por François-Xavier Consoli
(2025)
Pupilo da Nação aos 14 anos, veterano das guerras da Indochina e da Argélia, deputado na Quarta República em 1956, ao mesmo tempo pescador, mineiro, editor de discos, fundador do partido político francês mais odiado da história, desbocado e indomável perante o Eterno, o pirata Jean-Marie Le Pen teve o mérito de conduzir sua vida como bem entendia. Vituperado e vomitado por uns, erigido como um menir inabalável por outros, ele permanece uma característica, sem dúvida bretã, que fez desse matador da política o que ele é e por que marcou as mentes: seu inegável lado punk.
Eram muitos os abutres da moral que aguardavam impacientes que o velho batesse as botas. No dia 7 de janeiro de 2024, seu desejo foi atendido. Aos 96 anos, ele parte para se reunir com sua tão amada Joana d'Arc e outros bretões intrépidos: Robert Surcouf, Éric Tabarly e até Jack Kerouac (que tinha origens bretãs). Uma vida longa para um homem que legiões inteiras de eleitores e ativistas do amor desejavam ver queimar na fogueira. Eles poderão, morbidamente, se regozijar com um espumante morno ou uma cerveja diluída. Isso não tira nada do imperturbável gesto de desprezo, durante e após esta vida, que Jean-Marie Le Pen dirigiu aos defensores do politicamente correto.
