por Gianluca Donati
(2018)
"Camarada Corto Maltese", este foi o título de um encontro cultural realizado em um círculo da CasaPound há alguns anos, desencadeando as mais desordenadas reações e indignações da família do autor das obras de Corto Maltese, o mestre Hugo Pratt. A perplexidade foi argumentada pelo fato de que historicamente, Maltese era considerado no imaginário coletivo como pertencente à "cultura da esquerda", por exemplo, Corto é filho de uma prostituta cigana, é um verdadeiro nômade (sem casa ou família), libertino de certa forma, portanto tendendo a ser "anárquico" ou "anarcoide" (e os dois termos não colidem). A intenção da discussão da CasaPound era, ao invés disso, analisar possíveis "atitudes fascistas", como o fato de que o marinheiro acreditava na camaradagem, é um anti-herói rabugento, individualista, mas pronto para ficar ao lado daqueles que sofreram injustiças, pronto para se lançar nas causas perdidas; além disso, Maltese é um amante romântico e aventureiro. Essas obras de "literatura desenhada" (como Pratt gostava de chamar), surgiram num período, o dos anos 70, em que a aventura era oposta pela política e pela crítica, porque era considerada, politicamente, "não engajada".
