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01/05/2025

Alejandro Linconao - A Espiritualidade na Natureza

 por Alejandro Linconao

(2020)


O homem clássico se reconhecia como parte da natureza. Não entendia nada como estando fora do universo; nada de ordem material ou imaterial escapava a ele. Homens e Deuses, rochas e oceanos, as estrelas e o universo inteiro compartilhavam uma mesma morada. O reino dos mortos era um âmbito a mais dentro dele, assim como são os cumes das montanhas. O divino estava na natureza e não era externo a ela.

A natureza, segundo o pensamento clássico derivado de Hesíodo, era eterna e incriada, sempre existiu. Também Heráclito e Parmênides compreendiam o universo como incriado e imperecível. Não criado por nenhum deus ou homem, é eterno, sempre foi e sempre será (Heráclito, 1981, pp. 336-340). Mesmo outras cosmogonias, como a de Tales de Mileto ou Anaxímenes, que derivam o universo da água ou do ar, entendem que nada escapa ao natural.

04/01/2023

Alejandro Linconao - Desterritorialização e Virtualidade

 por Alejandro Linconao

(2022)


A operação russa na Ucrânia teve importantes implicações econômicas globais, com particular relevância na esfera energética. Esta questão, por sua vez, é muito mais ampla e faz parte de um conjunto maior de mudanças.

Na modernidade, tudo se liquefez, tudo perdeu sua forma e se entrelaçou. Das relações, aos estratos étnicos dos Estados, às religiões, ao poder. Junto com a queda do patrimônio material que moldou famílias e povos, as referências individuais e grupais diminuíram. Onde antes uma nacionalidade, algo compartilhado por grandes grupos de pessoas, era um fator vinculante, agora ela foi substituída por uma tribo virtual ou uma preferência sexual. A partir da fusão do sólido, passamos à virtualização, acompanhada de uma consequente desterritorialização.