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03/12/2023

José Javier Esparza - O Último Irredutível: Agustín de Foxá

 por José Javier Esparza

(2023)


"E pensar que depois que eu morrer, / ainda haverá manhãs brilhantes / [...] E pensar que, nua, azul, lasciva, / sobre meus ossos dançará a vida".

Nestes tempos, a melhor coisa que pode acontecer a um autor é ser apontado como incorreto, inconveniente, perigoso; esse é um sinal inequívoco de que o autor é interessante. Isso aconteceu há alguns anos com Agustín de Foxá: os comunistas do conselho municipal de Sevilha vetaram uma homenagem à sua figura literária com o argumento transparente de que o autor, que morreu há mais de meio século, "é falangista". Até então, eles haviam se contentado em enterrá-lo em silêncio. Agora eles também queriam queimar sua efígie. Mas muitos de nossos compatriotas devem ter se perguntado: "Foxá?" "Quem é Foxá?" "Por que o estão banindo?". É sobre isso que falaremos aqui.

28/12/2018

José Javier Esparza - Não se pode dizer o que acontece na França

por José Javier Esparza

(2018)



Não se pode dizer o que acontece na França. Porque, se você diz, todo o establishment cai sobre você e te chama de fascista. Como não se pode dizer, se silencia. Mas o silêncio não faz com que o problema desapareça, ao contrário: o enterra e o faz crescer até que explode, e de maneira imprevisível. Então todo mundo vê, mas ninguém sabe já seu nome. E como ninguém mais sabe seu nome, tampouco se pode dizer. Só restam os escombros das ruas destruídas e o negro dos incêndios, e também a cólera que voltará a despertar.

Macron e a Gasolina

Partamos do princípio. No início de 2018, o presidente Macron avalia os problemas financeiros do Estado e decide elevar ainda mais o preço dos combustíveis nos postos: é uma medida que renderá uma grande quantidade de lucros líquidos, por meio de impostos indiretos, e que ele poderá maquiar perfeitamente em nome da luta contra as mudanças climáticas. Macron, sim: o mesmo que havia suprimido o imposto sobre as grandes fortunas assim que chegou ao poder. Mas passado o mês de maio, uma vendedora de cosméticos, Priscilla Ludovsky, lança nas redes sociais uma petição para que se reduzam os preços dos combustíveis: se, de fato, se trata de lutar contra as emissões contaminantes – pergunta-se Patrícia – por que subir o preço somente para os automobilistas, e não para os combustíveis do transporte aéreo e marítimo? Na realidade estamos diante de uma subida camuflada de impostos. E isso em um país no qual a receita por impostos já representa 18,7% do PIB (na Espanha é 9%) e cujos cidadãos suportam o maior peso fiscal da União Europeia: cada francês destina em média 57,41% de sua renda para pagar impostos (na Espanha, a cifra, altíssima, está abaixo dos 50%). Para quem governa Macron? Por que elimina o imposto sobre os ricos e, ao contrário, sobe os impostos sobre a espoliada classe média?

21/11/2018

José Javier Esparza - Revisar Spengler: Da Filosofia da Vida à Filosofia da Crise?

por José Javier Esparza



Quando a sombra de um autor (um filósofo, um político, um poeta...) gravita sobre a alma de uma época que não é a sua, as razões podem ser de dois tipos. Um, o interesse dos mandarins do poder cultural por reatualizá-lo, relê-lo e interpretar suas ideias de acordo com a ideologia social oficial: lhe serão dedicados seminários na Universidade, artigos nos jornais de grande circulação, programas biográficos na televisão, etc., e finalmente será adaptado (digerido) pelo sistema; dois exemplos recentes: Ortega e Unamuno. O outro tipo de razões pelas quais um autor pretérito pode permear o ânimo de uma época determinada é a vigência de suas ideias, a retidão de suas intuições, a presença molesta de sua concepção do mundo nos foros onde se ventila qual há de ser o pensamento oficial: ele será ignorado, não se escreverá sobre ele nos jornais, nem se falará dele na televisão, mas suas ideias, como uma sombra fatídica, acompanharão os oradores do pensamento oficial obrigando-os a criticar continuamente as posições desse autor. Tal é o caso de Spengler, mais conhecido em nossos dias pelas críticas que dele se fazem do que pelas coisas que disse e pensou. Não obstante, é precisamente em seu pensamento que se encontra a chave de sua vigência, da pós-modernidade à epistemologia moderna, e passando pela literatura de antecipação. É neste marco que conceitos tipicamente spenglerianos como decadência (a da Europa), homem felash (o homem ocidental) e pessimismo (o nosso) encontram sua melhor acomodação.