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06/11/2025

Christian Bouchet - Os Carlistas: Os Vendeanos da Espanha

 por Christian Bouchet

(2025)



Surgido há 192 anos na Espanha, o carlismo permanece bem vivo. Ele encarna uma fidelidade a uma visão de mundo tradicional e pré-industrial, próxima à dos legitimistas franceses.


A origem: uma questão de valores


Tudo começou em 1830, quando o rei da Espanha, Fernando VII, alterou a ordem de sucessão – que até então seguia a lei sálica – para que sua filha mais velha, Isabel, pudesse herdar o trono. O irmão do rei, Carlos de Bourbon, que seria o legítimo sucessor, recusou-se a jurar lealdade à sobrinha e, em 1833, após a morte de Fernando VII, autoproclamou-se rei da Espanha.

À primeira vista, parecia uma simples disputa dinástica, mas, na realidade, escondia algo mais profundo: um embate entre duas visões de mundo. De um lado, Isabel II agrupava a burguesia anticlerical, liberal e centralista; do outro, Carlos de Bourbon era o porta-voz do povo simples, dos católicos e da defesa dos fueros (privilégios regionais e locais).


20/11/2024

Christian Bouchet - René Guénon e a Direita Radical ou as Ligações Perigosas do Xeque Abdel Wâhed Yahia

 por Christian Bouchet

(2007)


"Guénon pertence de pleno direito à cultura de Direita. Em sua obra, a negação de tudo o que é democracia, socialismo e individualismo dissolvente é radical. Guénon vai ainda mais longe, abordando domínios que mal foram tocados pela atual contestação de Direita". - Julius Evola.


"René Guénon [é o] teórico secreto de uma direita absoluta". - Pierre Pascal.


Na ditadura branda que enfrentamos diariamente, enquanto os que pensam de forma politicamente incorreta hoje são proibidos de acessar as cátedras universitárias, os grandes editores e os meios de comunicação de massa, os que pensavam de forma politicamente incorreta no passado são vítimas de duas estratégias: ou o apagamento, ou a distorção.

Se Alexis Carrel é o exemplo mais conhecido desses grandes homens "apagados" aos quais não se pode mais fazer referência, René Guénon é, sem dúvida, o escritor "de direita" cuja pensamento é o mais distorcido.

15/10/2024

Christian Bouchet - Alain Daniélou, a Tradição e o Hindutva

 por Christian Bouchet

(2012)


Alain Daniélou, filho de um ministro da República Francesa e irmão de um cardeal da Igreja Católica, musicólogo e convertido ao hinduísmo, ocupa um lugar muito particular na nebulosa tradicionalista francesa. Um lugar que poderia ser qualificado como marginal, não porque seja insignificante, mas porque, stricto sensu, Alain Daniélou se situa à margem do movimento perenialista. No entanto, nosso homem merece ser lido e refletido, pois ele apresenta a melhor abordagem possível da Índia, de sua Tradição, da possibilidade de um vínculo com esta e, também, porque realiza uma crítica acentuada do nacionalismo indiano em suas versões laicas ou religiosas concebidas como um antitradicionalismo.

09/02/2021

Christian Bouchet - Intermarium: A Extrema-Direita Contra o Continente

 por Christian Bouchet

(2017)


Formulada pela primeira vez no século XIX, a ideia do Intermarium só se materializou durante o período entre guerras, antes de ser totalmente esquecida após a vitória dos Aliados. Reapareceu durante o colapso do bloco soviético e, atualmente, é ativamente apoiada pelos Estados Unidos e por uma facção minoritária da extrema-direita europeia.

Intermarium: uma velha ideia

A ideia de uma aliança ou confederação das nações da Europa Central, da costa do Mar Báltico aos Bálcãs, objetivando fazer oposição à Rússia e à Prússia, surgiu no século XIX, mas permaneceu apenas como uma perspectiva geopolítica por conta da ausência de condições políticas ou por não haver um Estado capaz de sustentá-la. No entanto, foi adotada pela nacionalista polonês Józef Piłsudski que, em 1904, durante a Guerra Russo-Japonesa, chegou a solicitar o apoio japonês para implementá-la – ao que os japoneses responderam com indiferença. A conclusão da Primeira Guerra Mundial, no entanto, com a independência da Polônia, deu a Piłsudski o posto supremo de poder (que ele a ocupou entre 1918-1922 e 1925-1935). Foi então que ele tentou, em vão, forjar uma aliança de nações soberanas, do Mar Báltico ao Mar Negro, com a finalidade de se opor à União Soviética e ao Renascimento Alemão, como também de se consolidar como um fiel aliado das potências da Europa Ocidental. Paralelamente, ele desenvolveu a doutrina do Prometeísmo, que consistia no apoio e suporte a todas as minorias nacionais que pudessem contribuir com a desintegração da URSS. 

11/06/2014

Christian Bouchet - Identidade Latino-Americana: Mariateguismo & Magonismo

por Christian Bouchet



As formas autóctones do socialismo latino-americano são um pouco ignoradas pelos militantes europeus, sejam eles cultos ou curiosos. Isso levou à consequência nefasta de privá-los de pontos de referência e de exemplos normalmente notáveis e originais e que poderiam ser tomados e utilizados na luta política européia.

Assim Haya de la Torre, Van Marees, Mariategui ou os irmãos Magon, por exemplo, propõem cada um um enfoque original das relações entre o socialismo e a identidade.

Neste curto artigo trataremos sobre Mariategui e os irmãos Magon, porque os estudos sobre eles estão conhecendo um - relativo - empurrão devido, para o primeiro, ao centenário de seu nascimento em 1994 e para os segundos do levante zapatista.

Mariategui, um marxista nietzscheano

Nascido em Moquegua, no sul do Peru, em 1894 em uma família pobre e católica e tradicionalista, Carlos Mariategui, muito cedo órfão de pai e de saúde frágil, busca rapidamente no estudo e no misticismo compensações à dificuldade de sua existência.

Jovem jornalista, consagra seu tempo às investigações literárias estetizantes. Mas em 1919, tem que se exilar por motivos políticos. Durante cerca de 5 anos, percorrerá a Europa, interessando-se na França pelo dadaísmo e pelo surrealismo, e na Itália pelo pensamento de Gramsci.

De volta ao Peru nos finais de 1923, se junta com Víctor Raúl Haya de la Torre e participa na criação do partido pan-americano APRA (Aliança Popular Revolucionária Americana) que apoiará com sua caneta e procurando criar em torno de si uma frente cultural. Com este fim, em Setembro de 1926, funda Amauta (que em quechua significa mestre de sabedoria. Escolhido para render homenagem à cultura inca). Mas aos finais de 1928, J. C. Mariategui se separa do APRA rechaçando este partido por não ser mais que populista e proclamando sua fé em um socialismo peruano que deve ter por fim uma "criação heróica". Este pouco tempo depois na iniciativa da criação do jornal sindical Labor e do partido Socialista Peruano que logra sua filiação à Internacional Comunista sob este nome e em que Mariategui é a alma até sua morte aos 35 anos em 1930.

Afirmando-se marxista, mas reconhecendo a influência recebida de Sorel, de Nietzsche e de Bergson, Mariategui foi um comunista particularmente heterodoxo (por essa razão o PSP foi, após sua morte, totalmente retomado pela Internacional). Nos movimentos políticos depois da primeira guerra mundial -liberalismo, fascismo, comunismo - examina sobretudo "o enfrentamento entre o esgotamento decadente e a novidade criadora". Na ação política, busca sobretudo "o chamado à via heróica" e "a apologia do aventureiro, do grande aventureiro". E - heterodoxia suprema - para Mariategui, o socialismo deve ser antes de tudo identitário e enraizado, e busca aproximar seu compromisso político ao passado do Peru, ao comunismo aristocrático dos incas e depois das comunidades camponesas. Assim em uma das duas únicas obras que publicou estando vivo "Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana" que apareceu na época da criação do PSP, faz do Peru profundo o lugar privilegiado da expressão da vida e da alma do povo e examina as questões de educação, religião, centralismo, regionalismo, literatura, economia, não em sua relação com o proletariado urbano, mas em relação à realidade indígena e seus laços com a terra.

Com este fim, é sem dúvida significativo que o atual Partido Comunista do Peru de A. Guzmán se reclame do "caminho luminoso do pensamento de Mariategui" e confirme assim a opinião dos politólogos e etnólogos sérios que estimam que depois de uma linguagem estereotipada marxista particularmente obscura, o Sendero Luminoso é antes de tudo um movimento de resistência indígena à modernidade ocidental.

O magonismo: um comunalismo mexicano

O magonismo como corrente ideológica organizada aparece em 1892 e desaparece, vítima da repressão, em 1916. Tira seu nome dos irmãos Ricardo e Enrique Flores Magon que - influenciados pelo exemplo dos populistas russos - criaram um círculo revolucionário anti-ianque anticlerical na região de Oaxaca. Este círculo se introduzirá rapidamente no Partido Liberal mexicano (no México do fim do século XIX os liberais eram a extrema-esquerda) onde serão a ala ativista e esquerdista.

A característica desta corrente é que seu socialismo tem sua origem no comunalismo indígena e é uma reposta autóctone à ocidentalização e à tentativa de dominação americana sobre o México. Toma a defesa - o retorno segundo os casos - da organização indígena da sociedade: democracia organizada, propriedade coletiva da terra, trabalho limitado à cobertura das necessidades, uso não capitalista dos recursos, etc.

Durante 26 anos, toda a ação dos magonistas seguirá o mesmo eixo. Sublevar as tribos indígenas, pô-las a consistir grupos armados e recuperar - ou a defender - suas terras. Para Ricardo Flores Magon, o aspecto teórico era secundário, senão inútil, e somente a ação e seu exemplo contavam.

Até 1918 - data na que Ricardo Flores Magon foi preso por um destacamento do exército ianque que atuava no México, transportado aos EUA e assassinado - os magonistas criaram numerosos grupos armados, estiveram na origem de numerosos levantamentos de tribos indígenas e participaram no movimento zapatista. Totalmente esquecidos em continuação, seu nome reapareceu - mas de uma forma quase inapreciável - quando o comandante Marcos declarou em uma entrevista que o pensamento prático dos insurgentes de Chiapas vinha na linha direta de Zapata e dos irmãos Magon.

09/08/2011

Jean Thiriart, Teórico da Revolução Européia

por Christian Bouchet

Poucos são os franceses aos quais o nome de Jean Thiriart evoque alguma lembrança. Desde 1960 a 1969, através da organização européia transnacional "Jeune Europe" e o mensal "La Nation Européene" promoveu a primeira tentativa, inigualável de criação de um Partido Nacionalista Europeu e Revolucionário e definiu claramente em seus escritos o que forma parte do corpo doutrinário de não poucos movimentos nacionalistas da Europa.

Nascido no seio de uma grande família liberal de Liége que teve grandes simpatias pela esquerda, Jean Thiriart militou primeiro na "Jeune Garde Socialiste" e na "Union Socialiste Anti-Fasciste" e durante a Segunda Guerra Mundial na Fichte Bund (uma liga seguidora do movimento Nacional-Bolchevique de Hamburgo dos anos 20) e no "Amis du Grand Reich Allemand", uma associação que reagrupa na Bélgica latina a antigos elementos da extrema-esquerda favoráveis à colaboração européia, e inclusive à anexação ao Reich.

Condenado a três anos de prisão depois da "Liberação", Thiriart não ressurge politicamente até 1960 participando, durante a descolonização do Congo, na fundação do "Comité d'action et de Défende des belgiens d'Afrique" que transformou-se mais tarde na "Mouvement d'Action Civique". Em pouco tempo Jean Thiriart converte este grupo poujadista em uma estrutura revolucionária eficaz que - considerando que a tomada do poder pela OAS [*Organização do Exército Secreto, um movimento nacionalista de militares] na França seria um tremendo trampolim para a revolução européia - aportou um apoio eficaz e sem falhas ao Exército Secreto.

Paralelamente, organizou-se uma reunião em Veneza em março de 1962. Participando Thiriart pelo MAC e pela Bélgica, o "Movimento Sociale Italiano" pela Itália, o "Sozialistische Reichspartei Deutschlands" pela Alemanha e o "Union Movement" de Oswald Mosley pela Grã-Bretanha. Em uma declaração comum, estas organizações declararam querer fundar "Um Partido Nacional Europeu, enfocado na idéia de uma Unidade Européia, que não aceita uma satelização do Oeste pelos Estados Unidos e que não rende-se na reunificação dos territórios do Leste de Polônia a Bulgária passando pela Hungria." Porém o Partido Nacional Europeu tem uma curta existência, os arcaicos e estreitos nacionalismos de italianos e alemães fazem romper logo suas visões pró-européias.

Isto, acrescentado ao fim inglório da OAS fez refletir Thiriart, que chegou à conclusão de que a única solução estava na criação de um Partido Europeu Revolucionário em uma frente comum junto aos partidos e países opostos à ordem de Yalta.

Resultado de um trabalho iniciado nos fins de 1961, o MAC transforma-se em Jovem Europa, organização européia que implanta-se na Áustria, Alemanha, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Países Baixos, Portugal e Suíça. O novo movimento está fortemente estruturado, insiste no treinamento ideológico em verdadeiras escolas de quadros, tenta fundar uma central sindical embrionária, o Sindicato Comunitário Europeu. Ademais Jovem Europa pretende fundar as Brigadas Revolucionárias Européias para começar a luta contra o ocupante norteamericano e busca um pulmão exterior. Daí, os contatos com a China comunista, Iugoslávia e Romênia, assim como com o Iraque, Egito e a Resistência Palestina.

Se Jean Thiriart é reconhecido como um revolucionário com o qual contar - entrevistou-se com Zhou En-Lai em 1966 e com Nasser em 1968 e tem seu acesso proibido a 5 países europeus - e se a aportação militar de seus militantes no combate anti-sionista não é discutido - o primeiro europeu a cair com arma em mãos combatendo o sionismo, Roger Coudroy, era membro do Jovem Europa - seus potenciais aliados sentiram-se impedidos por reflexos ideológicos ou assuntos diplomáticos que não permitiram-lhes prestar à Jovem Europa a assistência material e financeira desejada. Ademais, depois da crise da descolonização, a Europa beneficiou-se de uma década de prosperidade econômica que tornou mais difícil a sobrevivência de um movimento revolucionário. A imprensa da organização, primeiro "Jovem Europa" e depois "A Nação Européia" teve uma certa audiência e uns colaboradores de alto nível, entre os quais encontravam-se o escritor Pierre Gripari, o deputado de "Alpes Maritimes" Francis Palmero, o embaixador da Síria em Bruxelas Selim El Yafi, o do Iraque em Paris Nather El Omari e Tran Hoai Nam, chefe da missão vietcong na Argélia assim como personalidades como o líder negro Stockeley Carnichael, o coordenador do Secretariado Executivo do FLN Cherif Belkacem, o Comandante If Larbi e Djambil Mendimred, ambos líderes do FLN argelino ou o predecessor de Arafat à cabeça da OLP, Ahmed Choukeiri aceitaram sem dificuldade as ofertas de entrevistas. E o General Perón, exilado em Madri, declarará "Leio a Nação Européia com regularidade e compartilho completamente de suas idéias não só em relação à Europa senão a todo o mundo".

Em 1969, decepcionado pelo relativo fracasso de seu movimento e pelo tímido apoio internacional, Thiriart renuncia a seu combate militante. Apesar dos esforços de alguns de seus Executivos, Jovem Europa não sobreviverá ao abandono do principal Chefe. Não obstante há uma reivindicação parecida a princípios dos anos 70, nos militantes da Organização "Luta do Povo" na Alemanha, Áustria, Espanha, França, Itália e Suíça, nos anos 80 nas equipes da revista belga "Vontade Européia" e na francesa "O Partisan Europeu", assim como na tendência Terceirista Radical no seio do movimento NR francês "Troisième Voie". Jean Thiriart sairá do exílio político em 1991, para apoiar a criação da Frente Européia de Liberação a qual viu como sucessora da Jovem Europa. Ele ia na delegação do FEL que foi a Moscou entrevistar-se com os líderes da oposição a Boris Yeltsin. Infelizmente Jean Thiriart sofreu um ataque do coração pouco depois de voltar à Bélgica. Deixou inacabados vários trabalhos teóricos, nos quais analisava a evolução do combate anti-americano após o desaparecimento da URSS.

Inspirado por Maquiavel e Pareto, Thiriart disse que era um doutrinário do racional e rechaçou as classificações comuns da política, agradava-lhe citar uma frase de Ortega y Gasset "Ser de esquerda ou direita é uma das infinitas maneiras das quais dispõe o homem para ser imbecil, ambas são, de fato, formas de hemiplegia moral". O Nacionalismo que desenvolveu era um ato de vontade, o desejo comum de uma minoria de fazer algo. Estava baseado em considerações geopolíticas. Somente tem, para ele, "futuro as nações de amplitude continental (EUA, China, URSS), se queres fazer grande e importante a Europa, tens que unificá-la através da constituição de um Partido revolucionário de tipo leninista que inicie imediatamente a luta pela liberação contra o ocupante americano e seus colaboradores, os partidos do Sistema e as tropas coloniais da OTAN. A Europa Ocidental, liberada e unificada poderá então entrar em negociações com a ex-URSS para construir o Império Europeu de Galway a Vladivostok capaz de resistir à Nova Cartago americana e ao Bloco Chinês e seus milhões de habitantes."

Oposto aos modelos federais e confederais, assim como à "Europa das 100 bandeiras", Thiriart que definiu-se como um "jacobino da Grande Europa" quis construir uma Nação unitária concebida nas bases de um Nacionalismo de integração de um extenso Império dando a todos seus habitantes a cidadania e a herança legal e espiritual do Império Romano.

No plano econômico Thiriart rechaça "a economia do proveito" (capitalismo) e "a economia da utopia" (comunismo) para advogar pela "economia do poder" que promove o desenvolvimento do máximo potencial nacional. Sem dúvida, em sua mente a única dimensão viável para esta economia é a Europa. Discípulo de Johann Gottlieb Fichte e de Friedrich List, Thiriart é partidário da "autarquia dos grandes espaços", assim Europa saindo do FMI e dotada de uma moeda única, protegida por sólidas barreiras aduaneiras e velando por sua auto-suficiência poderia escapar às leis da economia global.

Apesar de datar dos anos 60, os livros de Jean Thiriart são surpreendentemente atuais. Desde 1964 descreveu o desaparecimento do partido russo na Europa, mais de 10 anos antes do nascimento do Eurocomunismo e aproximadamente 25 anos antes dos transtornos da Europa Oriental. Da mesma maneira sua descrição dos milhares de "quislings" americanos é todavia uma realidade na Europa e tem sido demonstrada recentemente nas posições de muitos dos políticos durante a Guerra do Golfo, os distúrbios na antiga Iugoslávia ou nas últimas insurreições africanas. Também avisou sobre a leitura do ianque James Burnham, conselho que ainda pode-se seguir encontrando no livro deste último: "Pela Dominação Mundial" frases como estas: "Devemos abandonar o que resta da doutrina da igualdade das nações. Os Estados Unidos deve permanecer abertamente como candidato à direção da política mundial."

Discutível em certas coisas (jacobinismo, demasiado racionalismo, etc...) não ignoramos que Thiriart permanece como um dos nossos maiores mentores deste século. Corresponde-nos nutrir suas teorias, avaliá-las e saber aplicá-las para abordar as dificuldades do ano 2000.