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18/11/2021

Gabriele Adinolfi - Um Viva ao Che!

por Gabriele Adinolfi

(2004) 

O Che é encontrado em todos os lugares: impresso nas camisetas da burguesia mais entediada, pintado em bottons, tatuado nos braços do bilionário Maradona, impresso nos banners dos fãs que se dizem de esquerda. Emblema de uma transgressão formal, de uma nostalgia enfadonha, o Che é morto todos os dias por aquela burguesia decadente contra cujo domínio de classe ele, leão indomável, havia decidido rugir e morrer.

A primeira vez que ele foi morto foi pela reação bruta e feroz que usava o uniforme militar boliviano. Ela, então, o matou uma segunda vez, sem nunca deixar de cometer o crime, fazendo dele um escárnio, sob o aplauso dos "progressistas" que não têm nada, absolutamente nada, em comum com a revolução do Che.

Enquanto isso, contra a maré, discretamente, delicadamente, muitos daqueles que deveriam tê-lo odiado desenvolveram uma paixão por este líder.

22/06/2021

Gabriele Adinolfi - O Bicentenário do Imperador

por Gabriele Adinolfi 

(2021)


Um homem que valia Alexandre e César e que foi caluniado como Nero. Uma personalidade que aniquilou quem o enfrentou e que soube se fazer amar, ou melhor, adorar, forçando todos aqueles que queriam sair da mediocridade a odiá-lo porque ele lhes tirou o que nunca haviam sido dignos de odiar. É assim que poderíamos definir Napoleão.

O condottiero imortalizado pelo tépido Manzoni, que não era seu entusiasta: 


Dos Alpes às Pirâmides,
Do Manzanaro ao Reno,
Daquele seguro o trovão
Mantido atrás do relâmpago;
Explodiu de Scylla ao Tanai,
De um mar ao outro.


Isto seria suficiente? Essencialmente sim, mas também estamos interessados na avaliação histórica e política. Caluniado como Nero, porque, como o romano, ele teve contra si historiadores progressistas e reacionários e era amado pelo povo. Difamado ainda mais do que Nero porque teve contra si a Inglaterra, que inaugurou a damnatio memoriae e a criminalização das ideias, que prossegue nos moldes que conhecemos hoje. 

21/05/2020

Gabriele Adinolfi – Para Além do Populismo: Por um Partido Estratégia

por Gabriele Adinolfi

(2019)



O forte avanço do Vox na Espanha levou a um governo minoritário de esquerda que acentuou as tensões. Não é assim tão diferente do que está acontecendo na Itália, França e Alemanha.

Hoje estamos assistindo a uma "crise de representatividade" da classe dominante (progressista e burguesa), diante das demandas dos desiludidos da globalização expressas no "populismo". Entre a primeira e os segundos se situa o poder econômico, que não é completamente unitário e se articula em função das necessidades do momento histórico. 

Esta divergência em três níveis cria um impasse aparente. No plano do poder real, que, mais do que estratégias, exprime orientações, temos a classe política vetusta e obsoleta, que, ancorada no "Estado profundo", trava uma guerra civil abstrata, mas constante, evocando e provocando fantasmas e climas de urgência, e os representantes do populismo, que avançam nas urnas mas sem nada expressar de concreto.