade superiores.

Gostaríamos de apresentar aqui um exemplo primordial de tais estruturas tradicionais, que se mantiveram até os tempos modernos: o exemplo do Japão.

15/06/2023

Julius Evola - Através e Além de Nietzsche

 por Julius Evola

(1925)




Dois destinos, duas forças irredutíveis se enfrentaram e se manifestaram há dezenove séculos, uma e a outra se propuseram a conquistar o Ocidente e colher o legado do esplendor romano: o cristianismo e o mitraísmo.

Mitra: o Dominador do "Sol", o assassino do "Touro", emblema de uma raça real regenerada na "força forte das forças", dos Conquistadores, dos seres sem "bem" ou "mal", sem "necessidade", sem "desejo", sem "paixão".

Cristianismo: a voz dos escravos, de uma raça perturbada por ser problemática, doente, de infelizes que agitam a necessidade de amar, de acreditar, de se abandonar, de se perder; pessoas que são inimigas de si mesmas, inimigas do mundo, fanáticas, niveladoras, mortíferas para tudo o que é força, orgulho, sabedoria, aristocracia. A luta entre estas duas raças, longe de ter terminado, não começa realmente até hoje.

A vantagem dos cristãos no início da "sua" era de fato foi somente na superfície: a tradição real e solar dos Mistérios, por um lado, foi transmitida de chama em chama, de iniciado em iniciado numa corrente ininterrupta e secreta, enquanto ao mesmo tempo, através de influências sutis, agiu sobre as grandes correntes da história ocidental. Hoje, ela emerge novamente em plena luz nos esforços ainda confusos, nos seres quebrados sob o peso de uma verdade que ainda excede suas forças, mas que outros poderão assumir e impor: e quando for plenamente revelada, nela reconheceremos o verdadeiro e profundo significado de uma tradição - desde Descartes até o idealismo mais recente - e a veremos novamente subir em toda sua altura, dura, fria, diante de seu adversário.

20/11/2022

Julius Evola - Os Povos de Gog e Magog

 por Julius Evola

(1956)


A essência de todo esforço civilizatório e, mais geralmente, de todo verdadeiro Estado consiste em dar uma forma superior a tudo aquilo que na humanidade é sem forma, instintivo, subpessoal, selvagem, atado ao elemento massa, matéria e número; portanto, consiste também em fechar os caminhos para as forças que, deixadas a si mesmas, só produziriam destruição e caos. Mas essas forças sempre existem, contidas, como uma ameaça latente, por baixo das diversas instituições informadas por um princípio de hierarquia, ordem, justiça, autoridade espiritual. Nas tradições antigas, a função de ordenação de cima sempre esteve ligada ao símbolo de um Soberano, que, dependendo do povo, toma uma ou outra figura, mas que em essência reproduz um único tipo ou "arquétipo". O ponto de partida pode, a este respeito, ser uma dada figura histórica. Mas na imaginação popular tal figura em seu significado como representante da função acima mencionada não leva muito tempo para assumir traços míticos que, até certo ponto, a distanciam da história e a universalizam. Isto aconteceu, por exemplo, com Alexandre o Grande, Carlos Magno, Frederico da Suábia, bem como com alguns soberanos orientais. A Índia já havia essencializado tal ideia em uma concepção metafísica, naquele Chakravarti, ou "Rei do Mundo".

19/11/2022

Julius Evola - Os Treze e o Escolhido

 por Julius Evola

(1939)


Uma das observações de Guénon, que é de fundamental importância para toda uma nova orientação dos estudos etnológicos e folclóricos, é que a "primitividade" e a "espontaneidade" comumente assumida nas tradições, costumes e lendas populares dos estratos sociais e também das populações inferiores, não é nada mais que um conto de fadas. Ao invés disso, em tudo isso, com raras exceções, deve ser visto como a forma involutiva e degenerativa de elementos e significados originalmente pertencentes a um plano superior. As chamadas "superstições" populares devem ser consideradas desta forma: e o nome, em sua etimologia, já o diz: superstição significa sobrevivência, aquilo que subsiste e sobrevive. Superstições populares são muitas vezes relíquias de concepções anteriores superiores que não são mais compreendidas e, portanto, se degradam e subsistem, por assim dizer, como algo mecânico e desanimado, que continua a exercer uma certa sugestão, para alistar forças irracionais e instintivas de fé para uma espécie de atavismo, sem mais a capacidade de fornecer uma explicação inteligível.

08/08/2022

Julius Evola - Aspectos da Morte na Romanidade

 por Julius Evola

(1937)



A compreensão do mundo antigo, entre nossos contemporâneos e, sobretudo, entre os vários "especialistas", é dificultada pela suposição de que o homem antigo tinha mais ou menos os mesmos problemas que o homem moderno e buscava, como nós, a solução sob a forma de "teorias", de fórmulas conceituais. Esta suposição não poderia ser mais errada: a mentalidade antiga, em sua natureza específica e particular, não pode ser reduzida à racionalidade; ela tinha outras formas de conhecimento, às quais o símbolo e o mito, não o conceito ou a "teoria", serviam como meios de expressão. Um segundo preconceito dos intérpretes modernos deve ser rejeitado aqui: o preconceito de que o mito é apenas uma expressão diferente, imaginativa e primitiva dos mesmos significados que o homem moderno expressa através dos conceitos. Mais uma vez, é uma questão diferente: a base do mito era essencialmente estados de consciência, referia-se a "experiências", não a construções lógicas.

28/11/2021

Julius Evola - Cavalgar o Tigre

 por Julius Evola

(1957)

A imagem de cavalgar o tigre tem uma origem oriental. Trata-se de um provérbio extremo-oriental que diz que "aquele que cavalga o tigre não pode descer" porque, naturalmente, o animal o atacaria. Em vez disso, se ele mantiver o controle, pode estar certo nisso. Símbolos semelhantes, porém, podem ser encontrados em outros lugares no mesmo domínio religioso. Nos antigos mistérios de Mitra, dos quais conhecemos a grande difusão que tiveram no Império Romano, especialmente entre as legiões, Mitra, o herói divino, foi retratado como aquele que agarra um touro furioso pelos chifres, deixa-se arrastar por ele em uma corrida louca e não abandona a presa até que o animal, exausto, pare. Então ele o mata.

26/11/2021

Gianfranco de Turris - Entrevista com Julius Evola - Introdução à Leitura de Evola

(Entrevista de Julius Evola a Gianfranco de Turris)

(1971)



O conceito de Tradição se repete em seus escritos. Você poderia explicar brevemente em que sentido especial você usa este termo?


É essencialmente o sentido dado por René Guènon e seu grupo. Em primeiro lugar, por "civilização tradicional" entendemos uma civilização orgânica, tal que nela todas as atividades são orientadas de forma unitária segundo uma ideia central e, propriamente, "de cima e para cima". "Para cima" significa em direção a algo superior àquilo que é naturalista e simplesmente humano. Esta orientação pressupõe um conjunto de princípios com uma validade normativa imutável e um caráter metafísico. Tal conjunto pode ser chamado de Tradição no singular, porque os valores e princípios básicos são essencialmente os mesmos nas tradições históricas individuais, além de uma variedade de adaptações e formulações. Quem reconhece estes valores e os afirma pode se chamar de "Homem da Tradição".

10/11/2021

Julius Evola - Feminismo e Crepúsculo da Civilização

 por Julius Evola

(1933)


A doença niveladora e despersonalizante que prostra a civilização moderna tem aspectos tão complexos e tentaculares que nem todos são capazes de reconhecê-la por trás das máscaras, a fim de opor uma revolta decisiva e uma reação consciente a cada uma de suas formas.

Assim é que, não contente em ter agora quase irremediavelmente comprometido aquelas diferenças de casta, natureza e dignidade interna que foram o início de toda organização tradicional saudável; esforçando-se para trazer todo valor sob a lei da quantidade e o anonimato do mero coletivo social, uma ideologia contaminante quer que, após o nivelamento entre homem e homem, se proceda também a um entre sexo e sexo e que nisso se considere isso uma "conquista, um "progresso". E ainda assim, do mesmo estoque anti-hierárquico e antiqualitativo de tantas formas de degenerescência moderna, vemos a repulsiva "feminista" surgindo e tomando forma em dois países que são quase como os dois ramos de uma única pinça no processo de fechamento, do Leste e do Oeste, em torno da antiga Europa: Rússia soviética e América - já que a parificação bolchevique das mulheres com os homens em todos os aspectos da vida social é perfeitamente igualada pela completa emancipação que há muito lhes é concedida do outro lado do oceano.

Não se trata de aversões pessoais, nem dos preconceitos de uma época ou de um povo. O fenômeno feminista deve ser considerado essencialmente um sintoma que, ligado por uma lógica precisa a muitos outros, indica o advento de uma concepção através da qual o próprio ideal de "cultura", de civilização, especialmente no sentido clássico tradicional, vem a ser afetado mortalmente.

13/08/2021

Julius Evola - Memória do Dadaísmo

 por Julius Evola

(1958)


Quem faz uma comparação entre o primeiro e o segundo período pós-guerra não pode deixar de notar a recorrência dos mesmos temas e orientações, mas a um nível consideravelmente mais baixo. Nos fenômenos típicos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial no sentido de crise, de impulsos confusos de rebelião e evasão, a tensão espiritual e o radicalismo são muito menores. As correspondências são apresentadas em termos muito mais cinzentos e fragmentados. Além disso, em vez de uma expressão genuína, existem muitas vezes formas complacentes e exibicionistas, mesmo que, no domínio artístico, não se tenha chegado à profissão.. Um caso típico em questão é o da arte abstrata atual.

Entre as correntes que, no primeiro pós-guerra, anteciparam atitudes semelhantes ao existencialismo atual e tendências inconformista e antirracionalista similares, mas levaram a experiência adiante, uma das mais interessantes foi, sem dúvida, o dadaísmo. O dadaísmo raramente é mencionado. Ele, de certa forma, acabou engolindo a si mesmo, pois não era possível ficar muito tempo, sinceramente, nas posições de negações radicais, de uma liberdade afirmada através da dissolução agressiva de todo limite e toda ordem, de todo valor convencional e de toda racionalidade, não só na arte mas, segundo a instância original, na própria existência individual.

27/07/2021

Julius Evola - Panorama Racial da Itália Pré-Romana

 por Julius Evola

(1941)


Há dois métodos distintos para lidar com o problema das origens. Um deles é o daqueles que se gabam de não ter "pressupostos" e que se baseiam exclusivamente nos chamados "dados positivos" - este é o método seguido por uma grande parte dos pesquisadores contemporâneos e que também é predominante na Itália, devido à sobrevivência da mentalidade crítico-positivista do século XIX. O outro método se refere aos ensinamentos tradicionais e não faz segredo do fato de que estes ensinamentos fornecem deliberadamente a base sólida para tentar conectar e ordenar o conjunto de traços dispersos e fragmentados que nos foram trazidos desde os primeiros tempos nos vários domínios da antropologia, arqueologia, paleontologia, filologia, etc.

Mesmo no campo das ciências físicas, tivemos que nos convencer no final de que os "fatos", em si mesmos, não provam nada, já que tudo depende das premissas e do sistema geral a partir do qual se começa a explicá-los, de modo que o mesmo fato pode provar teorias muito diferentes - se um Poincaré, um Le Roy, um Braunschweig certamente teve que reconhecer tal relatividade do "fato" em relação ao conhecimento mais "positivo" imaginável, isto não pode senão se aplicar em maior medida em relação ao conhecimento das origens e (isto não pode deixar de ficar claro) à relatividade daquelas investigações que, tendo como princípio a falta de princípios, procedem de forma desordenada, passando incessantemente de uma hipótese para outra.

No presente artigo pretendemos dar um breve esboço do problema das raças na Itália pré-romana, partindo precisamente de um ponto de vista, aqui estão os principais pontos de referência para o mundo mediterrâneo em geral.

17/07/2021

Julius Evola - O Simbolismo da Águia

por Julius Evola

(1941)


O simbolismo da águia é "tradicional" em um sentido mais elevado. Ditado por razões analógicas precisas, está entre aqueles que testemunham um "invariante", ou seja, um elemento constante e imutável, dentro dos mitos e símbolos de todas as civilizações tradicionais.

As formulações particulares que este tema constante recebe são, no entanto, naturalmente diferentes de acordo com a raça. Digamos imediatamente que o simbolismo da águia na tradição dos povos indo-europeus teve um caráter distintamente "olímpico" e heroico, algo que propomos esclarecer no presente trabalho com um grupo de referências e aproximações. Quanto ao caráter "olímpico" do simbolismo da águia, ele já resulta diretamente do fato de que este animal era sagrado ao Deus olímpico por excelência, Zeus, que por sua vez nada mais é do que a representação ário-helênica particular (e mais tarde, como Júpiter, ário-romana) da divindade da luz e da realeza venerada por todos os ramos da família ária. Outro símbolo, o do relâmpago, foi por sua vez ligado a Zeus, e vale a pena lembrar disto, pois veremos que desta forma muitas vezes ele completa o simbolismo da própria águia. Recordemos outro ponto: de acordo com a antiga visão ária do mundo, o elemento "olímpico" é definido sobretudo em sua antítese em relação ao elemento titânico, telúrico e até mesmo prometeico. Agora, é precisamente com o relâmpago que Zeus derruba os Titãs no mito. Nos indo-europeus, que viam cada luta como uma espécie de reflexo da luta metafísica entre as forças olímpicas e titânicas, e que se viam como uma milícia das primeiras, vemos a águia e o relâmpago como símbolos e insígnias que contêm um significado profundo e geralmente negligenciado. Segundo a antiga visão ária da vida, a imortalidade é algo privilegiado: não significa simples sobrevivência à morte, mas participação heroica e régia no estado de consciência que define a divindade olímpica.