segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Eduardo Velasco - Esparta e sua Lei

por Eduardo Velasco



Este artigo foi traduzido do blog ES. FONTE
Nota: Velasco é apenas um pseudônimo que "pegou" na dissidência brasileira.
Para ler mais artigos traduzidos do mesmo autor, ver aqui.

Nota da tradução: Depois de uma década, o blog Legio Victrix traz uma nova tradução do livreto "Esparta e sua lei" do dissidente espanhol Velasco. Não se trata de uma revisão da versão antiga, mas uma nova tradução, do zero. O LV foi o primeiro a traduzir esse livreto por volta de 2011, ainda no Orkut, que foi compartilhado em toda a Internet. Agora, novamente na vanguarda, trazemos uma nova tradução, pois o texto anterior foi atualizado pelo autor, de modo que a tradução que circula está obsoleta. Essa tradução é dedicada a todos os dissidentes que, diante das ruínas, permanecem de pé e que guardam em si a Tradição, lutando interna e externamente contras as forças obscuras e titânicas que assolam o mundo. Em suma, esse livro é dedicado para as almas que, tendo nascido no tempo errado, não desistem e estão destinadas a serem as mãos de Deus na luta contra a modernidade. Como diria Nietzsche, todo livro é um escrito de combate.

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Se tivesse que escolher um lema, seria este: “Duro, puro, seguro” — em outras palavras: inalterável. Esse seria o ideal dos fortes, que ninguém derruba, nada corrompe, nada faz mudar; de quem pode se esperar a união com o eterno, porque sua vida é ordem e fidelidade.
(Savitri Devi, "Souvenirs et reflexions d’une aryenne", 1976).


0 - ÍNDICE


1. INTRODUÇÃO
2. ORIGENS DE ESPARTA
3. DESENVOLVIMENTO INICIAL DE ESPARTA: AS GUERRAS MESSÊNIAS
4. LICURGO E A REVOLUÇÃO 
5. A NOVA ESPARTA 
6. EUGENIA E CRIAÇÃO 
7. A INSTRUÇÃO DOS MENINOS 
8. A INSTRUÇÃO DOS ADOLESCENTES 
9. A VIDA ADULTA 
10. AS MULHERES E O MATRIMÔNIO
11. O GOVERNO 
A) A Diarquia
B) O Eforado 
C) O Senado 
D) A Assembleia 
E) Sobre as eleições 
F) Nomocracia: os reis, às ordens das leis 
12. SOBRE A MENTALIDADE PAGÃ, O SENTIMENTO RELIGIOSO ESPARTANO E A SUPREMACIA SOBRE ATENAS 
13. A POLÍTICA DOS ESPARCIATAS PARA COM SEUS INFERIORES: A KRYPTEIA.
14. A GUERRA 
15. A BATALHA DOS TERMÓPILAS COMO EXEMPLO DE HEROÍSMO 
16. HISTÓRIA POSTERIOR DE ESPARTA 
17. O CREPÚSCULO DE ESPARTA 
18. A LIÇÃO DE ESPARTA 
19. A PERMANÊNCIA DO ARQUÉTIPO ESPARCIATA
20. NOTAS

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1 - INTRODUÇÃO

Oh, bem-aventurados tempos remotos em que um povo dizia a si mesmo: “Quero ser — senhor de outros povos!”. Pois, meus irmãos: o melhor deve dominar, o melhor também quer dominar! E onde o ensinamento é outro, ali — falta o melhor.
(F. W. Nietzsche)

Esparta foi a primeira reação massiva contra a inevitável decadência causada pela comodidade da civilização e, como tal, há muito que aprender dela nesta época de degradação biológica e moral induzida pela sociedade tecno-industrial. Os espartanos souberam antecipar-se milimetricamente a todos os vícios produzidos pela civilização e, com isso, colocaram-se no topo da pirâmide de poder de sua região. Todas as tradições militares de elite atuais são, de certa forma, herdeiras do que foi realizado em Esparta, e isso nos indica a permanência da missão espartana.

Neste livro, foram coletados dados de diversas fontes, priorizando as clássicas. O historiador e sacerdote de Apolo no santuário de Delfos, Plutarco (46-125 EC), em suas obras Antigos costumes dos espartanos” e ”Vida de Licurgo” nos dá informações valiosas sobre a vida espartana e sobre as leis espartanas, e muito do que sabemos sobre Esparta hoje é graças a ele. Xenofonte (430-334 AEC), historiador e filósofo que enviou seus filhos para serem educados em Esparta, é outra boa fonte de informação, em seu escrito "Constituição dos lacedemônios". Platão (427-347 AEC), em sua conhecida "República", mostra-nos seu conceito de como um estado superior deve ser governado, enumerando muitas medidas que parecem tomadas diretamente de Esparta, pois nela se inspiraram.

domingo, 15 de novembro de 2020

Leonid Savin - O Coronavírus está alterando o Cenário Global da Cibertecnologia

 por Leonid Savin

(2020)



Uma das consequências da disseminação do coronavírus e das medidas de quarentena que foram introduzidas em muitos países é que isto levou a um aumento na demanda da Internet. Dentro dos países, as autoridades estão tentando regular o tráfego com meios e medidas disponíveis. Um dos gigantes americanos nesta área é a Verizon, que recebeu permissão da Comissão Federal de Comunicações para o uso de um espectro adicional. Na Itália, o tráfego aumentou em março em 70%, na Polônia e na Espanha em 40%. Na Europa, Netflix, Amazon, YouTube e Facebook reduziram a qualidade dos vídeos. A virtualização dos locais de trabalho, o uso de aplicativos de entrega de alimentos, a exibição de diversos conteúdos, tudo isso afetou a largura de banda e o tráfego em muitos países. Além disso, vários países levantaram a questão da relevância da telemedicina. E os mais avançados chamaram a atenção para as capacidades dos supercomputadores em preparar cenários para a propagação de doenças e o desenvolvimento de medicamentos eficazes. E, é claro, tudo isso afetou a segurança cibernética.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Aleksandr Dugin - Introdução à Noomaquia (Lição IV) - O Logos de Cibele

por Aleksandr Dugin

(2018)




Para entender como a cultura indo-européia passou do estágio nômade para o estágio sedentário e o que aconteceu durante essa transição, durante essa mudança na estrutura do momento de Noomaquia, devemos considerar qual era o horizonte existencial que existia em Turan. As tribos indo-européia turanianas turânicas chegaram ao leste da Europa, na Anatólia, nos Bálcãs, no território de Elam na Pérsia, no espaço Indiano, mas todos esses territórios não estavam vazios. Havia alguma outra civilização, havia outros horizontes existenciais, com seu próprio momento de Noomaquia diferente daquele que caracteriza as tribos nômades das estepes. Estamos falando de civilizações pré-indo-europeias que estavam localizadas na Europa, nos Bálcãs, na Anatólia, na Pérsia e na Índia.


Velha Europa


Seguindo a teoria de Marija Gimbutas que mencionamos na lição anterior, existia na Europa, antes da chegada dos indo-europeus, a civilização da “Grande Deusa“, uma civilização muito antiga cujos primeiros pólos estavam localizados nos Bálcãs e na Anatólia. Lepenski Vir e Vinca na Sérvia, Çatalhöyük na Turquia e outros sítios arqueológicos nos contam de uma civilização da Grande Mãe nascida cerca de 7-8 mil anos antes de Cristo. As primeiras ondas migratórias das populações turânicas, por outro lado, aconteceram por volta de 3000 a.C. Portanto, essa civilização existiu antes do aparecimento dos indo-europeus. No caso da Europa, aplica-se o conceito usado por Marija Gimbutas de uma "Velha Europa" ou "Paleo-Europa". Essa civilização paleo-europeia teve seu centro em sítios arqueológicos localizados na Sérvia, Bulgária e outros territórios dos Bálcãs: Karanovo, Starcevo, Tisza, Körös, Panônia, etc. 

domingo, 8 de novembro de 2020

Jean Yves-Camus – Alain de Benoist e a Nova Direita

por Jean Yves-Camus

(2019)


Alain de Benoist nasceu em 1943 em Saint-Symphorien, perto de Tours, França. Ele é considerado o principal pensador da chamada Nova Direita Francesa (nouvelle droite), um movimento intelectual estabelecido na França em 1968 para repensar a identidade europeia e desafiar tanto o marxismo então dominante como a direita liberal hegemônica. Desde o início dos anos 90, a Nova Direita francesa tem sido influente além da França, especialmente na Itália, Alemanha e Bélgica, e inspirou Aleksander Dugin na Rússia. Parte da direita radical americana e da "Alt Right" também afirma ter sido inspirada pelos escritos de De Benoist. Embora isso seja questionável, De Benoist e Dominique Venner também são vistos como os antepassados do movimento "identitário" na Europa. De Benoist já publicou cento e seis livros e mais de dois mil artigos, que foram traduzidos em catorze línguas[1]. Ele é o editor da publicação anual Nouvelle École (Nova Escola) e o redator da revista mensal Eléments, as duas publicações emblemáticas da Nova Direita francesa. É também diretor de uma publicação trimestral, Krisis. O objetivo de De Benoist e da Nova Direita francesa é semelhante ao dos Inconformistas dos anos 30 (um grupo francês que clamava por uma "nova ordem" não-totalitária)[2] e está ainda mais próximo do da Revolução Conservadora alemã, na qual eles se baseiam fortemente. De Benoist foi apresentado à Revolução Conservadora pelo antigo secretário de Ernst Jünger, Armin Mohler, enquanto este último era jornalista em Paris [3]. Fiel às suas crenças conservadoras revolucionárias, De Benoist ainda se propõe a ter uma abordagem crítica em relação ao conservadorismo dominante que é, no contexto francês, herdeiro do partido gaullista e da direita autoritária do século XIX.[4] Ele concorda com os conservadores em questões como preservar os valores tradicionais ocidentais e ter uma visão holística da sociedade[5], mas rejeita fortemente a economia do livre mercado, o primado dos direitos humanos e a herança cristã.

sábado, 31 de outubro de 2020

Aleksandr Dugin - A Metafísica do Guerreiro: A Filosofia pelo Caminho da Espada

por Aleksandr Dugin

(2020)


Hoje falaremos novamente sobre o platonismo e esta conversa será dedicada à metafísica do guerreiro, a metafísica do princípio marcial. Platão não escreveu muito sobre o princípio marcial. Os guerreiros atuam como assistentes dos guardiães em Kallipolis, a bela cidade (que geralmente é traduzida como "Estado ideal"). De tempos em tempos, Platão lembra-se dos guerreiros, mas eles certamente não estão no centro de sua atenção. Ele fala principalmente de filosofia e de filósofos.

Portanto, não podemos destacar o tema dos guerreiros em Platão como um tema à parte, ou seja, tematizar esta questão e, portanto, vamos falar livremente sobre a metafísica do guerreiro, tendo em mente a antropologia geral e a ontologia de Platão, que neste, talvez, contexto mais geral de diálogo, ou melhor, de pensamento, será bastante apropriado.


Três Funções das Sociedades Indo-Européias


É melhor, em minha opinião, começar o tema da metafísica do guerreiro com o modelo clássico do filólogo comparativo francês Georges Dumézil sobre a estrutura trifuncional das sociedades indo-europeias. Nos escritos de Dumézil, ela é descrito de forma tão exaustiva, profunda e minuciosa e corresponde plenamente à visão tradicionalista dos três tipos básicos de homem, as três castas (nas quais insistem o grande tradicionalista René Guénon e todos os seus seguidores, assim como Evola e o próprio Dumézil).

Por outro lado, antropológico ou sociológico, Dumézil leva a conclusões absolutamente idênticas sobre a existência de três castas. É verdade, se para Guénon, as três castas representam o modelo humano comum, ou seja, do ponto de vista de Guénon, a humanidade é dividida em três castas principais e uma casta adicional, e ele considera que esta é uma lei universal, expressa explícita ou implicitamente nas culturas mundiais, mas para Dumézil (e esta é uma correção significativa) a presença incondicional de três funcionalidades é definida apenas para as sociedades indo-européias (ou seja, todas as sociedades indo-européias sem exceção: orientais - indianos, iranianos, indo-europeus do Afeganistão; Ásia Central - Tajiquistão, Paquistão; antigos hititas, assim como, segundo Dumezil, eslavos, bálticos, trácios, helênicos, latinos, germânicos, celtas, ilíricos e todos os outros).

Aqui a questão deve ser colocada da seguinte forma: entendemos o modelo guenoniano e evoliano de que todas as sociedades e todas as culturas são trifuncionais, ou seja, têm estas castas inevitavelmente ou é uma característica das sociedades indo-européias - este é um problema. Dumézil prova perfeitamente que, no caso das sociedades indo-européias, esta é uma verdade absoluta, sem dúvidas. Mas se é possível estender ou não o modelo trifuncional a outras sociedades é outra questão. Vamos deixar isso de lado. Agora vamos tirar de Dumézil a parte positiva de sua tese de que todas as sociedades indo-européias são sem dúvida trifuncionais e têm uma estrutura tripla: independentemente de esta estrutura constituir um fato político, ou seja, reconhecido como três castas, ou ser algum modelo hermenêutico para explicar narrativas, mitos, instituições, modelos éticos, etc. 

domingo, 25 de outubro de 2020

Carlos Fernando Rodríguez – Aleksandr Dugin & Nicolas Gómez Dávila: A Rebelião do Eterno

 por Carlos Fernando Rodríguez

(2019)



História como "Leitmotiv"


Entre os motivos dos atos revolucionários da modernidade, os infames flagelos da escravidão, da servidão, da miséria, da desigualdade, da ignorância e da submissão sempre marcharam por seus caminhos retóricos. Motivações tangíveis e conscientes que transitam da boca dos indivíduos aos parlamentos das grandes sociedades contemporâneas e cujo combate cimenta as razões de ser dos nossos pactos sociais modernistas. Muito menos anunciado é o papel dos conceitos- imagem que são transparentes à nossa compreensão quotidiana da realidade e que, ao contrário das suas qualidades superenfatizadas e sobrestimadas, conformam o núcleo rizomático que emociona o movimento dos homens, das sociedades, das épocas. Falamos das ideias capitais que constroem as visões sobre o mundo, os homens e a história: a grande tríade metapolítica. É especialmente sobre esta última variável da equação - história - que como categoria fundamental, gravita o pensamento profundo de dois grandes gênios mantidos separados por antípodas geográficas, mas reunidos num espírito muito singular da crítica contra a modernidade. Nicolás Gómez Dávila, gênio extemporâneo do pensamento colombiano, e Aleksandr Gel'evich Dugin, grande ilustre da intelectualidade russa; representam dois táxons de uma mesma filosofia, erguendo paralelos na denúncia iliberal e construindo sua crítica, sua poesia e sua análise em torno dos diferentes sentimentos da história que estão sendo reproduzidos até a morte em nossa época contemporânea.

sábado, 17 de outubro de 2020

Giacomo Maria Prati - Julius Evola e a sua Revolução

por Giacomo Maria Prati 

(2019)


“O absoluto não está atrás, mas à frente”.
(Julius Evola, O Problema do Espírito Contemporâneo)

“As revoluções na praça são feitas em nome da burguesia, que cria falsos mitos de progresso”.
(Franco Battiato, Patriotas às Armas)

Temos a certeza que Evola não permanece incompreendido até hoje? Estamos certos de que sua obra pode ser reduzida a uma exaltação de uma Tradição universal, autossuficiente, fim em si mesma? Do ponto de vista espiritual, o pensamento de Evola parece certamente semelhante ao de Guénon ao considerar como existente uma Tradição viva universal supra-histórica e supraconfessional, da qual Guénon expressa o aspecto sacerdotal-contemplativo e Evola a alma heróico-aristocrática, o carisma guerreiro. Mas esta não é uma ideia tradicionalista, mas uma ideia antiga, ainda que nômade e metamórfica, na medida em que já gnóstica, maniquéia, alexandrina.

Foi dentro do helenismo que as tradições hebreias, as culturas neoplatônicas gregas e as heresias cristãs se cruzaram e se influenciaram, na busca de uma co-presença culta e refinada à qual, por um lado, o catolicismo romano e, por outro, o islamismo político se opuseram e combateram ao longo dos séculos. Encontramos a mesma ideia tradicional-antitradicional na obra “Os Grandes Iniciados” de Edouard Schurè e na “Filosofia Perene” de Aldous Huxley, em Eliott e Joyce, na Aurora Dourada, no esoterismo volitivo e demiúrgico de D'Annunzio, nos simbolismos evocativos de Ezra Pound. A ideia da Evola de uma tradição oculta que emerge até nós das brumas do tempo não é novidade. É uma mitologia usada pelos próprios maçons do século XVIII para legitimar uma antiguidade que a maçonaria moderna não possuía. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Aleksandr Dugin - Introdução à Noomaquia (Lição III) - O Logos da Civilização Indo-Europeia

por Aleksandr Dugin

(2018)



Vamos agora aplicar os princípios metodológicos apresentados nas duas primeiras lições a uma realidade concreta. Nós discutimos anteriormente a teoria dos três Logoi [1] e os conceitos de horizonte existencial e historialidade [2]. Agora, vamos aplicar isso à civilização indo-européia [3].

Antes de tudo, vamos lidar com o horizonte existencial indo-europeu. Nesse sentido, é necessário especificar que o conceito de horizonte ou espaço existencial pode ser aplicado em diferentes escalas, tanto para pequenas comunidades quanto para médias ou grandes comunidades, unidas, por exemplo, pelas mesmas origens linguísticas. O que, então, significa um horizonte existencial indo-europeu? Trata-se de um vasto tipo de união, coincidindo com o espaço em que vivem os povos que falam línguas indo-européias. A família de línguas indo-européias inclui as línguas latinas e românicas, o grego, as línguas germânicas, as línguas celtas, as línguas eslavas, o persa, o sânscrito e outras línguas prácritas, o hitita da antiga Anatólia, o frígio, a língua ilíricas, as línguas bálticas, etc. É interessante notar que a língua romani também pertence a essa comunidade linguística indo-europeia; os ciganos têm origens incertas, mas também falam um idioma indo-europeu. O mesmo pode ser dito da língua iídiche: ela também pertence a essa família, sendo uma língua essencialmente germânica. Portanto, o ecumenismo indo-europeu, o horizonte existencial indo-europeu, é mais ou menos coincidente com o espaço habitado pelos povos que falam essas línguas. É um espaço imenso, que cobre um número enorme de populações, e de histórias, muito contraditórias e conflituosas, mas que equivale ao espaço existencial dos povos que falam línguas indo-europeias.

Na segunda lição, vimos que podemos definir povos e culturas, por meio de seu horizonte existencial, pelo espaço, e também através de sua historicididade. Portanto, é correto falar da história indo-européia, ou melhor, da sequência de eventos históricos indo-europeus. Veremos mais adiante em que consiste essa sequência geral de eventos e quais versões ela admite. Agora, em vez disso, focaremos nas principais características do horizonte existencial indo-europeu, a fim de definir o Dasein indo-europeu. O que é o Dasein indo-europeu?

sábado, 26 de setembro de 2020

Sofia Metelkina - Entrevista com Aleksandr Dugin: A Inteligência Artificial é a Humanidade sem Dasein

 por Aleksandr Dugin

(2017)



A humanidade está enfrentando um estágio em que os robôs não são mais praticamente diferentes dos humanos. Os robôs estão agora desenvolvendo uma ética humana, como na série "Westworld", e as pessoas estão gradualmente se tornando andróides. Mais importante ainda, muitos ficam paralisados e atordoados à espera de uma explicação de alguém sobre como "chegamos a esta situação".

O filósofo Alexander Dugin conversou com Geopolitika.ru em detalhes sobre as origens e os aspectos filosóficos da inteligência artificial. Ele expressou sua opinião sobre se o ciborgue ainda é uma criação de Deus, se um "deus computador" é possível e qual, de fato, é a diferença entre um homem-zumbi moderno e um robô equipado com uma rede neural.


Qualquer Inteligência já é Artificial


Como você descreveria a inteligência artificial de um ponto de vista filosófico? Quando se assentaram as bases desta idéia?


Na verdade, o conceito de "artificial" e "natural", em relação ao intelecto, de um ponto de vista filosófico, está dividido ao longo de uma linha muito fina. Porque tudo que é óbvio, como qualquer filósofo sabe, provavelmente está errado. Até mesmo os comerciantes do mercado moderno entendem que a maioria está sempre errada.

Quando falamos de inteligência artificial (de agora em diante IA, ed.), queremos dizer algo específico, mas partimos do fato de que existe um natural. Mas qualquer filósofo questionará esta afirmação: o que significa "natural"? É natural não possuir inteligência, que está espontaneamente presente e não coloca nenhum questionamento entre ela e o mundo, ou seja, o Logos. Então, somente a falta de inteligência é natural. A presença da inteligência é algo complexo, artificial, porque sua principal função é duplicar o mundo que nos cerca com algumas Gestalts, imagens e, em suma, conceitos. O que é a linguagem, ou pensamento, se não a projeção das impressões processadas do mundo externo em uma tela artificial, ou vice-versa, a projeção de idéias ou imagens para fora a partir de algum ambiente apofático interno?

domingo, 20 de setembro de 2020

Giandomenico Casalino - A Epifania de Roma: A Identificação do Público com o Sagrado e do Privado com o Profano

 por Giandomenico Casalino

(2015)


O conceito contido no título deste ensaio pretende explicitar o Evento, providencial para a Europa, da manifestação (Epifania) de Roma como irrupção pelo Alto e do Alto no devir, nos assuntos dos homens, como Ação Espiritual Indo-Européia de natureza revolucionária que funda a Civitas e o Direito Público Ocidental.

Em nossos livros[1] sobre a cultura romana e a forma mental jurídico-religiosa, sempre orientada para as Origens, expressamos, de fato, mesmo de forma implícita, a certeza, como fato científico adquirido, de que, em toda a história romana, o conceito de "Público" é uno com o de "Sagrado" e que, de fato, tudo o que é semanticamente referenciável àquela categoria pertence à esfera desta última. Isto não significa que para a maneira romana de pensar e ver (desde a era arcaica até o final do Império...) o "Público" é sacralizado, entrando, após sua constituição enquanto tal, na esfera do Sagrado. Isso, por outro lado, já teria sido enormemente capaz de gerar legitimidade e poder, como aconteceu no cristianismo medieval (no estúpido e insípido "secularismo" moderno seria essa a única terapia capaz de salvar o "público" da lenta agonia à qual parece condenado por causa das metástases cancerosas que o atingiram!...).

A questão não se dá em tais termos! Na romanidade as coisas são ainda mais radicais! Nela, de fato, o Público não pode existir exceto como Sagrado no sentido de que, no momento em que ele é constituído, o Público se constitui como Sagrado e tudo o que é Público é Sagrado, não pode haver nada Público que não seja Sagrado ou Sagrado que não seja Público. Em suma, o Romano não pode pensar na categoria do Público, em sua própria existência senão como conseqüência de uma identidade originária e primária, em termos lógicos e portanto cronológicos, e é a identificação simultânea das "duas" esferas que somente os modernos, por influência dualismo cristão, vêem de forma dual.