por Michele Fabbri
(2006)
Entre as várias formas do sagrado que se manifestaram no mundo antigo, destaca-se como uma das mais singulares o instituto da prostituição sagrada. Sobre este tema foram escritos vários ensaios, entre os quais o de Cristiano Panzetti, A prostituição sagrada na Itália antiga, que é o primeiro estudo dedicado à prostituição ritual na Itália antiga e que constitui um ponto de partida para investigações adicionais sobre o assunto. A primeira parte do livro descreve o fenômeno em seus caracteres gerais: nas religiões pagãs havia rituais que previam matrimônios sagrados celebrados nos templos, orgias sagradas que propiciavam a fertilidade dos campos, ritos iniciáticos e cultos mistéricos de fundo erótico. Estas cerimônias religiosas eram o legado das épocas pré-históricas, nas quais se praticava o culto da Grande Deusa, o que permite intuir o significado mágico e místico que as populações pré-históricas atribuíam à figura feminina, a ponto de as primeiras organizações sociais se apresentarem com evidentes características matriarcais. Com o advento de formas sociais mais complexas e com a chegada dos povos indo-europeus, as divindades masculinas se manifestam com características heroicas e guerreiras, e as femininas assumem características eróticas mais acentuadas: introduzem-se assim elementos de forte diferenciação sexual.
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