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13/12/2025

Alberto Lombardo - O Anti-Americanismo "Tradicional" de Julius Evola

 por Alberto Lombardo

(2014)


 

«O processo pelo qual as destruições espirituais, o próprio vazio que o homem, tornando-se "homem econômico" e grande empreendedor capitalista, criou ao seu redor, o obriga a transformar sua própria atividade – lucro, negócios, produtividade – em um fim, a amá-la e desejá-la por si mesma, sob pena de ser tomado pelo vértigo do abismo, pelo horror de uma vida completamente desprovida de sentido»[1].

A posição crítica do filósofo romano Julius Evola (1898-1974) em relação à América merece ser conhecida pela peculiaridade original que a caracteriza, além da influência que exerceu sobre uma área política e intelectual não negligenciável. Em 1929, foi publicado na Nuova Antologia o artigo evoliano Americanismo e bolchevismo, no qual o pensador tradicionalista expõe, pela primeira vez com notável lucidez, uma tese bastante inédita e pioneira, que continuaria a desenvolver nas décadas seguintes. A ideia central é que a Rússia soviética e os Estados Unidos, além das evidentes diferenças culturais, sociais e de organização estatal, são unidos por um mesmo ideal perverso[2]. O ensaio constituirá a base do décimo sexto capítulo da segunda parte de Revolta contra o Mundo Moderno, talvez o livro mais importante e famoso de Evola.

10/12/2025

Alberto Lombardo - A Simbologia da Obra Tolkieniana

 por Alberto Lombardo

(2000)


O objeto da minha intervenção é uma breve análise do uso do simbolismo por Tolkien. No entanto, dada a vastidão do tema, o amplo uso de símbolos pelo filólogo de Oxford e a riqueza de referências, correspondências e reflexões que cada símbolo suscita, esta análise será necessariamente limitada a algumas breves menções. Além disso, o próprio levantamento que pretendo apresentar aqui tem uma pretensão meramente "evocativa", ou seja, a de fornecer um conjunto limitado de imagens, aproximações e "visões" simbólicas, com o objetivo de responder a estas perguntas: qual a medida do uso de símbolos por Tolkien? Quais as implicações desse uso? E qual a consciência do autor ao recorrer a esses símbolos — ou seja, qual o "rigor tradicional", a fidelidade ao significado arcaico?

26/12/2024

Alberto Lombardo - A Simbologia da Obra Tolkieniana

 por Alberto Lombardo

(1998)


 

O objetivo da minha intervenção é um breve exame do uso do simbolismo por parte de Tolkien. Dada, porém, a vastidão do tema, o amplíssimo uso de símbolos pelo filólogo de Oxford e a amplitude de referências, ressonâncias e reflexões adicionais que cada símbolo suscita, esta análise não poderá, por força das circunstâncias, senão limitar-se a alguns breves apontamentos. Além disso, a própria resenha que pretendo propor aqui tem uma pretensão meramente “evocativa”, de fornecer, isto é, um conjunto limitado de imagens, aproximações e “visões” simbólicas, a fim de responder a estas perguntas: qual é a medida do uso dos símbolos por parte de Tolkien? Quais as implicações deste uso? E qual a consciência, por parte do autor, ao recorrer a esses símbolos – isto é: qual “rigor tradicional”, correspondência ao significado arcaico?

Pode-se adiantar, desde já, em resposta parcial a tais questões, que Tolkien não ignorava certamente uma das características principais dos símbolos, a sua dualidade (não dualismo): dois significados diferentes, muitas vezes opostos, estão encerrados em um único símbolo, muitas vezes corroborando-se mutuamente, sem se negarem um ao outro. Às vezes, aliás, essa dualidade é devida a razões de tipo histórico, acontecendo que um sentido novo substituísse o anterior, por oposição, por “mudança de civilização” ou pelo superpôr de uma nova sensibilidade. Consciente desta característica fundamental, Tolkien é, no entanto, plenamente homem do século XX. Nele, epos e mythos sentem os traços desta época, manifestando-se, a nível literário, numa melancolia, ou melhor, numa nostalgia (dor da distância). Este caráter, latente e difundido na obra tolkieniana, e que procurarei destacar adiante, é a razão do tanto fascínio atual, inatenuado (e aliás diria aumentado) a quase trinta anos da morte do autor de O Senhor dos Anéis.

08/05/2023

Alberto Lombardo - O Simbolismo do Carvalho

 por Alberto Lombardo

(2009)


O linguista genovês Giacomo Devoto escreveu: "a espécie vegetal mais importante do ponto de vista lexical é, na floresta, o carvalho, *dereu". Este nome italiano deriva do latim (arbor) quercea, um adjetivo de quercus, que por sua vez pode ser rastreado até a forma indo-europeia *perkwu, que sobreviveu apenas na área germânica (com a rotação consonantal normal), no Báltico (em nome do deus Perkùnas) e áreas celtas (o nome do latim silva Hercynia tem de fato origem gálica).

18/01/2023

Alberto Lombardo - Do Simbolismo do Machado

 por Alberto Lombardo

(2001)



O termo machado (ascia em italiano) existe em nossos idiomas quase inalterado ao longo dos milênios. Ele corresponde ao termo latino ascia, que deriva da forma indo-europeia *aksi/*agwesi, que os linguistas reconstruíram com base em comparações entre o termo latino e o termo gótico aqiziz, o termo antigo alto-alemão ackus (em alemão moderno Axt, em inglês ax, "adze") e o grego axi(on). No entanto, acho necessário ressaltar que esta forma é uma forma indo-europeia ocidental; os linguistas também reconstruíram a forma oriental, *peleku, desta vez com base em uma comparação entre certas formas linguísticas gregas e sânscritas. Em um processo bastante interessante, o pelicano é equiparado ao machado, por causa de seu bico grande característico.