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12/09/2011

Céline: um Escritor Ainda Maldito

Por Robert Spieler

Há 50 anos desaparecia Louis Ferdinand Céline, o maior escritor do século XX. Seu nome figura – ou melhor, figurava –, na compilação das celebrações nacionais de 2011 publicada pelo Ministério da Cultura. Furor, uivos, histeria... Serge Klarsfeld, presidente da “Associação de filhos e filhas dos judeus deportados da França”, exigiu a Frédéric Mitterrand, ministro da Cultura, “a retirada imediata desta compilação e a eliminação das páginas dedicadas a Céline. Ele não é somente o autor de “Viagem ao Fim da Noite” e “Morte a Crédito”, mas também de panfletos antissemitas, como “Bagatelas Para um Massacre” e “A Escola de Cadáveres”. Klarsfeld ameaça: “Se ele não concordar em renunciar a inclusão de Céline nas celebrações nacionais, esperamos que o Primeiro Ministro ou o Presidente da República tomem alguma determinação. Nossa resposta será dura”. Klarsfeld recordou que a Licra (lobby judaico francês) e ele mesmo pressionaram a François Mitterrand por ter posto uma coroa de flores a cada 11 de novembro sobre a tumba do Marechal Petáin, como gesto de honra ao herói de Verdún. Mitterrand finalmente teve de abandonar o poder em 1993.

Inclusive o escritor esquerdista, Philippe Sollers, se escandalizou com esta insuportável arrogância, declarando: “É absurdo que um cidadão (Serge Klarsfeld) peça ao Presidente da República que elimine um autor da importância de Céline [...]”, acrescentando: “Ele está brincando com um fogo muito perigoso...”. O fato de ele dizer isso, não faz diferença...

Sobre os antissemitas, uma pequena oferta a Serge Klarsfeld. Não, não é um extrato de Céline, mas de uma alta figura da República, socialista e maçom, Jean Jaures, quem declarou no dia 1 de maio de 1895 a “La Dépêche de Toulouse”: “Nas cidades, o que enfurece a maioria da população francesa contra os judeus é que, por conta da usura, pela infatigável atividade comercial e pelo abuso da influência política, pouco a pouco foram monopolizando a riqueza, o comércio, os empreendimentos lucrativos, as funções administrativas, o poder público. […] Possuem uma grande porção da imprensa, as principais instituições financeiras e, ao não poder atuar sobre os votantes, atuam sobre os eleitos”.

Então, Jaen Jaurés também deve ter o ostracismo, como Céline?
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Fonte: ID Press

02/09/2011

O Mito da “Crise Econômica”

por Joaquín Bochaca



Todos falam da crise econômica, uns por ignorância, outros por má fé e a maioria por inércia mental. E, contudo, se existe algo que apareça com nitidez mediana é o fato de ser impossível existir crise econômica alguma.

A crise é simplesmente financeira.

Porque, se a Economia é composta de três partes – Produção, Consumo e Distribuição –, a falha está, única e exclusivamente, na última parte, a menos “econômica” das três.

Em efeito, se as máquinas progridem a ritmo geométrico e a demografia ocidental permanece estacionária, quando não em retrocesso, é evidente que a Economia deveria melhorar quase que diariamente e os preços baixarem. Se uma Comunidade produz mais bens e serviços em uma unidade de tempo, sem aumentar sua população ou aumentando a um ritmo claramente inferior à produtividade, baixar-se-iam em espiral os preços pela simples dinâmica dos fatos.

Contudo, todos sabem que não é assim. Por quê? Por que as empresas quebram em milhares por todo o Ocidente, enquanto só progridem insultuosamente os Bancos e entidades de “serviços financeiros”? Como é possível que este fato claríssimo não chame a atenção e provoque a indignação dos demais? Mesmo sem aprofundar-se no problema, sem a necessidade de estudar brevemente a problemática e a operação da Finança, deve parecer claro, até mesmo para a inteligência mais medíocre que, se a produção alcança cotas inimagináveis, faz isso somente por alguns anos, enquanto as pessoas continuam desejando consumir, o atual defeito somente pode ser encontrado na distribuição; isto é, na Finança.

FINANÇA E PODER

Quando aludimos à enfermidade da Distribuição, causadora da atual crise “econômica”, nos referimos, insistimos, à Finança. Com isto, entramos no problema do dinheiro, este instrumento de troca de bens e serviços do qual quase nada se sabe.

Especialmente na Espanha, o desconhecimento acerca da natureza do dinheiro é quase incrível, inclusive entre altos cargos diretivos das empresas. A crença geral é que se trata de uns pedaçinhos de papel com os quais se “compram” coisas.

A realidade é que esses pedacinhos de papel ou metal representam no conjunto de um país ocidental, apenas 4% do que é o verdadeiro “dinheiro”. Em grandes potências industriais, como os EUA, não chegam sequer a 3%.

Na realidade, o que as pessoas chamam de “dinheiro”, não são mais do que uns “trocados”.

O restante é uma fenomenal sobre-estrutura de créditos, manejada por Bancos; ou melhor, pelo sistema bancário. Uma ficção que ameaça levar ao mundo à bancarrota, como já o fez durante a década de 30.

Em toda comunidade humana regida por princípios sérios e éticos, o objetivo da produção é o consumo e não a rentabilidade do capital.

A indústria, a agricultura e os serviços devem cobrir a demanda real – exclusivamente real e não a artificial, gerada por um excesso de publicidade –, e não assegurar benefícios inauditos ao atual sistema usureiro que impera.
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Joaquín Bochaca em "Texto para um programa político de alternativa ao sistema"

Fonte: ID Press