por Louis Alexandre & Jean Galié
(2009)
A atomização, através do triunfo da neomodernidade (ou seja, o reinado ideológico e prático do capitalismo sobre todos os aspectos de nossas vidas), dos laços que uniram o "Povo", deixa a maioria deles sem outros pontos de referência além daqueles fornecidos pelo sistema. A "guerra de todos contra todos" quebrou e tornou impossível a ideia de um destino comum. Algumas pessoas pensaram ver nisto uma "liberdade", uma emancipação, livrando o indivíduo do peso da comunidade. Mas estas pessoas ingênuas (para não dizer tolas) estão simplesmente celebrando o evento de uma nova servidão. Os homens são antes de tudo construtores da sociedade (o "animal político" de Aristóteles); ao se unirem, eles sabem criar solidariedade e fraternidade num impulso comum. Esta criatividade comunitária dá sentido à existência social e humana. Ela deve necessariamente ser reconstruída sobre novas bases, pois não é possível voltar às bases pré-capitalistas. É também o ponto de ruptura com a comunidade despótica do capital, a "comunidade real do dinheiro" (Marx). É, ainda menos, um projeto utópico construído a priori, ignorando os limites e imperfeições da condição humana. Seria provavelmente a concretização e a liberação das potencialidades humanas que são, hoje, instrumentalizadas pelo capital para o lucro. Para quebrar toda resistência, o capitalismo se aplicou na destruição dos laços tradicionais (os das comunidades agrárias, pré-capitalistas) e os nascidos de sua exploração, da luta contra ela (como a unidade da classe trabalhadora). Com a globalização, ele estendeu sua atuação às nações e às civilizações. A perda causada por este ato de guerra contra os povos é ainda mais sentida porque deixou o campo aberto para a reconstrução de identidades vacilantes, oscilando entre as modas consumistas e um comunitarismo que leva à guetização.
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