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02/11/2023

Arnaud Imatz - O Populismo: Ameaça ou Promessa de uma Nova Democracia?

 por Arnaud Imatz

(2020)



O interesse e o entusiasmo da opinião pública espanhola e da mídia espanhola pelo populismo têm sido tão tardios quanto surpreendentes. Durante muitos anos, os comentaristas políticos da Península viram-no apenas como um fenômeno típico dos países latino-americanos, um acidente no caminho do desenvolvimento econômico e social, um epifenômeno inimaginável na Espanha moderna.

Sobre os muitos populismos da Europa, especialmente o da França, os proclamados "especialistas" diziam que eram anomalias, pseudofascismos rançosos, doenças vergonhosas destinadas a morrer com o tempo. A democracia representativa ocidental moderna e os valores que a sustentam (mercantilismo, hedonismo, consumismo, individualismo, multiculturalismo e direitos humanos) foram quase unanimemente descritos como o horizonte imbatível do pensamento político, o fruto acabado do processo histórico de amadurecimento humano. As editoras que se arriscavam a publicar obras não conformistas sobre o populismo, escritas por autores nacionais ou estrangeiros, eram uma raridade. Interessantes ou não, esses livros estavam condenados de antemão a passar despercebidos.

Enquanto isso, o populismo foi objeto de inúmeras pesquisas e publicações, às vezes rigorosas e muitas vezes polêmicas, em todos os principais países da Europa e da América (Argentina, Alemanha, Áustria, França, Grã-Bretanha, Itália, Estados Unidos, etc.). Vítima do pensamento único, o mundo acadêmico espanhol ficou para trás, tornando realidade o velho e criticado slogan "A Espanha é diferente". Foi somente com a chegada do Podemos em 2014, nada menos que seis anos após a crise financeira de 2008, que o cenário mudou.

30/10/2010

Homogeneização

"De uma forma ou outra, os descendentes do Iluminismo defendem a abolição das fronteiras, a deterioração e desaparecimento das civilizações e das culturas que fizeram a diversidade do elemento humano. Colocam as suas esperanças na vocação única da humanidade, na difusão de uma mensagem universal e negam o risco de conflito com os que recusam esta mensagem. Não vêem nos homens nada mais que unidades manipuláveis que obedecem a uma só lei, a uma só moral planetária, na seqüência de um curso de educação global, de uma pedagogia corretora, ou mesmo de uma homogenização-normalização forçada, se necessário. Segundo eles, a afirmação das identidades coletivas conduziriam quase irresistivelmente ao renascimento dos ódios e das intolerâncias. No entanto, o anti-conformista constata que foi a negação da identidade coletiva, representada durante século XX pelo liberalismo e marxismo, que produziu o seu regresso sob formas patológicas e destrutivas. A procura da identidade, a redescoberta de si através da cultura, a defesa dos grupos, associações, classes, nações, raças e religiões, longe de confinar à barbárie como pretende o hiper-individualismo cosmopolita, constitui de acordo com o pensamento não-conformista a única resposta à modernidade angustiante e desestruturante."
(Arnaud Imatz)