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03/01/2020

Gilad Atzmon - O Fim de Israel

por Gilad Atzmon

(2019)



A lição a ser tirada do atual impasse político israelense é que Israel está implodindo, se fragmentando nos elementos que ela nunca conseguiu integrar em uma só coisa. O cisma não é mais a dicotomia mais cotidiana de Ashkenazi vs. Judeus Árabes (também conhecidos como Sefardim); essa divisão é ideológica, religiosa, espiritual, política, étnica e cultural. Tampouco se divide em esquerda e direita, os judeus israelenses são politicamente de direita, mesmo quando fingem ser de "esquerda". Embora algumas das vozes críticas mais astutas da política israelense e do fundamentalismo judaico sejam israelenses (como Gideon Levi, Shlomo Sand, Israel Shamir e outros), não há esquerda política israelense. A política israelense se divide em muitos eleitores de extrema-direita e muitos neocons comuns. O Partido da Lista Conjunta, árabe, é praticamente o único partido de esquerda no Knesset israelense. Isso não deveria mais surpreender. A esquerda judaica, como eu argumento há muitos anos, é um oxímoro; O judaísmo é uma forma de identificação tribal e a esquerda é universal. O “tribal” e o “universal” são como óleo e água, eles não se misturam muito bem.

O que é peculiar na divisão política israelense é que os israelenses estão mais unidos do que nunca em suas crenças nacionalistas e na primazia de seus sintomas judaicos. Por que, se os israelenses são tão unificados, que ninguém consegue formar um governo no chamado "Estado Judaico"?

11/02/2014

Gilad Atzmon - O Significado de Dieudonné

por Gilad Atzmon



Desde a Revolução Estudantil de 1968, a esquerda européia e americana, junto de um rebanho de intelectuais progressistas judeus, investiram esforços enormes em tentar fragmentar sociedades em segmentos múltiplos de identidades.

A esquerda adotou essa abordagem peculiar porque não conseguia lidar com sua própria incapacidade de se conectar ao proletariado.

Os intelectuais judeus, que lideraram a campanha, perceberam que nações fragmentadas e divididas são muito menos perigosas para os judeus. Como sabemos, os judeus se sentem ameaçados pelo nacionalismo patriótico coeso, e por um bom motivo. Afinal, eles estiveram entre as vítimas primárias de tal ideologia.

Bizarramente, enfeitiçada pela falsa profecia emergente da "política de identidade" do pós-68, a esquerda rapidamente abandonou seu ethos universal. Enquanto no passado ela objetivava romper barreiras e unificar o proletariado, a esquerda pós-68 efetivamente dividiu e marginalizou os sujeitos ocidentais por meio de identificação.

Ao invés de sermos e celebrarmos quem e o que somos, nós aprendemos a nos identificar com palavras-chave pré-fabricadas. Ao invés de simplesmente ser Jill, Abe ou Youssef, nós agora nos identificamos "como uma mulher", "como um gay", "como um judeu", "como um muçulmano", e daí em diante. Na prática, a Nova Esquerda tem erguido muros ao nosso redor em uma tentativa de nos separar em grupos de identidade marginais e infinitesimalmente pequenos. Peculiarmente, é a esquerda do pós-68, ao invés dos capitalistas, que nos impeliu na direção da segregação, do isolamento e da paralisia política.

Mas então, praticamente do nada, Dieudonné, um comediante negro francês, conseguiu reunificar o proletariado: as comunidades migrantes, o proletariado negro, o muçulmano, o norte-africano bem como o proletariado branco ao mesmo tempo, para anunciar uma mensagem universal.

Dieudonné nos lembrou o que a esquerda defendia em primeiro lugar, antes de ter sido conquistada por Marcuse e seus colegas da Yeshiva de Frankfurt. É o comediante francês que põe em descoberto a mais instintiva percepção esquerdista - nós estamos em verdade unidos e identificados em oposição a nossos opressores, nomeadamente, o sistema.

A "quenelle" - uma saudação que foi inicialmente introduzida por Dieudonné - incorpora uma abertura modesta e graciosa de autêntica resistência. É uma interpretação poética, restrita e simples do cru "up yours" anglo-americano. O gesto é obviamente universal e um chamado aberto - todos, incluindo judeus, são bem vindos, em oposição aos discursos de identidade do pós-68 que são majoritariamente definidos por biologia e raça. Sendo um emblema de uma visão universalista e ética, a quenelle também simboliza uma oposição à primazia do sofrimento judaico e a tirania do politicamente correto.

Dieudonné é o herói definitivo do pensamento genuinamente socialista no espírito da Comuna de Paris, e enquanto tal, ele de fato representa um grande perigo aos neoesquerdistas e seus patrões no Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França. O graduado kosher em Frankfrut vê as massas franceses adquirindo ímpeto e o povo marchando sobre as ruas de Paris gritando "o rei está nu". Na verdade, não há muito mais a ser ocultado ou suprimido. Novamente, a verdade pura se revela contra todas as expectativas.