domingo, 20 de outubro de 2019

Gregor Strasser - Trabalho e Pão!

por Gregor Strasser

(1932)



Decretos de Emergência são o único recurso do sistema atual!

A última vez que falei aqui, em outubro de 1930, ajustei nossas contas com o Sistema e, com base em minha vitória eleitoral de setembro de 1930, anunciei os princípios básicos da política interna e externa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Desde então, nada mudou, absolutamente nada. A única coisa nova que experimentamos desde então é a arma dos decretos de emergência, os quais por um lado revelam a emergência e pelo outro decretam a emergência. Mas, de resto, nenhuma ideia nova e, sobretudo, redentora emergiu de todo o desenvolvimento político desde aquela época. Vejo a razão disso no fato de os homens que governam a Alemanha terem se limitado a concentrar todo o seu esforço político na supressão e exclusão das forças sociais e nacionais presentes no nacional-socialismo; também no fato de que o governo, como os debates no Reichstag alemão nos poucos dias em que se reuniu, sempre reconheceu apenas um único tema: a luta contra nós, e não mais a luta pelos interesses do povo alemão.

Toda a energia do governo durante a última campanha eleitoral, toda a sua propaganda com todos os seus recursos para influenciar o povo, se devotou a nos difamar perante o povo e o mundo. Nenhuma menção foi feita sobre o que o governo havia conseguido nesse ínterim.

A recente declaração do Chanceler do Reich de que uma tomada nacional-socialista do governo levaria automaticamente ao caos, à inflação e à guerra civil é, do ponto de vista político, a mais perigosa, porque aqui no Reichstag certamente não há ninguém que duvida de que a solução para os grandes problemas alemães possa ser encontrada contra nossa oposição ou sem nossa ajuda.

A Ascensão do Nacional-Socialismo

Apesar da resistência sem precedentes de todas as pessoas envolvidas no sistema Brüning e de todos os homens no governo, as últimas eleições provocaram a ascensão incessante e irresistível do movimento. Acho que é hora de a burocracia alemã tirar os óculos festivos e ver de perto de onde vem essa ascensão.

Quando as pessoas hoje dizem teimosamente que a ascensão dos nacional-socialistas é apenas o resultado de uma insatisfação generalizada entre o povo alemão, então devo perguntar de onde vêm todas essas pessoas insatisfeitas, por que estão insatisfeitas? Deve ser a culpa e o fracasso dos partidos do governo e do governo apoiado por eles.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Aleksandr Dugin – O Advento do Robô (História e Decisão)

por Aleksandr Dugin

(2018)



Eu conversei mais ou menos recentemente com Francis Fukuyama, e chegamos à conclusão de que a definição da democracia como o poder da maioria é obsoleta, velha e pouco funcional. A nova definição da democracia, segundo Fukuyama, é o poder das minorias dirigido contra a maioria. Porque a maioria pode ser populista – portanto, a maioria é perigosa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Carlo Giuliano Manfredi - O Mito Solsticial

por Carlo Giuliano Manfredi

(2018)



Deixe-me ir
Do Não-Ser ao Ser
Das Trevas à Luz
Da Morte à Imortalidade
(Brihad Aranyaka Upanishad)

Quando o ano chega ao término, vive-se um momento de passagem dos mais dramáticos, e paradoxais, de todo o ciclo natural das estações (como manifestações das leis que regulam aquela realidade física estruturada pelo nascimento, crescimento, amadurecimento e morte).

Que a escuridão reina soberana, as noites se alongam e a luz parece vencida, todavia no momento em que esta última parece extinguir-se totalmente e o mundo das trevas festeja o próprio triunfo, enquanto tudo parece perdido, na manhã de 21 de dezembro ocorre uma reviravolta da situação, é o evento do Solstício de Inverno (do latim, solstitium “sol” e “que não se mexe”).

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Carlos Javier Blanco Martin - O Espelho Russo: Europa e a Alma do Oriente

por Carlos Javier Blanco Martin

(2018)



Finalmente contamos novamente, em nossa língua espanhola, com o trabalho de Walter Schubart (1897-1942), Europa e a Alma do Oriente.

Este pensador, filósofo, eslavista, teólogo, é muito pouco conhecido em nosso país. Ele era um alemão báltico, um "ocidental no Oriente", e isso é um fato em si mesmo: é preciso levar em conta que os teutões se expandiram em direção ao leste, em direção ao que hoje é a Rússia e os países bálticos, desde os tempos medievais, contribuindo grandemente para a cultura dessas nações e deixando bolsões de população germânica, bolsões que as tragédias da guerra e os inevitáveis reajustamentos de fronteiras na Europa modificaram notavelmente. Schubart, de origem teutônica, no entanto, era muito próximo, geograficamente e psiquicamente, da grande Rússia.

Schubart é um filósofo, parece, destinado a ser uma ponte. A ponte entre o Ocidente, que está imerso na ruína e na decadência, e um Oriente que vê como promessa e salvação do europeu. O Ocidente e sua terra natal, a Alemanha, estão condenados. Não apenas o hitlerismo, mas também as forças liberais e "democráticas" que irão combatê-lo na Segunda Guerra Mundial são sintomas de uma perda da alma.

O europeu medieval era "o homem gótico". Em sua versão degenerada, o homem gótico tornou-se por volta do século XVI em "homem prometéico". O homem prometéico que desafia os deuses, querendo roubar seu fogo, que é basicamente o pecado de hybris, de insolência, falando como grego. O olhar esperançoso de Schubart, eslavista por formação, filósofo das culturas e religiões, se põe sobre a Rússia, a Grande Mãe dos povos eslavos que pode ser um dia, uma vez superado o episódio do bolchevismo, a salvação desse “homem prometeico", que é um tipo de homem degenerado e seduzido pelo dinheiro e pela técnica. A mãe Rússia vai resgatar o potro desenfreado da Europa Ocidental, prestes a despencar por pura loucura. Mas o germano-balto que foge de um nazismo que se expande para o leste, casado com uma judia, cairá cara a cara com o bolchevismo, cujas garras causarão sua morte. Um campo de prisioneiros no Cazaquistão será o lugar onde Walter e sua esposa Vera desaparecerão.

A partir dessas linhas animamos à leitura do livro que a Ediciones Fides volta a apresentar para o público que lê na língua de Cervantes. Animamos também a que se empreendam investigações em espanhol sobre um filósofo tão pouco conhecido, pelo menos em nossa língua.

domingo, 29 de setembro de 2019

Alexander Wolfheze - O Vermelho e o Negro: Uma Introdução ao Eurasianismo

por Alexander Wolfheze

(2017)



Prólogo: Três Cores

Sur Bruxelles, au pied de l’archange,
Ton saint drapeau pour jamais est planté
[Sobre Bruxelas, aos pés do arcanjo,
Teu sagrado estandarte foi plantado por toda a eternidade][1]
- La Brabançonne

Uma tempestade de magnitude sem precedentes está lentamente tomando forma no horizonte histórico-cultural do Ocidente pós-moderno: com o clímax que se aproxima da Crise do Ocidente Moderno - mais precisamente descrito por Jason Jorjani como o iminente 'Estado Mundial de Emergência' - a perspectiva de uma "Revolução Arqueofuturista" também paira no horizonte.[2] O movimento patriótico-identitário que atualmente está apresentando rápido crescimento em todo o mundo ocidental pode ser visto como o precursor da "ave-da-tempestade" desta Revolução Arqueofuturista. [3]É importante que este movimento formule estratégias metapolíticas efetivas em preparação para a iminente falência sociopolítica da atual ordem mundial globalista (duplo neoliberal/cultural-marxista). O mais antigo discurso meta-histórico disponível para esse movimento é o tradicionalismo. A única visão geopolítica global que atualmente incorpora um elemento substancial do tradicionalismo é o eurasianismo. Este ensaio tem como objetivo fornecer uma introdução ao neo-eurasianismo de inspiração tradicionalista que é mais sucintamente expresso no trabalho do filósofo e editor russo Aleksandr Dugin. Além disso, no entanto, este ensaio tem como objetivo apontar que o pensamento e a escrita tradicionalistas autênticos também estão se produzindo nos Países Baixos, mesmo que ele seja obscurecido pela (auto) censura politicamente correta do mecanismo de revisão acadêmica e pela mídia do sistema. Este ensaio é dedicado ao escritor mais eminente - e com mais tempo de serviço - do tradicionalismo tipicamente autônomo que prospera nos Países Baixos: Robert Steuckers. Recentemente, ele publicou um trabalho enciclopédico sobre as origens, a história e o estado atual da civilização européia: seu tríptico Europa constitui um tour de force intelectual de profundidade e largura que será impossível sufocar no “encobertamento” politicamente correto que é a arma preferida dos publicistas (auto)censores do sistema. Europa está escrito em francês e até agora não foi traduzido para o inglês; o lamentável declínio do ensino da língua francesa em todo o Ocidente torna-o, portanto, inacessível a grande parte de seu principal público-alvo: a vanguarda intelectual, patriota e identitária da jovem Europa. Ao longo de todo o mundo ocidental, esta geração identitária está se preparando para a batalha definitiva por sua herança altamente ameaçada: sua terra natal ocidental - e a própria civilização ocidental. Este ensaio visa (de certa forma) mitigar essa inacessibilidade, transmitindo a um público não francófono, pelo menos, alguns dos conhecimentos que Steuckers apresenta em Europa. Na avaliação do revisor supramencionado, a Europa de Steuckers é uma jóia - um pequeno reflexo da Aurora Dourada ao qual o Tradicionalismo e o Eurasianismo apelam. Assim, a Bélgica - e Bruxelas - tem mais a oferecer do que a falsificada "Europa" da UE: ela também oferece a visão Arqueofuturista da Europa de Robert Steuckers. Portanto, este ensaio não é dedicado apenas ao próprio Steuckers, mas também ao seu país: a Bélgica.

Embora a orientação (franco-revolucionária) e as cores (heráldico-tradicionais) da bandeira belga sejam historicamente previsíveis para qualquer pessoa familiarizada com a gênese única do Estado belga, ela ainda é muito incomum em um aspecto. Talvez suas proporções estranhas - quase quadradas (13:15) - reflitam a particularidade histórica da configuração geopolítica da Bélgica: efetivamente, a Bélgica representa uma restgebied ou “sobra” histórico-cultural, que foi legalmente estabelecida como uma "zona tampão" soberana em nome do compromisso de "equilíbrio de poder" do início do século XIX entre a Grã-Bretanha, a França e a Prússia. Somente em termos de cores, a bandeira belga pode reivindicar um pedigree autenticamente tradicional (ou seja, duplamente histórico e simbólico). Entre a cor vermelho-sangue das províncias continentais de Luxemburgo, Hainaut e Limburg e a cor negra da poderosa província costeira da Flandres, ela mostra o amarelo-ouro da próspera província de Brabant, com a sua capital Bruxelas, que tem sido a sede administrativa do poder pan-europeu do pré-moderno estado da Borgonha até a União Européia pós-moderna. O vermelho e o negro belgas têm a mesma carga heráldico-simbólica que o vermelho e negro eurasianos: em ambos, vermelho é a cor do poder mundano (Nobreza, Exército) e negro é a cor do poder do outro mundo (Igreja, Clero). Na visão holística do eurasianismo tradicionalista, essas cores necessariamente se complementam: juntas, elas representam a combinação intimidante da tempestade (Dilúvio divinamente ordenado) e da guerra (Guerra Santa divinamente ordenada) que se aproximam. Até hoje, todo mundo sabe que a bandeira vermelha e negra representa a revolução, mesmo que os ideólogos “justiceiros sociais” não reconheçam a direção verdadeira e reversa de cada re-volução autêntica (em suma: a Revolução Arqueofuturista). Entre o vermelho-sangue e o negro-sable belgas encontra-se a cor que pode ser considerada como estando em virtual "ocultação" no eurasianismo: o amarelo-ouro que tem a carga heráldico-simbólica da luz celestial e da Aurora Dourada - e assim do próprio tradicionalismo. Um pequeno raio dessa luz nos vem de Brabant, na Europa de Steuckers.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ramiro Ledesma Ramos - O Indivíduo Está Morto

por Ramiro Ledesma Ramos

(1931)



Distingue cada época uma concepção de mundo peculiar, que é a chave de todas as valorações que nela se façam. O homem exalta hoje o que ontem desprezaram seus avós, e vice-versa. Isso, que se poderia atribuir à frívola caducidade dos valores, a relativismo ético e político, é, não obstante, a própria raiz da história, onde se denuncia e aparece a objetividade e continuidade da história. 

Com grande frequência se ouvem hoje longos lamentos em honra do indivíduo, categoria política que se escapa sem remédio. Uma rápida análise da nova política surgida no pós-guerra assinala o fato notório de que o indivíduo foi despojado da significação e importância política de que antes dispunha. O fenômeno é de tal nível, que guarda o segredo das novas rotas políticas, e quem não consiga compreendê-lo com integridade, está condenado a ser um espectador cego das façanhas dessa época. Acontece que um dia o mundo descobriu que todas as suas instituições políticas padeciam de um vício radical de ineficácia. Provocavam um divórcio entre a suprema entidade pública – o Estado – e os imperativos sociais e econômicos do povo. O Estado havia ficado para trás, fiel a vigências anacrônicas, recebendo seus poderes de fontes desvitalizadas e alheias aos tempos. O Estado liberal era um sortilégio concebido para realizar fins particulares, do indivíduo. Sua aspiração mais elevada era não servir de estorvo, deixar que o indivíduo, o burguês, capturasse a felicidade egoísta de sua pessoa. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Nikolai Smirnov - Eurasianismo de Esquerda e Teoria Pós-Colonial

por Nikolai Smirnov

(2019)



Neste artigo, argumento que devemos considerar o eurasianismo como uma experiência inicial no pós-colonialismo. A principal preocupação de ambas as ideologias é a relação entre o relativismo cultural e o universalismo. Eu examino o projeto eurasianista de esquerda como uma ideologia que enfatiza o papel crucial da Rússia na construção do socialismo internacional e como um exemplo do radicalismo filosófico russo que tentou casar o universal com o particular através do messiânico.

O eurasianismo foi uma corrente filosófica e política que emergiu na década de 1920 entre a diáspora russa na Europa. Criticando radicalmente a hegemonia cultural européia, o eurasianismo posteriormente tentou elaborar uma teoria da identidade russo-eurasiana e uma missão universal, alcançando seu auge nas décadas de 1920 e 1930.

sábado, 31 de agosto de 2019

Archie Munro - O Mito do Homossexualismo na Grécia Antiga

por Archie Munro

(2018)



A crença de que a sociedade grega antiga mantinha uma atitude indulgente em relação à homossexualidade – particularmente à pederastia – é amplamente sustentada, tanto dentro como fora de círculos nacionalistas. Greg Johnson, por exemplo, diz:

“A pederastia homossexual, que ainda permanece um tabu em nossa cultura, era amplamente praticada pelos antigos povos arianos do mundo mediterrâneo. Persas, gregos e romanos todos a praticava, incluindo alguns dos homens mais viris na história e na lenda, como Aquiles e Alexandre o Grande”.

“Não há dúvidas de que não apenas o comportamento homossexual era tolerado por antigos povos arianos, como de que ele era considerado normal, e até ideal em alguns casos. Ele é atribuído aos deuses (Zeus e Ganimedes) e elogiado por poetas, filósofos e historiadores. É difícil sustentar atitudes judaicas odiosas em relação à homossexualidade se compreendermos e apreciarmos a grandeza da civilização clássica pagã. [...] Homofóbicos estão nas mãos da Judiaria mesmo sem saber”.

Adonis Georgiades discorda. Ele é o atual vice-presidente do partido grego Nova Democracia e um homem de convicções socialmente conservadoras, ainda que economicamente liberais (por exemplo, ele votou a favor do notório ‘segundo memorando’ no Parlamento Grego). Seu livro de 2004, “Homossexualidade na Grécia Antiga: O Mito está Colapsando”, é uma revisão polêmica da evidência. Para Georgiades, a evidência demonstra que a homossexualidade não era considerada aceitável, muito menos “ideal”, na Grécia antiga. As fontes que ele examina incluem, mas não se limitam às seguintes.

Mitologia grega;
Obras de poetas cômicos atenienses, como Aristófanes;
Ilustrações cerâmicas;
Legislação de Atenas e Esparta como encontradas nas descrições de vários autores antigos dos costumes sexuais espartanos, como Plutarco;
O processo judicial mal sucedido de Timarco e Demóstenes contra Ésquines;
O processo judicial de Ésquines contra Timarco.

Crucialmente, Georgiades também considera a tradução de dois pares de palavras do grego antigo. O primeiro, examinado principalmente à luz das obras de Platão e Xenofonte, é erastes-eromenos. Este par é convencionalmente, mas segundo Georgiades, problematicamente traduzido no inglês como “amantes-amado”. O segundo é a distinção entre os termos pornos (“prostituto”) e hetairos (“acompanhante masculino”). Como o livro demonstra, essa segunda distinção é particularmente relevante para o processo Ésquines vs Timarco mencionado acima. O processo vencido por Ésquines indica que – pelo menos em Atenas – mesmo a conduta homossexual não-remunerada era suficiente para expor o praticante ao risco de perder seus direitos civis. Eu retornarei depois à análise que Georgiades faz das fontes primárias.

Minha impressão geral, como não-especialista, é que as conclusões de Georgiades são sensatas, originais e dignas de serem lidas por um público mais amplo. Talvez o principal problema do livro seja a baixa qualidade da tradução e da revisão. O meu propósito aqui, porém, não é revisar exaustivamente o livro. Ao invés disso, eu vou resumir seus principais argumentos e então tentar iluminar o seu tema mais interessante, ainda que não inteiramente explícito: relações “pederásticas” na Grécia antiga, longe de serem motivadas pelos impulsos sexuais de homens mais velhos por homens mais jovens, eram um aspecto do que Kevin MacDonald poderia chamar de estratégia evolutiva grupal da pólis grega. Os homens da Grécia antiga não viviam em uma névoa freudiana; eles estavam preocupados com a identificação de uma realidade transcendente e com sua aplicação em sua comunidade, em prol do bem comum. Eu explicarei adiante o que quero dizer com isso. Primeiro, porém, eu escrevo um pouco sobre minhas motivações ao escrever esse artigo.

domingo, 18 de agosto de 2019

Manifesto da Nouvelle Résistance

(1991)



“Fazei da causa do povo a causa da nação, e a causa da nação será a causa do povo”. – Lênin

Este texto é dedicado a:

Nanni de Angelis, assassinado pela polícia política italiana
Jacques Arthuys, morto em um campo de concentração alemão.
Nicola Bombacci, assassinado pelas milícias da “resistência” italiana.
Roger Coudroy, caído em combate na Palestina ocupada.
Rudolf Formis, assassinado pela Gestapo.
Manuel Hedilla, condenado a 30 anos de prisão pela Frente Popular Espanhola, condenado à morte pela reação franquista.
Francesco Mangiameli, assassinado pela polícia política italiana.
José Pérez de Cabo, assassinado pela reação franquista.
Haro Schultze-Boysen, condenado à morte e enforcado por ordem da reação hitlerista.
George Valois, morto em um campo de concentração.
Fritz Wolffheim, morto em um campo de concentração.
Francis Parker Yockey, assassinado pelo FBI.

E a todos aqueles que caíram pela causa do povo e da nação.

“Todas as forças revolucionárias dentro de um mesmo Estado estão ligadas invisivelmente, apesar de sua mútua oposição. A ordem é sua inimiga comum”. – Ernst Jünger

“Somos um pequeno grupo compacto, seguimos um caminho íngreme e difícil, segurando com força as mãos uns dos outros. Em todas as partes estamos cercados por inimigos, e temos que caminhar quase sempre sob fogo. Nos unimos em virtude de uma decisão tomada livremente, para combater o inimigo e não sucumbir ao lamaçal vizinho, cujos hóspedes, desde o começo, nos acusarem de ter formado um grupo separado e de termos preferido o caminho da luta ao caminho da reconciliação”. – Lênin

“É impossível justificar o nacionalismo no marco da sociedade capitalista. Hoje não pode haver nacionalismo, ou seja, consciência da continuidade viva da nação, que não seja simultaneamente revolucionário”. – Thierry Maulnier

“Não somos nem de direita, nem de esquerda, mas se precisamos ser situados em termos parlamentares, reiteramos que estamos a meio caminho entre a extrema-esquerda e a extrema-direita, por trás do presidente, de costas para a Assembleia”. – Arnaud Dandieu

“Ser de esquerda ou de direita é escolher uma das inúmeras maneiras que o homem tem de ser um imbecil; ambas são formas de hemiplegia moral”. – José Ortega y Gasset

Introdução

Um projeto nacional-revolucionário para a Europa comporta uma análise global da situação do mundo, que deve constituir a base de nossa estratégia e orientar nossas perspectivas.

Avaliação Internacional

Durante a última década a evolução do mundo se produziu de uma maneira realmente inesperada. O colapso do bloco comunista europeu e a desintegração da URSS, ocasionaram o quase desaparecimento dos países revolucionários do Terceiro Mundo. A Nova Ordem Mundial imposta pelo sistema, protagonizada pelo governo ianque, parece ter triunfado para um longo período e soube esmagar seus poucos adversários legitimando este esmagamento em nome da moral (Panamá, Iraque).

O desaparecimento do bloco comunista europeu não faz senão pressagiar, ao que parece, a generalização de uma economia liberal ou paraliberal (com todas as suas consequências: exploração, pobreza, desemprego, etc.) na totalidade da Eurásia.

O panorama é extremamente escuro, mas não devemos perder a esperança. Em primeiro lugar, a queda do comunismo nos demonstrou que nenhuma situação política, por fossilizada que pareça, é inevitável. Dois fenômenos de idêntica reação ligados à terra e ao sangue (os verdes e os nacionalistas) conservaram – ou reencontraram – no conjunto da Europa (ainda que também em outras partes do globo) o apoio de uma parte importante da população. Isso tem uma grande importância, ainda quando essas reações tem uma tendência a se dirigir a becos sem saída (nacionalismo reacionário ou chauvinista, integrismo religioso, etc.), pois um percentual nada desprezível da população se ocupa de valores próximos aos nossos, podendo assim obstaculizar a dominação do sistema.

Quem somos? Pelo que lutamos?

terça-feira, 6 de agosto de 2019

François Duprat - Manifesto Nacionalista Revolucionário

por François Duprat

(1978)



Nossa situação política impõe uma revisão drástica de nossos temas e de nossos métodos de ação, mas não basta, dessa vez, nos limitarmos a uma crítica, por mais fácil que seja, das experiências anteriores.

É impressionante constatar que nossas linhas de reflexão estão fundadas exclusivamente na história dos movimentos nacionalistas franceses, apesar de nossas profissões de fé anti-chauvinistas e “europeias”. Nós negligenciamos sistematicamente o aporte, passado mas também presente, de movimentos infinitamente mais importantes que os nossos, sob o pretexto de uma “especificidade nacional”.

É certo que cada país tem uma vocação particular e não podemos impor sobre um lugar os métodos de ação adaptados a outras estruturas. Mas não devemos exagerar essa dificuldade. É a incrível ignorância em relação à História e as atualidades dos chefes nacionalistas franceses que conduziu a esse estado de coisas. 

É, por isso, possível adentrar a escola de outras organizações nacionalistas, fazendo o esforço de adaptação assegurando a interpretação adequada da estratégia e da tática seguidas por estes movimentos.

O programa de ação nacionalista, que é apresentado aqui, é resultado direto dessa tomada de consciência: o nacionalismo revolucionário representa um valor universal que cada povo descobre com suas próprias modalidades, enquanto se apega a um fundo comum.

A nossa tarefa é a de definir esta “Via francesa para a Revolução Nacionalista”, a única possibilidade que existe para a nossa causa lutar pela vitória e não por novas derrotas!

sábado, 3 de agosto de 2019

Maurizio Lattanzio - O Mundialismo

por Maurizio Lattanzio

(1987)



“O mundo se divide em três categorias de pessoas: um minúsculo número que produz os eventos; um grupo um pouco mais numeroso que observa sua execução e segue seu cumprimento, e, finalmente, uma imensa maioria que nunca sabe o que se produz na realidade”. - Nicholas Murray Butler

O termo mundialismo se refere a uma concepção político-cultural de que se fazem portadores e difusores poderosos grupos tecnocrático-plutocráticos ocultos ou, no mínimo, discretos, não expostos às luzes dos refletores – ou seja, da mídia de massa sabiamente manobrada – que iluminam o grande palco político internacional. Estes operam através de instituições igualmente ocultas ou, se preferirmos, semipúblicas (Comissão Trilateral, Grupo Bilderberg, Conselho de Relações Exteriores, Sociedade dos Peregrinos, sistema bancário internacional, etc.), com o objetivo de alcançar a realização de um projeto que prevê a instauração de um único Governo Mundial, depositário do poder econômico, político, cultural e religioso. As articulações estruturais de um projeto do tipo – já em via de atuação, se pensarmos apenas na União Europeia – estão baseadas na integração dos grandes blocos (EUA – em posição preeminente – Europa Ocidental, Japão, Rússia e seus satélites, China Popular, Terceiro Mundo), que serão sujeitos ao domínio dos funcionários tecnocratas do aparato de poder plutocrático instalado nos conselhos administrativos da banca e das multinacionais. São as estruturas operacionais do comando oligárquico a partir das quais a Alta Finança internacional planeja e concretiza a servidão dos povos mediante os mecanismos diabólicos da Grande Usura. [1]

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Daniele Perra – Ernst Niekisch e o “Reino dos Demônios”

por Daniele Perra

(2018)



Para muitos, o nome de Ernst Niekisch não dirá nada. Não obstante, junto a Karl Otto Paetel ele é considerado o pai de uma corrente política particular, a do nacional-bolchevismo, a qual, a partir dos anos 90 do século passado, graças aos seus intérpretes pelo menos um pouco hiperbólicos como o filósofo Aleksandr Dugin e o controverso escritor Eduard Limonov, conheceu um razoável sucesso na Rússia da deplorável Era Iéltsin. A Niekisch, ademais, o pensador francês Alain de Benoist dedicou toda uma seção do seu livro “Quatro Figuras da Revolução Conservadora Alemã”.

O esquecimento a que o homem e seu pensamento foram relegados tanto em vida como post mortem possui uma razão bastante precisa. Niekisch e seu pensamento eram e são ainda perigosos. Este original pensador alemão, de fato, no curso da sua vida, conseguiu viver em primeira pessoa e se opôr vigorosamente a todas as três principais ideologias políticas do século XX: liberalismo, fascismo-nacional-socialismo e comunismo (ainda que, no último caso, a oposição surgiu de algumas divergências com o líder da República Democrática Alemã, Walter Ulbricht). E diferentemente do dissidente soviético bem mais famoso Aleksandr Solzhenitsyn (que dardejava contra a URSS e o Ocidente capitalista de sua casa norte-americana, lamentando que Hitler não tivesse matado o seu próprio povo), depois de ter passado alguns anos em um campo de prisioneiros nazista e reconhecendo o feitiço psicológico de que seu povo havia caído vítima, nunca chegou a desejar a destruição da sua pátria. 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Nicolas Bonnal - René Guénon e o Gênio Anônimo dos Coletes Amarelos

por Nicolas Bonnal

(2018)



Discutindo sobre os Coletes Amarelos com um leitor erudito e entendido do Islã, me recordei desse belo capítulo do livro “O Reino da Quantidade e o Sinal dos Tempos”, onde o mestre (Guénon, então) evoca o gênio do anonimato dos tempos medievais, por exemplo, quando da construção das catedrais ou no âmbito dos ofícios.

Mas se em nossa época nós gostamos de nos curvar diante dos nomes gloriosos de pessoas, das falsas dinastias, das dinastias endinheiradas (petróleo saudita ou carros nazistas), das Gaga, dos Johnny e dos Macron, para não falar nos jogadores de futebol e nos intelectuais tidos por luminares do pensamento humano (como também o monstruoso “pensador” israelense Harari), nós detestamos os desdentados, os anônimos, os plebeus e os coletes amarelos. E aqueles que contornaram o sistema com todo o gênio plástico do povo-receptáculo. Eles não têm representantes, além daqueles que o canal BFM nomeou depois de tê-los fantasiado com coletes, e eles não são nada. Isso deixa o sistema louco, porque tudo se apoia nos delírios mentais das celebridades. O problema, para o sistema, é que os Coletes Amarelos, sem querer, deram razão a Debord e Robespierre.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

José Alsina Calvés - A Quarta Teoria Política do Filósofo Russo Aleksandr Dugin

por José Alsina Calvés

(2018)



No livro de Dugin, “A Quarta Teoria Política”, o filósofo russo insiste no caráter coletivo de sua criação, no sentido de que ela não é um sistema fechado, mas aberto às contribuições posteriores. No presente artigo tentaremos descrever e explicar, assim como avaliar, o mencionado livro de Dugin, o qual tomaremos como base de nosso trabalho. Segundo nossa compreensão, a QTP que Dugin expõe se fundamenta em um arcabouço teórico que consta de cinco elementos fundamentais:

1) Uma teoria da modernidade e de suas ideologias;
2) A pós-modernidade como mutação do liberalismo a neoliberalismo;
3) Uma teoria do tempo;
4) Uma fundamentação filosófica na ontologia de Heidegger;
5) A geopolítica dos grandes espaços.

Teoria da Modernidade

A QTP aparece como uma oposição radical à modernidade e a todas as suas manifestações, incluindo a atual implosão pós-moderna. A QTP se dirige a todas aquelas pessoas que sentem uma insatisfação radical diante da sociedade atual, suas mensagens e seus "valores”. Uma dissecação prévia da modernidade é o passo preparatório para a síntese e construção da QTP.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Nicolas Gauthier – Entrevista com Alain de Benoist: Por que o Governo não entende a revolta dos Coletes Amarelos?

por Nicolas Gauthier

(2019)



N.G.: Você acha que já podemos fazer uma revisão da ação dos Coletes Amarelos?

A.B.: A melhor revisão que podemos fazer sobre ela é notar que ainda é muito cedo para fazer uma, porque o movimento está em curso e parece ter encontrado um segundo fôlego. Por quase três meses, apesar do gelo e do frio, apesar das tréguas do Natal, apesar dos mortos e feridos, apesar das baixas causadas pela brutalidade policial (mandíbulas quebradas, mãos destroçadas, pés esmagados, olhos perfurados, hemorragias cerebrais), apesar das críticas que tentaram sucessivamente apresentá-los como beaufs alcoólatras[1], nazistas (a "praga marrom") e criminosos, culpados, além disso, de arruinar o comércio, de dissuadir os turistas de virem para a França e até mesmo do “escândalo” de terem sabotado a abertura de liquidações, apesar de tudo isso, os Coletes Amarelos ainda estão aqui. Eles resistiram bem, não se dispersaram e a maioria dos franceses continua a aprovar sua ação. Esta é a confirmação de que esse movimento é diferente de qualquer outro.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Free West Media - Entrevista com Alain de Benoist: A Europa é uma Colônia dos Mercados Financeiros

Entrevista concedida à Free West Media

(2019)



Qual o impacto da ocupação sobre os ocupados? O liberalismo reconhece apenas uma forma de soberania: a do indivíduo. Assim, povos, nações e culturas são vistos apenas como agregados de indivíduos cujas relações essenciais são reduzidas a contratos legais e trocas no mercado. Os europeus se tornaram consumidores na esfera anglo-americana - eles não são mais cidadãos de seus respectivos países, acredita Benoist.

Sr. de Benoist, o embaixador dos EUA em Berlim, escreveu cartas de chantagem há algumas semanas para empresas alemãs envolvidas na construção do Nord Stream 2. Os americanos estão certos em se sentir em posição de força por sobre a Alemanha e a Europa?

Benoist: Os americanos se sentem fortes porque sabem que os europeus são fracos. As notícias provam todos os dias que a União Europeia não é uma potência europeia, mas apenas um mercado europeu. Neste mercado, no entanto, os americanos têm uma vantagem significativa. Um dos princípios mais importantes é a extraterritorialidade da lei americana. Isso permite que Washington se defenda de operações e influências financeiras ou comerciais. Por exemplo, vários bancos franceses foram multados em bilhões de euros por não levar em conta as sanções dos EUA contra este ou aquele país.

Pergunta curta: Seria a Alemanha, a Europa - ou melhor, a UE - um “território ocupado”?

Benoist: Sim, podemos falar em um "território ocupado", mas o termo "ocupação" é ambíguo. Nós não estamos em um tipo brutal de heteronomia, mas em um condicionamento progressivo pelo chamado “soft power”. Pode-se falar também de “colonização” - mas de uma colonização que começou com a colonização de atitudes e valores.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Alain de Benoist - Soldado, Trabalhador, Rebelde, Anarca: Uma Introdução a Ernst Jünger

por Alain de Benoist

(1997)



Nos escritos de Ernst Jünger, quatro grandes figuras aparecem sucessivamente, cada uma correspondendo a um período bastante distinto da vida do autor. Eles são, cronologicamente, o Soldado do Front, o Trabalhador, o Rebelde e o Anarca. Através dessas figuras, pode-se adivinhar o interesse apaixonado que Jünger sempre manteve em relação ao mundo das formas. Formas, para ele, não podem resultar de ocorrências fortuitas no mundo sensível. Em vez disso, as formas guiam, em vários níveis, os modos pelos quais os seres sensíveis se expressam: a “história” do mundo é, acima de tudo, morfogênese. Ademais, como entomólogo, Jünger estava naturalmente inclinado a classificações. Para além do indivíduo, ele identifica a espécie ou o tipo. Pode-se ver aqui um tipo sutil de desafio ao individualismo: "O único e o típico excluem um ao outro", escreve ele. Assim, como Jünger vê, o universo é um em que as Figuras dão às épocas seu significado metafísico. Nesta breve exposição, gostaria de comparar e contrastar as grandes Figuras identificadas por Jünger.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Andrea Virga - “Um Socialismo Sustentável e Próspero”: Uma Investigação sobre a Transição Econômica Cubana

por Andrea Virga

(2018)



“Cuba, por exemplo, pode transicionar rumo a instituições inclusivas e experimentar uma grande transformação econômica, ou pode permanecer sob instituições econômicas e políticas extrativistas” – Daron Acemoglu – James A. Robinson, 2012)

“A batalha econômica constitui hoje, mais do que nunca, o principal dever e o centro do trabalho ideológico das fileiras, porque a sustentabilidade e a preservação de nosso sistema social dependem disso”. – (Raúl Castro Ruz, 2010)

Introdução

É interessante notar que, entre o número de experiências e casos históricos descritos no opus magnum de Acemoglu e Robinson “Por que Nações fracassam”, Cuba emerge como notavelmente ausente, apesar de que suas peculiaridades teriam sido bastante interessantes, especialmente se apresentadas na forma dessa nova interpretação da economia política. Nas quase 400 páginas de texto, essa pequena ilha-nação é mencionada apenas oito vezes: metade delas no contexto geral da economia das plantations caribenhas e metade em relação ao período revolucionário. Dessas últimas quatro escassas referências, o problema da transição de uma economia comunista é citado apenas duas vezes. Isso é muito estranho se considerarmos como a história cubana divergiu tão fortemente de seus vizinhos nos últimos sessenta anos, e ainda mais estranho se prestarmos atenção à importância desproporcional que Cuba tem tido na política americana e internacional em comparação com seu tamanho e poder efetivos. 

Em minha humilde opinião, essa omissão não depende tanto de falta de interesse, mas da grande complexidade do caso cubano, e da dificuldade de reconciliá-lo adequadamente com os modelos delineados pelos dois autores. Isso não quer dizer que sua interpretação é inútil. Ao contrário, como eu vou demonstrar, ela dá insights preciosos sobre como abordar e explicar a economia cubana. Categorias como “inclusivo” e “extrativo”, bem como a “lei férrea da oligarquia”, parecem ser definitivamente úteis. No núcleo do ensaio de Acemoglu e Robinson jaz a importância fundamental das instituições políticas para o desenvolvimento (ou subdesenvolvimento) econômico. Essa pressuposição refuta convincentemente teorias essencialistas baseadas nas origens geográficas ou etnoculturais de um país. Porém, eu penso que há uma simplificação exacerbada das relações entre elite e sociedade, e entre elite e políticas públicas, que emerge claramente se examinarmos o caso. 

Portanto, eu farei um amplo uso de fontes cubanas, tanto científicas como políticas, as quais estão baseadas em uma perspectiva distinta da de Acemoglu e Robinson, já que elas são definitivamente influenciadas pelo marxismo-leninismo, apesar de filtradas pelo idealismo de Martí e pelo nacionalismo de Castro. A comparação entre essas duas representações e interpretações distintas seria especialmente estimulante. A visão marxista concorda com nossos autores sobre a importância das instituições políticas, mas as vê como produto natural dos interesses materiais das elites. Porém, Acemoglu e Robinson concordam que as elites agem em seu interesse próprio, mas eles afirmam que a inclusividade social e o pluralismo dos grupos sociais, de uma maneira não muito diferente em si do conceito de luta de classes, pode contrastar o elitismo, resultando em legalidade e uma prosperidade geral. Ademais, as duas posições diferem em um ponto crucial: na perspectiva cubana, a prosperidade econômica está subordinada ao desenvolvimento social, enquanto em “Por que as Nações dão errado” esta não é tão discutida, sendo mais propriamente entendida como consequência daquela.

Agora, este não é o lugar adequado para uma crítica da democracia liberal e do capitalismo, defendidos pelos dois autores. Eu vou me concentrar, ao invés, na transição cubana, ou seja, na resposta do governo cubano ao crítico Período Especial e, consequentemente, na transição gradual rumo a uma economia mista, sustentando, ao mesmo tempo, seu sistema sociopolítico. Um conceito similar jaz na base dos processos reformistas da China e do Vietnã, ainda que essas instâncias sejam muito diferentes da cubana. Eu fornecerei uma breve revisão da história econômica cubana até então, mas a máxima atenção será dada às políticas governamentais recentes e sua implementação. No processo, eu vou relacioná-las às teses de Acemoglu e Robinson, de modo não só a compreender melhor a economia cubana em transição, mas também fornecer objeções e críticas úteis à teoria desses autores.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Julius Evola - A Família como Unidade Heroica

por Julius Evola

(1970)



Um dos perigos que ameaçam toda reação contra as forças da desordem e da corrupção que estão devastando nossa civilização e nossa vida social é a tendência dessa reação a acabar em formas que são pouco mais significativas do que as da mera domesticidade burguesa. Mais de uma vez ouvimos denúncias do caráter decadente do moralismo em comparação a toda forma superior de direito e de vida. Na verdade, se uma "ordem" tiver valor, ela não deve significar nem rotina nem mecanização despersonalizada. Devem existir nela forças que estão originalmente indomadas e que conservam de alguma forma e até certo ponto sua natureza, mesmo na aderência mais rígida a uma disciplina. Só então a ordem se torna fecunda. Poderíamos expressar isso em uma imagem: uma mistura explosiva e expansiva, quando restrita a um espaço limitado, desenvolve sua eficácia ao extremo, ao passo que, se for colocada em um espaço ilimitado, ela praticamente se dissipa. Nesse sentido, Goethe poderia falar de um "limite que cria", e poderia dizer que no limite o Mestre se mostra. Também é necessário lembrar que, na visão clássica da vida, a ideia do limite – πέρας(1) - foi tomada como a própria perfeição, e foi postulada como o mais alto ideal, não apenas em termos éticos, mas também em termos metafísicos. Essas considerações podem ser aplicadas a vários domínios. No presente ensaio, consideramos um caso particular: o da família.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

David L'Epée - O Nacionalismo Russo à Época Soviética

por David L'Epée

(2016)



Enquanto o resultado da crise que afeta atualmente a Ucrânia é ainda incerto após a “revolução” ocorrida em Kiev e os eventos da Crimeia, o fator do nacionalismo russo (ou pró-russo) parece ter sido chamado ao debate como um elemento-chave sem o qual é impossível compreender o que se passa no Leste. Me parece interessante examinar quais são as especificidades desse nacionalismo russo, tão estranho às nossas concepções, que fala mais de império do que de nação, olhar um pouco mais longe para descobrir em que medida as suas raízes se afundam na época soviética. A publicação recente da tese de Vera Nikolski dedicada a este tema nos fornece a oportunidade.

sábado, 27 de abril de 2019

Boris Nad – Entrevista com Leonid Savin: Nova Idade das Trevas da Europa

por Boris Nad

(2017)



Leonid Savin é um importante representante da nova escola russa de geopolítica, um membro do movimento neoeurasianista e um associado de Aleksandr Dugin. Savin também é editor-chefe do centro analítico Geopolitika.py e do Journal of Eurasian Affairs, bem como chefe administrativo do Movimento Eurasiano Internacional. Ele é o autor de uma série de livros sobre geopolítica e áreas relacionadas: “Rumo à Geopolítica”, “Guerra de Redes”, “Etnopsicologia”, “De Xerife a Terrorista”, “Novos Métodos de Guerra”...

Segundo Leonid Savin, vivemos na época das mudanças súbitas nos paradigmas (geo)políticos e de mudanças radicais nas relações de poder. O poderio americano tem se enfraquecido em anos recentes, novas divisões e crises aparecem no coração do próprio Ocidente. Além da Rússia e da China, novas potências emergem, impérios em potencial, causando uma série de novos conflitos e renovando antigos, do Oriente Médio aos Bálcãs. A crise da União Europeia, impulsionada por uma crise migratória e pelo terrorismo, marca o fim do mito burguês da prosperidade. Tudo isso cria uma situação completamente singular em um mundo completamente globalizado, onde não há mais regras claras.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Alberto Buela - Popper e Soros: Um Só Coração

por Alberto Buela 

(2019)



Quando há muitos anos líamos “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (1966) de Karl Popper (1902-1994) pensávamos que era uma proposta inocente de um judeu liberal de origem austríaca contra o marxismo, e nunca suspeitamos que este livro pudesse ser hoje a bíblia de seu correligionário George Soros e de sua fundação Open Society, que alenta todas as propostas culturais de que padece o Ocidente: campanhas internacionais a favor do aborto, dos grupos LGBT, feministas, aborígenes na América do Sul e imigração islâmica na Europa. A favor também dos programas de aprendizagem global do inglês (Globish) contra o castelhano. Financiou ultimamente a grande marcha de 6 mil migrantes que partindo de Honduras chegou à América do Norte.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Esaúl Alvarez - Karma e Destino

por Esaúl Alvarez

(2014)



Uma das noções metafísicas que tem sido mais pervertida e desnaturalizada pela new age é a do karma. Chama a atenção em particular que esse termo do karma tenha se estendido amplamente no ocidente uma vez que se nega de maneira fervorosa toda concepção metafísica própria da tradição ocidental, e muito particularmente se nega aquela que vem sendo a contraparte ocidental da ideia de karma: o destino.

Isto demonstra a profunda confusão em que está imerso o homem moderno, que renega tudo aquilo que lhe é mais próprio e próximo -com o consabido argumento do obscurantismo e da superstição- só para acabar abraçando exotismos e modas alheias que não compreende, e que frequentemente resultam ser ainda mais obscurantistas e falsas, quando não obedecem a interesses suspeitos [1].

Se se nega no ocidente a existência do destino não é com base em razões filosóficas ou metafísicas senão em virtude de uma suposta "liberdade individual" de que dispomos para reger nossas vidas e com a qual seria incompatível a ideia de destino. Isso é, se pensa e se decide com base em critérios meramente sentimentais, relativos ao gosto e ao desejo; não importa a verdade. Até aqui tem chegado a debilidade mental do ocidente. 

Desse modo, se certas ideias, como a do destino, são -ou parecem ser a juízo da 'polícia do pensamento' moderno- contrárias à superstição da liberdade, que é um dos 'termos fetiche' da modernidade, então tais ideias devem ser rechaçadas e combatidas. Pouco importa se há ou não nelas algo de verdade, o fato é que são incompatíveis com a ideologia da modernidade.

sábado, 6 de abril de 2019

Alain de Benoist - Tradição?

por Alain de Benoist

(1992)



Existem muitas maneiras de entender a tradição. Sua etimologia é latina, do verbo tradere, que significa “dar, entregar, transmitir diretamente”. Originalmente tradição designava “aquilo que é transmitido” e tinha um significado religioso. A tradição entendida como “a ação de transmitir” foi, no entanto, de uso comum na França até o final do século XVIII e ainda faz parte do léxico jurídico hodierno. Tradere, porém, também significou "trair", no sentido de entregar um homem ou um segredo. No plural, as tradições são geralmente consideradas como parte das características distintivas de uma cultura em um período particular. Elas evocam um corpo de características hereditárias aceitas e imutáveis ​​herdadas dos costumes passados, modos de ser, mas também celebrações, ciclos de trabalho e tradições populares. Tradição aqui implica uma sensação de duração: ela contrasta com a novidade, mesmo que se aceite a sua evolução. Também implica a ideia de padrão ou norma, mesmo que as tradições em questão possam ser contestadas. A tradição engloba o que é permanente e imutável, em oposição à sucessão de eventos e modas. Uma definição mais antiga a descreve como marcando a submissão dos vivos à autoridade dos mortos, englobando costumes e hábitos aceitos (obedecemos às tradições porque sempre o fizemos) que as pessoas modernas denunciam como convenções, preconceitos ou superstições. O termo pode ter um significado positivo ou pejorativo, dependendo do contexto em que é usado. Quando anunciantes e agências de turismo exaltam as virtudes do "artesanato tradicional", eles implicitamente se referem a um conjunto testado de valores e conhecimentos. Tradição aqui evoca qualidade e autenticidade. Mas também pode ser visto como o que é ultrapassado, como no uso da "moralidade tradicional" pelos críticos modernistas. 

segunda-feira, 25 de março de 2019

Aleksandr Dugin - A Quarta Teoria Política e o Logos Italiano

por Aleksandr Dugin

(2018)



A Quarta Teoria Política e o Tradicionalismo de Julius Evola

A publicação italiana de A Quarta Teoria Política tem uma grande importância para mim. Ela está acima de tudo ligada ao fato de que meus pontos de vista foram formados sob a influência decisiva da filosofia do tradicionalismo, da qual um dos pilares (ao lado de René Guénon) é o filósofo italiano Julius Evola. No geral, minhas opiniões estão totalmente baseadas no tradicionalismo, embora eu prefira não repetir as fórmulas e declarações de seus fundadores, mas, a partir de seus princípios, desenvolver concepções e teorias naqueles domínios que, por alguma razão, não eram prioridades para os fundadores do tradicionalismo. No entanto, precisamente o tradicionalismo está na base de todas as minhas investigações, em qualquer esfera que elas possam se relacionar: filosofia, religião, política, geopolítica, sociologia, relações internacionais, a história das civilizações e ideias, etc.

domingo, 10 de março de 2019

Daniele Perra - Heidegger, Guénon e o Multipolarismo

por Daniele Perra

(2018)



É importante adiantar que aplicar as categorias do pensamento heideggeriano, tal como os estudos tradicionais de René Guénon, à geopolítica, é sempre uma operação extremamente complicada, arriscada e suscetível de possíveis mal-entendidos. Todavia a descendência direta da geopolítica da geografia sagrada e do próprio conhecimento sagrado, como bem ressaltado por Claudio Mutti, teoricamente poderia tornar este procedimento bastante fluido. É ademais importante sublinhar que tanto para a geopolítica quanto para a geografia sagrada o conceito de polo preenche um papel crucial, e que para ambos o espaço é mais importante que o tempo. Partindo deste pressuposto se pode desenvolver a ideia de multipolarismo (ou policentrismo) utilizando como pontos de referência dois modelos filosóficos que, apesar de distantes, mostram relevantes pontos de convergência. 

sábado, 9 de março de 2019

Adriano Scianca - Morreu Guillaume Faye, o Homem que mudou o Pensamento Inconformista Europeu

por Adriano Scianca



(2019)

Com o falecimento de Guillaume Faye, morto à noite entre 6 e 7 de março, desaparece da cena metapolítica europeia um dos poucos intelectuais que verdadeiramente mudou o modo pelo qual todos nós pensamos, mesmo em relação aos que nunca o leram, mesmo em relação aos que o leram pensando de maneira diferente sobre tantos temas. Gravemente doente for algum tempo, cuidado por um punhado de camaradas devotados, Faye demonstrou até o fim mais interesse pelo mundo das ideias do que por si mesmo, mesmo às custas de negligenciar a própria saúde para poder continuar a escrever. Apesar de nunca o ter conhecido, nos últimos tempos eu tentei contatá-lo diversas vezes, escrevendo ao e-mail de seu sítio. Ele me respondeu uma primeira vez, concordando com uma entrevista. Mas, quando o havia enviado as perguntas por e-mail, havia declarado não ter recebido nada, pedindo que as enviasse novamente...por carta. Algo bastante singular para um profeta da tecnociência. Fiz uma segunda tentativa, com o fim de cooptá-lo para o Primato Nazionale, onde uma coluna fixa sua teria sido mais do que bem vinda. Não me respondeu mais, provavelmente porque já estava doente.

domingo, 3 de março de 2019

Marzio Boni - O Carnaval: Festa da Tradição Europeia

por Marzio Boni

(2016)



Carros, festas de rua e festas infantis parecem ser suficientes para descrever e trazer à vida nas ruas o significado do carnaval. Diante disso, é necessário recuperar o significado desta festa, a mais atípica dos nossos tempos e que não tem significado religioso, ou civil, mas tem suas raízes na tradição das populações europeias mais antigas. Na Roma arcaica, temos exemplos de festas pré-carnaval que ocorreram no período do solstício de inverno ao equinócio de primavera. Em 15 de Fevereiro, realizava-se a Lupercalia, em honra do Deus silvestre Fauno Lupercus, onde os jovens (luperci - filhotes) envolviam o corpo com peles de animais sacrificados e cortavam outras peles em tiras e correndo e brandindo-as pela rua, açoitavam as pessoas que encontravam pelo caminho. As mulheres estéreis se submetiam aos golpes na esperança de recuperar sua fertilidade. Em 17 de março, por sua vez, se comemorava a Liberalia, festival dedicado a Baco, o Deus agreste da vida (representando a mutabilidade do ânimo exuberante e a energia fecundante da natureza), onde se pendurava pequenas máscaras em um pinheiro e e os cidadãos se abandonavam entre risos, canções e piadas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

John Médaille - Três Erros sobre Economia e um Erro Grave sobre o Homem

por John Medaille

(2018)



Introdução

Desde o tempo de Aristóteles, a economia tem sido considerada como estando dentro do domínio da política e da ética. Acreditava-se universalmente que fora desses âmbitos, a economia era ininteligível porque sem eles ela careceria de um telos, um sentido e um propósito. Mas no século XIX, surgiu a ideia de que a “economia política” poderia ser convertida em uma ciência “pura”, totalmente divorciada de qualquer matriz política, social ou teleológica. Tudo que era necessário era encontrar o princípio “newtoniano”. Tal como Newton havia domado os movimentos complexos dos céus com umas poucas leis simples, da mesma forma deveria haver umas poucas leis simples para explicar os movimentos inescrutáveis dos mercados. Muitos acreditavam que esta tarefa havia sido realizada por A.E. Marshall em 1891 (ano fatídico, este) com a publicação de seu “Princípios de Economia”. Como ninguém havia sido o termo “economia” daquela maneira antes, ele teve que explicar na primeira frase que por “economia” ele queria se referir ao que as pessoas haviam chamado até então de “economia política”. É graças a este livro que a economia pôde, finalmente, reivindicar com alguma plausibilidade o status de uma ciência axiologicamente livre.

O princípio “newtoniano” de Marshall era a utilidade marginal, que empurravam o utilitarismo para o centro da economia. O livro de Marshall se tornou a base da economia do século XX, e o pequeno diagrama que ele traçou no apêndice, que pretende retratar como as curvas de oferta e demanda resultam em um ponto de equilíbrio, se tornou o diagrama mais onipresente e reconhecível na história humana. E enquanto as pessoas discutiam sobre este ou aquele aspecto de suas teorias, seu objetivo principal foi alcançado: a economia, e não a economia política, havia ganho o dia; a “economia” foi resgatada dos paramos da ética e da teleologia para se tornar uma ciência pura, fosse idealista (Mises e os austríacos) ou uma empírica (os neoclassicistas).

Porém, alguns de nós, ainda bastante retrógrados em nosso pensamento, temos afirmado que havia algo não muito correto, algo não muito – se me permitirem dizer – “científico” na nova ciência, fosse em suas formas idealista ou empírica. Alguns de nós, eu inclusive, pensamos que uma ciência humana sem um telos é como um relógio sem ponteiros ou números: um mecanismo interessante, sem dúvida, mas que não serve a qualquer propósito humano discernível, e que não oferece qualquer maneira discernível de dizer se ele está funcionando adequadamente.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Brianna Rennix & Nathan J. Robinson - Por que você odeia a Arquitetura Contemporânea?

por Brianna Rennix & Nathan J. Robinson

(2017)


O autor britânico Douglas Adams disse o seguinte sobre aeroportos: “Os aeroportos são feios. Alguns são muito feios. Alguns atingem um grau de feiura que só pode ser o resultado de um esforço especial”. Infelizmente, essa verdade não se aplica apenas aos aeroportos: também pode ser dita da maior parte da arquitetura contemporânea.

Pegue o Tour Montparnasse, um arranha-céu preto com painéis de vidro, pairando sobre a bela paisagem urbana de Paris como um gigantesco dominó esperando para cair. Os parisienses o odiaram tanto que a cidade foi posteriormente forçada a promulgar uma portaria proibindo qualquer arranha-céu maior que 36 metros.

Ou pegue a City Hall Plaza de Boston. O centro de Boston é geralmente um lugar atraente, com edifícios antigos e uma orla e um belo jardim público. Mas a Prefeitura de Boston é um hediondo prédio de concreto, de formato bizarramente inescrutável, como um componente ameaçador que sobrou depois que você montou meticulosamente um eletrodoméstico complicado. Na década de 1960, antes mesmo de o primeiro lote de concreto secar no molde, as pessoas já estavam implorando preventivamente que a maldita coisa fosse demolida. Há todo um complexo adicional de edifícios federais igualmente desagradáveis ligados à mesma praça, projetado por Walter Gropius, um arquiteto cujo sobrenome hilariante contradiz a total descontração de seus projetos. O Edifício John F. Kennedy, por exemplo - inexoravelmente sombrio por fora, irritantemente inavegável por dentro - é onde, entre outras coisas, imigrantes aterrorizados assistem às audiências de deportação e onde veteranos traumatizados chegam para solicitar benefícios. Um edifício tão inóspito envia uma mensagem muito clara, que é: o governo quer que seus humildes suplicantes se sintam confusos, alienados e com medo.

A Tour Montparnasse. Quem pode defender algo assim? E se há algo claramente errado com isso, o que há, do que se trata e por que não podemos falar mais sobre isso em outros casos?


O fato é que a arquitetura contemporânea dá calafrios à maioria dos seres humanos comuns. No entanto, tente dizer isso para arquitetos e seus acólitos, e você vai ouvir bastante sobre por que seu sentimento está errado, produto de algum equívoco embaraçoso sobre os princípios arquitetônicos. Uma defesa, tipicamente, é que essas coisas horríveis são, na realidade, incríveis feitos de engenharia. Afinal de contas, “blobitetura” - que, lamentamos dizer, é uma verdadeira escola de arquitetura contemporânea - é criada usando algoritmos complicados feitos por computador! Você pode pensar que a estrutura em forma de bolha resultante parece um cocô com tentáculos ou um lenço de papel amassado, mas isso é porque você não tem o olho treinado de um arquiteto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Aleksandr Dugin - As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

por Aleksandr Dugin

(1991)


O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Nikolai Trubetzkoy - Nacionalismo Pan-Eurasiano

por Nikolai Trubetzkoy

(1927)



Se antes o principal fator consolidando o Império Russo em um único todo era o pertencimento de todo o território deste Estado a um único senhor, o povo russo comandado por seu tzar russo, então agora este fator foi destruído. Surge a questão: que outro fator pode agora fundir todas as partes deste território em um único Estado integral?