por Sisto Cirioli
(2018)
(2018)
O fascismo pode ser realmente compreendido como uma “entidade” política independente? Pode ser cindido da imensa figura de Benito Mussolini, encarnação por excelência do conceito de cesarismo?
É necessário, em primeiro lugar, de modo propedêutico, delinear os contornos principais do cesarismo. Por cesarismo (ou bonapartismo) entendemos um tipo particular de regime autoritário, ancorado na existência – física – de um líder indiscutido e estabelecido, mediante um ato juridicamente traumático, como reação a uma situação de crise profunda. O “césar” – homo novus, estranho à classe dirigente – é o clássico chefe carismático: celebrado como o homem do destino as honras que lhe são concedidas se assemelham à idolatria pagã. Ainda que os únicos modelos indiscutíveis de cesarismo sejam a ditadura de Caio Júlio César e o governo de Napoleão Bonaparte, imponentes perfis cesaristas podem ser encontrados nos regimes totalitários do século XX, associados por um eloquente fio condutor: o culto (nada menos que obsessivo) ao grande condutor.
