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29/06/2025

Alain de Benoist - Nação e Império

 por Alain de Benoist

(1994)


 

Ao examinar a história política europeia, constata-se imediatamente que a Europa foi o palco da elaboração, desenvolvimento e confronto de dois grandes modelos de unidade política: a nação, precedida e, de certa forma, preparada pelo Estado real, e o Império. Compreender o que os distingue, e particularmente identificar os traços específicos da ideia de Império, pode contribuir para lançar luz sobre o seu presente. 

Recordemos, antes de tudo, alguns dados. Rômulo Augústulo, o último imperador do Ocidente latino, foi deposto em 475. Subsistiu, então, apenas o Império do Oriente. No entanto, parece que, após o desmembramento do Império do Ocidente, nasceu uma nova consciência unitária. A partir do ano 795, o papa Leão III data suas bulas não de acordo com o reinado do imperador de Constantinopla, mas sim com o de Carlos, rei dos francos e patrício dos romanos. Cinco anos depois, no dia de Natal do ano 800, Leão III impõe em Roma a coroa imperial sobre as têmporas de Carlos Magno. É a primeira renovatio do Império, que obedece à teoria da translatio imperii, segundo a qual o Império que ressuscitou em Carlos Magno é a continuação do Império Romano, pondo fim às especulações teológicas inspiradas na profecia de Daniel, que previa o fim do mundo após o fim do quarto império, ou seja, após o fim do Império Romano, que havia sucedido os impérios da Babilônia, da Pérsia e de Alexandre. 

01/12/2024

Alain de Benoist - Para Além da Direita e da Esquerda: A Divisão Direita-Esquerda Desaparece

 por Alain de Benoist

(2005)


Todo mundo conhece estas declarações de Alain [o autor se refere a Émile Chartier, filósofo francês comumente conhecido como Alain] que frequentemente citamos: «Quando me perguntam se a divisão entre partidos de direita e partidos de esquerda, homens de direita e homens de esquerda, ainda faz sentido, a primeira ideia que me vem à cabeça é que o homem que faz essa pergunta certamente não é um homem de esquerda». Alain escreveu isso em 1925. Talvez se surpreendesse ao constatar que esta questão, que ele imaginava ser formulada apenas por um homem de direita, hoje está na boca de todos.

De fato, há alguns anos, todas as pesquisas de opinião refletem o fato de que, aos olhos da maioria dos franceses, a divisão direita-esquerda está cada vez mais desprovida de sentido. Em março de 1981, apenas 33% consideravam que as noções de direita e esquerda estavam obsoletas e já não permitiam compreender as posições dos partidos e dos políticos. Em fevereiro de 1986, eram 45%; em março de 1988, 48%; em novembro de 1989, 56%. Esta última cifra apareceu novamente em duas outras pesquisas realizadas pela Sofres e publicadas em 1990 e 1993. Segundo uma nova pesquisa da Sofres publicada em fevereiro de 2002, seis em cada dez franceses, de todas as categorias, consideram que a separação direita-esquerda está obsoleta. 

21/10/2024

Alain de Benoist - Fundamentos Antropológicos da Ideologia do Lucro

 por Alain de Benoist

(2016)


 

Dado que este congresso é dedicado, especificamente, ao lucro e à ideologia do lucro, gostaria de tentar mostrar inicialmente em que a noção de lucro se distingue da de benefício e, em seguida, em que a ideologia do lucro se alinha a um modelo antropológico que se poderia definir como o homem da civilização do lucro. 

Benefício e lucro são frequentemente considerados sinônimos. No entanto, parece-me que eles não têm exatamente o mesmo sentido e, sobretudo, que não têm a mesma abrangência. O benefício é uma noção muito simples. Em sentido estrito, e não no sentido metafórico do termo, ele se refere ao ganho realizado no momento de uma operação comercial ou de uma troca comercial. Ele corresponde, por exemplo, à diferença entre o preço de venda e o preço de custo, ou ainda ao excedente das receitas sobre as despesas, ou seja, a uma simples transformação da riqueza. Constitui uma riqueza recebida em troca de uma riqueza fornecida. 

13/10/2024

Alain de Benoist - Leo Strauss: Atenas frente a Jerusalém

 por Alain de Benoist

(2015)


 

Até alguns anos atrás, o nome de Leo Strauss era pouco conhecido entre os acadêmicos, filósofos e cientistas políticos. No entanto, há algum tempo, ele adquiriu uma celebridade póstuma que, sem dúvida, surpreenderá muitos. Uma série de artigos e livros recentes discute como a “inspiração secreta” dos neoconservadores chegou ao poder nos Estados Unidos com George W. Bush. Esta teoria, lançada em 2003 por William Pfaff em um artigo no Herald Tribune, foi desenvolvida principalmente nos livros de Anne Norton e especialmente Shadia B. Drury: “Strauss – escreveu Drury – é o pensador chave para entender a visão política que inspirou os homens mais poderosos dos Estados Unidos sob George W. Bush.” 

11/10/2024

Alain de Benoist - A Atualidade de Carl Schmitt

 por Alain de Benoist

(2011)


Os estudos schmittianos são como a maré crescente: eles agora se estendem por toda parte. Mal 60 livros já tinham sido dedicados a Carl Schmitt no momento de sua morte, em 1985. Agora, esse número já chega a 430. Paralelamente, as traduções se multiplicam em todo o mundo. As obras completas de Schmitt estão até mesmo em processo de publicação em Pequim. E, nos últimos três anos, colóquios internacionais sobre sua vida e obra foram realizados sucessivamente em Los Angeles, Belo Horizonte (Brasil), Beira Interior (Portugal), Varsóvia, Buenos Aires, Florença e Cracóvia. Portanto, não é exagero falar de um ressurgimento da atualidade de Carl Schmitt. Mas a que isso se deve? 

12/07/2024

Anne-Laure Debaecker - Entrevista com Alain de Benoist: Problemáticas da Identidade

 por Anne-Laure Debaecker

(2023)



Neste livro, você examina a espinhosa questão da identidade. Como explica o retorno dessa questão ao centro das atenções?


Não se trata tanto de um retorno, mas de um surgimento gradual, que é o resultado de um longo processo. Nas sociedades tradicionais, que são sociedades de ordens e estatutos, a questão da identidade dificilmente surge. As coisas mudaram com o advento da modernidade. No século XVIII, a ideologia do progresso incentivou as pessoas a olhar para o futuro e a valorizar as coisas novas, que supostamente seriam cada vez melhores. As tradições herdadas do passado foram desvalorizadas da mesma forma: o passado estava, literalmente, ultrapassado. A antropologia liberal, por sua vez, concebe o homem como um ser que busca maximizar seus melhores interesses em todos os momentos por meio de escolhas racionais que não devem nada ao que está acima dele, à sua herança e às suas lealdades. A desintegração das sociedades orgânicas enfraquece o vínculo social. A pessoa dá lugar ao indivíduo. Os pontos de referência começam a desaparecer, ainda mais porque a aceleração da mobilidade está levando ao êxodo rural e ao desenraizamento. O trabalho, que contribuiu muito para a identidade, também se transforma: o "emprego" está substituindo o ofício, e a insegurança no trabalho está se espalhando.

Mais recentemente, a imigração em massa levou a uma reviravolta nas relações sociais que está exacerbando o problema. O mesmo se aplica à moda de todas as formas de hibridização, apoiada especialmente pelos delírios da teoria de gênero, que defende uma sociedade "fluida", "inclusiva" e "não binária". A diferença mais básica da humanidade, a diferença entre os sexos, está sendo questionada. É o desaparecimento generalizado de pontos de referência em um momento em que todas as instituições estão em crise que acaba explodindo a eterna questão da identidade: Quem sou eu? Quem somos nós? É claro que essa questão só surge de fato quando a identidade se torna incerta, ameaçada ou desaparece completamente.

19/06/2024

Alain de Benoist - O Que é o Racismo?

 por Alain de Benoist

(1999)


Para combater o racismo é preciso saber o que ele é, o que não é uma tarefa fácil. Atualmente, a palavra "racismo" tem tantos significados contraditórios que assume a aura de um mito e, portanto, é difícil de definir. A seguir, tentaremos definir a ideologia racista, independentemente de quaisquer considerações sociológicas. A primeira dificuldade decorre do fato de o racismo ser um Schimpfwort: um termo com conotações pejorativas, cujo uso inevitavelmente tende a ser mais instrumental do que descritivo. O emprego do adjetivo "racista" envolve o uso de um epíteto poderoso. Pode ser uma difamação destinada a desqualificar aqueles a quem o termo é dirigido. Chamar alguém de racista, mesmo que a acusação seja intelectualmente desonesta, pode ser uma tática útil, seja para paralisar com sucesso ou para lançar suspeitas suficientes para reduzir a credibilidade. Essa abordagem é comum em controvérsias cotidianas. Em nível internacional, o termo pode adquirir um significado e um peso que não escondem sua verdadeira natureza e propósito.[1] Devido a uma certa afinidade, o "racismo" pode ser usado como correlato de uma série de outros termos: fascismo, extrema direita, antissemitismo, sexismo etc. Hoje em dia, a recitação quase ritualística desses termos geralmente implica que são todos sinônimos e que qualquer pessoa que se enquadre em uma dessas categorias pertence automaticamente a todas elas. O resultado final é reforçar a imprecisão do do termo e desencorajar uma análise significativa.

27/11/2023

Alain de Benoist - Morte a Crédito

 por Alain de Benoist

(2011)


Ezra Pound, em seu famoso Canto XLV Com Usura, escreve:

Com usura homem algum terá casa de boa pedra
cada bloco talhado em polidez
e bem ajustado
para que o esboço envolva suas faces,
com usura
homem algum terá paraíso pintado na parede de sua igreja
[...]
com usura, pecado contra a natureza,
sempre teu pão será rançosas códeas
sempre teu pão será de papel seco
sem trigo da montanha, sem farinha forte
com usura uma linha cresce turva
com usura não há clara demarcação
e homem algum encontra sua casa.
O talhador não talha sua pedra
o tecelão não vê o seu tear
[...]
Cadáveres dispostos no banquete
às ordens da usura.

Os excessos do empréstimo de dinheiro foram condenados em Roma, como foi testemunhado por Catão, que também escreveu que, se os ladrões de objetos sagrados merecem punição dupla, os usurários merecem punição quádrupla. Aristóteles (Política I, X), em sua denúncia da crematística, ou seja, a obsessão por questões monetárias, parece ser ainda mais radical: 

"Há dois tipos de obtenção de riqueza, como eu disse; uma faz parte da administração doméstica, a outra é o comércio varejista: a primeira é necessária e honrosa, enquanto a que consiste em troca é justamente censurada, pois não é natural e é um modo pelo qual os homens ganham uns dos outros. O tipo mais odiado, e com maior razão, é a usura, que gera lucro com o próprio dinheiro, e não com seu objeto natural. Pois o dinheiro foi planejado para ser usado em trocas, mas não para aumentar com juros. E esse termo 'juros', que significa o nascimento do dinheiro a partir do dinheiro, é aplicado à criação do dinheiro porque a prole se assemelha ao pai. Portanto, de todos os modos de obter riqueza, esse é o mais antinatural".

04/07/2023

Alain de Benoist - Comunitaristas vs. Liberais

 por Alain de Benoist 

(1994)


"O testemunho mais importante e doloroso do mundo moderno, aquele que talvez reúna todos os outros testemunhos que esta era é responsável por assumir [...] é o testemunho da dissolução, deslocamento ou conflagração da comunidade" (Jean-Luc Nancy, La communauté désoeuvrée, Christian Bourgois, 1986, p. 11).


A ideologia liberal, em geral, interpretou o declínio do fato comunitário como intimamente ligado ao surgimento da modernidade: quanto mais o mundo moderno se impunha como tal, mais os laços comunitários iriam se enfraquecer em favor de formas de associação mais voluntárias e contratuais e de modos de comportamento mais individualistas e racionais. Desse ponto de vista, a comunidade aparece como um fenômeno residual, que as burocracias institucionais e os mercados globais estão destinados a erradicar ou dissolver. Toda ênfase dada ao valor da própria noção de comunidade pode, então, ser interpretada como uma "sobrevivência" conservadora, testemunha de uma era passada, ou como parte de uma nostalgia romântica e utópica ("sonho de uma vida simples", uma "era de ouro") ou, ao contrário, como um apelo a alguma forma de "coletivismo". Um tema relacionado é que, em troca do abandono das antigas comunidades, os cidadãos desfrutarão de maior liberdade e bem-estar, destinados até mesmo a serem estendidos ad infinitum, e para os quais a reorganização da sociedade em uma forma racional e atomizada é precisamente a condição. Como podemos ver, todo esse tema está estruturado em torno das noções de progresso, razão e indivíduo.

22/06/2023

Simon Bornstein - Entrevista com Alain de Benoist: "Distinguir a UE da Europa e Sonhar um Nomos da Terra Multipolar"

 por Simon Bornstein e Alain de Benoist

(2023)


A Europa sempre ocupou um lugar fundamental em seu pensamento. Como você a definiria?

Como um continente, uma origem, um caldeirão de culturas e civilizações, uma série de paisagens que me pertencem e às quais eu pertenço. Uma história complexa que, partindo de raízes que remontam pelo menos ao período paleolítico, nunca deixou de evoluir e se enriquecer com novos elementos. Um continente que dá ao mundo seu eixo geopolítico. E também o berço da filosofia, o que significa muito para mim.


Não é hoje o jugo sob o qual os povos se dobram?

Você está confundindo a Europa e a União Europeia. Como foi implementada por seus iniciadores e continuada por seus sucessores, a construção da UE colidiu com o bom senso desde o início. Ela partiu da economia e do comércio, em vez da política e da cultura. Foi estruturada de cima, sob o domínio de um organismo tecnocrático fiel ao centralismo jacobino e ao princípio da omnicompetência, a Comissão de Bruxelas, em vez de se erigir de baixo, respeitando o princípio da subsidiariedade ou competência suficiente em todos os níveis, desde o mais local ao mais geral.

21/12/2022

Alain de Benoist - O Primeiro Federalista: Johannes Althusius

 por Alain de Benoist

(1999)


Johannes Althusius (1557-1638) foi chamado de "o mais profundo pensador político entre Bodin e Hobbes"[1] No século XVIII, no entanto, ele recebeu apenas algumas linhas no dicionário histórico de Bayle: "Althusius, jurista alemão, famoso no final do século XVI. Ele escreveu um livro sobre política. Vários outros juristas se opuseram a ele, porque ele argumentava que a soberania do Estado pertencia ao povo. [...] Nas duas edições anteriores, não mencionei que ele era um protestante, que, depois de ter sido professor de direito em Herborn, tornou-se administrador público em Bremen, e que os jesuítas, em resposta ao Anti-Coton,[2] o categorizaram como um protestante que falava contra o poder real".[3] Edmond de Beauverger dedicou metade de um capítulo a Althusius. [4] Frédéric Atger e, mais tarde, Victor Delbos, discutiram-no muito brevemente.[5] Mas a única apresentação substancial de suas ideias disponível na França é o trabalho de Pierre Mesnard sobre a filosofia política do século XVI. [7] Na maioria dos livros de história publicados depois de 1945, o nome de Althusius é marcado apenas por sua ausência. [7]

05/12/2022

Nicolas Gauthier - Entrevista com Alain de Benoist: "A Ecologia possui uma Força Conservadora-Revolucionária"

 por Nicolas Gauthier e Alain de Benoist

(2018)



Com a demissão de Nicolas Hulot do governo Macron, chegamos a pensar que um ministro da ecologia estivesse definitivamente privado de valor, ao ponto de se demitir. Uma outra oportunidade perdida?


Podemos culpar Nicolas Hulot de muitas coisas, mas ele certamente não é acusável de oportunismo. Não digo o mesmo do seu sucessor, que me parece ter uma boca bem adestrada para engolir as serpentes. Hulot não queria ser um ministro, no final cedeu a pressões e se arrependeu. E foi embora. Mas partindo disse a verdade, isto é, que apesar de todas as besteiras que podem ser ouvidas acerca do “capitalismo verde” e “desenvolvimento sustentável”, a ecologia e a economia obedecem a lógicas inconciliáveis. A ecologia não é compatível com o capitalismo liberal e nem com a lógica do lucro, pois é o seu ímpeto global a causa de toda a degradação ambiental que vemos hoje. É aqui que a palavra de Bossuet deveria ser citada sobre aqueles que deploram as consequências dos que amam as causas.

Desse ponto de vista, um ministro da ecologia pode ser apenas um idiota útil para o momento em que figura. Está lá para “tornar verde” a imagem do governo para simples objetivos eleitorais. Estou seguro de que nesse cargo François de Rugy fará milagres. De fato, enquanto não colocarmos em discussão a obsessão pelo crescimento e consumo, a onipotência da mercadoria, o axioma dos juros e a loucura do produtivismo, nada fundamentalmente melhorará.

20/08/2022

Alain de Benoist - Ucrânia: A Guerra Fria Nunca Acabou

 por Alain de Benoist

(2014)


O caso ucraniano é um caso complexo e mesmo sério (em outra época e sob outras circunstâncias, poderia muito bem ter dado origem a uma guerra regional ou mesmo global). Sua complexidade decorre do fato de que os dados à nossa disposição podem levar a juízos contraditórios. Em tais circunstâncias, é necessário, portanto, determinar o que é essencial e o que é secundário. O que é essencial para mim é a relação de forças que existem em escala global entre os partidários de um mundo multipolar, ao qual pertenço, e aqueles que desejam ou aceitam um mundo unipolar sujeito à ideologia dominante representada pelo capitalismo liberal. De tal perspectiva, qualquer coisa que ajude a diminuir o domínio americano ocidental sobre o mundo é uma coisa boa, qualquer coisa que tende a aumentá-lo é uma coisa ruim.

12/02/2022

Alain de Benoist - Por uma Europa Iliberal

 por Alain de Benoist

(2019)


Senhoras, Senhores, Prezados amigos,

Vou falar de um fenômeno relativamente novo que não está sem relação com o tema deste dia. É o iliberalismo. A palavra é um pouco bárbara, mas seu significado é bastante claro: designa o aparecimento de novas formas políticas que defendem a democracia, mas ao mesmo tempo desejam romper com a democracia liberal que hoje se encontra em crise em quase todos os países do mundo.

O termo apareceu no final dos anos 90 nos escritos de alguns cientistas políticos ilustres, mas foi apenas muito recentemente, em 2014, que ele se firmou junto ao grande público quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, declarou publicamente, durante uma Universidade de Verão de seu partido: "A nação húngara não é um agregado de indivíduos, mas uma comunidade que devemos organizar, fortalecer e elevar também. Neste sentido, o novo Estado que estamos construindo não é um Estado liberal, mas um Estado iliberal". Ele acrescentou que agora é hora de "compreender sistemas que não são ocidentais, que não são liberais e que, no entanto, fizeram certas nações terem sucesso".

O que ele quis dizer com isso? E qual é basicamente a diferença fundamental entre a democracia liberal e a democracia iliberal?

11/12/2021

Alain de Benoist - A Arte Europeia: Uma Arte de Representação

 por Alain de Benoist

(2015)


A maioria das religiões do mundo, não apenas as religiões indo-europeias ou pré-indo-europeias da antiga Europa, mas também as da Suméria e Babilônia, Egito e Mesopotâmia, Índia, Extremo Oriente, África Negra e América, demonstraram ao longo de sua história a preocupação de dar a seus deuses uma representação figurativa. A Bíblia é uma exceção. A proibição de fazer imagens é a segunda palavra (ou segundo "mandamento") no Decálogo: "Não farás para ti nenhuma imagem esculpida, nada semelhante ao que está no céu acima, ou na terra abaixo, ou nas águas sob a terra" (Êxodo 20:4; cf. também Dt 5:8).

A razão para esta proibição, que é repetida várias vezes no texto da Torá, é proscrever e combater a "idolatria". Na Bíblia, a proibição de imagens figurativas está imediatamente relacionada à proibição da adoração de ídolos (óved àvoda zara). O lugar ocupado pela segunda palavra no Decálogo é significativo a este respeito, e é por isso que o texto deve ser lido em continuidade: "Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura [...] Não te curvarás diante delas nem as servirás, pois eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus zeloso que castiga a iniquidade dos pais sobre os filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, mas faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" (Êxodo 20:3-6).

10/12/2021

Campanha de Pré-Venda das obras "Para Além dos Direitos Humanos", de Alain de Benoist, e "Globalização Infeliz", de Diego Fusaro, pela Editora ARS REGIA

 


A equipe da Legio Victrix declara seu apoio à campanha de pré-venda de Natal da ARS REGIA: "Para Além dos Direitos Humanos. Defender as Liberdades", do influente filósofo dissidente francês Alain de Benoist e "Globalização Infeliz: Onze Teses Filosóficas sobre o Mundo do Mercado", do filósofo comunitarista italiano Diego Fusaro.

O filósofo francês traça as origens da ideologia dos direitos humanos, distinguindo entre o pensamento jurídico pré-moderno e o moderno, investigando as raízes da noção de direito subjetivo, apontando a essência ocidental dos "direitos humanos", desnudando a instrumentalização imperialista da narrativa dos direitos humanos e oferecendo outras possibilidades de defender o bem comum e ideias de justiça.

Já o filósofo italiano, em sua obra, expõe detalhadamente a natureza estratificada da sociedade global pós-liberal e pós-moderna, narra o processo de virada totalitária da globalização, aponta para as migrações em massa como expressão da natureza líquida do capital, atualiza o conflito geopolítico fundamental entre Terra e Mar, equipara terrorismo e globalismo, e defende um comunitarismo e a solidariedade entre nações soberanas como resposta ao globalismo.

São dois autores indispensáveis para todos que querem compreender os principais dilemas políticos, filosóficos, jurídicos, econômicos, sociais e culturais do mundo contemporâneo.

Para apoiar e garantir seus livros: 

https://www.catarse.me/para_alem_dos_direitos_humanos_e_globalizacao_infeliz

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11/11/2021

Nicolas Gauthier - Entrevista com Alain de Benoist: "Desigualdades salariais entre homens e mulheres, o conto de fadas das neofeministas"

 por Nicolas Gauthier e Alain de Benoist

(2020)



Continuamos ouvindo isso repetidamente: na França, as mulheres recebem menos do que os homens. Em novembro passado, Marlène Schiappa declarou que, para habilidades iguais, as mulheres são pagas "em média entre 9% e 27% menos" do que seus colegas homens. Isto é confiável?

Nem por um momento, e é fácil de demonstrar. Mas falar de "desigualdades salariais" é ter uma visão já tendenciosa. Se compararmos os salários de um homem e de uma mulher na mesma posição, no mesmo nível, na mesma empresa e no mesmo lugar, vemos que a diferença é insignificante, se não inexistente. Um gerente de empresa que, por "machismo", quisesse reduzir sistematicamente os salários das mulheres, não teria possibilidade de fazê-lo porque a lei o proíbe. Este também tem sido o caso nos Estados Unidos desde a adoção do Equal Pay Act, em 1963.

02/09/2021

Alain de Benoist - Sobre Homens e Animais

 por Alain de Benoist

(2021)


O pensamento antigo - com Tales, Anaximandro, Heráclito, Xenófanes e muitos outros - era fundamentalmente monista. A partir da constatação de opostos, não se derivava o dualismo, mas a conciliação dos contrários. Na Antiguidade, a divindade não era confundida com os homens, os homens com os animais, os animais com o mundo vegetal, os vegetais com matéria inanimada, mas a cada um era atribuído um nível diferente dentro de um processo contínuo de percepção. Para os antigos, tudo era vivo, tanto humanos quanto animais, a partir de um princípio de vida e movimento, que os gregos chamavam de psyche, um termo geralmente traduzido como "alma" (note-se que o termo latino anima está na origem da palavra "animal").

Para Aristóteles, o homem é meramente um animal dotado de logos, o único animal "racional". Note, entretanto, que Aristóteles não diz que o homem é o único ser dotado de razão, mas que ele é o único "animal dotado de razão", fórmula que mostra claramente o que une o homem e o animal e, ao mesmo tempo, o que os diferencia. Para Aristóteles, a alma do homem difere da dos animais no sentido de que o homem pode acessar o pensamento conceitual e extrapolar noções gerais a partir de suas percepções singulares, mas esta diferença, embora decisiva, é ao mesmo tempo relativa: não se trata de uma ruptura clara entre o mundo animal e o mundo humano, mas de uma escada ininterrupta do mundo inanimado até Deus. Em outras palavras, Aristóteles reconhece a unidade do mundo, do mundo inteiro, e introduz uma hierarquia nele.

21/03/2021

Nicolas Gauthier - Entrevista com Alain de Benoist: A Lógica do Capitalismo

por Nicolas Gauthier e Alain de Benoist

(2018)


Apesar das repetidas promessas dos políticos da direita e da esquerda, nada parece estar freando o aumento do desemprego. Isso é algo inevitável?

Oficialmente, há 3,5 milhões de desempregados na França, o que representa uma taxa de 10.3% de desemprego. Mas esse número varia dependendo de como é computado. As estatísticas oficiais levam em consideração apenas os desempregados que estão ativamente procurando um emprego, deixando de lado as categorias B, C, D e E (os estão procurando emprego, apesar de ultimamente estarem trabalhando de modo reduzido; os que pararam de procurar emprego, mas ainda estão desempregados; os que estão em formação; os estagiários, os que estão trabalhando sob “contratos subsidiados”, etc.). Somando todas essas categorias, chegamos a uma taxa de desemprego real de 21.1% (mais do que o dobro dos números oficiais). Se nos remetermos à taxa geral da população inativa em idade de trabalho, chegamos aos 35.8%. Além do mais, se levarmos em consideração os trabalhos perigosos, de tempo parcial ou de prazo determinado, bem como a porcentagem dos trabalhadores abaixo da linha de pobreza, esse número só aumenta.

Indubitavelmente, mudanças no desemprego dependem das políticas oficiais − mas apenas até certo ponto. O desemprego atual não é mais de natureza cíclica, mas fundamentalmente estrutural, algo que muitos ainda não compreenderam completamente. Isso significa que o trabalho está se tornando uma commodity escassa. Os empregos perdidos estão cada vez menos sendo substituídos por outras aberturas de vagas. É claro, a expansão do setor de serviços é real, mas o setor de serviços não gera capital. No mais, vinte anos para a frente e quase a metade desses empregos no setor de serviços será substituída por redes de máquinas. Imaginar, portanto, que algum dia retornaremos ao pleno emprego é uma ilusão.

30/12/2020

Nicolas Gauthier - Entrevista com Alain de Benoist: Mesmo na Idade Média o Confinamento dos Sadios Nunca Acabou com Qualquer Pandemia

 por Nicolas Gauthier e Alain de Benoist

(2020)


Agora que as coisas parecem estar em vias de apaziguamento, podemos dizer que o governo, mesmo tendo obviamente sido pego com as calas nas mãos, fez em excesso ou não fez o suficiente diante da epidemia, ou fez apenas o que podia?

Não há outra palavra para isso: a resposta do governo ao Covid-19 foi verdadeiramente calamitosa. Cinco meses após a epidemia, ainda não atingimos a capacidade de triagem que deveríamos ter tido quando ocorreram as primeiras mortes. O governo primeiro se refugiou na negação (não chegará nós, é uma gripezinha), após o que assistimos a um desfile interminável de confusões, de instruções contraditórias e mentiras de Estado. Nada havia sido previsto, apesar de muitas vozes terem se levantado nos últimos anos para prever uma nova pandemia vinda da Ásia. A causa principal está na incapacidade dos poderes públicos de pensar além do curto prazo. Mas a causa mais fundamental é que, para se conformar às regras da ideologia liberal, o setor de saúde pública tem sido submetido aos princípios de rentabilidade, da concorrência e da gestão just-in-time, o que tem levado ao fechamento de milhares de leitos, à destruição dos estoques de reserva e à crescente precarização do pessoal já mal pago. Em outras palavras, integramos ao sistema de mercado uma área que, por definição, está fora do mercado. O resultado tem sido um colapso generalizado da capacidade hospitalar pública.