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09/07/2011

A Vulgaridade como Direito

"Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se mais em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias feitas ou, simplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela ingenuidade, imporá onde quer que seja. É isto que no primeiro capítulo eu enunciava como característico da nossa época: não que o vulgar julgue que é excelente e não vulgar, mas que o vulgar proclame e imponha o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como direito."

Ortega y Gasset in A Rebelião das Massas.

20/03/2011

A Independência do Masculino

"O fato de que ao pensar no homem se destaque primeiramente seu afã pela mulher, revela, sem mais, que nessa época predominam os valores da feminilidade. Somente quando a mulher é o que mais se estima e encanta tem sentido apreciar ao varão pelo serviço e culto que a ela renda. Não há sintoma mais evidente de que o masculino, como tal, é preterido e desestimado. Porque assim como a mulher não pode em nenhum caso ser definida sem referi-la ao varão, tem este o privilégio de que a maior e melhor porção de si mesmo é independente por completo de que a mulher exista ou não. Ciência, técnica, guerra, política, esporte, etc., são coisas que o homem se ocupa com o centro vital de sua pessoa, sem que a mulher tenha intervenção substantiva. [...] É uma realidade de primeira magnituda com que a natureza, inexorável em suas vontades, nos obriga a contar.

A veracidade, pois, me força a dizer que todas as épocas masculinas da história se caracterizam pela falta de interesse pela mulher. Esta fica relegada ao fundo da vida."
(José Ortega y Gasset)