24/05/2026

Julius Evola - O que quer o "falangismo" espanhol?

 por Julius Evola

(1937)


Embora as fases da guerra civil espanhola sejam seguidas por todos com vivo interesse, as ideias que precisamente animam a insurreição das forças nacionais espanholas contra o comunismo não são tão conhecidas: devido a que muitos pensam que a fase ideológica positiva nas revoluções é sempre levada a cabo no período sucessivo.

Nós não somos partidários desta opinião. Acreditamos que o melhor soldado é aquele que combate com um conhecimento preciso de sua causa e que as ideias, já sejam presentes ou confusamente intuídas, mais do que formuladas com clareza, são a realidade primeira em todo processo histórico realmente importante. Agradecemos pois a Alberto Luchini por nos ter introduzido no programa doutrinário de uma das principais correntes nacionalistas espanholas. O da chamada “Falange Española”, vivificando e exaltando suas propostas com os recursos de um estilo de tradução neorromântico, vigoroso, preciso e com felizes improvisações (I Falangisti Spagnoli, Florença, 1936).

O programa é uma profissão geral de Fé política, cuja formulação parece dever-se a José Antonio Primo de Rivera ou ao escritor Giménez Caballero. Por sua riqueza de conteúdo espiritual, a qual nos surpreendeu tanto que cremos muito oportuno assinalá-lo ao público italiano dando, em definitiva, seu significado.

14/05/2026

José Luis Ontiveros - A Cultura e o Guerrilheiro

 por José Luis Ontiveros

(2011)


A cultura é um campo de batalha e sua conquista é uma necessidade que precede a tomada do poder. Tal afirmação baseia-se na revisão feita por Antonio Gramsci do materialismo dialético, quando ele passou, sem que seus críticos tenham percebido, de sua fase marxista-leninista para o atualismo do filósofo fascista Giovanni Gentile, autor da vertente hegeliana de direita do Estado Totalitário, alma da alma como o define.

Esta secreta conversão ideológica ocorre paradoxalmente quando Gramsci está recluso na Ilha de Útica e escreve seus "Cadernos do Cárcere", onde transpõe para o marxismo clássico os valores do fascismo revolucionário que haviam alcançado na Itália um desenvolvimento político próprio, como Lênin havia predito, ao afirmar que Mussolini era o único revolucionário capaz de tomar o poder na Itália.

10/05/2026

Geydar Dzhemal - O Islã Ário

 por Geydar Dzhemal

(1994)


Bismillah al-Rahman al-Rahim...

Quando pronunciamos esta saudação dirigida ao profeta Maomé (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) e a seus companheiros, nós, seguidores da corrente pura do Islã, chamada «mazhabu muhammadi», saudamos os companheiros de Maomé (que a paz esteja com ele) com as palavras: «hurru ayayinu muntajabin», o que significa defini-los como eleitos, nobres, honoráveis e fiéis.

Devo dizer imediatamente que esta definição dos sahabas do Profeta se refere apenas a uma parte determinada dos companheiros do Profeta. Na grande maioria das correntes do Islã, aceita-se a forma «as-sahaba ajma'in», ou seja, a glorificação refere-se a todos os sahabas sem distinção. Esta diferença está relacionada a duas abordagens fundamentais sobre o papel da instituição profética na história da tradição, sobre o papel dos companheiros que rodeiam os profetas e que depois formam aquele corpo, aquela corporação, à qual cabe a tarefa de transmitir esta tradição ao longo do tempo, de preservá-la para as pessoas, ou seja, o que na tradição cristã se denomina Igreja.

Mas antes de passar a uma análise mais concreta dessas diferenças fundamentais e tentar chegar a uma compreensão do que é o Islã puro, primeiro gostaria de dizer que hoje é o segundo dia de jejum, que para todos os muçulmanos é uma festa de ascetismo, de disciplina espiritual, um tempo de mobilização das capacidades mentais e físicas para manter um estado de vigília vertical e realizar o predomínio da consciência espiritual sobre o plano físico. O tema que se formula hoje como título da conferência, «O Islã Ário», pode soar bastante provocador. Para a maioria dos muçulmanos, tem um certo sabor de provocação e, em todo caso, a algo não islâmico, já que o Islã se baseia fundamentalmente na ignorância sobre-humana das diferenças de raça, idioma e origem étnica.

09/05/2026

Collin Cleary - Conhecer os Deuses

 por Collin Cleary

(2011)



I


Um Falso Conhecimento


Existem hoje aqueles que desejam trazer a humanidade (ou uma parte da humanidade) de volta a uma fé mais antiga, pré-cristã. Quase todos esses radicais religiosos afirmam que os deuses existem, mas que os seres humanos de alguma forma se "fecharam" a eles. A explicação mais comum para este "fechamento" é o desenvolvimento da inteligência: o cérebro grande do homem o separou da experiência do divino. Esta explicação é perigosa, pois leva ao anti-intelectualismo (ver, por exemplo, as obras de Jack London, D. H. Lawrence, e outros). É uma teoria que catalogou erroneamente todo uso da razão como "racionalismo", e então postulou que o único remédio é o erro oposto polar, o irracionalismo.

Se perguntarmos aos partidários desta opinião em que consiste a abertura aos deuses, geralmente nos é respondido que significa abertura a certas "forças" naturais que são reconhecidas e percebidas intuitivamente pelos seres humanos na forma de "arquétipos". Encontramos algo semelhante a esta ideia, por exemplo, em Julius Evola: