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03/03/2025

Giandomenico Casalino - A Visão Espiritual da Vida e a Ideologia Moderna

 por Giandomenico Casalino

(2013)


O que distingue RADICALMENTE a nossa concepção de cultura, em sentido lato, daquela dominante, que é iluminista e, portanto, racionalista e individualista, é precisamente o fato de que, para nós, a cultura é essencialmente uma VISÃO DA VIDA E DO MUNDO (Weltanschauung) que está presente em um ser humano desde o nascimento como uma potencialidade a ser desenvolvida, como forma interna, como caráter, que não se adquire nos livros (nossa cultura não é livresca!…); ela é viva como a vida, é alma e sangue, é sexo e paixão, é intelecto e sentimento, é o sentido REAL do mundo, sua visão concreta. E a cultura platônico-aristotélica, portanto, é algo que nenhum “professor” jamais ensinará, é algo que precisa ser RECORDARDADO, porque o homem moderno (digamos, de Descartes em diante…) ESQUECEU.

O que é necessário lembrar? É simples: o que as drogas ideológicas modernas impediram que nossa mente, nosso espírito e nossos olhos vissem, assim como nossos sentidos percebessem (para Platão, o olho quase não é um dos sentidos, mas a janela da alma para o mundo); lembrar que o mundo é um entrelaçamento, uma trama de microcosmos e macrocosmos que possuem todos o mesmo tecido, ou seja, a mesma lei, o mesmo logos, que é a forma, tanto no infinitamente pequeno quanto no infinitamente grande (da galáxia ao átomo, da célula ao organismo, tanto animal quanto vegetal e mineral). E que a forma emerge de um campo gravitacional quântico muito semelhante à chòra de Platão como matriz cósmica.

24/11/2022

Giandomenico Casalino - Problemas do Espírito

 por Giandomenico Casalino

(2022)


O verbo latino augeo é o fundamento das palavras: auctoritas, augurium, augustus, augur, auctor, e o fundamento é tão etimológico quanto semântico na natureza, pois seu significado intrínseco é: "enriquecer, aumentar, fortalecer, carregar (algo ou alguém) com energia sagrada e legitimadora" (sobre este ponto ver G. Casalino, Res Publica Res Populi, Forlì 2004, pp. 77 ff.).

Tudo isso sendo aprendido, conhecido e pressuposto, diante da quaestio da natureza da relação, de um ponto de vista fenomenológico, que o Romano, Magistrado e/ou Sacerdote estabelece com o Divino, com o Invisível, é necessário, para a mesma possibilidade de iniciar o discurso em torno do conhecimento da Tradição Romana, colocar o pensamento abalizado de três autores bem conhecidos da cultura tradicional de natureza sapiencial como a base epistemológica da mesma: Julius Evola, segundo o Conhecimento hermético-platônico; Arturo Reghini, segundo o pitágoro-maçônico; Guido de Giorgio, segundo a dimensão sacro-dantesca de seu Conhecimento, com autoridade, embora com linguagens diferentes, em torno da questão acima mencionada, afirmam o mesmo conceito: a característica surpreendentemente única, no panorama do Mundo Antigo, da espiritualidade religiosa romana é a de ser radicalmente diferente de todos os povos e tradições contíguas e coevas aos mesmos e de ser, portanto, de forma evidente e indiscutível, qualificada, em sua essência seca e inexoravelmente eficaz, por uma relação direta, ativa e intensiva, ontologicamente de natureza mágica, com o Divino, onde não existem presenças, realidades ou mediações de qualquer tipo ou espécie: nem mítica, nem simbólica, nem misteriosa, excluindo, portanto, qualquer existência de consórcios, associações, seitas ou irmandades que possam ser comparadas tanto às formas e realidades da experiência mistérica contemporânea à própria romanidade quanto às formas modernas do sectarismo maçônico em todas as suas fenomenologias, pretensamente "esotéricas".

14/01/2021

Giandomenico Casalino - A Realização do Espírito na Tradição Indo-Européia

por Giandomenico Casalino

(2015)


"...do século VII a.C. até Jesus há um esvaziamento contínuo e progressivo da religião olímpica indo-européia, que gradualmente vai se cristalizando cada vez mais no esteticismo dos artistas e no ritualismo dos sacerdotes, e um desenvolvimento paralelo da religião dos Mistérios que vai se ampliando cada vez mais... Toda a história da religião, e na verdade do pensamento grego, reside neste dúplice processo..." - Vittorio Macchioro, Zagreus. Studio intorno all'orfismo (Firenze, 1930)

O homem indo-europeu, se for visto do ponto de vista do sujeito moderno, é um homem cósmico aberto ao mundo[1], é "atravessado" pelo Mundo e pelos seus Poderes, ele nada sabe de "interno" e "externo", sua "consciência" é cósmica, universalizada, na verdade ele é universal no sentido de que coincide com os Deuses. O homem após a Queda, a crise, na Modernidade como categoria do Espírito, na convicção prometeica de ter adquirido ou conquistado a "liberdade", perdeu a Universalidade da consciência e a mesma foi reduzida ao pequeno Ego que acredita decidir, olha com suficiência e altivez para o homem homérico que ele considera um "escravo" dos Deuses; o seu pequeno Ego, convencido de "decidir" e de ser "autônomo", está sempre nas "mãos" de algo "diferente" de si mesmo e é sempre "algo" desconhecido e, portanto, obscuro, que vem tanto do "seu" interior (que seu não é) quanto do "exterior", um mundo que é igualmente estranho...

20/09/2020

Giandomenico Casalino - A Epifania de Roma: A Identificação do Público com o Sagrado e do Privado com o Profano

 por Giandomenico Casalino

(2015)


O conceito contido no título deste ensaio pretende explicitar o Evento, providencial para a Europa, da manifestação (Epifania) de Roma como irrupção pelo Alto e do Alto no devir, nos assuntos dos homens, como Ação Espiritual Indo-Européia de natureza revolucionária que funda a Civitas e o Direito Público Ocidental.

Em nossos livros[1] sobre a cultura romana e a forma mental jurídico-religiosa, sempre orientada para as Origens, expressamos, de fato, mesmo de forma implícita, a certeza, como fato científico adquirido, de que, em toda a história romana, o conceito de "Público" é uno com o de "Sagrado" e que, de fato, tudo o que é semanticamente referenciável àquela categoria pertence à esfera desta última. Isto não significa que para a maneira romana de pensar e ver (desde a era arcaica até o final do Império...) o "Público" é sacralizado, entrando, após sua constituição enquanto tal, na esfera do Sagrado. Isso, por outro lado, já teria sido enormemente capaz de gerar legitimidade e poder, como aconteceu no cristianismo medieval (no estúpido e insípido "secularismo" moderno seria essa a única terapia capaz de salvar o "público" da lenta agonia à qual parece condenado por causa das metástases cancerosas que o atingiram!...).

A questão não se dá em tais termos! Na romanidade as coisas são ainda mais radicais! Nela, de fato, o Público não pode existir exceto como Sagrado no sentido de que, no momento em que ele é constituído, o Público se constitui como Sagrado e tudo o que é Público é Sagrado, não pode haver nada Público que não seja Sagrado ou Sagrado que não seja Público. Em suma, o Romano não pode pensar na categoria do Público, em sua própria existência senão como conseqüência de uma identidade originária e primária, em termos lógicos e portanto cronológicos, e é a identificação simultânea das "duas" esferas que somente os modernos, por influência dualismo cristão, vêem de forma dual.