por Geydar Dzhemal
(2011)
Após a expulsão do Paraíso, o homem e a mulher se encontram numa situação ambígua: estão unidos por um destino comum, mas permanecem num antagonismo eterno. O monoteísmo abraâmico é realista ao descrever a relação entre os sexos e não oferece nenhuma solução ilusória para o problema.
E o problema existe! A humanidade não pode existir sem a união do homem e da mulher. Mas como construir a sociedade, como continuar o gênero humano no tempo, se o homem e a mulher são antagonistas?
Ao longo dos milênios, a sociedade pagã tentou encontrar a saída para esta armadilha, mas não fez mais do que vaguear, e continua a fazê-lo, pelos labirintos deste conflito fundamental. As soluções oferecidas pelas sociedades que ignoram a Revelação monoteísta resumem-se ao ditado bruto do homem – o patriarcado como base da organização social, ou a diferentes formas de predomínio social da mulher – o matriarcado. Ambas as formas não estabelecem a paz, mas fixam o antagonismo, dão-lhe, poder-se-ia dizer, um caráter permanente.
Tanto o patriarcado como o matriarcado são, de maneiras diferentes, mas igualmente destrutivos, tanto para a sociedade no seu conjunto, como para cada pessoa em particular, independentemente do seu sexo. Hoje conhecemos melhor os excessos do matriarcado, porque a grande maioria da humanidade atual vive nas condições do domínio do liberalismo ocidental, que na realidade é uma das formas da dominação das mulheres. Na sociedade ocidental predomina a mentalidade feminina, a escala de valores feminina, o tom é dado pelas feministas. Em última análise, este neomatriarcado feminino leva à degeneração biológica, que se reflete, particularmente, na crescente influência e número das minorias sexuais. O ditado do feminismo também se transforma no aumento da violência doméstica, em primeiro lugar, o aumento dos maus-tratos dos maridos em relação às suas esposas.
No entanto, os ideais do passado patriarcal, tão queridos pelos partidários do adat pagão (“adat”, a lei dos antepassados, oposta à lei islâmica – Sharia, N. do T.), também são falsos da perspectiva islâmica. O subjugamento pela força da mulher, a sua falta de direitos e a exploração doméstica transformam o homem no carcereiro da sua própria casa, subtraem todas as suas forças morais para manter o adat, que é um obstáculo para a realização dos objetivos que o Altíssimo colocou perante os homens. A sociedade patriarcal começa a estagnar e acaba por se decompor inevitavelmente.
Qual é a solução? Esta apenas pode consistir no reconhecimento realista da essência da oposição entre os sexos, que está no próprio fato da perda do Paraíso. O que quer dizer que o homem e a mulher têm um objetivo comum: voltar ao Paraíso. Objetivo comum – já é uma base para estabelecer o armistício!
Allah Altíssimo (subhana-hu wa ta´la!) deu aos homens, que seguem o Seu caminho, as condições deste armistício – a Sharia. “Os crentes, tanto homens, como mulheres – são amigos uns dos outros” (sura “At-Tawba” (“Arrepentimento”), aleya 71).
As normas da Sharia descrevem detalhadamente todas as sutilezas das relações entre o homem e a mulher, assim como todos os pontos do acordo sobre o armistício entre as partes em conflito. Fica claro que apenas a escrupulosa observação desses pontos salva as partes de deslizarem novamente para o conflito aberto.
As normas da Sharia regulam o equilíbrio entre os direitos e os deveres, que não permite que se imponha nem a ordem patriarcal, nem a ginecocracia (predomínio das mulheres). Quando em algum recanto do mundo islâmico se observam manifestações de alguma destas tendências, é que não se cumprem as normas da Sharia, mas sim que se manifesta o adat. O adat no seu conjunto, e particularmente na relação entre os sexos, não é uma concessão perdoável ao folclore, etnicismo, reivindicação nostálgica do passado, etc., mas constitui um obstáculo concreto no caminho da realização do projeto islâmico, que em última instância causa mais dano à causa dos muçulmanos do que os exércitos inimigos.
