por Claude Bourrinet
(2025)

Na sua tradução de 1492 das Enéadas de Plotino, dedicada a Lorenzo de Médici, Marsilio Ficino refere-se ao filósofo bizantino Gemisto, conhecido como Pletão (1355/1360–26 de junho de 1452), apresentando-o como "um outro Platão", com quem Cosimo discutira os "mistérios platônicos". O redescobrimento do platonismo durante o Renascimento foi acompanhado por uma vitória gradual sobre o aristotelismo (embora os filósofos geralmente buscassem conciliar as duas correntes), apesar da resistência dos círculos monásticos e da maioria dos "reformadores" da Igreja, que defendiam um retorno aos Padres da Igreja. A queda de Constantinopla em 1453 e o mecenato dos Médici, especialmente Cosimo, fundador da Academia Platônica Florentina, favoreceram a translatio studii do corpus neoplatônico e a visão de uma corrente de ouro que ligava essa tradição de pensamento a sabedorias arcaicas, como as de Hermes Trismegisto e Zoroastro. O Concílio de Ferrara/Florença (1438–1439), que reuniu o imperador João VIII Paleólogo e visava reconciliar as duas partes de uma Cristandade dividida pelo Cisma de 1054 — especialmente devido à questão do Filioque —, foi ocasião para encontros frutíferos entre intelectuais gregos e latinos. Pletão destacou-se como um dos protagonistas desse intercâmbio. Em 1439, escreveu um texto sobre as diferenças entre Platão e Aristóteles (conhecido como De Differentiis, publicado em grego em 1450 — a versão latina jamais foi impressa). Essa comparação, que permaneceu confidencial, provocou uma resposta virulenta em 1448/1449 por parte de seu rival Georgios Scholario (Gennade). No entanto, esse modelo comparativo inspiraria muitas análises semelhantes no Ocidente. Embora o estudo das fontes utilizadas por Ficino mostre claramente que ele se inspirou — e por vezes quase parafraseou — o filósofo de Mistra, a figura e as obras de Pletão caíram em um relativo esquecimento no meio acadêmico. Algumas de suas ideias foram retomadas por Pico della Mirandola e Ficino, principalmente em suas referências a profetas e sábios da Antiguidade, como Zoroastro.