terça-feira, 23 de abril de 2019

Alberto Buela - Popper e Soros: Um Só Coração

por Alberto Buela 

(2019)



Quando há muitos anos líamos “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (1966) de Karl Popper (1902-1994) pensávamos que era uma proposta inocente de um judeu liberal de origem austríaca contra o marxismo, e nunca suspeitamos que este livro pudesse ser hoje a bíblia de seu correligionário George Soros e de sua fundação Open Society, que alenta todas as propostas culturais de que padece o Ocidente: campanhas internacionais a favor do aborto, dos grupos LGBT, feministas, aborígenes na América do Sul e imigração islâmica na Europa. A favor também dos programas de aprendizagem global do inglês (Globish) contra o castelhano. Financiou ultimamente a grande marcha de 6 mil migrantes que partindo de Honduras chegou à América do Norte.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Esaúl Alvarez - Karma e Destino

por Esaúl Alvarez

(2014)



Uma das noções metafísicas que tem sido mais pervertida e desnaturalizada pela new age é a do karma. Chama a atenção em particular que esse termo do karma tenha se estendido amplamente no ocidente uma vez que se nega de maneira fervorosa toda concepção metafísica própria da tradição ocidental, e muito particularmente se nega aquela que vem sendo a contraparte ocidental da ideia de karma: o destino.

Isto demonstra a profunda confusão em que está imerso o homem moderno, que renega tudo aquilo que lhe é mais próprio e próximo -com o consabido argumento do obscurantismo e da superstição- só para acabar abraçando exotismos e modas alheias que não compreende, e que frequentemente resultam ser ainda mais obscurantistas e falsas, quando não obedecem a interesses suspeitos [1].

Se se nega no ocidente a existência do destino não é com base em razões filosóficas ou metafísicas senão em virtude de uma suposta "liberdade individual" de que dispomos para reger nossas vidas e com a qual seria incompatível a ideia de destino. Isso é, se pensa e se decide com base em critérios meramente sentimentais, relativos ao gosto e ao desejo; não importa a verdade. Até aqui tem chegado a debilidade mental do ocidente. 

Desse modo, se certas ideias, como a do destino, são -ou parecem ser a juízo da 'polícia do pensamento' moderno- contrárias à superstição da liberdade, que é um dos 'termos fetiche' da modernidade, então tais ideias devem ser rechaçadas e combatidas. Pouco importa se há ou não nelas algo de verdade, o fato é que são incompatíveis com a ideologia da modernidade.

sábado, 6 de abril de 2019

Alain de Benoist - Tradição?

por Alain de Benoist

(1992)



Existem muitas maneiras de entender a tradição. Sua etimologia é latina, do verbo tradere, que significa “dar, entregar, transmitir diretamente”. Originalmente tradição designava “aquilo que é transmitido” e tinha um significado religioso. A tradição entendida como “a ação de transmitir” foi, no entanto, de uso comum na França até o final do século XVIII e ainda faz parte do léxico jurídico hodierno. Tradere, porém, também significou "trair", no sentido de entregar um homem ou um segredo. No plural, as tradições são geralmente consideradas como parte das características distintivas de uma cultura em um período particular. Elas evocam um corpo de características hereditárias aceitas e imutáveis ​​herdadas dos costumes passados, modos de ser, mas também celebrações, ciclos de trabalho e tradições populares. Tradição aqui implica uma sensação de duração: ela contrasta com a novidade, mesmo que se aceite a sua evolução. Também implica a ideia de padrão ou norma, mesmo que as tradições em questão possam ser contestadas. A tradição engloba o que é permanente e imutável, em oposição à sucessão de eventos e modas. Uma definição mais antiga a descreve como marcando a submissão dos vivos à autoridade dos mortos, englobando costumes e hábitos aceitos (obedecemos às tradições porque sempre o fizemos) que as pessoas modernas denunciam como convenções, preconceitos ou superstições. O termo pode ter um significado positivo ou pejorativo, dependendo do contexto em que é usado. Quando anunciantes e agências de turismo exaltam as virtudes do "artesanato tradicional", eles implicitamente se referem a um conjunto testado de valores e conhecimentos. Tradição aqui evoca qualidade e autenticidade. Mas também pode ser visto como o que é ultrapassado, como no uso da "moralidade tradicional" pelos críticos modernistas. 

segunda-feira, 25 de março de 2019

Aleksandr Dugin - A Quarta Teoria Política e o Logos Italiano

por Aleksandr Dugin

(2018)



A Quarta Teoria Política e o Tradicionalismo de Julius Evola

A publicação italiana de A Quarta Teoria Política tem uma grande importância para mim. Ela está acima de tudo ligada ao fato de que meus pontos de vista foram formados sob a influência decisiva da filosofia do tradicionalismo, da qual um dos pilares (ao lado de René Guénon) é o filósofo italiano Julius Evola. No geral, minhas opiniões estão totalmente baseadas no tradicionalismo, embora eu prefira não repetir as fórmulas e declarações de seus fundadores, mas, a partir de seus princípios, desenvolver concepções e teorias naqueles domínios que, por alguma razão, não eram prioridades para os fundadores do tradicionalismo. No entanto, precisamente o tradicionalismo está na base de todas as minhas investigações, em qualquer esfera que elas possam se relacionar: filosofia, religião, política, geopolítica, sociologia, relações internacionais, a história das civilizações e ideias, etc.

domingo, 10 de março de 2019

Daniele Perra - Heidegger, Guénon e o Multipolarismo

por Daniele Perra

(2018)



É importante adiantar que aplicar as categorias do pensamento heideggeriano, tal como os estudos tradicionais de René Guénon, à geopolítica, é sempre uma operação extremamente complicada, arriscada e suscetível de possíveis mal-entendidos. Todavia a descendência direta da geopolítica da geografia sagrada e do próprio conhecimento sagrado, como bem ressaltado por Claudio Mutti, teoricamente poderia tornar este procedimento bastante fluido. É ademais importante sublinhar que tanto para a geopolítica quanto para a geografia sagrada o conceito de polo preenche um papel crucial, e que para ambos o espaço é mais importante que o tempo. Partindo deste pressuposto se pode desenvolver a ideia de multipolarismo (ou policentrismo) utilizando como pontos de referência dois modelos filosóficos que, apesar de distantes, mostram relevantes pontos de convergência. 

sábado, 9 de março de 2019

Adriano Scianca - Morreu Guillaume Faye, o Homem que mudou o Pensamento Inconformista Europeu

por Adriano Scianca



(2019)

Com o falecimento de Guillaume Faye, morto à noite entre 6 e 7 de março, desaparece da cena metapolítica europeia um dos poucos intelectuais que verdadeiramente mudou o modo pelo qual todos nós pensamos, mesmo em relação aos que nunca o leram, mesmo em relação aos que o leram pensando de maneira diferente sobre tantos temas. Gravemente doente for algum tempo, cuidado por um punhado de camaradas devotados, Faye demonstrou até o fim mais interesse pelo mundo das ideias do que por si mesmo, mesmo às custas de negligenciar a própria saúde para poder continuar a escrever. Apesar de nunca o ter conhecido, nos últimos tempos eu tentei contatá-lo diversas vezes, escrevendo ao e-mail de seu sítio. Ele me respondeu uma primeira vez, concordando com uma entrevista. Mas, quando o havia enviado as perguntas por e-mail, havia declarado não ter recebido nada, pedindo que as enviasse novamente...por carta. Algo bastante singular para um profeta da tecnociência. Fiz uma segunda tentativa, com o fim de cooptá-lo para o Primato Nazionale, onde uma coluna fixa sua teria sido mais do que bem vinda. Não me respondeu mais, provavelmente porque já estava doente.

domingo, 3 de março de 2019

Marzio Boni - O Carnaval: Festa da Tradição Europeia

por Marzio Boni

(2016)



Carros, festas de rua e festas infantis parecem ser suficientes para descrever e trazer à vida nas ruas o significado do carnaval. Diante disso, é necessário recuperar o significado desta festa, a mais atípica dos nossos tempos e que não tem significado religioso, ou civil, mas tem suas raízes na tradição das populações europeias mais antigas. Na Roma arcaica, temos exemplos de festas pré-carnaval que ocorreram no período do solstício de inverno ao equinócio de primavera. Em 15 de Fevereiro, realizava-se a Lupercalia, em honra do Deus silvestre Fauno Lupercus, onde os jovens (luperci - filhotes) envolviam o corpo com peles de animais sacrificados e cortavam outras peles em tiras e correndo e brandindo-as pela rua, açoitavam as pessoas que encontravam pelo caminho. As mulheres estéreis se submetiam aos golpes na esperança de recuperar sua fertilidade. Em 17 de março, por sua vez, se comemorava a Liberalia, festival dedicado a Baco, o Deus agreste da vida (representando a mutabilidade do ânimo exuberante e a energia fecundante da natureza), onde se pendurava pequenas máscaras em um pinheiro e e os cidadãos se abandonavam entre risos, canções e piadas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

John Médaille - Três Erros sobre Economia e um Erro Grave sobre o Homem

por John Medaille

(2018)



Introdução

Desde o tempo de Aristóteles, a economia tem sido considerada como estando dentro do domínio da política e da ética. Acreditava-se universalmente que fora desses âmbitos, a economia era ininteligível porque sem eles ela careceria de um telos, um sentido e um propósito. Mas no século XIX, surgiu a ideia de que a “economia política” poderia ser convertida em uma ciência “pura”, totalmente divorciada de qualquer matriz política, social ou teleológica. Tudo que era necessário era encontrar o princípio “newtoniano”. Tal como Newton havia domado os movimentos complexos dos céus com umas poucas leis simples, da mesma forma deveria haver umas poucas leis simples para explicar os movimentos inescrutáveis dos mercados. Muitos acreditavam que esta tarefa havia sido realizada por A.E. Marshall em 1891 (ano fatídico, este) com a publicação de seu “Princípios de Economia”. Como ninguém havia sido o termo “economia” daquela maneira antes, ele teve que explicar na primeira frase que por “economia” ele queria se referir ao que as pessoas haviam chamado até então de “economia política”. É graças a este livro que a economia pôde, finalmente, reivindicar com alguma plausibilidade o status de uma ciência axiologicamente livre.

O princípio “newtoniano” de Marshall era a utilidade marginal, que empurravam o utilitarismo para o centro da economia. O livro de Marshall se tornou a base da economia do século XX, e o pequeno diagrama que ele traçou no apêndice, que pretende retratar como as curvas de oferta e demanda resultam em um ponto de equilíbrio, se tornou o diagrama mais onipresente e reconhecível na história humana. E enquanto as pessoas discutiam sobre este ou aquele aspecto de suas teorias, seu objetivo principal foi alcançado: a economia, e não a economia política, havia ganho o dia; a “economia” foi resgatada dos paramos da ética e da teleologia para se tornar uma ciência pura, fosse idealista (Mises e os austríacos) ou uma empírica (os neoclassicistas).

Porém, alguns de nós, ainda bastante retrógrados em nosso pensamento, temos afirmado que havia algo não muito correto, algo não muito – se me permitirem dizer – “científico” na nova ciência, fosse em suas formas idealista ou empírica. Alguns de nós, eu inclusive, pensamos que uma ciência humana sem um telos é como um relógio sem ponteiros ou números: um mecanismo interessante, sem dúvida, mas que não serve a qualquer propósito humano discernível, e que não oferece qualquer maneira discernível de dizer se ele está funcionando adequadamente.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Brianna Rennix & Nathan J. Robinson - Por que você odeia a Arquitetura Contemporânea?

por Brianna Rennix & Nathan J. Robinson

(2017)


O autor britânico Douglas Adams disse o seguinte sobre aeroportos: “Os aeroportos são feios. Alguns são muito feios. Alguns atingem um grau de feiura que só pode ser o resultado de um esforço especial”. Infelizmente, essa verdade não se aplica apenas aos aeroportos: também pode ser dita da maior parte da arquitetura contemporânea.

Pegue o Tour Montparnasse, um arranha-céu preto com painéis de vidro, pairando sobre a bela paisagem urbana de Paris como um gigantesco dominó esperando para cair. Os parisienses o odiaram tanto que a cidade foi posteriormente forçada a promulgar uma portaria proibindo qualquer arranha-céu maior que 36 metros.

Ou pegue a City Hall Plaza de Boston. O centro de Boston é geralmente um lugar atraente, com edifícios antigos e uma orla e um belo jardim público. Mas a Prefeitura de Boston é um hediondo prédio de concreto, de formato bizarramente inescrutável, como um componente ameaçador que sobrou depois que você montou meticulosamente um eletrodoméstico complicado. Na década de 1960, antes mesmo de o primeiro lote de concreto secar no molde, as pessoas já estavam implorando preventivamente que a maldita coisa fosse demolida. Há todo um complexo adicional de edifícios federais igualmente desagradáveis ligados à mesma praça, projetado por Walter Gropius, um arquiteto cujo sobrenome hilariante contradiz a total descontração de seus projetos. O Edifício John F. Kennedy, por exemplo - inexoravelmente sombrio por fora, irritantemente inavegável por dentro - é onde, entre outras coisas, imigrantes aterrorizados assistem às audiências de deportação e onde veteranos traumatizados chegam para solicitar benefícios. Um edifício tão inóspito envia uma mensagem muito clara, que é: o governo quer que seus humildes suplicantes se sintam confusos, alienados e com medo.

A Tour Montparnasse. Quem pode defender algo assim? E se há algo claramente errado com isso, o que há, do que se trata e por que não podemos falar mais sobre isso em outros casos?


O fato é que a arquitetura contemporânea dá calafrios à maioria dos seres humanos comuns. No entanto, tente dizer isso para arquitetos e seus acólitos, e você vai ouvir bastante sobre por que seu sentimento está errado, produto de algum equívoco embaraçoso sobre os princípios arquitetônicos. Uma defesa, tipicamente, é que essas coisas horríveis são, na realidade, incríveis feitos de engenharia. Afinal de contas, “blobitetura” - que, lamentamos dizer, é uma verdadeira escola de arquitetura contemporânea - é criada usando algoritmos complicados feitos por computador! Você pode pensar que a estrutura em forma de bolha resultante parece um cocô com tentáculos ou um lenço de papel amassado, mas isso é porque você não tem o olho treinado de um arquiteto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Aleksandr Dugin - As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

por Aleksandr Dugin

(1991)


O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.