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11/12/2025

Marco Maculotti - O Acesso ao Outro Mundo na Tradição Xamânica, no Folclore e nas Abduções

 por Marco Maculotti

 (2018)

 


 

Em um artigo anteriormente publicado no site [1], analisamos o fenômeno, bastante difundido no folclore europeu, dos raptos de bebês e amas de leite pelos Fairies. Já havíamos observado de passagem como muitos elementos apresentavam correspondências singulares com um fenômeno igualmente misterioso, porém muito mais recente, as chamadas abduções alienígenas [2], e com os relatos xamânicos de diversas origens.

06/09/2025

Marco Maculotti - William Butler Yeats: Navegador da Grande Memória

 por Marco Maculotti

(2020)


Existiram homens, disseminados ao longo das rondas do devir, que parecem ter nascido para cumprir uma tarefa sacral e, para suas respectivas épocas, revolucionária. Não se trata de ministros de culto, pelo menos não no sentido estrito do termo: eles são antes visionários, videntes e poetas. Já Giorgio Colli [1] demonstrou como tanto a poesia quanto a filosofia helênica foram descendentes diretos da arte da mântica, filhos de segundo casamento do encontro com o Divino e com seu enigma imperscrutável: poetas e filósofos herdaram assim a sabedoria dos iatromantes.

William Butler Yeats, juntamente com outros que o precederam (Blake, Keats, Shelley), merece entrar por direito neste panteão de almas acima do tempo. Toda a sua obra — e antes ainda, toda a sua existência — foi consagrada a uma Visão: remontando a corrente em direção contrária, ele se fez bardo numa época que havia banido todo canto, esquecido a Arcádia, negado e ridicularizado o conhecimento dos antigos Druidas.

02/06/2023

Marco Maculotti - O Deus Primordial e Tríplice: Correspondências Esotéricas e Iconográficas nas Tradições Antigas

 por Marco Maculotti

(2016)



Nas antigas tradições ao redor do mundo encontramos referência a um deus das origens, que veio à existência antes de tudo, criador de tudo o que é manifesto e igualmente de tudo o que é imanifesto. As tradições míticas mais díspares descrevem o deus primordial como contendo todos os potenciais e polaridades do universo, luz e escuridão, espírito e matéria, e assim por diante. Por esta razão, ele é frequentemente representado com duas faces (Jano bifronte) ou mesmo com três (Trimurti hindu). No entanto, na maioria das vezes ele é considerado invisível, oculto, difícil de representar, exceto em uma forma alegórica, esotérica, que muitas vezes se refere à união do princípio luminoso e ígneo, 'masculino', com o escuro e aquoso, 'feminino'. Nas tradições de todo o mundo, esse deus primordial não é honrado com um culto próprio, pois acredita-se que ele agora vive muito longe do homem e os assuntos humanos não lhe dizem respeito: por isso, essa divindade máxima é muitas vezes falado como de um deus otiosus.

05/05/2020

Marco Maculotti – Jacques Bergier e o “Realismo Mágico”: Um Novo Paradigma para a Era Atômica

por Marco Maculotti

(2019)



Jacques Bergier (1912-1978) - jornalista, escritor e engenheiro francês, nascido numa família de judeus russos - é mais conhecido pela sua escrita a quatro mãos com Louis Pauwels “O Amanhecer dos Magos: Introdução ao Realismo Fantástico” (1960), um compêndio a meio caminho entre uma obra de ficção científica distópica e um tratado esotérico capaz de unir, de forma mais ou menos coerente (e, sobretudo, bastante fascinante), temas limítrofes tão distantes uns dos outros, como a alquimia, as civilizações desaparecidas, o nazismo esotérico, o socialismo mágico, a horrível mitopoiese de H.P. Lovecraft e Arthur Machen, a Terra Oca e as teorias teosóficas de Madame Blavatsky.

A "via" que Bergier, "divulgador científico, perito em narrativas do Imaginário, cientista ‘de esquerda’ que havia participado na Resistência e tinha estado nos campos de concentração alemães", propôs seguir foi precisamente o do chamado "Realismo Fantástico" (ou "Mágico"): um novo método de investigação em que o conhecimento científico mais avançado (incluindo a física quântica) estava destinado a se fundir com antigos corpora sapienciais, muitas vezes de natureza secreta e iniciática (pense nas vertentes alquímica, hermética e teosófica), bem como com os estudos fortiani sobre o paranormal e a ficção científica de escopo cósmico do novo século. Do ponto de vista de Pauwels e Bergier, como escreve Gianfranco de Turris:

"Não havia diferença substancial entre teorias e hipóteses sustentadas na ensaística científica e nas histórias da imaginação: tudo podia ser colocado no mesmo nível... Além disso, mais ou menos abertamente, eles sustentavam a tese de uma espécie de ‘complô mundial’ que, desde tempos imemoriais, buscava impedir tais ligações e, portanto, a descoberta de novas verdades, a fim de manter a humanidade em níveis cognitivos inferiores.”

Este último é um tema que Bergier tratou sobretudo em sua obra “Os Livros Malditos”, onde ele chega a postular a existência de uma seita de "Homens de Preto" tão antiga quanto a própria civilização, que por milhares de anos tem sido usada para ocultar, queimar e retirar de circulação certos textos considerados particularmente prejudiciais pelas implicações que poderiam fazer surgir na mente dos leitores mais exigentes. Estes enigmáticos "Homens de Negro", que conceitualmente são muito pouco distintos dos famosos Men in Black trazidos à atenção do público norte-americano por ufólogos e também por Hollywood, teriam planejado entre outras coisas a destruição da Biblioteca de Alexandria, inspirado a Santa Inquisição em sua tristemente famosa "caça às bruxas", persuadido os chefes de Estado a ilegalizar as sociedades secretas, promovido a censura, ordenado a prisão de gênios e inovadores e finalmente formulado o chamado "segredo iniciático", que se violado pode até levar à imolação nas mãos dos confrades e superiores.