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21/08/2012

Sobre a crise e a formação do Governo Mundial




por Adrian Salbuchi

Os Donos do Poder Mundial enraizados profundamento dentro dos principais Estados e Governos, estão decididos a impor sobre todo o planeta um Governo Mundial, com unhas e dentes...E quanto antes, melhor (pra eles)! Convido ao leitor avaliar doze "mega-processos" que estão sendo utilizados como "disparadores" geopolíticos para lograr este objetivo. Lamentavelmente, os fatos vão demonstrando que não estávamos errados.

Parece que todos os caminhos conduzem ao Governo Mundial. Isto não deveria surpreender nada. O prestigioso diário britânico Financial Times manifestou abertamente em um artigo redigido por seu comentarista em assuntos exteriores Gideon Rachman, em 8 de Dezembro de 2008 ([2]). Seu título diz tudo: And Now for a World Government (E agora por um Governo Mundial). Isto é apenas um eco do que vem alardeando desde décadas entidades fabricantes do poder mundial como a Comissão Trilateral, o Conselho de Relações Exteriores (CFR), Grupo Bilderberg e inclusive, mais recentemente, o Vaticano. Comecemos pelo óbvio: o gerenciamento integral do planeta Terra não é assunto simples. Requer o planejamento estratégico e tático por parte de uma vasta rede de bancos de cérebros, aliados a universidades de elite, operando através de exércitos de acadêmicos, lobbystas, jornalistas, políticos, funcionários de Governos e operadores de toda classe que interatuam profusamente financiados pela estrutura supranacional de bancos e corporações. Operam de maneira mancomunada e holística, desenhando e ativando estes "disparadores" geopolíticos em diferentes áreas e planos, sabendo que cada um não tem suas próprias características, dinâmica e velocidade. Por exemplo:

- Disparadores Financeiros: se movem à velocidade da luz, graças às tecnologias da informática e das comunicações que permitem elevar ou colapsar mercados, moedas, economias nacionais e regionais em apenas horas ou dias.

- Disparadores Econômicos: se movem mais lentamente posto que a fabricação de automóveis, aeronaves, alimentos, vestimenta ou construção de casas, plantas e instalações demanda meses, senão anos.

- Disparadores Políticos: se encontram sujeitos ao mal chamado 'sistema democrático'. Manobram para posicionar, financiar, e impor seus políticos e operadores nos máximos estamentos de poder de todos os Estados, desde cujas estruturas impulsam durante anos as medidas e leis que favorecem os interesses dos Donos do Poder Mundial.

- Disparadores Culturais: geralmente requerem várias gerações para implementar; é aqui onde a Guerra Psicológica logrou 'exitos' sem igual na formação, conformação, e deformação do imaginário coletivo, impondo padrões de comportamento e pensamento de efeitos perversos e dissolventes, com os catastróficos resultados sociais que temos em vista.

A complexa administração por parte dos Donos do Poder de todos os traços que abarca este processo exige tomar em conta as armadilhas, perigos, e surpresas que o futuro depara. De maneira que para cada um destes e muitos outros itens, têm preparados eventuais 'planos B' - incluso planos C e D - que, por serem precisos, podem ser rapidamente implementados.

12 Disparadores para impor um Governo Mundial

Hoje, os Donos do Poder Mundial estão fechando o processo geopolítico que em seu momento batizaram com o nome de 'globalização', iniciado com o colapso da antiga União Soviética faz pouco mais de vinte anos. Pretendem substituí-lo com um Governo Mundial forjado a sua medida. É assim que nosso mundo se encontra transitando uma perigosa transição que vai desde a prometedora 'globalização' daqueles dias até o Governo Mundial que hoje nos ameaça.

Algo análogo ao que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche descrevera em sua Assim Falou Zaratustra: "Um perigoso cruzar, uma viagem ousada, um perigoso mirar ao mais além, um perigoso tremer e paralizar-se".

Estes 12 Disparadores se encontram entrelaçados e entrecruzados dentro de uma matriz altamente complexa e holística, que é muito flexível em suas táticas, mas rigidamente imutável em seus objetivos estratégicos. Quando se o mira em sua totalidade, este modelo de domínio planetário resulta muito mais que a mera some de suas partes.

1) Colapso do Sistema Financeiro Global. Desde o ano de 2008, o Sistema Financeiro Global continua em terapia intensiva. Grandes banqueiros como Ben Bernanke, Timothy Geithner e a 'equipe SWAT' financeira norte-americana (Robert Rubin, Larry Summers e os megabanqueiros da Goldman Sachs, CitiGroup, JPMorganChase, Rotschild, Lazard, Warburg) operam junto aos seus pares no Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu e demais bancos, sem ter tomado medida alguma para ajudar as sofredoras populações e as conomias devastadas por este 'câncer' financeiro. Somente pretendem 'resolver' a crise dando bilhões de dólares à elite bancária e impondo o mito midiático de que certos bancos são "demasiado grandes para deixá-los cair" (que em sua linguagem eufemista orwelliano significa que são demasiado poderosos para deixá-los cair). Por que? Porque no mundo industrializado não são os Governos os que controlam, supervisionam, e monitoram os Goldman Sachs, CitiGroup, HSBC, Deustche Bank e JPMorganChase, mas que a realidade é exatamente o contrário: são os megabancos os que controlam os Governos.

2) Crise econômica. Hoje em dia o 'Capitalismo Extremo e Destrutivo' se encontra muito ocupado colapsando as economias nacionals e regiionais, para então reformatá-las como entidades crescentemente escravistas; um tipo de gulag mundial que o próprio Stálin invejaria. O problema do mundo não é a economia real global (que segue majoritariamente intacta), mas a crise terminal que afeta o mundo falso e artificial das finanças, os bancos e a especulação parasitária e usurária.

3) Convulsões sociais. Os colapsos na Grécia, Irlanda, Portugal, Brasil, em décadas passadas.

4) Pandemias. Preparemo-nos para mais 'surpresas gripais' que, convenientemente engenhadas, preparam o caminho para as vacinações massivas obrigatórias; uma oportunidade discreta para introduzir minúsculos chipes RFID (transponders identificadores por rádio frequência) em nossos corpos e para provar 'vírus inteligentes' que terão como 'branco' determinadas sequências de ADN. Nos enfrentaremos com vírus seletivos étnico-raciais como paprte de campanhas massivas de despovoação?

5)Awuecimento global. A medida que a economia mundial se afunda no 'crescimento zero', os dinamizadores econômicos passam do crescimento expansivo à contração do consumo. Serão os nascentes 'créditos de carbono' o futuro mecanismo de controle social?

6) Mega-ataques terroristas de 'bandeira falsa'. Os donos do poder mundial mantêm esta carta curinga em suas mangas para detonar novas e gigantescas 'crises' que servirão de atalhos em direção à imposição de um Governo Mundial. Veremos novos ataques deste tipo que farão empalidecer os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque e Washington? Veremos a detonação de algum artefato nuclear sobre alguma cidade ocidental, do que logo se culpará os inimigos dos donos do poder mundial?

7) Guerra generalizada no Oriente Médio. Nestes momentos se alistam forças aéreas, navais, e terrestres ocidentais para atacar países como Síria e Irã.

8) 'Acidentes' ecológicos e ambientais. O acidente nuclear na planta ucraniana de Chernobil em 1986 marcou o princípio do dim da antiga União Soviética ao mostrar ao mundo e aos próprios soviéticos que seu Estado não estava em condições de administrar de forma segura sua infraestrutura nuclear. Em Abril de 2012 vimos o enorme acidente ecológico da plataforma petrolífera da BP Deepwater Horizon no golfo do México; logo, desde Março de 2001, Japão e o mundo se enfrentam com um acidente nuclear ainda maior no complexo nuclear de Fukushima Daiichi. Teve alguma jogada suja em torno destes acidentes?*

9) Assassinato de figuras políticas ou religiosas de alto nível, dos que se culpará algum inimigo dos donos do poder. O Mossad, a CIA, e o MI6 têm vasta experiência neste tipo de jogo sujo.

10) Ataques contra 'Estados transgressores'. Já vimos no Iraque e Líbia. Quem serão as próximas vítimas? Síria? Irã? Venezuela? Coréia do Norte, quiçá?

11) Posta em cena um 'evento religioso'. A crescente necessidade de massas de achar algum significado para suas vidas a torna presa fácil de alguma suposta 'segunda vinda' de um 'messias' eletrônico, orquestrada e armada pelos técnicos de Hollywood com sua realidade virtual 3D e hologramas. Veremos a aparição repentina de algum 'ser superior' eletrônico e virtual que atuará em sincronia com os objetivos mundiais dos donos do poder? Em tal caso, quem se atreveria a desobedecer o próprio 'deus'?

12) Posta em cena um suposto 'contato com seres de outros mundos'. Pode ser que também se esteja planejando algo por este estilo. Ao longo de décadas, grandes setores da população mundial foi convenientemente programados a crer na existência de 'alienígenas': seres de outros mundos. Também aqui pode que vejamos a aplicação de tecnologias holográficas que fabriquem a suposta aterrissagem de uma nave espacial extraterrestre - no jardim da Casa Branca, por suposto! - destacando assim a imperiosa 'necessidade' que tem a humanidade de dispor de uma 'representação unificada' ante os 'extraterrestres'. Uma justificação mais para impor um Governo Mundial?

O quê têm em comum todas estas 'crises' interrelacionadas? O aquecimento global, as pandemias, o terrorismo internacional, justificando assim a anecessidade de contar com um Governo Mundial. Por tudo isto e mais, devemos nos manter particularmente alertas, entendendo as coisas como realmente são e não como os donos do poder mundial e sua multimídia global querem que acreditemos que são.

*O leitor pode se lembrar aqui também que recentemente houveram terremotos no Irã, e alguns anos atrás outro bem forte na América Latina. Na China, no Japão, na Rússia, entre outros locais, foram avistados auroras ou formações de nuvens estranhas sempre que houveram acontecimentos ambientais. Isso remete ao HAARP, projeto feito nos Estados Unidos capaz de interferir nas causas ambientais do mundo inteiro, através da alteração de ondas eletromagnéticas que constituem nosso planeta (Nota do Tradutor Legio Victrix)

31/07/2012

A "Primavera Árabe" Está Vindo para a América Latina?

por Adrian Salbuchi



Uma onda de protestos está estourando na Venezuela, Equador e Bolívia – países de forte oposição às políticas dos EUA e de seus aliados na região. Será que estamos testemunhando uma “Primavera Latino-americana”?

Como arquitetar uma violenta insurgência ainda não parece estar na agenda dos Poderosos Senhores Globais, há sinais de crescente atividade de guerra psicológica por agências e ONG's “pró-democracia”, “pró-direitos humanos” e “de ajuda”, atuando através de seus atores locais alinhados com os interesses dos EUA/Reino Unido/União Europeia.

Acendendo o Fósforo

Será que está sendo pavimentado o caminho para coisas bem piores? Aqueles que “riscam o fósforo” que inflama a agitação e os protestos populares já aprenderam muito bem, a partir da sua experiência com a “Primavera Árabe”, como soprar estas chamas que conduzem a catastróficas explosões sociais...

Alguns alarmes estão começando a disparar em países como Venezuela, Equador e Bolívia, cujos presidentes – Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, respectivamente – não tocam a melodia dos EUA e seus aliados, que por mais de um século têm exercido dominação econômica colonial sobre a América Latina.

A Venezuela, a Bolívia e o Equador insistem em manter estreitas relações com países, que os EUA e seus aliados definiram como “estados desonestos”, notadamente o Irã, a Síria e, até o assassinato público de Muammar Kadafi, a Líbia. Será que eles estão destinados a serem cabeças de ponte para uma possível “Primavera Latino-americana” de insurreição programada?

A chamada “Primavera Árabe” também começou com a erupção de uma grande variedade de queixas populares que evoluíram para demonstrações em massa e rapidamente transformaram-se em violência social descontrolada de todos os lados.

Um sinal de que este tipo de “fósforo” está sendo riscado pode ser visto no Equador onde um jornal de Quito, “El Telégrafo”, revelou que o chamado “Projeto Cidadania Ativa” para “treinar jornalistas de oposição”está recebendo 4,3 milhões de dólares em fundos da USAID – a Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos, que também destina fundos para os grupos de oposição locais como o Faro e o Fundamedios com o pretexto declarado de “reforçar a democracia” através de oficinas, fóruns, e projetos de vigilância da mídia.

Redes de Poder

Para entender como este complexo sistema de dominação realmente funciona, precisamos também olhar para a atividade do setor privado, que é instrumento para a obtenção do controle sobre os países da região.

Por exemplo, uma entidade privada como a “Sociedade das Américas” presidida por David Rockefeller – fortemente ligada ao Conselho de Relações Exteriores que está bem em frente do outro lado da luxuosa Park Avenue na cidade de Nova York – recentemente foi capaz de catapultar um de seus membros, Juan Manuel Santos, como presidente da Colômbia, um tradicional aliado dos EUA na região.

Outros membros da Sociedade das Américas incluem poderosos líderes políticos e empresariais regionais e globais, como o presidente do Congresso Mundial Judaico Eduardo Elsztain (empresário argentino sócio de George Soros) e, Gustavo e Patricia Cisneros, proprietários de um poderoso conglomerado multi-mídia da oposição venezuelana.

Co-presidindo a Sociedade das Américas com David Rockefeller está John Negroponte, que serviu como embaixador do governo George W. Bush na ONU e no Iraque, e que também era seu Conselheiro de Segurança Nacional.

Frequentemente, são fatos pouco conhecidos como estes que ajudam a “ligar os pontos” e permitem mostrar onde de fato o poder se encontra, mas que a mídia ocidental toda ignora.

Assim como também ignora o fato de que os Poderosos Senhores Globais impuseram Mario Monti como presidente da conturbada Itália que também “por acaso” é o Presidente europeu da Comissão Trilateral Rockefeller-Rothschild com sua extensa lista de grandes banqueiros como membros.

Ainda bem que o mundo está acordando para o fato de que a chamada “Primavera Árabe” não é mais do que um método para impor o estilo ocidental de “democracia” a todos os países muçulmanos, enfraquecendo assim todos os estados soberanos.

É evidente que isto está sendo arquitetado e financiado com a cumplicidade da Elite de Poder que astutamente tira vantagem das divisões internas e sequestra genuínas reivindicações das populações locais em seu proveito próprio.

Ela usa todas as armas de que dispõem –geralmente através de operativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Também inclui guerra psicológica midiática local que espalha informação falsa/distorcida sobre o que realmente está acontecendo em cada país e por quê.

Guia dos Sete Passos Para Destruir um País

Escrevendo para a RT no ano passado a respeito da“Primavera Árabe”, descrevemos um processo de ‘Sete Passos' através do qual a Elite Ocidental pode provocar tumultos até a destruição total.

Como nuvens estão se formando sobre a América Latina e outras regiões, faremos bem em revisar este processo:

1. Eles começam apontando um país que consideram pronto para uma “mudança de regime”, frequentemente carimbando-o como “Estado Covarde”,então...

2. Espalham mentiras deslavadas através de seus noticiários e jornalistas pagos e, chamam a isso de “preocupações da Comunidade Internacional”, então...

3. Financiam e promovem contendas e tumultos internos, geralmente evoluindo para fornecimento de armas e treinamento de grupos terroristas locais pela CIA, MI6, Mossad, Al-Qaeda e membros de cartéis de drogas, e os chamam de “Rebeldes Pela Liberdade”, então...

4. Tentam encenar Resoluções do Conselho de Segurança da ONU permitindo que a OTAN despeje morte e destruição sobre milhões de pessoas, e chama a isso de “Sanções Para Proteger a População Civil”,então...

5. Invadem e começam a controlar o país escolhido, e chamam a isso de
“Liberação”, então...

6. Quando o dito país cai sob seu controle, eles fraudulentamente impõem pérfidos governos fantoches e chamam a isso de “Democracia”,até que finalmente...

7. Eles roubam o petróleo, os minérios e a produção agrícola entregando-os aos Banqueiros e Corporações globais, também impõem Dívidas Soberanas desnecessárias, e chamam a isso de ”Investimento Estrangeiro e Reconstrução”.

Portanto, Equador, Venezuela e Bolívia – e até mesmo Argentina: abram os olhos!

Aprendam a ver através do uso secreto e violento da força e da hipocrisia em público da Elite de Poder.

Porque quando os Poderosos Senhores Globais decidirem vir atrás de vocês, eles dirão que é tudo em nome da “liberdade de expressão”,da “democracia”, da “paz”, dos “direitos humanos”, da “não discriminação”e outras frases de efeito.

Não caiam nessa!

08/03/2012

Guia Orwelliano para Notícias

por Adrian Salbuchi



A mídia de massa ocidental falsifica as notícias recorrendo a eufemismos, semi-verdades e mentiras no melhor (ou pior) estilo do romance 1984 escrito por George Orwell. Nós todos vivemos no mundo irreal da "novilíngua" usada pela elite globalista para controlar nossas mentes.

O homem fica confuso quando coisas que acontecem ao seu redor e com ele, ou que são feitas em seu nome, não podem ser adequadamente compreendidas ou interpretadas. Normalmente, tamanha confusão leva à inação. Se você está perdido à noite no meio de uma floresta mas ainda consegue ver as estrelas, então um pouco de conhecimento astronômico pelo menos indicará rapidamente para onde fica o norte. Mas se está um dia nublado ou se você é ignorando das constelações no céu estrelado, então o melhor a fazer seria simplesmente acender uma fogueira e não fazer nada até o amanhecer... Você está perdido!

Hoje, a cobertura da mídia de massa faz uso de distorção programada, confusão, e até mentiras descaradas quando seus mestres financeiros lhes dão ordens de apoiar a "história oficial" de qualquer grande processo político, econômico ou financeiro. Quando se olha de perto, porém, a "história oficial" das coisas pode ser percebida como imprecisa, enganosa, normalmente impossível de se acreditar, ou até mesmo claramente estúpida.



Exemplos disso: As inexistentes armas de destruição em massa do Iraque levando à invasão e destruição daquele país; os planos de resgate financeiro de megabanqueiros globais com dinheiro dos contribuintes; o irracional alinhamento diplomático, militar, financeiro e ideológico americano aos objetivos israelenses; "nós-matamos-Osama-Bin-Landen-e-jogamos-seu-corpo-no-mar"; e toda a ampla gama de "quem matou?" cercando o 11/9 em Nova Iorque e Washington, o 7/7 em Londres, os ataques à embaixada israelense em Buenos Aires, e - é claro - o favorito de todos os tempos: quem matou JFK...?

Esses são apenas alguns dos casos paradigmáticos que ao menos serviram para fazer com que milhões de pessoas despertassem e pensassem com as próprias cabeças ao invés de através da mídia de massa. Mas infelizmente a vasta maioria desses casos não são tão bem definidos. A vasta maioria das mentiras da novilíngua são como nós, difíceis de desamarrar na medida em que eles levam consigo uma complexidade inata similar a de nós górdios. E, como todo nó górdio, o necessário a se fazer e cortar através dele, e isso demanda uma ação rápida e precisa além de uma boa medida de coragem intelectual.



Para dar um exemplo do que dissemos, vamos dar uma breve olhada em como uma operação de "novilíngua" funciona. Isso requer um planejamento sequencial, tempo, logística adequada, porta-vozes de credibilidade nos setores publicos e privados, a escolha certa de palavras e imagens e o tempo certo nas circunstâncias certas.

Então, digamos que a elite globalista - trabalhando através dos governos dos EUA, Reino Unido, e União Européia, nos quais eles estão fortemente entrincheirados, e associada com uma vasta rede de empresas de mídia, companhias de defesa, corporações petrolíferas, companhias de segurança e construção, e poderosos lobbies - decide ocupar ou destruir um país específico...como a Líbia, por exemplo...

Como ela garante que a "comunidade internacional" vai apenas olhar calada (exceto pela relativamente pequena minoria de vozes que cada vez mais se opõem a eles)?



O Guia Midiático de Destruição de Países em Sete Passos

1. Primeiro, eles começam marcando um país como apto para uma "mudança de regime", e o rotulam de "estado pária" ou membro do "eixo do mal"; então...

2. Eles armam, treinam, e financiam grupos terroristas locais através da CIA, do MI6, do Mossad, da Al-Qaeda (uma operação da CIA), de cartéis de drogas (não raro operações da CIA) e os chamam de "revolucionários"; então...

3. Enquanto são encenadas resoluções de fachada do Conselho de Segurança da ONU que chovem morte e destruição sobre milhões de civis, eles chamam isso de "sanções das Nações Unidas para proteger civis"; então...

4. Eles espalham mentiras descaradas através de suas "salas de redação" e de seus jornalistas contratados, e chamam isso de "preocupações da comunidade internacional expressas por porta-vozes e analistas de prestígio"...; então...

5. Eles bombardeiam, invadem, e começam a controlar o país alvo e chamam isso de "liberação"; então...

6. conforme o país alvo cai completamente sob seu controle, eles impõe "o tipo de democracia que queremos ver" (como disse Hillary Clinton antes de visitar o Egito e a Tunísia em 10/03/2011), até que finalmente...

7. Eles roubam petróleo, reservas minerais e agrícolas entregando tudo às corporações das elites globalistas, e impõe dívidas bancárias privadas desnecessárias chamando isso de "investimentos estrangeiros e reconstrução".

As palavras-chave são: Força e Hipocrisia, que eles usam várias e várias vezes para destruir países inteiros, sempre em nome da "liberdade", da "democracia", e dos "direitos humanos". Máxima força e violência são usadas para alcançar seus objetivos.

Seus Anciãos recomendaram isso há muitas décadas em um manual para dominação mundial escrito em um manuscrito antigo...

"O que você quer dizer...? Que você não quer ser 'liberado' e 'democratizado'?!?"

"Então tome isso Hiroshima, Nagasaki, Hanoi, Berlim, Dresdem, Bagdá, e Basra!! E mais isso Tóquio, Gaza, Líbano, Cabul, Paquistão, Trípoli, Belgrado, Egito, El Salvador e Granada! E isso, Panamá, Argentina, Chile, Cuba, República Dominicana, Somália, África!!"

Sempre bombardeando pessoas até ficarem em pedaços...Sempre, é claro, em nome da "liberdade", "democracia", "paz" e "direitos humanos".


22/01/2012

O Cérebro do Mundo: Os Verdadeiros Objetivos da Globalização - Uma Opinião da Argentina

por Adrian Salbuchi




"Aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la" - George Santayana

Mais e mais pessoas estão assumindo uma opinião cada vez mais crítica do fenômeno mundial chamado globalização. Não que elas sejam contra a cooperação construtiva entre nações soberanas do mundo em objetivos comuns, mas sim que elas rejeitam este atual modelo de globalização.

Como agora a temos, a globalização pode ser definida como uma ideologia que identifica o Estado-Nação soberano como seu principal inimigo. Ela busca, então, enfraquecê-lo, dissolvê-lo e eventualmente destrui-lo como instituição social de modo a substitui-lo com novas estruturas administrativas supranacionais globais.  Essas estruturas ligam-se com os objetivos políticos e interesses econômicos de um pequeno número de grupos altamente concentrados e muito poderosos que hoje movem e manobram o processo de globalização em uma direção bastante específica.

Esses grupos consistem em interesses privados que hoje alcançaram algo sem precedentes na história humana e que pode ser descrito como a privatização do poder em escala global. A globalização é uma descrição incompleta daquilo que os ex-presidentes americanos Woodrow Wilson, Franklind D. Roosevelt, Harry Truman e George Bush, cada um em diferentes tempos históricos descreveu como uma "nova ordem mundial".

Uma Nova Ordem Mundial! Claramente, quando o ex-presidente Bush indiscretamente usou este termo há uma década, o Sistema rapidamente o silenciou e substituiu o termo pelo termo mais neutro e indefeso "globalização" que, não obstante hoje possui apenas um significado: Neoimperialismo anglo-americano a nível planetário e absoluto.

Quem são eles? O que eles querem?

O processo que nós descrevemos não é de maneira alguma anônimo ou secreto, porque os grupos de influência promovendo e dirigindo a globalização estão em plena vista da opinião pública: corporações multinacionais especialmente as Fortune 500 que correspondem a 80% da economia americana; a estrutura financeira global que inclui bancos, fundos de investimento, bolsas de valores e mercados de commodities, monopólios midiáticos, principais universidades da Ivy League, organizações multilaterais internacionais e, mais importante, postos governamentais chave nos EUA e outras nações industrializadas.

O que não é imediatamente óbvio é o fato de que todos os jogadores nessa roda de poder global possuem uma coisa em comum: seus principais gerentes, investidores, estrategistas, banqueiros, funcionários governamentais, acadêmicos, e cotistas pertencem à mesma rede de think-tanks. Essa rede forma um centro comum dirigindo a roda do poder global em seu curso.

Entre esses importantes think-tanks - que são realmente centros de planejamento geopolítico - o papel do Conselho de Relações Exteriores, a Comissão Trilateral, o Instituto Real de Assuntos Internacionais, a Instituição Brookings, a Corporação RAND, e o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, entre outros, são de vital importância.

Um pouco de história

Para entender corretamente o mundo atual precisa-se olhar para ontem, de modo a  ver como as coisas ficarão como são. Foi em 1919 quando um pequeno grupo de banqueiros influentes, advogados, políticos e acadêmicos todos os quais estavam fazendo parte das negociações de paz em Paris entre os Aliados vitoriosos e as Potências Centrais conquistadas da Europa se encontraram no Hotel Majestic e chegaram a um acordo transcendental: eles decidiram criar um "think tank"; um tipo de "clube de cavalheiros" ou loja a partir da qual eles pudessem desenhar o tipo de "nova ordem mundial" que acomodaria apropriadamente os interesses coloniais da aliança anglo-americana.

Em Londres, esse think tank teria o nome de Instituto Real de Assuntos Internacionais (RIIA), enquanto nos EUA ele seria conhecido como o Conselho de Relações Exteriores (CFR), baseado na cidade de Nova Iorque. Ambas organizações tinham o selo inequívoco da estratégia social de gradualmente impôr uma ordem socialista como meio de controle das massas que então estava sendo promovida pela Sociedade Fabiana, financiada pelo Grupo Távola Redonda que por sua vez foi criado, controlado e financiado pelo magnata sul-africano Cecil Rhodes, pela dinastia financeira internacional dos Rothschilds, e pela Coroa Britânica.

O CFR conseguiu seu apoio inicial das famílias mais ricas, poderosas e influentes nos EUA que incluíam os Rockfeller, os Mellon, os Harriman, os Morgan, os Schiff, os Kahn, os Warburg, os Loeb, e os Carnegie (este último em particular através de sua própria organização de fachada, o Fundo Carnegie para a Paz Internacional).

De modo a expressar e assim propagar sua influência entre círcuos de elite, uma das primeiras medidas do CFR consistiu em fundar seu próprio jornal que até hoje continua sendo a principal publicação sobre geopolítica e ciência política: Foreign Affairs. Entre os primeiros diretores do CFR, nós encontramos Allan Welsh Dulles, uma figura chave na comunidade de inteligência americana que posteriormente consolidaria a estrutura de espionagem da CIA; o jornalista Walter Lippmann, diretor e fundador do Nova República; J.P. Morgan, advogado corporativo; os banqueiros Otto H. Kahn, e Paul Moritz Warburg, este último um imigrante alemão que veio aos EUA e em 1913 projetou e promoveu a legislação que levou à criação do Banco da Reserva Federal que até hoje controla a estrutura financeira dos EUA. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, o Banco da Reserva Federal foi suplementado pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, ambos os quais foram projetados pelo CFR na Conferência Bretton Woods em 1944.

Outro membro do CFR e um dos seus primeiros diretores foi o geógrafo e presidente da Sociedade Geográfica Americana, Isaiah Bowman, que redesenharia o mapa da Europa Central após a Primeira Guerra Mundial impulsionando assim tempos de grande turbulência que levariam à Segunda Guerra Mundial. Foram os advogados do CFR como Owen D. Young (presidente da General Electric) e Charles Dawes (J.P. Morgan Bank), que na década de 20 projetaram os planos de "refinanciamento" para as dívidas de reparação de guerra da Alemanha impostas pelo Tratado de Versalhes. Foram os diretores do Banco da Reserva Federal e membros do CFR que gerariam as distorções monetárias que levaram à crise financeira de 29 e à Depressão subsequente. Foram os diretores da CFR que através de poderosos meios midiáticos como as redes de radiodifusão NBC e CBS e jornais como o The Washington Post e o The New York Times pressionariam a opinião pública a romper a neutralidade isolacionista dos EUA e colocariam a nação e outra guerra europeia em 1939, a qual eles próprios vinham promovendo desde o início da década de 30.

A Segunda Guerra Mundial

Logo no início da guerra europeia na qual os EUA só tomariam parte formalmente em 1941, membros do CFR estabelecer o Grupo de Estudos Guerra e Paz que literalmente tornou-se parte do Departamento de Estado, e projetou suas principais políticas externas em relação à Alemanha, Itália, Japão e seus aliados. Depois, eles começaram a preparar para ainda outra "nova ordem mundial" após a então previsível vitória aliada. Dessa maneira, o CFR projetou e promoveu a criação das Nações Unidas para gerir a política global e algumas de suas agências econômicas principais como o FMI e o Banco Mundial, através de seus membros Alger Hiss, John J. McCloy, W. Averell Harriman, Harry Dexter White e muitos outros.

Uma vez que a guerra terminou, o presidente americano Harry Salomon Truman estabeleceria a doutrina de segurança nacional que foi baseada na doutrina de contenção da expansão soviética, por sua vez baseada na proposta de um outro membro do CFR e à época embaixador americano em Moscou, George Kennan, que descreveu suas idéias em um famoso artigo seminal do Foreign Affairs que ele assinou com o pseudônimo "X"; bem como na diretiva de segurança nacional NSC68 emitida pelo Conselho de Segurança Nacional que foi esboçada pelo membro do CFR Paul Nitze. O mesmo pode ser dito do assim chamado Plano Marshall projetado por uma força-tarefa da CFR e posteriormente implementado por W. Averell Harriman.

Estruturas de Poder

Ainda que seja uma organização pouco conhecida entre a opinião pública, o CFR é muito poderoso e tem crescido em influência, prestígio e amplitude de atividades. Tanto que hoje nós podemos dizer sem dúvida que ele conforma o "cérebro mundial" silenciosamente dirigindo o curso dos muitos complexos e altamente voláteis processos sociais, políticos, financeiros, e econômicos através do mundo. Não há um povo, região ou aspecto da vida humana que não seja afetada pela influência do CFR, conscientemente ou inconscientemente e é o fato de que ele não obstante tem sido capaz de permanecer "por trás dos bastidores" que faz do CFR tão excepcionalmente poderoso.

Hoje, o CFR é uma organização discreta possuindo mais de 3.600 membros, as pessoas mais capazes, poderosos e influentes em suas respectivas profissões, instituições, corporações, cargos de governo e ambientes sociais. Desse modo, o CFR reúne os principais funcionários corporativos de instituições financeiras, gigantes industriais, a mídia, organizações de pesquisa, acadêmicos, altos oficiais militares, chefes de governo, reitores de universidades, líderes sindicais e investigadores de centros de estudos. Seus objetivos fundamentais consistem em identificar e avaliar uma ampla gama de fatores políticos, econômicos, financeiros, sociais, culturais e militares abrangendo cada aspecto imaginável da vida pública e privada nos EUA, seus principais aliados e no resto do mundo. Hoje, graças ao enorme poder exercido pelos EUA, a amplitude das atividades do CFR literalmente abrange todo o planeta.

Suas pesquisas e investigações são realizadas por diferentes forças-tarefa e grupos de estudo dentro do CFR que identificam oportunidades e ameaças, avaliam forças e fraquezas, e projetam estratégias a longo prazo para promover seus interesses ao redor do mundo, cada um com seus respectivos planos táticos e operativos. Ainda que tarefas tão intensivas e amplas sejam realizadas dentro do CFR, a questão principal para compreender seu enorme sucesso está no fato de que o CFR per se, jamais faz nada sob seu próprio nome, ao invés são seus membros individuais que o fazem, e isso através de seus cargos formais como presidentes e diretores das principais corporações, instituições financeiras, instituições multilaterais internacionais, mídia, e cargos de governo, universidades, forças armadas, e sindicatos. Eles jamais invocam ou mesmo fazem referência ao CFR como sendo o principal centro de planejamento e coordenação.

Os membros do CFR são efetivamente poderosos já que nós encontramos hoje entre eles (e nós precisamos fazer referência a apenas um punhado dos 3600 membros do CFR), pessoas como David Rockfeller, Henry Kissinger, Bill Clinton, Zbignew Brzezinski, Samuel Huntington, Francis Fukuyama, a ex-secretária de estado Madeleine Albright, o especulador internacional George Soros, o juiz da Suprema Corte Stephen Breyer, o CEO da Lowes/CBS Laurence A. Tisch, o atual secretário de estado General L. Colin Powell, o CEO da General Electric Co. Jack Welsh, o CEO da CNN W. Thomas Johnson, o presidente e CEO do The Washington Post/Newsweek/International Herald Tribune Katherine Graham, o vice-presidente dos EUA, ex-secretário de defesa e ex-CEO da Halliburton Richard Cheney, o presidente George Bush, o ex-conselheiro de segurança nacional do presidente Clinton Samuel "Sandy" Berger, o ex-diretor da CIA John M. Deutch, o governador do Banco da Reserva Federal Alan Greenspan, o presidente do Banco Mundial James D. Wolfensohn, o CEO da CS First Boston Bank e ex-governador do Banco da Reserva Federal Paul Volcker, os repórteres Mike Wallace e Barbara Walters, o ex-CEO do CitiGroup John Reed, os economistas Jeffrey Sachs e Lester Thurow, o ex-secretário do tesouro, ex-CEO da Goldman Sachs e o atual diretor do CitiGroup Robert E. Rubin, o ex-secretário de estado e "mediador" durante a Guerra das Malvinas entre Argentina e Grã-Bretanha General Alexander Haig, o "mediador" no conflito dos Balcãs Richard Holbrooke, o CEO da IBM Louis V. Gerstner, o senador democrata George J. Mitchell, o congressista republicano Newt Gingrich, e a atual conselheira de segurança nacional Condoleeza Rice, entre muitos outros.

No mundo dos negócios, as principais corporações do ranking da Fortune 500 possuem todas elas um diretor sênior que é um membro do CFR. Essas corporações juntas possuem um valor de mercado combinado quase duas vezes maior que o PIB dos EUA, concentram a maior parte da riqueza e poder do país, e controlam recursos chave e tecnologias ao redor do mundo. Juntos elas empregam mais de 25 milhões de pessoas só nos EUA e são responsáveis por 75% de seu PIB. Em resumo, elas manejam um poder e influência gigantescos nos EUA e em nosso planeta.

Nós assim encontramos aqui a chave para a enorme efetividade do CFR em que suas decisões e planos são esboçados e acordados em seus encontros, conferências e forças-tarefa por trás de portas fechadas, e então colocados em prática por seus diferentes membros cada um a partir de seus postos formais em diferentes organizações. E que postos poderosos são esses!

Se, por exemplo, houve uma série de planos relativos, digamos, à globalização da economia e do sistema financeira, ou quais países terão paz e prosperidade e quais terão guerra e fome, então nós podemos supor que a ação coordenada de personalidades como o presidente dos EUA, seus secretários do estado, defesa, comércio e tesouro, o diretor da CIA, os principais banqueiros e investidores, capitães da indústria, meios de mídia, repórteres e escritores, oficiais militares e acadêmicos, diretores do FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, será capaz de coordenar ações concretas, eficazes e sem dúvida quase irresistíveis. Isso tem sido assim pelos últimos oitenta anos.

Poder real e poder formal

De modo a realmente entender como o mundo realmente funciona, nós devemos primeiro entender a diferença entre poder formal e poder real. O que a mídia propaga com um diariamente em seus veículos de notícia na televisão, rádio e na imprensa não é nada senão os resultados concretos e vísiveis das ações das estruturas de poder formal, particularmente aquelas dos governos nacionais e das estruturas financeiras e corporativas tecnocráticas e supranacionais. Porém, as influências de poder real são muito menos visíveis e eles são aqueles que planejam o que ocorrerá no mundo, quando e onde ocorrerá e quem fará.

O poder formal é de curto prazo e possui alta visibilidade; o poder real é de longo prazo e praticamente não possui visibilidade. O poder formal é "público", o poder real é "privado". Como os EUA são a única superpotência planetária hoje, é razoável concluir que essa estrutura de poder global como aquilo que realmente administra provisoriamente esse governo mundial a partir de seu território e de suas estruturas políticas e econômicas. Isso de modo algum implica que a maioria das pessoas dos EUA necessariamente formam parte desse esquema de coisas, mas sim que suas elites e classes governantes sim. Nós estamos então falando de um grupo de influência que opera dentro dos EUA (como também por dentro da Grã-Bretanha, Alemanha, e Japão, e através de seus agentes na Espanha, Argentina, Brasil, Coréia, e muitos outros países), mas que não está necessariamente identificado com a população dos EUA (nem de qualquer outros países com cujos povos, necessidades e interesses eles não precisam concordar).

De modo a melhor compreender a verdadeira natureza dos EUA, nós devemos ter em mente que especialmente no que se refere a sua política externa a "Administração" americana como eles tão aptamente chamam seu governo, é baseado em Washington DC., que é o assento do poder formal dos EUA, enquanto suas estruturas de poder real estão localizadas na cidade de Nova Iorque. Ou seja, os EUA são administrados a partir de Washington DC, mas governados a partir de Nova Iorque. Uma vez que entendamos isso, então muitas outras coisas se encaixam automaticamente. Adicionalmente, o verdadeiro centro de poder planetário situa-se não em Nova Iorque, mas em Londres...

Que isso deva ser assim é compreensível quando lembramos que o exercício do poder real demanda conformidade com um conjunto de regras e condições cuja continuidade abarca anos e décadas de modo a alcançar objetivos de longo prazo e estratégicas complexas que, por sua vez, abarcarão todo o planeta, suas nações e recursos. Isso demanda planejamento de longo prazo: 20, 30, 50 anos a frente. Essas elites sabem bem que não há ameaça maior à continuidade e consistência política no planejamento e execução dessas estratégias globais, do que tê-las subjugadas ao processo democrático que impõe uma alta visibilidade sobre seus líderes que devem ouvir a voz do público a cada passo que dão, e as constantes interrupções de poder que os processos eleitorais democráticos representam.

O quão melhor é operar discretamente, a partir do que se poderia formalmente chamar de um mero clube de cavalheiros como o CFR, nos quais homens e mulheres poderosos e influentes podem ser funcionários, diretores e presidentes por décadas sem ter que prestar explicações a quem seja exceto seus próprios pares. Dessa maneira, 3.600 pessoas poderosas podem exercer enorme influência política, econômica, financeira e midiática sobre incontáveis milhões através do planeta. É desnecessário dizer que a mídia impõe o "politicamente correto" que pode ser expresso simplesmente por dois partidos políticos principais, democratas e republicanos nos EUA, trabalhistas e conservadores no Reino Unido, CDU e SPD na Alemanha, radicais e justicialistas na Argentina, que são meras variações dos mesmos elementos fundamentais. Na prática, democracias ocidentais estáveis todas conformaram ao que é na prática um sistema unipartidária com facções internas levemente diferentes.

O que nós estamos descrevendo é na verdade o foco central de uma verdadeira rede de homens e mulheres poderosos, considerando que o CFR é por sua vez suplementado por uma miríade de instituições similares tanto dentro como fora dos EUA. Entre essas podemos mencionar um punhado: O Instituto Hudson, a Corporação RAND, o Instituto Brookings, a Comissão Trilateral, o Fórum Econômico Mundial, o Instituto Aspen, o Instituto Americano de Iniciativas, a Sociedade Alemã para Política Externa, e o Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

Todos esses think tanks reúnem os homens e mulheres mais inteligentes, preparados, criativos, e ambiciosos de uma grande gama de campos e disciplinas. Eles são pagos e recompensados muito bem economicamente e socialmente, enquanto eles se alinhem claramente e completamente com as crenças básicas dos objetivos políticos do CFR. Estes são nada menos que a criação de um governo mundial privado, a erosão sistemática das estruturas de todas os Estados-Nação soberanos (ainda que, naturalmente, nem todos do mesmo jeito, na mesma velocidade ou ao mesmo tempo), a padronização dos valores culturais e normas sociais, a difusão do sistema financeiro globalizado de base usurário-especulativa, e o gerenciamento de um sistema de guerra global de modo a manter a coesão social necessária de suas próprias massas através da intimidação e alinhamento permanentes contra inimigos reais ou imaginários da "democracia", dos "direitos humanos", da "liberdade" e da "paz".

Assim, de modo a melhor compreender o mundo, precisamos ler e avaliar o que o CFR ou melhor, seus membros individuais - diz e propaga, já que muitas de suas atividades não são secretas, mas ao invés meramente discretas. Qualquer pessoa visitando sua sede na Park Avenue e na 68th Street em Nova Iroque como este que subscreve já fez várias vezes em anos recentes, será capaz de obter uma cópia grátis de seu mais recente Relatório Anual que descreve suas principais atividades e a lista completa dos 3.600 membros. Então a informação está abertamente disponível para todos os que querem procurar.

Cabe, porém, a nós ter o trabalho de cruzar todas as informações relativas aos membros do CFR com o que cada um realmente faz em suas atividades profissionais, corporativas, acadêmicas e governamentais. Nós também precisamos olhar para a história moderna e avaliar a influência excepcional que o CFR tem tido ao longo do século XX tanto por conta própria como em conjunção com suas organizações associadas, assim promovendo e influenciando ideologias, eventos públicos, guerras, formação de alianças, crimes políticos, atividades secretas, guerra psicológica, crises econômicas e financeiras, a promoção e destruição de personalidades políticas e empresariais, e outros eventos de grande impacto muitos dos quais claramente difíceis de admitir ou confessar, todas as quais porém marcaram o curso da humanidade em nossos tempestuosos tempos modernos.

Pareceria que nós todos somos mantidos ocupados demais e fascinados como espectadores passivos do turbilhão de eventos que tem lugar a cada dia no mundo de modo a garantir que nenhum de nós pense em olhar para qualquer outro lugar em busca de explicações adequadas para as crises graves de hoje, o que nos permitira identificar não tanto os efeitos e resultados chocantes de muitas dessas decisões políticas e ações secretas que são tomadas, mas sim suas causas e fontes reais e concretas.

De modo a essa gigantesca guerra psicológica, pois é disso que se trata - vencer, a mídia de massa desempenha um papel essencial e vital que não pode ser suficientemente enfatizado. Pois eles são os instrumentos cujo objetivo é minar e neutralizar a capacidade de pensamento independente entre a população mundial. Este é o papel de mídias de massa como a CNN, CBS, NBC, The New York Times, The Daily Telegraph, Le Figaró, The Economist, The Wall Street Journal, o Corrieri della Sera, Le Monde, Washington Post, a Time, o Newsweek, US News & World Report, Business Week, RTVE, todas as quais são dirigidas por membros do CFR ou de suas organizações associadas nos EUA e outros lugares.

Implicações para a Argentina

Nesse contexto, nós podemos dizer que a mídia local na Argentina, e nossos políticos estão todos alinhados ao processo de globalização, e estão engajados em alcançar três objetivos fundamentais:

1. Ocultar da opinião pública como o mundo realmente funciona, sabendo que se nós não pudermos compreender e diagnosticar a origem de nossos problemas e fraquezas, nós dificilmente poderíamos encontrar as soluções adequadas para eles. Assim nós somos ludibriados em acreditar que nós estamos em "paz", quando na verdade uma verdadeira e violenta guerra total está sendo travada contra a Argentina há mais de meio século nos âmbitos político, econômico, financeiro, midiático, educacional, tecnológico e ambiental. É primariamente uma guerra psicológica.

2. Nos fazer acreditar que nós estamos em uma situação difícil, mas que "as coisas vão melhorar" desde que nós alcancemos um novo acordo com o FMI, privatizemos ainda mais nossos interesses públicos, reformemos nossos governos federais e provinciais ao agrado do Banco Mundial, reformemos nossa legislação trabalhista e social de modo que os "investidores internacionais" sorriam para nós, e façamos nosso dever de casa implementando as "receitas" do FMI e do Banco Mundial. A verdade é que dizer que estamos em uma "situação difícil" é uma subestimação absurda. A Argentina está em situação terminal e se não acordarmos para essa realidade em alguns anos, no máximo em uma década, nós deixaremos de existir como país.

3. Nos fazer acreditar que, queiramos ou não, não há nada que possamos fazer para parar a "globalização". A verdade é, porém, que há uma miríade de coisas que podem ser feitas para neutralizar os efeitos adversos da globalização. Estas basicamente implicam recuperar o Estado-Nação de modo que ele se conforme com suas funções básicas e fundamentais de:

- integrar forças sociais internas em conflito;

- prever todas as possíveis ameaças e oportunidades internas e externas, e

- liderar a Nação em um curso político defendendo seu interesse nacional.

Essas funções implicam a existência de um Estado-Nação soberano que a Argentina não é mais hoje. Nós nos tornamos uma colônia e nós devemos, como um primeiro passo, promover uma verdadeira Segunda Declaração de Independência de modo a então fundar uma Segunda República. As implicações e aspirações para nossa região e mais além no mundo seriam realmente momentosas. Adicionalmente, devemos ter em mente e está além do escopo desse breve artigo entrar em detalhes, que a infraestrutura financeira global está à beira de um colapso controlado que é algo que o CFR vem cuidadosamente planejando ao longo de seus programas Projeto de Vulnerabilidades Financeiras, e Nova Arquitetura Finnaceira Internacional. Conforme nos tornamos conscientes dessas realidades, a estrada que devemos trilhar se torna cada vez mais clara também e, na verdade, as coisas então não parecem ser tão complexas quanto havíamos pensado. É tudo basicamente uma questão de pensarmos com nossa própria cbeça e não com a de nossos inimigos; de começar a avaliar e defender nossos interesses nacionais, o que implica ter nossa própria perspectiva dos eventos, interesses e forças globais, e então defendê-los segundo nossas necessidades, verdadeiras possibilidades e idiossincrasia. Em verdade, nós precisamos "reinventar a roda" porque o próprio CFR nos dá um modelo para um planejamento e administração política, econômica, financeira e social para o poder nacional. Por que não aprender com eles? Por que não formar nossa própria rede de think tanks reunindo uma grande gama de interesses, jogadores e pensadores locais e regionais de diferentes campos, colocando todos para trabalhar na promoção dos interesses nacionaias da Argentina e seus vizinhos, de modo a recuperar nossa soberania e a autodeterminação para nossos povos de maneira consistente e coerente, independentemente do que as potências mundiais queiram nos impor? Isso implicaria compreender o que a globalização realmente é: uma gama de ameaças e oportunidades enormes que nós precisamos evitar e tirar vantagem, conforme seja o caso. Em cada questão que tenha um impacto potencial sobre nós, nós precisamos começar a compreender quais são nossas forças e fraquezas de modo a sermos capazes de enfrentá-los, se não hoje, então certamente no futuro. Isso requer planejamento adequado. Planejamento de médio e longo prazo. Isso demanda tentar estar sempre um passo adiante do Inimigo, de alcançar e manter uma vantagem sobre eventos futuros.

Sem dúvida isso poderia nos levar a projetar políticas consistentes com nossos interesses nacionais, as quais em muitas instâncias não coincidirão com os interesses dos poderosos atuais, para cujo fim nós precisamos buscar e trabalhar em proximidade com nações e organizações na América Central e do Sul, África, Ásia, e Europa, com um objetivo comum de neutralizar os efeitos negativos do domínio global. Em verdade issi implicaria criar uma Nova Argentina. Nós temos muitos dos instrumentos necessários à disposição; nós temos milhões de compatriotas preparados para aceitar o desafio, faltando apenas explicar a eles claramente o que está em jogo; e milhões mais além de nossas fronteiras com quem podemos trabalhar por uma Causa comum.

Então é uma questão de entender que na política há dois tipos de pessoas: aqueles que são atores na arena política e aqueles que apenas observam. O Conselho de Relações Exteriores é um ator central na arena política global onde eles fazem sua força ser sentida. Não seria a hora de fazermos o mesmo em nosso país?

30/07/2011

Wall Street fundiu o Motor Financeiro Global

por Adrian Salbuchi, no final de 2008

Os eventos dos últimos dias deixam em descoberto a inviabilidade, imoralidade, e criminalidade do sistema financeiro, bancário e monetário imposto ao mundo já há décadas por aqueles que promovem a "globalização", o que permitiu que um pequeno conjunto de pessoas acumulem imenso poder sobre mercados, empresas, indústrias, forças armadas e nações inteiras, de uma maneira irresponsável e criminosa.

Trata-se de um sistema de poder global iníquo, desenhado nos centros de planejamento geopolítico e geoeconômico privados a serviço das estruturas de poder da Nova Ordem Mundial - notavelmente, seus think tanks (bancos de cérebros) privados como o Council of Foreign Relations (CFR fundado em 1919), a Trilateral Commission (fundada em 1973), a Conferência Bilderberg (formada em 1954), e outros como o Cato Institute, American Enterprise Institute (AEI) e o Proyect for a New American Century (PNAC).

Devido à enorme complexidade do processo que está desenvolvendo-se nestes momentos, a enorme quantidade de informação que sucede-se dia a dia, e a dificuldade aparente de prever deselaces tanto globais como em nosso país, é que sintetizamos à continuação alguns aspectos e dados-chave que ajudam a solucionar este quebra-cabeças, a fim de entrever o verdadeiro rosto desse drama.

Em verdade, como argentinos temos uma enorme vantagem sobre outros povos inclusive o norteamericano, pela simples razão de que nós sofremos na própria pele nos últimos anos o flagelo catastrófico de sucessivas crises hiper-inflacionárias, colapsos bancários sistêmicos, mudanças de moeda, permutas e mega-permutas, blindagens financeiras, etc...

Um Modelo Falacioso

Finanças versus Economia - O sistema financeiro (que é o mundo eminentemente virtual, irreal e parasitário), foi desenhado para funcionar de forma crescentemente contrária aos interesses da economia (que é o mundo real do trabalho, da produção e dos serviços concretos). Ao longo das últimas décadas, as Finanças e a Economia foram-se distanciado uma da outra, deixando de manter uma complementariedade sadia e eqiulibrada, e passando a serem crescentemente antagônicas. Isso reflete-se no sistema atual que baseia-se sobre o conceito de DÍVIDA, o que faz com que a Economia Real sempre fique aprisionada e subordinada aos interesses e vai-véns  das Finanças Virtuais.

Sistema de Dívida - Em matéria de financiamento da economia com recursos genuínos, a doutrina liberal prevalescente deslocou crescentemente o Estado em sua função inalienável de utilizar a Moeda Nacional como instrumento de financiamento da economia, segundo os eixos de um Projeto Nacional centrado em promover o Bem Comum dentro de suas fronteiras e defender o Interesse Nacional ante forças adversárias. Daí entende-se que hoje tenha-se transformado em dogma das finanças, o conceito aberrante de considerar que os bancos centrais devem manter-se "independentes" do Estado, o que é uma maneira de lograr que os mesmos subordinem-se aos interesses da superestrutura bancária privada em lugar dos do povo e da economia em sua totalidade. Isso é assim na Argentina, e em outros países, porém no caso dos Estados Unidos resulta particularmente nefasto porque seu banco central - o Banco da Reserva Federal (FED) - é pura e simplesmente privado em 97% de sua estrutura acionária (ainda admitindo que trata-se de uma estrutura acionária sui generis). Ao lograr a superestrutura bancária privada controlar o banco central, podem então impor uma aguda inframonetarização da economia que faz com que nunca haja capital suficiente para satisfazer as necessidades da economia real. Dessa maneira, são os próprios bancos privados os que logram transformar-se em fonte primária de crédito para toda a economia, ativando assim o mui rentável negócio de emprestar dinheiro a juros, geralmente sob taxas usurárias. No plano geoeconômico, isso também serviu para gerar as enormes dívidas públicas em países como Argentina que também caíram na falácia de não saber utilizar sua Moeda Nacional, e de adotar torpemente todas as receitas neoliberais em matéria de banco central, dívida e outros mecanismos monetários, bancários e financeiros estruturados de forma contrária ao interesse nacional.

Sistema de Reserva Fracional - Este conceito vigente em quase todo o mundo, permite que os bancos privados em seu conjunto gerem do nada dinheiro "virtual" (ou seja, anotações registradas em conta-corrente, caderneta de poupança e linhas de crédito) em uma relação de 8, 10, 30 ou 50 vezes maior à quantidade de efetivo que tem em seus cofres. Em cima, cobram juros e exigem garantias reais e realizáveis por esse dinheiro "inventado". A relação entre a quantidade de dólares ou pesos em seus cofres, e a quantidade de crédito que podem gerar fica determinado pelo banco central (lembremos: controlados pelos próprios bancos), denomina-se encaixe bancário, e reflete uma previsão estatística da porção de poupadores que normalmente retiram seu dinheiro em efetivo. O que ocorre é que o conceito "normal" é um fator de psicologia coletiva, intimamente ligado à percepção que tem os poupadores do sistema financeiro em geral, e de cada banco em particular. Quando surgem "tempos anromais", ou seja, as consabidas e periódicas crises que "explodem" repentinamente como ocorreu na Argentina em 2001, ou hoje ocorre nos Estados Unidos, então TODOS os poupadores correm para retirar seu dinheiro. É então quando descobrem que o mesmo apenas alcança para pagar a uns poucos (e usualmente arbitrariamente beneficiados) poupadores: para o resto não sobre mais dinheiro, com o que deve-se recorrer ao seguro sobre os depósitos bancários (nos Estados Unidos cobre $100.000 por poupador, que são assegurados pela estatal Federal Deposit Insurance Corporation  [...]). Tudo graças ao fraudulento sistema de reserva fracional bancária.

Banco de investimentos - Nos Estados Unidos, os assim-chamados "bancos comerciais" são aqueles que tem grandes carteiras de contas-corrente, cadernetas de poupança e parcelas fixas de pessoas e empresas (bancos como o CitiGroup, Bank of America, etc, e em nosso país o Standard Bank, BBVA e outros), conseguem ter um encaixe que permite-lhes em geral 6, 8 ou 10 dólares "virtuais" por cada dólar real que tem em seus cofres. Estes bancos ficam fortemente fiscalizados pelas autoridades monetárias do país. Não obstante entre os assim-chamados "bancos de investimentos" estadounidenses e globais (aqueles que fazem mega-empréstimos a corporações e Estados e tem grandes clientes), há muito menor fiscalização e os encaixes são muito, muito inferiores. Isso permite-lhes que para cada dólar real em seus cofres, possam emitir 26 dólares "virtuais" (Goldman Sachs), 30 dólares "virtuais" (Morgan Stanley), mais de 60 dólares "virtuais" (Merrill Lynch antes de seu colapso no último 15 de setembro), ou mais de 100 dólares "virtuais" nos casos dos falidos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers.

Sistema de canalização e transferência - Outro conceito fundamental encontramo-no na maneira em que canalizam-se os lucros e transferem-se as perdas por todo o sistema, o que faz com que em tempos de bonança e de gigantescos depósitos (quando o sistema cresce, é estável, e permite gerarar muitíssimo dinheiro do nada), todos os lucros são privatizados em favor de acionistas, especuladores, diretores, gerentes, "investidores", etc. dentro das próprias instituições financeiras. Porém quando o sistema contrai-se, desestabiliza-se e entra em colapso, como ocorre hoje, então todas as perdas socializam-se, sendo absorvidas pelo Estado nacional através dos mais variados mecanismos de transferência para o povo (na forma de inflações, hiperinflações, colapsos bancários, bail-outs, aumentos de impostos, moratórias, nacionalizações, etc.)

Os 4 Eixos do Modelo Neoliberal - Em síntese, tudo isto conforma quatro eixos fundamentais que operam e modo coordenado, consistente e complementário cujos números não obstante, a médio e longo prazo, nuncam "fecham". Suas crises periódicas sistêmicas são inevitáveis e absolutamente previsíveis, seja na Argentina ou nos Estados Unidos:

1 - Astringência Monetária - gerada através do banco central "independente" que fica controlado pela superestrutura bancária privada, local e internacional;
2 - Banco privado baseado no sistema de reservas fracionais - que em seu conjunto gera dinheiro virtual do nada, cobrando juros - geralmente usurários - pelo mesmo, gerando enormes lucros para "investidores" e credores;
3 - Dívida - conceito fundamental que "move" as economias privada e pública e que substitui o muito mais saudável conceito do reinvestimento empresarial e da poupança individual. Necessita promover entre os povos um afã de consumismo desarvorado, e uma falta de sentido de previsão e poupança; 
4 - Privatização dos lucros/socialização das perdas - como mecanismo de canalização e transferência quando os recorrentes ciclos chegam a seu final inexorável e alguém tem que pagar pelos pratos quebrados.

Alguns Dados e Conceitos

Resulta muito instrutivo recapitular sobre alguns dos fatos mais importantes dos últimos tempos que conduziram à atual crise terminal do sistema financeiro global e que refletem, com nomes concretos, o que descrevemos acima:

Março de 2008: Colapso do banco de investimentos Bear Stearns, adquirido por JP Morgan Chase através de uma linha de crédito por $30 bilhões outorgada pelo Banco da Reserva Federal (FED).

Abril de 2008: Colapso do Banco IndyMac- Geração de um fundo de resgate de mais de $100 bilhões pelo FED para estabilizar o sistema;

Agosto de 2008: Nacionalização das duas maiores agências tomadoras de carteiras hipotecárias dos Estados Unidos - Freddie Mac e Fannie Mae - pela FED a um custo direto de $200 bilhões, fazendo que o Estado assuma uma carteira de dívida por $5,4 trilhões;

15 de Setembro de 2008 - Colapso do quarto maior banco de investimentos dos EUA, Lehman Brothers que não obstante não foi salvo pelo FED por considerar que seus efeitos estavam suficientemente pautados. Colapso do banco de investimentos Merrill Lynch que foi resgatado pelo Bank of America a um custo de $50 bilhões (extraoficialmente aportados pelo FED já que o Bank of America não dispinha de semelhante quantidade para salvar a Merrill);

17 de Setembro de 2008 - Colapso da maior seguradora estadounidense e mundial, American International Group (AIG), nacionalizada pelo FED em 80% a um custo de $85 bilhões;
19 de Setembro de 2008 - Henry Paulson (secretário do Tesouro e ex-CEO da Goldman Sachs), Bernard Shalom Bernanke (governador do FED) e Christopher Cox (presidente da Securities & Exchange Commission - a comissão de valores dos Estados Unidos) apresentam ao Congresso um plano de resgate ao melhor estilo de "blindagem financeira" por uns $700 bilhões para evitar quedas bancárias adicionais a partir da semana que vem, as que poderiam fazer com que todo o sistema bancário e financeiro dos Estados Unidos e, por extensão, global, entrasse em colapso. A urgência dos funcionários e congressistas nota-se em seus rostos e o debate é enorme porque essa "blindagem" não é mais que um cheque em branco que dar-se-ia a Paulson e Bernanke para que com seus "superpoderes" façam uma ampla salvação dos banqueiros de Wall Street e dos especuladores parasitários. O próprio presidente George W. Busch em sua mensagem ao mundo de 24 de Setembro enfatizou de maneira dramática a gravidade da crise. Ante uma pergunta a Bernanke de um congressista de como chegou-se a esta gigantesca cifra de $700 bilhões, o governador do FED respondeu dizendo que a mesma representa 5% (!!!) de hipotecas que segundo ele são impossíveis de cobrar. Não obstante, analistas independentes estimam que esta cifra resultará absolutamente insuficiente, porque a porção de hipotecas que prevê-se que são ou serão incobráveis - e que devem portanto ser consideradas perdidas pelos bancos -e muito maior: da ordem de 10, 15 ou 20%, o que elevaria o montante do salvamento a cifras inimagináveis. Não por nada, em sua edição de domingo de 21 de Setembro, o usualmente conservador diário "The Daily Telegraph" de Londres disse que existem possibilidades concretas de que o próprio Estado norteamericano termine declarando-se em moratória sobre a totalidade de sua dívida pública, hoje da ordem dos $13,5 trilhões.

Os últimos dos bancos de investimentos que considera-se sendo ainda "sadios" - os muito respeitáveis Goldman Sachs e Morgan Stanley - acabam de decidir que transformam-se em bancos comerciais, aceitando assim a muito maior fiscalização de suas operações pelas autoridades bancárias. Isso significa que deverão diminuir rápida e ordenadamente suas carteiras de dívida geradas através do sistema de reserva fracional descrita acima.

Como medida transitória de emergência, o financista Warren Buffet assumiu uma participação de $5 bilhões na Goldman Sachs para ajudar a saneá-lo, o que é um indício da situação crítica ainda dessa entidade bancária.

Notavelmente, há um grande "silêncio de rádio" em relação à situação do maior banco comercial dos Estados Unidos, sobre o qual vem-se rumoreando grandes problemas desde antes de que desatasse-se a crise atual: o CitiGroup. Um notável sinal de interrogação...??

Os grandes meios de imprensa e opinólogos internacionais insistem em que estes resgates serão pagos pelo "contribuinte estadounidense" através de maiores impostos, hoje e no futuro. Isso é apenas uma parte da verdade. A realidade é que estes resgates somente poderão pagar-se com uma ainda maior emissão monetária descontrolada por parte do Banco da Reserva Federal, o que acelerará a erosão do valor do dólar. Ou seja, o custo desse desastre será pago por todo mundo que tenha posse de dólares, e não somente o "contribuinte estadounidense".

Desenlaces Previsíveis

A crise que estamos vendo do sistema global financeiro baseado no parasitismo e na usura, é terminal. Não tem solução através de mecanismos e medida estritamente monetárias e econômicas. Se as autoridades norteamericanas circunscrevem-se unicamente a este plano, então um grave colapso parece ser iminente.

Uma visão mais pragmática das estruturas de poder globais e estadounidenses, não obstante, permite asseverar que os Estados Unidos não vai permitir que isso ocorra. Para isso, cremos entrever a existência do que poderíamos chamar três planos alternativos para fazer frente à crise, segundo cenários de crescente gravidade e instabilidade.

Plano A (crise de relativamente baixa intensidade; opera-se no plano financeiro) - Segue-se negociando no Congresso um pacote de $700 bilhões de blindagem financeira, logrando finalmente sua aprovação nos próximos dias, o que permitirá que a partir de 29 de setembro, esse dinheiro aplique-se como linhas de crédito de emergência para assistir/salvar àquelas instituições bancárias entrem em crise. Isso incluirá de bancos medianos, a financeiras como Washingont Savings & Loans, a bancos estrangeiros com operações nos EUA (HSBC, Barclays, Deutsche Bank e outros), e muito especialmetne aos megabancos estadounidenses ainda de pé como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup (que espera muito ansiosamente enormes fundos frescos para que não entre em colapso). Efeito imediato: a crise poder-se-á administrar nas semanas por vir através de medidas e mecanismos principalmente financeiros, ao tempo que redefinem-se as regras de jogo em Wall Street.

Plano B (crise de intensidade média; opera-se nos planos monetário e financeiro) - O Congresso não aprova ou reduz drásticamente este pacote de blindagem financeira de emergência e, a partir de 29 de setembro, produz-se uma nova sequência de colapsos bancários e de seguradores. Então, os EUA (Tesouro e FED) declaram manu militari uma emergência econômica nacional e introduz uma mudança de moeda - um "New Dollar" - que diferentemente do atual dólar terá respaldo no ouro metálico homologado (ou seja, com a introdução de algum chip ou holograma inviolável transformando-o em um tipo de "ouro de reserva global" de alto valor). Declara-se um feriado bancário estendido para instrumentalizar a mudança de moeda, e para sua transição determinar-se-ão termos benéficos para aqueles bancos, empresas, cidadãos e aliados preferidos (ou seja, reconhecer-lhes-á um "New Dollar" por cada dólar atual). Logo, com determinados poderosos possuidores de dólares e títulos do tesouro, negociar-lhes-á segundo claros interesses geopolíticos e geoeconômicos: p.ex., China, Japão, União Européia, determinadas instituições e empresas, poderão transformar suas posses em dólares atuais por New Dollars segundo outras paridades (p.ex., 2, 3, ou 4 velhos dólares por cada New Dollar). Por último, ao resto dos possuidores de dólares - poupadores privados em todas as partes do mundo, argentinos com dólares no colchão, etc. - dir-se-lhes-á que os EUA não tem nada que dizer oficialmente e deixar-se-á que "o mercado local e internacional determina a paridade entre o New Dollar e o velho dólar." Então, veremos os cambistas locais oferecendo 8, 10 ou 20 velhos dólares por cada New Dollar... Efeito imediato: minimizar as pedas socialzadas próprias dos EUA e de seus aliados preferidos, ao tempo que regionaliza-se boa parte das mesmas (ou seja, exporta-se as perdas para o resto do mundo).

Plano C (crise de alta intensidade; opera-se também nos planos geopolítico e militar) - As autoridades norteamericanas não logram superar a crise com medidas financeiras, monetárias e econômicas, o que resulta em crescente violência social e inseguridade política para os EUA e seus aliados. Isso obrigará a apresentar o tema no plano geopolítico, provavelmente "chutando o balde" nos âmbitos político, diplomático e militar, promovendo uma situação de guerra global mais generalizada que permita derivar recursos, liquefazer os efeitos da crise, impor limitações estritas às liberdades internas nos EUA sob pretexto da "grave crise nacional", intervir militarmente em diversas partes do mundo, e mobilizar o país (e aliados) em seus recursos materiais e em suas motivações psicológicas para uma "defesa" contra o "inimigo". Um dos efeitos buscados seria o de voltar a equilibrar a economia e as finanças assim motorizadas, através de uma reitensificada indústria de guerra. Efeito imediato: o provável estopim consistiria em algum ataque unilateral contra o Irã sob pretexto de seu plano nuclear ou, pior ainda, algum bem orquestrado mega-atentado de "falsa bandeira" (auto-atentado de planejamento complexo) em território estadounidense ou contra interesses norteamericanos ou de seus aliados em outras partes do mundo), que fará empalidecer o do 11 de setembro de 2001. O mesmo será então atribuído falsamente nos poderosíssimos meios de difusão ao Irã em particular, e ao mundo muçulmano em geral o que justificará uma série de ataques e invasões. Outra possibilidade é que este ataque unilateral contra o Irã seja levado a cabo pelo Estado de Israel após receber a luz verde para iniciá-lo, o que logo arrastará os EUA na conseguinte guerra. Também a Rússia seguramente ver-se-á involucrada, o que terá o efeito de dividr e debilitar a União Européia, especialmente na volátil região centroeuropéia. Semelhante incêndio bélico iniciado no Oriente Médio será excusa suficiente para liberar totalmente as reservas petrolíferas em Alaska, justificar uma invasão dos campos petrolíferos da Venezuela, e militarizar o Atlântico Sul nas zonas de reservas petrolíferas brasileiras e argentinas. Seguramente, tudo isso também involucrará a China e a Índia e conformaria uma situação de guerra mundial, hoje de difícil dimensionamento e previsão.

Esta resenha apenas conforma um esboço da situação de inusitada gravidade a que enfrenta-se  toda a humanidade. Seu desenlace afetará profundamente todo o mundo. Oferecemo-la como uma sorte de exercício em Risk Management (administração de riscos) que possa servir como ponto de partida para um melhor planejamento estratégico entre organizações privadas e públicas.

Por mais que a medíocre classe política argentina não compreenda, não obstante o povo argentino deve compreender que nessa terrível Nova Ordem Mundial, a Argentina ver-se-á profundamente afetada. Não somente por seu desenlace ameaçador, senão também porque não podemos deixar passar importantes oportunidades que apresentar-se-nos-ão nesse perigoso e volátil processo que implica voltar a embaralhar as cartas do poder global. Por exemplo, a Argentina e outros países poderiam aproveitar um colapso do dólar e do sistema financeiro global para liquefazer boa parte de suas dívidas externas, em lugar de seguir pagando-as com recursos genuínos da economia do trabalho, segundo o vem fazendo sistemática e subordinadamente os Kirchner.

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