sábado, 28 de abril de 2012

Orgulhosamente só


 
Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a abjecção são os traços dominantes, o que se censura, hoje, a Salazar é o que ele teve verdadeiramente de grande e elevado.

Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e a todas as diversas soluções políticas, que traduziam apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de Portugal, quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza: ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à outrance pela grandeza da Nação, que só existia esse meio de conservar o que era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o bem mais precioso de um povo, que é a sua honra. Porque sobrevive-se, enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.

Salazar foi proclamado um carrasco por ter ordenado às tropas estacionadas na Índia que se batessem sem esperança de vitória (ao contrário do que acontecia nos demais territórios, nalguns dos quais se conseguiu, consoante é o caso de Angola em Abril de 74, uma pacificação quase completa) e exclusivamente para honrar a bandeira das quinas, sob cujas dobras tantos prodígios de heroísmo se tinham desenrolado naquelas paragens.

Da indignação da Esquerda nem se fala. Mas também na chamada direita houve quem o reprovassse. Dum lado e doutro não havia sequer uma compreensão mínima daquilo que exigiam e obrigavam as normas elementares da ética militar e patriótica — dessa ética que levou Moscardó a não ceder no Alcazar ao ameaçarem-no com o fuzilamento do filho, que fez com que guarnições alemãs de cidades das costas normandas e bretãs, cercadas há meses, esmagadas por bombardeamentos, ainda resistissem no segundo trimestre de 45, que impeliu os Mas italianos, no momento em que foram descobertos na noite pelos projectores do porto de Malta, a lançarem-se para a frente, nenhum sobrevivendo, E, até, sem o estímulo do patriotismo, só para cumprirem a sua palavra de soldados, se fizeram imolar no México, em Camerone, os homens da Legião Estrangeira. Tudo isto, pelos vistos, não passava de absurdos, tolices, tontarias, demências. E nem um simples «baroud d`honneur», como o dos regimentos franceses de Madagascar, isolados e abandonados, na altura do desembarque inglês na ilha, foi considerado admissível. O que era louvável e de aplaudir era depor as armas sem tir-te nem guar-te, no instante em que o exército adversário avançava em som de peleja. A entrega pura e simples eis a solução. Salazar, que pensava de forma oposta, assumiu as proporções de um monstro.

A vergonha da Índia, perante a qual não houve um sobressalto, unânime ou quase, de dor e indignação, representou o teste, ou melhor, a provação decisiva.

António de Oliveira Salazar compreendeu-o. E, se fosse da fibra moral (ou imoral) dos que actualmente cospem injúrias sobre a sua memória, teria arrepiado caminho. Poderia desse modo conseguir pretorianos encantados da vida a protegê-lo e a louvá-lo, distribuir panem et circenses em abundância, captando frenéticos aplausos das multidões, obter apoios calorosos das potências dominantes, estar seguro de obter na história — escrita pelos vencedores — as parangonas de um libertador formidável, à Roosevelt ou à De Gaulle.

Não o quis, e, orgulhosamente só, preferiu manter-se ao leme apontando a mesma rota, que era a rota do dever.

Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que — admitia-se sem rebuço — viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos antepassados.

Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o dia de S. Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo — ou antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo —, para o que procedeu, desapiedamente, à destruição do que era um autêntico país — o nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um inviável e anárquico rectângulo peninsular. Em nome da liberdade, impôs-se a ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem, espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeito retroactivo, agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em nome da paz, centenas de milhares de brancos, pretos e mestiços tombaram vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia, estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhando-se o que nos resta.

Justo é que os autores dessa obra de aniquilamento total celebrem, com júbilo, a data em que lhe deram início. Os profissionais das batalhas, vocacionados pelo «appel des armes» de que falava Psichari, que juraram dar a vida pela pátria e, ao fim de três ou quatro comissões em Angola, Moçambique, ou Guiné, já estavam fatigados e o que queriam era retornar ao remanso dos quartéis.

Só achamos mau que quantos o tornaram cinza e nada persistam em falar em Portugal, no lugar de aludirem à admirável Abrilândia que edificaram entre gente não remota e sem perigos e guerras esforçados.

Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval, aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra sã, para além dos vermes e pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.

António José de Brito
In A Rua

sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Tolerância": um ataque sorrateiro


por Henry Makow Ph.D.

Por séculos, os banqueiros centrais maçônicos que controlam a sociedade e cultura ocidentais foram promovendo a "tolerância". Por quê?


"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma notória "fraude" que de forma assustadora explica nosso predicamento. Ele diz que os banqueiros Illuminati querem "deslocar todas as forças coletivas que ainda estão relutantes a nos submeter." (Protocolos, Parte 5)

As quatro maiores forças coletivas são: Raça, Religião, Família e Nação. Elas são os quatro pilares de nossa identidade humana.

Como você as mina? Certamente um ataque frontal se chocaria com resistência impetuosa. Em lugar disso, você promove a "tolerância" que destrói essas forças coletivas apagando as diferenças entre elas.

Assim, você tem o ecumenismo na religião, miscigenação na raça, e regionalismo (p.e. União Européia) nos estados nacionais. Você destrói a família apagando as diferenças de gênero.

Nesse palco, os banqueiros maçônicos percebem as nações cristãs e islâmicas como seu principal adversário. Mas, no devido tempo, toda identidade nacional, racial e religiosa cairá sob suas armas.

A "Tolerância" é aplicada seletivamente. Nós toleramos o que mina essas forças coletivas, mas nós temos "tolerância zero" como esforços para resistir-lhes ou aprovar-lhes.

Assim, rappers negros podem criticar duramente mulheres brancas, mas Don Imus[1] é atirado na fogueira por uma observação momentânea porque ele geralmente representa os cristãos brancos. Tolerância zero para heterossexuais brancos.
Ativistas gays podem conspirar pelo fim da sociedade "hetero-normativa", mas a União Européia censura a Polônia por "homofobia" porque não permite as escolas públicas promoverem o homossexualismo*.

Boris Berezovsky, o oligarca russo em Londres, pode conspirar publicamente pela derrubada violenta de Vladimir Putin desde seu exílio em Londres, e usar terroristas muçulmanos chechenos para matar crianças russas em Beslan, mas qualquer outro comete um erro em relação a um terrorista muçulmano que encara a tortura ou morte.

Tolerância para as tramas de Rothchild; tolerância zero para qualquer outro.

Sionistas americanos podem instigar uma guerra desastrosa no Iraque, mas a União Européia declara ilegal qualquer exame minucioso do holocausto, que poderia privar esses Sionistas de sua impunidade. Tolerância zero para muçulmanos e cristãos.

"Tolerância" (e "direitos humanos") não são nada mais do que linguagem manipuladora Orwelliana para a agenda do governo mundial da companhia de banqueiros. Eu sou favorável à tolerância genuína, mas ninguém deveria tolerar a agenda satanista de nossos prestamistas.

Eu enfocarei um aspecto da agenda: as tentativas pela Associação Psicológica Americana de suprimir terapias que ajudam os homossexuais uma vida heterossexual.

Em nosso mundo "tolerante", homossexuais são tolerados, mas heterossexuais não.

TOLERÂNCIA ZERO PARA HETEROSSEXUAIS

No governo de uma raça, uma religião, um governo mundial, nós estamos para ter um sexo também. Os banqueiros estão criando uma sociedade homossexual manchando a linha entre o masculino e o feminino. (Essa uniformidade é chamada de "Diversidade")

Em 1973, os Rockefellers causaram a Associação Psicológica Americana mudar a definição de homosexual de uma desordem a escolha de um estilo de vida normal. Se você procurar no google "Rockefeller Foundation" e a APA, você obterá cerca de 500,000 links, indicativos de como os banqueiros compram "cientistas" e outros "profissionais" a tonelada.
Alguns psicólogos protestaram contra essa encampação dos banqueiros. Um deles foi Ray Johnson, que escreveu que a APA "foi dominada por ativistas políticos que tinham pouco respeito pela ciência ou o processo democrático. Desde os anos setenta, a Associação Psicológica Americana fez lobby no governo, arquivou sumários de tribunais, e se ocupou e promoveu boicotes em benefício da .. ERA[2], aborto irrestrito (incluindo aborto para crianças sem notificação e consenso dos pais), discriminação sexual e racial-étnica e políticas homossexuais".

A APA está fazendo lobby para que os homossexuais sejam declarados "uma minoria protegida". Ela se engaja na intimidação e na propaganda. Ela ameaçou com boicotes aos estados cujos cidadãos passaram leis de desaprovação ao homossexualismo. Ela tem apoiado esforços para introduzir programas nas escolas públicas para "reduzir preconceito" dirigidos a assim chamada "juventude gay, lésbica e bissexual" ou "crianças pré-homossexuais".

Isso soa como "tolerância" para você? A APA é veementemente contra a "terapia de conversão" porque elas não podem ter homossexuais revertendo à heterossexualidade. Isso implica haver algo errado com o homossexualismo!

Em 1979, os conhecidos terapeutas sexuais Masters e Johnson publicaram seus achados que 72% dos insatisfeitos homossexuais que entraram em seu programa entre 1966 e 1977 converteram-se em heterossexuais satisfeitos, baseados em acompanhamento cinco anos mais tarde. Imediatamente, os cães de caça da APA condenaram sua metodologia e reclamaram que os homens não eram realmente homossexuais. As carreiras dos terapeutas sexuais entraram em eclipse.

Somente em um sistema maçônico comunista como o nosso, a ciência é determinada pela política.

CONCLUSÃO

Para entender nosso mundo, nós devemos apreciar que somos rãs em uma grande panela, tendo nossas identidades fervidas e misturadas. Nossa cultura é a panela e o fogão, basicamente, um embuste.

Os banqueiros querem nos identificar como consumidores e produtores somente, e que sejamos condescendentes para o governo dominar por seus "experts", presumidamente membros da APA.

Vamos resistir pelo fortalecimento de nossas identidades: sexual, nacional, religiosa e racial, respeitando, mas não nos submetendo aos outros.



* Como pode-se ver, o tal "Kir Anti-Homofobia", que estão querendo nos enfiar goela abaixo, obedece a o programa sistemática de "Homossexualização do Mundo", já vigente há algum tempo (vide a data da publicação do artigo).

[1] Don Imus é um entrevistador americano, melhor conhecido pelo seu sarcasmo e sua linguagem dura. Seu popular programa de radio show, Imus in the Morning, vai ao ar diariamente.

[2] ERA (Equal Rights Amendment) - proposta de emenda à Constituição americana que transforma a discriminação sexual em ato inconstitucional

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eduard Alcántara - A Lealdade à Tradição


Por Eduard Alcántara



Há pessoas que dizem hastear a mesma bandeira que a nossa. Há aqueles que dizem fazê-lo, senão for com a mesma, com uma bandeira semelhante. Nós temos dificuldades em identificar muitas dessas bandeiras como iguais ou semelhantes à nossa. Nisto não reside nenhuma dificuldade. No entanto, depois de conhecermos uns e outros não demora muito tempo até que comecemos a sentir-nos em comunhão existencial com uns e a ver outros como estranhos. Não adianta ostentar publicamente uma etiqueta ou outra mas sim aspirar a viver de acordo com os princípios e a essência que a caracterizam. Não nos chega, sequer, que nos demonstrem erudição e conhecimento dos conteúdos e objetivos contidos na nossa bandeira. Há que exigir, no mínimo, um intento de assumpção dos seus parâmetros vitais.

Há indivíduos que, por muito que digam que partilham a nossa trincheira, nunca serão dos nossos nem nunca os consideraremos como tal, pois após um breve contato não descortinamos na sua atuação nenhum valor entre aqueles que são próprios do Homem da Tradição. Não identificamos nestes indivíduos nem um vestígio de nobreza, de lealdade, de fidelidade, de valentia, de sinceridade, de franqueza, de serenidade, de temperança, de espírito de serviço e sacrifício, de firmeza interior, de bravura, de tenacidade, de perseverança, de laconismo, de prudência ou de abnegação, mas pelo contrário, em pouco tempo, poderemos vislumbrar ou perfídia, ou hipocrisia, ou egoísmo, ou individualismo, ou ânsia de notoriedade, ou tendência para a cobardia, ou predisposição para a traição, ou deslealdade, ou mentira, ou ligeireza para criticar ou até caluniar aqueles que lhe são próximos, ou a inveja, ou rancor, ou o ódio, ou a incontinência verbal, ou a charlatanice, ou a irascibilidade, ou mudanças súbitas de humor, ou a instabilidade psíquica, ou a ruindade, ou a inconstância, ou a dissimulação, ou a estridência e a imprudência. Para nós é, por isto, quase indiferente, se alguém hasteia a nossa bandeira ou uma parecida, pois o que na verdade nos importa é que o faça tentando sentir os valores que sempre foram os da Tradição e não apenas impregnados dos contravalores do mundo moderno. A etiqueta não nos serve de nada se o etiquetado nada faz em honra dela. Causa-nos ainda mais desagrado o indivíduo que professa verbalmente a sua adesão a uma etiqueta semelhante à nossa e a mancha de modo execrável do que aqueles contemporâneos nossos que se sentem identificados com esta funesta modernidade e fazem gala do seu posicionamento. Estes, ao menos, mostram coerência entre os seus contravalores de referência e a etiqueta própria do mundo moderno, o qual idolatram e santificam. Os outros, pelo contrário, traem as nobres causas com a sua maneira de ser. Sentimos camaradagem por aqueles que mesmo não militando exatamente na nossa bandeira são fiéis na sua existência aos valores que temos identificado como próprios da Tradição. Talvez possamos discordar com estas pessoas em certos detalhes na hora de conceber a existência. Embora possamos ir beber a fontes idênticas, talvez algumas das nossas referências históricas (ou proto-históricas) ou míticas não sejam as mesmas (ou exatamente as mesmas) mas sentimo-nos como camaradas quando conhecemos e podemos comprovar os valores que os regem e caracterizam a sua maneira de ser.

Neste sentido, entre estas pessoas dignas de admirar pelo exemplo que dão – ao serem coerentes com os valores nos quais acreditam – encontramos um represaliado pelo Sistema Dominante, Pedro Varela. Poucas pessoas como ele libertam essa espécie de aura que é a marca da coerência, da honestidade, da tenacidade e da limpidez de ânimo. Uma aura que move a admiração de todos aqueles que apreciam os valores ignorados e menosprezados, pertencentes ao Mundo da Tradição. Por outro lado, Pedro Varela apenas provocará inveja, receios e ódio entre os modernos, impotentes para fazer seus aqueles elevados valores, pois a incapacidade e a impotência movem a inveja dos que não são capazes de dignificar-se pela sua vontade e esforço constante.

Que os escassos Homens retos propaguem seus ideais entre si, enquanto os néscios, os desajustados, os alienados e os desequilibrados produtos da modernidade vão merecendo o respeito do Sistema. No entanto, não nos surpreende o destino que o mundo moderno outorga a estes tipos antagônicos de pessoas, pois aos primeiros não os pode manipular, domesticar, hipnotizar, e aos segundos, pelo contrário, seduz, programa e converte em seres movidos por reflexos compulsivos e escravizados com grande facilidade.

Mesmo que apenas exista um homem íntegro, a chama da Tradição não se extinguiu de todo!

terça-feira, 24 de abril de 2012

As duas artes


Escultura romana, sempre carregando o sentido de Sagrado, transcendendo a Arte
 

Conforme o ser humano foi se precipitando pelo caminho da involução e da degeneração, conforme foi se tornando cada vez mais materialista, seus sentidos também foram se deteriorando e degenerando.

 Vem-nos à memória uma escola da Babilônia que se dedicava a estudar tudo o que se relacionava com o olfato.

 Eles tinham um lema que dizia: Buscar a verdade nos matizes dos odores obtidos entre o momento da ação do frio congelado e o momento da ação em decomposição cálida.

 Essa escola foi perseguida e destruída por um chefe terrível. Dito chefe mantinha negócios duvidosos e logo foi denunciado indiretamente pelos afiliados da escola.
 
O sentido do olfato extraordinariamente desenvolvido permitia aos alunos daquela escola descobrir muitas coisas que não convinha aos chefes do governo.
 
Havia uma outra escola muito importante na Babilônia: a Escola dos Pintores. Essa escola tinha como lema: Descobrir e elucidar a verdade só por meio das tonalidades existentes entre o branco e o negro.
 
Por aquelas épocas, os afiliados dessa escola podiam utilizar normalmente e sem dificuldade cerca de 1.500 matizes da cor cinza.

 Do período babilônico até estes tristes dias em que milagrosamente sobrevivemos, os sentidos humanos têm se degenerado espantosamente devido ao materialismo que Marx justifica ao seu modo através da barata sofisticação de sua dialética.
 
O eu continua depois da morte e perpetua-se em seus descendentes. O eu complica-se com as experiências materialistas e robustece-se às custas das faculdades humanas.

 Conforme o eu se fortaleceu através dos séculos, as faculdades humanas foram se degenerando cada vez mais.
 
As danças sagradas eram verdadeiros livros de informação e que transmitiam deliberadamente certos conhecimentos cósmicos transcendentais.
 
Os dervixes dançantes não ignoravam as sete tentações mutuamente equilibradas dos organismos vivos.

Os antigos dançarinos conheciam as sete partes independentes do corpo e sabiam muito bem o que são as sete linhas distintas do movimento. Os dançarinos sagrados sabiam muito bem que cada uma das sete linhas do movimento possui sete pontos de concentração dinâmica.

 Os dançarinos da Babilônia, da Grécia e do Egito não ignoravam que tudo isto se cristaliza no átomo dançarino e no gigantesco planeta que dança ao redor de seu centro de gravitação cósmica.

 Se pudéssemos inventar uma máquina que imitasse com plena exatidão todos os movimentos dos sete planetas do nosso sistema solar ao redor de seu sol, descobriríamos com assombro o segredo dos dervixes dançantes. Realmente, os dervixes dançantes imitavam perfeitamente todos os movimentos dos planetas ao redor do sol.

 As danças sagradas dos tempos do Egito, Babilônia, Grécia etc., vão ainda mais longe. Transmitiam tremendas verdades cósmicas, antropogenéticas, psicobiológicas, matemáticas etc.

 Quando na Babilônia, começaram a aparecer os primeiros sintomas do ateísmo, do ceticismo e do materialismo, a degeneração dos cinco sentidos se acelerou de forma espantosa.
 
Está perfeitamente demonstrado que somos o que pensamos. Se pensarmos como materialistas, degeneramos e nos fossilizamos.

 Marx cometeu um crime imperdoável. Tirou os valores espirituais da humanidade. O marxismo desatou a perseguição religiosa. O marxismo precipitou a humanidade na degeneração total.

 As idéias marxistas, materialistas, infiltraram-se em todas as partes: nas escolas, nos lares, nos templos, nas fábricas, etc.

 Os artistas, a cada nova geração, vêm se convertendo em verdadeiros apologistas da dialética materialista. Todo ar de espiritualidade desapareceu da arte ultramoderna.
 
Os modernos artistas já nada sabem sobre a lei do sete, já nada sabem de dramas cósmicos, já nada sabem sobre as danças sagradas dos antigos Mistérios.

 Os tenebrosos roubaram tudo do cenário do teatro; profanaram-no miseravelmente e prostituíram-no totalmente.

 O sábado, o dia do teatro, o dia dos mistérios, era muito popular nos antigos templos. Neles eram representados dramas cósmicos maravilhosos.

 O drama serviu para a transmissão de valiosos conhecimentos aos Iniciados. Por meio do drama, transmitia-se aos Iniciados diversas formas de experiência do Ser e de manifestações do Ser.

 Entre os dramas, o mais antigo é o do Cristo Cósmico. Os Iniciados sabiam muito bem que cada um de nós deve se converter no Cristo de dito drama, se é que realmente aspira o reino do super-homem.

 Os dramas cósmicos baseiam-se na lei do sete. Certos desvios inteligentes dessa lei foram usados sempre para transmitir ao neófito conhecimentos transcendentais.

 É bem sabido em música que certas notas podem produzir alegria no centro pensante, que outras podem causar pesar no centro sensível e que por fim outras podem produzir religiosidade no centro motor.

 Realmente, os velhos hierofantes jamais ignoraram que o conhecimento integral só pode ser adquirido através dos três cérebros; um único cérebro não pode dar informação completa.

 A dança sagrada e o drama cósmico sabiamente combinados com a música serviram para transmitir aos neófitos tremendos conhecimentos arcaicos de tipo cosmogenético, psicobiológico, fisioquímico, metafísico, etc.
 
Cabe aqui mencionar também a escultura. Ela foi grandiosa em outros tempos. Os seres alegóricos cinzelados na dura rocha revelam que os velhos Mestres não ignoraram nunca a Lei do Sete.

 Recordemos a esfinge de Gizé, no Egito. Ela nos fala dos quatro elementos da natureza e das quatro condições básicas do super-homem.

 Depois da segunda guerra mundial, nasceram a arte e a filosofia existencialistas. Quando vimos os atores existencialistas em cena, chegamos à conclusão de que são verdadeiros enfermos: maníacos e perversos.

Se o marxismo continuar se difundindo, o ser humano terminará por perder totalmente seus cinco sentidos, os quais estão em processo de degeneração.

 Já está comprovado pela observação e pela experiência que a ausência de valores espirituais produz degeneração.
 
A pintura atual, a música, a escultura, o drama, etc., não são senão o produto da degeneração.

 Já não aparecem no cenário os Iniciados de outros tempos, as dançarinas sagradas, os verdadeiros artistas dos grandes templos… Agora, só aparecem nos palcos autômatos enfermos, cantores degenerados, rebeldes sem causa etc.

Os teatros ultramodernos são a antítese dos sagrados teatros dos grandes Mistérios do Egito, da Grécia e da Índia.
 
A arte destes tempos é tenebrosa, é a antítese da luz. Os modernos artistas são tenebrosos.
 
A pintura surrealista é marxista, a escultura ultramoderna, a música afrocubana e as bailarinas modernas são o resultado da degeneração humana.

 Os rapazes e as moças das novas gerações recebem por meio de seus três cérebros degenerados dados suficientes para se converterem em vigaristas, ladrões, assassinos, bandidos, homossexuais, prostitutas etc.

 Ninguém faz nada para acabar com a má arte e tudo caminha para uma catástrofe final por falta de uma Revolução da Dialética.
"Arte" moderna como meio de destruição de simbologia sagrada e degeneração cultural

por autor desconhecido

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Marcos Ghio - O Espírito Legionário

por Marcos Ghio (retirado do Boletim Evoliano)



Hoje, nesta conferência, recordámos uma figura de excepção, daquelas que em momentos precisos e oportunos aparecem de repente na história, deixando-lhe gravada uma pegada indelével. Corneliu Codreanu, de quem se acabam de cumprir os 100 anos do seu nascimento, foi o líder romeno do Movimento conhecido como Guarda de Ferro, o que na realidade foi uma das denominações, tal como a de Tudo pela Pátria, assumidas pela Legião de São Miguel Arcanjo, e que actuou no crucial período que abarca os anos de entre-guerras, período no qual haveria de marcar-se a fogo o rumo da história europeia, e em especial naquela zona decisiva da sua geografia, a Europa central, num país encravado justamente no meio de duas potências em luta, a Rússia e a Alemanha. Recordemos além disso que Codreanu foi assassinado em plena juventude em 1938 de uma forma sinistra e ardilosa, como iremos ver.

A Legião de São Miguel Arcanjo significou um movimento político de grande envergadura, não só pela sua influência e importância numérica, já que ao seu redor chegou a nuclear, num determinado momento, mais de um milhão de pessoas, entre as quais se encontrava o melhor da juventude romena, representando o mesmo um despertar pleno da consciência nacional num momento de suma crise em que estava em jogo a própria vida da sua nação, além de possuir certos elementos essenciais que o tornavam diferente dos restantes movimentos europeus de carácter fascista de então, pelo que poderíamos dizer que é único nas suas características. Justamente, ao ser o título desta conferência “O Espírito Legionário”, estamos aqui a indicar que a Legião de São Miguel Arcanjo não foi simplesmente um movimento político. Nela estava presente algo muito mais importante: uma nova concepção do mundo contraposta à que então imperava.

A este respeito digamos que Codreanu, como muitos dos seus compatriotas, percebia no começo deste século que fenece como o seu país era vítima de uma verdadeira invasão. Além das suas fronteiras, no limite com a sua Moldávia natal, ficava a Rússia desse tempo envolvida pela pior das revoluções havidas na história da humanidade, o comunismo. E queremos colocar uma ênfase especial no carácter peculiar que o mesmo possui, porque, se os movimentos de dissolução que o precederam demonstraram um repúdio ou uma indiferença ante os valores espirituais, o comunismo, por sua vez, foi um passo mais longe: chegava até ao ódio e ao combate sistemático contra o sagrado.

Façamos aqui uma pequena digressão. Alguns, entre os quais se contam os que diminuem a sua importância e significação, crêem que o comunismo terminou com a queda do muro de Berlim e com a dissolução dos Sovietes. Isso seria o mesmo que dizer que a Revolução Francesa ou o liberalismo fracassaram porque já não existe mais a guilhotina, nem o regime jacobino se encontra no poder. No entanto em ambos os casos os mesmos seguem mais vivos que nunca; as suas consequências, seja do liberalismo como do comunismo, são as que hoje se vivem nessa síntese destes dois flagelos padecidos pela humanidade que é a democracia moderna, na qual se sublimaram as duas grandes bandeiras destes dois sistemas, a de uma liberdade, mas indiferente e inclusive contraposta à verdade, e a de uma igualdade em antagonismo com a equidade e ordem natural. Em relação às diferenças entre o liberalismo e o comunismo vale aqui o que foi dito por René Guénon que, ao referir-se às etapas terminais da decadência, distinguiu lucidamente entre a etapa da anti-tradição, primeiro movimento até à dissolução, e a da contra-tradição, o segundo que lhe sobrevém consequentemente. Ou também, se nos quisermos expressar num léxico teológico, entre luciferismo e satanismo. O primeiro, ao significar o relativismo ou a recusa da existência da verdade universal, desembocava numa atitude de olvido ou indiferença perante o sagrado, o segundo pelo contrário, ao negar uma ordem natural e hierárquica, confluía consequentemente numa atitude de confronto com aquela esfera. Dito movimento caracterizava-se principalmente pelo materialismo, mas na sua forma mais crua. O comunismo levou ao terreno prático o que certas correntes filosóficas formulavam apenas teoricamente: a possibilidade de um homem que viva e se mova apenas em função do que é a dimensão mais baixa do ser humano. O comunismo representa a etapa da quarta casta na qual se edifica um homem sem pátria, sem nação, sem religião e sem família. Aproximadamente a situação na qual nos encontramos actualmente, ainda que as vias e os procedimentos, em razão da sublimação operada pela democracia moderna, não sejam exactamente os mesmos que se aplicavam na época em que Codreanu viveu.

Voltando agora à situação relatada, digamos que este verdadeiro caos que penetrava pelas fronteiras da Roménia desde o leste, encontrou no jovem de vinte e poucos anos um infatigável lutador na Faculdade de Direito de Iasi onde fazia os seus estudos. Ali organizou uma férrea resistência contra o dito flagelo conseguindo agrupar ao seu redor um verdadeiro movimento juvenil de ressurgimento nacional, que se foi paulatinamente expandindo por todo o país e que representava a expressão cabal dos recursos espirituais da nação romena.

Nação romena que, é bom ressaltar aqui, tem um significado histórico especial. A Roménia, a antiga Dácia, foi a última nação a ser colonizada pelo Império Romano; daí o seu nome, e além disso a língua romena é em grande medida um derivado do latim ainda que com influências notórias também de idiomas eslavos. A Roménia foi pois o último intento colonizador da romanidade, acontecido cem anos depois da aparição do cristianismo e significou durante um longo período um travão ao avanço dos bárbaros. Além disso foi determinada mais tarde pela cultura bizantina ortodoxa, representando tais múltiplas influências espirituais uma reserva importante do Ocidente no seio da Europa central. Retornar pois ao espírito da nação romena perante o avanço da barbárie vermelha proveniente do leste significava ir até às raízes mais profundas do espírito do Ocidente.

Mas seria um erro pensar que com Codreanu nos deparamos simplesmente perante um homem de acção. Nele encontramos pelo contrário uma síntese e intuição genial acerca dos fins que deve possuir um movimento realmente alternativo ao sistema, um movimento capaz de rectificar o rumo declinante seguido pelo Ocidente cujas manifestações principais se encontravam, e ainda hoje se encontram, no Materialismo como concepção do mundo e na Democracia como forma de governo e de vida. Porque tenhamos sempre presente que a Democracia, regime social fundado na igualdade, é uma exigência do Materialismo, ideologia esta das classes económicas, as quais, ao transformarem a economia no destino das pessoas, para “agilizar” a produção, necessitam de um homem em série e massificado que consuma assiduamente aquilo que as modas exigem. O Materialismo inverteu a ordem normal da humanidade pelo que, se o normal sempre foi que a economia estivesse ao serviço do homem, hoje, pelo contrário, é o homem que se encontra ao serviço da economia.

Uma ordem invertida, contrária ao senso comum, conflui forçosamente num artifício mecânico, como um Golem, que significa uma inversão do real. Pois que para a tradição a matéria é um símbolo do espírito, a mesma serve-nos principalmente para permitir perceber com a maior clareza as desordens existentes operadas em primeiro lugar sempre na esfera superior. Sabemos bem que dos três factores que compõem a economia – trabalho, capital (terra ou maquinaria) e dinheiro – só um deles, o dinheiro, carece de valor intrínseco e é portanto o menos importante de todos, porque pode ser facilmente substituído. Numa ordem subvertida, como a do Materialismo em que vivemos actualmente, acontece que pelo contrário se transforma no mais importante dos factores. Notem os senhores esta incongruência, como desde um largo tempo a esta parte, toda a economia do nosso país está ao serviço da finança, ou seja, do factor não produtivo, mas nem sequer argentina mas sim estrangeira, pelo que sucede hoje que todo o trabalho deste país, assim como quase todo o seu capital, é destinado a pagar os juros da dívida externa, gerando-se um empobrecimento da população como não se conheceu nem nos regimes mais esclavagistas. E o mais curioso é que tudo isto sucede sem que ninguém mova uma palha e nem sequer se lhe desperte assombro.

Mas perante isto que hoje acontece numa etapa de maior decadência e degradação do que a de Codreanu, naquela época pelo contrário era ainda possível uma sã reacção, já que o sistema materialista democrático era capaz de chocar ainda a sã idiossincrasia do homem normal existente no Ocidente da primeira metade deste século, tendo gerado assim uma série de reacções. Todas elas deram lugar na Europa ao surgimento de movimentos verdadeiramente alternativos sob a forma daquilo que genericamente se designou com o nome de fascismo. Os fascismos – e pensamos não só no movimento social que recebeu tal nome em Itália, mas também noutros movimentos afins como o nacional-socialismo alemão e o falangismo espanhol como os principais – foram movimentos de reacção contra a profunda decadência materialista que se motorizara de forma acelerada na Europa principalmente a partir da era inaugurada pela Revolução Francesa.

Aqui é importante referir o pensamento de Codreanu através do testemunho que Evola nos deu na entrevista com ele mantida na cidade de Bucareste um par de anos antes da sua morte e que hoje se encontra amplamente relatada numa série de artigos escritos por Evola em sucessivas oportunidades, tendo tudo isto sido recentemente publicado pela Fundação Julius Evola de Roma com o título “A tragédia da Guarda de Ferro”. Codreanu, ao referir-se aos ditos movimentos de alternativa ao sistema, teria dado uma muito interessante interpretação dos mesmos manifestando que, enquanto a Democracia era o signo da doença dos nossos tempos, os Fascismos, pelo contrário, tinham sido reacções e movimentos restauradores da humanidade normal. E justamente, enquanto representantes de uma reacção conforme à natureza do homem, os mesmos tinham-se manifestado a nível social até essa altura formulando as diferentes realidades que o compõem. Assim como este num plano individual, enquanto microcosmos, se expressa como um todo ordenado em três dimensões diferentes: o corpo, a alma e o espírito, esta mesma trilogia, transladada ao nível humano social (macrocosmos), manifesta-se também de acordo com três formalidades que lhe são próprias e diferentes. 1º O que é equivalente ao corpóreo, encontrarse-ia na esfera da economia que é o correspondente ao biológico num plano individual; 2º O que é próprio da alma (esfera psicológica) enquanto princípio ordenador de um corpo, é aquilo que socialmente se exterioriza através da dimensão do Estado, ou seja, o correspondente à esfera política e 3º acima de tudo isto, o que corresponde ao destino próprio do humano que não é a mera vida, mas sim o que é mais do que ela, é o equivalente à esfera espiritual que corresponde à dimensão metafísica e religiosa.

A desordem moderna, de cuja dimensão hoje em dia cada vez mais pessoas já começam a tomar consciência plena, e que não pode já ocultar-se com todos os “avanços”, “aparelhos” e “êxitos” da tecnologia, foi tão grande que foi desordenando paulatinamente as três dimensões próprias do humano. Assim, a uma Economia auto-suficiente que submete o homem erigindo- e em seu destino, sobrevém-lhe portanto a corrupção da Política e do Direito, convertendo-se em “negócios” e consequentemente a decadência também da Religião, a qual renuncia à sua função transcendente para se entregar, tal como sucede agora, a uma tarefa puramente moralizadora.

O corpóreo, que se expressa a nível social através da esfera da economia, pertence ao plano da biologia. A alma, que corresponde à esfera psicológica, representa o princípio de ordem do todo social, que a nível político se manifesta através do Estado e da disciplina do Direito; mas acima disto encontra-se a dimensão própria do espírito, a qual se vincula ao plano da Religião e à disciplina do Ascetismo, que é o seu fermento, os quais se expressam em níveis diferentes e institucionais através das igrejas ou na constituição de ordens ascético-monásticas. Ou seja, tratase daquela dimensão que se refere ao que é mais do que mera vida no homem, aquela que o vincula à eternidade. A este respeito Codreanu dizia que, em relação a estes níveis, o fascismo italiano teria sido o movimento que mais ênfase tinha colocado no aspecto psíquico- político bem como jurídico, na medida em que tinha criado um ordenamento do Estado no qual ressaltava a sua autoridade e carácter formativo e transcendente em relação à nação e à sociedade civil através da organização da mesma na instituição corporativa. Por sua vez, o nacionalsocialismo, dando lugar ao elemento racial e biológico como factor selectivo da espécie, em contraposição ao simples universalismo abstracto e igualitário das ideologias materialistas que fossilizam o homem e consequentemente massificam a sociedade, despertou os impulsos étnicos da nação dando assim impulso à criatividade dos seus membros. Além disso, e em relação com isto, tendo sido o movimento que colocou mais ênfase no aspecto corpo, foi também aquele que conseguiu uma verdadeira ordem na economia.

A doutrina económica nacionalsocialista do padrão trabalho contraposta à do padrão dinheiro, verdadeiro sucesso do nacional-socialismo e que é hoje ocultada com a enfatuação holocáustica, foi e continua a ser a única correcção possível ao caos hoje existente na economia, na qual a humanidade vive na mais crescente das instabilidades num mundo interligado e globalizado no qual a crise existente na república mais longínqua e ignota repercute-se como um dominó na economia de todo o mundo com efeitos por vezes realmente catastróficos. Do mesmo modo que, a nível social, a importância e impulso dado ao racismo compreendido como orgulho e cuidado biológico da própria estirpe conseguiu obter uma sociedade ordenada e com um sentido concedido à própria existência que transcende o do mero conforto e o de ser simplesmente felizes próprios do último homem de que falava Nietzsche. Mas tal só foi possível através da preparação previamente dada pelo fascismo o qual, ao ter estabelecido o princípio da autoridade como um carácter transcendente em relação ao todo social, outorgou assim um sentido à vida que transcende a mera imediatez. O mesmo é dizer que, sem a revolução fascista teria sido impossível a revolução nacional-socialista, mas as duas são no entanto, em si mesmas, revoluções incompletas. As duas devem ser pois concebidas como movimentos correctivos e reorientadores do rumo social e colectivo; mas estes movimentos seriam truncados e estariam destinados ao fracasso se não se produzisse, diznos Codreanu, uma terceira revolução que almejasse o elemento em falta, o carácter transcendente do homem. Esta seria a revolução que desencadearia a última das energias restauradoras, a que daria o golpe de misericórdia à modernidade, concluindo assim a idade de ferro em que nos encontramos. Porque o que em última análise nos diferencia dos modernos não é meramente uma doutrina do Estado, não é uma escola económica, nem tão-pouco é o racismo, mas sim principalmente uma concepção do mundo distinta. Ou seja, onde colocamos nós o acento, qual é o eixo último da vida do homem? De onde deriva a fonte última de todas as verdades, qual é ponto de apoio final e definitivo que nos distingue da modernidade? E a resposta é: ou esta vida ou algo que é mais do que ela mesma: a supravida. Ou o temporal ou o eterno, ou o espírito ou a matéria. Ou seja, trata-se de uma revolução que consiga vincular o último e essencial elemento que ainda estava de fora, o da religião, com a política, dando à mesma um rumo sagrado e transcendente e por sua vez dando à religião como instituição, um carácter verdadeiramente social, separando-a daquilo a que tinha ficado reduzida com a revolução moderna: um mero fenómeno interior das consciências, uma espécie de fábrica distribuidora de castigos e prémios eternos em relação à vida moral das pessoas.

E mais ainda, ambas as revoluções, se ficarem limitadas a si mesmas, dão lugar a graves desvios. Assim, um Estado desligado de um conteúdo sagrado e transcendente pode transformar-se muito facilmente numa instituição burocrática e acomodatícia, num simples detentor do monopólio da força, obtendo por sua vez dos seus súbditos adesões efémeras que se diluem rapidamente perante o primeiro fracasso, tal como sucedeu com a queda do fascismo de Mussolini à qual se seguiu a mudança imediata de lado da imensa maioria dos italianos. E do mesmo modo, um racismo carente de um conteúdo espiritual é passível de cair no desvio do biologismo o qual acaba por reduzir o homem à mera categoria de animal de pedigree. Um exemplo disto foi o desprezo com o qual certo nacionalsocialismo tratou todos aqueles que não fossem arianos germânicos, tal como se viu na primeira etapa da guerra contra a Rússia soviética na qual a repulsa pelo eslavo, o qual se categorizava ironicamente como “escravo”, teve como resultado que se prescindisse da valiosíssima colaboração que teria resultado de accionar o exército russo anticomunista do general Vlasov, que pelo contrário foi relegado e diminuído em importância, limitando-se a funções de retaguarda em plena contenda bélica.

Vinculada à religião, a política deixa de ser concebida como um mero trampolim para obter ganhos económicos ou prestígio individual, e transforma-se assim numa vocação transcendente, num instrumento para que, através da sociedade, o macro organismo humano, o homem consiga realizar o fim último que é a eternidade. É assim que, em função deste contributo recebido desde a esfera religiosa, se abre caminho no âmbito político a um tipo de organização que supera as organizações então existentes e que são as que agora estão na ordem do dia, essas verdadeiras pandilhas de distribuidores e vendedores de influências que hoje conhecemos e que dão pelo nome de partidos políticos. O conceito de Partido, que é a organização política essencial do regime moderno, é substituído por um mais vasto e profundo, o de Ordem ou Legião.

Legião e Partido são dois conceitos antitéticos e antagónicos. Enquanto que a essência de um partido é o manifesto ou o programa, que é como que a mercadoria que se oferece ao cidadão, o anzol com o qual se tenta apanhar o seu voto (o qual, como bem sabemos, tem apenas um inconveniente e que é o de nunca se cumprir), aqui é substituído por um conceito mais vasto e universal, que é a concepção do mundo. Se o Partido se esgota simplesmente na conquista do Estado para acomodar os seus membros e repartir prebendas aos seus votantes, a função da Legião é pelo contrário modificar o homem. É por isso que, dirá Codreanu para distinguir a política do Partido da da Legião, enquanto que para o democrata partidário a política é um negócio, para o legionário é uma religião.

Pois bem, sendo a Legião o oposto do conceito de Partido, sendo uma realidade antitética em relação a este último, exige uma série de requisitos totalmente distintos do que normalmente existe hoje em dia. É actualmente comum filiar-se num partido para progredir e, por sua vez, é normal da parte do Partido andar atrás das pessoas para que se filiem ou votem nele, pois isso implica para este um ganho de carácter principalmente económico (reconhecimento legal, franquias, subsídios, etc., portanto, dinheiro). Passa-se exactamente o contrário com a Legião. Ser legionário é principalmente um orgulho e algo que se consegue depois de uma série de requisitos não facilmente alcançáveis por qualquer um. Parte-se aqui da ideia de que vários séculos de modernidade e materialismo geraram uma profunda perversão no homem, o qual deve ser corrigido e modificado. Aquele que ingressa na Legião não o faz para ascender ou progredir, como acontece hoje em dia, mas sim para se rectificar. A Legião é pois uma escola para as pessoas, um lugar onde estas recebem uma aprendizagem, mas não no sentido habitual do que é a educação hoje em dia, pois actualmente onde menos se educa é na escola, onde quando muito se adquire um certo adestramento ou técnica que em si mesma não transforma grandemente a pessoa, mas sim uma acção modificadora desta, pela qual quem nela ingressa deve restaurar essa unidade originária no sentido de que o espírito reja a alma e esta governe o corpo. Numa época materialista como a nossa onde o hedonismo, a busca tão-só dos prazeres materiais, é o que prima, a acção correctiva desencadeava-se através de um profundo ascetismo. Por exemplo, durante três dias por semana cerca de 800.000 homens praticavam o denominado “jejum negro”, que consistia numa total abstinência de alimento, bebida e tabaco. Isto tinha por significado acostumar o corpo a submeter-se aos ditados do espírito. Por sua vez, era muito comum na Legião a oração cuja finalidade, desde uma perspectiva ecuménica (já esclareceremos este conceito), não tinha o valor de mera solicitação de um privilégio especial, de um dom ou graça que se pede, e que exija a humilhação da pessoa, mas tratava-se principalmente da convocação de forças do alto a fim de que acompanhassem a acção. Neste sentido a reza ou oração era a acção ritual através da qual se solicitava que os espíritos dos heróis da nação em toda a sua história (daí ecumenismo, que não tem nada que ver com essa verdadeira paródia de tal nome hoje instaurada pelo Concílio Vaticano II) descessem à arena e acompanhassem o legionário na sua luta sem igual contra as forças do caos ali presentes. Trata-se do sentido autêntico de universalidade pelo qual na luta pela restauração se convocava a totalidade da nação (ecuménico significa universal), tanto os vivos como os mortos, pelo que o combate não era apenas físico, mas principalmente metafísico. Encontrava-se assim a ideia tradicional de que a guerra não se vence no plano físico e material se não tiver sido vencida antes na esfera do espírito.

A Legião tinha além disso um corpo mais elevado de elite destinado a buscar um mais vasto sacrifício e entrega pela causa. Se a decadência era abismal, mais profunda deveria ser a oferenda. Nesse corpo mais elevado da Legião praticava-se o celibato, pois considerava-se que o compromisso familiar colocava obstáculos e limites a uma entrega que fosse absoluta à causa de Deus e da Nação. Motza e Marin, mártires da Legião, mortos na guerra civil espanhola, eram venerados como santos.

“É uma superstição pensar que em cada combate são unicamente as forças materiais que intervêm de maneira decisiva, o valor principal encontra-se nas espirituais. Trata-se pois de suscitá-las para que as almas dos mortos pela pátria acompanhem os vivos”, dizia Codreanu. Isto recorda velhas práticas da mais antiga tradição indo-europeia. Na realidade a guerra não era ganha pelo mais forte, mas sim por aquele que tivesse sido capaz de atrair, através de ritos e sacrifícios, os espíritos dos deuses e dos heróis para o seu lado.

Por tal razão Codreanu atribuía um valor significativo à religião, mas não como fé convencional e subjectiva desligada do Estado. Esta independência da religião em relação à política teve como resultado histórico no Ocidente a dessacralização desta última e a sua consequência final no submetimento à economia como hoje em dia e por sua vez, como correlato, a constituição de uma instituição supra-estatal colocada acima da nação e em competição com o seu próprio governo, tal como foi historicamente o Estado Vaticano em relação aos impérios e nações católicas. A tal respeito ele ressaltava uma importante diferença que a sua religião, a cristã ortodoxa, tinha em relação ao catolicismo romano. Ao não se ter separado naquela o facto religioso da vida social e política da nação, em nenhum caso a instituição religiosa tinha manifestado pretensões políticas, nem tinha entrado por isso em competição com o Estado nacional, tal como aconteceu e ainda acontece hoje em dia com o Ocidente vinculado ao Estado Vaticano, cujas intrigas superaram em muito historicamente a sua função sagrada e pastoral. A Igreja ortodoxa, ao não ser um Estado supranacional, não tinha inconveniente algum em integrar-se no seio de um Estado nacional cumprindo assim com a sua função específica de consagrar.

Não obstante esta indiscutível vantagem, muito favorável para um processo de restauração, Codreanu considerava que, em razão da situação reinante colectivamente, mesmo o Patriarcado da Roménia, autónomo em relação aos restantes da ortodoxia, se encontrava lamentavelmente submetido também ele ao vírus da modernidade. Não por acaso o Patriarca fazia naquela altura parte do gabinete do Rei, justamente de um rei aburguesado e frágil, submetido e débil a todas as pressões das forças do caos. Por esse motivo Codreanu considerava que uma das suas metas era não só conseguir a ressurreição da romenidade como facto político, mas também e principalmente a restauração do autêntico espírito cristão inserido na essência da sua nação, sendo o seu movimento, através do exercício de uma férrea disciplina ascética, um verdadeiro e claro exemplo e meio para tal fim. Ficam assim superadas as objecções guelfas, tão comuns no nosso ambiente “nacionalista”, de que “apenas a Igreja salvará a Igreja” e de que o papel dos laicos é o de simplesmente rezar e esperar que esta reassuma a sua função autenticamente espiritual, numa atitude passiva que nos faz recordar as incessantes esperas por espadas salvadoras que nunca aparecem, e que nunca aparecerão porque a responsabilidade de salvar a Pátria é de cada um de nós e, como esta é também uma dimensão, além de económica e política, principalmente espiritual, nunca se restaurará a nação sem o fazer simultaneamente com a religião. Justamente, na medida em que ressaltava a existência de uma trilogia indissolúvel no homem composta de espírito, alma e corpo, devia ser pois um mesmo movimento a simultaneamente restaurar a nação juntamente com a religião. Mais, era impossível restaurar uma sem a outra, do mesmo modo que não se pode reconstituir um homem simplesmente saneando o seu corpo, se simultaneamente este não colocar ordem na sua alma e se esta, por sua vez, não se subordinar ao seu espírito. Por isso as duas revoluções anteriores estariam destinadas ao fracasso se não se complementassem com a terceira e definitiva.

Por tudo quanto foi dito salta à vista a ideia grandiosa que resulta da Legião como projecto e a insignificância que perante a mesma adquire o conceito de Partido. Codreanu tinha imposto como norma que todo aquele que se filiasse num partido fosse automaticamente expulso da Legião. O partido era equiparado a uma instituição criminosa que tinha de ser combatida com todas as forças. No entanto, também na sua época surgiram pessoas que por vezes “por táctica” pensaram na conveniência de filiar-se em algum partido para “tomá-lo” ou transformá-lo. A este respeito Codreanu é claro nas suas críticas; ele costumava dizer que quem assim opinava assemelhava-se àqueles que consideravam que o Mar Negro, que é salgado e pequeno, em comparação com o Mediterrâneo por exemplo, iria transformarse com o decorrer dos anos em doce em virtude de todos os afluentes que lançavam permanentemente as suas águas nele. Precisamente o contrário, respondia, não só continuará sempre salgado, como também transformará em salgadas as águas doces que afluem até ele. Recordemos a tal respeito todas aquelas pessoas que conhecemos que tentaram a sorte nos partidos e veremos quanta razão tem esta simples reflexão.

A terceira revolução, a legionária, aquela que substitui o vetusto conceito de partido pelo mais claro e radical de Ordem, era pois a mais profunda de todas: significava questionar a modernidade até às suas próprias raízes, implicava a verdadeira rectificação da história do Ocidente e, porque não dizê-lo, do mundo inteiro. Deveria portanto o sistema recorrer às mais subtis armas de homicídio para se desembaraçar de Codreanu, armas próprias de uma raça ardilosa, de uma raça vil, vermicular e sinistra que Evola caracterizou magistralmente como a raça do homem fugaz, raça caracterizada por ser pegajosa, esquiva como uma alimária, carente do mais mínimo princípio e sempre disposta a trair vendendo-se a quem oferece o melhor preço. Esta raça, própria do homem moderno, recorreria pois aos instrumentos mais sinistros e sórdidos para se livrar de Codreanu e poder assim coarctar, eliminando-a nas suas próprias raízes, a terceira e definitiva revolução fascista.

É precisamente um dom e uma consigna legionária o compromisso absoluto com a verdade, o repúdio por qualquer mentira, pelas duplas mensagens, pela “esperteza”, concebida como o pior dos pecados da espécie. Se para o moderno, sob a influência do judeo-cristianismo, foi o da soberba o pecado concebido como a fonte e origem da queda do homem, a qual se expressaria hoje através do verbo discriminar, onde os soberbos seriam os autoritários que discriminam e que portanto se tornam passíveis hoje em dia dos piores castigos. (Na realidade discriminar não significa outra coisa que estabelecer diferenças entre os seres; e por sua vez o repúdio por tal função essencial dá lugar a uma falsa e vaidosa humildade, de que são exemplo ostensivo tantos padres terceiromundistas que “optam pelos pobres”, assim como defensores dos direitos humanos.) Para o legionário pelo contrário a veracidade e o repúdio absoluto pela mentira é a virtude essencial. E este é pois um dos aspectos fundamentais que diferenciam um homem tradicional de um moderno. Que um político reconheça abertamente ter mentido como sinal de habilidade e reconhecimento consequente (pensemos no nosso actual presidente), apenas geraria repugnância num homem da tradição. Dita pessoa deveria ser imediatamente defenestrada e submetida a um castigo exemplar.

Como mais um sinal dos tempos digamos que hoje não existe nenhuma lei que penalize a mentira mas existe uma para os que “discriminam”. E isto pela simples razão de que a traição e a mentira são as armas últimas da Democracia, a qual elaborou uma subtil teoria da mentira encoberta segundo a qual a verdade não existe, existindo apenas pontos de vista e, por isso, morais discrepantes, tal como sentirá no seu sangue o Codreanu mártir.

Naquela altura havia um rei chamado Carol, uma personalidade débil, sem carácter nem espinha dorsal, como todos os expoentes da raça do homem fugaz, facilmente influenciável, neste caso pela sua amante, a intriguista hebreia Elena Wolf, alcunhada Lupescu, uma espécie de Salomé dos tempos modernos. Sob sua influência ele organizou um gabinete de orientação democrática e liberal para o qual Codreanu era indubitavelmente o principal inimigo. Como nessa altura ocorria na Europa o avanço do hitlerismo com a anexação da Checoslováquia e da Áustria, então, perante o temor de que Codreanu, aproveitando o entusiasmo reinante, pudesse organizar uma revolução similar (ainda que de modo nenhum anti-monárquica porque ele sempre se declarou fiel à monarquia), mandou-se detê-lo e inventou-se um simulacro de fuga no qual será assassinado juntamente com outros treze dos seus camaradas.

Pois bem, visto isto desde os interesses imediatos da monarquia, diremos que o golpe no entanto correu mal ao rei, porque a grande indignação causada por tal vil assassinato gerou uma reacção contrária que produziu a sua queda às mãos de Antonescu, um militar simpatizante de Codreanu, embora, como se verá rapidamente, incapaz de efectuar a revolução necessária, que era o que em última instância se pretendia evitar. E isto era mil vezes preferível para o sistema, que será finalmente o verdadeiro vencedor da morte de Codreanu. Pensemos nos quase cinquenta anos de feroz tirania comunista que sobrevirão de seguida à Roménia.

De tudo quanto foi dito as reflexões que se devem fazer são as seguintes:

1. Em primeiro lugar a Legião de São Miguel Arcanjo representava para o regime um perigo muito maior que os restantes movimentos; daí o rigor com que a mesma foi reprimida até à supressão física do seu chefe, mesmo ignorando todas as represálias possíveis. A chegada ao poder do general Antonescu, assim como a queda de uma monarquia servil, como a que actualmente existe em Espanha, substituída por uma ditadura militar do estilo da de Pinochet no Chile, era sempre preferível ao triunfo de um movimento plenamente alternativo que conduzisse a revolução até à terceira dimensão possível, a pertencente à esfera própria do espiritual, aquela que atacaria o sistema nos seus princípios fundamentais, baseadas numa ordem fundada na matéria.

2. A outra consequência que daqui se pode retirar é que, se bem que destruído nas suas raízes, o movimento de Codreanu deixará marcas indeléveis. Um primeiro resultado da terceira revolução legionária foram duas expressões claras da mesma ocorridas em plena contenda bélica através da constituição de duas ordens guerreiras. A dos Kamikaze no Japão e a das Waffen SS na Alemanha, a qual, na última etapa da guerra, assume um conteúdo superior de Ordem encarregue de instaurar uma concepção do mundo diferente, transformando assim a última grande contenda bélica de uma mera pugna entre nações numa guerra ideológica entre concepções do mundo opostas e antagónicas. Recordemos que nas SS estiveram presentes voluntários de todas as nacionalidades, superando-se deste modo a primeira limitação arianogermânica que se tinha imposto. Em ambas, eram estritos valores espirituais os que regiam a acção. Considerava-se assim a vida como uma passagem, como um instrumento essencial para alcançar a eternidade. A guerra era pois nelas o meio de elevação e realização superior.

3. A última consequência que nos falta analisar é relativa à derrota padecida por todas essas correntes. É comum perguntar-se como foi possível que aqueles elementos que conseguiram suscitar as forças do alto, através da invocação e da oração, através do exercício mágico e oportuno dos ritos, aqueles sectores que encontraram na entrega heróica e ascética um pilar essencial da acção, fossem derrotados justamente por aqueles outros que negavam os valores do espírito refugiando-se pelo contrário nos mais sórdidos e abismais da matéria: ou seja, os que fizeram valer o poder destrutivo da maquinaria sobre o valor e o heroísmo humano. A guerra moderna em que a máquina suplantou o homem parece hoje negar valor a certos princípios tradicionais fundados na honra e no heroísmo. Parece pois, então, que aquele que mente, que foge à contenda, que recorre à traição, que carece de honra, está destinado a vencer.

Depois do fracasso da terceira revolução pareceu instalar-se em muita gente a ideia de que a chave do êxito se encontra na mentira e no engano, ou também que o mero empenhamento exorbitado da força material se encontra em superioridade vitoriosa sobre as potências do espírito, cuja manifestação é, pelo contrário, o heroísmo. Isto deu lugar a diferentes interpretações. Evola, não sem cepticismo, manifestou que este fenómeno pode ficar a dever-se ao facto de no moderno, por motivo da sua intensa e excludente frequentação do que é relativo à matéria, se ter produzido como que uma espécie de endurecimento da mente, pelo que acabou por se tornar imune a qualquer influxo espiritual. Ele escreve-o talvez com pessimismo na ocasião do recuo último que os centros espirituais tiveram perante o avanço das forças mais obscuras e sórdidas do caos (como o caso de Mao no Tibete quando destruiu sem nenhum problema a última sociedade tradicional existente e a consequente fuga do Dalai Lama).

No entanto, é precisamente hoje em dia, no momento em que este mundo de massas e de máquinas parece ser triunfante, que podemos detectar vislumbres claros do fim. É justamente Codreanu quem nos dá a chave: o homem actual é um ser que recusa o ascetismo, ou seja, o único meio que dá ao homem os instrumentos necessários para conseguir ser forte e, portanto, poder sobreviver. Todo o sistema actual baseia-se no repúdio pelo sacrifício e na procura de prazeres sempre maiores os quais, se não são alcançados, afundam o sujeito no desespero, tornando-o assim um ser frágil e caprichoso. Diz a tradição que toda a realidade é símbolo. A raça do moderno, a raça do homem fugaz, encontra-se simbolizada hoje em dia num meio como a televisão, a qual com os seus ratings nos brinda a imagem deste carácter efémero de tudo o que nos rodeia. Tudo desaparece com imensafacilidade da mesma maneira que surge. E se queremos remeter-nos aos grandes acontecimentos internacionais, creio eu que nunca existiu na história um final tão rápido e estrepitoso como o do regime soviético de Moscovo. Pensemos, em relação a isto, quantos séculos durou o processo de queda e desaparecimento do Império Romano. Mas além disso também: todo o poço tem sempre um fundo.

Podemos afirmar que a primazia do espírito sobre a matéria se manifesta naquelas atitudes ascéticas assumidas claramente por Codreanu há tantas décadas atrás, totalmente independentes do êxito da acção. Os retraimentos são parciais, a contenda tem que ser vista em toda a sua magnitude. O próprio facto de poder sobreviver e não desfalecer mantendo sempre ao alto os valores apesar de se saber minoria e muito prolongada minoria, é uma verdadeira vitória sobre a modernidade, a qual os funda pelo contrário no êxito visível, no rating que uma empresa obtém. Hoje, quando tudo se mede em quantidades numéricas, o simples facto de sustentar uma ideia prescindindo de tal tribunal quantitativo e portanto material e ao mesmo tempo mantendo-se sempre de pé, é um êxito sem igual e uma verdadeira vitória contra as forças do caos. Estas, pelo seu carácter efémero, perecerão, nós, pelo contrário, não.