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06/07/2013

Michel Chossudovsky - Raízes Históricas da Crise Social: O Papel do FMI

por Michel Chossudovsky



Milhões de pessoas por todo o Brasil aderiram a um dos maiores movimentos de protesto da história do país. Ironicamente, o levantamento social dirige-se contra as políticas económicas de uma auto-proclamada alternativa “socialista” ao neoliberalismo conduzido pelo governo do Partido dos Trabalhadores (PT) da presidente Dilma Rousseff.

O “remédio económico forte” do FMI, incluindo medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, foi implementado sob a bandeira “progressista” e “populista” do PT, em acordo com elites económicas poderosas do Brasil e em estreita ligação com o Banco Mundial, o FMI e a Wall Street.

Apesar de o governo PT apresentar-se como “uma alternativa” ao neoliberalismo, comprometido com o alívio da pobreza e a redistribuição de riqueza, sua política monetária e fiscal está nas mãos dos seus credores da Wall Street.

Ironicamente, o governo PT de Dilma Rousseff e do seu antecessor Luís Ignaio da Silva foi louvado pelo FMI devido a:

“uma notável transformação social no Brasil com base na estabilidade macroeconómica e na ascensão de padrões de vida”. 

As realidades sociais subjacentes são outras. As “estatísticas” do Banco Mundial sobre pobreza são grosseiramente manipuladas. Só 11% da população, segundo o Banco Mundial , estão abaixo da linha de pobreza. E 2,2% da população estão a viver em pobreza extrema.

O padrão de vida no Brasil entrou em colapso desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder em 2003. Milhões de pessoas foram marginalizadas e empobrecidas, incluindo uma parte significativa da classe média urbana.

Apesar de o PT apresentar uma imagem “progressista” orientada para o povo, oficialmente oposta à “globalização corporativa”, a agenda macroeconómica foi reforçada. O governo PT sistematicamente manipulou as suas bases, tendo em vista impor o que o “Consenso de Washington” descreve como “uma estrutura política forte”.

Os investimentos estruturais de muitos milhares de milhões de dólares orientados pelo lucro para a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, forjados pela corrupção corporativa, contribuíram para um aumento significativo da dívida externa do Brasil, a qual por sua vez reforçou o controle da política económica pelos seus credores da Wall Street.

O movimento de protesto é em grande parte composto por pessoas que votaram pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O apoio das bases do governo PT foi rompido. A base do Partido dos Trabalhadores voltou-se contra o governo.



História: a traição do Partido dos Trabalhadores

O Partido dos Trabalhadores está no poder há mais de dez anos.

A crise social em curso no Brasil é a consequência da agenda macroeconómica lançada no início do acesso de Luís Ignácio da Silva à presidência, em 2003.

A eleição de Lula em 2003 corporificou a esperança de uma nação inteira. Representou uma votação esmagadora contra a globalização e o modelo neoliberal, o qual por toda a América Latina resultou na pobreza em massa e no desemprego.

A eleição de Lula no fim de 2002 por entendida como um importante ponto de ruptura, um meio de rejeitar a estrutura política do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto era abraçado em coro pelos movimentos progressistas de todo o mundo, a administração Lula também estava a ser aplaudida pelo principal protagonista do modelo neoliberal. Na palavras do Director Administrativo do FMI, Horst Kohler:

“Sou entusiasta [da administração Lula]; mas é melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo presidente Lula … o FMI ouve o presidente Lula e a equipe económica, esta é a nossa filosofia”.

Não é de admirar que o FMI seja “entusiasta”. As principais instituições da administração económica e financeira foram oferecidas numa bandeja de prata à Wall Street e a Washington.

O FMI e o Banco Mundial têm louvado o governo do Partido dos Trabalhadores pelo seu compromisso com “fortes fundamentos macroeconómicos”. Tanto quanto o FMI está preocupado, o Brasil “está na trilha” em conformidade com as balizas do FMI. O Banco Mundial elogiou tanto os governos Lula como Dilma: “O Brasil está a buscar um programa social arrojado com responsabilidade fiscal”.

De acordo com o Professor James Petras:

"A maior parte dos responsáveis políticos da Wall Street e de Washington, surpreendidos pela selecção de uma equipe económica ortodoxa liberal, ficou perfeitamente extasiada quando ele começou a promover vigorosamente uma agenda neoliberal radical, incluindo privatização da segurança social, rebaixamento substancial de pensões para empregados de sectores públicos e redução do custo e facilitação das exigências para capitalistas despedirem trabalhadores." ( Global Research, 2003 )

Segundo Marcos Arruda, do PACS, um centro de investigação não governamental no Rio de Janeiro:


“A equipe económica de Lula ao prosseguir políticas impostas pelo FMI está estripando pagamentos sociais não só para os aposentados como também para os deficientes e as famílias mais pobres”. O prosseguimento de políticas económicas ortodoxas também empurrou o desemprego oficial para 12%, ao passo que as taxas de juro internas posicionam-se nos 26,5%, entre as mais altas taxas do mundo. Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, o desemprego atingiu os 20%." (Ver Roger Burbach, Global Research, June 2003 )

O Brasil sob o governo PT não endossou apenas o neoliberalismo “com um rosto humano”, ele também apoiou a militarização da América Latina e do Caribe conduzida pelos EUA.

Lula estabeleceu um relacionamento pessoal com George W. Bush. Se bem que fosse um crítico firme da guerra iraquiana conduzida pelos EUA e um apoiante de Hugo Chavez, ele tacitamente também apoiava interesses estratégicos dos EUA na América Latina.

No rastro do golpe de Estado no Haiti patrocinado pelos EUA-França-Canadá, em Fevereiro de 2004, contra o governo eleito devidamente de Jean Bertrand Aristide, o presidente Luís Ignacio da Silva endossou a ocupação militar do Haiti e despachou tropas brasileiras para Port au Prince, sob os auspícios da Missão de Estabilização das Nações Unidas (MINUSTAH).

O artigo publicado por Global Research e resistir.info em Abril de 2003 , no início do governo PT de Luís Ignacio da Silva, descreve como, desde o início a liderança do Partido dos Trabalhadores traiu toda uma nação.

Não pode resultar qualquer mudança significativa de um debate sobre “uma alternativa ao neoliberalismo”, o qual na superfície parece ser “progressista” mas que tacitamente aceita como legítimo o direito de os “globalizadores” dominarem e pilharem o mundo em desenvolvimento.

O movimento de protesto social que tem varrido o Brasil é o resultado de 10 anos da repressão económica de “livre mercado” sob o disfarce de uma “agenda progressista”.

27/04/2013

Michel Chossudovsky - A Verdade sobre Boston: A "Conexão Chechena", Al Qaeda e os Atentados na Maratona de Boston

por Michel Chossudovsky



Nove mil policiais fortemente armados incluindo esquipes da SWAT foram empregados em uma caçada humana para capturar um estudante de 19 anos de idade em U-Mass, depois que seu irmão Tamerlan Tsarnaev, o suposto terrorista da Maratona de Boston foi morto a tiros pela polícia supostamente após uma perseguição automobilística e um tiroteio.

Já antes da condução de uma investigação policial, o estudante de 19 anos já foi designado como "culpado". O princípio jurídico fundamental do "inocente até provado culpado" foi rasgado. Nas palavras do Presidente Obama (formado pela Harvard Law School), o estudante de 19 anos de Boston é "culpado" de crimes abomináveis (sem evidência e antes de ser acusado em uma corte de direito):

"Qualquer seja a agenda odiosa que moveu esses homens a tais atos abomináveis não vai, não pode, prevalecer. O que eles tenham pensado que poderiam alcançar, eles já falharam... Por que esses jovens que cresceram e estudaram aqui como parte de nossas comunidades e nossa nação recorreram a tamanha violência?"

Associado com as supostas cartas com antraz e ricina em Washington DC que misteriosamente apareceram logo após a tragédia de Boston, tanto Washington como a mídia tem enfatizado os tênues laços dos irmãos Tsarnaev com a insurgência jihadista militante da Chechênia.

Segundo o Wall Street Journal, citando opinião acadêmica especializada:

"...a origem chechena é talvez uma parte do que os leva a fazer o que fazem", disse Lorenzo Vidino, um especialista em militantes chechenos no Centro para Estudos de Segurança em Zurique... Um perfil na rede social russa Vkontakte que parece pertencer a Dzhokhar Tsarnaev inclui um vídeo de propaganda conclamando jihadistas a irem à Síria para lutarem junto aos rebeldes lá, citando dizeres do Profeta Maomé." [Amplamente documentado, acontece que os combatentes jihadistas estrangeiros na Síria são recrutados pelos EUA e seus aliados]

O que se quer dizer é que mesmo que os suspeitos não estejam ligados a uma rede extremista muçulmana, sua herança cultural e origem "muçulmana" os incita - muito naturalmente - a cometer atos de violência. como esse conceito - que rotineiramente associa muçulmanos com terrorismo - repetido ad nauseam nas redes de notícia ocidentais, afeta a mentalidade humana?

Enquanto a identidade e motivos dos suspeitos estão sendo atualmente examinados por investigadores policiais, os irmãos Tsarnaev já foram categorizados - sem qualquer evidência - como "radicais islâmicos".

Por todo o país, muçulmanos estão sendo insultados e demonizados. Uma nova onda de Islamofobia foi posta em movimento.

A Criação de uma Nova Lenda: "A Conexão Chechena"

Uma nova lenda se desdobra: "A Conexão Chechena" está ameaçando a América. O islamismo surgido na Federação Russa está sendo agora "exportado para a América".

Espalhados nos tablóides por todo os Estados Unidos, os atentados da Maratona de Boston de 15 de abril no Dia dos Patriotas estão sendo incansavelmente comparados ao 11 de setembro de 2001.

Segundo o Conselho de Relações Exteriores:

"Agências policiais em todos os níveis tem progredido em vigilância e policiamento desde os ataques de 11 de setembro de 2001, mas riscos de segurança ainda existem. Muitos especialistas em contraterrorismo pedem por um foco renovado na habilidade dos EUA em resistir e se recuperar de tais incidentes..."

Estaria a tragédia de Boston sendo utilizada por Washington para fomentar uma nova onda de medidas policiais públicas dirigidas contra diferentes categorias de "terroristas domésticos"?

Estaria esse evento catastrófico sendo aplicado para promover uma reação pública contra muçulmanos?

Estaria sendo usado para conquistar aceitação para a santa cruzada americana - iniciada durante a administração Bush - dirigida contra um número de países islâmicos, que supostamente "abrigam terroristas muçulmanos"?

Segundo o poderoso Conselho de Relações Exteriores (que exerce uma influência profunda tanto sobre a Casa Branco quanto sobre o Departamento de Estado), os atentados de Boston novamente "insuflam o espectro do terrorismo em solo americano, ressaltando as vulnerabilidades de uma sociedade livre e aberta".

Contraterrorismo e lei marcial - implicando a suspensão de liberdades civis - ao invés da execução do Direito Civil são as soluções propostas. Nas palavras do Secretário de Estado John Kerry, "Eu acho correto dizer que nessa semana inteira estivemos em um enfrentamento bastante direto com o mal".

O consenso da mídia de massa sendo gerado (incluindo o de Hollywood) é que a América está novamente sob ataque. Dessa vez, porém, os supostos perpetradores são "terroristas islâmicos" não do Afeganistão ou da Arábia Saudita, mas da Federação Russa:

"Se uma conexão entre os suspeitos do atentado e separatistas chechenos for estabelecida, isso marcaria a primeira vez que militantes da antiga república soviética teriam lançado um ataque mortal fora da Rússia. Insurgentes chechenos negam qualquer ligação ao atentado da maratona" - U.S. News

"A Conexão Chechena" se tornou incrustada em um novo consenso midiático. O solo americano é potencialmente ameaçado por terroristas islâmicos da Federação Russa, que possuem elos com a Al Qaeda.

Há também uma agenda de política externa por trás dos ataques. A Casa Branca sugeriu que se os "irmãos chechenos" tivessem ligações com o Islã radical, a administração "poderia expandir esforços de inteligência no exterior, bem como ampliar as medidas de vigilância e investigação nos Estados Unidos".

Ademais, a nova narrativa terrorista agora envolve jihadistas da Federação Russa ao invés do Oriente Médio.

Há implicações geopolíticas. Será que a Conexão Chechena será utilizada pela administração como um pretexto renovado para pressionar Moscou? Que tipo de propaganda midiática provavelmente emergirá?

Al Qaeda e a CIA



O público americano é iludido. Os relatórios da mídia cuidadosamente ignoram as origens históricas do movimento jihadista checheno e suas fortes ligações com a inteligência americana.

O fato é que o movimento jihadista é uma criação da inteligência americana, que também levou ao desenvolvimento do "Islã político". Enquanto o papel da CIA no apoio à jihad islâmica (incluindo a maioria das organizações afiliadas à Al Qaeda) é amplamente documentado, há também evidência de que o FBI secretamente equipou e incitou supostos terroristas dentro dos EUA (Ver James Corbett, The Boston Bombings in Context: How the FBI Fosters, Funds and Equips American Terrorists, Global Research April 17, 2013).

A agenda da CIA a partir do fim da década de 70 era recrutar e treinar jihadistas "combatentes da liberdade" (Mujahideen) para travar uma "guerra de liberação" dirigida contra o governo secular pró-soviético do Afeganistão.

A "Jihad Islâmica" (ou guerra santa contra os soviéticos) se tornou parte integral dos planos de inteligência da CIA. Ela era apoiada pelos EUA e pela Arábia Saudita, com uma parte significativa do financiamento gerada pelo tráfico de drogas do Crescente Dourado:

"Em março de 1985, o Presidente Reagan assinou a Decisão Diretiva de Segurança Nacional 166...[que] autorizava uma crescente ajuda militar secreta aos Mujahideen, e deixava claro que a guerra secreta afegã tinha um novo objetivo: derrotar as tropas soviéticas no Afeganistão pela ação encoberta e encorajar uma retirada soviética. A nova ajuda secreta americana começou com um aumento dramático no fornecimento de armas - um aumento crescente até chegar a 65.000 toneladas anualmente em 1987... bem como um "fluxo incessante" de especialistas da CIA e do Pentágono que viajaram para os quartéis-generais secretos da ISI paquistanesa na estrada principal próxima a Rawalpindi, Paquistão. Lá, os especialistas da CIA se encontraram com oficiais da inteligência paquistanesa para ajudar a planejar operações para os rebeldes afegãos". (Steve Coll, The Washington Post, July 19, 1992).

Mujahideen de um grande número de países muçulmanos foram recrutados pela CIA. Jihadistas das repúblicas islâmicas (e regiões autônomas) da União Soviética também foram recrutados. (Para uma análise mais extensa ver Michel Chossudovsky, Al Qaeda e a "Guerra contra o Terrorismo", Global Research, January 20, 2008).

Al Qaeda e a Jihad Chechena



A Chechênia é uma região autônoma da Federação Russa.

Entre os recrutas para treinamento especializado no início da década de 90 estava o líder da rebelião chechena Shamil Basayev que - imediatamente após a Guerra Fria - liderou a primeira guerra secessionista chechena contra a Rússia.

Durante seu treinamento no Afeganistão, Shamil Basayev se associou ao veterano mujahideen saudita o Comandante "Al Khattab" que lutou como voluntário no Afeganistão. Poucos meses após o retorno de Basayev a Grozny, Khattab foi convidado (início de 1995) a organizar uma base militar na Chechênia para o treinamento de combatentes mujahideen. Segundo a BBC, a transferência de Khattab para a Chechênia havia sido "arranjada através da International Islamic Relief Organization, uma organização religiosa militante, financiada por mesquitas e indivíduos ricos que canalizavam fundos para a Chechênia". (BBC, 29 de setembro 1999).

A evidência sugere que Shamil Basayev tinha elos com a inteligência americana desde o final da década de 80. Ele esteve envolvido no golpe de Estado de 1991 que levou à desintegração da União Soviética. Ele esteve subsequentemente envolvido na declaração unilateral de independência da Chechênia da Federação russa em novembro de 1991. Em 1992, ele liderou uma insurgência contra combatentes armênios no enclave de Nagorno-Karabakh. Ele também esteve envolvido na Abkhazia, a região separatista da Geórgia de maioria muçulmana.

A primeira Guerra da Chechênia (1994-1996) foi travada imediatamente após o colapso da União Soviética. Era parte de uma operação secreta americana para desestabilizar a Federação russa. A Segunda Guerra da Chechênia foi travada em 1999-2000.

Falando de modo geral as mesmas táticas terroristas de guerrilha aplicadas no Afeganistão foram implementadas na Chechênia.

Segundo Yossef Bodansky, diretor da Força-Tarefa sobre Terrorismo e Guerra Não-Convencional do Congresso americano, a insurgência na Chechênia havia sido planejada durante uma reunião secreta da HizbAllah International realizada em 1996 em Mogadishu, Somália. (Levon Sevunts, "Who's Calling the Shots? Chechen conflicts finds Islamic roots in Afghanistan and Pakistan", The Gazette, Montreal, 26 de outubro 1999).

"É óbvio que o envolvimento da ISI paquistanesa na Chechênia 'vai muito além de fornecer os chechenos com armas e especialistas: a ISI e seus proxies radicais islâmicos estão na verdade dando as ordens nessa guerra".

A ISI está em contato permanente com a CIA. O que essa afirmação significa é que a inteligência americana usando os Inter-Serviços de Inteligência do Paquistão (ISI) como intermediária estava dando as ordens na Guerra da Chechênia.

A principal rota de oleodutos da Rússia passa pela Chechênia e Daguestão. Apesar de Washington condenar o "terrorismo islâmico", os beneficiários das guerras na Chechênia foram os conglomerados petrolíferos anglo-americanos que estavam competindo pelo controle completo do petróleo e dos corredores de oleodutos da bacia do Mar Cáspio.

Os dois principais exércitos rebeldes (que à época eram liderados pelo Comandante Shamil Basayev e Emir Khattab), estimados em 35.000 homens, eram apoiados pela CIA e sua contraparte paquistanesa a ISI, que desempenhou um papel fundamental em organizar e treinar o exército rebelde checheno:

"Em 1994 os Inter-Serviços de Inteligência do Paquistão [em contato com a CIA] arranjaram para que Basayev e seus tenentes de confiança passassem por uma doutrinação islâmica intensiva e por treinamentos em tática de guerrilha na província de Khost no Afeganistão, no campo Amir Muawia, organizado no início da década de 80 pela CIA e pela ISI e comandando pelo famoso chefe afegão Gulbuddin Hekmatyar. Em julho de 1994, após se graduar em Amir Muawia, Basayev foi transferido para o campo Markaz-i-Dawar no Paquistão para passar por um treinamento em táticas de guerrilha avançadas. No Paquistão, Basayev se encontrou com os oficiais militares e de inteligência do Paquistão de mais alta hierarquia: o Ministro de Defesa General Aftab Shahban Mirani, o Ministro do Interior General Naserullah Babar, e o chefe do departamento da ISI encarregado de apoiar causas islâmicas o General Javed Ashraf (todos eles aposentados hoje em dia). Conexões no alto escalão logo se provaram muito úteis para Basayev". (Ibid).

Após seu treinamento e doutrinação, Basayev foi designado para liderar o ataque contra as tropas federais russas na Primeira Guerra da Chechênia em 1995. Sua organização também desenvolveu elos extensivos com sindicatos criminosos em Moscou bem como laços com o crime organizado albanês e a KLA. (Vitaly Romanov e Viktor Yadukha, "Chechen Front Moves to Kosovo", Segodnia, Moscow, 23 fevereiro 2000).

A insurgência chechena modelada segundo a jihad financiada pela CIA no Afeganistão também serviu como modelo para diversas intervenções militares orquestradas pelos EUA e pela OTAN, incluindo a Bósnia (1992-1995), Kosovo (1999), Líbia (2011) e Síria (2011 - ).

Rebeldes Chechenos: Operação Americana Secreta para Desestabilizar a Federação Russa



A Guerra da Chechênia de 1994-1996, instigada pelos principais movimentos rebeldes contra Moscou, serviu para solapar as instituições públicas seculares. A adoção da lei islâmica nas sociedades muçulmanas majoritariamente seculares da ex-URSS servia aos interesses estratégicos americanos na região.

Um sistema paralelo de governo local, controlado pela milícia islâmica, havia sido implantado em muitas localidades da Chechênia. Em algumas das pequenas aldeias e vilas, cortes da Sharia Islâmica foram estabelecidas sob um reino de terror político.

"Ajuda financeira da Arábia Saudita e dos países do Golfo para os exércitos rebeldes dependiam da instalação de cortes da Sharia, apesar da forte oposição da população civil. O Juiz Principal e Emir das cortes da Sharia na Chechênia era o Sheikh Abu Umar, que 'veio para a Chechênia em 1995 e se uniu às fileiras dos Mujahideen lá sob a liderança de Ibn-ul-Khattab. ... Ele começou a ensinar o Islã com a Aqeedah correta para os mujahideen chechenos, muitos dos quais mantinham crenças incorretas e distorcidas sobre o Islã'." (Global Muslim News, dezembro de 1997).

O movimento wahabi da Arábia Saudita estava não apenas tentando se apoderar das instituições civis públicas no Daguestão e na Chechênia, como também buscava expulsar os líderes sufi tradicionais. De fato, a resistência as rebeldes islâmicos e combatentes estrangeiros no Daguestão estava baseada na aliança entre governos locais (seculares) com os sheikhs sufi:

"Esses grupos [wahabi] consistem de uma minúscula porém bem armada e financiada minoria. Eles pretendem com esses ataques a criação de terror no coração das massas... Ao criarem anarquia e ilegalidade, esses grupos podem impor sua própria versão dura e intolerante do Islã... Tais grupos não representam a visão comum do Islã, mantida pela vasta maioria dos muçulmanos e dos estudiosos islâmicos, para os quais o Islã exemplifica um exemplo de civilização e moralidade aperfeiçoadas. Eles representam o que é nada menos que um movimento rumo à anarquia sob um rótulo islâmico. ...Sua intenção é não tanto criar um Estado Islâmico, mas criar um estado de confusão no qual eles possam prosperar." (Mateen Siddiqui, "Differentiating Islam from Militant 'Islamists'" San Francisco Chronicle, 21 setembro 1999).

A Segunda Guerra da Chechênia foi iniciada por Vladimir Putin em 1999, com o objetivo de consolidar o papel do governo central e derrotar os terroristas chechenos financiados pelos EUA contra a Federação Russa.

"Falsas Bandeiras"



O suspeito de 19 anos de idade está sendo usado como bode expiatório. Ele nem mesmo nasceu na Chechênia. Enquanto ele e seu irmão não tinham qualquer conexão com o movimento jihadista, a mídia americana está cuidadosamente construindo uma "Conexão Chechena" apontando para um padrão comportamental inerente associado a muçulmanos:

"Os irmãos passaram 10 anos nos EUA durante um período formativo de suas vidas, exibindo comportamento normal para imigrantes de primeira geração, disse Mitchell Silber, um ex-oficial de inteligência no Departamento de Polícia de Nova Iorque. "A questão é, o que catalizou a mudança? Foi o nacionalismo checheno? Teria começado com o nacionalismo checheno e de alguma forma migrado para uma causa jihadista pan-islamista?" (Renewed Fears About Homegrown Terror Threat", WSJ April 20, 2013).

Há evidência, porém, do testemunho de familiares de que os irmãos Tsarnaev estavam no radar do FBI por muitos anos antes dos atentados de Boston e foram objeto de constantes ameaças e assédios. Confirmado pelo Wall Street Journal, o FBI havia "entrevistado" Tamerlan Tsarnaev em 2011. (Ibid)

O que é abundantemente claro é que o governo americano não está comprometido com o combate a terroristas.

Muito pelo contrário. A inteligência americana tem recrutado e treinado terroristas por mais de trinta anos, enquanto ao mesmo tempo sustenta a noção absurda de que esses terroristas, que são "recursos de inteligência" bona fide da CIA, constituem uma ameaça a solo americano. Essas supostas ameaças por "Um Inimigo Externo" são parte de uma manobra de propaganda por trás da "Guerra Global ao Terrorismo".

Qual é a Verdade?

O desenvolvimento de uma milícia terrorista islâmica em diferentes países ao redor do Mundo é parte de um intrincado projeto de inteligência americana.

Enquanto os irmãos Tsarnaev são casualmente acusados sem evidência de terem elos com terroristas chechenos, a questão importante é quem está pro trás dos terroristas chechenos?

Em uma lógica completamente distorcida, os protagonistas da "Guerra Global ao Terrorismo" dirigida contra muçulmanos são os arquitetos de facto do "terrorismo islâmico".

A Mentalidade da "Guerra Global ao Terrorismo"

A mentalidade da "guerra ao terrorismo" constrói um consenso: milhões de americanos são levados a crer que um aparato policial militarizado é necessário para proteger a democracia. Pouco percebem que o governo americano é a principal fonte de terrorismo tanto nacionalmente quanto internacionalmente.

A mídia corporativa é o braço de propaganda de Washington, que consiste em retratar muçulmanos como uma ameaça à segurança nacional.

Nesse ponto de nossa história, na encruzilhada de uma crise econômica global e uma crise social, os atentados de Boston desempenham um papel fundamental. Eles justificam o Estado de Segurança Nacional.

O Estado de Polícia que está se desenvolvendo é assim defendido como meio de proteger liberdades civis. Sob a desculpa do contraterrorismo, execuções extrajudiciais, a suspensão do habeas corpus e a tortura são consideradas como meios de defender a Constituição americana.

Ao mesmo tempo, os terroristas - criados e apoiados pela CIA - são usados para participar em atos terroristas de "falsa bandeira" com o objetivo de justificar uma cruzada militar global contra países muçulmanos, os quais por acaso são economias produtoras de petróleo.

"Eventos Causadores de Baixas Massivas"

O ex-Comandante da CENTCOM, General Tommy Franks, que liderou a invasão do Iraque em 2003, delineou um cenário do que ele escreve como um "evento causado de baixas massivas" em solo americano, (um segundo 11/9). Implicada na afirmação do General Franks estava a noção e crença de que mortes civis eram necessárias para aumentar a consciência e arrebanhar apoio público para a "guerra global ao terrorismo".

"Um evento terrorista produtor de baixas massivas ocorrerá em algum lugar no mundo ocidental - pode ser nos Estados Unidos da América - que faça com que nossa população questione nossa própria Constituição e comece a militarizar nosso país de modo a evitar que um outro evento produtor de baixas massivas ocorra". (General Tommy Franks Interview, Cigar Aficionado, Dezembro 2003).

Ainda que os atentados de Boston sejam de uma natureza completamente diferente do "evento catastrófico" aludido pelo General Tommy Franks, a administração parece, não obstante, estar comprometida com a lógica de "militarizar nosso país" como meio de "proteger a democracia".

Os eventos de Boston já estão sendo usados para galvanizar apoio público para um aparato doméstico contraterrorista ampliado. Este seria implementado paralelamente a assassinatos extrajudiciais contra assim chamados "terroristas nativos auto-radicalizados":

"A política contraterrorista americana tem desde 2001 focado principalmente em matar terroristas no exterior ou em impedi-los de entrar nos EUA. Mas os atentados de Boston demonstram como a difusão de táticas terroristas facilmente transcende fronteiras. Combater pequenos grupos de indivíduos dentro dos EUA pode ser uma missão importuna.

Bruce Ridel, diretor do Projeto de Inteligência no Instituto Brookings, um think tank apartidário de Washington, disse que o ataque de Boston era provavelmente um precursor. "Nós provavelmente veremos essa como a face futura das ameaças terroristas aos EUA", ele disse, acrescentando que o caso de um pequeno número de participantes radicalizados que vivem nos EUA e executam um plano é "o pior pesadelo da comunidade contraterrorista, terrorismo nativo, auto-radicalizado, que adquire suas habilidades pela internet". (WSJ, Abril 20, op cit).

O "evento causador de baixas massivas" foi defendido pelo General Franks como uma reviravolta política crucial.

Constituiriam os atentados de Boston um ponto de transição, um divisor de águas que finalmente contribui para a gradual suspensão do governo constitucional?

23/02/2013

A Profecia Maia de 2012: O "Fim do Mundo" Orwelliano é um Apocalipse "Made in America"

por Michael Chossudovsky



As Guerras Globais e as Crises Econômicas são feitas pelo homem

Num vivo contraste com as professias Maya de “renovação” – o mundo real em que vivemos está caracterizado pela imensa crise econômica que está empobrecendo milhões de pessoas.

Estamos no centro de um apocalípse a se desenrolar, mas é um apocalípse num cenário de uma natureza complexa. Essa complexidade apresenta aspectos políticos assim também como sócio-econômicos.

O nosso apocalipse não é o da profecia Maya, o nosso é um apocalípse “Made in USA”.

A profecia Maya para 2012 foi distorcida i erroneamente interpretada. O fim do calendário Maya em 21 de dezembro de 2012 não tinha nada a ver com um “Fim de Mundo”, própriamente dito.

Na verdade o calendário Maya não terminava definitivamente em 21 de dezembro de 2012. Na realidade o falado Calendário Maya marcava não um término total, mas sim um começo. O começo de um novo “Longo Cíclico”, no modo de ver dos Maya [1]

O conceito de “Fim do Mundo”, como apresentado atualmente, é uma interpretação errada do pensamento Maya. O conceito Maya referia-se sómente a uma renovação, ao início de uma nova era.

Entretanto contos, histórias e comentários a respeito de um fim do mundo encheram as páginas dos jornais de sensação. Apesar da mídia ocidental refutar a profecia Maya, a narrativa quando repetida ao infinito serve como uma distração que leva a atenção para longe dos verdadeiros tópicos a serem discutidos. Isso assegura também uma total distorção da realidade.

Uma sondagem de opinião da Reuters-Ispos que foi conduzida em maio mostrava que 10% da população mundial acreditava que “O calendário Maya, que alguns entendem como terminando em 2012, marcava o “Fim do Mundo”, como tal.

Ironicamente e em vivo contraste com as profecias Mayas de “renovação” o mundo real em que vivemos no começo desse século 21, está marcado por uma formidável crise social e econômica que empobrece milhões, literalmente destruindo as vidas das pessoas.

Num sentido figurativo então, estamos no centro do desenrolar de um “cenário apocalíptico” mas esse apocalípse é de uma natureza político-social-econômica: apocalípse esse que é obra humana, um apocalípse “Made in the USA”.

Quanto aos Estados Unidos, o que então influência os acontecimentos no mundo inteiro, esse apocalípse é uma consequência da quebra do sistema judicial, da consecutiva criação de um grande aparato policial da Segurança Nacional, da fraudulenta desregulamentação dos mercados financeiros, e da péssima administração da economia real.

Essas mudanças fundamentais no caracter institucional e social dos Estados Unidos estão ligadas a uma agenda militar globalizada muito abrangente, assim também como a uma política externa extremamente egocêntrica. A política externa dos Estados Unidos, especialmente abaixo da direção de Hillary Clinton, aponta claramente para uma total derrocada dos canais da diplomacia americana vis-a-vis a comunidade internacional.

As crises econômicas e as guerras estão intimamente entrelaçadas.

Enquanto a economia global está em estado caótico, marcada pelo colapso das sistemas produtivos, os Estados Unidos e seus aliados –inclusive a OTAN e Israel- vivem uma aventura militar, a chamada “longa guerra”. Essa longa guerra vai então abaixo do disfarce da “Guerra ao Terrorismo”.

Na realidade o projeto global do Pentágono é um de conquista mundial.

A colocação das forças militares EUA-OTAN ocorre simultaneamente em diversas regiões do mundo. Os exercícios de guerra do Pentágono, de forma rotineira tem o seu foco central na simulação de uma terceira guerra mundial. Muito é feito então num cenário de representação de uma terceira guerra mundial, na sigla inglesa WWIII. Essa agenda militar está -em verdade- ameaçando o futuro da humanidade.

A DESINFORMAÇÃO

Enquanto a atenção pública mundial está voltada para o “Apocalípse Maya” a real crise que está afetando a humanidade, não se debate. A longa guerra do Pentágono em combinação com um cenário sombrio de empobrecimento global e de derrocada econômica, não faz manchete de jornal.

A mídia desempenha uma função central a dar legitimidade a uma agenda militar destrutiva e global. A colocação dos arsenais bélicos e militares dos EUA-OTAN por todos os lados do mundo é de maneira rotineira apresentada como se essas armas, dispositivos e depois mesmo até as guerras, fossem instrumentos de paz.

Mesmo a nova generação de armas nucleares tácticas dos Estados Unidos são apresentadas como sem perigo, ou inócuas para a população civil circundante. Uma guerra nuclear iniciada em sentido preventivo, o que na realidade constituiria um cenário de-facto apocalíptico, é apresentado como uma “ação humanitária”.

As campanhas midiáticas ocupam um papel central no entendimento da guerra como legítima. Aqui prevalece uma dualidade, entre bem e malígno-perverso.

Os perpetradores das guerras são apresentados como vítimas. Por exemplo, de acordo com a mídia ocidental, a “Área Atlântica” EUA-OTAN teria sido atacada por uma “força estrangeira” , no caso Afeganistão, em 11 de Setembro de 2001 – uma afirmação absurda.

A doutrina de segurança coletiva da OTAN baseada no conceito da auto- defesa foi invocada pelo Conselho Atlântico na manhã de 12 de setembro de 2001. Essa tendo sido então a justificativa para bombardear, e invadir o Afeganistão. Como dito, uma afirmação absurda.

A mídia permaneceu muda, sem apresentar análises ou debates. Isso fez com que a opinião pública fosse induzida a tirar conclusões incorretas.

Ressalta-se que destruir a grande mentira que apresenta guerras como ação humanitária significa destruir o aparato propagandístico, aparato esse que sustenta o projeto criminal de destruição global da qual estamos sendo testemunhas, em maior ou menor grau, conscientes.

A propaganda a favor de guerras de uma ou de outra maneira, não só sustenta uma agenda militar que dá lucro, proveito, benefício ou ganho para uma minoria, como também cria na consciência de milhões de seres humanos uma aceitação da guerra como parte de um projeto social.

Essa propaganda a favor de guerras de maneira geral exclui da mente das pessoas valores humanos fundamentais. Valores esses como por exemplo de paz, compaixão, e justiça social, transformando seres humanos em zombis, ou seja, em mortos-vivos.

Grande parte da mídia empresarial está envolvida em atos de camuflagem, como por exemplo através de apresentar o impacto devastador de uma guerra nuclear como um fato trivial ou então através de calar-se totalmente a respeito.

É imperativo comprender a gravidade da presente situação para dessa maneira poder agir determinadamente para reverter o curso dos acontecimentos levando continuamente a novas guerras.

FORTE REMÉDIO ECONÔMICO

O global conduzir de guerras é acompanhado por um processo macroeconômico, ou seja um processo econômico nacional ou internacional, de reestruturação econômica abrangendo o mundo inteiro.

Nesse contexto tem-se que através de muitas diferentes circunstâmcias um único remédio econômico é imposto ao mundo. As pessoas aqui são induzidas a acreditar que medidas sombrias de austeridade econômica seriam a única solução para a crise atual quando na realidade ela é a causa do aprofundamento do colapso econômico.

Durante 1980-1990 o programa do denominado “Ajustamento Estrutural”, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial foi imposto ao Terceiro Mundo, a Europa do Leste, aos Balcãs, e aos países do ex-bloco soviético.

Em todos esses países os nívies de vida normais, regulares e padronizados, cairam de forma aguda, enquanto os programas sociais foram muito enfraquecidos, ou privatizados.

Nos Estados Unidos e na União Europeia, a crise social tem sido marcada pelo enfraquecimento ou até mesmo pela desintegração do sistema de saúde, do sistema de segurança social, e do sistema da educação pública.

A economia civil é em crise. Os benefícios ou rendimentos dos impostos são relocados para construir uma enorme economia de guerra e isso a custo dos serviços sociais.

Um colapso fiscal é a consequência inevitável disso tudo. Através dos Estados Unidos muitos milhões de pessoas já perderam suas casas, enquanto as pequenas e as médias empresas estão sendo levadas a falência, e o que resta dos serviços sociais e de saúde está sendo arrasado.

Os únicos setores da economia dos Estados Unidos que estão florescendo são os setores de artigos de luxo, criados para uma muito pequena porcentagem da população do país, e a indústria de armas bélicas, indústria essa principalmente composta dos conglomerados de defesa que incluem, em lugar de destaque, a Lockheed Martin, a Raytheon, a Northrop Grumman, a British Aerospace e depois também, outras companhias.



O DINHEIRO DOS IMPOSTOS:- USADOS PARA GUERRA E MORTE

A economia de guerra floresce. Jatos de ataque, ou caças de guerra, tipo F35 estão a venda por meio-bilhão de dólares cada um. Nisso não estará ainda incluido outros $300 milhões para manutenção desses jatos de guerra.

O Canadá e a Noruéga estão adquirindo um grande número desses aviões a custo dos seus programas sociais. Esses jatos são construídos com o máximo da sofistificação tecnológica atual e isso como dito, ao custo individual mencionado acima. O preço total do programa sendo estimado para os militares americanos ao incrível preço de $1.51 trilhões, sendo isso então para o chamado ciclo de vida do programa. Nominalmnete cerca de $618 milhões por avião. [2]

GUERRAS E GLOBALIZAÇÃO

Guerra e globalização -incluindo a imposição de uma austeridade muitas vezes letal- estão intimamente relacionadas.

Guerra é negócio. Ela traz bilhões de dólares para dentro do que Dwight Eisenhower denominou de o “Complexo Industrial-Militar”

As manchetes cheias de fantasia a respeito de um Apocalípse Maya a se aproximar encobrem a cruel realidade das guerras reais sendo conduzidas pela dupla EUA-OTAN.

-Vários novos sistemas de armas foram introduzidos depois da era da guerra fria. A ênfase então sendo colocada nos sistemas não convencionais de guerra, ou seja:

-Guerra automatizada, mata-se através da ecrã de um computador

-Técnicas de modificação do ambiente, incluindo modificação climática como arma de guerra.

A nova generação de armas nucleares americanas, para já nem se mencionar o uso de munições de urânio empobrecido, munição essa que causa cancer.

Ao cenário de fundo tem-se então uma cultura hollywoodiana de violência, onde guerras, brutalidade policial, tortura, e assassinatos são vistos como o normal.

No contexto apresentado o desastre nuclear de Fukushima é a ser visto como uma guerra nuclear, sem guerra, cujas consquências conduziram a uma radiação e a uma contaminação massiva, das quais as consequências ainda não foram avaliadas.

QUAIS OS MAIORES ATORES POR DETRÁS DAS GUERRAS AMERICANAS?

Observe-se que o complexo industrial-militar inclui também os mercenários e os provedores de segurança particulares contratados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Mas, para responder a pergunta apresentada acima especifica-se que:
* A classe dirigente, ou seja o estabelecimento da Wall Street incluindo os especulantes institucionais e os, em inglês denominados “hedge funds”.
* Os conglomerados biotécnicos, o agribusiness e a grande Pharma, que produzem semente genéticamente modificadas, e armamentos químicos e biológicos, respectivamente. Esse sector coincide, ou sobrepõe-se, ao complexo industrial-militar.
* Os conglomerados de petróleo anglo-americanos, e as companhias de energia.
* Os gigantes de comunicação, coincidindo, ou sobrepondo-se, com os aparatos militares-e-de-inteligência.
* Os conglomerados midiáticos que constituem a base da propaganda imperial dos Estados Unidos.

GUERRAS NA MESA DE PROJETOS DO PENTÁGONO

Preparações ativas de guerra contra a Síria, contra o Líbano e contra o Irã foram uma constante nos últimos oito anos.

Desde 2005 os Estados Unidos e seus aliados, inclusive os parceiros dos americanos na OTAN, assim também como Israel, estiveram todos muito envolvidos numa vasta atividade de colocar sistemas bélicos e de armazenamento de sistemas de armamentos tecnologicamente muito avançados, através do mundo.

No contexto tem-se aqui que a opinião pública influenciada pelas campanhas midiáticas torna-se implicitamente partidária, indiferente, ou ignorante dos impactos e consequências das diversas acções tomadas ou a serem tomadas, a curto e a longo-prazo.

Essas acções sendo, via de regra – não bem pensadas e avaliadas. Como exemplo tem-se as operações punitivas dirigidas contra as facilidades nucleares do Irã, punições e acções essas que, por já substituem uma guerra total.

Uma guerra contra o Irã é apresentada ao público como uma guerra entre outras. Ela não é vista como uma guerra ameaçando a humanidade, uma guerra apocalíptica, como deveria ser. Muito pelo contrário. Ela é vista como uma atividade humanitária, que contribui para a segurança global. Outra vez, uma idéia completamente fora de propósito.

O que estamos testemunhando é um processo contínuo que está sendo feito pelo próprio homem. Estamos testemunhando nesse século 21 uma completa destruição de inteiros países, mas o o efeito acumulado desses acontecimentos não se ressalta. No entanto uma consequência lógica dos mesmos seria o que muito provavelmente nos poderia levar a uma grande catástrofe.

DESTRUINDO AS CONQUISTAS DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E ECONÔMICO DO APÓS GUERRA. DESMONTANDO OS ESTADOS CONSTRUIDOS A BASE DO BEM-ESTAR SOCIAL.

A União Europeia, que já tinha alcançado um alto nível de desenvolvimento econômico-social, está agora sitiada pela desemprego e pelo desmantelamento dos estados sociais criados na Europa depois da segunda guerra mundial. Os governos de países soberanos europeus, assim como outros, estão agora sendo controlados por um estabelecimento financeiro agindo como um governo-sombra dando directivas e ditando normas.

Quase ¼ dos jovens europeus estão sem trabalho, com os mais altos níveis de demprego, 54.1% , registrados na Grécia e na Espanha.

Na Grécia e na Espanha o nível geral de desemprego é de 21.9% e 24.6% , respectivamente.

Nesses dois países o desemprego aumentou muito no último ano. Em maio de 2011 o desemprego estava a 20.9% na Espanha, e 15.7 % na Grécia. [3]

Constata-se que no auge da grande depressão do século 21, o caos econômico prevalece, enquanto a possibilidade de uma grande quebra financeira, não se pode descartar.



CRIMINALIZAÇÃO DO SISTEMA BANCÁRIO

Os mega-bancos que supervisionam o restruturamento das economias europeias e norteamericanas estão envolvidos de forma rotineira em lavagem de dinheiro, ou seja, falsa contabilidade quanto ao lucro dos negócios envolvendo drogas ou narcótica. Ligações com o crime organizado seguem pistas e caminhos que deixam rastros difíceis de serem descobertos e seguidos, mas que estão agora estabelecidos, fora de dúvidas. Sabe-se agora que os bancos trabalham intimamente com as chamadas cartelas, ou consórcios de drogas.

Bancos foram processados por colaborar com o tráfico de drogas e narcóticos do México. Não se trata de nenhum fato isolado. Todas as grandes instituições envolvem-se em falsa contabilidade quanto a lavagem, ou legitimização, dos dividendos desse tráfico.

A economia das drogas sempre fez parte da longa história do comércio internacional. A Corporação Bancária de Hong Kong e Shangai, fundada em 1865, na colônia inglesa de Hong Kong era um ramo da Companhia Britânica da Índia, BEIC na sigla inglesa

Começando no século 18, e protegida pelo império britânico, a BEIC esteve envolvida em um lucrativo comércio de ópio. Produzido em Bengala e depois transportado, via marítima, para a China o lucro do ópio era então usado para a expansão imperial britânica.

Quando o governo imperial da China deu ordens para que o ópio fosse destruido, em 1839, a Inglaterra declarou guerra contra a China, começando o que ficou conhecido como a “primeira guerra do ópio. O “casus belli”, ou seja o motivo da guerra, sendo que a China tinha –através de destruir o ópio- violado as regras do comércio livre em curso, no século 19.

Bancos não são exceção. Hoje o capital das corporações continua protegendo o comércio das drogas e as instituições bancárias mais respeitadas lavam, ou legalizam, bilhões de narco-dólares.

Pondo um ponto de início em 2001 a economia do Afeganistão, devastada pela guerra, vem fornecendo cerca de 90% do consumo internacional da heroina. O altamente lucrativo comércio de drogas do Afeganistão, vem sendo protegido pelas forças de ocupação EUA-OTAN.

Esse comércio é feito em benefício de poderosos interesses financeiros. É uma bonanza para os bancos e os sindicatos envolvidos no comércio das drogas. O resultante fluxo de narco-dólares é em grande parte legalizado, ou lavado, nos sistemas bancários ocidentais.

DESTRUINDO CIVILIZAÇÕES: MESOPOTANIA E O VALE INDÚ

As guerras dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Ásia Central levaram a uma grande destabilização e ao declínio de inteiras regiões consideradas pela história como o berço da civilização.

A guerra do Iraque foi instrumental, e agora a da Síria está a completar a destruição da Mesopotânia. Mais do que 5.000 anos de história foram apagados no Iraque já quando do começo da ocupação, em abril de 2003, e a herança cultural-arqueológica da Mesopotâmia, o atual Iraque foi, se não destruida então saqueada pelos invasores.

Os ataques dos Estados Unidos no Paquistão, ataques esses feitos através dos drones e abaixo do mandato da global “Guerra ao Terrorismo” , são feitos em grande parte, na parte superior do Vale Indú, berço de outra civilização primordial, que vem da Idade do Bronze, tres mil anos Antes de Cristo. Essa antiquíssima civilização está hoje também sendo destruida pela máquina de guerra dos Estados Unidos.

Ressalta-se então que a denominação de “vítimas-colaterais”, resultando dos ataques feitos pelos drones americanos , é e então muito especialmente no Paquistão, um eufemismo para assassinatos em massa- feitos, financiados, ou apoiados por um estado, no caso os Estados Unidos

Quanto aos destinatários dos ganhos das guerras propulcionadoras em busca de benefícios e proveitos esses são as gigantes das petroleiras anglo-americanas e os grandes fornecedores de material bélico como Lockheed Martin, Raytheon, Northrop Grumman, British Aerospace, e outros, que produzem “mísseis humanitários” e jets de ataque para a máquina de guerra EUA-OTAN, máquina de guerra essa que inclui também uma nova generação de armas nucleares.

A tecnologia e a sofistificação de materiais informáticos militares como computadores, impressoras, modems e muitos e muitos outros instrumentos de alta tecnologia estão no auge da era eletrônica, a expandir-se para além dos limites imagináveis.

O PAPEL DA AL-QAEDA.

As guerras dos Estados Unidos estão dirigindo-se a cada vez mais a incitar conflitos étnicos e entre diversas facções e isso através de açcões encobertas e dissimuladas que apoiam a formação de organizações paramilitares terroristas, as quais com ou sem a devida razão, denominam como Islamistas. Essas acções são depois intencionalmente dirigidas a destruir a estrutura político-social de nações, onde pretendem instalar regimes marionetes.

Durante os últimos 30 anos os serviços de inteligência dos Estados Unidos, em associação com o MI6 da Grã-Bretanha, e o Mossad de Israel, estiveram apoiando a criação e o fortalecimento da Al-Qaeda, assim como também de um bom número de organizações afiliadas a ela. Essas entidades terroristas são verdadeiros trunfos para os acima mencionados proporcionando grandes vantagens para os serviços de inteligência ocidentais, em primeira mão então, para os Estados Unidos, a Inglaterra e Israel.

Hoje em dia os jihadistas –guerreiros da denominada Guerra Santa Islâmica- estão sendo recrutados pela OTAN.

Na Líbia assim como na Síria entidades afiliadas a Al-Qaeda, apoiadas e integradas pelas forças especiais da França e da Grã-Bretanha agiram e continuam a agir em benefício da aliança militar ocidental. Eles atuam então como os soldados rasos da OTAN, dentro de um país alvo.



O DESTINO DAS SEMENTES GENÉTICAMENTE PREPARADAS- GMO

Na Índia, onde o Ganges rega as planícies e os campos férteis de Uttar Pradesh, Bihar e a parte ocidental de Bengala, milhares de lavradores empobrecidos e falidos, proprietários ou trabalhadores de maiores ou menores sítios ou fazendas estão, em grande número, cometendo suicídio.

Há confirmação de 250.000 suicídios entre os lavradores. Porque? Isso é porque as sementes orgânicas usadas pelos lavradores estão sendo substituidas por uma variedade de tipos de sementes geneticamente modificadas. O processo leva não só a destruição da diversidade biológica, como também ao fim de inteiras comunidades de lavradores.

Monsanto ofereceu a compra das suas sementes geneticamente modificadas aos lavradores da Índia. Lavradores simples e sem muita instrução pensaram que essa fosse a oportunidade de suas vidas. Eles não faziam idéia do que estava para vir.

As sementes da Monsanto na Índia não produziram o que a companhia tinha prometido, e o que os lavradores esperavam. As sementes caras trouxeram altos níveis de débitos, e isso além de destruir campos de lavoura tradicional. Em muitos casos as sementes simplesmente não cresceram. Os lavradores não estavam conscientes de que essas sementes requereriam mais água do que as sementes tradicionais. Além disso a falta d´agua generalizada em muitas partes da Índia, só fez por aumentar o problema.

Sem colheitas os lavradores não conseguiram pagar seus débitos. Abaixo do peso das consequências das dívidas e da humilhação social, os lavradores começaram a se suicidar, o que então acabou por ser uma consequência social em forma de suicídio em massa, onde muitos lavradores se mataram através do que tinham em mãos. Foram muitas mortes de envenenamento por pesticidas.

A somar-se a miséria dos suicídios de seus companheiros de vida, as mulheres tiveram que herdar as dívidas dos mesmos, juntamente com o medo de ainda vir a perder suas casas e campos. As famílias dos lavradores com a falta de dinheiro tiveram que tirar suas crianças da escola. O suicídio em massa dos lavradores da Índia é conhecido como o “Genocídio GM” [4]

Uma situação similar está a se desenrolar na região Sub-Sahara da África. Tem-se então que nas terras altas da Etiópia, diversas espécies de um sistema agricultural milenar estão agora sendo substituidas pelas sementes e investimentos da Monsanto, Cargill e outros.

A agenda da qual não se fala, é a de no final trocar as variedades e espécies orgânicas tradicionais, que se reproduzem nas incubadoras ao nível regional, pelas do sistema comercial das espécies geneticamente motificadas. Isso é então a ser feito sempre quando o enfraquecimento do sistema tradicional finalmente for obtido. [5]

EMPOBRECIMENTO E FOME NA ÁFRICA SUB-SAHARA

Esse modelo é destrutivo para a agricultura e tem sempre resultado em fome generalizada. Ele está agora sendo replicado em toda a África Sub-Sahara.

Desde a crise do começo dos anos oitenta o Fundo Monetário Internacional, o FMI, e o Banco Mundial, BM, estiveram preparando o terreno para por um ponto final na economia agricultural tradicional da região.

Esse processo consciente e planejado de empobrecimento do continente africano, abaixo da direção do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundia, l está sendo acompanhado por um processo de militarização dirigida. A liderança sendo sempre dos Estados Unidos, esses então agora sempre agindo abaixo do pretexto “Guerra ao Terrorismo”.

No decorrer dos últimos trinta anos muitas guerras civís foram postas no gatilho através das operações dissimuladas e encobertas dos serviços de inteligência ocidentais. Por intermédio dessas muitas guerras –desnecessárias e cruèis- foram deslanchadas através do mundo.

Poderosos interesses de organizações empresariais estão entäo por detrás dessas guerras. O que se almeja é o controle sobre os recursos, sobre o petróleo e o gás natural, assim como de metais preciosos e estratégicos. Todo esse contexto faz parte de uma agenda, já agora não tão secreta.

Petróleo foi descoberto no sul do Sudão em 1978. Cinco anos mais tarde uma “guerra civil” apoiada pela CIA foi deslanchada. Essa guerra foi então liderada por John Garang, homem que foi treinado pelos militares americanos em Fort Benning, Geórgia. A guerra do Sudão resultou em dois milhões de mortos e em quatro milhões de pessoas desalojadas.

Estima-se que quatro milhões de mortos possa ser um resultado mais realista.

A guerra civil da Ruanda, e o genocídio de 1994 resultaram num milhão de mortos. Isso numa população de sete milhões de habitantes.

A guerra por recursos econômicos no Congo resultou em cerca de cinco milhões de mortes.

Essas guerras no Sub-Sahara Africano nunca foram devidamente apresentadas pela mídia -mainstream- nos Estados Unidos e muita gente lá, nem sabe que elas aconteceram.

De uma maneira geral as profecias Maya, ressaltadas entre os acontecimentos mundiais, teve a função prática de distrair as atenções das devastadoras crises atuais, caracterizadas por guerras sem fim, degradação ambiental, e miséria.

REVERTENDO O FLUXO DE GUERRAS. RESTRUTURANDO O DESENVOLVIMENTO. REINSTALANDO AS LIBERDADES CIVÍS.

Apesar de não estarmos enfrentando um cenário de imediato e absoluto “Fim do Mundo” encontramo-nos numa junção muito séria devido a crise econômica-social.

Estamos num ponto sem precedentes na história moderna. Uma grande guerra contra a Síria, assim também como contra o Irã, poderá levar a humanidade a um cenário de Terceira Guerra Mundial.

Os Estados Unidos possuem um impressionante arsenal bélico e o está a usar para ameaçar o mundo de diversas maneiras.

Um assustador estado-policial repressivo está consolidando-se, com uma estrutura de espionagem e vigilância intensiva de civis, não só nos Estados Unidos – como também num âmbito global. No auge da era eletrônica, com sofisticados bancos de dados, e técnicas de vigilância de alta tecnologia, essa operação se processa agora pelo mundo inteiro. A Europa não sendo exceção, muito pelo contrário.

O sistema de Habeas corpus – o direito de ter seu caso provado em corte de lei já foi, em grande parte, anulado nos Estados Unidos. Assassinatos políticos estão tornando-se a ordem do dia, enquanto a comunidade internacional tem aprovado a idéia de guerra nuclear preemptiva, em nome da paz. [!]

Fazer o mundo mais seguro é a justificação usada para uma operação militar que pode resultar num holocausto nuclear.

Mesmo que se possa conceptualizar morte e a destruição resultando das guerras dias do Iraque e Afeganistão, é impossível de se comprender, em toda sua extensão, a devastação que resultaria através de uma terceira guerra mundial. Nessa guerra se usariam as novas tecnologias e os armamentos tecnológico muito avançados, incluindo as armas nucleares. Não se comprende bem, mas isso é só até que se torne realidade.

O que estamos testemunhando nesse começo do século 21 não é uma quebra ou uma queda inesperada e abrupta, mas sim um processo radual de decomposição e declínio social.

O que está em jogo é a destruição da nossa civilização como a conhecemos. O progresso, tanto social como cultural e civilizatório, poderá ser interrompido, e a reprodução da vida humana prejudicada.

Esse processo está sendo marcado pela implementação de uma agenda militar global, agenda essa entrelaçada com uma grande e global depressão econômica.

ESTAMOS VIVENDO NUM DESTRUTIVO E IMPORTANTE PERÍODO DA HISTÓRIA MUNDIAL

Os conceitos ideológicos de uma “Nova Ordem Mundial” são inquisitoriais e devastadores.

O consenso geral é de esse projeto criminosos e global deveria ser apoiado por todos .

Essa Nova Ordem Mundial está a exigir guerras ilegais, um estado-policial-repressivo, a anulação dos direitos e liberdades civís, e a fraude financeira. Tudo então sendo feito [ad nauseum] em nome de uma inexistente democracia .

Não se permite divergência ou debate. Essa é a Inquisição Americana. Os que se opõe a essa perversa forma de democracia são caracterizados como “terroristas”. Ser contra a criminalidade tornou-se numa ofensa criminal.

Para que essa Nova Ordem Mundial possa ser mantida, a realidade tem que ser posta de ponta-cabeça. Tudo tem ser virado de cima para baixo.

O aparato propagantístico encarrega-se, consciente-ou inconscientemente, da missão de instalar em nossas mentes percepções e conceitos totalmente falsos e contrários a realidade.

Temos que aceitar premissas para uma Ordem Mundial onde:
* guerra é anunciada como paz
* o estado policial-militar é anunciado como democracia
* a austeridade é anunciada como prosperidade
* e riqueza e luxo, para pouquíssimos, são apresentados como desenvolvimento
* os assassinatos e a tortura de supostos terroristas são apresentados como parte e parcela da segurança nacional
* tem que ser acreditado que as vítimas das guerras sempre iriam constituir uma ameaça a civilização ocidental.

A realidade é completamente distorcida –ad absurdum.

A crise real afetando o povo desse planeta é obscurecida por falsas crises e catástrofes, já para não se mencionar avisos de iminentes ataques terroristas por inimigos não encontrados ou identifiáveis.

O objetivo final da propaganda a que somos submetidos é o de criar confusão e obediência a um pré-estipulado consenso a ser obtido.

Nesse contexto a opinião pública tem que ser distraida e dirigida para longe da comprensäo da crise afetando a humanidade. depressão econômica real, e mesmo uma potencial terceira guerra mundial, não fazem aqui manchete de jornal.

Entretanto, o perigo de uma guerra mundial não é só potencial, como também muito provável, se as regras do jogo não forem transformadas, desde logo.

Reverter o fluxo dos acontecimentos significa uma revolução em si mesma.

O sistema econômico atual está caracterizado pela criminalidade do sistema financeiro assim como do aparato político. Banqueiros estão envolvidos em falsa-contabilidade para legitimar lucros criminosos. Lockheed Martin, Raytheon e outras fornecedoras de material bélico lutam por mais guerras, enquanto as companhias petrolíferas exigem a conquista do Oriente Medio onde mais de 60% do petróleo mundial está localizado, em países Islâmicos.

A crise atual está puxando toda a estrutura social para um virvel profundo. Esse processo é gradual, mas cumulativo.

Isso significa entque esse processo pode ser revertido.

A condição para que esse processo seja revertido exige o desmantelamento de estruturas e instituições fundamentais do sistema atual, o repúdio do estado-policial-altamente repressivo, o encerramento do complexo industrial-militar- como tal-, a restruturação do sistema financeiro, o desmontar das medidas de austeridade e a restauração dos níveis de vida, assim como o por um ponto final aos assassinatos políticos, e aos assassinatos denominados humanitários. Um repúdio decisivo ao racismo e a xenofobia constituem uma parte inerente de um processo de reversão do fluxo dos acontecimentos.

O que é essencial é uma mudança de regime nos Estados Unidos. Uma total reavaliação do sistema político assim como da estrutura do sistema financeiro é imprescindível..

Essa transformação implicaria, antes de mais nada, o desmantelamento do aparato de propaganda. O ponto focal tendo que ser as fontes de desinformação.

Desmontar o fluxo de desinformação da mídia institucional é um pré-requisito para implementar mudanças mais fundamentais no funcionamento , tanto do sistema econômico quanto do sistema social. Isso implica então mudanças fundamentais nas relações de poder.

O instrumento mais importante a nossa disposição é a verdade. A verdade sempre vencerá sobre a mentira. A verdade é também o alicerce básico para o desenvolvimento de um movimento social, tanto nacional quanto internacional.

Quando a mentira se transforma na verdade, num estado-policial-de-alta –repressão, já não há retorno possível, e a humanidade precipita-se numa espiral autodestrutiva.

É crucial que se entenda a natureza criminosa da nova ordem mundial, suas bases políticas e jurídicas, assim também como a natureza da estrutura de poder da elite que a sustém.

Para reverter o fluxo, os criminosos de guerra em altos escalões oficiais devme ser não só expostos, como também julgados, e isso como um passo inicial.

O complexo-industrial-militar se não eliminado, deverá pelo menos ser controlado politicamente.

Os fraudulentos mecanismos do sistema financeiro – incluindo o comércio com os chamados derivativos e os instrumentos especulativos, as instituições assim como o aparato jurídico-legal, não deverão mais poder agir em impunidade total.

Nesse estudo apresentaram-se algumas idéias para iniciar um debate maior. As complexidades na base da agenda militar e o sistema econômico global precisam de ser encarados para que se possa reverter o fluxo dos acontecimentos levando a uma muito provável catástrofe.

O que se necessita é um movimento de massas que conteste e desafie a legitimidade das guerras, ilegais e de conquista, assim como que diga não as políticas de austeridade econômica, que só beneficiam uns pouquíssimos no alto da pirâmide social.

A guerra tem que ser criminalizada.

Assim já o primeiro passo terá sido dado.

Martin Luther King uma vez disse em outras palavras:

Crianças ao redor do mundo em diferentes ocasiões irão perguntar:
O QUE É A FOME?
O QUE É SEGREGAÇÃO RACIAL
O QUE É A BOMBA ATÔMICA?
O QUE É A GUERRA?

Então se terá que dizer que essas palavras já não se usam mais. São palavras como carruagens, galeras, escravidão. São palavras que já não fazem sentido, e que portanto foram retiradas dos dicionários.

31/01/2013

Terrorismo com "Face Humana": A História dos Esquadrões da Morte dos EUA

por Michel Chessudovsky



O recrutamento de esquadrões da morte, faz parte de uma agenda de inteligência militar bem estabelecida nos Estados Unidos. Há uma longa e atroz história de financiamento e apoio, dissimulado, às brigadas de terror e aos assassinatos seletivos, que vêm do tempo da guerra do Vietnã.

Enquanto forças governamentais sírias, ainda hoje estão confrontando o autoproclamado “Exército Livre da Síria” –FSA, as raízes históricas da guerra encoberta do Ocidente contra a Síria - guerra essa que já resultou em inúmeras atrocidades - devem ser totalmente reveladas. 

Desde o começo, em março de 2011, os Estados Unidos e seus aliados tem apoiado a formação de esquadrões da morte, assim como a invasão do território da Síria por brigadas terroristas em uma iniciativa cuidadosamente planificada.

O recrutamento e o treino de brigadas terroristas tanto no Iraque quanto na Síria, foram modelados na denominada “Opção Salvador”, um "modelo terrorista" para assassinatos em massa efetuados por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA na América Central. Foi aplicado pela primeira vez em El Salvador, no apogeu da resistência contra a ditadura militar, que levou ao que se estima foram 75.000 mortes.

A formação de esquadrões da morte na Síria se baseia na história e experiência de brigadas terroristas patrocinadas pelos EUA no Iraque, sob o programa de "contrainsurgência" do Pentágono.

O estabelecimento dos Esquadrões da Morte no Iraque

Os esquadrões da morte patrocinados pelos Estados Unidos foram recrutados no Iraque em 2004-2005 numa iniciativa lançada sob a direção do embaixador americano John Negroponte, que foi mandado para Bagdá pelo Departamento do Estado Americano, em junho de 2004.

Negroponte era o homem certo para o trabalho, uma vez que tinha sido embaixador para Honduras de 1981 a 1985. Negroponte fez um papel central em apoiar e em supervisionar os Contras de Nicarágua, que estavam baseados em Honduras. Ao mesmo tempo ele também supervisionava as atividades dos esquadrões da morte militares de Honduras.

“No governo do general Gustavo Alvarez Martinez, o governo militar de Honduras era um aliado íntimo da administração de Reagan e “fazia desaparecer” dezenas de opositores políticos mediante métodos clássicos dos esquadrões da morte.”

Em janeiro de 2005, o Pentágono confirmou que estava considerando: 

"'Formar esquadrões de assassinos de combatentes xiitas e curdos para atacar líderes da resistência iraquiana em uma mudança estratégica vinda da experiência da luta contra as guerrilhas de esquerda da América Central, há 20 anos atrás'.

Sob a denominada “Opção El Salvador” forças iraquianas e americanas deveriam ser mandadas a matar ou sequestrar líderes da insurreição, mesmo na Síria, onde alguns dos insurgentes teriam tido então abrigo.

Esquadrões de ataque sendo controversos, deveriam provavelmente ter de ser mantidos secretos.

A experiência dos 'esquadrões da morte' na América Central continua a ser uma experiência brutal para muitos, e ainda continuam contribuindo para sujar a imagem dos Estados Unidos na região.

Tem se ainda que a administração de Reagan deu fundos e treinou times de forças nacionalistas para neutralizar os líderes rebeldes salvadorenhos, assim também como os que com eles simpatizavam.

John Negroponte, o embaixador americano em Bagdá, tinha um lugar privilegiado de observação dado o seu tempo como embaixador em Honduras de 1981-85.

Esquadrões da morte era uma parte brutal da política latino-americana de então...

No começo dos anos oitenta a administração de Reagan deu fundos e treino aos Contras de Nicarágua baseados em Honduras, com o objetivo de derrubar o regime sandinista de Nicarágua Os Contras foram equipados com o dinheiro obtido pela venda americana, ilegal, de armas ao Irã. Esse foi um escândalo que poderia ter derrubado Reagan do poder.

O impulso da proposta do Pentágono no Iraque... era o de seguir esse modelo...

Não ficou claro se o objetivo principal da missão seria o de matar os rebeldes ou sequestrá-los para levá-los a interrogatórios, no Iraque. Qualquer missão na Síria seria provavelmente feita pelas Forças Especiais dos Estados Unidos.

Também não ficou claro quem iria ter a responsabilidade pelo programa, se o Pentágono ou a Agência Central de Inteligência, ou seja, a CIA. Essas operações feitas abaixo de panos – encobertas, tem tradicionalmente sido feitas pela CIA, a um braço de distância da administração em poder, dando aos oficiais americanos a possibilidade de negar conhecimento da situação". (El Salvador-style “death squads” to be deployed by US against Iraq militants – Times Online, January 10, 2005)

Enquanto o objetivo especificado da “Opção Salvadorenha para o Iraque” seria a de acabar com a resistência, na prática as brigadas terroristas patrocinadas pelos Estados Unidos se envolveram em matanças rotineiras de civis, tendo em visto o atiçar uma violência sectária.

Por seu turno, a CIA assim como a MI6 estavam superintendendo unidades da “Al Qaeda no Iraque” envolvidas em assassinados de alvos demarcados e dirigidos contra a população Shiite. É importante de se ressaltar que os esquadrões da morte foram integrados assim como aconselhados, encoberta e dissimuladamente, pelas Forças Especiais dos Estados Unidos.

Robert Stephen Ford – ..Depois apontado como embaixador dos Estados Unidos na Síria, fazia parte do time de Negroponte em Bagdá, durante o período de 2004-2005. Em janeiro 2004 ele foi mandado como representante americano para a cidade Shiite de Najaf, que era um foco forte do exército “Mahdi, com o qual ele fez contatos preliminares.

Em janeiro de 2005, Robert S. Ford foi apontado como Ministro Conselheiro para Assuntos Políticos – Minister Counsellor for Political Affairs- na Embaixada dos Estados Unidos, abaixo da direção do embaixador John Negopronte. Ele não somente fazia parte do círculo mais próximo e fechado de Negroponte. Ele era também o associado dele no estabelecimento da “Opção Salvadorenha” no Iraque. O terreno já tinha então sido preparado em Najaf, antes da transferência de Ford a Bagdá.

John Negroponte e Robert Stephen Ford foram encarregados de recrutar os esquadrões da morte iraquianos. Enquanto Negroponte coordenava as operações a partir de seu gabinete na Embaixada dos Estados Unidos, Robert S. Ford que falava fluentemente tanto árabe como a língua turca, teve a incumbência de estabelecer contatos estratégicos com os grupos militantes Shiite e Curdos, fora da “Zona Verde”-“Green Zone”.

Dois outros oficiais da embaixada, nomeadamente Henry Ensher – auxiliar ou deputado de Ford, assim como um oficial mais jovem da secção política, Jeffrey Beals, tiveram um papel importante no time que então “falava com alguns segmentos iraquianos, incluindo extremistas”. (Veja The New Yorker, March 26, 2007). Uma outra pessoa-chave no time de Negroponte era James Franklin Jeffrey, embaixador dos Estados Unidos, na Albânia 2002-2004. Jeffrey veio a tornar-se embaixador dos Estados Unidos para o Iraque, entre 2010-2012.

Negroponte também trouxe para dentro do time um de seus antigos colaboradores, o Coronel James Steele, retirado dos seus dias de apogeu em Honduras.

Durante a “Opção El Salvador” no Iraque, Negroponte foi assistido por um colega dos anos oitenta, ou seja, dos seus dias na América Central. Esse colega de Negroponte no Iraque era então o aposentado Coronel James Steele.

Steele, que recebeu em Bagdá o título de Conselheiro das Forças de Segurança Iraquianas -Counselor for Iraqi Security Forces- supervisionou a seleção e o treino dos membros da Organização Badr e do Exército Mahdi, as duas maiores milícias Shiitas, no Iraque. Isso com a intenção de fazer de alvo a direção e a rede de apoio da resistência, primordialmente Sunni, do Iraque. Tenha sido planejado, ou não, esses esquadrões da morte logo ficaram fora de controle e se tornariam na causa de morte número 1, no Iraque.

Se foi a intenção original ou não, o número de corpos torturados e mutilados surgindo nas ruas de Bagdá todos os dias foram obras dos esquadrões da morte, que por sua vez eram impulsionados por John Negroponte. E, foi a violência sectária apoiada pelos Estados Unidos que levou em muito grande parte ao infernal desastre que é o Iraque de hoje. (Dahr Jamail, Managing Escalation: Negroponte and Bush´s New Iraq Team. Antiwar.com, January 7, 2007)

De acordo com o Republicano Dennis Kucinich o coronel Steele era o responsável, pela implementação do plano em El Salvador, onde dezenas de milhares salvadorenhos “desapareceram” ou foram assassinados, inclusive então também o Arquebispo Oscar Romero, assim também como quatro freiras americanas.

Logo do seu apontamento para Bagdá, o Coronel Steele foi encaminhado para a unidade de contrainsurreição, unidade essa conhecida como o Comando Policial Especial- “Special Police Commando”, abaixo do Ministério do Interior do Iraque. (Veja ACN, Havana, 14 de junho 2006).

Relatórios confirmam que “os militares americanos entregaram muitos prisioneiros para a Wolf Brigade – o temido 2º batalhão dos comandos especiais do ministério do interior” , que então estavam abaixo do comando do Coronel Steele. Os prisioneiros foram entregados para “interrogatórios adicionais”. . Peter Mass do New York Times confirma que:

“US soldados, conselheiros dos EUA, estavam em posição observando, sem fazer nada,” enquanto membros da “Wolf Brigade” batiam, assim como torturavam os prisioneiros. Os comandos do Ministério do Interior do Iraque teriam então também tomado a biblioteca pública de Samara para a transformar num centro de detenção.

Uma entrevista conduzida por Mass em 2005 nesse local transformado em prisão e em companhia do conselheiro militar americano da “Wolf Brigade”, o coronel James Steele, foi interrompida pelos gritos aterrorizados de um prisioneiro fora do local, disse ele. Steele como consta do protocolo foi empregado anteriormente como conselheiro para ajudar a esmagar a resistência em El Salvador.” (Ibid)

Um outro elemento notório que teve um papel no programa da contrainsurreição no Iraque foi o ex-Comissionário da Polícia de Nova Iorque, Bernie Kerik que em 2007 foi indicado em corte federal por 16 acusações judiciais.

Kerik foi o enviado pela administração de Bush, no começo da ocupação do Iraque, para organizar e treinar a força policial do Iraque. Durante o seu curto termo em 2003, Kerik –que preencheu o posto de interim Ministro do Interior- trabalhou para organizar unidades de terror dentro da Força Policial do Iraque: mandado para o Iraque para por as forças de segurança iraquiana em forma, Kerik usava a denominação “ministro interim do interior do Iraque”. Entretanto, conselheiros policiais britânicos o chamavam de o “exterminador de Bagdá”. (Salon, 9 de dezembro de 2004)



Abaixo da direção de Negroponte, da Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, uma onda de assassinatos encobertos de civis, assim também como assassinatos de pessoas entendidas como alvos, foi deslanchada. Engenheiros, médicos, cientistas e intelectuais foram alvos. O autor e analista geopolítico Max Fuller, documentou em detalhe as atrocidades cometidas abaixo do programa de contrainsurreição patrocinado pelos Estados Unidos.

O aparecer dos esquadrões da morte entraram primeiramente em foco em maio de 2005 quando foi reportado que...dezenas de corpos tinham sido depositados...em terrenos baldios ao redor de Bagdá. Todas as vítimas tinham as mãos presas em algemas, estavam com os olhos vedados e tinham sido baleadas na cabeça. Muitos deles mostravam sinais de terem sido brutalmente torturados...

A evidência foi suficiente para motivar a Associação de Acadêmicos Muçulmanos –Association of Muslim Scholars, AMS, uma conhecida e importante organização Sunnita a fazer declarações públicas na qual acusavam as forças de segurança ligadas ao Ministério do Interior, assim como a Badr Brigade, a ex-ala armada do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque –Supreme Council for Islamic Revolution in Iraq, SCIRI, por estar por detrás dessas mortes. Eles também acusaram o Ministério do Interior de estar conduzindo terrorismo de estado (Financial Times).

Os Comandos Policiais assim como a “Wolf Brigade” eram supervisionadas pelo “programa de contrainsurreição”, no Ministério do Interior do Iraque.

Os Comandos Policiais eram formados abaixo da experiência, tutelagem e supervisão de combatentes americanos, veteranos de contrainsurreição. Os comandos policiais iraquianos então, desde o começo conduzindo operações conjuntas com as unidades de forças de elite, altamente secretas.(Reuters, National Review Online).

...James Steele foi uma figura chave no desenvolver dos Comandos Especiais da Polícia - Special Police Comandos do Iraque. Ele foi um operativo das forças especiais do Exército dos Estados Unidos, que tendo começado no Vietnã foi depois mandado para dirigir a missão militar dos Estados Unidos em El Salvador, no auge da guerra civil, no país...

Outro contribuinte no desenvolver dos Comandos Especiais da Polícia, no Iraque, foi o mesmo Steven Casteel que como o mais experiente conselheiro dos Estados Unidos no Ministério do Interior afastou sem maiores considerações as bem substanciadas acusações de apavorantes violações dos direitos humanos como “rumores e insinuações”.

Assim como Steele, Casteel também ganhou considerável experiência na América Latina, no caso dele através de participar na perseguição do barão da cocaína, Pablo Escobar, nas narco-guerras da Colômbia, nos anos noventa...

O cenário da história pessoal de Casteel é importante nesse caso, porque o tipo de papel de apoio na colheita de informação e na produção de listas de morte, nas quais as suas experiências na América Latina foram baseadas então, são características do envolvimento dos Estados Unidos em programas de contrainsurreição, constituindo um elemento básico no que se poderia perceber como acaso, ou orgias de carnificinas desconexas.

Comentários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 2005...Esses tipos de genocídios planificados de forma centralizada são consistentes com os acontecimentos no Iraque...Isso é também consistente com o pouco que sabemos a respeito dos Comandos Especiais da Polícia, que foi projetada para prover o Ministério do Interior com uma força de capacidade de ataque especial. (Departamento de Defesa dos Estados Unidos).

Max Fuller comentou, no contexto, que em mantendo esse papel os quartéis de Comando da Polícia tinham se tornado no centro de um comando nacional de controle, comunicação, informática e inteligência – Cortesia dos Estados Unidos. (Max Fuller, op cit).

Essa inicial preparação de terreno, estabelecida abaixo da direção de Negroponte, em 2005, permitiu a implementação das atividades abaixo de seu sucessor, o embaixador Zalmay Khalilzad. Robert Stephen Ford garantiu a continuidade do projeto antes do seu apontamento como embaixador dos Estados Unidos na Argélia em 2006, assim também como depois do seu retorno a Bagdá, como Chefe Deputado da Missão – Deputy Chief of Mission, em 2008.

Operação "Contras Sírios": Aprendendo com a Experiência Iraquiana



A macabra versão iraquiana da “Opção El Salvador” abaixo da direção do embaixador John Negroponte serviu como modelo para a construção dos Contras do “Exército Livre da Síria”. Robert Stephen Ford esteve muito provavelmente envolvido na implementação do projeto dos Contras na Síria, depois do seu apontamento como Chefe Deputado da Missão –Deputy Head of Mission em Bagdá, 2008.

Na Síria o objectivo era o de criar divisões faccionais entre as comunidades Sunnitas, Shiitas, Curdas e Cristãs. Conquanto o contexto da Síria seja completamente diferente da do contexto do Iraque, existem também surpreendentes similaridades ao que diz respeito aos procedimentos pelos quais as atrocidades e matanças foram, e continuam sendo conduzidas.

Uma reportagem publicada pelo Der Spiegel em relação as atrocidades cometidas na cidade síria de Homs confirma um processo sectário de assassinatos em massa e mortes extrajudiciais, ou seja assassinatos, comparáveis as conduzidas pelos esquadrões da morte no Iraque, esquadrões patrocinados pelos Estados Unidos.

As pessoas em Homs eram de forma rotineira categorizadas como “prisioneiros” (Shia, Alawita) e “traidores”. Os traidores eram os civis Sunnitas, dentro da área urbana ocupada pelos rebeldes, que expressavam discordância ou oposição ao reino de terror do Exército Livre da Síria -“Free Syrian Army” –FSA:

“Desde o último verão [2011], nós executamos pouco menos que 150 homens, o que representa cerca de 20% dos nossos prisioneiros,” disse Abu Rami.... Mas os executores de Homs estiveram mais ocupados com traidores dentro de suas próprias falanges do que com prisioneiros de guerra. “Se pegamos um Sunnita espionando, ou se um cidadão trai a revolução, fazemos o processo curto, disse o combatente. De acordo com Abu Rami, “Hussein´s burial brigade” teria posto entre 200 a 250 traidores a morte, desde o começo da sublevação.” (Der Spiegel, March 30, 2012)

Preparações ativas para a operação síria teriam certamente sido iniciadas quando da chamada de Ford da Argélia, nos meados de 2008 para um novo apontamento na embaixada dos Estados Unidos no Iraque.

O processo exigia um programa inicial de recrutamento e treino de mercenários. Esquadrões da morte, incluindo unidades Salafistas do Líbano e da Jordânia entraram pela fronteira sul da Síria -com a Jordânia, nos meados de março de 2011. Muito da preparação do terreno estava já pronta antes da chegada de Robert Stephen Ford a Damasco, em janeiro de 2011.

O apontamento de Ford como embaixador da Síria foi anunciado no começo de 2010. As relações diplomáticas estiveram cortadas desde 2005 após o assassinato de Rafik Hariri, do qual os Estados Unidos acusaram a Síria. Ford chegou em Damasco apenas dois meses antes do começo da insurreição.


O Exército Livre Da Síria - FSA

Washington e seus aliados replicaram na Síria as características essenciais da “Opção El Salvador –do Iraque”, levando a criação do Exército Livre da Síria -FSA- e as suas várias facções incluindo a brigada “Al Nusra”, afiliada a Al Qaeda.

Apesar da criação do Exército Livre da Síria –FSA ter sido anunciada em junho de 2011, o recrutamento e treino dos mercenários, vindos de fora do país, foram iniciados muito anteriormente.

Em muitos aspectos, o Exército Livre da Síria é uma cortina de fumaça, usada para enublar e desvanecer os contornos da realidade. O denominado Exército Livre da Síria é apresentado pela mídia ocidental como uma entidade de boa fé, estabelecida como resultado de defecções em massa das forças governamentais. O número das defecções no entanto, não foram nem significantes, nem suficientes para estabelecer uma estrutura militar coerente, com os devidos comandos e controles de função.

O Exército Livre da Síria não é uma entidade militar profissional, é mais uma rede não estruturada, constituída por diversas brigadas terroristas, as quais por seu turno, são constituídas por muitas células paramilitares, agindo em diversas partes do país.

Cada uma dessas organizações opera independentemente. O Exército Livre da Síria- FSA, não exerce funções de controle ou comando efetivos e isso inclui também não efetividade nas suas ligações e contatos com as entidades paramilitares. Essas entidades paramilitares estão em sua grande parte controladas pelas forças especiais, assim como profissionais da inteligência, patrocinados pelos EUA-OTAN. Tanto as forças especiais como os profissionais da inteligência são encaixados, ou incrustados, nas alas das várias formações terroristas.

Essas forças especiais “no solo” – muitas das quais contratadas de companhias particulares de segurança, estão de forma rotineira, em contacto com EUA-OTAN, assim também como com unidades de comando da inteligência militar dos outros envolvidos. As Forças Especiais estão, muito provavelmente, também envolvidas nos ataques devastadores, muito cuidadosamente planejados, dirigidos contra as instalações governamentais, conjuntos militares, e muitos outros objetos centrais e sensíveis.

Os esquadrões da morte são mercenários recrutados e treinados pelos EUA-OTAN, e seus aliados do Golfo Pérsico, GCC. Eles são supervisionados pelas forças especiais aliadas, assim como por companhias particulares de segurança -em contrato com a OTAN e o Pentágono. Relatórios confirmam o emprisionamento pelas forças governamentais da Síria, de cerca de 200-300 contratados de firmas particulares de segurança, contratados esses que estavam integrados nas alas dos rebeldes.

A Frente Jabhat Al Nusra



A Frente Al Nusra -que se entende como afiliada a Al Qaeda- é descrita como o grupo rebelde mais efetivo na luta da oposição. Al Nusra é o grupo responsável por muitos dos maiores –high profile- ataques de bombas. O grupo Al Nusra é apresentado como um inimigo dos Estados Unidos, e está na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado.

Entretanto, as ações da Al Nusra apresentam as características, ou impressões digitais, dos treinos e das tácticas paramilitares dos Estados Unidos. As atrocidades cometidas contra civis pelo grupo Al Nusra são similares a aquelas feitas pelos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA no Iraque.

Nas palavras do líder da Al Nusra, Abu Adnan, in Aleppo:- “Jabhat al-Nusra conta com veteranos sírios da guerra do Iraque entre seus números, homens que trazem perícia – especialmente na construção de dispositivos explosivos (IEDs) para o fronte na Síria.”

Como no Iraque, violência entre facções e limpeza étnica foram ativamente promovidas. Na Síria as comunidades Alawita, Shia e Cristãs foram alvo dos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA-OTAN. A comunidade cristã foi um dos alvos centrais no programa de assassinatos.

Relatórios confirmam o influxo de Salafistas e esquadrões da morte afiliados a Al Qaeda abaixo dos auspícios da Irmandade Muçulmana para dentro da Síria, desde o começo da insurreição, em março 2011.

Ainda mais, reminiscente do alistamento dos Mujahideen para lutar a jihad –guerra santa- da CIA no auge da guerra União Soviética-Afeganistão, guerra essa que a OTAN e a Turquia (the Turkish High command) tinham iniciado...

... “uma campanha para alistar milhares de voluntários Muçulmanos nos países do Oriente Médio e no Mundo Muçulmano para lutar lado a lado com os rebeldes sírios. O Exército turco iria acomodar esses voluntários, treiná-los e assegurar a passagem dos mesmos para dentro da Síria. (DEBKAfile, NATO to give rebels anti-tank-weapons, August 14, 2011).

De acordo com o que foi relatado, companhias particulares de segurança operando dos países do Golfo estão envolvidas em recrutamento e treino de mercenários.

Apesar de não especialmente marcadas para o recrutamento dos mercenários dirigidos contra a Síria, relatórios apontam para uma criação de campos de treinamento em Qatar e no Emirados Árabes Unidos –UAE. Na cidade militar de Zaved –Zaved Military City, UAE, “um exército secreto está sendo construído”, operado por Xe Services, antes denominado Blackwater. O acordo da UAE para estabelecer um campo militar para treino de mercenários foi assinado em julho de 2010, nove meses antes dos furiosos ataques contra a Líbia e a Síria.

Em desenvolvimentos recentes, companhias de segurança em contrato com a OTAN e o Pentágono estiveram envolvidas em treinar os esquadrões da morte no uso de armas químicas.

“Os Estados Unidos e alguns aliados europeus estão usando contratados da defesa para treinar os rebeldes sírios em como assegurar provisões de armas químicas na Síria, um sênior oficial dos Estados Unidos, e diversos diplomatas informaram a CNN, domingo” (CNN Report, December 9, 2012).

Os nomes das companhias envolvidas não foram revelados.


Atrás de portas fechadas no departamento de Estado dos EUA

Robert Stephen Ford fazia parte de um pequeno time no Departamento do Estado Americano que supervisionava o recrutamento e treino de brigadas terroristas, conjuntamente com Derek Chollet e Frederic C. Hof, um ex-associado de negócios de Richard Armitage, que serviu como “coordenador especial” de Washington, em assuntos da “Síria”. Derek Chollet foi recentemente apontado para a posição de “Assistant Secretary of Defense for International Security Affairs” (ISA)- [Secretário Auxiliar da Defesa para Assuntos de Segurança Internacional]

Esse time trabalhou abaixo da direção do ex-Auxiliar Secretário de Estado para Assuntos do Próximo Oriente –Near Eastern Affairs, Jeffrey Feltman.

O time de Feltman estava em próximo contacto com os processos de recrutamento e treino dos mercenários da Turquia, Qatar, Arábia Saudita e Líbia (cortesia do pós-Kaddafi regime, que despachou -600- tropas da “Libya Islamic Fightin Group”-LIFG para a Síria, via Turquia, nos meses a seguir o colapso do governo de Kadafi, em setembro 2011.

O Auxiliar Secretário do Estado, Feltman, esteve em contacto com o Ministro do Exterior Saudita, o Príncipe Saud al Faisal , e o Ministro do Exterior de Qatar, Sheik Hamad bin Jassim. Ele também esteve encarregado do gabinete para “coordenação especial de segurança” relacionado a Síria e baseado em Doha. Esse gabinete incluía representantes das agências de inteligência do ocidente, assim como do GCC e representantes da Líbia. O Príncipe Bandar bin Sultan, a prominente e controverso membro da inteligência Saudita fazia parte desse grupo. (Veja Press TV, May 12, 2012).

Em junho 2012, Jeffrey Feltman foi apontado UN Under-Secretary-General for Political Affairs, uma posição estratégica que, na prática consiste em por a agenda da ONU (em favor de Washington) em assuntos pertencendo a “Resolução de Conflitos” em vários focus de problema ao redor do globo. Isso inclui Somália, Líbano, Líbia, Síria Iêmem e Mali. Numa amarga ironia, os países para a “resolução de conflitos” da ONU são então aqueles mesmos sendo alvos das operações, encobertas, dos Estados Unidos.