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02/10/2013

Eduard Alcántara - O Homem da Tradição e a Morte

por Eduard Alcántara



Para o homem moderno a morte significa o fim. Para ele não há outro estado de existência que não seja o da vida terrena. O materialismo de que está impregnado não lhe permite conceber outras realidades para além da meramente física. Mas apesar da brutal materialização sofrida no seio da modernidade e da pós-modernidade, há indivíduos que ainda aderem a uma certa religiosidade nas suas vidas, embora, como as vias exclusivamente devocionais que seguem não concebem nenhuma via de transubstanciação interna (de desapego) do ser humano, o apego à vida destes indivíduos com inquietudes religiosas acaba por ser muito semelhante ao que é próprio dos seus congêneres ateus ou agnósticos. Assim, também para os crentes, enfrentar a morte torna-se algo traumático. 

Para quem aspira à sua transformação em Homem da Tradição, o tema da morte deve ter conotações bem diferentes, pois se tiver conseguido (graças a uma disciplina iniciática) superar em vidas estados autotransformadores sem ter chegado a culminá-los pode, após o momento da morte, coroar as últimas etapas que levem a sua Alma já totalmente Espiritualizada a tornar-se una com o Princípio Supremo que se encontra na origem, e além, de toda a manifestação.

A morte pode representar, vistas assim as coisas, uma oportunidade excelente para o Homem da Tradição finalizar o que não pôde ser finalizado em vida. É neste sentido que Julius Evola comentava que "a libertação consiste em atingir um estado de unidade com a suprema realidade metafísica. Aquele que, ainda que aspirando a tal, não foi capaz de realizá-lo em vida de homem, tem a possibilidade de o fazer no momento da sua morte ou nos estados que imediatamente se lhe seguem".


26/04/2012

Eduard Alcántara - A Lealdade à Tradição


Por Eduard Alcántara



Há pessoas que dizem hastear a mesma bandeira que a nossa. Há aqueles que dizem fazê-lo, senão for com a mesma, com uma bandeira semelhante. Nós temos dificuldades em identificar muitas dessas bandeiras como iguais ou semelhantes à nossa. Nisto não reside nenhuma dificuldade. No entanto, depois de conhecermos uns e outros não demora muito tempo até que comecemos a sentir-nos em comunhão existencial com uns e a ver outros como estranhos. Não adianta ostentar publicamente uma etiqueta ou outra mas sim aspirar a viver de acordo com os princípios e a essência que a caracterizam. Não nos chega, sequer, que nos demonstrem erudição e conhecimento dos conteúdos e objetivos contidos na nossa bandeira. Há que exigir, no mínimo, um intento de assumpção dos seus parâmetros vitais.


24/02/2012

Eduard Alcántara - Eleições e Sufrágio

por Eduard Alcántara

No cume, no zênite, a grande festa dos sistemas políticos partidocráticos acontece quando se celebram eleições. Dá na mesma que sejam municipais, regionais ou autonômicas, gerais ou presidenciais, a única certeza é que nelas a plutocracia se disfarça de democracia e tenta cobrir-se de legitimidade.

Em quase todo o orbe dominam as chamadas democracias liberais. As mesmas que dão cobertura a uma versão do capitalismo: o liberal. É por isso que constantemente estamos recebendo informação sobre a celebração de eleições, do tipo que sejam, em um país ou em outro do mundo, ou em uma ou outra região determinadas daquele ou deste Estado.


29/10/2011

Eduard Alcántara - A Luta Interior

por Eduard Alcántara


Muitas vezes, quando pretendemos oferecer uma alternativa ao mundo decrépito no qual coube-nos viver, apresentamos as soluções econômico-político-sociais que acabariam com o trambolho que oprime-nos exteriormente e esquecemo-nos de que também existe outro gênero de opressão, muito mais profunda, que impede-nos de sermos livres no sentido menos formal e mais existencial deste termo. E é que ao longo de séculos de decadência de nossa civilização o homem tem, paulatinamente, embrutecido-se, por um lado, e, por outro, submetendo-se aos influxos caóticos do submundo emocional que irrompe desde os estratos mais abismais de nossa mente.

Se queremos apresentar uma alternativa integral aos tempos corrosivos que denigrem-nos e escravizam-nos temos que começar por travar a grande batalha: a batalha interna que conduza à vitória do imutável, do fixo, do imóvel e do eterno frente ao variável, frente ao marasmo que flui sem rumo fixo, frente ao perecedouro e frente ao mutável e mutante. Que faça vencer ao impassível e estável frente ao instável e contraditório. Que consiga o triunfo do Espírito, da Alma, da Shakti do hinduísmo, do Nous dos gregos, do Alto frente aos baixos impulsos e instintos, frente ao emocional, o passional, os sentimentos descontrolados e cegadores, frente ao baixo.

Temos que conseguir poder utilizar todo o embragador e sugestivo que oferece-nos maliciosamente o ruinosos mundo que rodeia-nos como se tratasse-se de provas a superar que robusteçam-nos interiormente. Temos que trilhar nossa via, nosso Do, nosso caminho iniciático enfrentando-nos aos monstros e titãs, medos e fraquezas que habitam em nosso interior e que são despertados, sublevados, açulados e esporeados por este falso mundo de Maya, segundo, novamente, o hinduísmo, que chega-nos através dos sentidos. Temos de converter o veneno em remédio. Que o que não destrua-nos, torne-nos, cada vez, mais fortes! Que o herói solar derrote à besta, ao animal primário que levamos dentro! Cavalguemos o tigre de nossas debilidades! Dominemo-lo! Que ele não submeta-nos! Que não despedace-nos com suas terríveis garras! Que não destrua-nos! Cavalguemo-lo até que morra de cansaço e desista em seus propósitos! Até que caia submisso diante de nós; diante e sob nossos pés! Destruamos em nosso foro interno o que ele simboliza e, assim, nosso Espírito assenhorar-se-á de nós! Deste modo nossa alma será um espelho do Espírito e não um receptáculo do imundo que subjuga-nos e converte-nos em míseros anões que arrastam-se ao longo de uma pútrida existência. Sejamos cavaleiros invencíveis e heróis indômitos! Façamos guarda perpétua! Sejamos guerreiros de ademã impassível! Que nada consiga alterar-nos! Tenhamos robustez marmórea! Renasçamos para o Suprassensível através de uma vontade granítica! A luta encarniçada contra o tigre existe somente para os homens combativos que querem alcançar a Imortalidade; ainda em vida. Eterno combate metafísico!

O do Bem contra o Mal. O do Solar contra o Lunar. O do Espírito contra a Matéria. O do Vertical contra o Horizontal. O do Urânico contra o Telúrico, contra o Pelásgico, contra o Ctônico. O do Olímpico e Heróico contra o Titânico. O dos Aesir contrao os Gigantes. O do Aristocrático contra o Demônico. O do Viril contra o Afeminado. O do Diferenciado contra o Igualitário. O do Orgânico contra o Inorgânico. O do Hierárquico contra o Anárquico. O da Qualidade frente à Quantidade. O do que tem forma frente ao informe, amorfo, indiferenciado. O do Homem frente a Massa. O da medida, do equilíbrio e da proporção frente à desmesura, o desequilíbrio e o desproporcional. O do lacônico frente ao ostentoso e enfastiante. O da sensatez frente à insensatez. O da constância frente à inconstância. O do vigor frente a abulia. O do valor frente à covardia. O do inacessível ao desalento frente ao derrotista e à moleza. O da firmeza frente à pusilanimidade. O da cordura frente ao impulsivo. O da temperança frente à concupiscência e ao desenfreio. O da serenidade frente à voluptuosidade. O da linha frente à curva. O do reto frente ao torto. O da sobriedde frente à ebriedade. O do impertérrito frente ao volúvel. O da ética, do estilo e da retidão frente à imoralidade e a corrupção. O da Virtude frente ao vício. O do senhorial frente ao grosseiro. O da franqueza e da sinceridade frente ao velhaco e ao engano. O da nobreza frente à ruindade. O da austeridade frente ao luxo. O de Esparta frente a Sodoma. O da Idéia frente ao capricho. O do patriarcal frente ao matriarcal. O do Imperium frente ao tribal. O do guibelino frente ao guelfo. O do Acima frente ao abaixo. O do Suprassensível frente ao sensível ou sensitivo. O do Metafísico frente ao físico. O da Consciência frente ao inconsciente e ante o subconsciente. O do Super-Homem contra o homenzinho moderno. O da Luz do Norte contra a luz do sul.

Em definitiva: Nosso Combate! Nossa Luta!