13/09/2011

Sobre o FMI

por Alexander Berdaiev

É de todos conhecido o Fundo Monetário Internacional que segue estando presente em muitos dos protestos dos anti-globalização, e também nos discursos ideológicos dos que criticam o capitalismo. Porém em muitas ocasiões não percebe-se com suficiente clareza o motivo das críticas que vertem-se sobre este organismo internacional que hoje dirige o espanhol Rodrigo Rato. Pelo contrário acabamos deparando-nos com críticas pouco ou mal formuladas que não destacam o papel real deste ente no plano internacional, e com isso, sobre sua estreita relação com a dívida externa de muitos países.

Tanto o FMI como o Banco Mundial (BM, dirigido na atualidade pelo judeu americano Paul Wolfowitz), são organizações internacionais que surgiram à raiz da nova ordem econômica que gestou-se durante a segunda guerra mundial em previsão da vitória aliada, e muito especialmente com os acordos de Bretton Woods.

Após a segunda guerra mundial e dentro de um contexto histórico no qual a economia hegemônica no campo ocidental eram os Estados Unidos, criaram-se estes organismos que serviriam na prática para que os Estados Unidos mantivessem e exercessem sua hegemonia em sua área de influência internacional e levasse a cabo uma liderança econômica sobre os demais países.

O FMI, em princípio, criou-se para buscar a estabilidade no sistema monetário internacioanl, de tal modo que estabeleceram-se umas garantias de liquidez nas transações internacionais para que não ocorressem situações de inadimplência de dívidas por parte dos países.

Em um começo existiram diferentes propostas para organizar o sistema monetário internacional. Assim, encontramo-nos com a proposta de Keynes que consistia em criar uma moeda internacional com aportes de cada economia nacional, a qual seria a referência de valor da moeda de cada país. Naquele momento, não obstante, existia o padrão-ouro pelo qual as moedas tinham seu valor em função das reservas de ouro que estivessem depositadas no banco central de cada país. Naquele momento o país com as mais importantes reservas de ouro e com maior massa monetária eram os Estados Unidos.

Foi finalmente o padrão-ouro que terminou impondo-se de modo a regular o sistema monetário internacional, pelo que a moeda de referência passava a ser o dólar, em relação ao qual fixavam seu valor, e os Estados Unidos por sua parte asseguravam o respaldo do valor de sua moeda com o ouro de suas reservas. Indubitavelmente este sistema monetário convinha aos Estados Unidos, já que dava-lhe uma hegemonia sobre as demais moedas e economias capitalsitas, ao tempo que via-se obrigado a assumir a responsabilidade na estabilidade internacional.

Deste modo o dólar tinha seu valor em ouro, e ao mesmo tempo negociou-se o valor de cada moeda em relação ao dólar, acordando que todos os Estados respeitariam que cada moeda não oscilasse mais de 10% no intercâmbio.
Não obstante, este sistema terminaria quebrando em 1971 debido ao déficit público que os Estados Unidos foi acumulando em sua balança de pagamentos, o que produziu um forte endividamento deste país. Foi quando percebeu-se de maneira clara na economia internacional que havia-se recorrido a criar mais dólares que ouro do que havia nas reservas, pelo que o dólar, na prática, já não contava com o respaldo do metal áureo. Por este motivo, Nixon, em 1971 decidiu romper o padrão ouro-dólar, e a partir de então o sistema monetário encontrar-se-ia com uma nova situação na que dar-se-ia uma flutuação livre das moedas. É então quando os tipos de câmbio ao ser livre o valor de moeda estabelece cada Estado. Esta situação é a que impera ainda hoje na atualidade.

Como consequência da quebra do padrão ouro-dólar gerar-se-ia o sistema monetário europeu, pelo que os Estados europeus entraram no tipo livre de câmbio, porém concertado entre eles mesmos para que não prejudicassem-se mutuamente. A sua vez, criaram o ECU, que estabelecia o valor de cada moeda monetária em relação com as outras moedas européias. Servia, por assim dizer, como referência entre as diferentes moedas dos países europeus à hora de estabelecer um valor para as mesmas.

Como vimos dizendo, o FMI criou-se para assegurar a liquidez dos Estados nas transações econômicas de tal forma que não ocorressem situções de inadimplência. Por isso, quando um determinado país não pode fazer frente a seus pagamentos termina recorrendo ao FMI, que é quem provê dinheiro a partir da aportação que cada país fez ao Fundo. Por isso, se um país vê-se em apuros econômicos pode recorrer ao Fundo e pedir em proporção à quota com a que contribuiu ao mesmo.

Vemos que o FMI conta com diferentes aportes monetários dos países que integram-o, pelo que à hora de tomar decisões estas tomam-se em função da quota que cada país tem no FMI, sendo os Estados Unidos o que maior quota tem de todos eles, deste modo exerce um papel hegemônico dentro do próprio Fundo, não tomando-se nenhuma decisão que contravenha seus interesses econômicos e financeiros.

Quando um Estado pede ao FMI mais dinheiro do que aportou ao mesmo, o FMI estabelece uma série de restrições e condições. É assim como o FMI realiza empréstimos porém estabelecendo a condicionalidade do mesmo. Por isso, quando um Estado necessita de mais dinhieiro do que a quota aportada, vê-se obrigado a comprar direitos especiais de giro, que é em definitivo comprar capacidade de pagamento com sua moeda.

Deste modo, a lógica inicial do FMI para assegurar liquidez aos credores de cada Estado vê-se rasgada por essa nova situação com a que termina concedendo ao país endividado mais dinheir do que aportou, empréstimo que vê-se submetido a uma série de condições que vão sendo mais rígidas na medida em que dito Estado vê-se obrigado a seguir pedindo emprestado mais dinheiro. Assim, o FMI devém em um grande banco que empresta quantidades de dinheiro astromônicas a altos juros.

Os Estados podem endividar-se de diferentes maneiras. O habitual é que a banca privada empreste dinheiro a uma empresa privada que conta com o aval de um Estado; se a empresa não pode pagar esta recorrer ao Estado, e se o Estado não tem capacidade de pagamento vê-se obrigado a acudir ao FMI. A partir daqui o FMI concede-lhe linhas de crédito a altos juros e com restrições em sua política interna, o que na prática supõe que o poder político passa a estar controlado pelo FMI. Assim é como o FMI atua como ente de intermediação que dá dinheiro público ao Estado endividado para responder ao credor priado que é o banco, finalmente é o banco privada o que sai beneficiado ao recuperar sua dívida com juros.

O sentido de todo o processo e funcionamento do FMI termina sendo muito diferente ao que para um princípio foi concebido, de tal modo que acaba protegendo ao setor privado para impedir que quebre por inadimplência do Estado. O FMI, com dinheiro público, é o que cobre a dívida com os bancos privados, e isto degenera em uma espiritual pela qual o país vê-se cada vez mais endividado com o FMI devido aos altos juros, ao que acrescenta-se a intervenção do FMI na política interna do Estado, desenhando para isso medidas públicas de modo a resolver sua dívida com o Fundo, porém que na prática, como comprovou-se na quase totalidade dos casos (Argentina, Brasil, etc...) é um completo fracasso que produz a ruína do país.

Na medida em que a dívida incrementa-se, a dependência com o FMI agrava-se, porém chega um ponto em que a dívida é tão grande, as expectativas reais de que o empréstimo possa ser recuperado de forma integral junto aos juros correspondentes é mínima, por não dizer impossível; em qualquer momento o Estado pode negar-se a pagar qualquer dívida, o que suporia uma crise do sistema monetário internacional e sua definitiva quebra. Para que isso não ocorra, e evitar que a dívida converta-se em um passivo, criam-se novas linhas de crédito para o Estado por parte do FMI, pelo que este segue recebendo empréstimos com altos juros que vão somando-se à dívida já contraída.

Não cabe a menor dúvida de que o FMI é um instrumento mundial de dominação que utiliza a grande sinarquia int ernacional, muito especialmente as grandes plutocracias. O dinheiro público termina pagando a dívida contraído por outros países com entidades financeiras privadas. Isso põe de manifesto que o grande inimigo dos povos e dos trabalhadores é a grande finança, máximo representante do capital. Esta, rouba aos povos endividando seus países até a extenuação, para agravar mais se associa essa pressão com altos juros que são a mais crua expressão da usura internacional que vem aumentar ainda mais a carga da dívida.

O FMI serve aos interesses desses grupos econômicos privados que organizam-se em grupos de pressão, corporações, carteis, trustes financeiros, lojas e fundações de diversos tipos, nos quais traçam-se as grandes linhas da política internacional, e em definitiva, onde marcam-se os acontecimentos históricos de cada momento. É assim como um pequeno grupo de indivíduos inseridos nestes núcleos de poder dirigem o mundo, a expensas dos povos e nações da terra, que indefesos resultam ser as vítimas de um saque organizado e generalizado de suas riquezas. O caso mais claro foi a Rússia pós-soviética, na que a administração de Yeltsin, controlada pelos judeus, fez possível que as riquezas nacionais e as empresas do Estado foram literalmente expoliadas e saqueadas por esses parasitas, ao tempo que as ajudas concedidas pelo FMI a Rússia eram diretamente roubadas por estes elementos através de grandes fugas de capitais para bancos na Suíça e Tel-Aviv. Após a vinda da gloriosa era a que deu começo o grande presidente Putin, que restabeleceu a ordem e a coesão nacional do país ademais de levar a cabo medidas de proteção econômica contra o parasitismo, ver-se-iam obrigados a buscar refíguo como vulgares vermes em sua pátria semítica de Israel.

A eliminação destes oligarcas da vida nacional russa supôs uma afirmação dos interesses nacionais frente aos de grupos privilegiados e classes sociais que atuavam a expensas da administração pública para satisfazer a impôr seus próprios interesses por meio das políticas públicas do Estado, roubando à sociedade o que realmente é seu e em justiça pertence-lhe.

Também há que pôr de relevo a estratégia neoliberal dos programas de saneamento econômico pensados pelo FMI, o que constitui uma privatização de todos os serviços públicos, os quais param diretamente em mãos privadas de grandes magnatas, o que implica um roubo à nação, como ocorreu em seu momento com as empresas exploradoras de gás e petróleo, ou aquelas outras que encarregavam-se da exploração de minas na Sibéria. O controle político do FMI sobre os governos que decidem pôr-se à disposição de suas diretrizes tem como resultado a ruína, a crise e o caos, tal e como ocorreu durante a era Yeltsin na Rússia, levando o país até o colapso.

Fica claro, então, que o inimigo número um dos povos do mundo é a grande finança e os grupos econômicos que, furtivamente, planificam o maior roubo da história que tem por finalidade a escravidão dos povos e sua submissão ao poder do dinheiro.

12/09/2011

Céline: um Escritor Ainda Maldito

Por Robert Spieler

Há 50 anos desaparecia Louis Ferdinand Céline, o maior escritor do século XX. Seu nome figura – ou melhor, figurava –, na compilação das celebrações nacionais de 2011 publicada pelo Ministério da Cultura. Furor, uivos, histeria... Serge Klarsfeld, presidente da “Associação de filhos e filhas dos judeus deportados da França”, exigiu a Frédéric Mitterrand, ministro da Cultura, “a retirada imediata desta compilação e a eliminação das páginas dedicadas a Céline. Ele não é somente o autor de “Viagem ao Fim da Noite” e “Morte a Crédito”, mas também de panfletos antissemitas, como “Bagatelas Para um Massacre” e “A Escola de Cadáveres”. Klarsfeld ameaça: “Se ele não concordar em renunciar a inclusão de Céline nas celebrações nacionais, esperamos que o Primeiro Ministro ou o Presidente da República tomem alguma determinação. Nossa resposta será dura”. Klarsfeld recordou que a Licra (lobby judaico francês) e ele mesmo pressionaram a François Mitterrand por ter posto uma coroa de flores a cada 11 de novembro sobre a tumba do Marechal Petáin, como gesto de honra ao herói de Verdún. Mitterrand finalmente teve de abandonar o poder em 1993.

Inclusive o escritor esquerdista, Philippe Sollers, se escandalizou com esta insuportável arrogância, declarando: “É absurdo que um cidadão (Serge Klarsfeld) peça ao Presidente da República que elimine um autor da importância de Céline [...]”, acrescentando: “Ele está brincando com um fogo muito perigoso...”. O fato de ele dizer isso, não faz diferença...

Sobre os antissemitas, uma pequena oferta a Serge Klarsfeld. Não, não é um extrato de Céline, mas de uma alta figura da República, socialista e maçom, Jean Jaures, quem declarou no dia 1 de maio de 1895 a “La Dépêche de Toulouse”: “Nas cidades, o que enfurece a maioria da população francesa contra os judeus é que, por conta da usura, pela infatigável atividade comercial e pelo abuso da influência política, pouco a pouco foram monopolizando a riqueza, o comércio, os empreendimentos lucrativos, as funções administrativas, o poder público. […] Possuem uma grande porção da imprensa, as principais instituições financeiras e, ao não poder atuar sobre os votantes, atuam sobre os eleitos”.

Então, Jaen Jaurés também deve ter o ostracismo, como Céline?
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Fonte: ID Press

05/09/2011

Ernst Jünger e O Trabalhador: Uma trajetória vital e intelectual entre os deuses e os titãs

por Alain de Benoist

Ao evocar O Trabalhador, ao mesmo tempo que a primeira versão de Coração Aventureiro, o ensaísta Armin Mohler, autor de um manual que converteu-se em um clássico sobre a revolução conservadora alemã (Die Konservative Revolution in Deutschland, 1918-1932), escreve: "Ainda hoje, não posso aproximar-me a essas obras sem sentir uma certa turbação". Em outra parte, qualificando a O Trabalhador de "bloco errático" no seio da obra de Ernst Jünger, afirma: "Der Arbeiter é algo mais que uma filosofia: é uma criação poética". O termo é apropriado, acima de tudo se admite-se que toda poesia fundadoria é ao mesmo tempo reconhecimento do mundo e revelação dos deuses. Livro "metálico" - estamos tentados a empregar a expressão "tempestade de aço" - O Trabalhador possui, em efeito, uma transcendência metafísica, que vai mais além do contexto histórico e político no qual foi escrito. Sua publicação não somente marcou uma data capital na história das idéias, senão constitui na obra jüngeriana um tempo de reflexão que não deixou de fluir, qual veia oculta, ao longo da vida de seu autor.

I

Nascido em 29 de março de 1895 em Heidelberg, Jünger fez seus primeiros estudos em Hannover, em Schwazenberg, nos Montes Metálicos, Braunschweig, novamente em Hannover, assim como na Scharnhorst-Realschule de Wunstorf. Em 1911, adere à seção de Wunstorf dos Wandervögel. Esse mesmo ano, publica seu primeiro poema (Unser Leben) no jornal local daquela organização juvenil. Wm 1913, à idade de 18 anos, foge do lar paterno. Objetivo de sua fuga: alistar-se em Verdún na Legião Estrangeira. Alguns meses mais tarde, depois de uma curta estância em Argel e uma fase de instrução em Sidi-bel-Abbés, seu pai convence-lhe a voltar para a Alemanha. Retoma seus estudos no Gildemeister Institut de Hannover, onde familiarizar-se-á com a obra de Nietzsche.

A Primeira Guerra Mundial começa em primeiro de agosto de 1914. Jünger converte-se em combatente voluntário. Ingressa no 73º Regimento de fuzileiros e recebe a ordem de marcha em 6 de outubro. Em 27 de dezembro parte para a frente de Champagne. Combate em Dorfes-les-Epargnes, em Douchy, em Monchy. Chefe de seção em agosto de 1915, alferes em novembro, segue a partir de 1916 um curso para oficiais em Croisilles. Dois meses mais tarde participa nos combates de Somme, onde é ferido duas vezes. De novo na frente, em novembro, com patente já de tenente, é outra vez ferido, desta vez próximo de Saint-Pierre-Vaast. Em 16 de dezembro é condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª classe. Em fevereiro de 1917 é elevado a Strosstruppführer, chefe de comando de assalto. É o momento em que a guerra atolou-se, ao tempo em que as perdas humanas adquirem uma terrível dimensão. Do lado francês, apresta-se à sangrenta e inútil ofensiva de Chemin des Dames. À cabeça de seus homens, Jünger desliza pelas trincheiras e multiplica golpes de mão. Escaramuças incessantes, novas feridas: em julho, na frente de Flandres, e também em dezembro. Jünger é condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem dos Hohenzollern. Durante a ofensiva de março de 1918 continua capitaneando seus soldados em múltiplas escaramuças. É ferido uma vez mais. Em agosto, novas feridas, desta vez próximo de Cambrai. Finaliza a guerra em um hospital militar, depois de ter sido ferido catorze vezes! Isso vale-lhe a Cruz "Pelo Mérito", a mais importante condecoração do exército alemão. Somente doze oficiais subalternos de terra, entre eles o futuro marechal Rommel, reeberão dita distinção ao longo da Primeira Guerra Mundial.

"Somente vivia-se para a Idéia"

De 1918 a 1923, Jünger, aquartelado na Reichswehr de Hannover, começa a escrever seus primeiros livros impregnados da experiência que aportou-lhe sua presença na frente. Tempestades de aço, publicado em 1919 por conta do autor e reeditado em 1922, conhecerá grande êxito. Seguir-lhe-ão A Guerra Como Experiência Interior (1922), O Bosque 125 (1924), Fogo e Sangue (1925). Não tardará Jünger em ser considerado como um dos escritores mais brilhantes de sua geração, como recordou-nos Henri Plard, inclusive se apelamos a seus artigos sobre a guerra moderna publicados na Militär-Wochen-blatt.

Porém Jünger não sente-se cômodo em um exército na paz. Tampouco é-lhe tentadora a aventura dos Freikorps. Em 31 de agosto de 1923, abandona a Reichswehr e matricula-se na Universidade de Leipzig para estudar biologia, zoologia e filosofia. Terá como professores a Hans Driesch e Felix Krüger. Em 3 de agosto de 1925 casa-se com Gretha von Jeinsen, de dezenove anos, que dar-lhe-á dois filhos: Ernst, nascido em 1926, e Alexander, em 1934. Durante esse período, suas idéias políticas amadurecem na mesma direção da efervescência que agita quaisquer facções da opinião pública alemã: o vergonhoso Tratado de Versalhes, o qual a República de Weimar aceitou sem vacilar todas as cláusulas e a que somente aceitar-se-á como um insuportável Diktat. No transcurso de uns meses converte-se em um dos principais representantes dos meios nacional-revolucionários, importante grupo da Revolução Conservadora situado à "esquerda", junto aos movimentos nacional-bolcheviques agrupados ao redor de Niekisch. Seus escritos políticos inscrevem-se no período médio republicano (a "era Stresemann") que finaliza em 1929, tempo de trégua provisória e de aparente calma. Jünger dirá mais tarde: "Somente vive-se para a idéia". 

Suas idéias expressaram-se primeiramente em revistas. Em setembro de 1925, o antigo chefe dos Freikorps, Helmut Franke, que acabava de publicar um ensaio sob o título Staat im Staate, lança a revista  Die Standarte, que trata de aportar uma "contribuição ao aprofundamento espiritual do pensamento do fronte".

Jünger pertencerá a sua redação, em companhia de outro representante do "nacionalismo dos soldados", o escritor Franz Schauwecker, nascido em 1890. Die Standarte foi, em princípio, suplemento do semanário Der Stahlhelm, órgão da associação de antigos combatentes do mesmo nome dirigido por Wilhelm Kleinau. Die Standarte tinha uma tiragem nada desprezível: ao redor de 170.000 leitores. Entre setembro de 1925 e março de 1926, Jünger publica dezenove artigos. Helmut Franke assina os seus com o pseudônimo "Gracchus". A jovem direita nacional-revolucionária expressa-se ali: Werner Beumelburg, Franz Schauwecker, Hans Henning von Grote, Friedrich Wilhelm Heinz, Goetz Otto Stoffengen, etc.

Nas páginas de Die Standarte, Jünger adotará logo um tom muito radical, distinto ao da maioria dos membros do Stahlhelm. A partir de outubro de 1925, critica a tese da "punhalada nas costas" (Dolchstoss) que teria representado para o exército alemão a revolução de novembre (tese quase unânime nos meios nacionais). Chegou inclusive a sublinhar como alguns revolucionários de extrema esquerda foram valorosos combatentes durante a guerra. Afirmações deste tipo suscitaram vivas polêmicas. A direção do Stahlhelm põe-se em guarda e decide distanciar-se da jovem equipe jornalística. Em março de 1926 a publicação desaparece, para renascer ao mês seguinte com o nome abreviado de Standarte, com Jünger, Schauwecker, Kleinau e Franke como coeditores. Neste momento, os laços com o Stahlhelm não romperam-se ainda; os antigos combatentes continuam financiando indiretamente a Standarte, publicado pela casa editore de Seldte, a Frundsberg Verlag. Jünger e seus amigos reafirmam o melhor de sua vontade revolucionária. Em 3 de junho de 1926 Jünger publica um chamamento à unidade dos antigos combatentes do fronte com o objetio de fundar uma "república nacionalista dos trabalhadores", convocatória que não terá eco. Em agosto, a pedido de Otto Hörsing - cofundador da Reichsbanner Schwarz-Rot-Gold, a milícia de segurança dos partidos socialdemocrata e republicano - o governo, tomando como pretenxto um artigo sobre Reithenau aparecido em Standarte, fecha a revista durante cinco meses. Moment que Seldte aproveita para relevar a Helmut Franke suas responsabilidades. Em solidariedade com Franke, Jünger aparta-se do jornal e em novembro, junto ao próprio Franke e a Wilhelm Weiss, inicia a edição de uma nova publicação entitulada Arminius. (Standarte aparecerá até 1929, sob a direção de Schauwecker e Kleinau).

Em 1927 Jünger marcha de Leipzig para instalar-se me Berlim, onde estabelecerá estreitos contatos com antigos membros dos Freikorps e com meios da juventude bündisch. Estes últimos, oscilando entre a disciplina militar e um espírito de grupo muito fechado, tratam de conciliar o romantismo aventureiro dos Wandervögel com uma organização de tipo mais comunitário e hierarquizado. Jünger trava uma especial amizade com Werner Lass, nascido em Berlim em 1902, e fundador em 1924, junto ao antigo chefe dos Freikorps Rossbach, da Schilljugend (movimento juvenil com cujo nome perpetua-se a memória do major Schill, caído na luta de liberação contra a ocupação napoleônica). Em 1927 Lass separa-se de Rossbach para fundar a Freischar Schill, grupo bündisch do qual Jünger será mentor (Schirmherr). De outubro de 1927 a março de 1928 Lass e Jünger associam-se para publicar a revista Der Vormarsch, fundada em junho de 1927 por outro famoso chefe dos Freikorps, o capitão Ehrhardt.

"Perder a guerra para ganhar a nação"

Durante este período, Jünger experimentou não poucas influênicas literárias e filosóficas. A guerra, o fronte, permitiram-lhe a mesma tripla experiência de certos escritores franceses de fins do século XIX, como Huysmans e Léon Bloy, que desemboca em um certo expressionismo que deixa-se perceber em A Guerra Como Experiência Interior e, acima de tudo, na primeira versão de Coração Aventureiro, e em uma espécie de "dandysmo" baudeleriano em Sturm, obra novelesca de juventude, tardiamente publicada, que leva claramente esta marca. Armin Mohler, nesta linha, comparou o jovem Jünger com o Barrés do Roman de l'énergie nationale: para o autor de A Guerra Como Experiência Interior, como para o de Scènes et doctrines du nationalisme, o nacionalismo, substituto religioso, modo de expansão e de reforço da alma, resulta acima de tudo uma opção deliberada, sendo o aspecto decisório desta orientação o que deriva do estouro das normas, consequência da Primeira Guerra Mundial.

A influência de Nietzsche e de Spengler é evidente. Em 1929, em uma entreivsta concedida a um jornal britânico, Jünger definir-se-á como "discípulo de Nietzsche", sublinhando o fato de que este foi o primeiro em recusar a ficção do homem universal e abstrato, "rompendo" dita ficção em dois tipos concretos e diametralmente opostos: o forte e o fraco. Em agosto de 1922 lê com fruição o primeiro tomo de A Decadência do Ocidente e é no momento da publicação do segundo, em dezembro do mesmo ano, quando escreve Sturm. Porém, como ver-se-á, Jünger não resignar-se-á em ser um passivo discípulo. Está longe de seguir a Nietzsche e a Spengler na totalidade de suas afirmações. O declive do Ocidente não será, desde seu ponto de vista, uma fatalidade inelutável; há outras alternativas a uma simples aceitação do reino dos "Césares". Assim mesmo, retoma por sua conta o questionamento nietzscheano, que deseja perfilar de uma vez por todas.

A guerra, a final de contas, foi a experiência mais impactante. Jünger aporta, em primeiro lugar, a lição do agônico. Ardor, nunca ódio: o solsado que está do outro lado da trincheira não é uma encarnação do mal, senão uma simples figura da adversidade do momento. Jünger, portanto, carece de inimigo absoluto (Feind): ante si somente existe o adversário (Gegner), confirmando-se assim o combate como "coisa sempre de santos". Outra lição é que a vida nutre-se da mrote e esta daquela: "O saber mais preioso que aprendeu-se na escola da guerra, escreverá Jünger, em sua intimidade mais secreta, é indestrutível".

Para alguns, a guerra foi entregue. Porém em virtude do princípio de equivalência dos contrários, o desastre concitará uma análise positiva. A derrota ou a vitória não é o que mais importa. Essencialmente ativista, a ideologia nacional-revolucionária professa um certo desprezo pelos objetivos: combate-se, não para conseguir a vitória, senão para guerrear." A guerra, afirma Jünger, não é tanto uma guerra entre nações, como uma guera entre raças de homens. Em todos os países que inverviram na guerra, há ao mesmo tempo vencedores e vencidos". (A Guerra Como Experiência Interior). Mais ainda, a derrota pode chegar a converter-se no fermento da vitória. E chega a pulsar a condição mesma desta vitória. No epígrafe de seu livro Aufbruch der Nation, Franz Schauwecker escreveu esta estremecedora frase: "Era preciso que perdêssemos a guerra, para ganhar a nação". Recordava, talvez, esta outra de Léon Bloy: "Tudo o que chega é adorável". Jünger, por sua parte, sustenta: "A Alemanha foi vencida, porém esta derrota foi saudável porque contribuiu para o desaparecimento da velha Alemanha (...) Era preciso perder a guerra para ganhar a nação". Vencida pelos aliados, a Alemanha pôde volver-se para si mesma e transformar-se revolucionáriamente. A derrota devia ser aceita com fins de Transmutação, de maneira quase alquímica; a experiência do fronte devia ser "transmutada" em uma nova experiência vital para a nação. Tal era o fundamento do "nacionalismo dos soldados". É na guerra, diz Jünger, onde a juventude adquiriu "a segurança de que os antigos caminhos não levam a nenhuma parte, e que é preciso abrir outros novos". Colheita irreversível (Umbruch), a guerra aboliu os vetustos valores. Toda atitude reacionária, qualquer desejo de marcha para trás é impossível. A energia de ontem era utilizada em lutasp ontuais da pátria e pela pátria, porém no sucessivo servirá à pátria sob outra forma. A guerra, dito de outro modo, fornecerá o modelo de paz.

Em O Trabalhador, pode ler-se: "O fronte da guerra e o fronte do trabalho são idênticos". A idéia central é que a guerra, por superficial e pouco significativa que possa parecer, tem um sentido profundo. Não pode ser apreendida através de uma compreensão racional, senão que unicamente pode ser pressentida. A interpretação positiva que Jünger dá da guerra não está, contrariamente ao que costuma-se dizer, essencialmente ligada à exaltação dos "valores guerreiros". Procede da inquietude política de buscar como o sacrifício dos soldados mortos não deve nem pode ser considerado inútil.

A partir de 1926 Jünger faz vários chamamentos para a formação de um fronte unido de grupos e movimentos nacionais. Ao mesmo tempo, trata - sem muito êxito - de assinalar-lhes o cmainho de uma necessária autotransformação. Também o nacionalismo precisa ser "transmutado" alquimicamente. Deve desembaraçar-se de toda vinculação sentimental com a velha direita e converter-se em revolucionário, dando fé do declive do mundo burguês, fato que podemos observar tanto nos romances de Thomans Mann (Die Buddenbrooks) como nos de Alfred Kurbin (Die andere Seite).

Desde esta perspectiva, o essencial é a luta contra o liberalismo. Em Arminius e em Der Vormarsch Jünger ataca a ordem liberal simbolizada pelo literato, o intelectual humanista partidário de uma verdadeira sociedade "anêmica", o internacionalista cínico ao que Spengler aponta como verdadeiro responsável da revolução de novembro e propagador do tipo consistente em que os milhões de mortos da Grande Guerra pereceram por nada. Paralelamente estigmatiza a "tradição burguesa" que reclamam para si os nacionais e os aderentes ao Stahlhelm, esses "pequeno-burgueses" (Spiessbürger) que, favoráveis à guerra, escapuliram-se atrás da pele do leão". Ataca sem trégua o espírito guilhermino, o culto ao passado, o gosto dos pangermanistas pela "museologia" (musealer Betrieb). Em março de 1926 define pela primeira vez o termo "neonacionalismo", que opõe ao "nacionalismo dos antepassados" (Allväternationalismus). Defende a Alemanha, porém a nação é para ele muito mais que um território. É uma idéia: Alemanha é fundamentalmente aquele conceito capaz de inflamar os espíritos. Em abril de 1927, em Arminius, Jünger autodefine-se implícitamente nominalista: declara não crer em verdade geral alguma, em nenhuma moral universal, em nenhuma noção de "homem" como ser coletivo possuidor de uma consciência e direitos comuns. "Cremos, dirá, no valor do singular" (Wir Glauben an den Wert des Besonderen). Em uma época em que a direita tradicional aposta pelo individualismo frente ao coletivismo, ou os grupos völkisch refugiam-se na temática do retorno à terra e à mística da "natureza", Jünger exalta a técnica e condena o indivíduo. Nascida da racionalidade burguesa, explica em Arminius, a todo-poderosa técnica revolve-se contra quem engendrou-a. O mundo avança para a técnica e o indivíduo desaparece; o neonacionalismo deve ser a primeira tendência em extrair essas lições. É mais, será nas grandes cidades em que "a nação será ganha"; para os nacional-revolucionários, "a cidade é um fronte".

Ao redor de Jünger constitui-se o chamado "grupo de Berlim", em cujo seio encontraremos a representantes das diferentes correntes da Revolução Conservadora: Franz Schauwecker e Helmut Franke; o escritor Ernst von Salomon; o nietzscheano-anticristão Friedrich Hielscher, editor de Das Reich; os neoconservadores Augusto Winnig (o qual Jünger conhecerá no outono de 1927 por mediação do filósofo Alfred Baeumler) e Albrecht Erich Günther, coeditor - junto a Wilhelm Stapel - do Deutsches Volkstum; os nacional-bolcheviques Ernst Niekisch e Karl O. Paetel e, sem dúvida, a seu irmão e reconhecido teórico Freidrich Georg Jünger. Friedrich Georg, cujas posições terão uma grande influência na evolução de Ernst, nasceu em Hannover em 1 de setembro de 1898. Sua carreira correu paralela a de seu irmão. Voluntário na Grande Guerra, participa em 1916 nos combates do Somme, alcançando a função de comandante de companhia. Em 1917, gravemente ferido no fronte de Flandres, passa vários meses em distintos hospitais militares. De regresso a Hannover, concluída a guerra, e após um breve parêntese como tenente da Reichswehr, em 1920, inicia seus estudos de Direito, redatando sua tese doutoral em 1924. A partir de 1926 envia seus artigos regularmente às revistas nas quais colabora seu irmão: Die Standarte, Arminius, Der Vormarsch, etc, e publica na coleção "Der Aufmersch" dirigida por Ernst, um breve ensaio entitulado Aufmarsch des Nationalismus. Influenciado por Nietzsche, Sorel, Klages, Stefan George, e Rilke, a quem frequentemente cita em seus trabalhos, consagrar-se-á ao ensaio e à poesia. O primeiro estudo que sobre ele publica-se, enquadra-o no "estilo prussiano".

Em abril de 1928 Ernst Jünger confia a sucessão da direção da revista Der Vormarsch a seu amigo Friedrich Hielscher. Alguns meses mais tarde, em janeiro de 1930, converte-se junto a Werner Lass no diretor de Die Kommenden, semanário fundado cinco anos antes pelo escritor Wilhelm Kotzde - que exerceu uma grande influência sobre os movimentos juvenis de ideologia bündisch e de maneira muito especial sobre a tendência deste movimento que evoluirá para o nacional-bolchevismo, representado por Hans Ebeling, e acima de tudo, por Karl O. Paetel - colaborando ao mesmo tempo em Die Kommenden, em Die sozialistische Nation e nos Antifaschistische Briefe.

Trabalha também para a revista Widerstand, fundada e dirigida por Niekisch em meados de 1926. Ambos conehcer-se-ão no outono de 1927 estabelecendo-se uma sólida amizade. Jünger escreverá: "Se quer resumir o programa que Niekisch desenvolve em Widerstand em uma frase alternativa, esta poderia ser: contra o burguês e pelo Trabalhador, contra o mundo ocidental e pelo Leste". O nacional-bolchevismo, no que por outra parte confluem múltiplas e variadas tendências, caracteriza-se de fato por sua idéia da luta de classes a partir de uma definição comunitária, coletivista se quer-se, da idéia de nação. "A coletivização, afirma Niekisch, é a forma social que a vontade orgânica deve possuir se quer afirmar-se frente aos efeitos mortíferos da técnica". Segundo Niekisch, o movimento nacional e o movimento comunista tem, a final de contas, o mesmo adversário, como os combates contra a ocupação do Ruhr demonstraram e é a razãp ela qual as duas "nações proletárias", Alemanha e Rússia, devem buscar um entendimento. "O parlamentarismo democrático liberal foge de toda decisão, declara Niekisch. Não quer bater-se, mas sim discutir (...) O comunismo busca decisões (...) Em sua rudeza, há algo de fortaleza campesina; há nele mais dureza prussiana, ainda que não seja consciente disso, que em um burguês prussiano". Tais posições impregnam uma facção nada desprezível do movimento nacional-revolucionário. Jünger mesmo, como muito bem captou Louis Dupeux, chegou a estar "fascinado pela problemática do bolchevismo", ainda que não possamos considerá-lo um nacional-bolchevique em sentido estrito.

Werner Lass e Jünger apartam-se em julho de 1931 de Die Kommenden. O primeiro lança, a partir de setembro, a revista Der Umsturz, que fez as vezes de órgão da Freischar Schill e que, até seu desaparecimento, em fevereiro de 1933, declarar-se-á abertamente nacional-bolchevique. Jünger, não obstante, está em outra disposição espiritual. No transcurso de alguns anos, utilizará toda uma série de revistas como muros onde colar seus carteis - serão os ônibus "aos quais sobe-se e abandona-se por capricho" - seguindo uma linha evolutiva eminentemente política. As consignas formuladas por ele não obtiveram o eco esperado, seus chamamentos à unidade não foram atendidos. Jünger acabará por sentir-se um estranho em qualquer corrente política. Não há mais simpatia pelo nacional-socialismo em ascensão que pelas ligas nacionais tradicionais. Todos os movimentos nacionais, explica em um artigo publicado no Süddeutsche Monatshefte, quer sejam tradicionalistas, legitimistas, economicistas, reacionários, ou nacional-socialistas, extraem sua inspiração do passado e, desde esta perspectiva, são tão somente movimentos quais não cabe mais que qualqificar de "liberais" e "burgueses". Entre neoconservadores e nacional-bolcheviques, entre uns e outros, os grupos nacional-revolucionários não poderão impor-se. De fato, Jünger já não crê na possibilidade de ação coletiva alguma. Assim sublinhar-lhe-á mais tarde Niekisch em sua autobiografia, e Jünger, que pulsou suficientemente a atualidade, acaba por traçar-se uma via mais pessoal e interior. "Jünger, esse perfeito oficial prussiano que é capaz de submeter-se à disciplina mais dura, escreve Marcel Decombis, não poderá já integrar-se em coletivo algum". Seu irmão que, a partir de 1928, abandonou a carreira jurídica, evoluirá de igual forma que Ernst. Escreve sobre a poesia grega, o romance americano, Kant, Dostoiévski. Os dois irmãos empreendem uma série de viagens: Sicília (1929), as Baleares (1931), Dalmácia (1932), o Mar Egeu.

Ernst e Friedrich Georg Jünger continuam publicando alguns artigos, principalmente em Widerstand. Porém o período jornalístico de ambos acaba. Entre 1929 e 1932 Ernst Jünger concentra todos os seus esforços em novos livros. É o momento da primeira versão de Coração Aventureiro, o ensaio A Mobilização Total, e O Trabalhador, publicado em Hamburgo no ano de 1932, pela Hanseatische Verlangsanstalt de Benno Ziegler e que antes de 1945 chegará a conhecer várias reedições.

Resignei-me em ser Vítima

por Eva Perón

Certo dia, movida pela curiosidade provinda das minhas inclinações, debrucei-me sobre as colunas da imprensa que se intitulavam do povo.

Andava à cata de companhia... Não é, porventura, verdade que, cada vez que, correndo os olhos pelas páginas de um livro, estamos, a rigor, procurando antes uma companhia do que um roteiro a seguir ou um guia que nos oriente?

Quem sabe se não foi por isso que corri os olhos pela imprensa esquerdista do País? Porém, não encontrei, nem companhia, nem roteiro e nem qualquer guria que me orientasse.

É bem verdade que os jornais do povo esbravejavam contra o capital e contra os capitalistas com o linguajar rude e forte, desmascarando as iniqüidades do regime social, que oprimia o País. Porém, nos detalhes e ainda no fundo da prédica, percebi sem dificuldades a influência de idéias remotas separadas do autenticamente argentino: sistemas e fórmulas alheias aos nossos pontos de vista, concebidas pelas mentes de homens estranhos à nossa cultura e sentimentos nacionais. Notava-se logo que eles desejavam para o povo argentino, não aquilo que ele aspirava. A constatação pôs-me em alerta. Havia outra coisa que ainda repugnava meu espírito: a solução para a injustiça social era a mesma para todos os povos e países do mundo. Eu, porém, considerava inconcebível que, para destruir esse grande mal, fosse preciso aniquilar, concomitantemente algo tão elevado como a Pátria.

Nesta altura, quero deixar claro que até alguns anos passados, muitos sindicalistas argentinos, patrocinados por organizações estrangeiras, consideravam a Argentina e seus símbolos, como meros preconceitos do capitalismo e da religião.

Mais tarde, comecei a desconfiar daqueles veementes defensores do povo. Pela leitura daquela imprensa deduzi que, em minha Pátria, a iniqüidade social só poderia ser banida por uma Revolução, por ventura, internacional, do exterior e conduzida por seres alheios à nossa cultura. Não cabiam, para mim, senão soluções nacionais, resolvendo problemas visíveis, com soluções simples, ao contrário das rebuscadas teorias econômicas. Isto é, optar por soluções patrióticas, próprias para remir o próprio povo. Assim, perguntava-me: Para que aumentar ainda mais os sofrimentos das vítimas dessa injustiça, tirando-lhes os anseios de Pátria e de Fé, a que estão acostumadas? Por conseguinte, seria como tirar da paisagem o firmamento que a emoldura.

Em vez de atacar a Pátria e a Religião, por que tais dirigentes não tratam de uni-las a favor desse mesmo povo? Suspeitei de que aquela gente trabalhava mais para o enfraquecimento da moral da nação do que pelo bem-estar do operariado. Por isso, não gostei da solução.

Embora sabendo pouco da situação global, tinha a orientação do coração e do sentido comum. Pesarosa, voltei às minhas meditações anteriores, convencida de que não possuiria lugar naquela luta inglória. Resignei-me a viver em minha revolta íntima e que, agora, se somava àquela outra, gerada no meu coração, oriunda da deslealdade daqueles pretensos condutores do povo, cuja traição acabara de descobrir. Resignei-me em ser vítima.

02/09/2011

O Mito da “Crise Econômica”

por Joaquín Bochaca



Todos falam da crise econômica, uns por ignorância, outros por má fé e a maioria por inércia mental. E, contudo, se existe algo que apareça com nitidez mediana é o fato de ser impossível existir crise econômica alguma.

A crise é simplesmente financeira.

Porque, se a Economia é composta de três partes – Produção, Consumo e Distribuição –, a falha está, única e exclusivamente, na última parte, a menos “econômica” das três.

Em efeito, se as máquinas progridem a ritmo geométrico e a demografia ocidental permanece estacionária, quando não em retrocesso, é evidente que a Economia deveria melhorar quase que diariamente e os preços baixarem. Se uma Comunidade produz mais bens e serviços em uma unidade de tempo, sem aumentar sua população ou aumentando a um ritmo claramente inferior à produtividade, baixar-se-iam em espiral os preços pela simples dinâmica dos fatos.

Contudo, todos sabem que não é assim. Por quê? Por que as empresas quebram em milhares por todo o Ocidente, enquanto só progridem insultuosamente os Bancos e entidades de “serviços financeiros”? Como é possível que este fato claríssimo não chame a atenção e provoque a indignação dos demais? Mesmo sem aprofundar-se no problema, sem a necessidade de estudar brevemente a problemática e a operação da Finança, deve parecer claro, até mesmo para a inteligência mais medíocre que, se a produção alcança cotas inimagináveis, faz isso somente por alguns anos, enquanto as pessoas continuam desejando consumir, o atual defeito somente pode ser encontrado na distribuição; isto é, na Finança.

FINANÇA E PODER

Quando aludimos à enfermidade da Distribuição, causadora da atual crise “econômica”, nos referimos, insistimos, à Finança. Com isto, entramos no problema do dinheiro, este instrumento de troca de bens e serviços do qual quase nada se sabe.

Especialmente na Espanha, o desconhecimento acerca da natureza do dinheiro é quase incrível, inclusive entre altos cargos diretivos das empresas. A crença geral é que se trata de uns pedaçinhos de papel com os quais se “compram” coisas.

A realidade é que esses pedacinhos de papel ou metal representam no conjunto de um país ocidental, apenas 4% do que é o verdadeiro “dinheiro”. Em grandes potências industriais, como os EUA, não chegam sequer a 3%.

Na realidade, o que as pessoas chamam de “dinheiro”, não são mais do que uns “trocados”.

O restante é uma fenomenal sobre-estrutura de créditos, manejada por Bancos; ou melhor, pelo sistema bancário. Uma ficção que ameaça levar ao mundo à bancarrota, como já o fez durante a década de 30.

Em toda comunidade humana regida por princípios sérios e éticos, o objetivo da produção é o consumo e não a rentabilidade do capital.

A indústria, a agricultura e os serviços devem cobrir a demanda real – exclusivamente real e não a artificial, gerada por um excesso de publicidade –, e não assegurar benefícios inauditos ao atual sistema usureiro que impera.
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Joaquín Bochaca em "Texto para um programa político de alternativa ao sistema"

Fonte: ID Press

Da Guerra e Suas Definições

por Roberto Bardini

Desde que apareceram os primeiros homens sobre a face da Terra, precariamente armados com um pau ou uma pedra, o ser humano não deixou de combater. Ao longo de mais de três mil anos, a soma de períodos de paz que viveu o mundo civilizado não chega a 250 anos. No transcurso da história, os indivíduos tem peleado para conseguir víveres ou consolidar um local seguro onde viver.

Houve monarcas que invadiram países por uma mulher, glória ou vingança. Os chefes de Estado do século XX enviam milhares de homens para morrer na frente de batalha na busca por acrescentar poder, territórios e riquezas.

Para o enigmático Sun Tzu, autor de "A Arte da Guerra" 500 anos antes de Cristo, "fazer a guerra é em geral algo ruim em si; somente a necessidade deve fazer que empreenda-se". Por isso, aconselha: "Conservar a posição dos inimigos é o que deveis fazer em primeiro lugar, por ser o que existe de mais perfeito; destruí-las deve ser efeito da necessidade." O estrategista sustenta que se um príncipe ou general vêem-se obrigados a fazer a guerra, devem esforçar-se em vencê-la sem derramar sangue; quer dizer, sem travar batalha. Dessa forma provam sua habilidade.

Em 1799, Heinrich von Bülow - que com certeza havia lido a Sun Tzu - aponta em seu "Esprit du nouveau systéme militaire": "Quando crê-se na necessidade de travar uma batalha é que cometeram-se falhas".

O general austríaco Carl von Clausewitz (1780-1821), autor do célebre tratado "Da Guerra", é o único que pode comparar-se a Sun Tzu, ainda que suas recomendações militares sejam, no fundo, a contraparte: impiedosas.

Clausewitz ingressou no exército prussiano aos doze anos, foi instrutor na Academia Militar de Berlim, serviu no exército russo em 1812 e participou na Batalha de Waterloo. Desde 1818 até sua morte dirigiu a Escola de Guerra prussiana.

Na primeira parte de seu estudo, entitulada "Sobre a natureza da guerra", Clausewitz estabelece: "A guerra não é outra coisa que um duelo em uma escala mais ampla. (...) É, em consequência, um ato de violência para impor nossa vontade ao adversário. (...) A violência física (porque não existe violência moral fora dos conceitos de lei e Estado), é deste modo o meio; impor nossa vontade ao inimigo é o objetivo".

Meio século antes de que Clausewitz publicasse seu tratado, um jovem Marechal-de-Campo francês, Jacques-Antoine-Hippolyte de Guibert, divulgou um "Ensaio Geral de Tática". Guibert disse que a guerra é uma calamidade porém, não obstante, é eterna. "A arte de prejudicar-se foi a primeira coisa que inventaram os homens", afirma.

Para David Lloyd George (1863 - 1945), chefe do Partido Liberal inglês, ministro de Armamento na Primeira Guerra Mundial e primeiro ministro de 1916 a 1922, "a guerra é um ultraje perpetrado em nome da liberdade".

Soldados, Pastores y Camponeses

Houve na história os que exaltaram-se ante a possibilidade de entrar em combate. Louis Antoine de Saint Just (1767 - 1794), grande orador parlamentar, admirador de Robespierre e inspetor do exército francês em 1793, foi um dos responsáveis do Reino do Terror. Em 1794 ordena a um de seus comandantes atacar ao inimigo "com fúria e sem trégua". Para ele, "a guerra da liberdade deve fazer-se com cólera".

Em 1861, o anarquista Pierre Joseph Proudhon publica "A Guerra e a Paz", onde afirma que a guerra diferencia os homens dos animais. Sem ela, "a civilização seria um estábulo", diz. Proudhon inflama-se: "A guerra é nossa história, nossa vida, toda nossa alma; é a legislação, é a política, o Estado, a pátria, a hierarquia social, o direito das gentes, a poesia, a teologia; uma vez mais, é tudo".

O crítico de arte e literatura inglês John Ruskin (1819 - 1900), erudito e viajante incansável, vincula a história da guerra com a revolução artística. Em uma conferência ditada na Real Escola Militar de Woolwich, afirma que a arte floresce únicamente nos "povos de soldados". Os pastores e os camponeses não produzem arte porque vivem em paz, sustenta Ruskin. O mesmo sucede com o comércio e a indústria. Todas elas são atividades que abortam o germen da criação artística. PAra ele, a guerra está na origem da grande arte. Em tempos de paz, as artes declinam e terminam "murchando-se nas nações perfeitamente tranquilas".

Em "Solstício de Junho", Ruskin escreve: "Encontrei que todas as grandes nações aprendiam a verdade das palavras e a força dos pensamentos na guerra; que obtinham sua alimentação na guerra e que consumiam-na na paz; que a guerra instruía-as e que a paz enganava-as; que a guerra educava-as e que a paz traía-as; em uma palavra, que nascidas da guerra, perdiam-se na paz".

Winston Churchill (1874 - 1965), que foi soldado e correspondente do "Morning Post" na África do Sul durante a Guerra dos Bôeres, em janeiro de 1900 descreve às tropas que avançam para a frente como "um incessante transbordar de vida...e ante ela, como estrela condutora, o brilho vermelho da guerra".

O escritor Rudyard Kipling (1865 - 1936), nascido em Bombain, também foi cronista na África do Sul para o periódico militar "The Friend". Nessa época escreve seu "Canto dos Homens Brancos", no qual demanda "liberdade ou guerra".

Um filósofo estadounidense contemporâneo, J. Glenn Gray, chega ao extremo de enumerar os três "gozos" da guerra: o gozo da vista, o da camaradagem e o da destruição. Seu ensaio tem um título sugestivo: "The Enduring Appeals of Battle" ("Os atrativos permanentes da batalha").

Sorel, um apologista da violência

O contraditório Georges Sorel (1847 - 1922), relegado pelos teóricos "revolucionários" da guerra, quiçá seja um dos exemplos mais extremos e merece alguns parágrafos à parte.

Engenheiro de profissão e condecorado com a Ordem ao Mérito, jubilou-se aos 50 anos de idade. A partir de então interessou-se pelo marxismo e pelo sindicalismo e converte-se em prolífico escritor em diversas publicações revolucionárias.

Em suas "Reflexões sobre a Violência", publicadas em 1907, considera que a vida é uma batalha permanente e que a barbárie é um antídoto contra a decadência. E condena por igual aos "bufões imorais de uma aristocracia degenerada", aos "burgueses que aspiram a imitar a uma nobreza ociosa" e o "lamaçal democrático" que mistura no mesmo lodo partidos políticos e representantes parlamentares.

Segundo Sorel, o homem realiza-se única e plenamento através de suas obras, e não através do disfrute passivo, da paz e da segurança. A busca da felicidade ou lucro, a preocupação pelo poder, o nível social ou uma vida sem complicações, constituem uma traição desprezível.

Isaiah Berlin escreveu acerca deste teórico da violência em "The Times Literary Supplement", em dezembro de 1971: "Sorel segue sendo uma figura anômala. Todos os demais ideólogos e profetas do século XIX foram devidamente etiquetados e classificados. As doutrinas, influências e personalidades de Mill, Carlyle, Comte, Darwin, Dostoiévski, Wagner, Nietzsche e Marx foram devidamente colocadas em suas respectivas prateleiras do museu da história das idéias. Somente Sorel segue sem classificar, como foi em vida: reivindicado e repudiado pelas direitas tanto como pelas esquerdas".

Berlin diz que Sorel parecia carecer de postura fixa, e não exagera. Foi tradicionalista em 1889, marxista em 1884, crítico do marxismo em 1898, dreyfusista em 1899, inimigo dos dreyfusistas em 1909. "Em 1912 escrevia com admiração sobre o socialismo militante de Mussolini, e em 1919 com admiração ainda maior sobre Lênin, para terminar manifestando um apoio incondicional ao bolchevismo e, nos últimos anos de vida, uma admiração indissimulada pelo Duce".

Lênin classifica-o como "embaralhador notório". Benedetto Croce, por sua vez, pensa que o ex-engenheiro é, junto com Marx, o único pensador original que teve o socialismo.

Antonio Gramsci, que defende-o com todo rigor, escreve em 1919: "Georges Sorel permaneceu sendo o que havia sido Proudhon, quer dizer, um amigo desinteressado do proletariado. Por isso suas palavras não podem deixar indiferentes aos operários". Na juventude, George Lukács foi impactado por suas idéias. O escritor e dirigente político peruano José Carlos Mariátegui (1894 - 1930) define-o como "um dos escritores mais agudos da França pré-bélica".

Seus próprios seguidores de "direita" desculpam-lhe suas tendências de "esquerda" e consideram-o "ortodoxo e heterodoxo".

"Cavalheirismo, Aventura e Heroísmo": Spengler

"A história dos homens é a história das guerras", sentencia Oswald Spengler (1880 - 1936) em "Anos Decisivos". E assegura: "Todo aquele que obra está em perigo. A vida mesma é perigo". Nesse livro, publicado em 1933, também profetiza: "Entramos na era das guerras mundiais. A qual começa no século XIX e estender-se-á através de todo o atual e, provavelmente do seguinte. Significa o trânsito desde o mundo de Estados do século XVIII ao Imperium Mundi".

(O historiador alemão não só preveu o início da Segunda Guerra Mundial. Enquanto redato estas linhas, ainda não cessou o barulho das metralhadoras na desmembrada Iugoslávia e já explodiram mísseis estadounidenses no Afeganistão, enquanto um moderno caudilho texano do Imperium Mundi bombardeia o Iraque).

Em "Anos Decisivos", Spengler critica "as formas francamente plebéias" que revestem os novos conflitos bélicos internacionais: a nação como massa inarticulada, a guerra como mobilização de massas, a batalha como desperdício de vidas humanas, os tratados brutais de paz, a diplomacia dos ardis jurídicos sem boas maneiras.
"Até a Primeira Guerra Mundial, precisamente os famosos e antigos regimentos de cavalaria da Europa Ocidental apareciam mais que nenhuma outra arma aureolados de orgulho cavalheiresco, espírito aventureiro e heroísmo. Representavam a vocação militar autêntica e a vida militar genuína muito mais que a infantaria do serviço militar obrigatório", exalta-se o historiador, antes de lamentar-se: "Porém seu porvir é mais escuro. Vão sendo substituídos pelos aviões e pelas britadas de tanques".

O autor de "A Decadência do Ocidente", uma obra monumental e pouco divulgada que demandou-lhe dez anos de trabalho, zomba do "sentimentalismo estragado" do liberalismo, do comunismo e do pacifismo porque vêem a realidade desde baixo. "A escura consciência de sua debilidade pessoal", afirma, impulsiona-os a querer transformar uma sociedade que resulta-lhes "demasiado viril, demasiado sadia e demasiado sóbria". E chega ao insulto: "São afeminados e débeis: não podem dar origem a um grande romance ou a uma severa tragédia, e muito menos a uma filosofia robusta e completa".

Spengler assegura que os grandes homens da História foram vigorosos pessimistas. Todos eles desprezaram o pessimismo covarde das "almas mesquinhas e cansadas, que temem a vida e não suportam a visão da realidade". Esse tipo de vida "cheia de felicidade e de paz, sem perigo e amplamente cômoda, e entediante, senil e, ademais, somente imaginável, nunca possível".

Ardor sem Ódio: Jünger

Joseph Goebbels, Ministro de Propaganda na Alemanha Nacional-Socialsita, define a guerra como "a forma mais elemental de amor à vida". E não duvida em compará-la com as dores do parto: "Isso também é terrível, porém tudo o que vive é terrível". O próprio Karl Marx definiu a violência como "a parteira da história".

O escritor e filósofo Ernst Jünger foi voluntário da Legião Estrangeira, oficial na Primeira e Segunda Guerras Mundiais, e um dos combatentes mais feridos e condecorados. Em "Tempestades de Aço" narra sua experiência a frente de um comando durante o conflito de 1914 - 1918 e retoma o tema em ensaios posteriores como "O Trabalhador". A guerra - aponta - é "um jogo soberbo e sangrento que deleita aos Deuses".

Em "Da Guerra como Experiência Interior", Jünger escreve: "Ela não é somente nossa mãe, também é nossa filha. Se ela criou-nos, nós engendramo-a".

Neste livro controverso e difícil de conseguir, que possivelmente teria sido repudiado por seu autor logo após a Segunda Guerra Mundial, aparece uma inevitável reflexão: "O sentimentalismo deve esfumar-se, adaptar-se à horrível simplicidade desse objetivo: a aniquilação do adversário. É este um axioma que deve realizar-se durante todo o tempo que os homens façam a guerra, e haverá guerras enquanto existam os homens".

Não obstante, este homem genial foi o jovem autor de um manual de combate no qual recomendava "combater com ardor, porém sem ódio". O soldado que está do outro lado da linha de combate não é "uma encarnação do mal", senão um igual, separado por uma adversidade do momento.

"A Religião da Morte"

Em "A Ladeira da Guerra",  Roger Caillois indica: "A guerra é uma luta coletiva, preparada em comum e metódica". O ensaísta francês, Prêmio Internacional da Paz de 1963, sustenta que a medida que desenvolve-se a civilização, a guerra - longe de desaparecer - cresce em extensão e em intensidade. Abarca mais gente, mais coisas; torna-se mais mortífera.

Callois escreve: "Cada um dos adversários lança-se a ela até o limite de suas forças e trata por todos os meios de reduzir o outro a pedir graça, de maneira que não há matança que pareça excessiva ou bárbara: a guerra encontra-se constituída por uma sucessão de golpes impiedosos, dos quais exige-se únicamente que sejam eficazes".

O norteamericano Lewis Mumford, que distinguiu-se como historiador, filósofo e crítico, define a guerra como "a religião da morte", capaz de cumprir os desejos secretos "dos paranóicos e sádicos que produz necessariamente uma sociedade em desintegração".

Mumford chama a atenção acerca de que um exército é um corpo de consumidores puros. Ou pior ainda: de produtores negativos. Há que hospedá-lo, alimentá-lo, vesti-lo e equipá-lo. E, por sua vez, não presta nenhum serviço. "O trem da vida mais caprihcoso e mais luxuoso não pode rivalizar com um campo de batalha em relação ao consumo rápido", aponta.

Caillois, por sua vez, dá um exemplo: "O projétil, desde este ponto de vista, tem um duplo propósito: foi criado para aser destruído ele mesmo, e por conseguinte para ser substituído, e para destruir um objetivo, o qual também há que substituir".

"Nem a revolução nem a guerra são para o próprio deleite", escreve André Malraux, participante da Guerra Civil Espanhola, da Revolução Chinesa e da Segunda Guerra Mundial.
Jean Larteguy, correspondente na Indochina, Argélia, África e Oriente Médio, e autor de uma dezena de livros, entre os quais destacam-se "Os Centuriões", "Os Pretorianos" e "Os Mercenários", afirma em "A Guerra Desnuda": "Levo fixos em meu nariz esses odores de final de civilização, uma mistura de madeira velha queimada, de carniça, de coito e de merda que são agora para mim os odores da guerra".

31/08/2011

Esse Inquebrável Núcleo Noturno: ou, do Erotismo

Por Alain de Benoist


Não existe nenhuma definição verdadeiramente satisfatória do erotismo, essa qualidade propriamente humana que leva ao desejo sexual pela via da mútua invenção. O erotismo não é o contrário do pudor, o qual possui sentido somente na medida em que promove o desejo. Tampouco é o contrário da pornografia, que é sugestiva (sua grande vantagem) quando, mostrando absolutamente tudo revela, por isso mesmo, que não havia nada de essencial ali para se ver. D.H, Lawrance, por certo, já havia dito tudo quando denunciava a hipocrisia de uma sociedade que condena a pornografia ao mesmo tempo em que se mantém cega ante sua própria obscenidade. Qualquer discurso publicitário, qualquer discurso pertencente à lógica do mercado é, hoje, sem dúvidas, infinitamente mais obsceno do que uma vagina aberta e exposta em primeiro plano fotográfico.

Durante séculos, o erotismo foi denunciado como sendo o contrário dos “bons costumes” porque, ao excitar as paixões sensuais, contradizia a uma moral baseada na desvalorização da carne. Contrariamente a outras religiões, o cristianismo sempre foi incapaz de elaborar uma teoria do erotismo: não por haver ignorado ao sexo, mas, ao contrário, por tê-lo convertido em uma obsessão negativa. Passado o tempo dos mártires, a abstinência converteu-se em marca da vida devora e a sexualidade no campo privilegiado do pecado. A atividade sexual, considerada como um mal menor, somente foi admitida no campo da conjugalidade. A igreja condenava uma sexualidade desvinculada de finalidade procriadora, ao mesmo tempo em que cultivava o ideal virginal de uma procriação sem sexualidade. Por este motivo, sem duvidas, o discurso sobre o sexo se manteve circunscrito durante tanto tempo no âmbito literário, médico ou simplesmente vulgar, embora seja revelador que, em todos os tempos, o nu serviu como base para o ensino das belas artes, ao ser considerado como a mais idônea exemplificação da categoria de belo.

A modernidade nascente empreendeu seguidamente um vasto trabalho de dessimbolização cuja vítima foi o erotismo. Ao basear-se na idéia do ser humano como individuo auto-suficiente, era impossível pensar em uma diferença sexual que, por definição, implica no incompleto e no complementário. O caráter pejorativo atribuído às paixões e às emoções – supostas geradoras de “preconceitos” – correu casais, por outro lado, com o auge da força do individuo a favor do racionalismo cientificista. Viu-se então desvalorizada a inteligência sensível – do corpo –, seja como portadora de pulsões “arcaicas” ou, como proveniente de uma “natureza” da qual o homem, por fazer-se propriamente humano, estava chamado a emancipar-se. A modernidade, por último, converteu sistematicamente o interesse em necessidade e a necessidade em desejo. Sem ver que o desejo não se reduz precisamente ao interesse.

Autor de uma bela Antologia histórica das leituras eróticas, Jean-Jacques Pauvert considera que, “no ano 2000, apesar das aparências, o erotismo quase já desapareceu, se é que não desapareceu completamente”. Pode parecer surpreendente esta declaração de um especialista. Na realidade, não faz senão constatar que o erotismo, ontem amarrado por uma censura que o condenava à clandestinidade e à proibição, encontra-se, hoje em dia, ameaçado exatamente pelo contrário. Assim como a onipresença da imagem impede a vista, de forma que a grande cidade constitui, na realidade, um deserto; assim também, o sexo ensurdecedor converte-se em inaudível. A onipresença das representações sexuais priva a sexualidade de toda sua carga. Contrariamente ao que imaginam os reacionários pornofóbicos, herdeiros da nova ordem moral reagana-papista, a pornografia mata o erotismo por excesso, em lugar de ameaçá-la por sua falta. Trata-se também de um efeito da modernidade. O processo moderno de individualização conduziu, em primeiro lugar, de fato, à constituição da intimidade e, logo, em nome de um ideal de transparência, à transformação dialética da intimidade em exibição. Este passo da intimidade ao exibicionismo (tomado como “testemunho” e, por tanto, como critério de verdade) fica perfeitamente ilustrado pela emissão Loft Store, concentrada especular (e crepuscular) da sociedade atual, que é somente caricaturesca para melhor ilustrar seus traços distintos: mísero voyeurismo e estupidez consentida; espaço fechado, programado pela lei do dinheiro; exclusão interativa sobre a base de uma insignificância absoluta. Não é de se surpreender que as massas estejam fascinadas por este espelho que lhes tende: vêm em pequeno o que, cada dia, vivem no grande.

O sexo é hoje incitado a ser como o diapasão do espírito dos tempos: humanitário, higienista e técnico. A normalização sexual encontra novas formas que já não tentam reprimir o sexo, mas converter-lo em uma mercadoria como as demais. A sedução, muito complicada, converte-se em uma perda de tempo. O consumo sexual tem de ser prático e imediato. Objeto maquinal, corpo-máquina, mecânica sexual: a sexualidade já não é mais um assunto de receitas ao serviço de uma pulsão escópica da quantidade. No mundo da comunicação, o sexo tem deixar de ser o que sempre foi: um esboço de comunicação tão mais deleitoso conforme se localiza sobre um fundo de incomunicabilidade. Em um mundo alérgico às diferenças, que desde muitos pontos de vista reconstruiu social e culturalmente a relação entre os sexos desde o horizonte de um dimorfismo sexual atenuado, e que teima em ver nas mulheres “homens como os demais” quando, na realidade, elas são o outro do homem; pretende-se que o sexo deixe de “alienar” quando, na realidade, é um jogo de alienações voluntárias. O erotismo é morto pelo desejo politicamente correto de suprimir a correlação de forças que se estabelece ora a favor de um sexo e ora a favor de outro, em uma mutua conversão. O mata porque nenhuma relação amorosa pode ser implantada em plena igualdade, mas tão somente em um conflito, em uma instável desigualdade que permita dar a volta em todas as situações. O sexo não é, senão, descriminação e paixão, atração ou repudio igualmente excessivos, igualmente arbitrários, igualmente injustos. Em tal sentido, não é exagerado dizer que o verdadeiro erotismo – selvagem ou refinado, bárbaro ou lúdico – segue sendo, mais do que nunca, um tabu.

A vontade de suprimir a transgressão mata, por sua vez, ao erotismo. Porque há muitas normas em matéria sexual, assim como as há em tudo. O erro consiste em crer que são normas morais. O outro erro é o de imaginar-se que qualquer comportamento pode erigir-se em norma, ou que a existência de uma deslegitima, por sua mera existência, tudo o que está fora das normas. O erotismo implica na transgressão, com a condição de que tal transgressão, contudo, seja possível sem deixar de ser transgressão; isto é, sem ser instituída como norma.

Entre os “jovens dos subúrbios” (para os quais as mulheres não são mais do que uns buracos rodeados de carne), as idiotas profissionais de formas siliconadas e as revistas femininas convertidas em manuais de sexologia pubo-pélvica, o erotismo se apresenta hermeticamente bloqueado em toda a parte. Os jovens, em particular, têm de fazer frente a uma sociedade que é, por sua vez, muito mais permissiva e muito menos tolerante que no passado. Assim como a dominação conduz à desapropriação, a também pretensa libertação sexual conduziu somente, no fim, a novas formas de alienação. Mas o sexo, por ser algo que pertence, antes de tudo, ao reino do incerto e do turvo, sempre se esgueira ante a transparência. O exibicionismo é algo ainda mais opaco do que a censura, pois a este desejo de transparência responde sempre com a metáfora. Quando se tenta iluminá-lo com projetores, o mundo do sexo opõe-se afortunadamente a tal iluminação, fato que André Breton denominava seu “inquebrantável núcleo noturno”.
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[Revista Eléments nº 102, setembro de 2001, Robert de Herte (pseudônimo de Alain de Benoist)]

Assim não é, porém parece

por Adriano Scianca



Em um bom artigo de uns anos atrás, Charles Champetier identificava o novo rosto do inimigo em um triplo sistema de domínio composto por técnica, mercado e espetáculo. As figuras tradicionais do enfrentamento político, explicava Champetier, ficaram já obsoletas; ao dia de hoje o poder exerce-se mediante mecanismos impessoais que não executam-se em momentos e lugares simbólicos, senão em todo instante e em todas as partes.



Mais que por uma estrutura de poder, o sistema está hoje constituído por uma dimensão existencial, na qual todos estamos imersos. Assim é, porque a nova forma do domínio não prevê uma imposição externa, senão mais exatamente uma absorção em seu interior. Nós vivemos na técnica, no mercado, no espetáculo.



Todo aspecto de nossas existências que não possa-se redirigir a tal esquema é "normalizado" ou suprimido: o que não é eficaz é superado, o que não é rentável é absurdo, o que não é visível é inexistente. O resultado é o mundo sem sentido: a economia produz por produzir, a técnica progride por progredir, o espetáculo mostra por mostrar. O que em seu momento era um meio submetido a oturos fins, agora é fim em si mesmo. Volta à nossa mente a frase de Nietzsche sobre o niilismo como ausência de resposta ao porquê. Pois bem, a profecia cumpriu-se. Vivemos em um mundo que, como diria Alain de Benoist, não sabe para onde ir, porém não deixa de afirmar que somente há um modo para dirigir-se.



Espetáculo e Realidade



O espetáculo está formado por aspectos individuais do mercado e da técnica que constituem um conjunto autônomo que engloba o âmbito da informação e das representações coletivas. Observaram-no já Adorno e Horkheimer em tempos insuspeitos: "os filmes, a rádio e os semanários constituem, em seu conjunto, um sistema. Todo setor é harmonizado em seu interior e todos são entre si". E tudo isso apesar do tão ostentado pluralismo: "as distinções enfáticamente afirmadas" entre os diferentes produtos culturais, continuavam os dois filósofos judeus, "mais que estar fundadas sobre a realidade e derivar desta, servem para classificar e organizar aos consumidores, e para tê-los em um punho mais sólidamente. Para todo o mundo está previsto algo para que ninguém possa escapar; as diferenças são inculcadas e difundidas artificialmente".



O que vemos muda continuamente, porém segue sendo constante o domínio da visão da imagem espetacularizada. Em nossa sociedade, de fato, a visão substituiu tanto a ação como a reflexão. Não crê-se mais do que naquilo que vê-se. O que é visto suplanta o que é vivido. O espetáculo, diz Guy Debord, não é outra coisa que "o empobrecimento, a submissão e a negação da vida real". A visão espetacularizada converte-se na única possibilidade de existência dos entes.



Daí deduz-se que a sociedade do espetáculo não é somente o reino da mentira (ainda que mentiras puras e simples há aos montes), senão mais exatamente a autêntica dimensão da não-verdade absoluta, a dimensão em que é impossível ter uma experiência da verdade, o mundo em que existe somente o que situa-se sob a luz dos refletores, enquanto que o que demora-se em sua existência autêntica é como se ficasse em uma escuridão originária. Como moscas diante de um cristal, damo-nos cabeçadas para alcançar uma realidade que não captamos sem entender quem e o quê interpõe-se entre nós e ela.



Deste modo, não obstante, nossa capacidade de compreensão e de comunicação fica irremediavelmente comprometida. A sociedade do espetáculo entra em nós e transforma-nos desde o interior. Em particular, nossa personalidade é desarticulada em três níveis distintos: nível informativo, nível social e nível psíquico.



Ver e Não Entender



O nível informativo é aquele no qual o espetáculo atua deformando nossa percepção do mundo. "Tudo o que sabes é falso", escreveu recentemente alguém, e resulta difícil discordar.



Hoje nós já não estamos em condições de compreender o que sucede ao nosso redor sem recorrer às respostas pré-fabricadas ou a paradigmas simplestas que são-nos administrados deliberadamente. O esquema moral dos "bons" e dos "maus" já foi inserido à força entre nossas estruturas mentais implícitas, e nossa "liberdade de pensamento" consiste simplesmente em assignar a cada figurante a posição à qual está destinado a pertencer. As peças do quebra-cabeças é-nos dada pela televisão e o encaixe é necessariamente o estabelecido, porém a final de contas, quando juntamos as peças ninguém põe-nos uma pistola na nuca: para a maioria isso basta-lhe para autoproclamar-se "livre". A multiplicação dos canais informativos acabou por coincidir com a total ausência de informação real.



Um símbolo eloquente a respeito é o ataque às torres gêmeas, ao mesmo tempo o acontecimento e o anti-acontecimento por excelência. O 11 de Setembro é o momento da transparência absoluta, da informação global realizada, o espetáculo que reúne ao mesmo tempo toda a humanidade diante do aparelho de televisão para assistir em tempo real ao mesmo acontecimento registrado por milhares de câmeras. Porém ao mesmo tempo, estamos diante de um anti-acontecimento, diante da mistificação mais absoluta da realidade, da ficção completa. É certo, todos nós vimos. E não obstante, ignoramos todos os seus aspectos. Sabemos com absoluta certeza que algo aconteceu, porém este algo estã tão próxima da essência mesma do mecanismo espetacular que é um concentrado de falsidade em estado puro. Não há nenhuma imagem que tenhamos visto tantas vezes como a dos aviões chocando-se; porém ao mesmo tempo, não há nenhum fato histórico do qual saibamos menos. Ver e não entender é já nosso destino. A compreensão ou a análise resultam-nos inacessíveis; fica-nos somente o estupor e a indiferença, o medo e a diversão, a histeria e a apatia, administrados em doses alternadas, segundo as exigências do sistema.



Desestruturação do Social



O nível social é aquele no qual a personalidade dos indivíduos e seu vínculo com os outros são desestruturados e remodelados com base em uma lógica mercantil. "O espetáculo não é um conjunto de imagens senão uma relação social entre indivíduos, intermediada pelas imagens", observava já Debord.



Não vivemos mais que relacionando-nos com os outros, porém hoje não existe vínculo social que não esteja submerso no espetáculo. Aqui, mais que os telejornais, o que vale são as séries de ficção, os reality shows e o "star system" em geral. Ao propôr determinados modelos, a sociedade do espetáculo penetra nas relações interindividuais e reproduz-se. A competição darwinista, o moralismo hipócrita, o individualismo decadente, o etnomasoquismo, a vaidade narcisista, a pequena mesquinhez, o conformismo mais vazio, a superficialidade mais desconcertante e a ignorância mais abismal elevados a norma: é em tudo isso que estamos imersos quotidianamente graças ao bombardeio midiático. Predomina a banalidade como linguagem, o que significa não tanto que diz-se coisas banais como que não é-se capaz de comunicar mais do que através da banalidade. Quer dizer: fala-se e não diz-se nada.



É a culminação da alienação: "a consciência espetacular, prisioneira em um universo degradado, reduzido pela tela do espetáculo por trás da qual foi deportada sua própria vida, não conhece mais que os interlocutores fictícios que falam-lhe unilateralmente de sua mercadoria e da política de sua mercadoria".



A Grande Família



Tal mecanismo alienante, para fazer-se sedutor, não pode mais que travestir-se de fingida autenticidade. A tendência ao "realismo" da televisão atual na realidade trata de criar uma espécie de "familiaridade" com a ficção da tela, tentando apaixonar o público com pequenos casos insignificantes com os que possa identificar-se. "Dizem que com uma segunda tela mural tens à Família ao teu redor constantemente" diz Julie Christie em Fahrenheit 451 de Truffaut.



É assim precisamente: a "Grande Família" envolve-te e engloba-te. Descobres-te chamando pelo nome uns desconhecidos que viu na tela como se fossem teus amigos íntimos. Sente-os próximos, parecem-se a ti. Porém em realidade és tu o que estás começando a ser como eles. Estes shows, de fato, não representam a realidade. Constroem-na. Não são descritivos senão normativos. Não mostram o que é senão o que deve ser. O mesmo pode-se dizer do culto dos famosos e dos aspectos mais privados de suas existências: o indivíduo "normal" vê-se empurrado às fofocas sobre a vida sentimental dos milionários ignorantes e viciados divinizados pelos meios e fantasia dessa maneira sobre uma vida que nunca poderá ter porém que servir-lhe-á como modelo para orientar a sua. Vivemos em um mundo de famosos truncados, que ao sonhar somente com o estilo de vida dos tediosos astros de aparência que estão podres de dinheiro, mostram que já interiorizaram um certo desprezo por si mesmos, por suas próprias origens sociais e culturais.



Graças à sociedade do espetáculo começamos a odiar a parte de nós que segue sendo autêntica, verdadeira, enraizada, a parte que se não fosse desintegrada impedir-nos-ia de ter acesso ao Olimpo midiático, tal e como prevê o classismo pós-moderno que separa quem aparece de quem não aparece.



A Devastação dos Cérebros



O nível psíquico, ademais, é o da autêntica desarticulação da personalidade a um nível inclusive fisiológico. Somente há que pensar na ação desestruturante que pode exercer no cérebro.



Como sabe-se, o cérebro funciona graças à sinergia do hemisfério esquerdo e do hemisfério direito. Os dois hemisférios elaboram as informações de modos distintos destinados depois a entrelaçar-se harmonicamente: o hemisfério esquerdo raciocina de um modo que poderíamos definir analítico, linear, consequente, científico, digital, o direito, de modo intuitivo, simbólico, imaginativo, sintético, analógico.



Agora, revelou-se como o uso das novas tecnologias midiáticas está em condições de criar estruturas mentais prioritárias, favorecendo determinadas faculdades (as "digitais") em detrimento das centrais para o pensamento simbólico e relacional. Outros identificaram em tal separação a origem da barbarização de nossa sociedade e da extensão da violência niilista como fim em si mesma.



Aqui não falamos de atitudes ou de mentalidades, senão de organização cognitiva e inclusive neuronal. Somente há que pensar que a televisão modificou já o modo em que usamos nossos olhos e está contribuindo inclusive para desequilibrar nossoas valores hormonais.



E isso não é tudo: a autorizada revista especialista Pediatrics, por exemplo, levou a cabo estudos que demonstraram como nos Estados Unidos o cérebro das crianças forma-se de acordo com os tempos televisivos - nos quais tudo sucede rápidamente, como relâmpagos breves e repentinos - tanto que já não logram concentrar-se quando não recebem o mesmo tipo de estímulo veloz. Um número cada vez maior de crianças já não é capaz de concentrar-se nunca, nem sequer durante algum minuto. Estamos dando vida ao zumbi global, único cidadão possível do mundo pós-humano que estamos preparando.



A Rebelião Espetacular



Assim as coisas, como enfrentar-se à tirania do espetáculo? O caminho empreendido pela maioria é o do extremismo. O extremismo é a excessividade efêmera do gesto, a disposição a conferir aos próprios discursos uma visibilidade que supere durante um momento em intensidade a monotonia do já-visto, sem sair, não obstante, do paradigma da visão espetacularizada. Este encontra-se, como pode-se intuir, totalmente dentro da sociedade do espetáculo.



A nível macro-histórico e macropolítico, o extremismo converte-se em terrorismo: a final de contas, o mito do "choque de civilizações" (Ocidente vs. Terrorismo Islâmico) não é mais que a versão global e atualizada do mito dos "extremismos opostos" (anticomunismo reacionário vs. antifascismo reacionário). Muda a intensidade (e o caráter trágico) porém não os resultados. O potencial revolucionário do extremismo é, de fato, igual a zero.



É mais: jogando um papel no interior da sociedade do espetáculo, o extremista e o terrorista não somente não põem em questão nada, senão que convertem-se inclusive em elementos funcionais do sistema que de palavra queriam combater, adotam o semblante de figurantes em uma representação maior que eles. E muitas vezes nem ao menos são necessários os elencos dirigidos por outros: estes encontram por si mesmos seu próprio lugar na comédia, espontâneamente assumem a parte que foi-lhes assignada.



O Pensamento Radical



Fora da comédia, e, ao contrário, disposto a incendiar todo o teatro, encontra-se, por sua vez, quem saiba assumir posições radicais.



O radicalismo é a antítese do extremismo. O primeiro é silencioso, vivido, de longo alcance, operativo; o segundo é ruidoso, encenado, míope, inútil. Não centrado nos gestos senão nas ações, o radicalismo é, etimilógicamente, a capacidade de ir à raiz. À raiz de si mesmo acima de tudo: o pensamento radical está sempre enraizado. Ou melhor, deve está-lo: quem aventura-se no reino do nada deve ter uma identidade forte para não assumir ele mesmo as aparências do inimigo. Porém o pensamento radical significa também ir à raiz dos problemas, compreender os acontecimentos em profundidade, sabendo colocá-los em perspectiva.



Escola de autenticidade e de realismo, o pensamento radical é hoje a única via transitável que com razão pode-se definir revolucionária. Assim é, porque a primeira obrigação de toda vontade revolucionária é o de descer concretamente à realidade, mais além da histeria e da utopia, as duas únicas alternativas que a sociedade do espetáculo oferece-nos. Portanto, atuar para voltar ao real. Gerar novas consciências. Redespertar consciências adormecidas. Sair da capa sufocante da novidade para voltar, finalmente, a ver as estrelas.



O mundo no qual vives não existe.



Tudo o que sabes é falso.



Abra os olhos.



Agora.

30/08/2011

Dando nomes aos nomes: Seu verdadeiro governo

por Tony Cartalucci

Esse é seu verdadeiro governo; eles transcendem administrações eleitas, eles permeiam cada partido político, e eles são responsáveis por praticamente cada aspecto do modo de vida do americano ou europeu médio. Quando a "esquerda" está carregando a tocha de duas guerras "neoconservadoras", começando mais uma baseada nas mesmas mentiras, propagandeada pela mesma mídia que falou das armas de destruição em massa iraquianas, o mundo não tem escolha, além de uma profunda dissonância cognitiva, a não ser perceber que há algo errado.

O que há de errado é um sistema completamente controlado por uma oligarquia corporativo-financeira com impérios financeiros, midiáticos e industriais que abarcam o globo. Se nós não mudarmos o fato de que estamos impotentemente dependentes dessas corporações que regulam cada aspecto de nossa nação politicamente, e cada aspecto de nossas vidas pessoalmente, nada mais mudará.

A lista seguinte, ainda que extensa, de longo não é completa. Porém após esses exemplos, um padrão deve ficar autoevidente com os mesmos nomes e corporações sendo listados de novo e de novo. Deve ser autoevidente para os leitores o quão perigosamente pervasivas essas corporações tornaram-se em nossas vidas diárias. Finalmente, deve ser autoevidente o quão necessário é expurgá-las de nossas vidas, nossas comunidades, e finalmente nossas nações, com o máximo de celeridade.

International Crisis Group

Background: Enquanto o International Crisis Group (ICG) afirma estar "comprometido com a prevenção e resolução de conflitos fatais", a realidade é que eles estão comprometidos com a oferta de soluções muito bem construídas por antecipação para problemas que eles mesmos criaram de modo a perpetuar a própria agenda corporativa.

Em nenhum outro lugar isso poderia ser melhor ilustrado do que na Tailândia e mais recentemente no Egito. O membro da ICG Kenneth Adelman tem apoiado o ex-primeiro ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, um ex-conselheiro do Grupo Carlyle que estava literalmente em pé diante do Council of Foreign Relations em Nova Iorque quando de sua derrubada do poder em 2006 por um golpe militar. Desde 2006, as intervenções de Thaksin na Tailândia tem sido escoradas por outro membro do Carlyle James Baker e seu escritório de advocacia Baker Botts, pelo conselheiro da Belfer Center Robert Blackwill da Barbour Griffith & Rogers, e agora o escritório de advocacia Amsterdam & Peroff, um importante membro corporativo da Chatham House globalista.

Com a Tailândia agora envolta em caos político liderado por Thaksin Shinawatra e a revolução colorida de seus "camisas vermelhas", a ICG está pronta com "soluções" nas mãos. Essas soluções geralmente envolvam amarrar as mãos do governo tailandês com argumentos de que deter as atividades subversivas de Thaksin equivale a abusos contra os direitos humanos, na esperança de permitir que a revolução financiada pelos globalistas cresça para além de qualquer controle.

Os tumultos no Egito, obviamente, foram comandados completamente pelo membro da ICG Mohamed ElBaradei e seu Movimento da Juventude de 6 de Abril recrutado, financiado e apoiado pelo Departamento Americano de Estado e coordenado por Wael Ghonim da Google. Enquanto os tumultos foram retratados como sendo espontâneos, incitados pelos tumultos tunisianos anteriores, ElBaradei, Ghonim e seu movimento de juventude estavam no Egito desde 2010 reunindo sua "Frente Nacional pela Mudança" e dispondo os fundamentos para o levante de 25 de janeiro de 2011.
George Soros da ICG, então, financiaria ONGs egípcias trabalhando para reescrever a constituição egípcias após ElBaradei ter sido bem-sucedido em remover Hosni Mubarak. Essa constituição financiada por Soros e o governo servil de fachada resultante que ela criaria representa a ICG "resolvendo" a crise que seu próprio ElBaradei ajudou a criar.

Notáveis membros do Conselho da ICG:

George Soros
Kenneth Adelman
Samuel Berger
Wesley Clark
Mohamed ElBaradei
Carla Hills

Notáveis conselheiros da ICG:

Richard Armitage
Zbigniew Brzezinski
Stanley Fischer
Shimon Peres
Surin Pitsuwan
Fidel V. Ramos

Notáveis Apoiadores Financeiros e Corporativos da ICG:

Carnegie Corporation of New York
Hunt Alternatives Fund
Open Society Institute
Rockfeller Brothers Fund
Morgan Stanley
Deutsche Bank Group
Soros Fund Management LLC
McKinsey & Company
Chevron
Shell


Brookings Institute

Background: Dentro da biblioteca do Instituto Brookings você encontrará plantas para praticamente cada conflito no qual o Ocidente esteve envolvido dentro da memória recente. Mais do que isso é que enquanto o público parece pensar que essas crises brotam como incêndios naturais, aquelesq ue seguem os estudos e publicações corporativas financiadas por Brookings veem essas crises vindo com anos de antecedência. Esses são conflitos premeditados e meticulosamente planejados que são acionados para conduzir a soluções premeditadas e meticulosamente planejadas para fazerem prosperar os apoiadores corporativos da Brookings, que são numerosos.
As atuais operações contra o Irã, incluindo as revoluções coloridas apoiadas pelos EUA, terroristas treinados e financiados pelos EUA dentro do Irã, e sanções danosas estão todas dispostas em detalhes excruciantes no relatório do Instituto Brookings "Que Caminho para a Pérsia?". A mais recente resolução 173 do Conselho de Segurança da ONU referente a Líbia misteriosamente assemelha-se ao relatório Brookings de 9 de Março de 2011 escrito por Kenneth Pollack, e entitulado "As Reais Operações Militares na Líbia".

Membros notáveis do Conselho da Brookings:

Dominic Barton - McKinsey & Company, Inc
Alan R. Ratkin - Eton Park Capital Management
Richard C. Blum - Blum Capital Partners, LP
Abby Joseph Cohen - Goldman Sachs & Co.
Suzanne Nora Johnson: Goldman Sachs Group, Inc
Richard A. Kimball Jr. - Goldman Sachs & Co.
Tracy R. Wolstencroft - Goldman Sachs & Co.
Paul Desmarais Jr. - Power Corporation of Canada
Kenneth M. Duberstein - The Duberstein Group, Inc.
Benjamin R. Jacobs - The JBG Companies
Nemir Kirdar - Investcorp
Klaus Kleinfeld - Alcoa, Inc
Philip H. Knight - Nike, Inc.
David M. Rubenstein - Co-Fundador do Grupo Carlyle
Sheryl K. Sandberg - Facebook
Larry D. Thompson - PepsiCo, Inc.
Michael L. Tipsord - State Farm Insurance Companies
Andrew H. Tisch - Loews Corporation

Alguns Especialistas do Instituto Brookings:

Kenneth Pollack
Daniel L. Byman
Martin Indyk
Suzanne Maloney
Michael E. O'Hanlon
Bruce Riedel
Shadi Hamid

Notáveis apoiadores Financeiros e Corporativos da Brookings

Fundações & Governos:

Ford Foundation
Bill & Melinda Gates Foundation
The Rockefeller Foundation
Governo dos Emirados Árabes Unidos
Carnegie Corporation de Nova Iorque
Rockefeller Brothers Fund

Bancos & Finanças

Bank of America
Citigroup, Inc.
Goldman Sachs
H&R Block
Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Jacob Rothschild
Nathaniel Rothschild
Standard Chartered Bank
Temasek Holdings Limited
Visa Inc.

Petróleo:

Exxon Mobil Corporation
Chevron
Shell Oil Company

Complexo Militar Industrial & Indústrias:

Daimler
General Dynamics Corporation
Lockheed Martin Corporation
Northrop Grumman Corporation
Siemens Corporation
The Boeing Company
General Electric Company
Westinghouse Electric Corporation
Raytheon Co.
Hitachi, Ltd.
Toyota

Telecomunicações & Tecnologia:

AT&T
Google Corporation
Hewlett-Packard
Microsoft Corporation
Panasonic Corporation
Verizon Communications
Xerox Corporation
Skype

Mídia & Administração de Percepção:

McKinsey & Company, Inc.
News Corporation (Fox News)

Bens de Consumo & Indústria Farmacêutica

GlaxoSmithKline
Target
PepsiCo, Inc.
The Coca-Cola Company


Council on Foreign Relations

Background e Membros Notáveis: Uma melhor pergunta seria, quem não está no Conselho de Relações Estrangeiras? Praticamente cada político carreirista, seus conselheiros, e aqueles povoando os conselhos das 500 empresas mais ricas do mundo são membros do CFR. Muitos dos livros, artigos de revistas, e colunas de jornal que lemos são escritas por membros do CFR, junto com relatórios, similares ao do Instituto Brookings que ditam, verbatim, a legislação que acaba aparecendo diante dos legisladores ocidentais.

Um bom exemplo das alas mais ativas da CFR pode ser melhor ilustrada na farsa do ano passado da "Mesquita do Marco Zero", onde membros da CFR tanto da direita política americana como da esquerda fingiram um acalorado debate sobre a chamada Cordoba House da cidade de Nova Iorque próxima aos três prédios destruídos do World Trade Center. Na realidade, a Cordoba House foi estabelecida por outro membro da CFR Feisal Abdul Rauf, que por sua vez foi financiado por braços financeiros da CFR incluindo a Carnegie Corporation of New York, pelo chefe da Comissão do 11 de Setembro Thomans Kean, e por várias fundações Rockefeller.

Notável apoio corporativo do CFR

Banco & Finanças

Bank of America Merrill Lynch
Goldman Sachs Group, Inc.
JP Morgan Chase & Co
American Express
Barclays Capital
Citigroup, Inc.
Morgan Stanley
Blackstone Group L.P.
Deutsche Bank AG
New York Life International, Inc.
Prudential Financial
Standard & Poor's
Rothschild North America, Inc.
Visa, Inc.
Soros Fund Management
Standard Chartered Bank
Bank of New York Mellon Corporation
Veritas Capital LLC
Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Moody's Investors Service

Petróleo

Chevron Corporation
Exxon Mobil Corporation
BP p.l.c.
Shell Oil Company
Hess Corporation
ConocoPhillips Company
TOTAL S.A.
Marathon Oil Company
Aramco Services Company

Complexo Militar Industrial & Indústrias

Lockheed Martin Corporation
Airbus Americas, Inc.
Boeing Company
DynCorp International
General Electric Company
Northrop Grumman
Raytheon Company
Hitachi, Ltd.
Caterpillar
BASF Corporation
Alcoa, Inc.

Relações Públicas, Lobbyistas & Escritórios de Advocacia

McKinsey & Company, Inc.
Omnicom Group Inc.
BGR Group

Mídia Corporativa & Editoriais

Bloomberg
Economist Intelligence Unit
News Corporation (Fox News)
Thomson Reuters
Time Warner Inc.
McGraw-Hill Companies

Bens de Consumo

Walmart
Nike, Inc.
Coca-Cola Company
PepsiCo, Inc.
HP
Toyota Motor North American, Inc.
Volkswagen Group of American, Inc.
De Beers

Telecomunicações & Tecnologia

AT&T
Google, Inc.
IBM Corporation
Microsoft Corporation
Sony Corporation of America
Xerox Corporation
Verizon Communications

Indústria Farmacêutica

GlaxoSmithKline
Merck & Co., Inc.
Pfizer Inc.


The Chatham House

Background & Membros: A Chatham House britânica, como o CFR e o Instituto Brookings nos EUA, possui um longa lista de membros e está envolvida no planejamento coordenado, na administração de percepção, e na execução da agenda coletiva de seus membros corporativos.

Membros individuais populando seu comitê sênior de conselheiros consistem de fundadores, CEOs, e presidentes dos membros corporativos da Chatham House. Os "especialistas" da Chatham são geralmente selecionados no mundo acadêmico e suas "publicações recentes" são geralmente usadas internamente bem como publicadas através da extensa lista de corporações midiáticas que são membros do grupo, bem como através de publicações industriais e médicas. Que os "especialistas" da Chatham House estão contribuindo com artigos para publicações médicas é particularmente alarmante considerando que a GlaxoSmithKline e a Merck são ambas membros corporativos da Chatham House.

Nenhum exemplo melhor desse incrível conflito de interesses pode ser dado do que na atual "revolução colorida" na Tailândia sendo liderada pela firma Amsterdam & Peroff da Chatham House com apoio consistente de outros membros corporativos incluindo o The Economist, o The Telegraph e a BBC.

Em um caso, o The Telegraph publicou, "Protestos tailandeses - análise por Dr. Gareth Price e Rosheen Kabraji", dentro do qual Price e Kabraji fazem uma tentativa desavergonhada de defender os violentos protestos de orientação maoísta financiados pelo Ocidente. Enquanto o The Telegraph menciona que Price e Kabraji são ambos analistas para a Chatham House, eles foram incapazes de dizer aos leitores que o próprio The Telegraph permanece sendo membro corporativo dentro da Chatham House bem como também o é principal lobbyista dos protestos tailandeses, Robert Amsterdam e sua firma lobbyista Amsterdam & Peroff.

Notáveis membros corporativos principais da Chatham House

Amsterdam & Peroff
BBC
Bloomberg
Coca-Cola Great Britain
Economist
GlaxoSmithKline
Goldman Sachs International
HSBC Holdings p.l.c.
Lockheed Martin UK
Merck & Co Inc.
Mitsubishi Corporation
Morgan Stanley
Royal Bank of Scotland
Saudi Petroleum Overseas Ltd
Standard Bank London Limited
Standard Chartered Bank
Tesco
Thomson Reuter
United States of America Embassy
Vodafone Group

Outros membros corporativos da Chatham House

Amnesty International
BASF
Boeing UK
CBS News
Daily Mail and General Trust p.l.c.
De Beers Group Services UK Ltd
G3 Good Governance Group
Google
Guardian
Hess Ltd
Lloyd's of London
McGraw-Hill Companies
Prudential p.l.c.
Telegraph Media Group
Times Newspapers Ltd
World Bank Group

Notáveis parceiros corporativos da Chatham House

British Petroleum
Chevron Ltd
Deutsche Bank
Exxon Mobil Corporation
Royal Dutch Shell
Statoil
Toshiba Corporation
Total Holdings UK Ltd
Unilever p.l.c.

Conclusão

Essas organizações representam os interesses coletivos das maiores corporações do planeta. Elas não apenas possuem exércitos de especialistas e pesquisadores para articular sua agenda e formar consenso internamento, como também usam seu acúmulo maciço de influência indevida na mídia, na indústria, e nas finanças para manufaturar um consenso internacional que sirva aos próprios interesses.

Crer que essa oligarquia corporativo-financeira sujeitaria sua agenda e destino aos desejos ds massas votantes é ingênuo na melhor das hipóteses. Eles tem garantido cuidadosamente que não importa quem chegue ao poder, em qualquer país, as armas, o petróleo, a riqueza e o poder continuam fluindo perpetuamente para suas mãos. Nada indica essa realidade parcamente oculta melhor do que um "liberal" portador do Prêmio Nobel da Paz, devidamente impulsionando para frente uma miríade de guerras "neoconservadoras", e começando mais uma guerra na Líbia.

Do mesmo modo, não importa quão sangrenta sua revolução seja, se a equação acima permanecer imutável, e as bases corporativas intocáveis, nada a não ser as mudanças mais superficiais terão sido feitas, e como no caso do Egito com o títere da ICG Mohamed ElBaradei trilhando seu caminho até o poder, as coisas podem ficar substancialmente piores.

A verdadeira revolução começara quando nós identificarmos a equação acima como os verdadeiros detentores do poder e quando nós começarmos sistematicamente a remover nossa dependência sobre eles, e sua influência sobre nós de nossas vidas diárias. A oligarquia global corporativo-financeira precisa de nós, nós não precisamos deles, independência deles é a chave para nossa liberdade.