por Geydar Dzhemal
(2004)
Para falar da essência religiosa da revolução, não seria demais recordar o conhecido conto das Mil e Uma Noites, em que um pescador tira do oceano com sua rede um cântaro selado com o selo de Salomão. Quando quebra o selo, do cântaro sai um gigantesco e horrendo gênio (ifrit), que diz ter estado encerrado dentro durante três mil anos. O gênio conta ao pescador que durante os primeiros mil anos de encarceramento pensava dar a quem o libertasse todo o ouro do mundo, durante os segundos mil anos pensava cumprir todos os desejos de quem o libertasse e durante os últimos mil anos – matá-lo. Os iniciados costumam interpretar a história com o gênio como uma parábola da influência que a tradição de Abraão exerce sobre a história e o destino da humanidade. Devemos pensar que o gênio (ifrit) representa na tradição islâmica a força ctônica destrutiva, energia de ordem inferior. Está preso no cântaro de barro – substância da qual foi criado o primeiro homem. Para entender a história do ponto de vista do monoteísmo é muito importante compreender que a energia destrutiva de colossal potência está encerrada dentro da matéria úmida e inerte.







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