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07/06/2025

Diego Fusaro - Capitalismo e Destruição das Fronteiras

 por Diego Fusaro

(2024)

 


O capital, em sua lógica de desenvolvimento, tende, no final, a entrar em conflito com os limites dentro dos quais se desenvolveu durante a Era Moderna. O ano de 1989 inaugura uma época que se celebra em tempo real como marcada pelo fim dos muros e das fronteiras; isso porque, parafraseando Marx, para o capital toda fronteira se torna, cedo ou tarde, um muro que deve ser derrubado.

A lógica do capital é tal que a própria fronteira, enquanto figura espacial da ontologia do limite, é um inimigo a ser derrotado; por isso, o capital não consegue distinguir entre muro e fronteira, e precisa combater ambos como figuras indistintas da resistência à sua própria invasão. Todo limite material (como a fronteira) e imaterial (como a ética da justa medida) acaba sendo ultrapassado, de modo que se anule qualquer linha divisória entre o que é interno e o que é externo ao ordenamento capitalista mundializado e ao "continente invisível" das finanças globais. Contextualmente, ocorre uma desconstrução das fronteiras conceituais e dos limites simbólicos (o que se manifesta, entre outras coisas, na evaporação pós-moderna da linha divisória entre jovens e velhos) e uma aniquilação até mesmo das fronteiras naturais (como a que existe entre homens e mulheres e, cada vez mais, entre humanos e animais – o "antiespecismo"). O próprio pensamento binário parece estar em crise, fundado como está na distinção irredutível entre diferentes.

25/10/2023

Diego Fusaro - A Ditadura da Plutocracia Financeira

 por Diego Fusaro

(2023)


Graças aos processos de supranacionalização e à ordem do discurso dominante, os próprios povos estão cada vez mais convencidos de que as decisões fundamentais não dependem de sua vontade soberana, mas dos mercados e das bolsas de valores, de "vínculos externos" e de fontes superiores de significado transnacional. Essa é a realidade que os povos, de baixo para cima, simplesmente "devem" secundar eleitoralmente, votando sempre e somente conforme exige a racionalidade superior do mercado e de seus agentes.

26/03/2023

Diego Fusaro - O Novo Capitalismo Absoluto-Totalitário: Filho do Maio de 68

 por Diego Fusaro

(2021)


O novo espírito do capitalismo é a) totalitário, pois ocupa a realidade material e imaterial de forma total e totalitária, tornando-se como o ar que respiramos, saturando o espaço do mundo (globalização) e o da consciência, com uma colonização do imaginário, de modo que tudo é pensado através da forma-mercadoria (dívidas e créditos nas escolas, útero de aluguel, investimentos afetivos, etc.). É também b) absoluto, pois ele agora está perfeitamente “concretizado” (absolutus), ou seja, realizado em seu próprio conceito (tudo, sem resíduos, tornou-se mercadoria): e é perfeitamente concretizado precisamente porque está “liberado de” (solutus ab) toda limitação que ainda poderia impedir, deter ou até retardar seu desenvolvimento.

02/01/2023

Diego Fusaro - "Deus Está Morto": Nietzsche, Heidegger e o Tempo do Relativismo Absoluto

 por Diego Fusaro

(2022)


O aforismo 125 d'A Gaia Ciência de Nietzsche é o lugar epifânico do niilismo ligado à desdivinização, com o Gottes Tod, com a "morte de Deus". Ao contrário do discurso científico e antimetafísico que se desenvolve no espaço do moderno, Nietzsche não afirma a inexistência de Deus, argumentando-a talvez more geometrico. Pelo contrário, ele alude à morte de Deus e, portanto, ao seu declínio ou, mais corretamente, à evaporação de uma ordem de valores e ontologia que encontrou seu fundamento último na figura de Deus. Nas palavras d'A Gaia Ciência:

"Quem nos deu a esponja para apagar completamente o horizonte? O que fizemos para soltar esta terra da corrente de seu sol? Para onde ela está se movendo agora? Para onde estamos nos movendo? Longe de todos os sóis? A nossa não é uma queda eterna? E para trás, de lado, para a frente, para todos os lados? Ainda há um acima e um abaixo? Não estamos vagueando como se atravessássemos um infinito nada? Não sentimos o sopro do vazio sobre nós? Não está ficando mais frio? A noite não continua a chegar, cada vez mais noite?"

12/12/2021

Diego Fusaro - Pleonexia: A Origem Antiga do Consumismo, Doença do Ocidente

 por Diego Fusaro

(2020)


Se quiséssemos dar um nome à doença do Ocidente, encontrá-lo-íamos na esplêndida palavra grega para "querer ter mais": pleonexia. Platão a menciona várias vezes em seus diálogos. Com a esplêndida imagem do "Fedro", a pleonexia é a doença da alma na qual o cavalo negro, o da paixão, tomou o lugar do auriga da razão e do cavalo branco. A pleonexia é a triste paixão que nos leva a ceder ao desejo de mais e mais, traindo assim o imperativo délfico de "nada em excesso" (meden agan).

10/12/2021

Campanha de Pré-Venda das obras "Para Além dos Direitos Humanos", de Alain de Benoist, e "Globalização Infeliz", de Diego Fusaro, pela Editora ARS REGIA

 


A equipe da Legio Victrix declara seu apoio à campanha de pré-venda de Natal da ARS REGIA: "Para Além dos Direitos Humanos. Defender as Liberdades", do influente filósofo dissidente francês Alain de Benoist e "Globalização Infeliz: Onze Teses Filosóficas sobre o Mundo do Mercado", do filósofo comunitarista italiano Diego Fusaro.

O filósofo francês traça as origens da ideologia dos direitos humanos, distinguindo entre o pensamento jurídico pré-moderno e o moderno, investigando as raízes da noção de direito subjetivo, apontando a essência ocidental dos "direitos humanos", desnudando a instrumentalização imperialista da narrativa dos direitos humanos e oferecendo outras possibilidades de defender o bem comum e ideias de justiça.

Já o filósofo italiano, em sua obra, expõe detalhadamente a natureza estratificada da sociedade global pós-liberal e pós-moderna, narra o processo de virada totalitária da globalização, aponta para as migrações em massa como expressão da natureza líquida do capital, atualiza o conflito geopolítico fundamental entre Terra e Mar, equipara terrorismo e globalismo, e defende um comunitarismo e a solidariedade entre nações soberanas como resposta ao globalismo.

São dois autores indispensáveis para todos que querem compreender os principais dilemas políticos, filosóficos, jurídicos, econômicos, sociais e culturais do mundo contemporâneo.

Para apoiar e garantir seus livros: 

https://www.catarse.me/para_alem_dos_direitos_humanos_e_globalizacao_infeliz

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13/09/2020

Diego Fusaro - Marxismo, Antifascismo e Esquerda Cor-de-Rosa

 por Diego Fusaro

(2019)




Estou muito feliz que minha entrevista com o jornal El Confidencial tenha desencadeado um grande debate filosófico-político na Espanha. Devo agradecer, é claro, ao excelente jornalista Esteban Hernández por me dar esta oportunidade. A entrevista provocou um grande debate. O principal expoente da esquerda espanhola, Alberto Garzón, também interveio com algumas reflexões críticas, e tomou uma posição crítica em relação à minha entrevista. O assunto que tem provocado mais polêmica e reflexões contrárias tem sido o do fascismo e do antifascismo, bem como o problema do soberanismo populista de esquerda. Eu rapidamente começo com o primeiro problema e depois passo para o segundo.

É claro que a questão do antifascismo é absolutamente decisiva. Gostaria de resumir a questão da seguinte forma: na época de Gramsci ou Gobetti, limitando-nos ao contexto italiano, o antifascismo era indispensável e fundamental, e era, pelo menos em Gramsci, de função comunista, patriótica e contrária ao capitalismo. O problema, porém, surge quando o antifascismo continua a se desenvolver na ausência do fascismo ou, mais precisamente, quando o fascismo, se por essa expressão entendemos genericamente o poder, muda sua face.

29/08/2020

Esteban Hernandéz - Entrevista com Diego Fusaro: Idiotas de Esquerda Combatem um Fascismo Inexistente e Aceitam o Mercado

por Esteban Hernandéz e Diego Fusaro

(2019)



Você acaba de publicar ‘La notte del mondo’. Explique-me, por favor, por que estamos em uma noite escura, e em que ponto se cruzam Marx e Heidegger.

Meu livro ‘La notte del mondo. Marx, Heidegger e il tecnocapitalismo’ (UTET, 2019) é uma tentativa de raciocinar segundo as categorias de Marx e Heidegger sobre o que o próprio Heidegger, com os versos de Hölderlin, define “A noite do mundo”. A noite do mundo é uma época na qual a escuridão está tão presente que já não vemos mais sequer a escuridão em si e, portanto, não somos conscientes desta escuridão. Heidegger o expressa dizendo que “é a noite da fuga dos deuses”, na qual já nem sequer somos conscientes da pobreza e da miséria nas quais nos encontramos. Esta é uma situação de máxima emergência. Por sua vez, Marx nos ‘Grundrisse’ dizia que “o mundo moderno deixa insatisfeito, ou, se satisfaz em algo, é de modo trivial”. É outra maneira de dizer que estamos efetivamente na noite do mundo, onde sequer vemos o enorme problema em que nos encontramos. No livro eu emprego as categorias de dois autores muito diferentes, como Marx e Heidegger, para tratar de expressar quais são as contradições de nosso presente em que todo o mundo calcula e ninguém pensa. No qual a razão econômica e técnica, técnico-científica, se impôs como a única razão válida e pretende substituir todas as demais.