por Geydar Dzhemal
(2012)
Todas as discussões sobre a “Nova Ordem Mundial” que tiveram lugar no discurso social mundial desde os anos 30 do século XX e até os neoconservadores de Bush não foram na realidade mais do que discussões sobre a nova formação político-social que vem substituir tanto o capitalismo como o socialismo. O socialismo via-se a si mesmo como a saída para a fase final do progresso histórico, mas está claro que esta ambição era ignorada tanto no Reich, como nos Estados Unidos do modelo 11 de setembro. O socialismo, em definitivo, não representava uma ruptura radical com a história mundial anterior. Para esta rutura faltava-lhe o principal: não superava o critério liberal da “boa vida” – o livre consumo dos bens materiais.
Claro que no socialismo estava presente a corrente religiosa ascética do anticonsumismo, a visão mística da revolução a partir de baixo, mas esta visão não superava os marcos do cosmismo, estava determinada pelo horizonte do titanismo, arraigado na camada arcaica da atitude perante o mundo. Este cosmismo titânico dentro do conjunto do fenômeno socialista era marginal com respeito à linha geral materialista.









