domingo, 20 de janeiro de 2019

Brianna Rennix & Nathan J. Robinson - Por que você odeia a Arquitetura Contemporânea?

por Brianna Rennix & Nathan J. Robinson

(2017)


O autor britânico Douglas Adams disse o seguinte sobre aeroportos: “Os aeroportos são feios. Alguns são muito feios. Alguns atingem um grau de feiura que só pode ser o resultado de um esforço especial”. Infelizmente, essa verdade não se aplica apenas aos aeroportos: também pode ser dita da maior parte da arquitetura contemporânea.

Pegue o Tour Montparnasse, um arranha-céu preto com painéis de vidro, pairando sobre a bela paisagem urbana de Paris como um gigantesco dominó esperando para cair. Os parisienses o odiaram tanto que a cidade foi posteriormente forçada a promulgar uma portaria proibindo qualquer arranha-céu maior que 36 metros.

Ou pegue a City Hall Plaza de Boston. O centro de Boston é geralmente um lugar atraente, com edifícios antigos e uma orla e um belo jardim público. Mas a Prefeitura de Boston é um hediondo prédio de concreto, de formato bizarramente inescrutável, como um componente ameaçador que sobrou depois que você montou meticulosamente um eletrodoméstico complicado. Na década de 1960, antes mesmo de o primeiro lote de concreto secar no molde, as pessoas já estavam implorando preventivamente que a maldita coisa fosse demolida. Há todo um complexo adicional de edifícios federais igualmente desagradáveis ligados à mesma praça, projetado por Walter Gropius, um arquiteto cujo sobrenome hilariante contradiz a total descontração de seus projetos. O Edifício John F. Kennedy, por exemplo - inexoravelmente sombrio por fora, irritantemente inavegável por dentro - é onde, entre outras coisas, imigrantes aterrorizados assistem às audiências de deportação e onde veteranos traumatizados chegam para solicitar benefícios. Um edifício tão inóspito envia uma mensagem muito clara, que é: o governo quer que seus humildes suplicantes se sintam confusos, alienados e com medo.

A Tour Montparnasse. Quem pode defender algo assim? E se há algo claramente errado com isso, o que há, do que se trata e por que não podemos falar mais sobre isso em outros casos?


O fato é que a arquitetura contemporânea dá calafrios à maioria dos seres humanos comuns. No entanto, tente dizer isso para arquitetos e seus acólitos, e você vai ouvir bastante sobre por que seu sentimento está errado, produto de algum equívoco embaraçoso sobre os princípios arquitetônicos. Uma defesa, tipicamente, é que essas coisas horríveis são, na realidade, incríveis feitos de engenharia. Afinal de contas, “blobitetura” - que, lamentamos dizer, é uma verdadeira escola de arquitetura contemporânea - é criada usando algoritmos complicados feitos por computador! Você pode pensar que a estrutura em forma de bolha resultante parece um cocô com tentáculos ou um lenço de papel amassado, mas isso é porque você não tem o olho treinado de um arquiteto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Aleksandr Dugin - As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

por Aleksandr Dugin

(1991)


O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Nikolai Trubetzkoy - Nacionalismo Pan-Eurasiano

por Nikolai Trubetzkoy

(1927)



Se antes o principal fator consolidando o Império Russo em um único todo era o pertencimento de todo o território deste Estado a um único senhor, o povo russo comandado por seu tzar russo, então agora este fator foi destruído. Surge a questão: que outro fator pode agora fundir todas as partes deste território em um único Estado integral?