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13/03/2014

Anthony Ludovici - As Cinco Virtudes Cardinais Femininas

por Anthony M. Ludovici



Na mulher eu reconheço algumas das principais virtudes que garantem a continuidade da espécie humana no planeta:

(1) Constância irrefletida frente as demandas da vida;

(2) Interesse incansável nos processos da vida e sua multiplicação (que em suas ramificações menores leva àquela preocupação intensa por todas as questões humanas, que, na linguagem injuriosa, é chamada de 'um amor pelas fofocas');

(3) Uma capacidade para bravura desesperada em defender ou socorrer vida humana;

(4) Uma capacidade para devoção unidimensional a sua prole (que em suas ramificações menores não raro se manifesta na virgem, e na solteirona de todas as idades, como uma devoção unidimensional a um propósito, uma idéia ou uma causa);

(5) Uma capacidade para pureza ou castidade corporal, que no tipo mais apaixonado de mulher se baseia em um instinto de se resguardar até que seu coração e suas afeições sejam capturadas (isso em suas ramificações espirituais leva à obstinação, conservadorismo ou fanatismo intelectuais. Assim, a cidadela de opiniões de uma mulher, como sua cidadela corporal, só está sujeita a capitulação quando seu coração e suas afeições são domados).

Essas cinco virtudes cardinais da mulher constituem sua reivindicação eterna à glória e o respeito; em cada uma delas ela é uma senhora natural, uma virtuosa talentosa. Essas virtudes tem tanto valor para a espécie humana, que elas lançam sombra sobre cada catálogo de defeitos e vícios que pudesse ser levantado contra elas por um Weininger ou um Schopenhauer, e aquela que as possuir pode até se dar ao luxo de perdoar um Weininger ou um Schopenhauer.

Nobres como essas virtudes são em si, elas podem ainda reivindicar a mais alta sanção e testemunho que um caráter humano pode receber - a sanção e testemunho da própria sobrevivência humana, sem a qual nenhuma virtude no mundo pode esperar durar ou prevalecer, e pelo lado da qual o mero aplauso e aprovação de uma ou muitas gerações de homens não é mais que um par de foles soprando vento.

Para apreciar essas virtudes da mulher com seu justo valor, porém, uma geração mais forte e mais vital de pessoas é necessária do que qualquer uma que já apareceu, na Inglaterra pelo menos, pelos últimos 250 anos. O próprio fato de que, no dia atual, o consenso geral de opinião entre homens concederia à mulher um conjunto bem diferente de virtudes é sinal suficiente da decadência que ocorreu.

Hoje, por exemplo, um Parlamento de ingleses ou anglo-saxões falaria, ao enumerar as virtudes da mulher, sobre:

(1) Sua influência moralizante na sociedade;

(2) Seu altruísmo (o que quer que isso signifique);

(3) Seus poderes de auto-sacrifício (isso é o resultado de valores doentios e uma confusão de pensamento...);

(4) Sua intuição (um grande mito, o resultado do hábito feminino de dizer a primeira coisa que entra na cabeça, e que, segundo as leis do acaso, deve estar certo às vezes);

(5) Se humanitarismo (um equívoco malicioso) - todas essas qualidades fracas ou pelo menos fictícias, que nenhuma mulher de sangue jamais faria mais do que fingir possuir, e que fizeram Huxley dizer que a 'virtude da mulher era a mais poética ficção do homem'!

Se, porém, escolhermos nos fixarmos nas cinco virtudes cardinais que deriva diretamente do grande impulso vital dentro dela, e pensar nas muitas virtudes úteis menores que emergem delas, nós temos uma lista que, se menos açucarada que a de cima, é ao mesmo tempo mais dura e mais compatível com a realidade.

Do (1), que chamamos de a constância irrefletida frente as demandas da vida, podemos ver os seguintes como derivativos:

(a) A constância da mulher frente as circunstâncias (e portanto o homem) que lhe permitem confrontar as demandas da vida;

(b) Seu senso intensamente acurado de auto-preservação, quando o perigo que a ameaça não é promotor de vida. Isso explica sua cautela, sua sagacidade em suspeitar do que não é familiar, e seu nervosismo em espaços públicos, ou em plataformas de trem, em navios, e na vizinhança de cavalos indóceis, etc.

(c) Seu rápido reconhecimento do fato de que um dado ambiente não pode garantir as demandas da vida, daí sua mobilidade, tratabilidade, docilidade, amenabilidade, e prontidão para seguir sob grande risco pessoal, até o tempo em que ela haja encontrado o ambiente que possa assegurar as demandas da vida. Em todas as comunidades em que casamentos são difíceis devido ao excesso de mulheres, as garotas demonstram uma tendência a frequentemente mudarem de ambiente, e são bastante inconscientes que ao assim fazer elas estão aplicando táticas que são calculadas para lhes permitir corresponder às demandas da vida. Assim, elas deixarão o lar para estudar economia política ou letras, e quando isso não der certo elas passarão a cuidado infantil ou enfermagem, e se isso não der certo elas tentarão trabalho de secretária, dando como razão a cada mudança que o trabalho anterior "não as satisfazia". Se a pressão econômica compelir, elas vão é claro ser forçadas a permanecer em uma ocupação, quer ela satisfaça as demandas da vida ou não, mas aqueles que podem se dar ao luxo, como regra, permanecerão inquietas até que encontrem um ambiente que lhes prometa fertilização.

(d) Sua habilidade de resistir a quaisquer números de inconveniências e desconfortos, desde que as demandas da vida estejam garantidas para ela, daí seu estoicismo na pobreza ou quaisquer outros tipos de incômodos, apesar do fato de que seus filhos partilham disso; daí sua alegre coragem naquelas inconveniências vitais conectadas com a existência nas quais as demandas da vida estão sendo preenchidas: doença, o barulho incessante de muitas crianças, o trabalho duro que um número de filhos impõe sobre uma mãe pobre, etc., etc.

(e) Sua habilidade de tratar toda vida emocionalmente. A própria qualidade da constância irrefletida perante as demandas da vida envolve uma atitude impulsiva frente a elas. Eu usei a palavra "irrefletida" de propósito. É porque a mulher não pausa para refletir sobre se é adequado ou expediente ou correto que ela deva realizar uma certa ação para corresponder às demandas da vida que se pode confiar tão constantemente nela para que ela a realiza com precisão. Se ela refletisse, isso pressuporia hesitação, portanto atraso, portanto possivelmente inação. Mas deve ser lembrado que essa atitude é puramente emocional, e já que o negócio da vida, com as várias relações que a família cria, é basicamente uma questão de emoções também, e não das faculdades reflexivas ou racionais, segue que a tradição ou história da vida mental da mulher está majoritariamente confinada ao jogo e exercício das emoções. A vida, ao menos no que concerne a mulher normal, é uma questão de afeição, de ligação e devoção, primeiro ao homem de seu coração, e finalmente aos filhos de seu sangue. Onde se deve esperar dela ser experiente, habilidosa e versátil, portanto, é precisamente nessa esfera das emoções, pois apenas elas são capazes de dirigir aquela forma irrefletida de ação que as demandas da vida impõem sobre ela. Uma senhora do sentimento, portanto, não podemos esperar que ela seja tão capaz em reflexão.

Do (2), que chamamos o interesse incansável nos processos da vida e sua multiplicação, podemos ver as seguintes derivações:

(a) A prestatividade e prontidão femininas a serem usadas em todas as circunstâncias na casa de um vizinho, amigo ou parente, em que ela entre em contato próximo com as questões mais sérias da vida, nos momentos de parto, doença grave, e morte, e particularmente em momentos de grandes tumultos domésticos, tais como tempos de discordâncias sérias, e todas as ocorrências trágicas entre casais. O fato de que essas virtudes envolvem necessariamente um amplo interesse em questões humanas, que um amor do escândalo é uma contraparte quase inevitável delas, não é difícil de visualizar.

Os males da fofoca, porém, são grosseiramente exagerados. Todas as pessoas decentes, humanas e amantes da humanidade se regozijam no escândalo, e eu jamais encontrei uma mulher digna de ser conhecida que não fosse uma fofoqueira inveterada. "O estudo apropriado da humanidade é o Homem", disse Pope, e ele estava inteiramente correto. Mas o que é a fofoca, e a discussão exaustiva de seus conhecidos, parentes e amigos, senão uma descrição essencial daquele "estudo apropriado"? Maridos que não simpatizam com o amor de suas mulheres por escândalo, e que se recusam a jogar conversa fora com elas sobre a vida alheia, são usualmente homens inumanos e estreitos, homens do tipo que fazem bons engenheiros, matemáticos, químicos e marinheiros ou exploradores. Esses homens vão esperar que suas mulheres percam o fôlego quando eles discutem esporte ou algum outro tema fútil tão remoto quanto possível da humanidade, e ainda assim demonstrarão impaciência se suas mulheres discutirem as relações maritais de seus vizinhos.

(b) Essa virtude torna as mulheres muito observantes das pequenas características humanas. E se as mulheres são, via de regra, tão boas mímicas e imitadoras, é em parte devido ao interesse com o que elas observam outros homens e mulheres (a outra razão para seu poder de imitação eu darei mais abaixo). As mulheres frequentemente tirarão as conclusões erradas dos traços que elas observam - isso eu não nego - mas o ponto interessante é que elas usualmente observam os traços.

Do (3), que chamamos bravura desesperada na defesa e socorro da vida humana, nós podemos ver os seguintes derivativos:

(a) A prontidão para correr risco mortal por seu próprio filho (muito comum); por um marido (muito raro, exceto nos primeiros momentos do casamento, quando os filhos ainda não chegaram); por uma criatura humana amada de qualquer tipo.

(b) Uma certa ousadia estúpida e desastrada em enfrentar grandes desvantagens em prol de alcançar um propósito vital (uma mulher atacará um homem com o dobro do seu tamanho e três ou quatro vezes mais fortes nesses momentos).

(c) Uma capacidade para um ódio virulentamente implacável para com inimigos, enganadores ou traidores daqueles que ela ama.

(d) No âmbito do espírito, uma prontidão para realizar um feito insano de intrepidez para defender ou promover uma idéia (Miss Emily Davidson naquela maravilhosa correria na direção do cavalo do Rei no Derby de 1913. Nós abominamos a causa pela qual ela lutava, mas honramos e admiramos a unidimensionalidade singular com a qual ela ela e as outras militantes sufragistas lutaram por isso).

Do (4), que chamamos uma capacidade para devoção unidimensional a sua prole, podemos ver as seguintes derivações:

(a) A tenacidade de propósito da mulher em servir e cuidar daqueles que ela ama.

(b) Sua infatigável industriosidade em prol daqueles que dependem dela, de modo que ela é capaz de, como um cavalo, trabalhar até a morte, desde que ela ame e saiba que é amada.

(c) No âmbito espiritual, sua capacidade para adesão fanática a uma causa, crença, fé e seu duro antagonismo àqueles que se opõem a essa causa ou fé.

(d) Seu orgulho em sua prole e sua consequente tendência a subvalorizar ou desprezar a prole alheia. Quando esse sentimento é estimulado a seu zênite pelo fato de que a prole alheia calha de ser a prole da ex-possuidora do amor de seu homem, tem-se as crueldades inauditas da madrasta. Assim, na natureza da mulher o bem se funde ao mal, e o mal se funde ao bem...

Tudo conectado com essa virtude é de imediato tão útil à raça, e tão único e inesquecível como experiência individual, que parece apenas adequado pausar por um momento aqui para insistir em um ou dois de seus traços mais marcantes. Deixando de lado os primeiros meses e anos quando a única força entre a indefesa e dependente vida e a morte, ou pelo menos negligência, é precisamente esse instinto materno, esse cuidado ciumento, quando a infância inarticulada não pode nem reconhecer, devolver agradecimentos, nem, o que talvez cause mais perplexidade, realizar todos os mil e um serviços que são alegremente realizados de modo a promover seu crescimento e seu conforto; deixando de lado, também, aqueles momentos de vigília silenciosa, da sentinela insone, em que, durante tempos de perigo, cada respiro é uma oração, e cada sorriso uma canção de graças; nós gostaríamos mais particularmente de nos concentrar naquele período da tenra infância, naquela idade da língua enrolada e passo incerto, quando a maior parte daquilo que vai ser de utilidade para a vida, e de fato a maior parte daquilo que jamais é esquecido na vida, é aprendido ao lado da mãe. Não que gostaríamos de reduzir a importância do primeiro período, cujo aspecto mais importante é, talvez, a alegria que é sentida por cada lado em simplesmente desempenhar seu papel designado, mas sim porque no período posterior ambos os lados são conscientes dessa mesma alegria, e estão em posição de prolongá-la, transmutá-la e preservá-la, até muito após aquela idade em que as posições se invertem, e a dependência começou do lado da outrora protetiva mãe.

Há no filho de uma boa mãe um espírito tão confidente, tão receptivo, tão perfeitamente confiável, que possivelmente em nenhuma outra idade estão os pré-requisitos para uma boa educação tão completamente presentes do que naqueles primeiros anos de vida em cuja aurora uma dobra da saia da mãe ainda oferece uma quantia substancial de apoio para pernas que ainda estão aprendendo a portar poder e equilíbrio. O que acontece então, e como acontece, obviamente nunca será adequadamente lembrado, pois lições são dadas e lições são aprendidas sem esforço consciente suficiente de qualquer lado para o método ser tomado objeto de um conhecimento exato. Mas o resultado é gradualmente tornado manifesto pela maravilhosa transformação de um pequeno animal não-articulado, cujo horizonte completo está limitado por comida, sono e exercícios aparentemente despropositados, em uma criatura que pode expressar seus desejos, demandar explicações das coisas, aprender a reconhecer as primeiras regras de comportamento decente e, o que é mais, lançar sua própria luz fresca sobre os problemas da existência. E se o que é aprendido posteriormente possa, do ponto de vista da utilidade material, ter um aspecto mais imponente e menos caótico, certamente nada que ele deixou de aprender nesse período jamais será adquirido em qualquer fase subsequente de sua existência. Não pode ser dito que ele dominou qualquer sistema definido de pensamento, ou que ele memorizou algum fato particular notável; não se pode nem dizer que ele aprendeu a paciência e gentileza que sua mãe constantemente exibiu em seu cuidado dele. Não obstante, ele aprendeu coisas que, em verdade solene, podem ser ditas sem preço.

Que não seja suspeito, porém, porque podemos encontrar apenas vaga fraseologia para nosso propósito, que queremos reivindicar para essa educação inicial um caráter indispensável que ele realmente não possui. O que é então que torna quase impossível dar uma descrição mais estreita dela sem perder toda noção de sua magnitude e importância? É o fato de que dessa educação são derivadas aquelas qualidades de coração e mente que, ainda que dificilmente alguma vez referidas nos momentos críticos na vida de um homem, estão não obstante entre as armas mais poderosas e úteis da vida. O homem que teve uma boa mãe aprendeu a sentir uma certa confiança em seus próprios esforços, porque o melhor nele foi diligentemente buscado, encorajado e aflorado; ele adquiriu uma certa sanguinidade e coragem vigorosas porque, tendo começado tão bem a vida, sob luz matutina tão gloriosa, ele é consciente do calor armazenado dentro de si, no qual ele pode se apoiar em seus momentos de solidão, tristeza e problema; mas, acima de tudo, ele foi impelido ao mundo com pelo menos uma experiência sólida, uma impressão inapagável da bondade e beleza humanas, e isso, enquanto lhe dá um critério perpétuo de valor e crítica, escudando-o do baixo e mundano, também o previne de alguma vez sentir aquele desespero e dúvida sobre si mesmo e seus semelhantes que em momentos de profundas tribulações paralisa o esforço e preclui a possibilidade de esperança.

É a isso que se resume o equipamento com o que uma mãe amorosa pode dotar seu filho. À parte das alegrias derivadas das profundas emoções filiais, e daquela relação singular de uma mãe para com seu filho, estes estão entre os principais benefícios que a relação necessariamente envolve. A maioria dos grandes homens da história devem sua grandeza parcialmente a esse equipamento; a maioria dos grandes homens na história - Schopenhauer, Byron, de Quincey - cujo relacionamento com suas mães não foi ideal, revelam em suas obras os efeitos dessa deficiência; e aquele que se aventura a questionar que aqui, de fato, eu pus o dedo no que é quintessencial na educação que uma boa mãe dá a seu filho, e incapaz de substituição satisfatória por qualquer outros meios em sua ausência, é um daqueles infelizes de quem a vida subtraiu essa mais preciosa de todas as bençãos.

É aqui que a mulher se destaca; é aqui que ela pode desafiar toda competição, e é nesse papel que o melhor nela, e algo do melhor na humanidade, é desenvolvido e sustentado. Qualquer outra coisa que ela possa fazer sempre será inferior a isso, e aqueles que, por falsificações e apelos à vaidade, a convençam enquanto ela ainda é jovem de que há vocações melhores que, ou pelo menos tão boas quanto, a maternidade para ela são inimigos não apenas da mulher, mas também da espécie.

Do (5), que chamamos a capacidade para pureza corporal ou castidade, que está baseada em um instinto para resistir à fertilização até que o coração e a afeição estejam comprometidos, podemos ver as seguintes derivações:

(a) A tendência da mulher a uma certa dignidade e orgulho, que chega a seu zênite no momento do mais caloroso apelo feito pelo amante que não conseguiu conquistar seu coração e afeto. Isso, do lado espiritual, leva a um poder de renitência contra o convencimento e persuasão, que frequentemente torna uma mulher um poderoso e confiável aliado em um movimento secreto ou intriga secreta.

(b) Como as demandas da vida tornam necessário, uma vez que a mulher abandone sua atitude de casta resistência, para se render plenamente e sem reservas ao macho, há em toda mulher uma certa sequiosidade, uma certa docilidade, uma predileção marcada em favor da subserviência e subordinação àqueles que conquistaram seu afeto, o que torna a mulher a mais naturalmente constituída seguidora, discípula, serva que é possível encontrar.

Do lado espiritual, isso faz dela agudamente sujeita a direção e orientação, a receptividade, a sugestão e imitação. Mas vendo que essa sequiosidade, imitação, seja em relação a opinião, modos ou moda, é o reverso de produção original e envolve uma ausência ou uma fraqueza do poder iniciador da personalidade, estamos obrigados a reconhecer na mulher, como consequência direta de sua rendição física e psicológica necessária, uma vez que a atitude de castidade tenha sido abandonada, uma falta de poder originador, uma falta daquela atitude da mente que toma e não espera ser tomada, e que está por trás de toda emancipação, agressão, originalidade e inventividade masculinas. Essa, de fato, é a outra razão que antes dissemos que ainda daríamos para o poder de imitação da mulher. Assim Arabella Kenealy chama o instinto sexual "na garota normal, responsivo ao invés de iniciativo".

Dessa quinta virtude, que, quando a atitude de castidade é abandonada, se torna convertida em sujeição e submissão, é assim derivada a elasticidade da mulher, sua plasticidade, sua prontidão para assimilar e se formar segundo o padrão de outro, e sua habilidade de se adaptar às circunstâncias.

Em todos esses derivativos das cinco virtudes cardinais da mulher podemos traçar a conexão certa, mas indireta, com o primum mobile vital em sua natureza, que é sua preocupação profunda com a vida e sua multiplicação. Pelo mesmo princípio, portanto, deveria ser possível enumerar os vícios cardinais da mulher e suas manifestações auxiliares. Pois se as virtudes de uma criatura são o resultado de seus instintos, sua formação corporal e as funções que ela tem que realizar, seus vícios devem certamente ter uma origem similar

17/07/2012

Em Defesa das Mulheres Falsas

por Anthony Ludovici



Na mulher positiva só se pode reconhecer aqueles vícios que são inseparáveis de suas funções como promotora e preservadora da vida, para todos os outros vícios que ela possa ou não ter em comum com o homem. Aqueles que são constantemente característicos dela são: (1) duplicidade e indiferença em relação à verdade, (2) falta de gosto, (3) vulgaridade, (4) amor pelo poder medíocre, (5) vaidade e (6) sensualidade.

Estes seis vícios cardeais tem sido reconhecidos nela em todas as eras; eles tem sido censurados e deplorados, mas ninguém até agora, até onde eu sei, já os traçou de volta a um princípio vital básico interior a ela. Ninguém jámais disse sobre eles, por exemplo, o que eu digo deles: que tentar erradicá-los de sua natureza significaria atacar a garantia mais sólida que possuímos de sobrevivência humana.

Enquanto discuto os vícios menores e derivativos que descendem desses seis vícios cardeais eu, porém, também demonstrarei a conexão destes últimos com o princípio vital feminino, já que em alguns casos isso não é óbvio à primeira vista.

Diferentemente do homem, cuja natureza é mais variegada e mais sujeito a variação, a mulher é possuída por um primum mobile que nós podemos reconhecer - isto é, ela é movida por um motivo determinante que nós podemos observar em operação. Como vimos, esse primum mobile faz dela a principal custódia e preservadora da vida, e a principal promovedora da multiplicação da vida. De fato, essas duas funções constituem sua importância principal, e a imbuem de grande poder e grande valor. Tudo o mais na mulher é de menor importância. Se, portanto, assumirmos nessa fase de nosso tratado - pois a questão já foi várias vezes demonstrada - que o ímpeto incessante e inconsciente da mulher positiva é em direção à vida e sua multiplicação, nós podemos esperar e encontrar na mulher todas as virtudes que garantem a sobrevivência da espécie, e todos os vícios que a própria vida revela na busca desse mesmo objetivo.

Vendo que a busca da vida e sua multiplicação é, na natureza, uma atividade que não é embaraçada por qualquer tipo de consideração moral, nós podemos nos perguntar, se em vistas da dificuldade de melhorar os métodos da Natureza nesse sentido, e em vistas, ademais, do fato de que a mulher é uma criança da Natureza, se nós não estamos justificados em reconhecer na mulher um primum mobile que também é completamente amoral.

Se nós estamos assim justificados, então se segue que todas as características mais profundas da mulher, como as características da Natureza, não são morais, mas imorais, não são sociais, mas associais, não são legais, mas ilegais.

Vamos prosseguir para examinar essa afirmação de modo mais próximo. As características mais profundas da mulher são consideradas por nós como imorais. O que isso significa precisamente? Nós temos admitido que o que constitui o maior valor de uma mulher e seu maior poder é que ela é a principal sustentadora das funções vitaus: a promoção e preservação da vida. Se, portanto, ela também é imoral, isso deve querer dizer que no cumprimento de seu destino ela tem que correr contrariamente, como faz a Natureza, a nosso padrão de integridade moral. Portanto, que se ela fosse moral isso seria um obstáculo no caminho de seu destino. Mas como ela revelará essa imoralidade ou amoralidade? Meinha resposta é: sendo, como a Natureza, completamente inescrupulosa nos meios que ela adota para atingir seu fim vital - quer dizer, mais atenta ao fim vital do que a qualquer outra coisa, como verdade, honra, justiça, fair play, etc. Pois moralidade significa escrúpulos, ela envolve a necessidade de considerar escrúpulos como obstáculos no caminho de certas ações. Se, portanto, nós podemos mostrar que a mulher, como a Natureza, é inescrupulosa em sua promoção e preservação da vida, nós teremos nos encaminhado em direção a estabelecer o fato de sua imoralidade.

Antes, porém, de prosseguirmos nisso, nós deveríamos lembrar a todos os leitores, que a esse ponto podem começar a sentir suas bochechas remexendo de indignação, que, já que a partir do ponto de vista do otimista é desejável que a espécie humana sobreviva, uma elevada sanção prevalece sobre a inescrupulosidade vital da mulher, independentemente do quão surpreendentes e inesperadas suas consequências se provem. Por exemplo, se, como esperamos já ter abundantemente demonstrado, a preocupação principal e mais profunda da mulher é a multiplicação e preservação da vida, é óbvio que, quando confrontada com uma situação na qual uma mentira assegurará seu fim vital, e uma em que a verdade a derrotará, ela naturalmente e instintivamente escolherá a mentira; não porque ela necessariamente prefere mentir, mas porque ela está mais preocupada com o fim em vistas do que com os meios que ela adota para alcançá-lo, e cada mentira para ela é uma mentira "branca" que garante seu fim vital. Se, então, a partir de uma indiferença vital pela verdade ela ultimamente revele uma indiferença ordinária à verdade nas circunstâncias comuns e menos vitais da vida quotidiana, nós devemos culpar não uma perversidade fundamental de sua natureza, que pareceria sugerir que a obliquidade moral é um elemento enraizado e inerradicável de sua psiquê, mas uma característica auto-preservativa da faça que, ainda que se manifestando, como ocorre, desnecessariamente e provocantemente nas questões quotidianas, não obstante, se completamente ausente, provaria ser a mais séria ameaça à sobrevivência da humanidade. Na forma de uma símile nós poderíamos dizer que, assim como o bom atirador perturba nossos momentos silenciosos com sua prática incessante de tiro, e seu desejo insaciável de acertar tudo, ainda assim nós aplaudimos e defendemos seu amor por sua arma de fogo e sua perícia com ela quando em tepo de guerra ele e seus similares defendem nossos lares e a nós ao darem conta de números dos inimigos.

Isso está claro? Em inglês direto, para pegar um caso extremo, se uma garota deve estar equipada com aquela habilidade para embustes e pequenas mentiras que, apesar das circunstâncias adversas, lhe permitirão garantir um amante e um marido e uma grande família cedo na vida; se, ademais, ela deve estar preparada para chegar a extremos para defender e promover o bem-estar de suas crianças (como todas as boas mães estão), e também garantir sua sobrevivência e sucesso acima de outras e possivelmente de crianças mais merecedoras ou melhores (como todas as boas mães estão preparadas para fazer); se, ademais, em suas relações com seu marido e suas crianças, ela deve demonstrar aquele tato e diplomacia que sempre lhe garantem a vitória nas negociações domésticas; então, me parece, que nós temos uma criatura cujos dons especiais se estenderão para além de sua família e suas preocupações vitais, e invadirão todas as outras circunstâncias de sua vida, e que irá inevitavelmente praticar embustes e pequenas mentiras naquelas condições em que a vida, sua multiplicação e preservação não estão necessariamente em questão.

O fato, porém, de que tal criatura possa ser detectada de novo e de novo em algum ato de inescrupulosidade, não necessariamente concernente diretamente à vida ou algum interesse vital, não significa que ela é perversa ou depravada pura simplesmente, como fins em si mesmos, mas simplesmente que sua inescrupulosidade vital não pode ser bem confinada ao negócio da vida e sua multiplicação, e não pode existir como uma característica útil de seu ser, sem se manifestar em condições e circunstâncias nas quais nenhuma consideração vital está em jogo. Em outras palavras, se você tiver que escolher entre um bom cão doméstico que o protegerá de ladrões à noite, você deve alertar o leiteiro e lixeiro, ainda que eles não possuam intenções desonestas ao entrar em seu jardim, para que não se aproximem dele, pois sua característica útil acaba se manifestando em circunstâncias e condições nas quais sua utildiade não é vital.

Quando do folclore e do mito, de provérbios nacionais e da tradição, e de livros sagrados das religiões mais antigas, portanto, nós aprendemos que a mulher é duas-caras ou falsa ou traiçoeira ou desleal, enquanto nós não podemos esperar que essas fontes de informação nos deem também suas razões para seu veredito,  nós temos pelo menos um indício de que algo mais profundo está em jogo do que uma obliquidade mental. Pois se poderia pensar que séculos de educação teriam erradicado essas características das mulheres e que, se isso falhou, algo mais essencial à natureza da mulher do que uma mera perversão mental pode ser a causa. Nem é o bastante apontar, como faz Lombroso, para a fraqueza relativa da mulher, a suas perturbações funcionais periódicas, a sua modéstia, etc. para responder por um traço tão universalmente atestado.

A mulher positiva que é desleal com seu marido ausente não é desleal por fraqueza: ela é desleal devido ao impulso vital de seus importantes órgãos reprodutores, que, após um longo desuso, clamorosamente demandam emprego. A mulher que mente sobre sua idade, ou sobre seus antecedentes, ou sobre qualquer outra circunstâncias de sua vida, de modo a assegurar um marido ou amante, não o faz porque ela é relativamente mais fraca do que o homem que ela deseja, mas porque, novamente, sua mente inconsciente a impele a buscar a fertilização a qualquer custo.

A injustiça da atitude da maioria dos psicólogos e outros homens em relação ao fenômeno da inconfiabilidade e falsidade nas mulheres consiste no fato de que eles condenam sem compreender; enquanto aqueles que nem condenam nem compreendem, teimosamente, estupidamente e sentimentalmente negam mesmo diante de toda a evidência avassaladora em prova de sua existência. Mas quando você admite que a duplicidade e a deslealdade nas mulheres são parte de um princípio vital que garante a multiplicação e preservação da vida, e serve aos melhores interesses da espécie, você não tem mais o direito de condenar essas mesmas características quando elas calham de operar em circunstâncias e condições inconvenientes para si mesmo. Não se pode sempre esperar ter as duas coisas, e se a espécie se beneficia por um certo princípio feminino ela deve esperar pagar por esse princípio em algum lugar, em algum momento.

Tentar tornar a mulher perfeitamente honesta e honrada seria, portanto, um ataque ao impulso mais vital que existe nela - aquele impulso que faz com que ela seja ávida ao ponto da inescrupulosidade em garantir e preservar a multiplicação da vida. E ainda assim há muitos sábios tolos, tanto homens como mulheres, que solenemente se designaram para esse objetivo, e estão tentando alcança-lo por todos os meios a sua disposição.

Se nós observarmos a própria Natureza engajada na mesma tarefa que constitui a principal preocupação feminina na vida, nós observamos a mesma inescrupulosidade. A Natureza não se detém por nada para alcançar este fim. Todos os meios são válidos para ela: rapina, falsidade, ilusão, usurpação de direitos, furtividade, roubo, invasão e completa indiferença a qualidade e desejabilidade.

A vida na Natureza é um processo contínuo de conflitos interraciais e intrarraciais por poder e supremacia, sem princípios, exceto aquele de "mais vida" em cada raça ou espécie, governando o todo. Cada espécie se comporta como se apenas ela tivesse o direito de existir sobre a terra, independentemente de todas as outras reivindicações. O fato de que há mais espécies de parasitas do que de qualquer outro tipo de organismo mostra que esse processo universal de rapina e falsidade é perseguido sem qualquer exercício natural de favor pelo que, a partir do ponto de vista humano, possa ser chamado de desejabilidade. O parasita mata o gênio humano tão prontamente quanto ele mata a vaca, e os gafanhotos devoram a comida que é o único sustento da ovelha e seus carneirinhos. Sem escrúpulos e sem favores, o único clamor da Natureza é "vida!" e cada vez mais "vida!", e se o sucesso na luta recai sobre o que chamaríamos de espécies mais "nobres" ou para as "inferiores" é uma questão de total indiferença para ela...



21/12/2011

Anthony M. Ludovici - Em Defesa do Mal Gosto

por Anthony M. Ludovici


A falta de gosto fundamental da mulher é o fato a que atribuí os dois mitos de Pandora e Eva, nos quais a mulher é descrita como a causa da queda do homem e da introdução do mal na Terra. Demonstrei esse mau gosto fundamental, apontando para a incapacidade das mulheres de selecionar e reconhecer os melhores homens e sua preferência geral por homens inferiores, sendo a razão dessa preferência a maior facilidade com que esses últimos são governados e favorecidos pelo amor das mulheres pelo poder mesquinho.

Eu também demonstrei que esse mal gosto está enraizado na atitude da mãe em relação a sua cria, que, consistindo basicamente em um prazer no exercício do poder mesquinho sobre uma criatura indefesa, faz com que a mulher não apenas prefira o bebê em relação à criança crescida mas também frequentemente prefere a criança deficiente ou fisiologicamente estragada em relação à forte e sadia, por causa da impotência mais permanente dos primeiros. Eu também demonstrei como as mulheres preferem cães pequenos em relação a cães grandes pela mesma razão, e lembrei o leitor que os romanos sabiamente deixavam para o pai a decisão sobre quais de seus filhos deveriam sobreviver e quais deveriam ser suprimidos, porque eles sabiam que as mulheres, não tendo gosto e sendo guiadas apenas por aquilo que mais gratifica seu desejo por poder mesquinho, não poderiam ser confiadas a tomar uma decisão sábia.

Eu também atribuí à prevalência e ascendência das opiniões e sentimentos das mulheres atualmente o fato de que o mundo está se tornando tão feio e degenerado (fisicamente), pois apenas se assumirmos a atitude feminina de carinho irracional por aleijados e fisiologicamente estragados podemos considerá-las com algo mais que desprezo e impaciência.

O que eu não fiz foi demonstrar a ligação entre o mal gosto, ou falta de gosto, fundamental da mulher, com o princípio vital inato a ela, e isso eu farei agora. Isso, porém, não provar-se-á difícil, pois consiste simplesmente em enfatizar a profunda semelhança da mulher com a Natureza em buscar cegamente a vida e sua multiplicação a qualquer custo.

Se pensarmos na situação imensamente precária do recém-nascido ou do animal, sua falta de qualquer meio de protação, de mobilidade e sua incapacidade de buscar alimento independentemente, sua falta de calor e frequentemente até do equipamento para preservar calor (roupa no infante humano, e pêlo e penas no animal jovem e no pássaro respectivamente), nós percebemos imediatamente a imensa importância para a espécie de um instinto mater que faz da provisão de todas essas deficiências uma alegria, uma necessidade apaixonada, em verdade um prazer pelo qual vale a pena lutar.

Se a criatura recém-nascida deve ser preservada e a espécie deve sobreviver, não deve haver qualquer brecha, qualquer fenda ou rachadura concebível, na armadura do instinto natural através da qual qualquer dúvida, qualquer hesitação, possa penetrar em relação à urgência imediata e desejabilidade de prestar socorro. O momento na vida da jovem criatura é muito crítico, a situação é muito precária. Aqui temos a impotência lastimável, a dependência patética, a vulnerabilidade exterma. O futuro da espécie depende dessas qualidades não confiáveis serem tornadas confiáveis pela única criatura nos arredores da criatura jovem que, estando necessariamente presente em seu nascimento, está em uma posição de oferecer os primeiros socorros.

Se então houvesse qualquer desculpa ou pretexto para indecisão, qualquer reclamação sobre a questão da desejabilidade, o "melhor da linhagem", o "mais promissor da ninhada", etc., o próprio futuro da vida estaria na balança, o precioso instinto que garante a segurança e a sobrevivência da criatura jovem seria minado ou pelo menos não impeliria irrefletidamente para fazer a coisa certa do jeito certo.

Deve haver um impulso irracional e acrítico para socorrer, para aquecer, para proteger e para alimentar, senão a celeridade, a precisão e a disposição com as quais essas funções devem ser realizadas seriam fatalmente prejudicadas, desastrosamente dificultadas. Que a luta pela existência seja cada vez mais severa subsequentemente, uma coisa deve permanecer garantida e inviolável, e esta é que o instinto materno não deve ter qualquer desculpa para falhar, ele não devem mesmo ser capaz de pausar para questionar, para eleger ou escolher. O discernimento nesse momento tornaria a sobrevivência duvidosa, mas não pode haver, não deve haver, qualquer dúvida.

Além disso, se a evolução orgânica é verdadeira, ela depende da operação de três fatores: (1) a sobrevivência dos mais aptos através da ação da (2) seleção natural, com (3) o aparecimento ocasional de variações de tipo.

Agora, se a fêmea da espécie tiver que exercer discernimento antes de socorrer sua cria, se suas ações tiverem que ser deliberativas e não impulsivas, o que ocorre com essas variações que, quando afortunadas, levam a um novo desenvolvimento da espécie ou efetivamente a uma nova variedade de espécie? Variações afortunadas são tão incomuns quanto variações desafortunadas. Mas se o instinto feminino é preservar a vida, ela preservará uma tão apaixonadamente quanto a outra. A discriminação provar-se-ia fatal para ambas. O próprio processo de evolução orgânica, se for um fato, depende portanto da falta de discriminação no instinto materno, e a hipótese da evolução orgânica certamente a assume.

O instinto na fêmea de socorrer a vida jovem de qualquer tipo, portanto, é útil ao esquema da Natureza. É um fator indispensável no plano da Natureza. Nos animais inferiores ele é demonstrado pela facilidade com a qual pode-se fazer da fêmea de uma espécie agir como mãe adotiva à cria de uma outra. Livros de história natural mencionam muitos desses casos: gatas que criaram lebres e esquilos, galinhas que criaram patos, e as instâncias naturais clássicas de pássaros como o caminheiro, a alvéola, etc., criando filhote do cuco. Este, é claro, é um abuso parasitário na Natureza do instinto feminino indiscriminado de socorro, mas não obstante é um excelente exemplo do fato que eu tenho tentado estabelecer.

É verdade que na espécie humana essa falta de discriminação na fêmea opera como preservadora tanto de variedades desejáveis como indesejáveis, mas como em todas as civilizações modernas o pai não tem mais permissão, como ele tinha nas antigas Esparta ou Roma, de subjugar a falta de gosto da fêmea nessa questão, e variações indesejáveis são mais comuns do que os gênios, segue-se que o ponto-de-vista feminino, agora que ele é apoiado pelo Estado e pela opinião pública, deve levar à sobrevivência de um vasto número de seres humanos indesejáveis em nosso meio.

Assim, apesar de o instinto humano feminino ser visto como vital, e ainda que sua falta de gosto deva ser considerada como parte do esquema geral da vida, ele deve tender atualmente a uma enorme quantia de degeneração.

Este, porém, não é precisamente nosso ponto. Os fatos que queremos estabelecer são, em primeiro lugar, que no papel feminino de mãe o instinto cedo de socorrer, de proteger e de preservar a criatura indefesa que ela carrega é de vital importância para a raça; e, em segundo lugar, que este instinto cego necessariamente envolve uma incorrigível e enraizada falta de gosto.

O fato de que subsequentemente - quer dizer, quando a cria indesejável, seja ela deficiente, cretina ou idiota, crescer - ela é frequentemente amada pela mãe mais do que todos os seus filhos sadios não é mais que uma confirmação do que eu estou tentando afirmar, pois demonstra que aquilo que agrada à mãe verdadeira, e que segundo todo nosso argumento deve agradar, não é a excelência particular de um certo filho, nem sua reivindicação a qualquer forma particular de desejabilidade, mas simplesmente sua impotência.

E já que no deficiente, no cretino e no idiota a impotência é prolongada a uma idade bem mais avançada do que na criança sadia, é aos primeiros que a maternidade insofisticada e simplória naturalmente se inclina.

As consequências dessa fundamental e vital falta de gosto nas mulheres é, evidentemente, considerável.

Quando nós lemos no Livro das Leis de Manu que "as mulheres não se importam com a Beleza", quando Lombroso e Ferrero, discutindo o gosto feminino, afirma que "em geral, a beleza e a inteligência as deixam indiferentes", e quando nós encontramos Rousseau dizendo que "as mulheres em geral não gostam ou apreciar a arte", nós nos sentimos inclinados a levantar objeções, porque nós sabemos de instâncias individuais de mulheres que demonstraram um destacado senso de beleza.

Nem Lombroso, Manu, ou Rousseau nos dizem, porém, que suas respectivas afirmações apenas referem-se a manifestações específicas e superficiais de uma lei profunda e inalterável. Uma vez que percebamos esta lei, nós vemos que estes homens devem estar certos; não, porém, porque mulheres individuais demonstram uma indiferença em relação à beleza, mas porque o sexo como um todo não possui gosto, e que, onde quer que o discernimento pela beleza seja pronunciado em uma mulher, ela ou diverge do tipo ou passou por uma influência educacional especial.

Nós somos mais aptos a compreender agora o motivo pelo qual as formas de arte foram todas elas invenções masculinas, ainda que elas algumas vezes tenham sido bem imitadas por mulheres, e o motivo pelo qual as roupas, mesmo aquelas que enchem os guardarroupas de mulheres, são todas derivadas de algum centro masculino de design em Londres ou Paris. Nós também podemos ver o motivo pelo qual as mulheres são sempre tão tendentes a selecionar e se associar com os piores e menos promissores tipos de homens, o motivo pelo qual elas não possuem faro no que concerne a homens (exceto no aspecto sexual e mesmo nesse caso ele não é de modo algum infalível), e o motivo pelo qual nem mesmo seu paladar e seu estômago alguma vez as ajudou a desenvolver a arte culinária, quando elas sempre a tiveram inteiramente em suas mãos. Mas lembremos novamente que nós não podemos ter tudo, e que se nós acabássemos com a falta de gosto nas mulheres por meio da educação, nós estaríamos enfraqueccendo um dos instintos femininos mais valiosos e fundamentais, cujas consequências apenas nós podemos ter esperança de corrigir, sem tentar eliminar sua causa.

26/06/2011

Anthony M. Ludovici - Sobre Feminismo & Emasculação

por Anthony M. Ludovici



Cada sexo tem os instintos, emoções e poderes mentais relacionados ao tipo de vida que terá que levar, e a limitação correspondente no selecionar e rejeitar. Por exemplo, o macho como o participador ativo no coito é o sedutor e iniciador; ele tem que despertar o desejo por si na fêmea, e encontra seu prazer nesses papéis. A fêmea encontra prazer em ser cativada, em render-se, em ceder à iniciação, desde que ela aprove o macho.



Em seu papel de iniciador, o homem desenvolve ousadia, liderança, hábito de dominação, responsabilidade, originalidade, independência. Em seu papel de participante passiva, a mulher desenvolve timidez, prudência e timidez, sequacidade, irresponsabilidade, imitatividade, dependência. (Essas são as mais antigas conseqüências psíquicas do dimorfismo sexual e provavelmente precedem em milhões de anos as qualidades da mente associadas à paternidade.)

O papel ativo na procriação leva à rivalidade de outros machos e desenvolve coragem, poderes de combate e uma tendência acentuada ao ciúme violento no macho, principalmente quando ele é idoso. Mas a fêmea, encontrando suas adaptações sexuais normalmente arranjadas para ela, não precisará lutar, nem desenvolverá coragem e ciúme na mesma medida que o macho nesta fase.


A felicidade será perseguida por cada sexo na tentativa de cumprir as funções especializadas que derivam de seu próprio papel. E se o objetivo for tornar um dos dois sexos infelizes, isso será melhor conseguido obrigando-os a quebrar os limites. O desejo sexual é, portanto, a necessidade de desempenhar uma função especializada, e o amor pelo sexo oposto é o apego ao objeto sexual que torna possível esse desempenho. Felicidade vem com desempenho.


Cada sexo encontrará prazer nas adaptações peculiares ao seu próprio papel e buscará a felicidade buscando essas adaptações. A fêmea encontrará prazer no exibicionismo, enquanto o macho encontrará prazer no voyeurismo ou, para dizer claramente, em se deleitar com os olhos. Se a sedução foi bem-sucedida - ou seja, se a mulher foi cativada - cada sexo exibirá seus instintos ao máximo. Haverá maior exibicionismo preliminar por parte da mulher e um aumento correspondente de prazer para ela. Do mesmo modo, haverá um aumento do voyeurismo masculino e um aumento semelhante de prazer para ele. Haverá um curto período de crescente familiaridade, o jogo dos sexos, que pode ser limitado apenas a características sexuais secundárias. Tudo isso será natural e limpo. Isso tem sua base profundamente nos ancestrais dos mamíferos, e agora não podemos erradicar os instintos que nos impelem a isso. E, durante esse tempo, enquanto a ansiedade e o prazer aumentarem para ambos, as barreiras se romperão. Cada um encontrará mais e mais alegria em sua parte particular na consumação. O papel passivo e produtivo, se for habilmente dirigido pelo homem, será apreciado pela mulher, enquanto o papel ativo violento, se ele for versado nas artes da vida, será desfrutado pelo homem, e cada um será grato e orgulhoso...



História, ciência, ficção, as vidas de todos os grandes povos, a experiência de cada um de nós - evidência de cada tipo e de cada canto do compasso conta-nos convincentemente como fundamental e maravilhosa essa relação é. Alguns dos maiores e mais nobres atos de heroísmo foram realizados precisamente em nome desse amor que une duas pessoas de sexos diferentes, e exemplos poderiam ser multiplicados ad infinitum para mostrar os extremos de devoção, fidelidade e felicidade que inspira.

A história da maioria das culturas parece ensinar a seguinte moral: que a relação dos sexos é sempre um equilíbrio flutuante de elementos masculinos e femininos, e que em cada fase do desenvolvimento social os componentes bissexuais de cada homem e cada mulher tendem a afirmar-se no máximo de sua capacidade, dentro dos limites permitidos pelos valores e costumes do povo. O impedimento sobre a expressão pelo macho de sua feminilidade latente consistirão então de: (a) valores viris, (b) atividades masculinas, (c) a preocupação unilateral com problemas masculinos, e (d) o processo de seleção, o qual, operando através do gosto imposto pelos valores, tende a manter baixa a proporção de machos com características femininas proeminentes. Assim, a feminilidade do macho, quando há tais impedimentos, torna-se o que psicólogos diriam ser recessiva e pode permanecer latente por séculos.

O impedimento sobre a expressão pela fêmea de sua masculinidade latente consiste de: (a) seu ambiente masculino, (b) atividades femininas, (c) a preocupação unilateral com problemas femininos e (d), o processo de seleção, o qual, operando através do gosto imposto pelos valores, tende a manter baixa a proporção de fêmeas com características masculinas pronunciadas. Assim a masculinidade da fêmea, onde há tais impedimentos, também torna-se recessiva e pode permanecer latente por séculos.

Cercada por machos que mantém padrões masculinos, e que são capazes de dar a mais elevada expressão de habilidade e gosto masculinos, os elementos masculinos na mulher tendem a tornar-se furtivos, tímdos e avessos à expressão. Uma mulher então sabe que apenas consegue fazer de si mesma ridículo ao tentar medir sua masculinidade rudimentar contra a masculinidade do tipo autêntico. Em um ambiente de homens másculos, portanto, sua feminilidade tende a ser expressada com ousadia, e a seleção opera em favor de mulheres com masculinidade exclusivamente latente.

O momento, porém, no qual ela encontra, e ela o faz em períodos de degeneração masculina, que a expressão de sua masculinidade latenta não faz com que ela pareça ridícula - quer dizer, que a quantia de sua masculinidade pode, sem parecer absurda em comparação, ser medida contra a masculinidade dos homens de seu meio - não há mais nada que faça com que seus elementos masculinos sejam recessivos, e sua masculinidade provavelmente será desenvolvida às custas de sua feminilidade, enquanto o processo de seleção operará em favor de uma multiplicação das fêmeas com masculinidade excessiva, e vice-versa.

Isso não quer dizer que a fêmea com fortes elementos masculinos deve ser necessariamente deplorada. Pois, desde que seu ambiente masculino esteja sempre suficientemente além dela em masculinidade para tornar seu lado masculino recessivo, nenhum problema provavelmente despertará, e a multiplicação de mulheres "másculas" então contribuirá sem resultados negativos para o cultivo de um povo viril. Isso aconteceu em Esparta e foi um sucesso dos séculos IX ao IV a.C., sem o aparecimento de um movimento de mulheres, porque até o século IV não havia nenhuma degeneração marcada do macho.

Isso também ocorreu na Inglaterra. E a presença de uma grande proporção de mulheres masculinas em nosso meio hoje não é por si uma prova da degeneração de nossos homens. Pois como uma cultura viril nós necessitamos de mulheres masculinas que não introduzam uma quantia excessiva do elemento feminino em nossa linhagem. É a presente inadaptatividade dessas mulheres, sua atual livre-expressão de sua masculinidade às custas de sua feminilidade, que é um sinal de degeneração masculina, porque quer dizer que seus machos não permaneceram suficientemente acima delas em características masculinas para tornar sua masculinidade recessiva.

A questão, portanto, é se há sempre sinais de degeneração masculina, acompanhada por virilidade feminina, em sociedades onde a mulher tende a dominar. O teste é se os elementos masculinos na mulher estão sendo expressados livremente. Que houve tais sinais nas antigas Atenas, Roma e na França do século XVIII, eu já demonstrei. O fato de que as hetairai de Atenas acompanhavam os filósofos, e instruíram um homem tão famoso quanto Sócrates, é um comentário tanto sobre a filosofia socrática e sobre as hetairai, enquanto as provas históricas que nós temos da crueldade desmedida das matronas romanas no período de declínio, e das viragos que Roma produziu durante o Império, não deixam-nos dúvidas de que os elementos masculinos nas mulheres romanas do primeiro século d.C. há muito haviam deixado de ser recessivos.

Crueldade na mulher, que é a expressão mórbida daquela parte de seus elementos masculinos que incluem o sadismo, sempre é um sinal de bissexualidade irrestrita, ainda que não seja de modo algum o único sinal que ocorra de novo e de novo nos períodos de decadência masculina. A crueldade diabólica das mulheres da Revolução Francesa revoltaram até mesmo os terroristas masculinos, e nós não devemos esquecer que, como o humanitarismo extravagante e choroso é apenas uma forma invertida e socialmente permitida de sadismo, a demonstração de humanitarismo excessivo na Inglaterra moderna é realmente tão suspeita quanto era a crueldade das últimas matronas romanas.