sábado, 27 de abril de 2019

Boris Nad – Entrevista com Leonid Savin: Nova Idade das Trevas da Europa

por Boris Nad

(2017)



Leonid Savin é um importante representante da nova escola russa de geopolítica, um membro do movimento neoeurasianista e um associado de Aleksandr Dugin. Savin também é editor-chefe do centro analítico Geopolitika.py e do Journal of Eurasian Affairs, bem como chefe administrativo do Movimento Eurasiano Internacional. Ele é o autor de uma série de livros sobre geopolítica e áreas relacionadas: “Rumo à Geopolítica”, “Guerra de Redes”, “Etnopsicologia”, “De Xerife a Terrorista”, “Novos Métodos de Guerra”...

Segundo Leonid Savin, vivemos na época das mudanças súbitas nos paradigmas (geo)políticos e de mudanças radicais nas relações de poder. O poderio americano tem se enfraquecido em anos recentes, novas divisões e crises aparecem no coração do próprio Ocidente. Além da Rússia e da China, novas potências emergem, impérios em potencial, causando uma série de novos conflitos e renovando antigos, do Oriente Médio aos Bálcãs. A crise da União Europeia, impulsionada por uma crise migratória e pelo terrorismo, marca o fim do mito burguês da prosperidade. Tudo isso cria uma situação completamente singular em um mundo completamente globalizado, onde não há mais regras claras.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Alberto Buela - Popper e Soros: Um Só Coração

por Alberto Buela 

(2019)



Quando há muitos anos líamos “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (1966) de Karl Popper (1902-1994) pensávamos que era uma proposta inocente de um judeu liberal de origem austríaca contra o marxismo, e nunca suspeitamos que este livro pudesse ser hoje a bíblia de seu correligionário George Soros e de sua fundação Open Society, que alenta todas as propostas culturais de que padece o Ocidente: campanhas internacionais a favor do aborto, dos grupos LGBT, feministas, aborígenes na América do Sul e imigração islâmica na Europa. A favor também dos programas de aprendizagem global do inglês (Globish) contra o castelhano. Financiou ultimamente a grande marcha de 6 mil migrantes que partindo de Honduras chegou à América do Norte.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Esaúl Alvarez - Karma e Destino

por Esaúl Alvarez

(2014)



Uma das noções metafísicas que tem sido mais pervertida e desnaturalizada pela new age é a do karma. Chama a atenção em particular que esse termo do karma tenha se estendido amplamente no ocidente uma vez que se nega de maneira fervorosa toda concepção metafísica própria da tradição ocidental, e muito particularmente se nega aquela que vem sendo a contraparte ocidental da ideia de karma: o destino.

Isto demonstra a profunda confusão em que está imerso o homem moderno, que renega tudo aquilo que lhe é mais próprio e próximo -com o consabido argumento do obscurantismo e da superstição- só para acabar abraçando exotismos e modas alheias que não compreende, e que frequentemente resultam ser ainda mais obscurantistas e falsas, quando não obedecem a interesses suspeitos [1].

Se se nega no ocidente a existência do destino não é com base em razões filosóficas ou metafísicas senão em virtude de uma suposta "liberdade individual" de que dispomos para reger nossas vidas e com a qual seria incompatível a ideia de destino. Isso é, se pensa e se decide com base em critérios meramente sentimentais, relativos ao gosto e ao desejo; não importa a verdade. Até aqui tem chegado a debilidade mental do ocidente. 

Desse modo, se certas ideias, como a do destino, são -ou parecem ser a juízo da 'polícia do pensamento' moderno- contrárias à superstição da liberdade, que é um dos 'termos fetiche' da modernidade, então tais ideias devem ser rechaçadas e combatidas. Pouco importa se há ou não nelas algo de verdade, o fato é que são incompatíveis com a ideologia da modernidade.

sábado, 6 de abril de 2019

Alain de Benoist - Tradição?

por Alain de Benoist

(1992)



Existem muitas maneiras de entender a tradição. Sua etimologia é latina, do verbo tradere, que significa “dar, entregar, transmitir diretamente”. Originalmente tradição designava “aquilo que é transmitido” e tinha um significado religioso. A tradição entendida como “a ação de transmitir” foi, no entanto, de uso comum na França até o final do século XVIII e ainda faz parte do léxico jurídico hodierno. Tradere, porém, também significou "trair", no sentido de entregar um homem ou um segredo. No plural, as tradições são geralmente consideradas como parte das características distintivas de uma cultura em um período particular. Elas evocam um corpo de características hereditárias aceitas e imutáveis ​​herdadas dos costumes passados, modos de ser, mas também celebrações, ciclos de trabalho e tradições populares. Tradição aqui implica uma sensação de duração: ela contrasta com a novidade, mesmo que se aceite a sua evolução. Também implica a ideia de padrão ou norma, mesmo que as tradições em questão possam ser contestadas. A tradição engloba o que é permanente e imutável, em oposição à sucessão de eventos e modas. Uma definição mais antiga a descreve como marcando a submissão dos vivos à autoridade dos mortos, englobando costumes e hábitos aceitos (obedecemos às tradições porque sempre o fizemos) que as pessoas modernas denunciam como convenções, preconceitos ou superstições. O termo pode ter um significado positivo ou pejorativo, dependendo do contexto em que é usado. Quando anunciantes e agências de turismo exaltam as virtudes do "artesanato tradicional", eles implicitamente se referem a um conjunto testado de valores e conhecimentos. Tradição aqui evoca qualidade e autenticidade. Mas também pode ser visto como o que é ultrapassado, como no uso da "moralidade tradicional" pelos críticos modernistas.