por Geydar Dzhemal
(2012)
O principal problema do direito como regulador da vida social é a sua fonte e a sua motivação profunda, essencial. A maioria das pessoas, quando cumpre as regras de trânsito, reparte os bens, dedica-se aos negócios ou, por vezes, responde por um delito, não costuma perguntar-se como surgiu o discurso jurídico no qual vivem imersas.
É claro que toda a gente sabe que as leis são elaboradas pelos juristas e aprovadas pelos parlamentos, mas o que guia os juristas e os parlamentos é um tema que permanece alheio ao homem comum. No entanto, a questão da norma jurídica não é comum, é uma questão metafísica. Na realidade, trata-se de decidir se vivemos dentro de uma existência "incorreta", de uma realidade falsificada, baseada no engano, na injustiça, na opressão... ou se o mundo à nossa volta corresponde a certas normas superiores do "bem e da beleza". É evidente que o direito – a própria ideia de "direito" – tem um fundo religioso. A diferença entre a justiça e a injustiça é uma diferença religiosa. O fato de toda esta problemática se transferir para o terreno da administração laica, "juriscracia" (domínio dos advogados) liberal, etc., não altera as premissas de partida deste problema.
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