Os senhores me
perguntam o que são todas as idiossincrasias dos filósofos?... Por exemplo, sua
falta de sentido histórico, seu ódio contra a representação mesma do vir-a-ser,
seu egipcismo. Eles acreditam que desistoricizar uma coisa, torná-la uma sub
specie aeterni, construir a partir dela uma múmia, é uma
forma de honrá-la. Tudo o que os filósofos tiveram nas mãos nos últimos
milênios foram múmias conceituais; nada de efetivamente vital veio de suas
mãos. Eles matam, eles empalham, quando adoram, esses senhores idólatras de
conceitos. Eles trazem um risco de vida para todos, quando adoram. A morte, a
mudança, a idade, do mesmo modo que a geração e o crescimento são para eles
objeções - e até refutações. O que é não vem-a-ser;
o que vem-a-ser não é...
Agora, eles acreditam todos, mesmo com desespero, no Ser. No entanto, visto que
não conseguem se apoderar deste, eles buscam os fundamentos pelos quais ele se
lhes oculta. "É preciso que uma aparência, que um 'engano' aí se imiscua,
para que não venhamos a perceber o ser: onde está aquele que nos engana?"
"Nós o temos, eles gritam venturosamente, o que nos engana é a
sensibilidade! Esses sentidos, que por outro lado são mesmo
totalmente imorais, nos enganam quanto ao mundo verdadeiro.
Moral: conseguir desembaraçar-se do engano dos sentidos, do vir-a-ser, da
história, da mentira. História não é outra coisa senão crença nos sentidos,
crença na mentira. Moral: dizer não a tudo o que nos faz crer nos sentidos, a
todo o resto da humanidade. Tudo isto é o “povo”. Ser filósofo, ser múmia,
apresentar o monótono-teísmo através de uma mímica de coveiros! - E antes de
tudo para fora com o corpo,
esta idéia fixa dos
sentidos digna de compadecimento! Este corpo acometido por todas as falhas da
lógica, refutado, até mesmo impossível, apesar de ser suficientemente
impertinente para se portar como se fosse efetivo!"...05/08/2012
A "Razão" na Filosofia
Os senhores me
perguntam o que são todas as idiossincrasias dos filósofos?... Por exemplo, sua
falta de sentido histórico, seu ódio contra a representação mesma do vir-a-ser,
seu egipcismo. Eles acreditam que desistoricizar uma coisa, torná-la uma sub
specie aeterni, construir a partir dela uma múmia, é uma
forma de honrá-la. Tudo o que os filósofos tiveram nas mãos nos últimos
milênios foram múmias conceituais; nada de efetivamente vital veio de suas
mãos. Eles matam, eles empalham, quando adoram, esses senhores idólatras de
conceitos. Eles trazem um risco de vida para todos, quando adoram. A morte, a
mudança, a idade, do mesmo modo que a geração e o crescimento são para eles
objeções - e até refutações. O que é não vem-a-ser;
o que vem-a-ser não é...
Agora, eles acreditam todos, mesmo com desespero, no Ser. No entanto, visto que
não conseguem se apoderar deste, eles buscam os fundamentos pelos quais ele se
lhes oculta. "É preciso que uma aparência, que um 'engano' aí se imiscua,
para que não venhamos a perceber o ser: onde está aquele que nos engana?"
"Nós o temos, eles gritam venturosamente, o que nos engana é a
sensibilidade! Esses sentidos, que por outro lado são mesmo
totalmente imorais, nos enganam quanto ao mundo verdadeiro.
Moral: conseguir desembaraçar-se do engano dos sentidos, do vir-a-ser, da
história, da mentira. História não é outra coisa senão crença nos sentidos,
crença na mentira. Moral: dizer não a tudo o que nos faz crer nos sentidos, a
todo o resto da humanidade. Tudo isto é o “povo”. Ser filósofo, ser múmia,
apresentar o monótono-teísmo através de uma mímica de coveiros! - E antes de
tudo para fora com o corpo,
esta idéia fixa dos
sentidos digna de compadecimento! Este corpo acometido por todas as falhas da
lógica, refutado, até mesmo impossível, apesar de ser suficientemente
impertinente para se portar como se fosse efetivo!"...10/07/2012
Niilismo e Sentido da Vida em Nietzsche
27/07/2011
"Somos todos iguais!"
Dirigindo-me a todos, não me dirigia a ninguém. (...) Mas na manhã seguinte vi brilhar uma verdade nova; aprendi a dizer: 'que me importam a praça pública e a populaça e a algazarra festiva e as orelhas compridas da populaça!'.
Homens superiores, aprendei comigo esta verdade: na praça pública ninguém acredita nos Homens superiores. E se quereis falar na praça pública, fazei-o; mas a populaça dirá piscando os olhos: 'Somos todos iguais.''Homens superiores — assim fala a populaça piscando os olhos —, não há Homens superiores, somos todos iguais. O Homem é apenas um homem — diante de Deus somos todos iguais!'"
13/06/2011
Não permanecer preso...
41. É preciso dar a si mesmo provas de que se está destinado à independência e ao mando; e isso no tempo oportuno. Não se deve evitar suas provas, ainda que elas talvez sejam o jogo mais perigoso que se possa jogar, e apenas provas, por fim, das quais sejamos as únicas testemunhas, sem a presença de qualquer outro juiz. Não permanecer preso a uma pessoa: ainda que seja a mais amada – toda pessoa é uma prisão, e também um recanto. Não permanecer preso a uma pátria: ainda que seja a mais sofredora e mais necessitada – de uma pátria vitoriosa, já é menos difícil desligar seu coração. Não permanecer preso a uma compaixão: ainda que seja com relação a homens superiores, cujo raro martírio e desamparo um acaso nos permitiu vislumbrar. Não permanecer preso a uma ciência: ainda que ela atraia alguém com as descobertas mais preciosas, que parecem reservadas justamente a nós. Não permanecer preso a sua própria libertação, àquela lasciva lonjura e país longínquo do pássaro, que voa sempre mais longe nas alturas para ver sempre mais abaixo de si – o perigo daquele que voa. Não permanecer presos às nossas próprias virtudes e nos tornarmos, como um todo, vítimas de alguma particularidade nossa, por exemplo, de nossa “hospitalidade”: o que é o perigo dos perigos para almas superiormente constituídas e ricas, que lidam consigo mesmas dispendiosamente, quase com indiferença, e que levam a virtude da liberalidade tão longe até que chegue a se tornar um vício. É preciso saber preservar-se: a prova mais forte de independência.
08/06/2011
Espíritos Livres - Novos Filósofos
11/02/2011
Cansaço do Homem
07/02/2011
Nós, os Ricos de Espírito
08/01/2011
Somente o mais nobre é de máxima dureza
Pois todos os criadores são duros. E vos há de parecer gozo inefável por vossa mão sobre os milênios como se fossem cera. Inscrever na vontade de milênios qual bronze. Somente o mais nobre é de máxima dureza.
01/11/2010
Conservação do que é Enfermo
Tais são os princípios que têm dominado até agora, com sua 'igualdade perante Deus', o destino da Europa, até que acabou formando-se uma espécie diminuída, quase ridícula, um animal de rebanho, um ser dócil, enfermiço, medíocre, o europeu de hoje".
(Friedrich Nietzsche)
30/09/2010
A Transvaloração dos Impotentes
O modo de valoração nobre-sacerdotal - já o vismo - tem outros pressupostos: as quais criam para ele uma situação suficientemente difícil no que concerne a guerra. Os sacerdotes são, como sabemos, os mais terríveis inimigos - por quê? Porque são os mais impotentes. Na sua impotência, o ódio toma proporções monstruosas e sinistras, torna-se a coisa mais espiritual e venenosa. Na história universal, os grandes odiadores sempre foram sacerdotes, também os mais ricos de espírito - comparado ao espírito da vingança sacerdotal, todo espírito restante empalidece.
A história humana seria uma tolice, sem o espírito que os impotentes lhe trouxeram - tomemos logo o exemplo maior. Nada do que na terra se fez contra "os nobres", "os poderosos", "os senhores", "os donos do poder", é remotamente comparável ao que os judeus contra eles fizeram; os judeus, aquele povo de sacerdotes que soube desforrar-se de seus inimigos e conquistadores apenas através de uma radical transvaloração dos valores deles, ou seja, por um ato da mais espiritual vingança. Assim convinha a um povo sacerdotal, o povo da mais entrenhada sede de vingança sacerdotal. Foram os judeus que, com apavorante coerência, ousaram inverter a equação de valores aristocrática (bom = nobre = poderoso = belo = feliz = caro aos Deuses), e com unhas e dentes (os dentes do ódio mais profundo, o ódio impotente) se apegaram a esta inversão, a saber, "os miseráveis somente são os bons, apenas os pobres, impotentes, baixos são bons, os sofredores, necessitados, feios, doentes são os únicos beatos, os únicos abençoados, unicamente para eles há bem-aventurança - mas vocês, nobres e poderosos, vocês serão por toda eternidade os maus, os crueis, os lascivos, os insaciáveis, os ímpios, serão também eternamente os desventurados, malditos e amaldiçoados!..."
Sabe-se quem colhe a herança dessa transvaloração judaica... A propósito da tremenda, desmesuradamente fatídica iniciativa que ofereceram os judeus, com essa mais radical das declarações de guerra, recordo a conclusão a que cheguei num outro momento (Além do Bem e do Mal, §195) - de que com os judeus principia a revolta dos escravos na moral: aquela rebelião que tem atrás de si dois mil anos de história, e que hoje perdemos de vista, porque foi vitoriosa..."
(Friedrich Nietzsche, Genealogia da Moral, Ensaio I, Capítulo 7)
26/09/2010
A Decadência dos Instintos
(Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos)
18/09/2010
A Humanidade do Presente e do Futuro
Olhai! Vou mostrar-lhes o Último Homem:
'O que é amar? O que é criar? O que é desejar? O que é uma estrela?' Assim falará o Último Homem, piscando o olho.
A terra ter-se-á então tornado exígua, nela se verá saltitar o Último Homem, que apequena todas as coisas. A sua espécie é tão indestrutível como a do pulgão; o Último Homem será o que viver mais tempo.
'Descobrimos a felicidade', dirão os Últimos Homens, piscando o olho.
Terão abandonado as regiões onde a vida é dura; pois precisam de calor. Ainda amarão o próximo e se roçarão por ele, porque é necessário calor.
A doença, a desconfiança hão-de parecer-lhe outros tantos pecados; é só preciso ver onde se põem os pés! Insensato é aquele que ainda tropeça nas pedras e nos homens!
Algum veneno de vez em quando coisa que proporciona sonhos agradáveis. E muito veneno para acabar, a fim de ter uma morte agradável.
Trabalhar-se-á ainda, porque o trabalho distrai. Mas ter-se-á cuidado para que esta distração nunca se torne cansativa.
Uma pessoa deixará de se tornar rica ou pobre, são duas coisas demasiado penosas. Quem quererá ainda governar? Quem quererá ainda obedecer? São duas coisas demasiado penosas.
Nenhum pastor e um só rebanho! Todos quererão a mesma coisa, todos serão iguais; quem quer que tiver um sentimento diferente entrará voluntariamente no manicómio.
'Noutro tempo toda a gente era doida', dirão os mais sagazes, piscando o olho.
Ser-se-á sagaz, saber-se-á tudo o que se passou antigamente; desta maneira se terá com que zombar sem cessar. Ainda haverá querelas, mas depressa surgirá a reconciliação, com medo de estragar a digestão.
Ter-se-á um pouquinho de prazer durante o dia e um pouquinho de prazer durante a noite; mas reverenciar-se-á a saúde.
'Descobrimos a felicidade', dirão os Últimos Homens, piscando o olho."
(Friedrich Nietzsche, Assim Falou Zaratustra)
14/09/2010
Força e Liberdade
(Friedrich Nietzsche)
11/09/2010
Sejam nossas virtudes, virtudes do prejuízo!
"A sociedade não reconhece pois senão as virtudes que lhe são proveitosas ou que ao menos não lhe sejam nocivas (as que podem ser exercidas sem dano ou trazendo benefícios, por ex. a justiça). Estas virtudes do prejuízo não podem pois ter nascido na sociedade, visto que, ainda hoje, no seio do menor agrupamento social que se constituia a oposição se eleva contra ela. São estas, portanto, vitudes de quem têm curso entre os homens que não são iguais, virtudes inventadas pelo indivíduo que se sente superior, virtudes próprias ao dominador com este pensamento ultimo: "Eu sou demais poderoso para aceitar um prejuízo visivel, e nisto mesmo tenho uma prova do meu poder": - Por consequencia, uma virtude vizinha à altivez."
Nietzsche, em "O viandante e sua sombra".
"E o que deve ser criador no bem e no mal deve começar por ser destruidor e quebrar os valores."
"Aniquile-se tudo quanto pode ser aniquilado pelas nossas verdades! Há ainda muitas casas a edificar!”
Assim falava Zaratustra.
Sejam nossas virtudes, virtudes do prejuízo!
Fidalgo