por Alfonso Piscitelli
(2007)
O tema da morte já não é mais tabu no Ocidente há algum tempo. A discussão sobre eutanásia, testamento biológico e a predeterminação do momento de "se deixar partir" fez desaparecer um dos tabus mais enraizados na cultura moderna. O tabu do fim da existência física: aquela reticência em falar abertamente sobre a morte que se manifestava na própria linguagem codificada dos obituários. "Faltou ao afeto dos seus", "veio a falecer..." eram as fórmulas eufemísticas para evitar nomear o convidado de pedra. Hoje, em vez disso, invoca-se o direito de morrer "no momento certo" ou o dever de aceitar que a passagem ocorra sem forçamentos. Ao mesmo tempo, a cultura new age favoreceu a difusão de textos que abordam o tema da morte numa perspectiva "gnóstica", e a própria pesquisa científica, em algumas das suas vertentes "de fronteira", tentou lançar um olhar, se não exatamente sobre o além, pelo menos sobre o que acontece em proximidade com a morte. É interessante entender até que ponto os estudos sobre experiências de quase-morte conduzidos, por exemplo, pelo médico americano Moody, se conciliam com antigos tratados que ilustram as etapas da viagem iniciática por excelência: aquela que conduz à vida ultraterrena.

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