por Alberto Lombardo
(2014)
«O processo pelo qual as destruições espirituais, o próprio vazio que o homem, tornando-se "homem econômico" e grande empreendedor capitalista, criou ao seu redor, o obriga a transformar sua própria atividade – lucro, negócios, produtividade – em um fim, a amá-la e desejá-la por si mesma, sob pena de ser tomado pelo vértigo do abismo, pelo horror de uma vida completamente desprovida de sentido»[1].
A posição crítica do filósofo romano Julius Evola (1898-1974) em relação à América merece ser conhecida pela peculiaridade original que a caracteriza, além da influência que exerceu sobre uma área política e intelectual não negligenciável. Em 1929, foi publicado na Nuova Antologia o artigo evoliano Americanismo e bolchevismo, no qual o pensador tradicionalista expõe, pela primeira vez com notável lucidez, uma tese bastante inédita e pioneira, que continuaria a desenvolver nas décadas seguintes. A ideia central é que a Rússia soviética e os Estados Unidos, além das evidentes diferenças culturais, sociais e de organização estatal, são unidos por um mesmo ideal perverso[2]. O ensaio constituirá a base do décimo sexto capítulo da segunda parte de Revolta contra o Mundo Moderno, talvez o livro mais importante e famoso de Evola.
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