por Collin Cleary
(2011)
I
Introdução
Na Edda Poética, Odin narra sua descoberta das runas:
Esta é uma das passagens mais famosas da Edda, e uma das mais misteriosas. Ela parece representar um ato de autossacrifício, através do qual Odin adquire as runas. Mas como Odin pode sacrificar-se a si mesmo? O que isto pode significar? Claro, se Odin é o deus supremo, o Pai de Todos, então não há um deus maior a quem ele possa se sacrificar. Mas isso dificilmente elimina o mistério. Se Odin é o deus supremo, por que ele precisa fazer algo para adquirir as runas? Por que ele já não as possui, simplesmente em virtude de ser Odin? E ainda assim, ele faz algo: sacrifica-se a si mesmo. Este ato (que dá ao termo “autossacrifício” um significado totalmente novo) sugere irresistivelmente que há uma dualidade em Odin; que existem dois “Odins”: aquele que tem o segredo das runas, e aquele que quer adquiri-lo. Neste ensaio — que é um exercício altamente especulativo na interpretação do mito — sugerirei que o Odin que fala nesta passagem, e em geral o Odin que nos é familiar, representa uma metade de uma divindade complexa: a metade que aparece. Odin é a “face” deste deus, que transcende as aparências e nunca nos aparece em sua totalidade.

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