16/07/2011
A Impostura do Psicologismo
15/07/2011
Determinação
14/07/2011
Nivelamento por baixo

René Guénon in "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos".
13/07/2011
A decadência da música
Oswald Spengler costumava se referir à decadência como já oriunda de épocas distantes. Se o tomarmos como certo, não se torna muito difícil perceber que, assim sendo, estamos nos encaminhando para aquilo que Jaspers conceituou como situação-limite.
Toda exaltação que se faz a tal dita Democracia, esta expansiva forma de governo, é apenas um meio de se camuflar a forma com que nos aproximamos de tal situação-limite. É cobrir os lixões com tapetes belos. É levantar outdoors entre as estradas que conduzem à Cidade Maravilhosa, de forma com que turistas encantados não se notem suas favelas.
Foquemos na música.
Confesso que não tenho costume de acompanhar os programas televisivos aos domingos. Primeiro, pela própria vontade, uma vez que acredito ter afazeres mais importantes; segundo, por falta de opções. Mas foi em um desses domingos, durante a visita a um familiar, que tomei contato com tal “sucesso do momento”.
A cena: quatro jovens alcoolizados e sem camisa, postos ao lado de um carro. Deste, ecoa uma canção em ritmo de forró: “Posso não, quero não... Posso sim, quero sim”. E, no entanto, era apenas mais um dos tantos “fenômenos” considerados hoje como “geniais”.
Por um momento, pensei em tempos que não vivi, quando um Noel Guarani afirmava ser poeta sem catecismo, criando sons de liberdade, dos cavalos às cheias do rio. Pensei nos tempos em que o samba era mais melodia que percussão, quando expressava as vivências de um boêmio. Pensei nos tempos em que a música de raiz retratava a saudade de quem deixa o campo.
O romantismo, o espírito de sacrifício, a revolução, as vidas de tempestades e paixões, a sensibilidade, a vontade. Tudo isto repousa quase ao relento, em questão musical na atualidade. Recordemos a um Wagner, músico completo, que, composições à parte, fora escritor e responsável pelos desenhos de cenários e figurinos de suas belíssimas óperas, e pensemos no contraste com a nossa época.
No momento, o que rege nossa sociedade são os “Baby, baby, baby, uh!” de um pequeno garoto, gemidos e sussurros das tantas cantoras de músicas pornográficas, ou um “Pará pará pará...” de um funkeiro qualquer. São as Lady Gaga com vestidos feitos de carne crua, Madonnas que embora próximas da velhice, dão-se ao luxo de estar com rapazes de vinte anos, e Aguileras e todas suas referências às corporações que dominam o mundo, e, por conseqüência, a indústria da música.
Há não muito, os cadáveres de Dresden foram retratados na Sapucaí. Neste ano, o injustificável sacrifício de Abraão virou tema de escola. Também Bach foi regido com batuques ao fundo. E tudo vira festa.
Do Balé, que expressa o infinito concentrado no corpo humano, a beleza e a magia, chegamos à promoção de danças de rua que se misturam a ritmos antifônicos, sempre com um quê de malandragem e agressividade.
De língua compreendida por todos os homens, conforme a definição de um grande filósofo prussiano, a música futuramente haverá de se transformar (ou ser transformada) em um alicerce de incontáveis problemas de educação e até segurança pública.
Noto multidões de jovens que se deixam levar por instintos acionados conforte batidas repulsivas e idiotizantes. A degradação pseudo-artística precede a moral, física e espiritual. Verdadeiros exércitos joviais cujos idealismos e rebeldias são administrados conforme tentáculos alienígenas: não se vêem a lutar por povo, comunidade, região, nacionalidade ou origem étnica, conceitos estes já ultrapassados – Altmodisch, em bom alemão - senão por seus ídolos da música moderna.
Fato é que tal como com a literatura, a música foi e tem sido propositadamente distorcida. Um simples detalhe? Ou o sistema está consciente de que uma boa mensagem musical pode trazer os indicativos para um despertar?
Penso por um instante: e se ao invés de tocar o hino nacional brasileiro em ritmo de samba, fossemos orientados a ouvir atentamente o que ele diz?
Penso ainda: E se tivéssemos a sinceridade de um Beethoven entre nós, uma sinceridade flamejante, capaz de, em um só golpe, transformar em cinzas os embustes ocos e pseudo-artísticos da nossa era?
Somente assim é que um Nietzsche voltaria a repetir sua sentença imortal: “Ohne Musik wäre das Leben ein Irrtum” – “Sem a música, a vida teria sido um erro”. Admita-se ou não, a arte sempre será o espelho do Khronos em que se vive. Com a música, não poderia ser diferente.
A forma com que esta expressão sublime vem sendo conduzida só nos leva a um caminho: à decadência per se.
12/07/2011
Hyperion
Empfing mich nie .. ein pochen war im feld
In meinem hain von schlafenden gewalten,
Ich sah euch fluss und berg und gau im bann
Und brüder euch als künftige sonnen-erben:
In eurem scheuen auge ruht ein traum
Einst wird in euch zu blut der sehnsucht sinnen ...
Mein leidend leben neigt dem schlummer zu
Doch gütig lohnt der Himmlischen verheissung
Dem frommen ... der im Reich nie wandeln darf:
Ich werde heldengrad, ich werde scholle
Der heilige sprossen zur vollendung nahn:
Mit diesen kommt das zweite alter, liebe
Gebar die Welt, liebe gebiert sie neu.
Ich sprach den spruch, der zirkel ist gezogen ..
Eh mich das dunkel überholt entrückt
Mich hohe schau: bald geht mit leichten sohlen
Durch teure flur greifbar im glanz der Gott.
11/07/2011
Carl Schmitt - Breve Introdução
O subsequente ataque a esse sistema de Estados-nação, com os seus específicos e limitados interesses geopolíticos, tornou o mundo ocidental mais fervorosamente político, um ponto que Schmitt desenvolve no seu magnum opus do pós-guerra «Nomos der Erde» (Nomos da Terra). A partir da Revolução Francesa cresceu o número de guerras travadas em nome de doutrinas morais – mais recentemente clamando a defesa dos “direitos humanos”. Essa tendência replicou os erros da idade das guerras religiosas. Transformou a força armada de meio para alcançar objectivos territoriais limitados, quando os recursos diplomáticos falham, numa cruzada pelo bem universal contra um inimigo diabolizado.
Uma ideia relacionada tratada por Schmitt é a tendência em direcção a um Estado Universal (a Nova Ordem Global?). Essa tendência parecia proximamente ligada à hegemonia anglo-americana, um tema que Schmitt abordou nos seus comentários durante e depois da II Guerra Mundial.
Os historiadores germânicos, no início do século XX, haviam tipicamente feito comparações entre, de um lado, a Alemanha e Esparta e, do outro lado, a Inglaterra (mais tarde os EUA) e Atenas – entre aquilo que viam como sendo potências terrestres disciplinadas e potências mercantis, expansionistas e navais. Os poderes anglo-americanos, que dependiam da capacidade naval, tinham um sentido de limitação territorial menor do que os Estados terrestres. As potências marítimas haviam evoluído para impérios, desde os atenienses.
Mas embora esta comparação seja controversa ele também levanta o ponto mais significativo: os americanos aspiram a um Estado Mundial porque reclamam validade universal para o seu modo de vida. Eles vêem a democracia liberal como algo que estão moralmente obrigados a exportar. São conduzidos pela ideologia como pela natureza do seu poder em direcção a uma distinção amigo/inimigo universal.
Embora nos anos 40 e 50 Schmitt esperasse que o devastado sistema de Estados-nação fosse substituído por um novo pluralismo político, a criação de esferas de controlo por parte de poderes regionais, ele também duvidava que isto resultasse. O período do pós-guerra trouxe a polarização entre o bloco comunista e os anti-comunistas, liderados pelos EUA. Schmitt claramente temia e detestava os comunistas mas também desconfiava do lado americano, por razões pessoais e analíticas. De Setembro de 1945 até Maio de 1947 Schmitt havia sido prisioneiro das forças de ocupação americanas na Alemanha. Embora libertado com base no facto de não ter desempenhado significativo papel enquanto ideólogo nazi, ficou traumatizado pela experiência. Durante o cativeiro fora-lhe “pedido” que desse provas da sua crença na democracia liberal. Ao contrário dos soviéticos, em cujas zonas de ocupação havia residido por um tempo, os americanos pareciam ser ideologicamente motivados e não meros conquistadores vingativos.
Schmitt acabou por recear o globalismo americano mais que o seu congénere soviético, que considerou ser despotismo militar primitivo aliado a uma obsessão intelectual ocidental. No final recebeu com agrado a bipolaridade da guerra-fria, vendo no poder soviético um meio de limitar as cruzadas americana pelos “direitos humanos”.
Um conhecedor crítico do expansionismo americano, Schmitt compreendeu o agora indisfarçável carácter ideológico da política americana.
No período posterior à guerra-fria, apesar da irritação que causa entre os imperialistas americanos, as suas análises parecem mais actuais e relevantes que nunca.
10/07/2011
Burguesia Decadente
09/07/2011
A Propósito da Teologia Política e do Problema da Linha
A Vulgaridade como Direito
Ortega y Gasset in A Rebelião das Massas.



