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08/08/2023

Alain Soral - Da Guerra Civil na França

 por Alain Soral

(2023)


Estamos quase lá.

Não da maneira antiga, proletariado versus burguesia na questão social, mas a escória de baixo aliada à escória de cima contra a França da maioria do povo, metodicamente perseguida desde os anos 1980, os anos Mitterrand da esquerda do PS.

A França perseguida econômica, étnica e culturalmente pelo globalismo da desindustrialização, do imigrantismo e da subcultura americana… Essa ideologia antifrancesa foi promovida e imposta nos últimos 40 anos por nossas próprias elites; elites invertidas, ilegítimas e parasitárias que, como a escória de baixo agora em ação em nossas ruas, também passaram a saquear nossa economia produtiva, principalmente por meio do caso Alstom…

19/01/2021

Alain Soral - Esquerda do Trabalho, Direita dos Valores

por Alain Soral

(2007)



Desde da eleição de Sarkozy, parece ter sido provado que não há esquerda nem direita. Mesmo que a abertura à esquerda do governo Fillon seja na realidade a união sagrada dos liberal-atlantistas, é claro que não há mais muita diferença - tanto em termos de economia quanto de questões sociais - entre a esquerda burguesa-boêmia do Partido Socialista e a direita liberal pseudo-securitária de um Sarkozy.

Se para os esquerdistas, Sarkozy é um homem de direita (porque se diz securitarista, o que é lhe fazer uma propaganda que ele não merece: o seu securitarismo se aplica apenas à pequena burguesia branca dos automobilistas!), para os da direita nacional, Sarkozy é um homem de esquerda: "direitos humanos" e defesa dos “imigrantes ilegais”, na melhor das hipóteses uma espécie de Tony Blair francês...

Na verdade, podemos dizer hoje que os políticos do Sistema estão todos à esquerda (todos a favor do ius soli, do casamento gay...), ou todos à direita (todos aliados à dominação política integral da economia de mercado... ou da economia de mercado integral, o que dá na mesma!). Mas esta confusão entre esquerda e direita também vem da confusão das suas definições. Confusão das suas definições: de esquerda, de direita... o que nos leva a lembrar que existem duas formas de definir esquerda e direita.

26/04/2017

Alain Soral - Que Alternativa ao Mundo Burguês?

por Alain Soral



Discurso dado em Villepreux, 8/9/2007

Burguês. No passado, até o fim dos anos 70, a palavra "burguês" era considerada um insulto, tanto pelo proletário quanto pelo artista ou aristocrata decadente. Hoje ela desapareceu do vocabulário, para o benefício dos ricos, da alta-roda, provando assim que o dinheiro, e os valores que o acompanham, não é mais vergonhoso ou suspeito. Nem vergonhoso ou suspeito para as velhas elites de Gotha, que podem rivalizar em vulgaridade os "bem de vida" do showbiz da revista Gala. Nem vergonhoso ou suspeito para as classes populares que sonham elas mesmas com um sucesso individual meteórico raspando seu bilhete de loteria e assistindo "Saga", "Nouvelle Star". Nem vergonhoso ou suspeito para o lumpemproletariado imigrante que só sonha com tecidos, carros customizados e gostosas. O velho dinheiro, as pobres classes médias, os novos pobres, entre todos eles, em todo lugar, as ideologias liberais triunfaram, é primeiramente sobre isso que falamos quando falamos no burguês...

Primeira Parte: O que é o Mundo Burguês?

Uma comunidade humana, uma classe social tornada global com sua tomada de poder na Terra, e espíritos que se tornaram um só com a história do liberalismo. Para compreender a burguesia, o que ela é, como podemos reconhecê-la e atacá-la, nós primeiro precisamos entender a narrativa liberal, sua ascensão, seu domínio, suas mentiras, suas contradições, sua decadência.

O mundo burguês-liberal está baseado em dois pilares, um espiritual, o outro material, como toda sociedade, todo grupo humano. Saber qual é inferior ao outro (o que distingue a tese idealista e a tese materialista) é menos importante do que compreender que um não existe sem o outro, como a cabeça e as pernas. Assim, estes dois pilares são: individualismo, inaugurado e teorizado pelo cogito de Descartes ("Penso, logo existo"), uma afirmação/emancipação em relação ao velho mundo onde comunidade e fatum vinham primeiro, que contém as sementes de toda liberdade e arrogância do homem moderno.

O Mercado, que nesse mundo se originando do homem individual livre e pensando, se tornou este "nous" que a partir de então governa as relações entre homens-indivíduos em um mundo no qual Deus está em silêncio.

O duplo advento da racionalidade das ciências naturais contra a ordem divina e do interesse individual quantificável como motivo de ação criou um mundo baseado na Razão, o indivíduo livre em direitos senão de fato, e definiu claramente o interesse individual na era burguesa. Um homem livre, consciente de seus direitos, e buscando seu interesse individual bem definido define o "liberal" ascendente. A figura mais perfeita da ascendência liberal na França foi e permanece o irônico Voltaire.

A figura do homem honesto duplamente especulativo... Especulativo no esquema espiritual: o cogito de Descartes vem do dubito: dubito ergo sum res cogitens. Também especulativo no esquema dos negócios, este homem honesto também era um traficante de armas e comerciante de escravos, um liberal no sentido anglossaxão e thatcherita do termo.

Esquerda e Direita Burguesas

Belas ideias universais e abstratas tornadas possíveis pelas possibilidades materiais menos belas. O livre pensador e o  burguês, é aí que está o problema... e é a razão pela qual "liberal" significa tanto "homem de espírito aberto", mas também "empresário calculista" em nossa imaginação contemporânea, homem de direita como homem de esquerda, porque a epistemologia racionalista liberal vem tanto de "Os Direitos do Homem" de um Rousseau como do egoísmo transgressivo de um Marquês de Sade. Marquês de Sade que jamais fez qualquer coisa além de empurrar o amoralismo intrínseco do pensamento liberal a suas conclusões últimas através da provocação literária.

O Épico Liberal: Combate de Direita/Esquerda

Essa dualidade inerente à concepção do homem na razão liberal, por trás da qual se encontra o homem do Mercado. O próprio mercado considerado como o único laço social racional (tão natural) entre os homens, que de repente se tornam Homo economicus.

Essa dualidade constituiria, em conjunto, a epopéia coletiva da burguesia, segundo o desenvolvimento de suas contradições, e determinaria a história da esquerda burguesa e da direita burguesa, a luta da direita econômica liberal contra a esquerda "humanista" dentro daquele pequeno teatro burguês chamado "debate democrático".

Esta dualidade problemática constituiria também a "sensibilidade burguesa", a história de sua sensibilidade cultural que podemos qualificar como "consciência dolorosa", na verdade a consciência dolorosa dessa contradição perfeitamente expressa e realizada nesta nova categoria artística que é consubstancial a ela: a história do romance burguês.

Ascendência, Ideias, os Iluminadores

Mas se a ética burguesa da liberdade e da igualdade formal, fundada no direito natural e na Razão, permitiu a ascensão da burguesia e sua sedução sobre o mundo das idéias pela ideologia do Iluminismo e, finalmente, sua tomada do poder do Antigo Regime de destino e direito divino... Foi o lucro burguês, o seu domínio pelo dinheiro, que tornava-o cada vez mais a classe mais poderosa, a ponto de gradualmente passar da sua ética humanista, como exacerbação insustentável de suas contradições. Uma ética burguesa logo reduzida a uma retórica tão dessecada quanto o escolasticismo do Antigo Regime poderia ser, mantendo menos um humanismo racionalista do que o cientificismo... O progresso científico tinha a grande vantagem de testemunhar a superioridade do espírito burguês por uma prova concreta de sua dominação sobre a Natureza, mas sobretudo através da constituição, através do progresso tecnológico, de uma das chaves do volume de negócios e do crescimento do lucro. Assim, progressivamente, a classe social da "dúvida criativa" e da igualdade jurídica tornou-se a classe da expansão técnica impulsionada pela atração do lucro. A valorização do Capital, que é outro nome para o Mercado, e seu corolário, a democracia do Mercado, tornou-se a nova religião dos filisteus que, após dois séculos completos de poder pleno, acabam lamentando a velha ordem e a nobreza do Antigo Regime! Mas essa epopeia burguesa, ainda que triunfante, não foi bem sucedida, esses confrontos foram apenas a prova e, inclusive, a encarnação de suas contradições morais e práticas.

O Proletariado, Prova da Mentira Burguesa

Mas se a classe burguesa ultrapassou a aristocracia do Antigo Regime, também criou o proletariado e sua miséria de trabalho, a prova da História e a realidade concreta de que, por trás do empreendedor, criador de riqueza, empregos e progresso pela valorização capitalista da tecnologia, está o especulador, criador da exploração e das desigualdades... A história da luta, por suas vítimas, contra essa violência constitui também a história do movimento operário. Daí o marxismo... A miséria material e moral da classe operária, em flagrante contradição com as promessas do Iluminismo e sua ideologia econômica da "mão invisível", que supostamente traria o bem-estar coletivo através do egoísmo individual, que está, não se esqueçam, na origem da crítica marxista enquanto projeto comunista, uma ideologia de combate criticando, em turno, a classe dominante, como a burguesia ascendente fizera com a nobreza, a esquerda reformista, a esquerda radical... a ideologia que recusa a mentira do igualitarismo formal como destino divino, cuja estratégia em si era dupla: ou o sindicalismo do compromisso, ou o sindicalismo revolucionário. Por um lado uma esquerda científica, positivista, tentando superar a burguesia, mas preservando suas conquistas. Por outro lado, uma esquerda mais romântica, mais radical, convencida de que a ética e a epistemologia são uma só coisa, e para escapar a uma, devemos também questionar a outra... Uma esquerda radicalmente anti-burguesa, contrária ao compromisso social-democrático (para a qual problema se limita à elevação do poder de compra) que tentou, sem jamais alcançá-lo, superar a era burguesa-liberal, tanto no plano epistemológico quanto no ético, através da ideologia do "homem novo" que levará ao mais forte comunismo, recorrendo em parte aos valores do velho mundo, como a valorização da família com Proudhon, o heroísmo ascético greco-romano querido por Sorel, mesmo que isso significasse fazer alianças táticas com forças anti-burguesas vindas do Antigo Regime e das idéias da direita...

Outras Alternativas Tentadas ao Mundo Burguês

A epopeia marxista-leninista, a mais importante na sua duração e ambição: a criação de um novo homem e de uma sociedade sem classes, não deve ocultar que houve outras tentativas de escapar à dominação liberal-burguesa, à sua lógica puramente capitalista, a qual, após a derrota do sovietismo e do triunfo da esquerda social-democrata, significa apenas a satisfação do consumidor pelo constante aumento do poder de compra permitido pelo crescimento...

Idealização do Passado, Exotismo ...

O romantismo era o vôo poético individual ao passado mitologizado através da idealização da Idade Média. Um vôo igualmente individual, não no tempo, mas no espaço, através do exotismo, consistia em fugir do mundo burguês ocidental para ir viver noutras sociedades, muitas vezes mais tradicionais, a sociedade de castas na Índia, a sociedade tribal na África... Uma abordagem de ruptura [com a sociedade burguesa] através da fuga que estava na origem, não se esqueçam, do movimento hippie. Mesmo que essa tentativa tenha sido finalmente transformada pelo mercado, por sua vez.

Fascismo, nazismo ...

Ambas as formas de idealização do passado não devem ser confundidas com as experiências mescladas, semi-reacionárias e semi-futuristas do fascismo e do nazismo. Experiências sociais e políticas que buscavam reter a tecnologia burguesa, mas a serviço de uma ética tirada do período pré-burguês, das antíteses do Iluminismo... A tentativa nazista e fascista misturou racionalismo tecnológico e irracionalismo ético, e também falhou. E a esquerda, para manter sua liderança moral, muitas vezes finge confundi-los com essas construções muito sutis do espírito que eram as ideologias da "terceira via". Estes projectos da revolução conservadora que colocam seriamente a questão dos limites progressivos à ideologia do progresso na Rússia, na Alemanha e na França.

Terceira Via: Círculo Proudhon

Uma tentativa na terceira via foi realizada nas margens do Círculo Proudhon, na França, onde teve lugar um diálogo entre monarquistas nacionalistas e sindicalistas anti-reformistas, onde homens de boa vontade uniram-se para além das suas origens nos mesmos valores de nobreza de coração, honra, combate e amor ao país, tentaram formar uma improvável união sagrada anti-burguesa. Uma sagrada união de homens de boa vontade a que o sistema respondeu com uma bandeira acenando união sagrada contra os alemães.

Alemães Ontem, Árabes Hoje ...

Como no passado, hoje o mesmo sistema tenta impedir a união sagrada das vítimas do Mercado: pequenos empresários, artesãos, empregados, proletários de todas as origens, por uma união sagrada contra os árabes. Ódio por esses norte-africanos que esses mesmos burgueses no poder trouxeram para nossa terra em grande número.

A Armadilha do Choque de Civilizações...

Apesar dos fracassos das tentativas cruzadas anteriores, penso que ainda é responsabilidade desta "terceira via", esta união sagrada ampla e subversiva, vilipendiada tanto pela direita liberal quanto pela esquerda trotskista, no pólo oposto da teoria de hoje do "choque das civilizações", encontrar para si a salvação da França e uma alternativa ao mundo burguês. Uma alternativa a este mundo burguês hoje plenamente incorporado pelo imperium americano, seus valores tribais e não-igualitários por trás dos quais se esconde o desejo do capitalismo financeiro globalista pela onipotência oculta o destruidor de espiritualidade, das culturas, das diferenças de identidade. Um espírito mercantil generalizado essencialmente judaico-anglossaxão, longe dos nossos valores helênico-cristãos, celtas, galo-romanos e do nosso destino euro-mediterrâneo.

Sobre o Totalitarismo Mercantil

Depois do fracasso, muitas vezes no sangue e no fogo, de todos os regimes que o opuseram, devemos muito bem admitir que a democracia do Mercado, onde a democracia é de fato apenas o meio do Mercado, só marcou pontos e estendeu-se desde os anos 80. Ela se estendeu de onde nasceu, na Europa Ocidental, a todos os domínios da vida, incluindo os do espírito, pela comercialização íntima do corpo, da cultura, da medicina e até mesmo da religião, também reduzida à lei liberal dos Direitos Humanos, longe de qualquer transcendência. Democracia de mercado que só marca pontos e se estende geograficamente: para a índia, para a China, só a África escapa dela através da miséria. E que se revela, de fato, como o único totalitarismo verdadeiro, contrariamente à ingenuidade de Hannah Arendt.

Parte Dois: O que deve ser feito?

Então o que deve ser feito? Sem retornar às experiências passadas, procuramos ver, hoje, aqui, através da realidade e das forças atuais, quais são as alternativas possíveis ao mundo burguês, a esse mercado em direção ao totalitarismo mercantilista que nunca pára de se transmutar para se reforçar e sobreviver .

Do Moralismo à Pornografia

Empurrada pela lei do lucro, forçada a encontrar novos mercados, a burguesia, para permanecer mestre do jogo, não deixa de mudar, mudando até negar os valores que lhe permitiram impor-se. Empreendedora e parcimoniosa no período da descolagem, ela funciona hoje, ao contrário, como o oposto do moralismo burguês do século XIX, demonstrando o primeiro princípio, o princípio maior do mundo burguês, pelo qual é capaz de sacrificar todos os outros, o sagrado lucro.

Do Liberalismo Libertário ao Liberalismo da Segurança

Um liberalismo que era puritano tornou-se libertário, depois e graças ao Maio 68, que então evoluiu e se transformou desde a eleição de Sarkozy em um liberalismo de segurança. O liberalismo da segurança, ou seja, um regime liberal para a burguesia globalista e todos os que favorecem o enfraquecimento da Nação, mas um regime de segurança, não para delinquentes ou imigrantes ilegais que criam problemas para o povo, mas para os trabalhadores e as classes médias que podem querer se revoltar contra a elite liberal. Um regime de segurança liberal que também podemos definir, longe de estar fora de ordem, como um liberalismo libertário que, sentindo-se ultrapassado, finge resolver os problemas que ele mesmo criou e continua a agravar por duas ou três leis fajutas que sempre penalizam o pequeno burguês e os brancos de classe baixa. Um regime de segurança para com os trabalhadores, sem sequer tocar, na realidade, na delinqüência do lumpemproletariado ou nos predadores de elite. Uma sociedade de segurança liberal que também podemos qualificar como a "sociedade do consumo policiado", tanto permissiva para o consumidor semi-idiota quanto repressiva para o cidadão produtivo, no modelo americano.

O Mundo Anglossaxão...contra a Europa e a França

Este totalitarismo que devemos resistir, apesar da desproporção das forças atuais, nos chega, repito, do mundo anglo-saxão. Hoje incorporado pelo império americano, como foi pelo império britânico no último século, esse poder, essencialmente judaico-protestante, não-igualitário e talassocrático, demonstrou sempre a hostilidade em relação à França católica e cristã, em relação ao seu destino euro-mediterrânico, e sempre ofereceu, em parceria, apenas uma relação de sujeição. Uma submissão que infelizmente é frequentemente realizada com a cumplicidade das elites francesas, seja Philippe Égalité durante a Revolução Francesa, Pascal Lamy através da Comunidade Europeia e, claro, um certo Presidente Sarkozy hoje.

O Ultraliberalismo Místico dos Neo-Conservadores

Um liberalismo brutal, que voltou as costas à moralidade do Iluminismo, e que, já incapaz de justificar seus abusos dominadores e militaristas através da Razão, encontra refúgio hoje no misticismo, o Deus dos escolhidos no Antigo Testamento. Um ultraliberalismo místico que tenta, desde o dia 11 de setembro, nos conduzir a um pseudo "conflito de civilizações", que tenta, especialmente para nós, opor-se à Europa em favor de um Ocidente que é apenas o falso nome da dominação anglossaxã americana, a fim de evitar uma Europa de povos e nações que seja do nosso interesse.

Escapar da Dominação Anglossaxônica, como Modelo Econômico, Cultural e Geopolítico pela Nação de 1789

Esta ofensiva recente do império anglossaxão capitalista ocorre hoje, fora dessa ideologia místico-liberal dos neoconservadores, através da globalização liberal. Uma hegemonia global do Mercado, e daqueles que o controlam, o que necessariamente acontece através da destruição de nações e notavelmente da nação francesa. Uma nação francesa comparada sistematicamente com o período beligerante e de agitação de bandeira de Barrès para liquidar de fato este modelo francês progressista, igualitário, secular e assimilacionista, que protege nossa soberania, a liberdade de consciência e os benefícios sociais do povo. Uma nação que a direita liberal, em nome da luta contra o arcaísmo, ombro a ombro com a esquerda trotskista, em nome da luta contra o nacionalismo, tenta liquidar hoje. Uma colaboração suave que sem dúvida explica a posição do pequeno carteiro de Neuilly, perto da mídia e dos tomadores de decisão liberais nativos também de Neuilly! [Nota do Tradutor: Ele está se referindo aqui a Olivier Besancenot, um político da extrema-esquerda e a Neuilly-sur-Seine, um rico subúrbio de Paris]

A Defesa da Nação Francesa ...

É por isso que, para resistir a essa sujeição imperial e ao seu totalitarismo místico-mercantil, devemos, em primeiro lugar, preservar a nação. Defender, diante das críticas da direita e da esquerda, não um nacionalismo obsoleto e vingativo, mas um novo nacionalismo, protetor dos benefícios sociais advindos do Conselho Nacional da Resistência (CNR). protetor da nossa indústria, dos nossos empregos e da nossa independência política. Um nacionalismo alternativo capaz de considerar uma cooperação saudável entre nações e povos. Um nacionalismo francês, assimilacionista mas não homogeneizante, baseado num Estado forte capaz de ditar as prioridades em matéria econômica para proteger a nossa indústria, os salários base, as pequenas e médias empresas. Um Estado forte também equipado com uma visão estratégica conforme aos nossos interesses nacionais. Interesses que evidentemente não estão sujeitos a um império anglossaxão, do qual sempre desconfiamos no esquema de valores, e que sempre jogou contra nós para enfraquecer nosso brilho: seja no tempo da pérfida Albion no Canadá e na Índia, Ou mais recentemente, com os Estados Unidos, quando reconhecemos o jogo perverso que eles jogaram na Indochina, na Argélia.

Uma União Sagrada de Não Alinhados: Chavez, Putin, Nasrallah ...

Em suma, defender uma França social e não alinhada. Para isso, trabalhar em parceria com todos os regimes que resistem à "Nova Ordem Mundial", da Venezuela de Chávez à Rússia de Putin. Sem esquecer o prestígio e o lugar que ainda é nosso no Mediterrâneo, onde ainda falam francês e onde respeitam o passado da França, apesar do seu governo hoje, no Magreb, no Líbano. Uma união sagrada de todas as sociedades que se colocam ao lado de um certo heroísmo, de uma certa poesia de existência em relação aos tempos, à utilidade, ao cálculo. O mundo eslavo, o mundo árabe, que não são diferentes, para nós, da visão do nosso catolicismo da Idade Média ou do socialismo romantizado por Sorel e Proudhon.

Reacionários e Progressistas Contra os Liberais

Considerando o fracasso do socialismo soviético rejeitado pelos povos e do reformismo social-democrata, inteiramente submisso à ditadura do capital, eu diria, para concluir, que a única alternativa possível ao mundo burguês só pode ocorrer através da sagrada união dos reacionários e progressistas. Uma união de reacionários, sejam monarquistas, católicos, helenistas, muçulmanos, mas todos ligados a uma certa ordem clássica, com os progressistas, todos inimigos do mundo burguês, provenham do PCF de Marchais, do Partido dos Trabalhadores de hoje, da resistência sérvia, ou do chavismo venezuelano. Uma união de reacionários que estão muitas vezes certos e progressistas que têm sido muitas vezes ferrados, contra os liberais que dominam o mundo de hoje e que sempre dividiram para governar. Contra esse império empenhado na destruição de nossas sociedades humanas e da natureza. Contra este mundo singularmente dedicado ao culto de Mammon e cada vez mais causando problemas de superprodução, poluição, desigualdades, que levam a catástrofe. Que projeto, que esperança?

Que Projeto, Que Esperança?

Claro, não o grande dia da revolução amanhã de manhã. Mas, aguardando uma relação de forças mais favorável, não suportando o peso desta ditadura globalista e mercantil de modo muito penoso, unindo-nos em solidariedade. Sem ir ao acampamento dos santos, organizamo-nos em redes, continuamos produzindo críticas necessárias e relevantes de um mundo baseado em mudança permanente. Elaborar uma doutrina de luta e resistência sem cair no escolasticismo, na nostalgia estéril, para escapar, pelo menos consciente e pessoalmente, do sistema que nos reduz à precariedade, à solidão, à depressão, quando não domina nossa mente. Em resumo, participar de um projeto coletivo, definir uma esperança, tentar ser animado e feliz apesar de tudo.

É por isso que estamos reunidos aqui!

19/07/2014

Guillaume Durocher - Vida e Obra de Alain Soral

por Guillaume Durocher


Alain Soral se tornou uma presença influente na cena política e cultural francesa. As seguintes tentativas lançam luz nessa figura completa e fascinante.

Quais são as posições políticas de Alain Soral?

As posições políticas de Soral são complexas, mas podem ser resumidas como uma "Terceira Posição Francesa". Políticas práticas incluem: soberania nacional, fim da imigração, economia livre de banqueiros, conservadorismo social, política externa não-alinhada, fim do Estado-babá e do feminismo, retorno à virilidade, aliança com a Rússia, idealmente a criação de um "protecionismo europeu" para organizar a economia em escala continental. Um slogan importante é "reconciliação". "Reconciliação" entre a "esquerda do trabalho" e a "direita dos valores", praticamente significando um certo socialismo econômico e conservadorismo social. "Reconciliação" entre franceses étnicos e cidadãos franceses afromuçulmanos ao redor de um nacionalismo cívico. "Reconciliação" entre o proletariado e a classe-média contra a finança especulativa.

Soral se opõe ao que ele chama "o Império" enquanto ideologia: a ordem burguesa que está criando um "Último Homem" universal, afeminado, miscigenado, aculturado, global, temeroso à morte e sem honra. A ideologia pode ser descrita como boêmio-burguesa, liberal-libertária ou, para usar a frase de Jonathan Bowden, "capitalismo de esquerda". Soral também se opõe ao que ele chama "o Império" na geopolítica, que é uma estranha constelação americano-financialista-sionista de nodos de poder interconectados que está tentando impôr sua hegemonia cultural, ideológica, econômica e militar ao redor do mundo, e destruir todos os Estados-Nação. Ele convoca a uma aliança de Nações livres contra "o Império". Soral é considerado uma figura satânica pelo sistema político-midiático francês principalmente por causa de sua crítica mordaz aos efeitos perniciosos do etnocentrismo judaico e do sionismo (tanto israelense quanto internacional) sobre não-judeus. Diferentes nacionalistas americanos sem dúvida encontrarão muito a criticar nessa ou naquela parte de sua agenda (de fato, muitos nacionalistas franceses também diferem de Soral), mas em qualquer caso é importante engajá-lo criticamente. Esse é um projeto ideológico e político sofisticado, independentemente de suas tensões internas e imprecisões.

Qual é a influência de Alain Soral?

Eu penso ser inquestionável que hoje Soral e o Igualdade e Reconciliação são o movimento dissidente, nacionalista e anti-sionista mais influente na França hoje e de fato (em termos de audiência) muito possivelmente do mundo ocidental. Na França certamente, a audiência do Igualdade e Reconciliação é maior do que a de nacionalistas como os Identitaires (ainda que estes possam ser mais fortes na ação direta) ou que os intelectuais de Nova Direita que são mais conhecidos por nacionalistas anglo-saxões. Ele é um grande portão para que jovens descubram o nacionalismo e parece ter certa influência, necessariamente encoberta, sobre as fileiras mais jovens da Frente Nacional.

Soral e o I&R promovem sua mensagem através de inúmeros meios.

Egaliteetreconciliation.fr é uma página cada vez mais popular que está geralmente entre as 250 mais visitadas na França (Alexa). É de longe a principal página de "notícias alternativas". No momento desse escrito (14/06/2014) a página é classificada como a 199ª, não muito atrás da slate.fr (subsidiária francesa da Slate americana) e um pouco na frente da página do jornal regional La Dépêche du Midi, da página do canal de TV estatal France3, e do gmail.com. Em suma, a audiência online direta do I&R está no nível das principais fontes de notícias online ou de um jornal mainstream de segundo escalão.

Os numerosos vídeos do Soral tipicamente recebem dezenas ou mesmo centenas de milhares de visitas. Esses vídeos são geralmente remixados independentemente e esses também recebem grande quantidade de visitas. Eles são em sua maioria palestras e "vídeos do mês", estes sendo entrevistas cobrindo notícias (não raro de forma hilária, com seções como "Le con du mois" ["Idiota do mês"]) e cultura. Os vídeos culturais promovem livros publicados por Soral e são geralmente bem longos, mas ainda assim conseguem muitas visitas, sugerindo seguidores intelectualmente comprometidos. Recomendo fortemente que assistam aos vídeo de Soral, uma experiência que para mim foi simplesmente assombrosa e permanentemente destruiu a prisão mental do politicamente correto na qual eu estava preso até então. Após seu abandono da política partidária, Soral foi capaz de avaliar suas experiências e escrever Comprendre l'Empire, publicado em 2011, uma síntese de 200 páginas de suas opiniões políticas. Esse meio-ensaio, meio-manifesto se tornou um bestseller underground com 80.000 vendas e está perenemente na lista de bestsellers políticos na Amazon.fr (às vezes em primeiro) apesar de um boicote total da mídia. Seu subtítulo revelador dá a essência do argumento: "Governo global do amanhã ou a revolta das Nações?"

Soral e seus associados montaram uma pletora de pequenos negócios, tipicamente com um ângulo nacionalista. Essas incluem Prenons le Maquis (camping, sobrevivencialismo), Sanguis Terrae (vinho), Au Bon Sens (comida orgânica) e, talvez mais significantemente, a editora Kontre Kulture, cujo nome e missão curiosamente lembram o Counter-Currents e que publica obras importantes e geralmente esgotadas e seus próprios autores. Soral, como o Counter-Currents e o Occidental Observer Quarterly, acredita que a cultura está na raiz de muitos dos problemas contemporâneos e em desafiar a supremacia do desafio atual.

Desde o verão de 2013, apenas há um ano, Soral cada vez mais apareceu na cobertura da mídia de massa. Isso começou com o então Ministro do Interior Manuel Valls publicamente o denunciando como "inimigo da República" em agosto de 2013. Soral também publicou recentemente um livro co-escrito com o jornalista de TV Éric Naulleau, supostamente contendo "debates" entre os dois, que achou seu caminho às principais livrarias (Dialogues désaccordés). Finalmente, a cruzada anti-Dieudonné de 2013 a 2014, que terminou com uma proibição governamental do show Le Mur do comediante, também trouxe atenção a Soral (incluindo uma rara entrevista dada à BBC). Cada um desses eventos levou a mídia a passar de ignorar sistematicamente o Soral a lhe dar cobertura significativa. Essa cobertura, naturalmente, era exclusivamente negativa, mas não obstante se correlaciona com uma aumento na audiência de Soral, representando um problema intratável para o regime, já que seus esforços de propaganda derrotam a si mesmos.

Mais geralmente, Soral e o I&R se beneficiam da popularidade de Dieudonné M'bala M'bala. Ainda que o comediante franco-camaronês tenha sido banido da televisão, demonizado pela mídia, e seja perseguido pelo Estado e ONGs etnicamente motivadas, ele é capaz de conseguir audiências massivas para seus shows. Como medida de sua popularidade, os vídeos de Dieudonné geralmente recebem muito mais visitas que os de Soral, com centenas de milhares ou milhões de visitas. A política de Dieudonné é ainda mais "meta" do que a de Soral. Ele é mais um comentarista social que político. Ele é anti-sionista, mas não realmente nacionalista. As operações de ambos os homens não se fundiram, ainda que haja claramente grande porosidade e sobreposição entre seus apoiadores.

Como Alain Soral teve tanto sucesso em construir uma audiência?

O trabalho de Soral desde que abandonou a Frente Nacional tem sido majoritariamente metapolítico, se esquivando da política eleitoral direta de qualquer tipo, mas apoiando qualquer movimento alinhado com os objetivos do I&R, acima de tudo a Frente Nacional. Ele tem seguido uma estratégia perigosa e de alto risco - supondo que foi algo consciente, mais do que apenas o reflexo de sua determinação intransigente de dizer tudo o que pensa - que finalmente rendeu frutos. Porém, vale a pena enfatizar o preço que ele pagou por sua notoriedade. Soral é um leproso. Toda a mídia oficial e os partidos políticos o consideram o Diabo e até a Frente Nacional é cautelosa com qualquer aparência de laços. Ainda que ele agora tenha uma audiência significativa totalmente sua, seu "antissemitismo" o torna intocável até mesmo para a extrema-direita (seus amigos de esquerda, se ele os teve, já o abandonaram há muito tempo). Esse tipo de estratégia não é para todos, e enquanto esse tipo de metapolítica provocadora pode complementar o trabalho de outros grupos, ela não é apropriada para a política eleitoral direta. Essa estratégia, envolvendo a total automarginalização e um sacrifício considerável, provavelmente só se provou funcional graças à internet. Isso estando dito, é incrível o quanto Soral foi capaz de expandir sua audiência desde 2009, quando ele se tornou completamente livre para dizer o que pensa - há apenas cinco anos. Um número de importantes fatores pode ser identificado. Soral projeta uma imagem de virilidade. Ele não se curva diante de nada e é o único disposto a discutir os principais tabus. Ele também é boxeador. Isso apela a uma parcela crescente da juventude européia e não-européia que anseia por exemplos masculinos em nossas sociedades cada vez mais afeminadas e transexuais. Soral possui um estilo de debate extremamente agressivo. Qualquer intelectual, jornalista, político ou ativista que ele considere estúpido ou que esteja demonstrando má fé será sujeito a críticas virulentas, às vezes hilárias. (Aqueles que falam francês podem descobrir isso nessa compilação de vídeos de seu Con du mois [Idiota do Mês]). Por exemplo, o comediante pseudo-subversivo Stéphane Guillon uma vez atacou Soral como "perigoso", ele respondeu dizendo o seguinte:

"Uma pequena quenelle já que Guillon falou sobre mim: eu imagino se não há algum ciúme porque, eu tenho que admitir isso hoje, eu comi sua esposa. Talvez ele esteja com raiva de mim porque eu comi sua esposa. Mas eu acho que seja bastante injusto estar com raiva de mim e não de outros porque na época basicamente todo mundo a comeu. Então eu não acho que ele esteja com raiva de mim em particular [...] Assim eu respondo: não só eu sou perigoso, como eu comi sua esposa, e você não vai comer a minha tão cedo".

A agressividade de Soral atrai pessoas por várias razões: o estilo é palatável para leigos, e os vídeos se espalham; todas as pessoas que já se sentiram ofendidas por quem quer que Soral esteja criticando se sentirão vingadas (geralmente Soral é o único disposto a criticar essas pessoas tão diretamente); e finalmente quem quer que conheça ou talvez apoie quem Soral esteja criticando descobrirá assim Soral. Toda publicidade é boa publicidade, e há poucas maneiras melhores de consegui-la do que provocando emoções, tanto positivas como talvez especialmente negativas. Soral teve que moderar um pouco esse tipo de vídeos porque eles o puseram enrolado em uma imensa quantidade de casos legais por difamação e injúria pública (a terra de Voltaire possui problemas notáveis com o conceito de liberdade de expressão). Ele também se engajou no que o regime considera a provocação mais extrema, tal como realizar uma quenelle na frente do memorial do holocausto de Berlim (Soral não nega o holocausto, mas ele tem reivindicado liberdade de expressão para os revisionistas; ele está sendo processado por grupos judaicos por esse gesto na soma de centenas de milhares de euros). Criticamente, tanto Soral como Dieudonné são economicamente independentes do sistema político-midiático. Dieudonné aparentemente ganha centenas de milhares de euros anualmente com seus shows de stand-up comedy. Soral parece viver bem apesar de seus custos legais através de palestras e a renda aparentemente modesta de suas várias empresas (supostamente algumas dezenas de milhares de euros anualmente). Como sempre, frugalidade é liberdade!

Soral e Dieudonné tem sido os únicos dispostos a falar sobre o elefante na sala: etnocentrismo judaico, sobrerrepresentação da elite judaica, e sionismo. Naturalmente se outros ignoram uma grande parte da realidade, devemos nos voltar para os únicos que a discutem de frente.

Também significativamente, a postura ostensiva de Soral é uma de respeito pelos valores oficiais da República francesa: não-reconhecimento de grupos étnicos, igualdade perante a lei, soberania popular. Ele ressalta as contradições entre os valores oficiais do regime e sua prática real. O regime é assim desacreditado entre as pessoas que descobrem Soral, e elas então são psicologicamente preparada para adentrarem em suas idéias mais radicais.

Significativamente, as análises de Soral tem tendido a ser vingadas com o tempo. A crise financeira, a crise do euro, a atual crise da democracia, a visão patética do impotente presidente François Hollande, e especialmente a continuada e cada vez mais flagrante tendenciosidade étnica na cobertura e política externa francesa e de outros países ocidentais - tudo confirmou sua relevância. (Na França esse ativismo étnico se tornou simplesmente grotesco: incluindo Bernard-Henri Lévy lançando extraoficialmente a destruição da Líbia, Alain Finkelkraut sendo promovido à Academia Francesa, a perseguição absurda e legalmente duvidosa de Dieudonné incluindo o uso de censura preventiva, e o agente sionista Manuel Valls sendo recentemente apontado como Primeiro-Ministro).

Acima de tudo, Soral tem sido estável e não-apologético desde 2004. Ele explicou:

"O Sistema está começando a manufaturar Manuel Valls - assim como manufaturou Bayrou à época, Mélenchon em outra - é por isso que ele não deve sonhar. Ele tem a impressão de que está avançando muito rápido porque ele tem um impulso. O dia que eles removerem o impulso ele avançará muito menos rápido. Eu, eu avanço com os ventos soprando contra, então eu pedalo com panturrilhas grossas".

É possível ser dependente do regime, talvez até influenciá-lo internamente mas ainda ser vulnerável a seus desejos. Ou se pode ser independente. (Nenhuma dúvida de que esses papéis podem ser complementares, com críticos externos e criptonacionalistas circunspetos empregados pelo regime).

De onde vem Alain Soral? Ou, da "Sedução" ao Conservadorismo Social

Nascido em 2 de outubro de 1958, Alain Soral teve segundo todos os relatos uma vida familiar miserável, espancado pelo seu pai, um déclassé que foi condenado por fraude e perdeu suas propriedades. Ele foi para Paris em 1976 fazendo "bicos". Apesar de não ter diploma do segundo grau, ele conseguiu emprego no mundo cultural-midiático-publicitário através de sua irmã Agnès Soral, que como aspirando a atriz tinha uma crescente rede de contatos no mundo do show business e na cultura comercial (e.g. marketing) parisiense.

Alain aparentemente odiava esse trabalho como sendo moralmente falido e não gratificante, considerando-o terrivelmente tedioso. Ele parece ter sido motivado por um senso agudo de humilhação como um burguês-tornado-proletário (dizendo que ele tinha uma "consciência dupla" como proletário e burguês), um intelecto agudo, uma sensibilidade aguda às nuances da vida social ao seu redor, e uma fome por provar a si mesmo e ser amado. Aqueles que tem seguido as carreiras de Roissy/Heartiste e RooshV (PUAS famosos na manosfera) podem considerar interessante que o jovem Soral era um dragueur de rue (um PUA de rua, em suma, um sedutor), aparentemente levando para a cama mais de 800 mulheres, especialmente desfrutando de mulheres jovens, burguesas e narcisistas, como uma forma de "luta de classes".

Jonathan Bowden, que enfatizava o elo entre a arte e a política dissidente radical, não ficaria surpreso em descobrir que o primeiro interesse de Soral foi pelas artes, tendo ido estudar na Beaux-Arts de Paris. Ele leu uma enorme quantidade de literatura política, principalmente marxista, incluindo Michel Clouscard, Lucien Goldmann, György Lukács e outros. Ele posteriormente escreveria na terceira pessoa: "Alain Soral, ex-dragueur de rue que amava livros tanto quanto garotas, tanto que ele não escolheu entre ambos". Aqui eis claramente um "rufião culto"...

Deprimido e supostamente contemplando o suicídio, ele co-escreveu um livro sobre moda (Les Mouvements de mode expliqués aux parentes, 1984), aparentemente como desafio para si mesmo, que se tornou um bestseller surpresa. Logo se tornou a ambição de Soral se libertar da escravidão salarial vivendo modestamente de livros. Ao longo das próximas décadas ele publicaria as seguintes obras:

  • La création de mode: Comment comprendre, maîtriser et créer la mode (1987);
  • Le Jour et la Nuit, ou la vie d'un vaurien (1991): Um romance autobiográfico que ele escreveu enquanto trabalhava como cuidador de um castelo; não vendeu bem;
  • Sociologie du dragueur (1996): Seu guia de sedução, realmente um tipo de ensaio autobiográfico com poderosas meditações sobre epistemologia (teoria vs. prática, intelectual vs. praticante), papéis masculinos/femininos e existência humana;
  • Vers la feminization? Démontage d'un complot antidémocratique (1999): Um ataque ao feminismo oficial e burguês narcisista;
  • Jusqu'où va-t-on descendre? Abécédaire de la bêtise ambiante (2002): Análises politicamente incorretas de vários aspectos da política e da sociedade contemporânea;
  • Socrate à Saint-Tropez: texticules (2003): O mesmo que o de cima, com criticas legalmente arriscadas do communautarisme (e.g., a ascensão do lobismo por elites judaicas/gays/feministas), o subtítulo sendo um trocadilho entre "textos pequenos" e "testículos";
  • Misères du désir (2004): Um romance;
  • CHUTe! Éloge de la disgrâce (2006): Um romance sobre o declínio e queda de um "jornalista honesto" (ou sobre a inevitabilidade do jornalismo oficial enquanto propaganda).

Soral também dirigiu um filme, Confession d'un dragueur, baseado em seus livros sobre sedução.

Eu não tentarei psicanalisar Soral para tentar determinar o que o fez escolher o caminho notável e difícil que ele escolheu. Mas é importante conhecer a biografia do homem dado a natureza da epistemologia soraliana.

É possível dizer que os escritos de Soral são genuinamente não-positivistas, o que os torna algo notavelmente raro hoje em dia. Ele é distintamente desinteressado em relação a estatísticas ou escritos acadêmicos chatos. Soral atinge suas conclusões pela interação e contraste de três fontes: sua experiência vivida visceral, sua leitura de "grandes obras" filosóficas e sociológicas, e sua própria dialética de alto nível. (Esta em particular é notável - e bem intimidadora - raciocinando por vai-e-volta lógicos que são tão extremos que se é tentado a chamar isso de "dialética histérica". Mas eu entendo que isso já foi a norma no raciocínio filosófico).

Enquanto tal, a experiência vivida de Soral é crítica para sua cosmovisão - em particular, suas experiências conquistando mulheres, seu desprezo pelas elites, seu tempo no Partido Comunista Francês e depois na Frente Nacional, e finalmente sua perseguição pelo sistema político-midiático por levantar a questão do etnocentrismo judaico.

Em paralelo, eu não acredito ser coincidência que Soral, Heartiste e RooshV todos passaram do PUA ao conservadorismo social e uma certa "dissidência". Por duas razões: primeiro, essa experiência direta e vivida das mulheres como elas são obviamente contradiz a propaganda crua do regime sobre a equivalência e intercambiabilidade homem-mulher, assim desacreditando a propaganda do regime em geral. Um cientista espacial não pode ignorar o heliocentrismo (não importa o que diga o regime) se ele planeja enviar alguém ao espaço, e o prestígio da Igreja Católica nunca se recuperou após Galileu e Darwin. Em segundo lugar, homens que estão dispostos a conquistar mulheres possuem uma dureza pouco burguesa já que eles tem a vontade de conseguir o que desejam apesar de medos de rejeição ou dos sentimentos alheios, qualidades essas que armam um homem com a coragem necessária para dizer a verdade como ele a vê, ainda que isso machuque os sentimentos alheios ou faça com que ele sofra como dissidente. Talvez Schopenhauer não ficaria surpreso em aprender que, dessa maneira estranha, a rebeldia do homem europeu contra o regime, sua luta pela verdade e liberdade, derivam de sua indomável vontade de vida.

Qual é a experiência política de Alain Soral? Ou, do Comunismo ao Nacionalismo.

Em algum momento no final da década de 80 ou início da de 90, Soral se uniu ao Partido Comunista Francês (PCF). Pouco se sabe sobre esse período. Parece que ele se filiou graças a seu ódio pelas pessoas e trabalho burgueses, e seu sentimento comum para com os proletários. Soral fez campanha contra o Tratado de Maastricht de 1992 criando a União Européia e, de fato, os comunistas estiveram entre os poucos partidos a se opor a ele junto à Frente Nacional. Ademais, o PCF na década de 70 havia se oposto à imigração como uma caça a trabalhadores. Soral notou que os trabalhadores de colarinho azul tendiam a ser nacionalistas e esses cada vez mais se filiavam à Frente Nacional aproximadamente na mesma época em que Soral. Estranho como possa parecer, os comunistas são geralmente nacionalistas ainda que os partidos comunistas tenham geralmente sido comandados por indivíduos de mentalidade mais globalista.

Soral era principalmente conhecido, porém, por sua crítica social, particularmente do feminismo e do ativismo de minorias (étnico, homossexual, feminista). Ele se tornou uma personalidade televisiva menor, aparecendo em talk shows como um conservador social simbólico no final da década de 90 e início do novo milênio. Soral posteriormente diria que havia um lugar preparado para ele ser o crítico conservador social "do Sistema", mas na verdade ele era sensível demais para isso, sendo completamente intolerante do que ele via como mentiras ou críticas injustas, e transbordando em cada aparição televisiva com coisas para dizer, aparentemente tentando corrigir cada equívoco que ele ouvia. Soral não apenas critica, ele geralmente diz o que ele vê como a verdade da maneira mais dura e cruel possível.

A virada aberta de Soral para o nacionalismo data de seu desgosto em relação a cobertura midiática injusta do líder do FN Jean-Marie Le Pen (particularmente em 2002 quando ele foi ao segundo turno das eleições presidenciais) e do comediante franco-camaronês Dieudonné M'bala M'bala, e sua própria perseguição pelo sistema sionista.

Em dezembro de 2003, Dieudonné realizou um sketch interpretando um colono israelense fundamentalista, convidando sua audiência a se "unir ao eixo americano-sionista" e concluindo com um "Isra-heil!". Ele sofreu uma massiva campanha de difamação e ostracismo como resultado, com a espiral usual: o defensor cansado ataca seus ofensores em frustração, o defensor tem dificuldade em explicar a razão pela qual ofensas à comunidade judaica levam um preço tão alto, em oposição às comunidades negra, muçulmana ou branca sem cair no que o regime definiu como "antissemitismo". (A resposta, obviamente, é a combinação da sobrerrepresentação judaica em posições politicamente, culturalmente e economicamente influentes, e o etnocentrismo judaico, i.e. racismo).

Soral foi um dos poucos a defender Dieudonné. Isso lhe rendeu poucos amigos, mas ele não foi tornado uma não-pessoa até a exibição fatídica de um documentário em 20 de setembro de 2004. Falando com jornalistas, Soral disse:

"Quando com um francês, um judeu sionista, você começa a dizer: 'talvez haja alguns problemas que vieram de vocês. Talvez vocês tenham cometido alguns erros. Não é sistematicamente a culpa do outro, não completamente, se todos os odeiam onde quer que vocês ponham os pés'. Porque essa é basicamente a sua história, você vê. Já se passaram 2.500 anos que a cada vez em que eles põem os pés em algum lugar, depois de 50 anos eles são expulsos. Alguém tem que dizer, que estranho! É que todos estão errados, exceto eles. O cara, ele começa a latir, a gritar, a ficar louco, você vê. Não dá para manter um diálogo. Quer dizer, eu acho, que há uma psicopatologia, você vê, do judaísmo-sionismo que se assemelha a uma doença mental".

Soral se opôs à veiculação da entrevista. De qualquer maneira, ele foi eventualmente condenado pelas cortes por "incitação ao ódio racial" e multado em 6 mil euros. Mais significativamente, ele foi tornado persona non grata.

Dieudonné e Le Pen - perseguidos pelo mesmo sistema político-midiático etnicamente discriminatório - se aproximaram. Soral se uniu ao FN no outono de 2005 e foi encarregado das questões sociais e das minorias étnicas. Le Pen evidentemente gostava de Soral e logo o alavancou para o Comitê Central, o corpo executivo do partido. O FN estava então em ma posição frágil já que uma grande porção dos seus políticos eleitos localmente e quadros profissionais, como Bruno Mégret, haviam abandonado o partido na década de 90. Ademais, o avanço de Le Pen rumo ao segundo turno das eleições presidenciais de 2002 levou a uma reação massiva e total da mídia popular (sugerindo uma situação desesperadora), e o próprio Le Pen estava ficando idoso, com a futura sucessão do partido e até sua existência incertas.

Soral posteriormente se gabaria de ter redigido discursos tanto para Dieudonné como para Le Pen ao mesmo tempo. Como ex-comunista, ele tinha orgulho de que o FN havia se tornado o principal partido entre os trabalhadores, mas também era simpático aos imigrantes de segunda geração, dizendo que "se a Frente Nacional puder se tornar também o principal partido entre imigrantes, eu adoraria completamente".

O FN já havia avançado muito desde a década de 80 - quando era um partido de direita banal, apelando ao nicho eleitoral de todo mundo à direita do partido governista de centro-direita, adotando uma retórica populista e políticas basicamente reaganitas (anti-imigração, repressão ao crime, conservadorismo social, antigoverno, anti-welfare, pró-OTAN, anticomunismo). Com a queda do comunismo e a ascensão das guerras americanas e da integração européia, a FN se tornou eurocética e antiguerra (se opondo notavelmente às guerras nos Bálcãs e no Iraque).

A FN já havia portanto começado sua virada antiglobalista na década de 90. Soral trouxe uma nova dimensão ao tentar criar um tipo de nacionalismo de esquerda: políticas econômicas progressistas (apelando aos trabalhadores) e apelos a franceses de origem imigrante (ao mesmo tempo mantendo a postura anti-imigração). Ele coescreveu o famoso discurso de Le Pen em setembro de 2006 em Valmy, no local da primeira vitória militar do regime revolucionário francês, na qual o líder nacionalista declarou: "Da Gergóvia à Resistência e da monarquia capetina à aventura napoleônica, eu tomo tudo! Sim, tudo!"

As eleições presidenciais de 2007 foram um pequeno desastre para a FN. Seu voto foi cortado pela metade. Isso provavelmente se deveu mais à campanha de sucesso de Nicolas Sarkozy copiando temas nacionalistas sobre imigração e crime do que a influência de Soral sobre o programa da FN. O partido manteve os temas econômicos progressistas e o apelo a "todos os franceses", ainda que sua posição sobre o Islã tenha sido ignorada.

Após as eleições, Soral fundou o Igualdade e Reconciliação (I&R), aparentemente em um espírito conciliatório, o vendo como um tipo de think-tank nacionalista de esquerda. Uma disputa obscura anterior às eleições parlamentares de 2009 o levaram a deixar a FN, dando um discurso acusando Marine Le Pen de querer voltar "ao Sistema", ao abandonar o nacionalismo autêntico. Ele depois se arrependeu disso, demonstrando a tendência de Soral de generalizar a partir de eventos possivelmente anedóticos, e ver tudo nos termos de seu próprio "sistema" intelectual.

Soral e Dieudonné seguiram liderando uma lista "anti-sionista" nessas eleições européias, conseguindo 1.3% do voto na região da Île-de-France, mostrando assim os limites da metapolítica, mesmo popular, em eleições diretas. (Houve uma derrota similar na Bélgica, como Debout les Belges de Laurent Louis, um partido semi-nacionalista estranho, que tentava lucrar com a fama de Dieudonné e Soral. Ambos deram apoio a Louis mas seu partido não conseguiu eleger um representante para as eleições européias de 2014).

Quais são as relações de Alain Soral com outros nacionalistas franceses?

Soral e o I&R promovem alegremente todos os intelectuais e movimentos (notavelmente dando visibilidade em seu sítio virtual ou vendendo seus livros na Kontre Kulture) que afirmem coisas válidas confirme seu entendimento, ainda que eles não concordem com tudo. Assim, ainda que Soral seja anti-sionista, ele promoveu o jornalista judeu Éric Zemmour (sem dúvidas o mais popular especialista nacional-conservador na França), o intelectual parcialmente judeu Emmanuel Todd (por sua apologia do Estado-Nação francês, ainda que ele seja pró-imigração, um pouco germanofóbico e estranhamento tolerante do financialismo inglês), e o escritor racialista branco Hervé Ryssen.

Essa atitude (re)conciliatória de "grande tenda" entra às vezes em conflito com as críticas brilhantes de Soral a qualquer um que ele veja como sendo hipócrita, mentiroso ou secretamente etnicamente motivado. Isso, junto às próprias idéias controversas de Soral, tem significado que ele tem muitas vezes tido relações tensas com outros nacionalistas.

Desde seu abandono do FN e não obstante a desavença inicial, Soral consistentemente vem apoiando a Frente Nacional. Marine Le Pen, e especialmente seu portavoz Florian Philippot, são claramente mais próximos a sua linha econômica progressista e sua linha nacionalista cívica do que o antigo FN (ainda que ele concordasse com as políticas antiguerra, soberanista e anti-imigração do velho FN). Segundo todos os indícios, porém, Soral possui melhores relações pessoais com os líderes da velha guarda incluindo Jean-Marie Le Pen e o católico conservador Bruno Gollnisch.

Soral tem tido conflitos com o FN de Marine em algumas questões, especialmente com as provocações islamofóbicas e seu secularismo agressivo. Ele não gosta de alguns notáveis do novo FN como Gilbert Collard, um maçom. Ademais, Soral está em um litígio legal com o namorado de Marine e vice-presidente da Frente Nacional Louis Aliot. Soral fez de Aliot seu "con du mois" ("idiota do mês") e disse que ele era um "chupa-rolas de sionista" por ter ido à Cisjordânia e elogiado assentamentos israelenses. Aliot está processando Soral por "difamação e injúria pública". Além da disputa pessoal há uma questão substantiva: Deve o FN se curvar perante o "politicamente correto" político-midiático do regime em geral e ao sionismo em particular em sua luta para conseguir ser eleito? A questão é ainda mais significativa dado a recente querela entre Marine e Jean-Marie na última controvérsia manufaturada pela mídia.

Dado o tipo de nacionalismo multirracialista de Soral, não é surpreendente que ele tenha relações ruins em geral com os Identitaires. Ele também tem diferenças irreconciliáveis com o equivalente entre africanos e muçulmanos, os Indigènes de la République (correspondendo aproximadamente a movimentos Black Power nos EUA, um tipo de anticolonialismo multirracial fanoniano... na metrópole francesa). Parece que um número significativo de ex-simpatizantes dos Identitaires e Indigènes acabam se filiando ao I&R.

Em termos de intelectuais da Nova Direita francesa, Soral tem boas relações com Alain de Benoist. Por outro lado ele tem péssimas relações com Guillaume Faye, que disse sobre ele:

"Alain Soral é um ex-marxista vagabundo que contribuiu para o colapso da Frente Nacional com suas idéias delirantes. Ele não é nem um pouco sério. Ele admira os árabes por sua virilidade e tudo mais. Eu não saio procurando por minhas soluções nos outros. Eu procuro por minhas soluções em meu próprio povo. De que lado está Alain Soral? Nós não sabemos realmente quem ele é. Besteira. Ele não produziu nenhuma obra concreta. Não há nada sério. Ele é um sociólogo bufão que é furioso porque não é aceito pelos círculos superiores".

Isso sem dúvida reflete as prioridades completamente opostas de ambos. Para Faye: ignorar a Questão Judaica, focar na islamofobia. Para Soral: primeiro derrubar o Sionismo internacional, e então será mais fácil lidar com a islamização.

Quais são as relações de Alain Soral com nacionalistas estrangeiros?

Soral pode ser dito como apoiando todos os nacionalistas ao redor do mundo que sejam oponentes do "Império". Ele anteriormente já chamou a si mesmo de "alternacionalista", baseado na alcunha "alterglobalista" da esquerda internacionalista. Posto de outra forma: "Nacionalistas de todo o mundo, uni-vos!"

Em particular, Soral disse que o tipo de nacionalismo socialista, cristão, antirracista e anti-imperialista de Hugo Chávez é o mais próximo do seu. No mundo muçulmano, Soral tem apoiado o Irã (especialmente a luta de Mahmoud Ahmadinejad contra o colonialismo israelense e contra a censura à pesquisa histórica), a Síria, e o Líbano (principalmente a reconciliação nacional entre cristãos e muçulmanos no Líbano alcançada pelo General Michel Aoun e o Hezbollah). Ele também apóia a Rússia de Vladimir Putin como a principal rival do "Império".

Soral se opõe aos vários nacionalistas sionistas de extrema-direita, incluindo o Partido da Liberdade holandês e a Liga de Defesa Inglesa.

Em termos de intelectuais, Comprendre l'Empire foi traduzido ao russo e publicado por Aleksandr Dugin, que evidentemente vê Soral como uma figura significativa. Soral também promoveu a obra de Dugin na França. Ele tem tido boas relações com a CasaPound da Itália, que de certa maneira parece ideologicamente o movimento estrangeiro mais similar ao I&R. A influência de Soral é não-surpreendentemente maior porém no mundo francófono, incluindo Bélgica, Quebec, o Magreb e a África Negra francófona.

Interessantemente, parece que Soral chegou de forma razoavelmente independente a conclusões similares às de nacionalistas e populistas anglos. Kontre Kulture publica traduções de obras de Ezra Pound (Trabalho e Usura), Anthony Sutton (Wall Street e a Ascensão de Hitler, Wall Street e a Revolução Bolchevique), Eustace Mullins (Os Segredos da Reserva Federal) e Douglas Reed (A Controvérsia de Sião). Impressionantemente, Soral foi recentemente banido de publicar essa última obra histórica por uma corte inferior. Ainda que se tenha recorrido da decisão, esse ato de clara censura pode perdurar. A França não tem Primeira Emenda.

Soral também é o editor em língua francesa de anti-sionistas estrangeiros, incluindo The Wandering Who? do judeu Gilad Atzmon e Jerusalém no Alcorão do clérigo muçulmano Imran Hosein.

Qual é a perspectiva de Alain Soral sobre raça?

Não há indicação de que Soral estudou a copiosa literatura norte-americana sobre raça. Porém, ele claramente não é ingênuo: ele já apontou para o morfotipo do esportista negro, para o número elevado de Nobels judaicos e para "o mito da assimilação", em contradição com a linha assimilacionista oficial do FN. Isso sugere que ele não acredita que a massa de não-europeus (particularmente muçulmanos) possa ser transformada em franceses genéricos como os franceses étnicos a qualquer momento. (Isso parece algo tão auto-evidente que ninguém nem precisaria afirmar isso, e ainda assim esse é o dogma oficial imposto do regime político-midiático).

O objetivo de Soral de derrubar o sionismo e reconciliar os grupos étnicos da França significa que o I&R não posta muitos vídeos ou notícias sobre a islamização e deseuropeização da França e suas consequências. (O blog Fdesouche [significando "francês étnico"] o faz porém, e esse é um dos cinco blogs mais visitados na França).

Praticamente, Soral teme duas coisas para a França: uma guerra civil étnica e importar o "choque de civilizações" para a França. Enquanto tal ele é anti-imigração mas vê aqueles que atacam muçulmanos e não-europeus já na França como contribuindo para o poder sionista e um conflito civil que poderia destruir permanentemente a Nação. Exemplos disso em ação inclui a destruição do Líbano por Israel e a destruição da Sérvia pelo "Império". Ele tem palavras duras para aqueles que fantasiam com guerra racial e limpeza étnica a partir da segurança de seus teclados:

"É coisa para alcoólatras. [...] Os caras que dizem isso [que devemos lançar árabes e negros no mar] seria incapaz de fazê-lo. Eles estariam chorando após duas horas se eles começassem a fazê-lo. [...] Entre 'precisamos deter isso tudo' e o que seria necessário fazer em termos de violência e feiúra moral para fazê-lo, não é a mesma coisa".

Admitidamente, transferências de população não tem sido algo incomum na história européia (a transferência greco-turca após a Primeira Guerra Mundial, a limpeza étnica dos alemães dos Sudetos e da Prússia após a Segunda Guerra Mundial, a fuga dos europeus étnicos da Argélia em 1962), mas tal fúria só se seguiu a terríveis e devastadoras guerras que ninguém pode desejar.

Soral também afirmou que:

"se todos os muçulmanos da França e todos os judeus da França votassem pela Frente Nacional, eu ficaria extremamente feliz. Porque isso significaria que essas duas comunidades teriam se reconciliado com a idéia de Nação, e teríamos evitado o choque de civilizações e a guerra civil e mesmo a guerra mundial que tem sido programada. [...]

A alternativa política é não saber se nós vamos matar ou expulsar todos os judeus ou matar ou expulsar todos os árabes. Mas não é essa a questão. A questão é que todas as comunidades da França, que tem sido tribalizadas por uma sucessão de erros e covardia política, se reconciliarem com o projeto francês. Desde esse ponto de vista eu posso ser fraternal com Zemmour em certos tópicos. 'Nós somos todos franceses', essa é a idéia. A associação que eu presido é chamada 'Igualdade & Reconciliação'."

Soral pode bem concordar com a interpretação de Greg Johnson de Oswald Spengler: que quando se é parte de um povo dinâmico, expansivo e crescente, não se precisa preocupar com a assimilação de outros. Soral disse que a França precisa de um "rebalanceamento comunitário" em que judeus seriam menos influentes e africanos/muçulmanos mais. Ter minorias, afinal, não é problemático necessariamente desde que elas respeitem a maioria e não inundem o país. Talvez Soral acredite, caso a maré seja detida, que o núcleo francês será eventualmente capaz de absorver os recém-chegados. Em todo caso, o próprio Soral jamais chamou a si mesmo de nacionalista branco, raramente demonstrou interesse na Europa enquanto tal, e sempre se referiu a si mesmo como nacionalista francês.

Soral diz que ele apoia ativamente o nacionalismo de não-europeus, mas apenas se eles abandonarem a França (notavelmente o caso do pan-africanista Kemi Seba, com o qual ele possui bons laços). Ele já disse que os filhos de estrangeiros na França deveriam perder sua cidadania se eles se engajarem no islamismo ou na criminalidade.

Quaisquer sejam suas posições sobre raça, deve-se, ao menos por razões táticas, tentar responder a questão: o que querem os não-europeus que estão em seu solo? Em alguns casos os conflitos de interesses podem ser irreconciliáveis. Mas se está se combatendo um inimigo comum, então alianças com não-europeus podem ser possíveis. Pelo menos, Dieudonné e Soral privaram a Esquerda Oficial da adesão de um crescente número de não-europeus.

Qual é a posição de Alain Soral sobre a Questão Judaica?

Se alguém assiste a um vídeo de Soral, se pode ser perdoado por pensar que sua cosmovisão pode ser resumida como "judeus, judeus, judeus!". Na verdade, se alguém lê suas obras e artigos, ele é acima de tudo um inimigo do mundo burguês, mais do que da judiaria enquanto tal. Se ele fala tanto sobre judeus, é porque ele é uma das poucas almas no mundo dispostas a discutir o impacto da superrepresentação e etnocentrismo judaicos na elite, e os "dois pesos duas medidas" que sistematicamente emergem a partir disso na política e na mídia.

Os judeus até recebem pouca atenção em Comprendre l'Empire, ainda que haja referências sombrias aos duros e tribais valores do Velho Testamento que permeiam o judaísmo e o protestantismo. Soral disse uma vez que o burguês era um "Judeu de imitação", alguém para quem a ação cultural, política e econômico com a sociedade como um tudo é instrumental, puramente egoísta, em oposição a solidariedade étnica ou preocupação pelo bem nacional.

A crítica de Soral à comunidade judaica organizada é inteiramente uma crítica ideológica do judaísmo-sionismo enquanto projeto para o supremacismo global através do racismo e da dissimulação como exposto no Tanakh e no Talmud. Suspeite ou não de quaisquer predisposições genéticas entre os judeus para o etnocentrismo (ele já falou do "ódio" dos ashkenazi de origem polaca), sua linha é a a cristã de que qualquer um pode ser redimido: um indivíduo pode estar predisposto a isso ou àquilo por suas origens e criação, mas no final das contas ele sempre pode escolher a salvação ao sinceramente se unir à comunidade nacional.

Soral vê claramente o poder absurdamente desproporcional que as elites judaicas tem sobre políticos e intelectuais gentios - moral, econômico, cultural - como fundamentalmente uma inversão. Em uma entrevista recente ele reagiu ao fato de que um jornalista francês ficou incrivelmente impressionado pelo presidente russo Vladimir Putin durante uma entrevista pessoal sem perguntas pré-planejadas:

"Nós vimos o pequeno [Jean-Pierre] Elkabbach - é minha análise mais étnico-racial - o pequeno semita sefardita, se submetendo como uma mulher a alguém que ainda representa virilidade ariana, mesmo que ele seja eslavo. Essa é tão somente a hierarquia tradicional. Quando Putin abre sua boca, Elkabbach se cala. É assim que se deve pensar um mundo que funciona corretamente. Porque um encarna autoridade legítima e virilidade e o outro encarna o papel que ele sempre deveria ter mantido, o papel de um intermediário, de um cortesão, ou no máximo de um diplomata, como nos dias em que a França ainda era França. [...] Isso corresponde à hierarquia justa de culturas, eu não diria de raças, mas de culturas".

Isso, creio eu, é o mais explícito que ele já foi sobre o fim que ele deseja.

Para Soral, o mundo judaico-burguês está se tornando profundamente anti-humano, feminizante, baseado na miscigenação e destruição de todas as nações e culturas, transformando todos os seres humanos em agentes econômicos intercambiáveis, simultaneamente destruindo coesão nacional (por causa de balcanização interna) e diversidade internacional autêntica (todos se submetendo à mesma globocultura), com qualquer dissenso substantivo punido com severidade.

Em oposição a essa visão, Soral quer a multipolaridade, o pluralismo político-ideológico, a liberdade humana e diversidade genuína, preservada em um conflito perpétuo por uma aliança de nações livres contra o Império do dia (América hoje, talvez China amanhã).

Alain Soral é de direita?

O próprio caminho político sinuoso de Soral, sua combinação de temas de esquerda e direita, e sua necessária cripsis (ou ofuscação) em face da perseguição do regime pode tornar uma avaliação ideológica frustrante. Há algo como um "soralismo" e ele é coerente?

É suficiente dizer que o I&R é um movimento da Terceira Via francesa. Sua orientação é sugerida pela recente publicação pela Kontre Kulture do raro Cahiers du Cercle Proudhon, um periódico do século XX apresentando tanto autores monarquistas de direita como sindicalistas de esquerda. O I&R considera isso prova de ter havido uma "revolução conservadora francesa" para além da mais famosa alemã. O nome desse movimento que pouco durou foi inspirado pelo anarquista, judeófobo e antifeminista francês Pierre-Joseph Proudhon, enquanto seus autores mais proeminentes foram discípulos do teórico revolucionário Georges Sorel e do nacionalista monarquista Charles Maurras.

Poder-se-ia assim situar Soral e o I&R de forma justa como parte da Nova Direita francesa, ainda que eles rejeitem o termo "extrema-direita" por suas conotações pejorativas e/ou intenções injuriosas. Na França, a esquerda ainda é sinônimo de superioridade moral, e o I&R pode reivindicar defender melhor os objetivos mais nobres da esquerda (soberania, paz racial, antibanqueirismo, equidade social) do que a esquerda hegemônica.

O próprio Soral já disse muitas vezes que, curiosamente para um marxista, ele se opõe a pensadores iluministas como Voltaire, que ele considera racionalizadores para o poder burguês. Ademais, ele já disse várias vezes que "ele não é um democrata" e se opõe ao que ele chama de "democracia de mercado e opinião", que inevitavelmente cai sob controle plutocrático por causa da influência do Capital sobre a mídia e partidos políticos. Ele se opõe claramente ao individualismo como essencialmente autodestrutivo e nivelador; ele é um anti-igualitário que vê elites como sendo necessárias para elevar as massas.

Soral parece querer algum tipo de monarquia (talvez sob os Le Pen?!) como a única forma política que pode resistir à plutocracia. Ele já disse que "o Rei Católico da França tinha duas vantagens: ele era católico e era francês". E em Comprendre l'Empire, citando a "Tradição" de René Guénon e Julius Evola, ele escreve sobre:

"a necessidade de subordinação desse materialismo comercial pelo poder transcendental de uma casta hereditária, tanto religiosa como militar. [...] Assim, à luz disso, encontramos entre todos os inimigos sérios da democracia moderna: do nacionalismo integral de Charles Maurras à República Islâmica do Irã, e através da Ordem Negra da SS cara a Heinrich Himmler, essa mesma tentativa de tentar pôr em cheque o poder do dinheiro pelo retorno ao poder absoluto de uma ordem tanto religiosa quanto militar".

Ao mesmo tempo, Soral já disse que ele tem um enorme respeito por Rousseau, que ele não considera um pensador iluminista, e já expressou apoio a Étienne Chouard. Este último é um ativista ultrademocracia que quer estabelecer uma Constituição para a França por meio de uma convenção constitucional escolhida por sorteio, um sintoma da aparentemente infinita e não raro autodestrutiva busca francesa por absoluta legitimidade e igualdade democráticas. Soral chamou tais debates constitucionais "fascinantes".

Suficiente dizer que, para além de um crítico impiedoso do Sistema e um defensor inflexível do Estado-Nação, Soral não apresenta uma ideológica pré-fabricada para a nova ordem, mas está em verdade inaugurando o debate.

21/09/2012

Politicamente Incorreto: Ideologia de Resistência ao Mundialismo

por Alain Soral



Este título implica em responder a duas perguntas prévias:

1) O que é mundialismo?
2) O que é politicamente correto?

Comecemos com o Mundialismo

O mundialismo não é globalização.

A globalização é um processo inevitável de trocas materiais e imateriais graças ao progresso tecnológico. Nós não podemos ir contra ela e não é desejável fazê-lo. A rejeição da globalização não é um desejo por um flashback civilizacional. Não mais do que o decrescimento é um desejo por recessão... É bastante conveniente ser capaz de chegar à Seis-Quatro em poucas horas através do TGV e é alegre notar que um grande número dos membros ativos do Partido Populista tem os meios financeiros de chegar lá! Não! O que está em questão é o mundialismo.

O mundialismo é um projeto ideológico, um tipo de religião laica que opera para estabelecer um governo mundial pela dissolução de todas as Nações do mundo em uma nova humanidade. Ela opera no sentido da dissolução das Nações sob a pretensão da Paz Universal. A diversidade de Nações e povos sendo considerada como a razão para guerras que tem causado banhos de sangue sobre a Terra desde a aurora da humanidade...

Esse processo estava logicamente bastante envolvido após a Primeira Guerra Mundial através da Liga das Nações. Ele logicamente declinou após os perigos crescentes que levaram à Segunda Guerra Mundial. E retornou com bastante força sobre as ruínas das Nações após 1945, com a OTAN e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Um curto parêntese: Essa declaração não deve ser confundida com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que pensou estes direitos no contexto concreto de uma Nação enraizada: A nação francesa, em nome de um modelo civilizacional, sobre o qual J.C. Martinez costumeiramente falava: o universalismo francês. Uma civilização com um destino planetário, alternativo tanto à Ummah islâmica como ao liberalismo anglo-saxão...

Nós então tivemos após a Segunda Guerra Mundial dois sistemas ideológicos, lutanto contra Nações e povos que eram considerados como intrinsecamente belicosos: o socialismo russo, agora morto (eu não o martelarei inutilmente!) e o liberalismo americano, vencedor até hoje da Guerra Fria.

O mundialismo existente é portanto duplo: Ao mesmo tempo um projeto ideológico depravado do Iluminismo: um projeto em que Paz Universal e Humanidade reconciliada pela razão kantiana, intencionadas para transcender o obscurantismo escolástico que emergiu das guerras religiosas da Europa, finalmente se transformou no obscurantismo dos Direitos Humanos...

Obscurantismo dos Direitos Humanos...ou, a proibição do uso da razão para criticar todos os malefícios concretos desse processo totalitário contra a Humanidade concreta, sob pena de blasfêmia e heresia...

Um mundialismo que também é, a mesmo tempo, a ladeira inelutável da sociedade mercantil: indo da livre iniciativa do livre empreendedor ao capitalismo financeiro orwelliano, em que cada homem é de agora em diante reduzido ao papel de assalariado/consumidor, escravizado àquilo que o marxismo chama: a lei da concentração de capital imposta pela taxa decrescente de lucro...

Há, então, a convergência de dois processos unificadores: um que é ideológico e pensado: os Direitos Humanos Universais, o outro que é econômico e sofrido: a commodificação sob a religião do lucro. Dois processos que se fundem hoje no mesmo projeto: o projeto de um governo mundial sob a égide do capitalismo anglo-saxão, em nome da ideologia de Direitos Humanos abstratos...

Em resumo: Portanto, os Direitos Humanos são agora o catecismo da dissolução de povos e nações enraizadas, dedicados à abstração generalizada do capitalismo financeiro global com vistas a sua dominação global completa.

Domínio sobre nossas carteiras, bem como sobre nossas almas...

Politicamente Incorreto:

Essa rápida apresentação finda, é bastante fácil chegar à segunda definição: O que é politicamente correto?  E então, o que é o politicamente incorreto? O politicamente correto é tudo que aceita submeter-se, conscientemente ou inconscientemente, à catequese dos Direitos Humanos. O politicamente incorreto é tudo que se opõe e resiste a isso!

O direito-humanismo não possui mais qualquer ligação com os direitos reais de pessoas reais, ligadas a suas culturas locais e suas nações (como a paixão por Jogos Olímpicos ou torneios de futebol continuam a demonstrar, já que tais disputas entre Nações e entre Cidades são as que são aclamadas). Hodiernamente, o direito-humanismo é o braço armado ideológico do mundialismo, a conversa suave que vem com todas as sujeições, todas as opressões de movimentos que resistem ao mundialismo economico-ideológico, sejam essas resistências militares, políticas ou culturais... Portanto, é em nome dos Direitos Humanos, levando, é claro, ao direito de intervenção humanitária e então à responsabilidade de proteger de Kouchner, que agora é bombardeada a pequena nação sérvia, porque eles resistem ao rolo compressor mundialista sob controle americano, em nome de sua cultura e história...É em nome da totalitária e belicosa ideologia dos Direitos Humanos que são desprezados os direitos reais dos povos reais por todo o planeta. Seja o direito dos sérvios de permanecerem sérvios, mas também o direito dos muçulmanos permanecerem muçulmanos no Irã  ou no Afeganistão...

Mas é também em nome dos Direitos Humanos que são desconstruídas solidariedades sociais dentro das Nações e seus povos - as solidariedades sociais tradicionais contra o capitalismo mundialista - pela substituição dos benefícios sociais dos trabalhadores e das classes médias em nome dos interesses sociais de pseudo-minorias "oprimidas" (em realidade minorias vocais...): direitos homossexuais, direitos das mulheres, direitos da juventude, direitos dos negros...minorias que são apenas segmentos de mercado servindo ao mundialismo mercantil ideológico, como o ex-trotskista italiano e agora editor, senhor Toscani, havia bem ilustrado em seus excelentes anúncios "United Colors of Benetton"...

Daí em diante, toda resistência a este entalhamento: recusa em ver os sérvios como inimigos da humanidade, na medida em que eles apenas tentam preservar seu estilo de vida, recusa em ver os homossexuais como uma classe social, já que a diversidade de homossexuais não pode ser reduzida a um auto-proclamado lobby gay e já que a sodomia permanece de qualquer modo uma atividade privada...em suma, qualquer recusa em se submeter à farsa desses pseudo-Direitos Humanos, que em realidade consistem em submeter as pessoas à dominação mundialista, é considerada por este mesmo poder como um crime contra a humanidade! Eis onde estamos! Uma sentença por "crime contra a humanidade" que permite excluir da humanidade aqueles acusados de tal crime, reduzindo-os ao nível de sub-humanos e que, assim, não recebem mais tais famosos direitos: os alemães e os japoneses após a guerra, os palestinos hoje, os iranianos amanhã, os ativistas e eleitores do Front National pelos últimos 30 anos...

Falemos agora sobre o FN.

Essa implacável mecânica rapidamente desmontada; vamos dar uma olhada mais atenta para a França e seu movimento nacional...Esse movimento nacional ao qual eu me uni por espírito de resistência ao mundialismo e que esteve incorporado nesses últimos 30 anos pelo Front National, este movimento unido de resistência nacional, graças ao gênio político de Jean Marie Le Pen. Eu aproveito esta oportunidade para saudá-lo... Primeira observação, compreendida assim e eu diria "bem compreendida"! O Front National não é nem um movimento de direita, nem de esquerda, já que a direita se refere ao mercado, e assim ao mundialismo, tanto quanto à esquerda se refere ao internacionalismo, que não passa da mesma coisa... O Front National bem compreendido é portanto essencialmente um movimento de resistência ao mundialismo, oposto ao mesmo tempo a sua economia liberal direitista e a sua ideologia humanista esquerdista, o catecismo esquerdista sendo o álibi humanista dos processos econômicos de concentração de Capital e o processo de dominação pelos "mestres do mercado"...

Dessa análise nós podemos logicamente deduzir que se o Front National, como um movimento de oposição nacional, quer ser coerente, ele precisa combater tanto contra o mundialismo mercantil e contra o politicamente correto, que é sua ideologia...

Mas, aqui é onde eu me permito uma crítica das imprecisões de ontem e das tentações de hoje...

Por muitos anos, o Front National foi politicamente incorreto em termos de ideias (eu estou me referindo às provocações prazerosas e úteis de nosso presidente...) mas infelizmente foi economicamente liberal demais, o que quer dizer que o Front National era apenas parcialmente desobediente... Apontemos que nacional-liberalismo é um oxímoro, já que liberal quer dizer "privatizado" e quanto tudo é privatizado (bancos centrais, serviços públicos, exército...), a política perde o controle da Nação, mesmo o Front National! Atualmente no Front National, a linha entre politicamente correto e liberalismo está um tanto invertida: crítica rigorosa do mundialismo econômico, mas renúncia do politicamente incorreto em prol da desdemonização, o que se limita à mesma incoerência e à mesma impotência política: já que se submeter à ditadura dos Direitos Humanos e à chantagem do crime contra humanidade é eventualmente um jeito de acabar nu nas mãos da ideologia mundialista! O slogan que melhor resume o que eu quero dizer, slogan que é permanentemente lançado e do qual não devemos desistir é o famosos "Nunca mais"! Sugerindo: "Mundialismo ou Auschwitz", e para os receosos, o não menos famoso Reductio ad Hitlerum! Em suma: O politicamente incorreto de modo algum é um jogo inútil de provocações. Mesmo que ele não seja sempre entendido dessa forma, ele é a doutrina de resistência ao mundialismo. Doutrina de desobediência sem a qual a crítica restrita ao mundialismo econômico é insuficiente, impotente e mesmo incoerente, tanto quanto o politicamente incorreto não estendido à crítica da doutrina liberal... Incoerência econômica de ontem que hoje está ultrapassada dentro do Front National, graças ao excelente trabalho de Marine Le Pen!

Portanto, não apenas os pensamentos politicamente incorretos não devem ser abandonados, mas em um tempo em que a esquerda, que costumava liderar o campo com o marxismo, abandonou todos os pensamentos, se entregando ao obscurantismo dos Direitos Humanos... Em um tempo em que ninguém pensa, nem na esquerda ou na direita, já que os tubarões da direita há muito resolveram se contentar com simplesmente fazer negócios... Nós, os nacionalistas, podemos recuperar controle em termos de ideias já que nós somos os únicos críticos eficientes do sistema e podemos nos tornar, neste deserto, os líderes intelectuais de amanhã e incorporar a renovação do gênio francês!

Então, vida longa à desobediência!

E vida longa à França desobediente!

07/04/2012

Luta de Classes no Interior do Socialismo (1830 - 1914)

por Alain Soral



Todo mundo conhece a luta de classes que opõe o proletariado à burguesia. Menos conhecida é, e por bons motivos, a luta que opõe dentro do movimento socialista, o socialismo internacional ao socialismo libertário. E dentro do movimento nacional: o socialismo parlamentar, de inspiração maçônica, ao anarcossindicalismo considerado como pré-fascista.

Uma luta que vista a partir de suas origens classistas, estava opondo duas seções da burguesia. A alta e média burguesias cosmopolitas, com um "socialismo científico" (Marx, Lassalle, etc.) se esforçando para desacreditar, em prol do conceito de messianismo proletário, uma pequena burguesia nacional e empirista (Proudhon, Sorel, etc.) que estava profundamente enraizada na realidade e no mundo dos trabalhadores.

Uma luta silenciosa, porém mortal que resultará na vitória dos internacionalistas sobre os nacionalistas e, acima de tudo, na vitória de um socialismo reduzido a questão da conquista do poder - e portanto do mercado - sobre um socialismo que queria mudar radicalmente a vida.

Classes sociais sempre existiram

Determinadas pela evolução das forças produtivas - ou pela história do progresso técnico - e pelas relações de produção que seguem essa evolução (burguesia sem relações/proletariado sem invenção, como o motor a vapor necessário para a revolução industrial), as classas sociais sempre existiram.

Sempre existiram ou, mais exatamente, existiram desde que o homo faber, emergindo de um mítico "comunismo primitivo", deu início ao necessário e desastroso caminho da especialização das tarefas, para gerar a divisão do trabalho, a primeira divisão social.

Uma divisão social em classes que data aos primórdios dos tempos históricos.

Classe pela prática e mentalidade de classe

Classes sociais determinadas por sua práxis: os laboratores através da agricultura, da manufatura e do comércio, os bellatores pela profissão das armas, os oratores pelo estudo e pela transmissão de conhecimento, nesse antigo mundo tripartite.

Práxis que também geram cultura e mentalidade de classe: uma mentalidade comercial dominante atualmente, uma mentalidade popular majoritária ainda que sempre desprezada e uma mentalidade aristocrática logicamente ameaçada.

Uma cultura e mentalidade de classe que ademais, nem exaurem a questão do grupo etnocultural levando a outra ordem de consciência e solidariedade; ou a persistência do animal na humanidade e os comportamentos reflexos que o acompanham: instinto de sobrevivência individual, preocupação com a própria prole...

Antagonismo de classe, colaboração de classe e "conflito de classe"

Mas durante os tempos do poder monárquico, notavelmente sob a monarquia teocrática que vigorou antes da democracia mercantil e maçônica, o antagonismo de classe era ou suprimido ou transcendido - dependendo de ser visto ou não como algo positivo ou negativo - por meio de uma submissão geral à ordem divina.
A solidariedade etnocultural de todos os súditos da realeza, por exemplo, no reino da França, ultrapassando em última instância, e apesar das tensões, os antagonismos e solidariedades de classe.

Uma aceitação da lei divina - e do destino - que impedia esse "conflito de classe", denunciado por Charles Peguy como o mal moderno, e que inevitavelmente caracterizará o mundo da imanência que veio depois.

Um "conflito de classe" que só pode ser bloqueado, em nossa sociedade burguesa de imanência e lucro, através da solidariedade nacional como substituição para a ordem divina; ou ao contrário, pela promoção de um individualismo exacerbado que destruirá toda forma de solidariedade...

O proletariado, encarnação da mentira e traição burguesa

No mundo da imanência que emergiu após a Revolução Francesa, a luta de classes tornou-se o novo motor da história. Uma luta primeiro resultante do fim da solidariedade transclasse, que existia previamente na monarquia do direito divino; mas uma luta resultanto principalmente da quebra das promessas do iluminismo.

A conquista do poder pelo terceiro estado, uma vez expulsa a nobreza e o clero, não levou à igualdade social de todos os cidadãos e à fraternidade nacional, mas à exploração dentro do terceiro estado de um proletariado industrial por uma nova burguesia empresarial e capitalista, ainda mais dura com seus empregados do que a nobreza era com seus camponeses.

O proletariado e sua miséria sendo, literalmente, a encarnação da falsidade dessa burguesia e de seu assim chamado iluminismo

Uma nova situação de violência e falsidade interna ao campo progressita, que a partir de 1840 pavimentará o caminho para a aventura socialista...

O sonho de um messianismo proletário

Uma vez apagada, através da derrota histórica, a reivindicação do marxismo à cientificidade, a grande idéia do socialismo pode ser resumida assim:
O proletariado criado, como o golem, pela própria burguesia - e esse é o fruto de sua contradição - será, graças a sua lucidez gerada por sua miséria e pelas qualidades morais que resultam do respeito e da solidariedade para com o trabalhador, a classe encarregada de punir o explorador burguês capitalista, através de uma conquista do poder que desapossará essa mesma classe burguesa de seu poder sobre essa falsa democracia chamada democracia liberal.

Uma conquista do poder pelo proletariado que colocará um fim ao mesmo tempo à obra política progressista realizada pela Revolução Francesa - e traída pela burguesia - para finalmente produzir efetivamente, e não apenas formalmente, essa sociedade fraternal sem classes, promessa de cidadania igualitária do iluminismo...

Uma visão-de-mundo e esperança que faz dos marxistas, independentemente do que digam, moralistas e idealistas.

Uma visão que busca renovar a escatologia cristã da fraternidade e do amor no mundo materialista gerado pelo imanentismo mercantil, através de uma messianismo profético inspirado pelo judaísmo.

Visão socialista que finge se apoiar no logos para realizar a visão messiânica judaica e missionária cristã reconciliadas e resultante sem dúvida da cultura tríplice de Karl Marx (judaica, grega e cristã), principal teórico do socialismo científico...



O messianismo proletário, visão de intelectuais

Uma visão da revolução socialista, feita para o proletariado, mas não pensada ou desejada por ele - o proletariado raramente tendo tido, graças a sua práxis, a bagagem conceitual necessária - mas por intelectuais vindos de duas seções da burguesia:

- A pequena burguesia nacional, no caso dos socialistas libertários e sindicalistas revolucionários, como Pierre-Joseph Proudhon e Georges Sorel. Pensadores normalmente autodidatas e profundamente enraizados no mundo proletário.

- A alta e média burguesia ashkenazi, no caso de socialistas internacionalistas como Karl Marx e Ferdinand Lassalle. Teóricos pouco familiares com o proletariado e opostos ao empirismo da pequena burguesia, com uma arrogância de uma abstração conceitual inspirada da filosofia heleno-europeia; uma filosofia alegremente abraçada desde sua recente emancipação do pensamento talmúdico e do gueto.

O melhor exemplo dessa absoluta diferença entre o sujeito pensante e o objeto de pensamento é sem dúvida o livro História e Consciência de Classe de Georg Lukacs. Um enrome livro historico-filosofico no qual esse filho de banqueiro da alta burguesia judaica húngara tenta demonstrar com um fantasismo virtuoso o destino messiânico e antiburguês de um proletariado idealizado com o qual ele nunca teve qualquer contato. Um envolvimento teórico que fará com que esse culto homem letrado faça parte do sanguinário governo de Bela Kun e então apoie a obra de Stalin até o último suspiro!

Um proletariado ideal saído da mente de um intelectual, usado contra sua própria classe pelo cadete da burguesia cheio de culpa pela traição do iluminismo perpretada por seus pares.

Proletariado presumido revolucionário, e também usado como arma de vingança e conquista pelos sem classe e cosmopolitas contra as elites: essa burguesia nacional e cristã, cujo lugar quer ser tomado em nome do proletariado...

Não há autonomia de classe sem cultura de classe

Teatro antigo, gesto cavalheiresco, romance burguês...a consciência e autonomia de um grupo social são demonstrados primeiro por suas produções culturais. Uma cultura específica na qual esse grupo expressa diante da história o que eles sabem e o que eles querem.

Mas, como Edith Piaf, excelente intérprete, mas cantando canções escritas por outros, o proletariado revolucionário somente seguiu líderes que não se originaram em sua própria classe, e desempenhou diante da história uma música que não havia saído das próprias mãos.

Lúcito em relação a isso, Louis Ferdinand Céline, culto pequeno burguês que melhor expressou o sofrimento e alma populares, derivou um orgulho irônico do cumprimento de Stalin - outro cínico sem classe - que considerou "Viagem ao Fim da Noite" (traduzido ao russo por Elsa Triolet que também era completamente estranha ao proletariado) como o único romance proletário já escrito.

Ironia, compartilhada por aquelas duas mentes de um realismo amargo, o constatar que o proletário individual, que o século XIX havia tornado o herói da história, era na verdade um herói silencioso; a famosa classe messiânica, uma classe que jamais produziu qualquer cultura específica nem expressou sua consciência e projeto - o "realismo socialista" imposto pelo partido estando aqui para provar isso - a não ser que confundamos cultura proletária e cultura popular...

Povo ou proletariado?

De François Villon a Dieudonné passando por Louis Ferdinand Céline, Michel Audiard e Coluche, a cultura popular se perpetua ao longo dos séculos, um gênio afável que esta nas antípodas do "realismo socialista" que formula através de decretos a arte proletária.

Uma cultura popular para o povo, que nos obriga a definir o grupo humano do qual ela é a expressão, especificando primeiro o que o povo não é. O povo não é nem a nobreza ou o clero, mas esse "terço excluído" constituído pelos não-privilegiados sob o antigo regime, e que teoricamente chega - como terceiro estado - ao poder após a Revolução Francesa.

Um povo que nós ainda devemos definir, sob a exploração e parasitismo das classes superiores - nobreza e então burguesia dentro do terceiro estado - como o mundo do trabalho e da produção; ou, essa classe de trabalhadores assumindo e realizando - segundo a terminologia freudiana o "princípio da realidade": agricultores, artesãos, comerciantes, operários e pequenos comerciantes...aos quais devem ser agregados os funcionários públicos úteis e os artistas que expressam essa sensibilidade.

Um povo que pode ser definido em termo de classes como a soma entre o proletariado e a classe média

Um povo constituído pela pequena burguesia e pelo proletariado, que ademais se esbarram uns com os outros na vida real, como os donos de bar que controlam seus meios de produção e seus clientes, os trabalhadores assalariados.

Dois grupos sociais conectados e misturados que o socialismo científico, em prol de abstrações intelectuais contrariadas pela realidade - começando pela realidade social e urbana do bar da vizinhança - sempre tentou dividir e opor.

A farsa do internacionalismo proletário: o povo é sempre patriota

Proletários assombrados e manipulares por meio de abstrações de agitadores cosmopolitas, apresentados como internacionalistas, enquanto está historicamente demonstrado que o povo é sempre patriota.

Patriota como o povo da "comuna de Paris" recusando, em nome da dignidade francesa, a derrota em Sedan e a submissão ao ocupador prussiano, aceita pela burguesia de Versalhes.

Um povo patriota sempre celebrando suas equipes desportivas nacionais, face o desafia ou manipulação - quando o esporte se torna um comércio - da elite econômica que se aproveita das paixões simples e coletivas (e.g. Bernard-Henry Levy)

Um povo fiel a sua nação, face a traição de suas elites cosmopolitas; seja a traição de Louis XIV, sacrificando os interesses da França pelos de seu primo o rei da Prússia, ou a traição de Sarkozy "o americano", aniquilador da independência francesa atual...



Apenas o capital é internacional

Das famílias monárquicas colocando o parentesco europeu acima de interesses nacionais (explicando a fuga de Louis XVI para Varennes) à burguesia submissa aos interesses do capital apátrida, a mentalidade internacionalsita - em verdade cosmopolita - é totalmente estranha ao povo.

Um internacionalismo que é, ao contrário, a principal característica das elites viajantes e dos manipuladores nomádicos, realizando seus negócios por cima das cabeças do povo, que, graças a sua práxis, é pouco móvel e enraizado.

Portanto, o anti-nacionalismo pregado por Georges Sorel, no amanhecer de 1914, não deve ser compreendido como um desdém elitista pela solidariedade nacional, mas ao invés como a recusa frente a manipulação burguesa que empurravam os povos francês e alemão a um banho de sangue pelos interesses do capital...

O internacionalismo trabalhista bem entendido, em oposição ao anti-nacionalismo trotskista

Recusa de um nacionalismo agressivo manipulado - desde Napoleão I - pelas forças monetárias e sempre levando a mais sofrimento para o povo, e que não nos deve fazer entender o internacionalismo trabalhista como sendo expressão de um anti-patriotismo instintivo, mas sim como sendo a solidariedade das classes trabalhadoras, em nome da eficácia política, face as manipulações do capital apátrida.

Um internacionalismo que deixa o nacional para voltar a ele, como o partido comunista francês anti-imigração de Georges Marchais, formulado durante seu famoso discurso em Montigny-les-Corneilles.

Discurso popular e patriótico diametralmente oposto ao internacionalismo trotskista que expressa um ódio quase religioso da nação. Um desdém pelas fronteiras e pelo povo estabelecido professado por agitadores profissionais, raramente originados no proletariado, e compartilhado pela alta burguesia.

Daí, o interesse para o grande capital em discretamente promover esses agitadores anti-nacionais às custas de representantes legítimos do povo, unido e patriota...

Uma colusão entre globalismo de direita e internacionalismo de esquerda - em verdade, todos eles cosmopolitas - tornada mais fácil desde que eles normalmente vem, como a história demonstra, da mesma comunidade...

Filosofia da miséria contra a miséria através da filosofia

Para voltar à luta teórica anti-capitalista ocorrida durante a segunda metade do século XIX dentro do movimento socialista, dois campos se enfrentarão, ambos pretendendo dar uma boa resposta a essa mesma questão central:

"No mundo da imanência no qual tudo vem da práxis, quais são as condições materiais, sociais e políticas para libertar a humanidade?"

Uma questão mas duas respostas e dois grupos principais para levar a luta antiburguesa à fruição:
- Por um lado, o socialismo libertário de Mikhail Aleksandrovitch Bakhunin e Pierre-Joseph Proudhon.

- Por outro lado, o socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels.

- Os primeiros buscando respondar essa pergunta através da razão e do empirismo.
- Os segundos opondo à tentativa e erro dos primeiros, um sistema filosófico abrangente invocando o "sentido da história" tomado de Hegel e que irá tratar a tentativa de pensar remédios práticos para a miséria dos primeiros, como uma miséria da filosofia.

Um virtuosismo conceitual chamado de "materialismo histórico e dialético" que infelizmente para eles e para o proletariado se provará retrospectivamente um conjunto de elucubrações, supostamente científicas, de burgueses arrogantes, que como novos ricos brincando de deuses com uma filosofia distante de sua cultura profético-messiânica herdada, zombam de pensadores autodidatas vindos do mundo proletário, cujas suspeitas anti-marxistas-leninistas foram provadas justificadas.

Desconfiança do Progresso

O Progresso, promovido em prol do "sentido da história" por Marx, contra as intuições de Proudhon e Sorel - que humildemente reconheciam a rejeição da mecanização expressada pelos luditas na Inglaterra e pelos canutos na França, e mais geralmente pelos corpos representativos da aristocracia do trabalho - levando ao estado imbecil da fragmentação do trabalho, suprema insanidade do taylorismo e do fordismo.

Pelo Emprego Generalizado

Esse progresso mecânico alienante - extremamente exigente em relação ao capital - que passa necessariamente pela concentração e por grandes unidades de produção. É a geração de um assalariado gerador de submissão, passividade e infantilismo, como Proudhon e Sorel haviam previsto contra Marx e Engels...

A ditadura do proletariado é a ditadura do partido 

A ditadura do proletariado, teorizada por Marx e depois realizada pelos bolcheviques - Lênin observando a informidade das massas proletárias deixadas a si mesmas e a sua consciência, preferindo confiar, para tomar o poder, em uma "vanguarda revolucionária" ou em profissionais que não são proletários mas que são treinados para ações revolucionárias, ao invés de em uma "espontaneidade" das massas realizando um "sentido da história" que levará a brilhante acadêmica mas politicamente ingênua Rosa de Luxemburgo à derrota e à morte.
 
Em suma, a chamada "ditadura do proletariado" que nunca pediu ou planejou nada, na verdade, levando à inevitável ditadura do Partido-Estado. Ou, a partir de Lenin, levando à burocracia e nomenklatura estalinista... 


Socialismo e populismo: as condições de consciência e de liberdade 

Confrontados com este regime baseado na divisão do trabalho e do emprego generalizado sob a autoridade exclusiva do Partido-Estado - ou, a ditadura policial e mecânica de um "socialismo real" justificado e disfarçado pela arrogância de uma ciência filosófica banal e acreditada como uma religião - os pensadores populistas: Bakunin, Proudhon e Sorel, mais realistas do que materialistas, mais intuitivos do que conceituais, opuseram desde o início outro caminho de salvação para o proletariado. 

Advogando uma sociedade de pequenos proprietários, a partir da aristocracia do trabalho e trabalhando de mãos dadas em respeito às escalas humanas, de modo a produzir um mundo de consciência e liberdade. 

Assim a consciência é aliviada, não pelo catecismo do partido dos trabalhadores infantilizados mas sim pela responsabilidade econômica e social resultante da propriedade dos próprios meios de produção. 

Em outras palavras, a liberdade, não distribuída por um estado policial centralizador, mas especificamente permitida pela independência econômica e social - e, portanto, política - conferida pela propriedade, para muitos, o seu meio de vida e produção. 

Uma sociedade mutualista de pequenos produtores, que não expressam o desejo por poder e dominação de um pequeno grupo manipulando um proletariado explorado e sem propósito por meio do aparato estatal, mas uma sociedade de liberdade, igualdade e fraternidade concretas, referindo-se mais à democracia grega do que ao socialismo soviético, mas desta vez sem escravos! 

Uma sociedade que é o exato oposto do socialismo marxista-leninista bem como do capitalismo burguês, ambos baseados progresso tecnicista, em uma extrema divisão do trabalho e do trabalho assalariado a serviço de um estado-patrão (estado como empregador) para o socialismo, ou, de um patrão-estado (empregador como estado) para o capitalismo, que é o mesmo. 

Proximidade desses dois sistemas, ambos baseados somente no progresso material, o que explica perfeitamente a transição suave e sem contestação, da União Soviética de Mikhail Gorbachev para a Federação Russa de Boris Yeltsin; a velocidade com que o chamado "homem novo", cunhado por setenta anos de socialismo, se converte em estupor consumista ocidental, já que tudo o que tinha que ser feito era substituir no cume de um edifício perfeitamente vertical a Estrela Vermelha pela Coca- Cola! 

Um "socialismo científico" arrogante, ultra-conceitual, em realidade salmódico e muito vulgar (cujo obscuro trabalho de Louis Althusser é a caricatura final) mascarando a irresponsabilidade fordista, guiado pelo parasitismo da nomenklatura, atrás de uma ditadura burocrática.

Socialismo real que não vai aparecer, em última instância, como oo desejo de emancipação da classe trabalhadora, mas como a vontade de dominação da burguesia e dos sem classe manipulando um legítimo sofrimento proletário contra a burguesia cristã culpada...


Nem capital nem ditadura do proletariado: a solidão de George Orwell 

Uma grande mentira política unindo o outro no mesmo totalitarismo, que o inglês George Orwell havia observado desde os anos 40, após as suas viagens na França e Espanha.

Baile de máscaras do "socialismo real" denunciado pelo russo Alexander Solzhenitsyn na década de 50, mas desta vez a partir do ponto de vista da reação.Reabilitação de um populismo que se recusa a se manifestar em favor do capitalismo ou do socialismo, defendido hoje em dia pelo sutil Jean-Claude Michea, em referência à obra de Christopher Lasch...

A luta pela luta de classes correta 

Não uma busca por salvação para Orwell e Michea, através do proletariado e da oposição abstrata proletariado/burguesia, mas a união do proletariado e da classe média rumo a uma classe média generalizada. Nesta união de pessoas: trabalhadores, artesãos resistindo durante a comuna de Paris contra o capital "versalhense" cujos interesses permaneciam estranhos a eles. 

O populismo acusado por seus inimigos burgueses - bem como pelos revolucionários cosmopolitas - de ser "pequeno burguês" e que está longe o bastante da verborragia democrática parlamentar francesa que surgiu a partir da revolução. 

Um populismo libertário e anti-autoritário igualmente distante do socialismo soviético, continuador em muitos aspectos - sem ofensa para Solzhenitsyn - do despotismo czarista. 

Um populismo em última análise, retornando mais ao ideal pioneiro americano, lutando tanto contra o banco como contra o Estado - incorporados pela Cidade e pela monarquia inglesa - por uma democracia mutualista de pequenos produtores, ainda encarnada na América provinciana por um certo espírito republicano... 

A estratégia discreta do Império, ou do banco impedindo, em nome do socialismo, a junção populista do proletariado e da classe média (Marx contra Proudhon) 

A partir de então, a luta socialista - começando com a oposição Bakunin-Proudhon contra Marx-Engels - não deve ser entendida como uma oposição binária entre socialismo e burguesia capitalista, mas, mais perversa e triangular, como a luta do grande capital mundialista manipulando e financiamendo revolucionários profissionais, geralmente oriundos da burguesia cosmopolita: agitadores venais, obscuros dialéticos, apresentando uma suposta unidade de luta do trabalhador contra a burguesia, na qual o grande burguês (especulador apátrida) e o pequeno burguês (empresário enraizado) são sistematicamente confundidos - como no catecismo da Arlette Laguiller - para evitar a junção popular, verdadeiramente revolucionária em relação ao poder do capital, da pequena burguesia e do proletariado nacional. 

A história desta manipulação e deste conluio, em que um socialismo cosmopolita manipula um proletariado assombrado contra uma classe média enraizada sistematicamente difamada, sendo a história oculta do movimento operário. 

Uma mentira e uma manipulação historicamente provadas, a partir de 1970, pela unificação final desses ditos revolucionários cosmopolitas com o liberalismo globalizado.

Unificação conduzida sob o rígido controle trotskista, conhecido como "liberalismo libertário" na Europa e como "neoconservadora" nos EUA. 

Uma série de traidores sociais cujos nomes evocam imediatamente a Lista de Schindler... 

A estratégia discreta do império, ou do banco promovendo a esquerda parlamentar contra o Sindicalismo Revolucionário (Jaurès contra Sorel) 

Uma vez assegurada a vitória dos socialistas científicos sobre os socialistas libertários, depois de uma luta desigual (considerando os patrocinadores), que irá durar até a segunda metade do século XIX, um segundo ataque de liquidação do povo revolucionário será realizada dentro do proletariado. 

Essa será, até a virada do século, até a primeira guerra mundial, a luta do sindicalismo revolucionário, entusiasta de greves gerais e ações diretas, contra um socialismo parlamentar de influência maçônica; ou, a segunda derrota populista de Georges Sorel contra Jean Jaures...
 
Uma luta reduzida à luta pela conquista do poder, ou a luta perdida dos representantes do povo contra os manipuladores do proletariado

Assim,  de 1840 a 1970, a luta travada dentro da esquerda deve ser entendida como a lenta derrota das forças populares contra os profissionais do socialismo. 


A transformação sutil e progressiva, pelas forças esquerdistas corrompidas pelo capital e influencidas por lojas maçônicas, de uma luta antiburguesa para mudar a vida em uma luta pela conquista do poder.

Ou, em última análise, a democracia - liberal ou socialista - limitada ao mercado...Conclusão: liquidar a classe média

Um mundo governado pela deriva do capital, cuja constante, independentemente das manipulações do mundo do trabalho e suas colaborações, terá sido o tempo todo - além de maximização do lucro -  liquidar a classe média, em essência independente e recalcitrante frente ao poder.
 
Primeiro, isolar a classe média, através da propaganda do socialismo cosmopolita consistindo em amalgama-los ideologicamente com a alta burguesia de modo a expo-los à condenação proletária; proletariado este com o qual desde a "comuna de Paris" eles constituem o povo.

 
Então substituir a classe média, usando a absorção-aquisição imposta pelas economias de escala, através das dóceis camadas médias assalariadas; ou, os pequenos empregados independentes pelos executivos dóceis.Finalmente, liquidar a classe média, pura e simplesmente, fazendo uso crises financeiras coordenadas pelos bancos, para cortar os créditos necessários para seu funcionamento, frente a uma taxação excessiva imposta pelo estado conivente. 


A destruição final da classe média - produtiva, lúcido e enraizada - correspondendo ao projeto imperial de liquidação de toda desobediência ao capital, essencialmente apátrida, de modo que nenhuma liberdade, consciência e independência restam entre o poder imperial do banco e as massas assalariadas...
 
E eu vou concluir com esta citação eloqüente, e pouco conhecida do anarquista Bakunin, oponente contemporâneo de Marx:


"O Estado não é a pátria. É a abstração, a ficção metafísica, mística, política, jurídica da nação. As massas populares de cada país amam profundamente sua pátria, mas esse é um amor verdadeiro e natural. Não uma idéia: um fato...e é por isso que eu francamente me sinto como o patriota de todas as nações oprimidas." - Mikhail Bakunin