28/09/2026

Alexei Nilogov - Entrevista com Geydar Dzhemal: Caos Manipulado: O Poder contra a Humanidade

 por Alexei Nilogov e Geydar Dzhemal

(2013)



Geydar, como comentaria a afirmação do filósofo Aleksandr Dugin de que na Rússia não existe pós-modernismo, mas predomina o arqueomodernismo, quando o arcaico e o moderno se capturam mutuamente, e como resultado se produz a sobreposição do querigma (princípio racional) sobre a estrutura (princípio mitológico)?


Dentro da história do intelectualismo atual, o pós-modernismo é a última linha de defesa do clube liberal mundial, que entrou na fase de crise.

A crise dos liberais concretamente deve-se a que a economia de ar especulativa, de fato, “comeu” os ativos reais e para seguir com os processos de mobilização social no mundo simplesmente não há recursos. Por outras palavras, hoje é impossível levar a cabo a modernização de uma grande parte da humanidade, porque para isso… não é que não haja dinheiro – o dinheiro pode-se imprimir! – mas não há capital real que se possa converter no património para os milhares de milhões de pessoas que vivem na periferia mundial.

Dado que o projeto de mobilização é impossível, o pós-modernismo proclama o fracasso do pensamento projetista. Vulgarizando, é como se um impotente com aspecto de sábio anunciasse que deitar-se com as mulheres já não está na moda.

No entanto, em 2000, afastando os liberais, que pela sua essência antropológica são “chandalas” – boêmia desclassificada, não desprovida de certa criatividade –, ao poder na Rússia acederam os “burocratas” – outra seção parapolítica dos desclassificada, que pela sua essência representam o lumpen, organizado como corporação.

23/09/2026

Geydar Dzhemal - O Legado de Kirillov

 por Geydar Dzhemal

(2007)



O «super-homem» como o mito principal do modernismo


No século XX, a Humanidade provou claramente a si mesma como um sujeito coletivo primariamente orientado para a mitologia. Paradoxalmente, os povos orientais, como habitantes do sertão arcaico dos grandes impérios coloniais, foram exaltados com paixão pelos tradicionalistas ocidentais como guardiões da sabedoria sagrada. Subitamente, numa vertente do modernismo, eles revelaram-se muito mais racionais e positivos do que os seus mentores «brancos». A mentalidade da burguesia nacional do Egito à Índia, ou da Birmânia ao Vietnã, coincidia surpreendentemente com os pilares das doutrinas do Iluminismo, dos racionalistas que acreditavam no triunfo da razão, na felicidade de todos os seres humanos unanimemente concordes num contrato social entre si.

Por outro lado, o homem ocidental, desde o final do século XVIII, demonstrou o enraizamento numa «rotina» militante, que dá explicações positivistas e mecanicistas do universo, confiante de que o conforto burguês é a principal meta da história. Subitamente, este filisteu ocidental libertou-se da repulsiva mente antiga e ergueu as cores do romantismo sangrento, que está para além dos horizontes de qualquer explicação racional.

10/09/2026

Geydar Dzhemal - A Crise da Realidade

 por Geydar Dzhemal

(2010)


Apocalipse – amanhã!

Os contornos da guerra, a revolução e o mundo


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A crise atual não é mais do que a pequena cãibra que sacode a pele do animal agonizante que está morrendo. Esse animal é a civilização mundial. Esta civilização não é composta apenas pelo formato liberal da "civilização humana", arraigado nas megacidades do Ocidente impregnadas de especulação e falsidade. O globalismo é essa quimera que, assim como o animal mitológico, possui as asas da águia, garras de leão, cabeça humana e a cauda de serpente. Ou seja, que além da megacidade ocidental, fazem parte do globalismo atual as selvas da África, as favelas de Taipé industrial, as montanhas do Tibete, os desertos, nos quais, assim como há mil anos, se levantam as tendas dos beduínos. Tudo isso faz parte da estrutura global, unida pela infinita multitude de vasos capilares – desde as mesmas tendas dos beduínos até os arranha-céus de Manhattan!