por Libero Baluardo
(2020)
"Devemos começar o dia pensando na morte": Yamamoto Tsunetomo estabelece assim, em seu Hagakure, a linha que todo samurai deve seguir ao longo de sua existência. Um aspecto central do caminho do guerreiro japonês, que se expressa na pureza límpida com que Yukio Mishima, em 25 de novembro de 1970, enfrenta seu casamento com a morte e nos deixa a chave para entender toda uma civilização: "O valor de um homem se revela no exato instante em que a vida se confronta com a morte". A fronteira dá rosto e forma à matéria, dá beleza ao traçar seu perfil, seja uma estátua, uma nação ou uma vida. Então como contar uma história tão fascinante como a do "samurai de Fiume" sem começar pelo seu fim? Já que estamos falando de um poeta, um poeta armado, que fez do seu pensamento arte, ou melhor, ação, é bom começar onde sua maior obra termina. Sim, assim deve começar a viagem à sua descoberta: uma viagem "dantesca", uma catarse que nos levará da morte à vida, uma ascensão que, se quisermos, imita o caminho do Sol. Assim seja então, vamos começar pelo fim.
