por Claudio Mutti
(2000)
I
Sol Invictus
"E estas Rochas, eu sabia, tinham sido o centro dos ritos solares germânicos em tempos imemoriais. (…) Aqui, há mais de quatro mil anos, os sábios e guias espirituais das tribos germânicas (…) reuniam-se para saudar o primeiro nascer do Sol no dia sagrado de junho."Savitri Devi, Pilgrimage, Calcutá 1958.
Se devêssemos acreditar em certos caçadores de nazistas desesperados à procura de “criminosos de guerra”, o prof. dr. Johann von Leers estaria hoje, no ano 2004 da era vulgar, ainda vivo e bem [1]. E teria a venerável idade de cento e dois anos. Na realidade, o professor von Leers morreu em 1965, aos sessenta e três anos.
Nascido em 25 de janeiro de 1902 em Vietlübbe, Mecklemburgo, Johann (Johannes) von Leers estudou nas universidades de Kiel, Berlim e Rostock. Doutorou-se em direito, mas também cultivou estudos linguísticos, dedicando-se à eslavística; estudou russo e polonês, mas também iídiche e até mesmo húngaro e japonês; como tantos outros intelectuais alemães de sua geração, escrevia fluentemente em latim. Ernst Jünger (1895-1998) não estava, portanto, errado ao defini-lo como “um gênio linguístico” [2].
Sua esposa Gesine Schmaltz (1891-1974), com quem se casou em 1932, havia sido secretária de Herman Wirth (1885-1981), o erudito de origem holandesa que, “através de um laboriosíssimo aparato filológico, antropo-geológico, mitológico e simbólico” [3], com a obra monumental Der Aufgang der Menschheit [4], tornou-se defensor da teoria “polar”, situando a pátria original da pura raça ‘nórdico-atlântica’ no Ártico e na mítica Atlântida de Platão, e sustentou a tese da existência de um monoteísmo solar puríssimo remontando a cerca de 15.000 a.C.; uma tese, a do Urmonotheismus, que coincidia substancialmente com o afirmado pelo Padre Schmidt (1868-1954) [5] e sobretudo por René Guénon (1886-1951) [6]. Segundo Wirth, desse monoteísmo nórdico original teria derivado até mesmo o Cristianismo, o qual teria se formado a partir da tradição conservada entre um grupo ‘atlântico’ da Galileia, região rica em vestígios da civilização megalítica solar.
George L. Mosse, que julgou poder liquidar von Leers definindo-o com uma piada de cabaré iídiche como “um homem que nada aprendeu e nada esqueceu” [7], pretendeu reduzir o “monoteísmo solar” aos termos caricaturais de um “ocultismo solar” [8]. Isso provocou a reação ressentida de Anna Bramwell, que repreendeu Mosse por ter “criticado de modo bastante irritado von Leers porque nos anos cinquenta ainda era um adorador do sol, como se a experiência do nazismo devesse marcar o fim do culto ao sol para qualquer um que nele se reconhecesse” [9]; uma réplica que deixa clara a convicção da pesquisadora londinense sobre a existência de um “culto ao sol” praticado na Munique dos anos vinte. Seguindo os passos de Mosse e Bramwell, Andrea D’Onofrio apresentou o círculo de estudiosos que se reunia em torno de Wirth e do casal von Leers como “um grupo teosófico-nordicista, que se propôs, entre outras coisas, reviver a suposta antiga religião germânica, em particular o culto ao sol” [10].
Dessa imagem bastante aproximativa, Julius Evola já havia feito justiça antecipadamente, referindo-se diretamente ao livro de von Leers Geschichte auf rassischer Grundlage [11] e resumindo as visões de von Leers e Wirth nos seguintes termos: “Von Leers escreve que a época anterior do liberalismo e do cientificismo era caracterizada por três ideias fundamentais: 1°) a igualdade do gênero humano; 2°) a barbárie nórdica e a origem oriental de toda civilização; 3°) por fim, a origem judaica do monoteísmo. Essas três ideias no ciclo racialista que conduz até Wirth são derrubadas ou invertidas: 1°) a humanidade é diferenciada em raças bem distintas; 2°) a civilização não veio do Oriente, mas do Norte; 3°) não os judeus, mas os nórdicos teriam conhecido, infinitamente antes, uma religião superior de tipo monoteísta” [12].
Uma visão muito semelhante a esse Urmonotheismus solar seria adotada por uma mulher de quem falaremos mais adiante, pois foi hóspede de von Leers no Egito: a escritora Maximiani Portas, alias Savitri Devi Mukherji (1905-1982). Um dos modelos religiosos da “sacerdotisa de Hitler” [13], de fato, seria sempre Amenófis IV (c. 1395-1366 a.C.), o décimo faraó da XVIII dinastia que assumiu o nome Akhenaton (“Alegria do Sol”) e tentou impor o culto ao deus único Aton, banindo o politeísmo. Declarando-se discípula desse antigo Profeta do Sol, Savitri Devi concluirá sua peregrinação às Externsteine entoando um hino a “Ele-Ela-Isso, Que não tem nome; Aquele que é e permanece, além das formas, cores e sons” [14].
O suposto “ocultismo pagão” do círculo de Wirth foi evocado por alguns para explicar as orientações eurasianistas de von Leers, orientações que se manifestariam sobretudo quando este, atraindo pesadas medidas disciplinares, condenou diante dos estudantes da Universidade de Berlim a iniciativa da Operação Barbarossa, prevendo seu fracasso. “Seu voltar-se para a Rússia – escreve o autor anônimo de uma ficha divulgada online por círculos judaicos – não se baseava tanto em considerações racionais e estratégicas, mas sim no ocultismo pagão e na crença na superioridade de uma ‘raça nórdica’. Suas raízes ideológicas mergulham no solo do Völkischen Bewegung” [15]. Na realidade, as posições de von Leers sobre a relação da Alemanha com a Rússia coincidiam perfeitamente com a doutrina geopolítica exposta por um cientista com quem ele mantinha contato e que, como ele, era especialista em história e cultura japonesa: Karl Haushofer (1869-1946). Como se sabe, este último defendia a aliança das potências continentais eurasiáticas (Alemanha e Rússia) com o Império Nipônico, contra as talassocracias britânica e estadunidense [16].
Judenfrage
"Nós não podemos mais adiar uma reflexão sobre o fato de que estamos diante de uma escolha que concerne à vida espiritual da Alemanha: ou recomeçar a fazer fluir para ela forças enraizadas e educadores autênticos, ou abandoná-la definitivamente à crescente judaização."Martin Heidegger, Carta a Victor Schwoerer, 2 de outubro de 1929
Até 1928, Johann von Leers foi adido do Ministério das Relações Exteriores do Reich; abandonou o serviço em 1929 para se filiar ao NSDAP. Começou então a colaborar com Der Angriff; depois, entrando em contato com Goebbels, tornou-se editor-chefe da revista Unser Wille und Weg. Monatsblatt der Reichspropagandaleitung der NSDAP, publicada em Munique de janeiro de 1931 a novembro de 1941. Transferindo-se de Munique para Berlim, em 1933, o casal von Leers tornou-se editor da revista Nordische Welt, órgão mensal da Sociedade para a Proto-História e Pré-História Germânica (Gesellschaft für germanische Ur- und Vorgeschichte), presidida por Herman Wirth. Foi von Leers quem apresentou a Heinrich Himmler o autor de Der Aufgang [17], que em 1935 seria um dos fundadores da Ahnenerbe e dirigiria até 1938 a seção de estudos sobre escrita e símbolos pré-históricos.
Que von Leers estivesse em contato com o Reichsführer-SS, parece possível deduzir também de um conhecido estudo de Goodrick-Clarke, onde, junto a Heinrich Himmler, Otto Rahn (1904–1939) e outros visitantes que frequentavam a villa do "Rasputin de Himmler", Karl Maria Wiligut, alias Weisthor (1866–1946) [18], também é citado "Joachim [sic] von Leers" [19]. Por outro lado, Johann von Leers manteve frequentes relações com importantes personalidades do mundo cultural e político, entre as quais nos limitamos a citar, a título de exemplo, o antropólogo Hans F. K. Günther (1891–1968) [20] e o conde Ernst zu Reventlow (1869–1943) [21], vice-presidente do Movimento pela Fé Alemã (Deutsche Glaubensbewegung), fundado em julho de 1933 pelo indianista e historiador das religiões Jakob Wilhelm Hauer (1881–1962).
Em julho de 1932, sai o primeiro número de um periódico de política agrária que originalmente se intitula Deutsche Agrarpolitik. Monatsschrift für Deutsches Bauerntum, mas que logo mudará seu nome para Odal. Monatsschrift für Blut und Boden. A revista é publicada por Richard Walther Darré (1895–1953), o futuro ministro da Agricultura e Alimentação, que na época era chefe do Agrarpolitisches Apparat (Aparato de Política Agrária), o organismo camponês do NSDAP. Von Leers, que cinco anos antes conhecera Darré e se tornara seu amigo, passa a ser um colaborador ativo da Odal [22].
Simultaneamente, colabora com os Nationalsozialistische Monatshefte, a mais importante revista mensal do NSDAP. Ali publica, em 1933, um artigo sobre a questão judaica, no qual defende o projeto de transferência dos judeus para um território distante da Europa. Transcrevemos um trecho significativo, que demonstra, entre outras coisas, o grau de confiabilidade daqueles que atribuíram a von Leers a proposta de... "suprimir os judeus" [23]. Escrevia, pois, von Leers: "Por mais ruins que sejam as experiências que um movimento político e um povo tenham tido com os judeus, ainda assim seria contrário à consciência histórica nórdico-germânica limitar-se simplesmente à solução negativa de uma defesa adicional contra as massas judaicas; a totalidade da nossa vontade histórica, ao contrário, exige imperiosamente uma solução grandiosa, que, pela grandiosidade de sua concepção, possa até mesmo desarmar o inimigo. (...) Apenas um bárbaro, apenas alguém alheio à última grande ordem divina da história universal poderia sugerir uma luta geral de aniquilação contra os judeus, pelo extermínio desse povo. (...) É típico das raças grandes não optar por soluções ditadas pelo ódio, quando ainda é pensável uma solução razoável para o problema. A única solução positiva possível, que realmente poria um fim ao problema judaico na Europa (...) consiste em disponibilizar um território extraeuropeu suficientemente extenso para ser colonizado" [24]. Claro, admite von Leers, transferindo os judeus para Madagascar ou outras regiões da África ou da América do Sul, correr-se-ia o risco de que tais territórios se transformassem em verdadeiros centros de corrupção, de modo que seria necessário vigiar para impedir tal resultado. Em todo caso, era preciso propor ao mundo dar um lar estável às massas judaicas, mas longe do espaço europeu.
Em 14 Jahre Judenrepublik, são reiterados conceitos análogos. "A oposição contra o judaísmo – escreve von Leers – nunca teve o objetivo de destruir o povo judeu; mas proteger o povo germânico é a questão. Todos temos motivos para desejar que o povo judeu tenha sucesso em um desenvolvimento nacional honroso em sua própria pátria, de modo que ele não tenha mais a vontade nem a oportunidade de interferir no desenvolvimento nacional da Alemanha. A hostilidade contra os judeus fundamenta-se no desejo de libertar nosso povo da servidão espiritual, econômica e política". Von Leers concluía indicando a solução do problema judaico na emigração dos judeus para um território extraeuropeu. Pensava, obviamente, em Madagascar.
Além dos Nationalsozialistische Monatshefte, os escritos de von Leers sobre a questão judaica aparecem em diversas revistas: Die Wehrmacht-Fachschule, Der Weltkampf, Die Westmark, Deutsche Post aus dem Osten, Deutscher Wissenschaftlicher Dienst, Judenfrage, etc.
Como dirigente responsável pela educação (Reichsschulungsleiter) no âmbito da Liga dos Estudantes Nacional-Socialistas (Nationalsozialistischer Deutscher Studentenbund) de Berlim, von Leers foi um estreito colaborador de Fritz Hippler, o chefe da própria Liga, futuro diretor do célebre documentário Der ewige Jude. Na primeira metade de 1933, "por mais que fossem pessoalmente alheios às tendências que agitavam o campo da política artística, Hippler e von Leers forneceram sua cobertura ao desenvolvimento do debate" [25], que via grande parte do ambiente estudantil alinhar-se em posições de "luta contra a reação na arte", pela "revolução nacional-socialista completa", a ponto de os dois dirigentes da Liga aparecerem como porta-vozes de uma espécie de "oposição berlinense". Em 29 de junho, ocorreu no auditório máximo da Friedrich-Wilhelm-Universität de Berlim uma "manifestação pública decisiva, que atribuiria a seus promotores a perigosa fama de ter criado um 'movimento Otto Strasser' no campo artístico" [26]; e os promotores oficiais da manifestação, que terminou com uma declaração de guerra contra a Liga pela Cultura Alemã, de Rosenberg, eram precisamente Hippler e von Leers, que "atacaram em geral a restauração do academicismo guilhermino" [27]. Mas foi o próprio Hitler quem interveio para pôr fim à dissidência e à controvérsia, declarando, em discursos de 1º e 6 de julho, encerrada a revolução nacional-socialista.
No entanto, para von Leers, a temporada de polêmicas não havia terminado. Em uma série de pregações realizadas no período litúrgico do Advento de 1933, o cardeal Michael von Faulhaber (1869–1952), arcebispo de Munique, "lembrou aos católicos alemães (...) tudo o que o cristianismo devia ao judaísmo e (...) defendeu as fontes judaicas do cristianismo" [28]. O prelado exaltou "os valores morais do Antigo Testamento tomados autonomamente e por suas conexões com o cristianismo; ele estabeleceu uma comparação entre os costumes germânicos primitivos, tão exaltados pelos racistas, e a moral mosaico-cristã, evidenciando a superioridade desta sobre aqueles" [29]. Von Leers respondeu a Faulhaber, a quem alguns chamavam de Judenkardinal, com um livro intitulado Der Kardinal und die Germanen.
A mesma época remonta a polêmica com Oswald Spengler (1880-1936). No final de 1933, Spengler publicou seu último livro, Jahre der Entscheidung [31], que os nacional-socialistas receberam com certa frieza. "No clima de exaltação após a Machtergreifung, ele pretendia falar da Alemanha tratando os nazistas como quase inexistentes. Alfred Baeumler o atacou no Völkischer Beobachter com um artigo sobre a 'revolução vista de longe'. Outros o chamaram de oportunista, reacionário e pior" [32]. A Spengler, que apontava na 'revolução mundial de cor' o inimigo comum da 'humanidade branca', von Leers respondeu com cerca de cinquenta páginas intituladas Spenglers weltpolitisches System und der Nationalsozialismus [33]. Ao grito de alarme lançado por Spengler contra o "perigo amarelo", von Leers opôs os seguintes argumentos: "Qualquer fortalecimento do Japão, qualquer fortalecimento da China, em geral, qualquer surgimento de uma nova potência no mundo extraeuropeu equivale ao enfraquecimento das grandes potências da Europa Ocidental, que combateram a Alemanha na guerra mundial (...) Por causa do fantasma dos 'interesses comuns da raça branca', devemos ainda preservar e apoiar essas potências em sua hegemonia mundial? Devemos nós, 'em nome da raça branca', salvaguardar o domínio colonial francês, graças ao qual a França arrasta suas tropas negras para manter um predomínio contra a Alemanha? (...) A 'comunidade da raça branca', o 'império dos povos brancos' preconizado por Spengler não é nada mais que uma revivescência do velho cosmopolitismo liberal, da burguesia mundial da era liberal sob as insígnias da raça. Isso não tem absolutamente nada a ver com os verdadeiros interesses do povo alemão" (p. 35).
No biênio 1933-1934, foram publicados outros livros de von Leers, como Reichskanzler Adolf Hitler (Leipzig, 1933), Juden sehen dich an (Berlim, 1933), Das erste Jahr im Dritten Reich (Berlim, 1934). Em 1934, com um ensaio sobre a "marcha e ascensão do nacional-socialismo", von Leers participou de uma obra coletiva organizada por Curt Hotel, Deutscher Aufstand [34], um livro que "se situa, por sua temática e pelo círculo de seus colaboradores, na esteira dos trabalhos [análogos] de E. Jünger, Roegels e Heinz" [35]. Ainda nesses anos, von Leers organizou uma edição de Auf dem Judenfriedhof in Prag; trata-se de um capítulo do romance Biarritz, que Hermann Goedsche (1815-1878) havia publicado em Berlim em 1868 sob o pseudônimo de Sir John Retcliffe [36].
II
Gotteskampf
"É necessário que todos os acadêmicos de um povo envolvido em um movimento tão profundo se coloquem a serviço dos líderes desse movimento para tornar compreensíveis seus objetivos nacionais, políticos e supranacionais (...) com todo o seu conhecimento político e intelectual, com todas as informações que possuem sobre países estrangeiros e o mundo."Karl Haushofer, Der nationalsozialistische Gedanke in der Welt, München 1933
Em 9 de agosto de 1934, o Deutsche Allgemeine Zeitung publicou o artigo de um professor emérito de germanística da Universidade de Giessen, Otto Behagel, que, com arrogância acadêmica, acusava os não especialistas (Aussenseiter) de realizarem pesquisas sobre a pré-história sem possuir as qualificações necessárias. À crítica do velho acadêmico, não apenas o jornal oficial do NSDAP, o Völkischer Beobachter, respondeu; o contra-ataque mais contundente veio dos jornais controlados por Darré, nos quais intervieram o próprio ministro e alguns de seus colaboradores, entre eles justamente von Leers. O termo Aussenseiter foi devolvido contra quem o havia usado: "Ao se apresentarem como únicos e exclusivos garantes de uma pesquisa histórico-científica 'verdadeira', professores como Behagel mostraram-se completamente insensíveis às propostas inovadoras que marcariam a Alemanha nazista e, assim, apareciam como os verdadeiros outsiders em relação à nova realidade do Terceiro Reich" [37].
Em 1935, von Leers publicou Das alte Wissen und der neue Glaube e contribuiu com uma História do antissemitismo alemão para mais uma edição do Manual da Questão Judaica [38], organizado por aquele que "foi, sem dúvida, o mais influente de todos os Völkischen" [39], Theodor Fritsch (1852-1933).
Posteriormente, von Leers colaborou regularmente com os SS-Leithefte, publicados pelo Escritório para Raça e Povoamento (Rasse- und Siedlungshauptamt), sob o patrocínio de Richard Walther Darré, Reichsbauernführer e ministro da Alimentação e Agricultura.
Em 1936, além de tratar de temas japoneses na revista Volk und Reich, publicou Blut und Rasse in der Gesetzgebung [40], um panorama histórico das legislações raciais, desde as civilizações antigas (Índia, Irã, Grécia, Roma) até o Extremo Oriente (China, Japão) e o Ocidente moderno (Américas, África do Sul, colônias inglesas e francesas). O interesse de von Leers pelos estudos jurídicos também se reflete em sua palestra sobre o tema "Criminalidade Judaica", apresentada em uma conferência presidida por Carl Schmitt (1888-1985) e realizada em 3-4 de outubro de 1936, com o tema O Judaísmo na Jurisprudência. Os anais da conferência foram posteriormente publicados em uma série de folhetos sob o título geral Das Judentum in der Rechtswissenschaft.
No semestre de inverno de 1936-37, recebeu da Universidade de Jena uma cátedra para o ensino de História Jurídica, Econômica e Política com Base Racial. Em março de 1938, tornou-se, ainda em Jena, professor extraordinário. A partir de 1º de janeiro de 1940, foi nomeado professor titular de História Alemã com Ênfase na História Camponesa. Simultaneamente, dirigiu o departamento de história e foi membro do senado acadêmico da Universidade de Jena [41].
Em 30 de janeiro de 1938, recebeu, juntamente com Wolfram Sievers (1905-1948) (o secretário-geral da Ahnenerbe, que seria enforcado em Nuremberg), a patente de Sturmbannführer (major) das SS. No mesmo ano, publicou Rassengeschichte des deutschen Volkes (Berlim, 1938).
Enquanto isso, a produção literária de von Leers não parava: foram publicados Arteigenes Recht und Unterricht (1937), Rassen, Völker und Volkstümer (1939), Der deutsche Lehrer als Kulturschöpfer (1939).
Em 1938, von Leers foi nomeado professor visitante na Universidade de Roma. Lá, estabeleceu contato com as redações das revistas La Difesa della Razza e La Vita Italiana. Em particular, colaborou com Giovanni Preziosi (1881-1945) e tornou-se seu amigo, admirando suas qualidades de caráter; dezoito anos após sua morte, lembraria dele como "um romano antigo, um homem catônico, uma pessoa de grande honestidade e retidão, tanto na vida privada quanto na pública" [42].
Em Roma, von Leers proferiu diversas conferências públicas. Em 15 de junho de 1940, discursou no Palazzo Zuccari, na Seção de História da Cultura do Instituto da Kaiser Wilhelm-Gesellschaft, sobre um tema histórico que havia se tornado de atualidade cotidiana: A Inglaterra. O adversário do continente europeu. Ainda no Palazzo Zuccari, em 19 de junho, foi convidado pelo Circolo di Studi Italo-Tedesco para falar sobre Elementos comuns na história italiana e germânica; oito dias depois, a conferência foi repetida no Teatro delle Arti, a convite do Instituto Fascista para Relações Culturais com o Estrangeiro [43].
Em 1940, ao resenhar para a revista "Odal" o segundo volume de Herd und Altar de Bernhard Kummel (1897-1962) [44], von Leers posicionou-se a favor deste último na polêmica que o opunha a Otto Höfler. O germanista e tradutor da Edda, Bernhard Kummer, que, assim como von Leers, lecionava na Universidade de Jena, havia extraído das antigas sagas islandesas a imagem de um "mundo heroico dos germanos, que viviam entre o lar e o altar uma vida feliz e moralmente pura (…) Mas esse mundo tranquilo (Midgard), no qual domina a figura de Thor, é quebrado e perturbado pela religião de Odin e do Valhalla da era dos Vikings (…) A religião de Odin impõe-se, assim, com seu espírito demoníaco-destrutivo e individualista-aristocrático (Utgard). A luta entre essas duas forças espirituais opostas, em que a dinâmica destrutiva de Utgard prevalece sobre o sereno Midgard, teria dado início à progressiva decadência do mundo germânico, ao qual o estranho Cristianismo teria infligido um último golpe devastador" [45]. Contra essa visão "antidemônica" da antiguidade germânica, entrou em cena um estudioso da escola vienense de Rudolf Much, Otto Höfler, que, com seu Kultische Geheimbünde der Germanen [46], já havia defendido "a importância, no mundo dos germanos, de cultos e ritos demoníaco-extáticos cultivados por associações secretas masculinas de guerreiros" [47]. Segundo Höfler, o caráter originário do mundo germânico não deveria ser buscado na natureza camponesa — que, de qualquer forma, não era negada —, mas sim em um espírito guerreiro de tipo extático-ritual. Enquanto a tese de Höfler foi defendida pela revista oficial da Ahnenerbe, Germanien, que em 1937 havia publicado diversos artigos do editor-chefe J.O. Plassmann e do próprio Höfler, von Leers, como já mencionado, interveio em 1940 ao lado de Bernhard Kummer, atacando a teoria da componente demoníaco-extática das associações guerreiras masculinas e reconhecendo a Kummer o mérito de ter destacado que o mundo camponês dos germanos, guardião dos valores tradicionais, havia entrado em conflito com o conceito de uma "autoridade" derivada da Igreja.
Durante os anos da guerra, von Leers exerceu uma intensa atividade na frente interna. Em 1940, publicou dois livros sobre a questão judaica: Wie kam der Jude zum Geld? [48] e Judentum und Gaunertum [49]. Já com Die berufstätige Frau, ele contribuiu para um volume coletivo sobre a política feminina do nacional-socialismo [50]. Em 1941, além de Für das Reich e de um livro sobre o "renascimento espiritual" da Alemanha [51], publicou dois estudos amplamente documentados sobre os bastidores da política dos Estados Unidos e da União Soviética [52]. Em 1942, foram lançados dois novos livros sobre o campesinato alemão [53], que se somaram a Der Weg des deutschen Bauern von der Frühzeit bis zur Gegenwart, publicado alguns anos antes [54]. Em 1944, além de publicar Die Verbrechernatur der Juden, escreveu a introdução para um estudo de Schramm sobre o assassinato ritual, na qual se lê: "O judaísmo é criminalidade hereditária, um sincretismo religioso em que a crença em demônios desempenha um papel considerável. Quem luta contra o judaísmo 'cumpre a obra do Senhor' e trava uma guerra santa (Gotteskampf)" [55].
III
Dos Andes às Pirâmides
"Quanto àqueles que emigraram pela causa de Deus, após terem sido perseguidos, dar-lhes-emos uma bela morada nesta vida; mas a recompensa na outra vida é maior."Alcorão, XVI, 41
Após a ocupação militar da Alemanha, von Leers foi internado em um campo de concentração estadunidense, de onde conseguiu escapar após dezoito meses.
No dia 25 de agosto de 1947, apresentou-se na casa de Ernst Jünger, que anotou em seu Diário:
“De manhã, anunciou-se um visitante que não quis dizer seu nome; era o Dr. von Leers. Agora, com documentos falsos, trabalha como intérprete para os ingleses; contou que havia levado sua esposa e sua filha para um lugar seguro, longe da ‘besta vermelha’, na Espanha. Depois, irá se reunir a elas lá. Lembrei-me de que já em 1933, em Steglitz, ele me havia descrito essa situação: como uma possibilidade inverossímil, é claro. Agora há uma corrente específica de emigração que muda constantemente seu pessoal, mas permanece constante como um fenômeno de nosso tempo: em direção à Espanha e à Argentina. Encontrei-o inflexível em suas opiniões, por isso mudei de assunto. Conversamos sobre a relação entre língua e lógica: ele destacou especialmente o turco como um instrumento de altíssima precisão. Lá há todo um leque de formas verbais para distinguir a informação confiável da não confiável. Leers é um gênio linguístico. Espíritos assim, como cantores e pianistas, têm um vasto campo. Sua predileção particular vai para os japoneses, cuja história e língua ele estudou intensamente. Entre outras coisas, contou que, no dia em que a frota americana foi destruída em Pearl Harbor, o embaixador japonês em Roma o procurou para comunicar-lhe imediatamente, como prussiano, a boa notícia; e foi com estas palavras: ‘C’est la vengeance pour 1789’" [56].
Em 1950, von Leers atravessou a Áustria e chegou à Itália, onde embarcou no porto de Gênova em um navio com destino à Argentina. Nesse país da América do Sul, que sob a liderança do general Juan Domingo Perón (1895-1974) havia adotado uma "terceira via" justicialista, alternativa ao capitalismo e ao marxismo [57], von Leers encontrou as condições mais favoráveis para retomar a luta. Em Buenos Aires, "participou ativamente da vida social da comunidade" [58] alemã, trabalhando como jornalista e assumindo a direção de uma revista mensal fundada por Eberhard Fritsch, "Der Weg – El Sendero". Assinando com seu próprio nome, escreveu diversos artigos, entre os quais destacam-se: Reich und Sonnenordnung (9, 1955), Die grünen Banner der Freiheit (10, 1955), Volk und Staat (11, 1955), Gott geb dem Heil, der bei mir kämpft! Ulrich von Huttens Kampf und unsere Zeit (12, 1955), Ein neues Weltzeitalter? (7-8, 1956), Einer wird es sein… (11-12, 1956). Usando o pseudônimo de Johannes Uhlen, publicou Die letzten Goten (12, 1954), Die Wurzeln der jüdisch-deutschen Gegensätzlichkeit (5, 1956 e 9, 1956), Das orientalische Judentum (11-12, 1956); assinando como "Hans Euler", publicou Deutsch-ungarische Schicksalsgemeinschaft (4, 1955) e Über das Vaterland (10, 1957). Segundo dois caçadores de nazistas de Amsterdã, von Leers também teria usado o pseudônimo de W. von Asenbach, especialmente em 1955, quando publicou pela editora alemã de Buenos Aires Prometheus Verlag a obra Adolf Hitler. Sein Kampf gegen die Minusseele. Eine politisch-philosophische Studie aus der Alltagsperspektive, um "famoso trabalho antissemita" (notoir antisemitische werk) [59]. Com seu próprio nome, colaborou ainda com "Dinàmica social", uma revista dirigida pelo ex-secretário do PNF Carlo Scorza (1897-1988), que também se refugiara na Argentina.
Outro caçador de nazistas, colaborador nos anos sessenta do "Daily Herald", escreve que von Leers "retomou contatos na Argentina com seus velhos amigos nazistas e montou com eles uma importante rede fascista que cobria todo o continente" [60].
Um fato é certo: após a queda de Perón, em 1955, von Leers deixou a Argentina e estabeleceu-se no Egito. Com a expulsão do rei, a abolição da constituição reacionária, a dissolução dos partidos políticos e a proclamação da república, a Revolução dos "oficiais livres" havia iniciado uma ampla purga na velha classe política e dado início a um vasto programa de reformas. Em 2 de fevereiro de 1955, Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que já se tornara el-Raís ("o Líder"), rejeitou o Pacto de Bagdá, que visava vincular os países do Oriente Médio aos anglo-americanos, e proclamou que o Egito trabalharia pela unidade e independência da Nação Árabe. O Egito estava, assim, tornando-se um importante ponto de referência não apenas para os povos árabes, mas para uma frente mais ampla de luta anti-imperialista e antissionista. Aliás, já antes e durante a guerra, Abdel Nasser e os "oficiais livres" haviam apoiado as potências do Eixo [61], como todos os bons muçulmanos e todos os nacionalistas árabes. Entre eles, von Leers conhecera em Berlim, em 1936, o Grão-Mufti de Jerusalém, Hajj Amin al-Husseini (1895-1974); e foi justamente o Grão-Mufti, a mais prestigiosa personalidade do Islã, quem recebeu no Egito o exilado alemão, com estas palavras: "Nós o agradecemos por ter vindo aqui para retomar a luta contra as potências das trevas encarnadas pelo judaísmo internacional" [62].
Von Leers não foi o único a refugiar-se no Egito: muitos patriotas alemães e não alemães, como o suíço Georges Oltramare [63], pediram asilo político ao governo do Cairo, para escapar da repressão que assolava a Alemanha e continuar a luta contra os mesmos inimigos [64]. A maioria foi contratada pelos ministérios da Informação, do Interior e da Guerra.
Como a maioria deles, von Leers também se converteu ao Islã, adotando o nome de Omar Amin [65]. No passado, von Leers sempre demonstrou um certo interesse pelo Islã, especialmente pelo "Islã imperioso e guerreiro [daqueles povos] que ainda possuíam uma segura componente racial nórdica" [66]. Em Der Kardinal und die Germanen, ele contrastou a tradicional tolerância do Islã em relação a outras religiões com a violência cruel e destrutiva usada pelo cristianismo na conquista da Europa germânica [67]. Em Blut und Rasse in der Gesetzgebung, ele citou alguns versos do Alcorão relativos aos judeus (IV, 158 e V, 16), "que o Islã considerou seus inimigos desde os primórdios" [68], e analisou com interesse as medidas legais adotadas por Omar ibn al-Khattâb (643-644), pelo califa abássida al-Mutawakkil (847-861), bem como pelo califa ismaelita al-Hakim bi-amri-Llâh (996-1021) [69]. Ao relembrar, em uma publicação destinada à formação cultural das SS, o encontro de Frederico II da Suábia com o Sultão al-Kamil (70), o Sturmbannführer Dr. Johann von Leers fez o Grão-Mestre da Ordem Teutônica, Hermann von Salza, dizer: "Acredito que o papa não ficará nada contente se um dia não houver mais motivos para realizar Cruzadas na Palestina. Nós, alemães, não dissiparemos mais nossa força nessa terra estrangeira, mas construiremos um grande império ao norte e a leste, muito maior do que o que os papistas desejariam" [71]. Do exílio argentino, ele finalmente expressou sua solidariedade ao movimento de libertação do Norte da África. "Do deserto", escreveu, "ergueu-se uma grande tempestade. (...) É o vento da liberdade, que surge da antiga terra dos mouros. (...) Da Indonésia ao Paquistão e ao Marrocos, as bandeiras verdes da liberdade e da justiça de Deus tremulam contra a iniquidade do colonialismo. (...) E, poderosa, surge sobre as trombetas da tempestade do deserto a figura do Mahdi que há de vir, que os muçulmanos aguardam há séculos (...)" [72].
Agora, von Leers encontrava na doutrina do Islã aquela indissolúvel unidade entre religião e política, entre fas e jus, que ele identificara como característica do antigo mundo ariano, onde "a lei divina e a lei humana ainda estavam estreitamente unidas" e o direito era "um fragmento da ordem divina universal" [73].
Em uma carta enviada em maio de 1960 à revista argentina Pregonando Verdades, o Prof. Dr. Omar Amin von Leers escreveu: "Fui ao Egito, hoje o centro da luta mundial contra o colonialismo sionista que priva as nações de sua liberdade. Tendo visto tanto na Alemanha quanto na Argentina que as igrejas cristãs no mundo são aliadas dos judeus sionistas, converti-me ao Islã, a religião dos homens livres, dos grandes pais da liberdade e do nacionalismo, como Gamal Abdel Nasser e o Emir Abdel Krim. Continuo ao lado dos árabes minha luta contra a tirania mundial de Israel e dos sionistas, e onde eu puder ser útil na luta contra eles, o farei com o maior prazer" [74].
Maurice Bardèche (1907-1998), com quem von Leers manteve uma intensa correspondência a partir do Cairo, ecoou em suas entusiásticas páginas sobre o nasserismo as visões de von Leers [75]. Mas a correspondência entre von Leers e Bardèche, que logo se estendeu a Paul Rassinier (1906-1967), também teve um papel decisivo no surgimento da corrente de investigação histórica posteriormente conhecida como "revisionismo". Em 25 de janeiro de 1963, Rassinier escreveu a Bardèche: "von Leers escreveu que queria encontrar um editor para mim na Alemanha, dizendo-se certo de poder conseguir um. No Egito, ele está preparando uma edição governamental para propaganda no Oriente Médio". E von Leers escreveu a Bardèche (carta sem data): "É uma pena que eu ainda não tenha recebido uma resposta de Rassinier sobre Kogon. (...) O dossiê sobre ele terá grande importância; enviando-o, você contribuirá muito para a vitória da boa causa na luta contra os trapaceiros judeus que infestam a vida política na Europa". Bardèche a Rassinier: "Anexo a carta de von Leers, bem como a nota que você havia incluído. (...) A questão levantada por von Leers sobre seu livro é muito mais delicada. (...) Seria necessário considerar o transporte clandestino de mil exemplares, o que me parece muito difícil". Von Leers a Rassinier, em 1º de setembro de 1964: "Caro professor, hoje me alegro por ter encontrado uma boa solução para a edição do seu excelente livro Le drame des Juifs européens. A grande editora National Publications Printing House, aqui no Cairo, sob o controle do Departamento de Informação, terá prazer em traduzi-lo e publicá-lo". Von Leers a Rassinier, em 28 de novembro de 1964: "Recebi a ordem do Departamento de Informação para fazer um resumo do seu excelente livro Le drame des Juifs européens em inglês. (...) Anexo um recorte de jornal que recebi da Alemanha e que se refere à sua luta contra aquele porco fedorento de Bernard Lecache, que tem todas as razões para esconder (em francês, cacher) seu nome, pois ele é o judeu Lifschitz" [76]. O judeu Lifschitz havia de fato declarado que Rassinier era um agente da Internacional Nazista, e Rassinier moveu um processo contra ele.
A atuação de von Leers em nome da República Árabe Unita foi particularmente intensa. Ele foi responsável pelo Serviço de Propaganda Antissionista; foi redator da Rádio Cairo, uma emissora ouvida em todo o mundo árabe; dirigiu um programa intitulado A Voz dos Árabes, transmitido em ondas curtas para a Europa, África e América do Sul; e fundou um Instituto de Pesquisas sobre o Sionismo. Também realizou importante trabalho editorial, traduzindo para o alemão textos da coleção Estudos sobre o Islã, publicada pelo Conselho Supremo para Assuntos Islâmicos [77]. Nisso, foi auxiliado por muitos exilados alemães, vários dos quais conseguiram refúgio no Egito graças à sua intervenção.
Em maio de 1957, Omar Amin von Leers recebeu a visita de Savitri Devi, que estava retornando da Europa para a Índia, onde se estabelecera em 1936. Eis como o encontro com von Leers foi reconstruído na biografia de Savitri Devi: "Apesar de na porta de seu escritório ministerial haver um nome árabe, o professor Dr. Omar Amin von Leers só poderia ser tomado por um alemão. O homem de faces rosadas, cabelos brancos e olhos de um azul luminoso levantou-se para saudar Savitri Devi com a elegância de um velho cavalheiro prussiano. Naturalmente, ele já ouvira falar dela e dos magníficos livros que escrevera pela causa nazista internacional. O coronel Rudel [Hans-Ulrich Rudel] falara dela com entusiasmo. Ela gostaria de aceitar seu convite para ficar um pouco e ver o que os alemães estavam fazendo no Egito? Ele morava não muito longe, na parte sul do Cairo, na cidade de Meadi (El-Maâdi), na margem leste do Nilo. No momento, sua casa estava cheia, mas a hóspede ficaria na casa de um vizinho, um palestino chamado Mahmud Sali, que nutria grande admiração pelo Führer. Esse senhor se sentiria honrado se Savitri Devi aceitasse sua hospitalidade. Ela ficou feliz. Von Leers sugeriu que ela jantasse com eles naquela noite" [78]. Após visitar Tell el-Amarna, a cidade solar de Akhnaton ao sul do Cairo, Savitri Devi voltou a Meadi para se despedir de von Leers e de sua família; depois, retornou à Índia passando pela Síria, Iraque, Irã e Paquistão.
Em 5 de novembro de 1958, a revista Der Spiegel (ano XII, n. 45) publicou uma carta de von Leers em que ele parabenizava a revista por ter publicado um artigo do ex-presidente do Reichsbank, Hjalmar Schacht: “um homem de enormes méritos” — escrevia von Leers — “a quem os canalhas desnazificadores perseguiram como a um animal selvagem”. Von Leers também denunciava o fato de que “milhões de judeus preguiçosos e trapaceiros [faulpelzender und schiebender Juden] engordavam” graças às chamadas “reparações”, que não passavam de um “escandaloso desperdício dos frutos do trabalho alemão”. Em 19 de novembro, a mesma revista orquestrou um coro de “veementes protestos” contra as declarações de von Leers, publicando cerca de quinze cartas de “leitores indignados”.
Entre os veementes protestos que surgiram na Alemanha Ocidental contra as atividades de von Leers, estava o do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). O grupo do SPD no Bundestag, em Bonn, questionou o fato de von Leers ter obtido um novo passaporte na embaixada da República Federal da Alemanha no Cairo. Com a típica seriedade alemã, os parlamentares social-democratas perguntaram formalmente se o governo não via nisso uma “ameaça de considerável relevância [Gefährdung erheblicher Belange] para a República Federal da Alemanha” e pediam às autoridades competentes que verificassem quais dos cidadãos alemães que fugiram para o exterior após 1945 ainda possuíam um passaporte válido. Um porta-voz do Centro de Documentação Judaica Contemporânea resumiu o caso em termos edificantes: “A concessão do passaporte a este singular cidadão da Alemanha de Bonn desencadeou, por volta de 1960, uma verdadeira guerra parlamentar, na qual os social-democratas lutaram até conseguir que von Leers não fosse considerado um cidadão alemão com direitos iguais aos dos outros” [79].
O autor, no entanto, acredita que von Leers, “estabelecido permanentemente no Cairo” [80], basicamente não se importou com o caso que o afetava pessoalmente; aliás, ele mesmo traça um retrato que revela uma serenidade interior olímpica: “Seu rosto bondoso de senhor idoso e educado, com uma gravata de bolinhas grandes como waffles e o inevitável cravo na lapela, fresco e otimista dia após dia, escondeu de todos os olhos o intenso trabalho de proteção que realizou em favor de seus ex-colegas” [81].
Segundo um Lexikon (sic) publicado na internet por caçadores de nazistas [82], um documento dos serviços de inteligência dos EUA [83] mencionaria um encontro ocorrido na embaixada egípcia em Lima, em dezembro de 1964, entre von Leers e o suposto chefe da ODESSA na América do Sul, Friedrich Schwend, que residia na capital peruana. Em troca de 100.000 dólares autênticos, Schwend teria entregado a von Leers uma quantia muito maior em dólares falsos, que posteriormente seriam colocados em circulação no Peru. Alguns associaram a presença de von Leers em Lima a uma tentativa de reconstituir “na América do Sul a sede central da ODESSA” [84].
Seja como for, von Leers voltou ao Cairo após sua passagem pela América do Sul, onde morreu alguns meses depois, em 3 de março de 1965. Assim chegou ao fim aquela Gotteskampf (luta divina) que ele havia iniciado trinta e seis anos antes nas fileiras da revolução suástica.
Notas
[1] Segundo um certo Luigi Vianelli, Johann von Leers conspira com negacionistas do Holocausto, como o professor Faurisson e Ahmed Rami: “(Ahmed) Rami é amigo pessoal de Faurisson e também de Johannes von Leers” (Luigi Vianelli, I negacionistas geopolitici, www.Olokaustos.org). Também Jorge Camarasa, consultor do Centro Simon Wiesenthal e, significativamente, escritor de ficção política, faz von Leers viver além de 1965, mas... com cautela: “No Cairo – escreve ele – von Leers conduziu até o final dos anos 60 um programa de rádio, A voz dos árabes, que era transmitido antes e depois das orações rituais” (Jorge Camarasa, Organização Odessa. Dossiê sobre os nazistas refugiados na Argentina, Mursia, Milão 1998, p. 97). Mais prudentemente, outro autor observa: “É claro que é possível que se tratasse de transmissões gravadas ou reprises” (Umberto Barbisan, Sulle tracce dell’Odessa. Mito o enigma del Novecento?, Tecnologos, Mântua 2002, p. 121). Nicholas Goodrick-Clarke, por outro lado, faz Johann von Leers morrer dois anos antes, em 1963 (Hitler’s Priestess. Savitri Devi, the Hindu-Aryan Myth, and Neo Nazism, New York University Press, Nova York-Londres 1988, p. 177).
[2] Ernst Jünger, Strahlungen II (Die Hütte im Weinberg), DTV Verlag, Tübingen 1958, p. 644.
[3] Julius Evola, Il mito del sangue, Hoepli, Milão 1937, p. 149. Ver também os escritos de Evola reunidos no “caderno” n.º 37 da Fundação Julius Evola: Il “mistero iperboreo”. Scritti sugli Indoeuropei 1934-1970, Roma 2002. Analisando o significado da origem nórdica da tradição primordial com base nos estudos de H. Wirth, Evola escreve sobre este último: “Não se trata aqui nem de um ‘teosofista’, nem de um amador imaginativo, mas de um técnico, cuja competência em filologia, antropologia, paleografia e disciplinas afins não pode ser posta em dúvida” (p. 32).
[4] Herman Wirth, Der Aufgang der Menschheit. Untersuchungen zur Geschichte der Religion, Symbolik und Schrift der Atlantisch-nordischen Rasse, Jena 1928. Na Itália, esta obra foi resenhada por Julius Evola na revista “Bilychnis”, XX, 1 (janeiro-fevereiro de 1931).
[5] Na reconstrução do etnólogo padre Wilhelm Schmidt, a crença em um “ser supremo” amplamente difundida entre as chamadas populações primitivas constitui o traço residual do Urmonotheismus correspondente à revelação primordial, de modo que o politeísmo nada mais seria do que uma forma religiosa degenerada.
[6] “Nenhuma tradição pode ser em si mesma politeísta; postular um politeísmo na origem (...) significa subverter toda ordem normal. Qualquer tradição verdadeira é essencialmente monoteísta” (R. Guénon, Monoteismo e angelologia, em Mélanges, I, Centro Studi Guénoniani, Veneza 1978, pp. 35-36).
[7] George L. Mosse, As origens culturais do Terceiro Reich, Il Saggiatore, Milão 1968, p. 107.
[8] G. L. Mosse, op. cit., p.106.
[9] Anna Bramwell, Ecologia e società nella Germania nazista. Walter Darré e il partito dei verdi di Hitler, Reverdito, Trento 1988, p. 78.
[10] Andrea D’Onofrio, Ruralismo e storia nel Terzo Reich. Il caso “Odal”, Liguori, Nápoles 1997, p. 146.
[11] J. Von Leers, Geschichte auf rassischer Grundlage, Reclam, Leipzig 1934; 2ª ed. 1937.
[12] Julius Evola, Il mito del sangue, cit., p. 169.
[13] “Sacerdotisa de Hitler” é o título dado a Savitri Devi por Nicholas Goodrick-Clarke, Hitler’s Priestess. Savitri Devi, the Hindu-Aryan Myth, and Neo Nazism, cit.
[14] Savitri Devi, Pilgrimage, Temple Press, Calcutá 1958, p. 351. “Princípio de toda a vida, humana e não humana; adorado não apenas por ‘todos os homens’, mas também por todas as criaturas vivas: quadrúpedes, pássaros, peixes e plantas; cheio de solicitude por todas as criaturas” (Savitri Devi, The Lighting and the Sun, Samisdat Publ., Buffalo 1958, p. 157). Sobre Akhenaton, Savitri Devi escreveu bastante: Akhenaton’s Eternal Message: A Scientific Religion 3300 Years Old, A.K. Mukherjee, Calcutá 1940; Joy of the Sun: The Beautiful Life of Akhenaton, King of Egypt. Told to Young People, Thacker, Spink and Co., Calcutá 1942; Um Filho de Deus: A Vida e a Filosofia de Akhenaton, Rei do Egito, Philosophical Publ. House, Londres 1946; Akhenaton: Uma Peça, Philosophical Publ. House, Londres 1948.
[15] Anônimo, Johann (Johannes von Leers), IDGR. Serviço de Informação contra o Extremismo de Direita (www.idgr.de/lexikon/bio/l/leers/leers.html).
[16] Cf. Karl Haushofer, Il Giappone costruisce il suo Impero, Edizioni all’insegna del Veltro, Parma 1999 (primeira edição: Sansoni, Florença 1942). Ver também: Karl Haushofer, Italia, Germania e Giappone, Edizioni all’insegna del Veltro, Parma 2004 (primeira edição: Istituto Italiano per il Medio ed Estremo Oriente, Roma 1937).
[17] Michael H. Kater, Das „Ahnenerbe” der SS 1935-1945, Deutsche Verlagsanstalt, Stuttgart 1974, pp. 16, 26, 363, 366, 387.
[18] Hans Jürgen Lange, Weisthor, Arun-Verlag, Engerda 1998.
[19] Nicholas Goodrick-Clarke, The Occult Roots of Nazism. The Ariosophists of Austria and Germany. 1890-1935, The Aquarian Press, Wellingborough 1985, p. 188. Também na edição francesa (Les racines occultes du nazisme, Pardès, Puiseaux 1989, p.264) lê-se Joachim em vez de Johann.
[20] Sobre Günther, ver Julius Evola, Il mito del sangue, Edizioni di Ar, Pádua 1994, passim.
[21] Sobre Reventlow, cf. Klaus-Peter Hoepke, La destra tedesca e il fascismo, Il Mulino, Bolonha 1971, pp. 238-245 e passim. Hoepke define Reventlow como “um dos líderes mais proeminentes, mas ao mesmo tempo menos poderosos do nacional-socialismo ou, melhor dizendo, dos nazistas de esquerda” (op. cit., p. 238).
[22] Grande parte dos artigos que von Leers escreveu para “Odal” foram reeditados e reunidos em um volume intitulado Odal. Das Lebensgesetz eines ewigen Deutschlands, Goslar 1936.
[23] Dennis Eisenberg, L’Internazionale Nera. Fascisti e nazisti oggi nel mondo, Sugar Editore, Milão 1964, p. 157. A mesma mentira está presente em outro lugar: von Leers teria representado uma tendência nacional-socialista que queria “a destruição física dos judeus na Alemanha” (Roger Faligot – Remi Kaufer, Le croissant et la croix gammée, Albin Michel, Paris 1990, p. 46).
[24] J. Von Leers, Das Ende der jüdischen Wanderung, “Nationalsozialistische Monatshefte”, IV, 1933, pp. 229-231.
[25] Hildegard Brenner, La politica culturale del nazismo, Laterza, Bari 1965, p. 114.
[26] H. Brenner, op. cit., p. 115.
[27] H. Brenner, op. cit., p. 115.
[28] Henri Rollin, L’Apocalypse de notre temps. Les dessous de la propagande allemande d’après des documents inédits, Allia, Paris 1991, p. 615.
[29] A. D’Onofrio, op. cit., 166 n.
[29] J. Von Leers, Der Kardinal und die Germanen. Eine Auseinandersetzung mit Kardinal Faulhaber, Hanseatische Verlangsanstalt, Hamburgo 1934. O leitor italiano pode encontrar alguns trechos desta obra em: Il nuovo paganesimo germanico. Dottrina – Testi – Critica, a cura di “Sincerus”, Edizioni Leonardo, Roma 1946.
[31] Oswald Spengler, Jahre der Entscheidung (Erster Teil: Deutschland und die weltgeschichtliche Entwicklung), C.H. Beck’sche Verlagsbuchhandlung, München 1933; ed. it. Anni decisivi, Il Borghese, Milão, s. d.; Anni della decisione, Edizioni di Ar, Pádua 1994.
[32] Adriano Romualdi, Spengler profeta della decadenza, em: O. Spengler, Ombre sull’Occidente, ed. por A. Romualdi, Giovanni Volpe Editore, Roma 1973, p. 44.
[33] J. von Leers, Spenglers weltpolitisches System und der Nationalsozialismus, Junker und Dünnhaupt Verlag, Berlim 1934.
[34] AA. VV., Deutscher Aufstand. Die Revolution des Nachkriegs, Kohlhammer, Stuttgart 1934.
[35] Armin Mohler, La révolution conservatrice en Allemagne (1918-1932), Pardès, Puiseaux 1993, p. 223. Armin Mohler refere-se a três volumes coletivos: 1) Ernst Jünger (ed.), Der Kampf um das Reich (contribuições de Ernst von Salomon, dos irmãos Strasser, etc.), Wilhelm Andermann, Berlim 1929 (2ª ed. aumentada 1931); 2) Fritz Carl Roegels, Der Marsch auf Berlin (em colaboração com Hans Henning, Grote e Curt Hotzel), Carl Voegels, Berlim 1932; 3) Friedrich Wilhelm Heinz, Die Nation greift an. Geschichte und Kritik des soldatischen Nationalismus, Verlag Das Reich, Berlim 1933.
[36] Uma tradução muito parcial desse capítulo (Biarritz, vol. I, pp. 162-193) pode ser encontrada em: Norman Cohn, Licenza per un genocidio. I “Protocolli degli Anziani di Sion”: storia di un falso, Einaudi, Turim 1969, pp. 221-224.
[37] A. D’Onofrio, op. cit., p. 139.
[38] J. von Leers, Zur Geschichte des deutsches Antisemitismus, em T. Fritsch, Handbuch der Judenfrage, Hammer Verlag, Leipzig 1935. A primeira edição do Handbuch der Judenfrage é de 1887.
[39] A. Mohler, op. cit., p. 455.
[40] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, J.F. Lehmanns Verlag, Munique 1936.
[41] Anna Bramwell (op. cit., p. 78) escreve que von Leers tornou-se professor de japonês na Universidade de Jena; mas não encontramos confirmação disso em nenhum outro lugar. Por outro lado, Bramwell mostra-se bastante incerta nas informações relativas a von Leers: “Ao que parece, ele colaborou com a Frente Alemã do Trabalho até 1939 e parece ter pertencido à SS” (ibidem; ênfase nossa). Além disso, devido à falta do contexto correspondente, o sentido desta outra informação é bastante obscuro: “Darré escreveu a Hitler, em 1939, garantindo a confiabilidade de Leers” (ibidem).
[42] “Trabalhei muito com Preziosi, éramos amigos e tive a oportunidade de conhecer o seu caráter. Ele não era apenas um homem de conhecimentos profundos e sólidos, era também um romano antigo, um homem cato, uma pessoa de grande honestidade e retidão, tanto na vida privada como na pública. Para os inimigos, ele era inatacável e, por isso, temido. Amava sua bela pátria e a defendia com energia, mas sempre de forma humana; não era um perseguidor dos judeus, era apenas um defensor dos valores patrióticos e humanos contra uma ameaça terrível: a tirania judaica. De forma exemplar, ele demonstrou como lutar nossa luta, com inteligência e um grande tesouro de conhecimento. (…) Vale amice, Giovanni Preziosi, magne Romane et defensor Penatium, vale in tua gloria!” (Omar Amin von Leers, Giovanni Preziosi, “Osare”, a. I, n. 2, setembro-outubro de 1963, p. 3).
[43] As duas conferências foram posteriormente publicadas, em italiano, em dois folhetos diferentes pela Verlag Anton Schroll & Co., Viena 1940.
[44] Bernhard Kummel, Herd und Altar. Wandlungen altnordischer Sittlichkeit im Glaubenswechsel; Band II: Der Machtkampf zwischen Volk, König und Kirche im alten Norden, Leipzig 1939.
[45] A. D’Onofrio, op. cit., pp. 251-252.
[46] Otto Höfler, Kultische Geheimbünde der Germanen; vol. I: Das germanische Totenheer. Mythos und Kult, Frankfurt am Main 1934. (Apenas o vol. I foi publicado).
[47] A. D’Onofrio, op. cit., pp. 252-253.
[48] J. von Leers, Wie kam der Jude zum Geld?, Theodor Fritsch Verlag, Berlim, 1940.
[49] J. von Leers, Judentum und Gaunertum. Eine Wesens- und Lebensgemeinschaft, Berlim, 1940.
[50] J. von Leers, Die berufstätige Frau, em Coler/Pfannstiehl (eds.), Frau und Mutter, Bägel Verlag, Düsseldorf, 1940.
[51] J. von Leers, Die geistige Wiedergeburt einer Nation, Berlim, 1941.
[52] J. von Leers, Kräfte hinter Roosevelt, Theodor Fritsch Verlag, Berlim, 1941 (trad. francesa: Forces occultes derrière Roosevelt, Maison Internationale d’Èdition, Bruxelas, s.d.); Juden hinter Stalin, Deutsche Informationsstelle, Berlim, 1941.
[53] J. von Leers, Bauerntum, Reichsnähstand Verlag, Berlim, 1942; Geschichte des deutschen Bauernrechts und des deutschen Bauerntums, Reclam, Leipzig, 1942.
[54] J. von Leers, Der Weg des deutschen Bauern von der Frühzeit bis zur Gegenwart, Reclams Universal-Bibliothek, Leipzig 1937.
[55] J. von Leers, prefácio, em: Schramm, Der jüdische Ritualmord. Eine historische Untersuchung, Theodor Fritsch Verlag, Berlim 1944.
[56] Ernst Jünger, Strahlungen II (Die Hütte im Weinberg), cit., pp. 643-644.
[57] Nos anos em que Johann von Leers se estabelece na Argentina, Perón assume uma posição declaradamente hostil à plutocracia e ao imperialismo: “Um sectarismo econômico dirigido por um grande grupo financeiro, sanguinário e ditatorial, se empenha em manter seu sistema de exploração interna e internacional. Ele se diz defensor dos povos... em nome das minorias eleitas, das quatro liberdades e da democracia: como o comunismo, é intransigente, traidor e sem escrúpulos. Como o comunismo, fará guerra para defender a paz”. E ainda: “O imperialismo plutocrático tem o objetivo de dominar o mundo econômico... As Nações Unidas, os países livres, as Quatro Liberdades, a Carta do Atlântico, a reconstrução e a ajuda, a defesa da Coreia, o desarmamento, o respeito às autonomias e à livre determinação dos povos, a boa vizinhança, a solidariedade continental, o apoio aos países subdesenvolvidos são mentiras... O imperialismo intervém em todos os países com seus agentes do FBI, suas embaixadas, seus cipays... Defende a livre iniciativa; por meio de seus cartéis, seus monopólios e suas conferências, estabelece no mundo a economia internacional sob sua direção” (Paolo Vita-Finzi, Perón mito e realidade, Pan, Milão 1971, pp. 90-91).
[58] Jorge Camarasa, op. cit., p. 97. O autor deste livro adverte que “este Johannes von Leers não deve ser confundido com o general da SS com o mesmo nome, que foi adido militar da embaixada alemã em Buenos Aires até 1945” (J. Camarasa, op. cit., p. 119).
[59] Pra van Iddekinge – Ah Paape, Ze zijn er nog…, De Bezige Bij, Amsterdã 1970, pp. 50 e 189.
[60] Dennis Eisenberg, L’internazionale nera. Fascisti e nazisti oggi nel mondo, cit., p. 158. Julius Bogatsvo, que declara utilizar documentação “gentilmente fornecida pelo Centro de Documentação Judaica Contemporânea” (I nazisti dopo il nazismo, De Vecchi, Milão 1972, p. 4), usa mais ou menos as mesmas palavras: “Dotado de notáveis habilidades organizacionais, von Leers tece uma eficiente rede de colaboradores e informantes que cobre quase toda a América do Sul. Um trabalho meticuloso”. (Ibidem, p. 106).
[61] “Durante a Segunda Guerra Mundial, nossas simpatias pertenciam aos alemães”, declarou Nasser ao “Deutsche Nationale Zeitung” em 1º de maio de 1964. O irmão do Rais, Nassiri Abd el-Nasser, publicou em 1939 uma edição árabe de Mein Kampf.
[62] Bernard Lewis, Sémites et antisémites, Presse Pocket, Paris 1991, p. 268.
[63] O jornalista Georges Oltramare, também conhecido como Charles Dieudonné (1896-1960), que dirigiu o “Pilori” na França ocupada, dirigiu no Cairo as transmissões em língua francesa do La Voix des Arabes. Faleceu em 1960.
[64] Entre aqueles que desempenharam um papel político ou militar no Egito, podemos citar: Hans Apeler, também conhecido como Salah Ghaffar (Ministério da Informação), Franz Bartel, também conhecido como el-Hussein (Ministério da Informação), o general da Wehrmacht Wilhelm Fahrmbacher (conselheiro militar de Nasser), o SS Standartenführer Baumann (Ministério da Guerra; instrutor da Frente de Libertação da Palestina), o ex-comissário da Gestapo Erich Altern, também conhecido como Ali Bella, o Sturmbannführer da SS Walter Balmann, também conhecido como Alì ben Khader, o ex-ajudante de campo de Rommel Fritz Bayerlein, Hans Becher (instrutor da polícia), o ex-oficial da Gestapo Wilhelm Beissner, o SS Sturmbannführer Bernhard Bender, também conhecido como Bashir ben Salah (conselheiro da polícia política), o SS Untersturmführer Wilhelm Boerner, também conhecido como Ali Ben Kasher (Ministério do Interior, instrutor da Frente de Libertação da Palestina), Werner Birgel, também conhecido como el-Gamin (Ministério da Informação), o SS Untersturmführer Wilhelm Boeckler, também conhecido como Abd el-Karim, o SS Hauptsturmführer Alois Brunner, também conhecido como Alì Mohammed, o SS Obergruppenführer Friedrich Buble, também conhecido como Ben Amman (Departamento de Relações Públicas), Franz Bünsch, o SA Obersturmführer Erich Bunzel, o chefe da Gestapo de Düsseldorf Joachim Daemling, também conhecido como Jochen Dressel, também conhecido como Ibrahim Mustafa (Rádio Cairo), o SS Obergruppenführer Oskar Dirlewanger, o médico da SS Dr. Hans Eisele, o SS Sturmbahnführer Eugen Fichberger, o SS Standartenführer Leopold Gleim, também conhecido como al-Nasher (Serviços de Segurança), o ex-assistente de Goebbels, barão von Harder, o ex-jornalista do Welt-Dienst Ludwig Heiden, também conhecido como al-Haj (tradutor de Mein Kampf para o árabe), o SS Hauptsturmführer Heribert Heim (médico da polícia), o ex-dirigente da Gestapo Franz Hithofer, Ulrik Klaus, também conhecido como Muhammad Akbar, o ex-líder da Hitlerjugend Karl Luder (Ministério da Guerra), o SS Standartenführer Gerhard Mertins, Rudolf Midner, o SS Gruppenführer Alois Moser (instrutor das Camisas Verdes), o SS Sturmbannführer Oskar Münzel (conselheiro militar), Gerd von Nimzek, também conhecido como Ben Alì, Achim Dieter Pelschnik, também conhecido como el-Said, Franz Rademacher, Walter Rauff, o Sturmbahnführer da SS Schmalstich, o Sturmbannführer da SS Seipel, também conhecido como Imad Zuher, o ex-funcionário da Gestapo Heinrich Sellmann, também conhecido como Hasan Suleyman (Ministério da Informação), Albert Thiemann, também conhecido como Amman Qader, o SS Standartenführer Erich Weinmann, o Dr. Werner Wietschenke, o médico SS Heinrich Willermann, também conhecido como Naim Fahum, Ludwig Zind, também conhecido como Muhammad Saleh. A maioria deles abraçou o islamismo. “Na verdade, a chegada de um certo grupo de ex-nazistas ao Cairo é anterior à revolução de Nasser. Já o rei Faruk havia se cercado, entre 1948 e 1951, de alguns especialistas alemães (...) Com a chegada de Nasser ao poder, o recrutamento de especialistas alemães se intensificou e o senador americano do Alasca, Ernest Gruening, pôde oferecer uma longa lista deles, em 3 de maio de 1963, durante o debate sobre o Oriente Médio” (Angelo Del Boca e Mario Giovana, I “figli del sole”. Mezzo secolo di nazifascismo nel mondo, Feltrinelli, Milão 1965, p. 463 n.
[65] E não “Oman Amin”, como escrevem A. del Boca e M. Giovana, op. cit., p. 464.
[66] J. Von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung, cit., p. 17.
[67] J. von Leers, Der Kardinal und die Germanen, cit., pp. 23, 48, 52.
[68] “O Islã sempre considerou o judaísmo como inimigo” (J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, cit., p. 49).
[69] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung, cit., pp. 49-50. 70 J. von Leers, La Terre promise, «Cahier de la SS», 2, 1939 ; em: AA. VV., L’ordre SS, Éditions Avalon, Paris 1991, pp. 289-297.
[71] Ibidem, p. 290.
[72] J. Von Leers, Die grünen Banner der Freiheit, “Der Weg – El sendero”, 10, 1955, p. 640.
[73] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, cit., p. 6.
[74] Cit. em: Jorge Camarasa, Organizzazione Odessa. Dossier sui nazisti rifugiati in Argentina, Mursia, Milão 1998, p. 97.
[75] Enquadrando o fenômeno nasserista na tipologia fascista, Bardèche escreveu em 1962: “O Islã não pertence nem ao mundo democrático, nem ao mundo comunista; por sua essência e por sua localização, é um verdadeiro ‘terceiro mundo’ (...) Nasser e seus fascistas encontraram essa mística fascista no Islã, que é o seu passado e também, no sentido mais amplo da palavra, a sua cultura (...) A revolução egípcia não é apenas ‘Egito, acorda’; é a lei de Maomé que desperta o Egito para a revolução nasseriana, é o Alcorão em marcha. A revolta de Nasser não foi apenas contra a ocupação colonial, mas também contra tudo o que essa ocupação implica e representa; o reino do ouro, a insolência dos ricos, o poder dos vendidos ao estrangeiro e dos arrivados e a adoração do Bezerro de Ouro que ela traz consigo (...) Tudo isso é condenado no Livro, são os ídolos de Mamona. No Alcorão há algo de guerreiro e forte, algo de viril, algo que se pode chamar romano. (...) Entre todas as místicas fascistas, talvez a de Nasser seja a que deixará uma marca mais profunda na história por suas consequências duradouras” (Maurice Bardèche, Che cosa è il fascismo?, Volpe, Roma 1980, pp. 91-92).
[76] Os trechos da correspondência entre Von Leers, Bardèche e Rassinier podem ser encontrados em: Nadine Fresco, Fabrication d’un antisémite, Seuil, Paris 1999, pp. 48-50.
[77] Von Leers traduziu um texto do Shaykh Muhammad Abu Zahra sobre a concepção islâmica da guerra (Begriff des Krieges in Islam); traduziu também um estudo de Ibrahim Muhammad Ismail sobre a doutrina econômica islâmica (Der Islam und die heutigen Wirtschaftstheorien; trad. it. L’Islam e le teorie economiche odierne, Arktos, Carmagnola 1980).
[78] Nicholas Goodrick-Clarke, Hitler’s Priestess. Savitri Devi, the Hindu-Aryan Myth, and Neo Nazism, cit., p. 177.
[79] Julius Bogatsvo, I nazisti dopo il nazismo, Giovanni De Vecchi Editore, Milão 1972, pp. 107-108.
[80] J. Bogatsvo, op. cit., p. 108.
[81] J. Bogatsvo, op. cit., p. 108.
[82] Anônimo, Johann (Johannes von Leers), IDGR. Informationsdienst gegen Rechtextremismus, cit. Cf. Friedrich Paul Heller, ODESSA, IDGR. Serviço de Informação contra o Extremismo de Direita, mesmo site.
[83] Central Intelligence Corps, Controle de Caso nº 199602754. O documento teria sido desclassificado em outubro de 1998.
[84] U. Barbisan, op. cit., p. 121.
[2] Ernst Jünger, Strahlungen II (Die Hütte im Weinberg), DTV Verlag, Tübingen 1958, p. 644.
[3] Julius Evola, Il mito del sangue, Hoepli, Milão 1937, p. 149. Ver também os escritos de Evola reunidos no “caderno” n.º 37 da Fundação Julius Evola: Il “mistero iperboreo”. Scritti sugli Indoeuropei 1934-1970, Roma 2002. Analisando o significado da origem nórdica da tradição primordial com base nos estudos de H. Wirth, Evola escreve sobre este último: “Não se trata aqui nem de um ‘teosofista’, nem de um amador imaginativo, mas de um técnico, cuja competência em filologia, antropologia, paleografia e disciplinas afins não pode ser posta em dúvida” (p. 32).
[4] Herman Wirth, Der Aufgang der Menschheit. Untersuchungen zur Geschichte der Religion, Symbolik und Schrift der Atlantisch-nordischen Rasse, Jena 1928. Na Itália, esta obra foi resenhada por Julius Evola na revista “Bilychnis”, XX, 1 (janeiro-fevereiro de 1931).
[5] Na reconstrução do etnólogo padre Wilhelm Schmidt, a crença em um “ser supremo” amplamente difundida entre as chamadas populações primitivas constitui o traço residual do Urmonotheismus correspondente à revelação primordial, de modo que o politeísmo nada mais seria do que uma forma religiosa degenerada.
[6] “Nenhuma tradição pode ser em si mesma politeísta; postular um politeísmo na origem (...) significa subverter toda ordem normal. Qualquer tradição verdadeira é essencialmente monoteísta” (R. Guénon, Monoteismo e angelologia, em Mélanges, I, Centro Studi Guénoniani, Veneza 1978, pp. 35-36).
[7] George L. Mosse, As origens culturais do Terceiro Reich, Il Saggiatore, Milão 1968, p. 107.
[8] G. L. Mosse, op. cit., p.106.
[9] Anna Bramwell, Ecologia e società nella Germania nazista. Walter Darré e il partito dei verdi di Hitler, Reverdito, Trento 1988, p. 78.
[10] Andrea D’Onofrio, Ruralismo e storia nel Terzo Reich. Il caso “Odal”, Liguori, Nápoles 1997, p. 146.
[11] J. Von Leers, Geschichte auf rassischer Grundlage, Reclam, Leipzig 1934; 2ª ed. 1937.
[12] Julius Evola, Il mito del sangue, cit., p. 169.
[13] “Sacerdotisa de Hitler” é o título dado a Savitri Devi por Nicholas Goodrick-Clarke, Hitler’s Priestess. Savitri Devi, the Hindu-Aryan Myth, and Neo Nazism, cit.
[14] Savitri Devi, Pilgrimage, Temple Press, Calcutá 1958, p. 351. “Princípio de toda a vida, humana e não humana; adorado não apenas por ‘todos os homens’, mas também por todas as criaturas vivas: quadrúpedes, pássaros, peixes e plantas; cheio de solicitude por todas as criaturas” (Savitri Devi, The Lighting and the Sun, Samisdat Publ., Buffalo 1958, p. 157). Sobre Akhenaton, Savitri Devi escreveu bastante: Akhenaton’s Eternal Message: A Scientific Religion 3300 Years Old, A.K. Mukherjee, Calcutá 1940; Joy of the Sun: The Beautiful Life of Akhenaton, King of Egypt. Told to Young People, Thacker, Spink and Co., Calcutá 1942; Um Filho de Deus: A Vida e a Filosofia de Akhenaton, Rei do Egito, Philosophical Publ. House, Londres 1946; Akhenaton: Uma Peça, Philosophical Publ. House, Londres 1948.
[15] Anônimo, Johann (Johannes von Leers), IDGR. Serviço de Informação contra o Extremismo de Direita (www.idgr.de/lexikon/bio/l/leers/leers.html).
[16] Cf. Karl Haushofer, Il Giappone costruisce il suo Impero, Edizioni all’insegna del Veltro, Parma 1999 (primeira edição: Sansoni, Florença 1942). Ver também: Karl Haushofer, Italia, Germania e Giappone, Edizioni all’insegna del Veltro, Parma 2004 (primeira edição: Istituto Italiano per il Medio ed Estremo Oriente, Roma 1937).
[17] Michael H. Kater, Das „Ahnenerbe” der SS 1935-1945, Deutsche Verlagsanstalt, Stuttgart 1974, pp. 16, 26, 363, 366, 387.
[18] Hans Jürgen Lange, Weisthor, Arun-Verlag, Engerda 1998.
[19] Nicholas Goodrick-Clarke, The Occult Roots of Nazism. The Ariosophists of Austria and Germany. 1890-1935, The Aquarian Press, Wellingborough 1985, p. 188. Também na edição francesa (Les racines occultes du nazisme, Pardès, Puiseaux 1989, p.264) lê-se Joachim em vez de Johann.
[20] Sobre Günther, ver Julius Evola, Il mito del sangue, Edizioni di Ar, Pádua 1994, passim.
[21] Sobre Reventlow, cf. Klaus-Peter Hoepke, La destra tedesca e il fascismo, Il Mulino, Bolonha 1971, pp. 238-245 e passim. Hoepke define Reventlow como “um dos líderes mais proeminentes, mas ao mesmo tempo menos poderosos do nacional-socialismo ou, melhor dizendo, dos nazistas de esquerda” (op. cit., p. 238).
[22] Grande parte dos artigos que von Leers escreveu para “Odal” foram reeditados e reunidos em um volume intitulado Odal. Das Lebensgesetz eines ewigen Deutschlands, Goslar 1936.
[23] Dennis Eisenberg, L’Internazionale Nera. Fascisti e nazisti oggi nel mondo, Sugar Editore, Milão 1964, p. 157. A mesma mentira está presente em outro lugar: von Leers teria representado uma tendência nacional-socialista que queria “a destruição física dos judeus na Alemanha” (Roger Faligot – Remi Kaufer, Le croissant et la croix gammée, Albin Michel, Paris 1990, p. 46).
[24] J. Von Leers, Das Ende der jüdischen Wanderung, “Nationalsozialistische Monatshefte”, IV, 1933, pp. 229-231.
[25] Hildegard Brenner, La politica culturale del nazismo, Laterza, Bari 1965, p. 114.
[26] H. Brenner, op. cit., p. 115.
[27] H. Brenner, op. cit., p. 115.
[28] Henri Rollin, L’Apocalypse de notre temps. Les dessous de la propagande allemande d’après des documents inédits, Allia, Paris 1991, p. 615.
[29] A. D’Onofrio, op. cit., 166 n.
[29] J. Von Leers, Der Kardinal und die Germanen. Eine Auseinandersetzung mit Kardinal Faulhaber, Hanseatische Verlangsanstalt, Hamburgo 1934. O leitor italiano pode encontrar alguns trechos desta obra em: Il nuovo paganesimo germanico. Dottrina – Testi – Critica, a cura di “Sincerus”, Edizioni Leonardo, Roma 1946.
[31] Oswald Spengler, Jahre der Entscheidung (Erster Teil: Deutschland und die weltgeschichtliche Entwicklung), C.H. Beck’sche Verlagsbuchhandlung, München 1933; ed. it. Anni decisivi, Il Borghese, Milão, s. d.; Anni della decisione, Edizioni di Ar, Pádua 1994.
[32] Adriano Romualdi, Spengler profeta della decadenza, em: O. Spengler, Ombre sull’Occidente, ed. por A. Romualdi, Giovanni Volpe Editore, Roma 1973, p. 44.
[33] J. von Leers, Spenglers weltpolitisches System und der Nationalsozialismus, Junker und Dünnhaupt Verlag, Berlim 1934.
[34] AA. VV., Deutscher Aufstand. Die Revolution des Nachkriegs, Kohlhammer, Stuttgart 1934.
[35] Armin Mohler, La révolution conservatrice en Allemagne (1918-1932), Pardès, Puiseaux 1993, p. 223. Armin Mohler refere-se a três volumes coletivos: 1) Ernst Jünger (ed.), Der Kampf um das Reich (contribuições de Ernst von Salomon, dos irmãos Strasser, etc.), Wilhelm Andermann, Berlim 1929 (2ª ed. aumentada 1931); 2) Fritz Carl Roegels, Der Marsch auf Berlin (em colaboração com Hans Henning, Grote e Curt Hotzel), Carl Voegels, Berlim 1932; 3) Friedrich Wilhelm Heinz, Die Nation greift an. Geschichte und Kritik des soldatischen Nationalismus, Verlag Das Reich, Berlim 1933.
[36] Uma tradução muito parcial desse capítulo (Biarritz, vol. I, pp. 162-193) pode ser encontrada em: Norman Cohn, Licenza per un genocidio. I “Protocolli degli Anziani di Sion”: storia di un falso, Einaudi, Turim 1969, pp. 221-224.
[37] A. D’Onofrio, op. cit., p. 139.
[38] J. von Leers, Zur Geschichte des deutsches Antisemitismus, em T. Fritsch, Handbuch der Judenfrage, Hammer Verlag, Leipzig 1935. A primeira edição do Handbuch der Judenfrage é de 1887.
[39] A. Mohler, op. cit., p. 455.
[40] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, J.F. Lehmanns Verlag, Munique 1936.
[41] Anna Bramwell (op. cit., p. 78) escreve que von Leers tornou-se professor de japonês na Universidade de Jena; mas não encontramos confirmação disso em nenhum outro lugar. Por outro lado, Bramwell mostra-se bastante incerta nas informações relativas a von Leers: “Ao que parece, ele colaborou com a Frente Alemã do Trabalho até 1939 e parece ter pertencido à SS” (ibidem; ênfase nossa). Além disso, devido à falta do contexto correspondente, o sentido desta outra informação é bastante obscuro: “Darré escreveu a Hitler, em 1939, garantindo a confiabilidade de Leers” (ibidem).
[42] “Trabalhei muito com Preziosi, éramos amigos e tive a oportunidade de conhecer o seu caráter. Ele não era apenas um homem de conhecimentos profundos e sólidos, era também um romano antigo, um homem cato, uma pessoa de grande honestidade e retidão, tanto na vida privada como na pública. Para os inimigos, ele era inatacável e, por isso, temido. Amava sua bela pátria e a defendia com energia, mas sempre de forma humana; não era um perseguidor dos judeus, era apenas um defensor dos valores patrióticos e humanos contra uma ameaça terrível: a tirania judaica. De forma exemplar, ele demonstrou como lutar nossa luta, com inteligência e um grande tesouro de conhecimento. (…) Vale amice, Giovanni Preziosi, magne Romane et defensor Penatium, vale in tua gloria!” (Omar Amin von Leers, Giovanni Preziosi, “Osare”, a. I, n. 2, setembro-outubro de 1963, p. 3).
[43] As duas conferências foram posteriormente publicadas, em italiano, em dois folhetos diferentes pela Verlag Anton Schroll & Co., Viena 1940.
[44] Bernhard Kummel, Herd und Altar. Wandlungen altnordischer Sittlichkeit im Glaubenswechsel; Band II: Der Machtkampf zwischen Volk, König und Kirche im alten Norden, Leipzig 1939.
[45] A. D’Onofrio, op. cit., pp. 251-252.
[46] Otto Höfler, Kultische Geheimbünde der Germanen; vol. I: Das germanische Totenheer. Mythos und Kult, Frankfurt am Main 1934. (Apenas o vol. I foi publicado).
[47] A. D’Onofrio, op. cit., pp. 252-253.
[48] J. von Leers, Wie kam der Jude zum Geld?, Theodor Fritsch Verlag, Berlim, 1940.
[49] J. von Leers, Judentum und Gaunertum. Eine Wesens- und Lebensgemeinschaft, Berlim, 1940.
[50] J. von Leers, Die berufstätige Frau, em Coler/Pfannstiehl (eds.), Frau und Mutter, Bägel Verlag, Düsseldorf, 1940.
[51] J. von Leers, Die geistige Wiedergeburt einer Nation, Berlim, 1941.
[52] J. von Leers, Kräfte hinter Roosevelt, Theodor Fritsch Verlag, Berlim, 1941 (trad. francesa: Forces occultes derrière Roosevelt, Maison Internationale d’Èdition, Bruxelas, s.d.); Juden hinter Stalin, Deutsche Informationsstelle, Berlim, 1941.
[53] J. von Leers, Bauerntum, Reichsnähstand Verlag, Berlim, 1942; Geschichte des deutschen Bauernrechts und des deutschen Bauerntums, Reclam, Leipzig, 1942.
[54] J. von Leers, Der Weg des deutschen Bauern von der Frühzeit bis zur Gegenwart, Reclams Universal-Bibliothek, Leipzig 1937.
[55] J. von Leers, prefácio, em: Schramm, Der jüdische Ritualmord. Eine historische Untersuchung, Theodor Fritsch Verlag, Berlim 1944.
[56] Ernst Jünger, Strahlungen II (Die Hütte im Weinberg), cit., pp. 643-644.
[57] Nos anos em que Johann von Leers se estabelece na Argentina, Perón assume uma posição declaradamente hostil à plutocracia e ao imperialismo: “Um sectarismo econômico dirigido por um grande grupo financeiro, sanguinário e ditatorial, se empenha em manter seu sistema de exploração interna e internacional. Ele se diz defensor dos povos... em nome das minorias eleitas, das quatro liberdades e da democracia: como o comunismo, é intransigente, traidor e sem escrúpulos. Como o comunismo, fará guerra para defender a paz”. E ainda: “O imperialismo plutocrático tem o objetivo de dominar o mundo econômico... As Nações Unidas, os países livres, as Quatro Liberdades, a Carta do Atlântico, a reconstrução e a ajuda, a defesa da Coreia, o desarmamento, o respeito às autonomias e à livre determinação dos povos, a boa vizinhança, a solidariedade continental, o apoio aos países subdesenvolvidos são mentiras... O imperialismo intervém em todos os países com seus agentes do FBI, suas embaixadas, seus cipays... Defende a livre iniciativa; por meio de seus cartéis, seus monopólios e suas conferências, estabelece no mundo a economia internacional sob sua direção” (Paolo Vita-Finzi, Perón mito e realidade, Pan, Milão 1971, pp. 90-91).
[58] Jorge Camarasa, op. cit., p. 97. O autor deste livro adverte que “este Johannes von Leers não deve ser confundido com o general da SS com o mesmo nome, que foi adido militar da embaixada alemã em Buenos Aires até 1945” (J. Camarasa, op. cit., p. 119).
[59] Pra van Iddekinge – Ah Paape, Ze zijn er nog…, De Bezige Bij, Amsterdã 1970, pp. 50 e 189.
[60] Dennis Eisenberg, L’internazionale nera. Fascisti e nazisti oggi nel mondo, cit., p. 158. Julius Bogatsvo, que declara utilizar documentação “gentilmente fornecida pelo Centro de Documentação Judaica Contemporânea” (I nazisti dopo il nazismo, De Vecchi, Milão 1972, p. 4), usa mais ou menos as mesmas palavras: “Dotado de notáveis habilidades organizacionais, von Leers tece uma eficiente rede de colaboradores e informantes que cobre quase toda a América do Sul. Um trabalho meticuloso”. (Ibidem, p. 106).
[61] “Durante a Segunda Guerra Mundial, nossas simpatias pertenciam aos alemães”, declarou Nasser ao “Deutsche Nationale Zeitung” em 1º de maio de 1964. O irmão do Rais, Nassiri Abd el-Nasser, publicou em 1939 uma edição árabe de Mein Kampf.
[62] Bernard Lewis, Sémites et antisémites, Presse Pocket, Paris 1991, p. 268.
[63] O jornalista Georges Oltramare, também conhecido como Charles Dieudonné (1896-1960), que dirigiu o “Pilori” na França ocupada, dirigiu no Cairo as transmissões em língua francesa do La Voix des Arabes. Faleceu em 1960.
[64] Entre aqueles que desempenharam um papel político ou militar no Egito, podemos citar: Hans Apeler, também conhecido como Salah Ghaffar (Ministério da Informação), Franz Bartel, também conhecido como el-Hussein (Ministério da Informação), o general da Wehrmacht Wilhelm Fahrmbacher (conselheiro militar de Nasser), o SS Standartenführer Baumann (Ministério da Guerra; instrutor da Frente de Libertação da Palestina), o ex-comissário da Gestapo Erich Altern, também conhecido como Ali Bella, o Sturmbannführer da SS Walter Balmann, também conhecido como Alì ben Khader, o ex-ajudante de campo de Rommel Fritz Bayerlein, Hans Becher (instrutor da polícia), o ex-oficial da Gestapo Wilhelm Beissner, o SS Sturmbannführer Bernhard Bender, também conhecido como Bashir ben Salah (conselheiro da polícia política), o SS Untersturmführer Wilhelm Boerner, também conhecido como Ali Ben Kasher (Ministério do Interior, instrutor da Frente de Libertação da Palestina), Werner Birgel, também conhecido como el-Gamin (Ministério da Informação), o SS Untersturmführer Wilhelm Boeckler, também conhecido como Abd el-Karim, o SS Hauptsturmführer Alois Brunner, também conhecido como Alì Mohammed, o SS Obergruppenführer Friedrich Buble, também conhecido como Ben Amman (Departamento de Relações Públicas), Franz Bünsch, o SA Obersturmführer Erich Bunzel, o chefe da Gestapo de Düsseldorf Joachim Daemling, também conhecido como Jochen Dressel, também conhecido como Ibrahim Mustafa (Rádio Cairo), o SS Obergruppenführer Oskar Dirlewanger, o médico da SS Dr. Hans Eisele, o SS Sturmbahnführer Eugen Fichberger, o SS Standartenführer Leopold Gleim, também conhecido como al-Nasher (Serviços de Segurança), o ex-assistente de Goebbels, barão von Harder, o ex-jornalista do Welt-Dienst Ludwig Heiden, também conhecido como al-Haj (tradutor de Mein Kampf para o árabe), o SS Hauptsturmführer Heribert Heim (médico da polícia), o ex-dirigente da Gestapo Franz Hithofer, Ulrik Klaus, também conhecido como Muhammad Akbar, o ex-líder da Hitlerjugend Karl Luder (Ministério da Guerra), o SS Standartenführer Gerhard Mertins, Rudolf Midner, o SS Gruppenführer Alois Moser (instrutor das Camisas Verdes), o SS Sturmbannführer Oskar Münzel (conselheiro militar), Gerd von Nimzek, também conhecido como Ben Alì, Achim Dieter Pelschnik, também conhecido como el-Said, Franz Rademacher, Walter Rauff, o Sturmbahnführer da SS Schmalstich, o Sturmbannführer da SS Seipel, também conhecido como Imad Zuher, o ex-funcionário da Gestapo Heinrich Sellmann, também conhecido como Hasan Suleyman (Ministério da Informação), Albert Thiemann, também conhecido como Amman Qader, o SS Standartenführer Erich Weinmann, o Dr. Werner Wietschenke, o médico SS Heinrich Willermann, também conhecido como Naim Fahum, Ludwig Zind, também conhecido como Muhammad Saleh. A maioria deles abraçou o islamismo. “Na verdade, a chegada de um certo grupo de ex-nazistas ao Cairo é anterior à revolução de Nasser. Já o rei Faruk havia se cercado, entre 1948 e 1951, de alguns especialistas alemães (...) Com a chegada de Nasser ao poder, o recrutamento de especialistas alemães se intensificou e o senador americano do Alasca, Ernest Gruening, pôde oferecer uma longa lista deles, em 3 de maio de 1963, durante o debate sobre o Oriente Médio” (Angelo Del Boca e Mario Giovana, I “figli del sole”. Mezzo secolo di nazifascismo nel mondo, Feltrinelli, Milão 1965, p. 463 n.
[65] E não “Oman Amin”, como escrevem A. del Boca e M. Giovana, op. cit., p. 464.
[66] J. Von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung, cit., p. 17.
[67] J. von Leers, Der Kardinal und die Germanen, cit., pp. 23, 48, 52.
[68] “O Islã sempre considerou o judaísmo como inimigo” (J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, cit., p. 49).
[69] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung, cit., pp. 49-50. 70 J. von Leers, La Terre promise, «Cahier de la SS», 2, 1939 ; em: AA. VV., L’ordre SS, Éditions Avalon, Paris 1991, pp. 289-297.
[71] Ibidem, p. 290.
[72] J. Von Leers, Die grünen Banner der Freiheit, “Der Weg – El sendero”, 10, 1955, p. 640.
[73] J. von Leers, Blut und Rasse in der Gesetzgebung. Ein Gang durch die Völkergeschichte, cit., p. 6.
[74] Cit. em: Jorge Camarasa, Organizzazione Odessa. Dossier sui nazisti rifugiati in Argentina, Mursia, Milão 1998, p. 97.
[75] Enquadrando o fenômeno nasserista na tipologia fascista, Bardèche escreveu em 1962: “O Islã não pertence nem ao mundo democrático, nem ao mundo comunista; por sua essência e por sua localização, é um verdadeiro ‘terceiro mundo’ (...) Nasser e seus fascistas encontraram essa mística fascista no Islã, que é o seu passado e também, no sentido mais amplo da palavra, a sua cultura (...) A revolução egípcia não é apenas ‘Egito, acorda’; é a lei de Maomé que desperta o Egito para a revolução nasseriana, é o Alcorão em marcha. A revolta de Nasser não foi apenas contra a ocupação colonial, mas também contra tudo o que essa ocupação implica e representa; o reino do ouro, a insolência dos ricos, o poder dos vendidos ao estrangeiro e dos arrivados e a adoração do Bezerro de Ouro que ela traz consigo (...) Tudo isso é condenado no Livro, são os ídolos de Mamona. No Alcorão há algo de guerreiro e forte, algo de viril, algo que se pode chamar romano. (...) Entre todas as místicas fascistas, talvez a de Nasser seja a que deixará uma marca mais profunda na história por suas consequências duradouras” (Maurice Bardèche, Che cosa è il fascismo?, Volpe, Roma 1980, pp. 91-92).
[76] Os trechos da correspondência entre Von Leers, Bardèche e Rassinier podem ser encontrados em: Nadine Fresco, Fabrication d’un antisémite, Seuil, Paris 1999, pp. 48-50.
[77] Von Leers traduziu um texto do Shaykh Muhammad Abu Zahra sobre a concepção islâmica da guerra (Begriff des Krieges in Islam); traduziu também um estudo de Ibrahim Muhammad Ismail sobre a doutrina econômica islâmica (Der Islam und die heutigen Wirtschaftstheorien; trad. it. L’Islam e le teorie economiche odierne, Arktos, Carmagnola 1980).
[78] Nicholas Goodrick-Clarke, Hitler’s Priestess. Savitri Devi, the Hindu-Aryan Myth, and Neo Nazism, cit., p. 177.
[79] Julius Bogatsvo, I nazisti dopo il nazismo, Giovanni De Vecchi Editore, Milão 1972, pp. 107-108.
[80] J. Bogatsvo, op. cit., p. 108.
[81] J. Bogatsvo, op. cit., p. 108.
[82] Anônimo, Johann (Johannes von Leers), IDGR. Informationsdienst gegen Rechtextremismus, cit. Cf. Friedrich Paul Heller, ODESSA, IDGR. Serviço de Informação contra o Extremismo de Direita, mesmo site.
[83] Central Intelligence Corps, Controle de Caso nº 199602754. O documento teria sido desclassificado em outubro de 1998.
[84] U. Barbisan, op. cit., p. 121.
.jpg)