15/01/2012

Eurásia como conceito espiritual

por Claudio Mutti



Da Irlanda ao Japão

"Sublinhar e enfatizar as conexões, as linhas de força nas quais se sustenta a trama do conceito espiritual de Eurásia, da Irlanda ao Japão" (1): a esta preocupação de P. Masson Oursel, que se inspira em uma programa esboçado em 1923 em La Philosophie Comparée e prosseguido em 1948 em La Philosophie en Orient (2), Henry Corbin (1903-1978) atribui um "valor especial" (3). Transcendendo o nível das determinações geográficas e históricas, o conceito de Eurásia vem a constituir a "metáfora da unidade espiritual e cultural que irá recompor o final da era cristã em vista da superação dos resultados desta" (4). Estas são, ao menos, as conclusões de um estudioso que na obra corbiniana descobriu as indicações idôneas para fundar: "aquela grande operação de hermenêutica espiritual comparada, que é a busca de uma filosofia - ou melhor dito: de uma sabedoria - eurasiática" (5). Em outras palavras, a própria categoria geofísica de "Eurásia" não é mais que a projeção de uma realidade geosófica vinculada à Unidade originária, posto que "Eurásia" é, na percepção interior, na paisagem da alma ou Xvarnah ("Luz de Glória", no léxico mazdeano), a Cognitio Angelorum, a operação autológica do Anthropos Téleios, ou inclusive, por último, a unidade entre o Lumen Naturae e a Lumen Gloriae. Daí a possibilidade de abordar a Eurásia com o conhecimento imaginal da Terra como um Anjo. (6)

É o mesmo Henry Corbin quem invoca a experiência visionária do filósofo alemão Gustav Theodor Fechner, que identificou com a figura de um Anjo o rosto da terra envolta de luz gloriosa, e para citar a passagem concordante de um ritual avéstico: "Celebramos esta liturgia em honra da Terra, que é um anjo" (7). De fato, segundo a doutrina mazdeísta, à Terra se percebe na "pessoa" de seu Anjo, quando a alma, projetando a imagem traduz o mistério dessa projeção da seguinte maneira: Spenta Armaiti, arcanjo feminino da existência terrena, é a mãe de Daena, o anjo feminino que sustenta à Alma caelestis, o Corpo de Ressurreição. Dessa maneira, "a formulação mesma da categoria geofísica de 'Eurásia' pertence ao processo de palingenesia, que é a Ressurreição à luz da Transfiguração" (8).

A geosofia mazdeísta, intimamente vinculada com a essencial característica sofiânica de Spenta Armaiti, se refere principalmente a uma Terra celeste; aplicada ao espaço terrestre, nos apresenta um kyklos, um orbis, similar ao que Homero simbolizou no escudo de Aquiles e Virgílio no de Enéas (9), quer dizer, para permanecer no âmbito irânica, com esse atributo do Homem Universal (insân-e kâmil) que é a Taça de Jamshid. Nessa representação, a Terra está rodeada do oceano cósmico e dividida em sete zonas (Keshvar) (10); no centro da zona central, chamada Xvaniratha ("roda luminosa"), "se encontra Airyanem Vaejah (pahlavi Erân-Vêj), o berço dos Arianos. É ali onde se criaram os Kayanidi, os heróis lendários; é aí onde foi fundada a religião mazdeísta, desde onde se difundem aos outros Keshvar; é ali onde nascerá o último dos Saoshyant que reduzirá Ahriman à impotência e levará a cabo a ressurreição e a existência vindoura" (11). Situado ao centro da superfície da terra, o Irã se apresenta, portanto, como "dobradiça, não só geográfica, senão também e acima de tudo espiritual" (12), da ecúmene eurasiática.

A representação mazdeísta, posteriormente reelaborada, passou a formar parte do legado cultural que o Irã transmitiu ao Islã. No Kitab al-Tafhîm de Abû Rayhân Mohammad ibn Ahmad Bîrûnî (13) se encontra um esquema no qual o círculo central, Irã, está rodeado de outros seis círculos, tangentes entre si, que correspondem a outras tantas regiões: Índia, Arábia e Abissínia, Síria e Egito, a zona bizantino-eslava, o Turquestão, China e o Tibet.

Oriente e Ocidente

Segundo a perspectiva islâmica, o centro do mundo terrestre se encontra na Kaaba, o mais antigo dos templos de Deus, inicialmente construído na época de Adão, depois edificado por Abraão em sua forma atual. Na planta e na estrutura desse santuário primordial e central meditou Qâzî Sa'îd Qommî no primeiro capítulo da Kitâb asrâr al-Hajj ("O sentido esotérico da Peregrinação"), que constitui o objeto de um minucioso estudo de Henry Corbin (14). "Sempre entra em jogo - diz este último - o mesmo princípio: as formas de luz (sowar nûrîya), as figuras superiores se imprimem nas realidades de baixo que são seus espelhos (sublinhemos que, geometricamente as considerações elaboradas aqui seguiriam sendo válidas se fosse tomado como objeto de meditação a forma do templo grego)" (15). Agora, no plano superior das realidades-arquétipos (...) encontramos quatro "limites metafísicos" (16), dois dos quais (a Inteligência Universal e a Alma Universal) se encontram ao leste da realidade ideal, enquanto que as outras duas (a Natureza Universal e a Matéria Universal) se encontram ao oeste. A lei rigorosa das correspondências exige que no plano da Kaaba terrestre, os ânbulos estejam igualmente dispostos segundo a mesma ordem de relação: "Dois destes ângulos estão voltados para o oriente: o ângulo no qual está encaixada a Pedra Negra (o ângulo iraquiano) e o ângulo iemenita; os outros dois estão ao ocidente: o ângulo ocidental e o ângulo sírio" (17). São estes dois orientes (mashriqayni) e os dois ocidentes (maghribayni) aos quais alude o versículo 17 da sura do Misericordioso, pontualmente citado por Corbin.

O versículo corânico chama a outro, o que começa com as palavras: "A Deus pertence o Oriente e o Ocidente" (sura da Vaca, 115). "Gottes ist der Orient! - Gottes ist der Okzident!": é a forma na qual reconstrói Wolfgang Goethe, a quem Corbin nos mais mais de uma vez a convergência com a sabedoria islâmica. Porém a dupla "Oriente-Ocidente" retorna no versículo da Luz, em parte reportado na epígrafe ao primeiro capítulo de seu estudo sobre o homem de luz no sufismo iraniano: "...uma lâmpada que arde com um azeite de oliva que não é nem do Oriente nem do Ocidente, inflanando-se sem ao menos necessidade de que o fogo a toque...E é luz sobre luz."

Entre Oriente e Ocidente, como entre Norte e Sul, percorrem linhas ideais das quais dependem não somente a orientação geográfica, senão também a categoria antropológica. Na perspectiva do simbolismo espiritual, estas direções horizontais assumem um sentido em base ao modo pelo qual o ser humano experimenta a dimensão vertical de sua presença no espaço e no tempo; e é uma orientação desse gênero o que constituirá um dos principais temas do sufismo iraniano: "é a busca do Oriente, porém nos é advertido, caso não o compreendamos desde o primeiro momento, que se trata de um Oriente que não se encontra em nossos mapas geográficos nem pode ser situado neles. Este Oriente não está incluído em nenhum dos sete climas (os keshvar); é, de fato, o oitavo clima. E a direção na qual este "oitavo clima" deve ser buscado não está na horizontal senão na vertical. Este Oriente místico suprassensível, lugar de Origem e de Retorno, objeto da busca eterna, está no pólo celeste; é o Pólo, um extremo norte, tão extremo como o umbral da dimensão do mais além" (18). A geografia sagrada do Irã faz corresponder a este Pólo celeste à montanha cósmica de Qâf, onde começa aquele mundo de Hûrgalyâ que é iluminado pelo sol da meianoite. É a terra dos Hiperbóreos (19), os quais "simbolizam ao homem cuja alma alcançou tal perfeição e harmonia que está livre de negatividade e de sombra; não é nem do Oriente nem do Ocidente" (20).

Ishraq, nome verbal, que em árabe significa o irradiar do sol desde o ponto do qual surge, é um termo peculiar da sabedoria islâmica do Irã. Ishrâqîyûn ou Mashriqîyûn ("Orientais") são os sábios da antiga Pérsia, chamados assim "certamente não somente por sua localização geográfica, senão porque seu conhecimento era oriental, no sentido que se fundamentava sobre a revelação interior (kashf) e a visão mística (moshâhadat)" (21). Não obstante, o significado do Oriente como um Oriente iluminativo, direção que conduz ao Pólo espiritual, não é um conceito que caracteriza exclusivamente ao pensamento tradicional iraniano. "Esta orientação se dava já aos mistagogos do orfismo. Ela é encontrada no poema de Parmênides onde, guiado pelas filhas do sol, o poeta empreende uma viagem para o Oriente. O sentido das duas direções, direita e esquerda, Oriente e Ocidente do cosmos, é fundamental na gnose valentiniana. (...) Ibn Arabi eleva a símbolo sua própria partida ao Oriente; da viagem que de Andaluzia o leva a Meca e Jerusalém faz sua Isra, homologando um ékstasis que repete a ascensão do Profeta de céu em céu até o "Lótus do Limite". Aqui o Oriente geográfico, literal, se converte em símbolo do Oriente "real", o pólo celeste" (22).

Umbilicus Terrae

Na geografia sagrada resultante das explorações espirituais de Henry Corbin, o extremo ocidental de Eurásia está representado pelas Ilhas Britânicas. Aqui os fieis da igreja celta primitiva foram designados em irlandês como céle Dé: denominação que equivale a Amici Dei, "se encontra na gnose islâmica (Awliyâ' Allâh) e na mística renana (Gottesfreunde)" (23). Estes coli Dei, "estabelecidos em York, em Iona, no país de Gales e na Irlanda, seu símbolo fundamental era a pomba, como símbolo feminino do Espírito Santo. Desde esta perspectiva, não resulta estranho encontrar o druidismo misturado a sua tradição e os poemas de Taliesin integrados a seu corpus. Igualmente, a epopéia da Távola Redonda e a Busca do Santo Graal foram também interpretadas em relação com os ritos dos coli Dei" (24). A esta mesma irmandade espiritual é reconduzida a existência do santuário de Kilwinning, sobre a montanha de Heredom, desde onde se irradiou aquela Ordem Real pela qual o rei Robert I Bruce teria se afiliado aos Templários, realizando a convergência entre o celtismo e o templarismo.

Na extremidade da Eurásia se estende a China "o limite do mundo humano, do mundo que pode ser explorado pelo homem nas condições da consciência comum" (25). Por outra parte, influências taoístas teriam sido exercidas sobre a hierocosmologia do sufismo centroasiático e sobre algumas técnicas de recitação do dhikr adotadas pela escola de Najm Kobra (26). Entre os templos que se levantam nos confins da China há um, descrito no século X pelo historiador árabe Mas'ûdî (27), que em sua estrutura obedece ao paradigma arquitetônico dos templos sabeus; o mesmo Mas'ûdî havia visto aquele de Harrán (a antiga Carrhae) e pode todavia ler no umbral a inscrição de teor platônico: "Aquele que conhece a si mesmo é deificado" (Man 'arafa nafsahu ta'allaha). "Inscrição de tero platônico" (28), certo, no qual "o termo técnico árabe é o equivalente da theosis dos místicos bizantinos" (29), porém também a explicação do preceito délfico, que finalmente será validado no hadîth qudsî: "Quem conhece a si mesmo conhece a seu Senhor" (Man 'arafa nafsahu 'arafa rabbahu). Enquanto isso, os sábios hermetistas de Harrán aportarão como dote sua herança ao Islã, derivada de uma antiga sabedoria siríaca ou síriobabilônica reinterpretada à luz do neoplatonismo.

Equidistante de Escócia e China está Al-Quds, "a cidade santa" por antonomasia. No lugar onde se iniciou a Assunção do Mensageiro de Deus - segundo Corbin um verdadeiro Umbilicus Terrae- "assume aí uma função homóloga à da Pedra Negra no templo da Kaaba" (30), o Domo da Rocha (Qubbat al-Sakhrat). Este edifício, comumente chamado a Mesquita de Omar, "tem a forma de um octógono regular culminado por uma cúpula; foi o protótipo das iglejas templárias construídas em Europa, e a cúpula foi o símbolo da Ordem e figurava no selo do Grão-Mestre" (31). Este entrelaçamento de linhas espirituais diferentes faz de Jerusalém o simbólico edifício microcósmico, no qual se reflete a multiplicidade tradicional do macrocosmo eurasiático, aquela multiplicidade de formas que Henry Corbin nos apresenta em sua unidade essencial.

A oposição radical entre Jerusalém e Atenas, identificadas como pólos emblemáticos respectivamente do monoteísmo e do politeísmo, é o ponto onde convergem entre eles os zelotas das supostas "raízes judaico-cristãs" da Europa e alguns defensores de um mal-entendido "paganismo" grego. Sustentar uma posição desse tipo, querendo reduzir a um esquema ideológico uma relação bem mais profunda, complexa e articulada do que imagem os "judeo-cristãos" e "neopagãos", signifca ignorar como a mais rigorosa doutrina metafísica da Unidade (o Tawhid integral da metafísica islâmica) não exlcui de fato a multiplicidade relacionada à hierarquia dos Nomes Divinos. Entre os que entenderam perfeitamente o anterior, está justamente Henry Corbin, que, mediante o estabelecimento de uma ideal "comparação, por uma parte entre Ibn Arabî (...) e Proclo, por outra" (32) e recordando o comentário do chefe da escola de Atenas ao Parmênides platônico, evoca o encontro dos físicos da escola jônica com os metafísicos da escola itálica, uns e outros se encontram na cidade-símbolo de Atenas para participar nas Panatenéias. "Celebrar esta festa - ele escreve - é encontrar na escola ática de Sócrates e Platão a mediação que eleva os dois extremos a um nível superior" (33).

1. Henry Corbin, L’Iran e la filosofia, Guida, Napoli 1992, p. 62.
2. P. Masson-Oursel, La Philosophie en Orient, in Histoire de la philosophie, a cura di É. Bréhier, Paris 1948, 1° fasc. suppl.
3. Henry Corbin, L’Iran e la filosofia, cit., ibidem.
4. Glauco Giuliano, Nitartha. Saggi per un pensiero eurasiatico, La Finestra, Lavis 2004, p. 14
5. Glauco Giuliano, Nitartha, cit., p. 221
6. Glauco Giuliano, Nitartha, cit., p. 16.
7. Sîrôza, vigésimo octavo día, op. cit.: Henry Corbin, Cuerpo espiritual y Tierra Celeste. Del Irán mazdeísta al Irán chiíta, Ediciones Siruela, Madrid, 1996, p. 37.
8. Glauco Giuliano, Nitartha, cit., p. 16, n. 25.
9. Ilíada, XVIII, 478-608; Eneida, VIII, 626-728.
10. La división septenaria del espacio terrestre que se repite en otras culturas tradicionales: cf. Claudio Mutti, Gentes. Popoli, territori, miti, Effepi, Genova 2010, pp. 19-20.
11. Henry Corbin, Cuerpo espiritual y Tierra Celeste, cit., p. 51.
12. Glauco Giuliano, Nitartha, cit., p. 22.
13. Henry Corbin, Historia de la Filosofía. Del mundo romano al Islam Medieval, vol. 3. Siglo veintiuno editores, México DF, 1990, pp 307-308.
14. Henry Corbin, Templo y contemplación, Editorial Trotta, Madrid, 2003, pp. 181-257. Sobre Qâzî Sa'îd Qommî, cf. Henry Corbin, Historia de la Filosofía. La Filosofía en Oriente, vol. 11. Siglo veintiuno editores, México DF, 1990, p. 154-157
15. Henry Corbin, Templo y contemplación cit., p. 206.
16. Henry Corbin, Templo y contemplación cit., p. 207.
17. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 207.
18. Henry Corbin, El hombre de luz en el sufismo iranio, Ediciones Siruela, Madrid, 2000, p. 20.
19. Sobre la Hiperbórea y similares representaciones tradicionales de la septentrional “Tierra de luz”, cf. Claudio Mutti, op. cit., pp 15-23.
20. Henry Corbin, El hombre de luz en el sufismo iranio, cit., p. 56.
21. Henry Corbin, Storia della filosofia islamica, cit., p. 211.
22. Henry Corbin, El hombre de luz en el sufismo iranio, cit., págs. 73-74.
23. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 342 n. 217.
24. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 342.
25. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 132.
26. Henry Corbin, El hombre de luz en el sufismo iranio, cit., pp. 72 y 77 y ss.
27. Mas'ûdî, Les prairies d'or, ed. e trad. Barbier de Maynard, Paris 1914, vol. IV, p. 52.
28. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 133.
29. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 133, n 7.
30. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 351.
31. Henry Corbin, Templo y contemplación, cit., p. 334.
32. Henry Corbin, La paradoja del monoteísmo, Editorial Losada, Madrid, 2003, p. 22.
33. Henry Corbin, La paradoja del monoteísmo, cit., p. 30.

14/01/2012

"Serviço ao Estado" e Burocracia

por Julius Evola



Um sinal característico da decadência da idéia de Estado no mundo moderno está representado pela perda do significado daquilo que, em uma acepção superior, significa o serviço ao Estado.

Ali onde o Estado se apresenta como a encarnação de um poder, no mesmo tem uma função essencial aquelas classes políticas definidas por um ideal de lealismo, classes que, na ação de servir ao Estado, sentem uma elevadíssima honra e que, sobre tal base, elas participam da autoridade, da dignidade e do prestígio inerentes à idéia central, de modo tal de diferenciar-se da massa dos simples cidadãos "privados". Nos Estados tradicionais tais classes foram acima de tudo a nobreza, o exército, a diplomacia e, finalmente, aquilo que hoje se denomina a burocracia. É sobre esta última que nós queremos dirigir uma breve consideração.

Tal como foi definida no mundo democrático moderno do último século, a burocracia não é mais que uma caricatura, uma imagem materializada, opacada e defasada daquilo ao qual deveria corresponder sua idéia. Ainda prescindindo do presente imediato, no qual a figura do "estatal" se converteu na imagem esquálida de um ser em luta permanente com o problema econômico, de modo tal de ser já o objeto preferido de uma espécie de ludibrio e de amarga ironia, ainda prescindindo disso, o sistema apresenta caracteres inverossímeis. Nos atuais Estados democráticos se trata de burocracias privadas de qualquer autoridade e de qualquer prestígio, privadas de uma tradição no melhor sentido da palavra, com pessoal em excesso, medíocre, mal retribuído, caracterizado por práticas lentas, apáticas, pedantes e enfastiantes. O horror pela responsabilidade direta e o servilismo pelo "superior" são aqui outros traços característicos; no alto, outro traços que se encontra é um vazio escritorismo. Em geral, o funcionário estatal médio de hoje em dia se diferencia muito pouco do tipo genérico moderno do "vendedor de trabalho"; efetivamente, nos últimos tempos os "estatais" assumiram justamente a figura de uma "categoria de trabalhadores" que vai atrás das outras no que se refere às reivindicações sociais e salariais com agirações e até greves, coisas estas absolutamente inconcebíveis em um Estado verdadeiro e tradicional, tão inconcebíveis como o caso de um exército que se pusesse a fazer greve em uma determinada circunstância para impôr ao Estado, compreendido como um "empregador" sui generis, suas exigências.

Na prática, hoje se chega a ser empregado do Estado quando se carece de iniciativa e não se tem nenhuma perspectiva melhor na vida, tendo em vista um soldo modesto, porém seguro e contínuo: portanto algo próprio de um espírito mais que pequeno-burguês e utilitário.



E se na baixa burocracia a distinção entre quem serve ao Estado e um trabalhador ou empregado privado qualquer é a tal respeito quase inexistente, nas altas esferas o burocrata se confunde com o tipo do politiqueiro. Temos assim "honoráveis" e "pessoas influentes" investidas do poder de governo, porém na maioria das vezes sem o correlato de uma verdadeira e específica competência, as quais nos arranjos ministeriais tomam-se ou mudam-se as pastas de um ou outro ministério, apurando-se em chamar ao seu redor os amigos ou companheiros de partido, tendo menos em vista o fato de servir o Estado ou ao Chefe do Estado quanto o de tirar proveito da situação.

Este é o lamentável espetáculo que hoje nos apresenta tudo o que é burocracia. Podem influenciar aqui razões técnicas, o desmedido crescimento das estruturas e superestruturas administrativas e dos "poderes públicos": porém o ponto fundamental é uma queda de nível, a perda de uma tradição, a extinção de uma sensibilidade, todos estes fenômenos paralelos ao do ocaso do princípio de uma verdadeira autoridade e soberania.

Nos vem à mente o caso de um funcionário, que pertencia a uma família da nobreza, o qual apresentou sua demissão quando caiu a monarquia de seu país. Perguntou-se-lhe então: "Como é que vossa senhoria, possuidor de riquezas incalculáveis, podia ser um funcionário assalariado, sem ter nenhuma necessidade disso?". O estupor de quem se sentiu fazer semelhante pergunta não foi menor do que daquele daquele a quem ela havia sido feita: posto que ele não podia conceber uma honra maior que a de servir ao Estado e a seu soberano. E, desde a perspectiva prática, não se tratava aqui de uma "utilidade", senão da aquisição de um prestígio, de um "nível", de uma honra. Porém hoje em dia, quem não se assombraria se o filho de um grande capitalista ambicionasse converter-se em um..."estatal"?

Nos Estados tradicionais o espírito antiburocrático, militar, do serviço ao Estado teve seu simbolo no uniforme o qual, assim como os soldados, endossavam também os funcionários (note-se como no fascismo existiu um desejo de retomar tal idéia). E em contraposição com o estilo do alto funcionário de hoje em dia que faz servir seu posto a suas utilidades individuais, existia neles o desinteresse de uma impessoalidade ativa. Na língua francesa a expressão: "On ne le fait pas pour le Roi de Prussie" quer dizer aproximadamente: se faz ainda quando não nos vem uma moeda no bolso. É uma referência àquilo que, pelo contrário, foi o estilo de puro e desinteressado lealismo que constituiu o estilo da Prússia de Frederico II. Porém também no primeiro auto-governo inglês as funções mais altas eram honoríficas e confiadas a quem gozasse de uma independência econômica, justamente para garantir a pureza e impessoalidade da função e simultaneamente o correspondente prestígio. 

Tal como se mencionou, a burocracia em sentido negativo formou-se paralelamente com a democracia, enquanto que os Estados da Europa Central, por terem sido os últimos a conservar os traços tradicionais, conservam também muito do estilo do puro e antiburocrático "serviço ao Estado". Mudar as coisas, em especial na Itália, é hoje uma tarefa desesperada. Existem gravíssimas dificuldades técnicas, assim como financeiras. Porém a maior dificuldade se encontra naquilo que deriva da queda de nível do espírito burguês, do espírito materialista e vantagista, da carência de uma idéia de verdadeira autoridade e soberania.

13/01/2012

O Essencial da Quarta Guerra Mundial

por Pavel Tulaev




Uma das dúvidas principais do Mundo atual é saber que tipo de luta se está levando a cabo globalmente. Trata-se realmente de uma "luta contra o terrorismo"? Ou seria mais exatamente uma continuação da "Guerra Fria"? Onde está a fronteira entre a Terceira e a Quarta Guerra Mundial, se é que em realidade começaram tanto uma como a outra?

Entre os especialistas em teoria militar e os representantes do mundo político tampouco há um acordo tácito na natureza desse conflito. Ainda se discutem quais são suas causas, seus objetivos e como se manifesta.

Estabeleceu-se uma analogia com as outras grandes conflagrações mundiais, a saber: a Primeira, Segunda e Terceira Guerras Mundiais. Os argumentos são os seguintes: A Primeira Guerra Mundial (1914-18) foi uma luta entre potências imperialistas que acabou com grandes revoluções que fizeram desaparecer aos Impérios Russo, Alemão e Austro-Húngaro.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi concebida como uma revanche da Alemanha por causa da humilhação a que foi submetida depois do Tratado de Versalhes. Acabou em um titânico conflito entre esta e a URSS, assim como contra os Aliados ocidentais.

A partir da Conferência de Yalta assistimos ao nascimento de uma nova ordem geopolítica, na qual a Rússia recupera seus territórios perdidos por causa da revolução de 1917, e inclusive anexa alguns mais. Por causa da expansão russo-soviética, os "ocidentais" criaram a OTAN. É então quando Churchill começa a falar de uma "guerra fria", o objetivo da qual é destruir a URSS como estado e a idéia do comunismo em si mesma.

Quem, depois de 1991, seria capaz de negar que estos planos foram finalmente levados a cabo com êxito?

A desintegração da URSS, a queda do Pacto de Varsóvia e do COMECON, o desmembramento da Iugoslávia e da Tchecoslováquia e a ingerência econômica nesses países por parte das potências ocidentais são uma prova do triunfo do sistema liberal-capitalista nessa "guerra fria" jamais declarada contra o mundo socialista.

Certamente ainda existem a "China Vermelha" e outros grupos de resistência nacional-comunistas ou antiglobalização que pretendem ser um ponto de referência na luta contra o Pentágono, porém que, nem muito menos se podem comparar com as contradições existentes entre as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial.

A classe dirigente ocidental e os chefes da OTAN reconheceram abertamente ter ganho a "guerra fria". Desde a Rússia pós-soviética também se reconheceu esta vitória: no Encontro de Moscou de 20 de abril de 1996 entre os representantes do G7 e Rússia se reconheceu que "o fim da guerra fria e as reformas políticas e econômicas da Rússia abriram uma nova era em nossas relações; o Encontro do Kremlin é um grande passo para a realização de nossos objetivos".

Chegamos pois à conclusão de que a "Terceira Guerra Mundial" (chamada também "guerra fria") acabou com a queda do bloco socialista, e que o conflito atualmente em marcha só pode denominar-se "Quarta Guerra Mundial".

Visto desde fora este conflito não aparece como "quente" (caso das duas primeiras guerras mundiais) nem "frio", senão simplesmente "oculto"; não se expressa mediante grandes manobras nem declarações grandiloquentes, porém não obstante está aí, se está levando a cabo com toda minuciosidade.

Ainda apesar da rapidez com a que a OTAN, com os Estados Unidos à cabeça, se infiltrou nos estados que uma vez foram aliados da URSS, ninguém se deu conta a princípio da magnitude da infiltração, que causou uma hipnose coletiva nesses países, aprisionados pelo sonho das promessas de bem estar material e "moral" que prometiam os mensageiros do liberalismo ocidental. Inclusive na própria Rússia, metida em cheio no sangrento conflito na Chechênia, as vozes que se ergueram previnindo sobre as nefastas consequências dessa infiltração foram ignoradas por grande parte da sociedade, incluído o estamento militar, e somente encontraram eco em alguns setores minoritários da opinião pública.

Foi unicamente a partir dos criminosos bombardeios sobre Belgrado, comparáveis por seu cinismo com os ataques atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki, que se começou a ver que a "guerra fria" havia entrado em uma nova fase. Igualmente ficou claro este fato após a provocação global que foi produzida pelo 11 de setembro de 2001, pensada como uma farsa pública e um show político-militar.

A muitos especialistas não passou desapercebido que esse "ataque terrorista" que causou o desaparecimento das duas Torres Gêmeas, não foi mais que uma distração. Para a realização desse atentado se contou com a colaboração existente entre os serviços secretos americanos e israelenses. Bin Laden e os talibãs somente foram os "idiotas úteis". A finalidade do atentado era clara: Reforçar a presença dos EUA (e da OTAN) em todo o globo, e debilitar seus potenciais oponentes, ao mesmo tempo que relançar a estancada economia ocidental mediante a infiltração em diferentes mercados e a fabricação de armas ultramodernas.

A diferença principal entre a "Quarta Guerra Mundial" e a anterior "guerra fria" é que a primeira é levada a cabo não por nações nem estados mas sim por estruturas transnacionais. Com a ajuda das novas tecnologias expandiu-se por todos os cantos do planeta. Por exemplo, a empresa Microsoft, se expande pelo mundo conquistando novos mercados não por causa da força dos tanques e aviões, senão através dos canais informativos do ciberespaço.

As especificidades dessas agressões aparecem mais claras quando se observa o mundo não como um "todo", senão como composto de diferentes "realidades": A Biosfera (natureza); a geografia; a história (memória); a religião (sistema de valores); a ciência e a técnica; as comunicações; o ciberespaço (mundo virtual) e a esfera financeira. Todas estas realidades juntas constituem o que denominamos com uma simples palavra: "Mundo".

Tal como as forças e os sujeitos históricos que alguma vez pretenderam jogar um papel importante em tal ou qual circunstância deveram ter em conta todas essas esferas citadas anteriormente. Os conflitos, a diplomacia aberta e secreta e as lutas dos serviços de segurança, todos formam o que veio a se chamar a "guerra mundial".

O resultado é que sempre ganhará o que melhor compreenda a realidade do mundo circundante, o que melhor saiba utilizar as armas e recursos em sua totalidade. O simples conhecimento somente de uma esfera (por exemplo, religiosa ou geográfica) e a posse, igualmente, de um só tipo de arma (de fogo ou nuclear, façamos o caso) não dará nunca como resultado a vitória em uma guerra contemporânea.

O Ocidente sempre soube utilizar com proveito as velhas armas de seus rivais. A criação de disputas religiosas artificiais em uma determinada etnia, por exemplo, leva à destruição da nação. A proliferação de sistemas multipartidários desemboca, igualmente, na utilização ineficaz dos recursos humanos, à luta de classes e à divisão do estado em diferentes esferas de influência econômica.

Os conflitos nacionais no interior de um estado multinacional levam também às lutas religiosas e civis, ao secessionismo e à destruição dos grandes espaços geopolíticos. O financiamento de uma ou outra força em conflito dentro dos "pontos quentes" do planeta ajuda às potências mundiais a modificar em seu proveito o equilíbrio regional ou global. Exemplos dessa última tática seriam o apoio prestado pela OTAN aos muçulmanos albaneses ou à "oposição laranja" na Ucrânia.

Para desviar a atenção da opinião mundial dessas manobras e ocultar seus verdadeiros objetivos, o agressor mascara sua agressiva tarefa. Com este fim, se recorre à criação de uma imagem demonizada do "sujeito" inimigo (este "sujeito" pode ser uma pessoa concreta, uma organização terrorista ou um determinado país). Na história recente, Hitler, por exemplo, personificou como ninguém este medo do "inimigo". Com a queda do nacional-socialismo alemão e do comunismo soviético (com seus Gulags), criou-se um novo inimigo mundial, neste caso o "terrorismo islâmico".

Porém, quem organiza este jogo, denominado "luta pela paz", "nova ordem mundial" e "luta contra o terrorismo"? Existe em realidade uma única força capaz de controlar todo o orbe terrestre?

De fato, uma força única como tal não existe. Há, isso sim, uma união das elites dirigentes, coordenadas para conseguir a dominação mundial. Seus órgãos de trabalho são organizações internacionais como a OTAN, a Comissão Trilateral ou o Clube Bilderberg. Igualmente, diferentes igrejas, ordens, e clãs familiares e econômicos colaboram na consecução desses objetivos.

O tão utilizado conceito de "judaico-maçonaria" não ajuda a explicar, nem muito menos, quem está por trás de todas estas manobras. Os judeus e os maçons não são a mesma coisa. Dentro do próprio judaísmo existem lutas internas (por exemplo, entre sionistas e ultraortodoxos). À parte, forças que parecem não entrar neste esquema, como os japoneses, participam desse jogo pela dominação mundial.

Muitas vezes, em lugar de uma visão real do conflito mundial que se está levando a cabo, somente vemos os dois pólos enfrentados; os "judeus-maçons" por um lado, e os "terroristas" pelo outro.

Deixando de lado os valores ideológicos, religiosos ou emocionais, a esfera técnico-científica é uma das mais importantes. Ao longo da história houve tentativas de qualificar à genética como "propaganda burguesa", à cibernética de "invenção dos judeus", aos satélites de "armas comunistas" e à internet de "rede do anticristo"; porém todas estas denominações não carregam nenhuma crítica séria. A ciência e a técnica são instrumentos úteis em mãos de gente livre. Podem ajudar e reforçar qualquer ideologia. Não se deve temer a tecnologia; ao contrário, deve ser utilizada para os próprios fins. De outro modo, se corre o risco de ficar no meio do caminho. Com sabres cossacos e padres com cruzes no melhor dos casos chegaremos ao paraíso, porém não ao progresso.

Se o solo foi o campo de batalha das guerras dos séculos anteriores e no século XX foram os espaços marítimos e aéreos, a esfera da guerra atual e das futuras, será o que se veio a chamar de "noosfera", isto é, a inteligência humana e os produtos técnico-científicos que dela derivam. Toda a união da técnica moderna, telecomunicações, meios de transporte, armas modernas...dependem do gênio humano, de seu talento, e estes, por sua vez, da genética e da saúde. Dessa forma, os espiões ocidentais aproveitando o aparecimento da "perestroika", a primeira coisa que fizeram foi enganar alguns de nossos melhores especialistas. Não puderam comrpar todos, porém compraram muitos, de tal maneira que as perdas produzidas em nosso país ainda se deixarão sentir por muito tempo.

É por isso que no centro de todas as nossas manobras nessa Quarta Guerra Mundial devemos situar um novo sujeito, um herói fundador e libertador. Frente à degeneração e a robotização que causa esta "guerra oculta" devemos opor uma Guarda Branca do século XXI. Os membros dessa devem ser fortes geneticamente, íntegros e intelectualmente preparados. Tem que formar uma nova casta, educada nos mistérios de nossos antepassados porém, ao mesmo tempo capazes de utilizar toda a técnica moderna, sem renunciar nunca a sua herança. Dessa forma nunca cairão nas armadilhas que, sutilmente, vai tecendo a modernidade.

Esta é a tarefa a que se deve dedicar nosso exército e nossos serviços secretos. Da chamada "classe média", formada por "novos russos", antigos funcionários e "privatizadores", assim como os imigrantes do sul e outra fauna que povoa nossas megalópoles, nunca poderemos esperar indivíduos com as qualidades exigidas. Somente o que haja combatido na guerra contemporânea pode sê-lo, porém não o que haja lutado nas montanhas da Chechênia e do Daguestão, senão o que lutou nas frentes de batalha da Quarta Guerra Mundial.

A Revolução Branca! A glória em nome dos Antepassados; o esforço pela liderança em prol de novos espaços; a luta pela Vitória; eis aqui os objetivos que devemos ensinar à juventude para devolver à Rússia seu prestígio e glória.

10/01/2012

Os Judeus na Jurisprudência

por Carl Schmitt



Como todas as apresentações demonstraram, o direito judaico parece ser redenção do caos. A polaridade de caos judaico e legalismo judaico, de niilismo anárquico e normativismo positivista, de materialismo sensualista grosseiro e moralismo abstrato, aparece tão claramente e tão vividamente diante de nossos olhos, que nós podemos usar este fato - similar aos estudos de psicologia racial - como uma descoberta científica em nossos encontros para nosso trabalho futuro. Portanto, na capacidade de guardiães germânicos do Direito e professores de Direito, pela primeira vez nós fizemos uma contribuição à significativa pesquisa já realizada no âmbito dos estudos raciais. Nesse nosso trabalho conjunto, ao longo dos dois últimos dias, nós chegamos à conclusão inicial que preserva a honra de nossa ciência em conjunção com outras realizações, e que, como foi corretamente apontado pelo Dr. Falk Ruttke, são realizações que podem nos servir de modelos.

1. A tarefa necessária relativa a bibliografia é muito difícil. O que é necessário é determinar, do modo mais preciso que seja possível, que é judeu e quem não é. Os menores erros a esse respeito podem sair de proporção, levar a confusão, e ajudar os inimigos do nacional-socialismo a alcançarem triunfos baratos. Também, esses erros podem ter um efeito danoso em vista do fato de que jovens estudantes podem ser distraídos das idéias principais por pequenas imprecisões, ao passo que com base no falso senso de justiça - tão comum aos nossos costumes germânicos - eles podem prontamente se inclinarem a ponderar sobre pequenos casos isolados de imprecisão, ao invés de focarem nas grande e justa questão pela qual estamos lutando.

2. Apenas quando tivermos um registro preciso nós podemos continuar trabalhando na direção de um catálogo bibliotecário e, limpando as bibliotecas, proteger nossos estudantes das confusões que residem nestes fatos; por um lado nós continuamos apontando para a luta necessária contra o espírito judaico, e por outro lado, ao fim de 1936, em um seminário de estudos jurídicos ainda parece como se a maior parte da literatura jurídica estivesse sendo produzida por judeus. Apenas pela limpeza das bibliotecas essa monstruosa sugestão desaparecerá, uma sugestão fundada no fato de que as obras dos judeus ainda estão se fazendo presentes em seminrários jurídicos, virtualmente convidando os estudantes a continuar com a absorção do pensamento judaico. Todos os escritos jurídicos de autores judeus pertence, como o Ministro do Reich Dr. Frank corretamente afirmou, sem distinção ao catálogo da seção "Judaica".

3. Também crucial é a questão das citações. Após esse encontro não é mais possível citar um escritor judeu apenas como qualquer outro escritor. Seria absolutamente irresponsável citar um autor judeu como uma testemunha especialista, ou mesmo como algum tipo de autoridade no campo. Um escritor judeu para nós não é fonte de autoridade - nem mesmo como uma autoridade "puramente científica". Essa descoberta é um ponto de partida quando consideramos a questão das citações. Para nós, um escritor judeu, mesmo quando ele é meramente citado, permanece um autor judeu. O acréscimo da palavra e designação "judeu" não é uma característica externa, mas algo essencial, dado que nós não podemos impedir um autor judeu de usar a língua alemã. Falhando nisso, a purificação de nossa literatura jurídica não será possível. Quem quer que escreva hoje "Stahl Jolson" realizará muito mais de uma maneira científica clara do que escrevendo longas exegeses contra os judeus, que, em geral, movem-se em expressões abstratas e que in concreto não afetam um único judeu. (*A pessoa referida por Schmitt como Stahl Jolson é usualmente conhecida como Friedrich Julius Stahl; ao usar "Stahl Jolson" Schmitt enfatiza a origem judaica de Stahl. Stahl Jolson foi um filósofo jurídico conservador judaico-germânico que se converteu ao Cristianismo).

Assim, apenas quando nós resolvermos a questão das citações, nós seremos capazes de remover a literatura judaicamente infectada, e alcançar, ao invés, uma literatura jurídica alemã. O problema das citações não é apenas de natureza prática; é um problema fundamental. Pode-se reconhecer um escritor individual pela maneira que ele usa citações. Eu gostaria de apontar para a praticidade insolente da Escola de Viena do judeu Kelsen, na qual todos citam uns aos outros, com outras opiniões sendo negligenciadas - para nós alemães uma crueldade e insolência incompreensíveis. A questão das citações não é uma questão trivial. Hoje, no que concerne a questão judaica, não há mais questões triviais. Tudo está estreitamente conectado assim que a verdadeira batalha de visões-de-mundo começa.

A questão das citações levará a esclarecimentos necessários relativos a muitas outras questões individuais, tal como a questão de citar meio-judeus e aqueles que possuem parentesco próximo com judeus. Eu alerto logo de início contra colocar no centro da atenção questões secundárias e questões interpostas. Esse é um modo padrão de evitar decisões claras. Há centenas de casos em que não há dúvida de que eles são judeus completos. É um truque judaico típico desviar a atenção do coração da questão para questões duvidosas, questões secundárias ou questões interpostas. Autores, em relação oas quais não há dúvida de que eles sejam judeus puros, serão no futuro de nossa literatura jurídica, referidos como judeus. Quando, por uma causa objetiva seja necessário citar autores judeus, isso será feito apenas acrescentando-se a palavra "judeu". Pela mera menção da palavra "judeu" um exorcismo salvífico começará.

4. O último objetivo prático é relativo a questão da pesquisa científica, particularmente no que concerne dissertações. Muito material excelente para dissertações doutorais emergiu das apresentações desses dois dias. Eu não penso que seja necessário que ainda 70 a 80% das centenas de dissertações doutorais, que chegam à luz hoje na Alemanha, continuem a ser escritas no mesmo estilo das velhas dissertações sobre o código civil ou o código penal. Novamente, esta é uma questão séria, considerando quanto talento e potencial intelectual existe entre a juventude alemã e o que significa quando professores de Direito alemães encarregados da educação e do treinamento científico desses jovens alemães, dirigem esses jovens para tópicos de distração e para longe da vida diária do povo alemão. Aqui nós temos uma tarefa profissional de importância primordial. Se mantivermos em mente o que se concluiu nessa conferência só sobre os temas de dissertação, relativo às abordagens jurídicas histórica e constitucional - bem como a pesquisa sobre a mente judaica e sua influência sobre a vida intelectual alemã em sua "interseção" com a mente germânica, como foi muito claramente ressaltado por um dos palestrantes - não parece ser difícil chamar a atenção de um jovem estudante para a influência de Lasker, Friedberg, e Johann Jacoby (*juristas e políticas liberais judeus do século XIX) sobre os desenvolvimentos jurídicos alemães, ou melhor ainda, encorajar um estudante a estudar o desenvolvimento dos códigos de processo civil e processo penal, bem como outras leis em relação à influência judaica, ou fazer com que o estudante foque sua atenção na questão de "judeus e o conceito de Estado de Direito". Não há falta de temas de dissertação e seria uma negligência quase estúpida se esses novos temas não fossem abordados.

III. Mas mais importantemente, o que acabou sendo nesses últimos dias a conclusão definitiva, é que as opiniões judaicas, com seu conteúdo intelectual, não podem ser colocadas no mesmo nível que as opiniões de autores alemães ou outros autores não-judeus. Nós todos percebemos isso com a maior clareza quanto a essa suposta dificuldade, como quando há judeus expressando opiniões nacionais e patrióticas, como foi o caso do famoso Stahl Jolson. De novo e de novo em nossa conferência nós chegamos a perceber que o judeu é estéril e improdutivo para o tipo germânico de espírito. Ele não tem nada a nos dizer, independentemente do quão astutamente ele continue a fazer suas deduções, ou mesmo quão ansiosamente ele queira se assimilar. É claro, ele pode brincar com suas enormes perícias mercantis e de mediação - mas no que concerne a substância ele não cria nada. É um sinal de falta de treinamento no estudo da raça e assim no pensamento nacional-socialista ignorar isso e assumir que há um problema mais substancial por trás disso, tal como alguns judeus falando e escrevendo em termos nacionalistas, alguns em termos internacionalistas - que eles possam advogar em um momento teorias conservadoras, liberais, subjetivas, ou objetivas. Até mesmo a comumente mencionada perícia crítica do judeu é um produto de seu descompasso com tudo essencial e genuíno. É um conceito de crítica completamente diferente da utilizada pelos professores de Direito alemães agindo em um molde genuíno, criticando um ao outro ou promovendo um ao outro. Nem é correto representar o judeu como uma pessoa muito lógica, muito conceitual, construtiva, ou racional. Não é tanto sua "acuidade lógica descuidada" - o que nós entendemos por lógica, mas uma arma apontada contra nós; a qual deriva da desproporção entre o tópico e a matéria.

O relacionamento do pensamento judaico com o espírito germânico é do seguinte tipo: o judeu possui um relacionamento parasitário, tático, e mercantil frente a nossa obra intelectual. Através de suas habilidades mercantis ele normalmente possui um senso apurado do autêntico; com grande engenhosidade e um célere talento ele sabe como mirar no autêntico. Esse é o instinto de um parasido e de um genuíno mercador. Ainda que muito pouco essa perícia tenha sido demonstrada pelos judeus na arte da pintura, os negociantes judeus de arte podem, não obstante, mais rapidamente identificar um Rembrandt genuíno do que um historiador de arte alemão. Similarmente, no campo da jurisprudência, isso não pode ser uma prova de que com suas perícias o judeu pode muito rapidamente reconhecer bons autores e boas teorias. Os judeus rapidamente identificam a substância alemã e é para isso que eles são atraídos. Nós não devemos lhes dar crédito por isso - apenas para nos alertar para ativarmos nossas inibições. É simplesmente devido à situação geral do judeu, em sua relação parasitária, tática e mercanil em relação a herança intelectual alemã. Mesmo uma troca de máscaras horrível e sinistra, como a que subjaz toda a vida de Stahl Jolson não nos deveria mais distrair. Quando quer que seja incessantemente enfatizado que essa pessoa é "subjetivamente honesta" - independentemente do quão verdadeiro isso seja - ainda assim eu devo acrescentar que nós não podemos vislumbrar a alma dos judeus e que nós não temos acesso ao caráter interno dos judeus. Nós conhecemos apenas a discrepância entre nossos tipos. Quem quer que tenha vislumbrado essa verdade - também sabe o que realmente significa a raça.

Ademais, é necessário perceber quão diferentemente os judeus se comportaram em diferentes fases da história. Heinrich Lange explicitamente apontou para isso em seus excelentes ensaios. As viradas mais significativas no comportamento judaico durante o último século foram os anos de 1815, 1830, 1848, 1871, 1890 - a dispensa de Bismarck e o início da era guilhermina - 1918, 1933. É, portanto, inaceitável colocar no mesmo nível um caso de entrada judaica em cena em 1830 com um de 1930. Aqui novamente nós temos o judeu Stahl Jolson, que ainda exerce influência sobre a oposição denominacional e eclesiástica contra o Estado nacional-socialista. É completamente falso retratá-lo como um judeu exemplar e conservador em contraste a outros judeus tardios que infelizmente jamais puderam ser assim. Nesse fato reside uma falha perigoso em reconhecer o insight essencial, qual seja, que com cada mudança na situação geral, com cada novo período na história, e tão rapidamente que nós só conseguimos perceber com a máxima atenção, uma mudança ocorre no comportamento judaico geral, uma troca de máscaras de sutileza demoníaca na qual, por contraste, a questão relativa a judeus individualmente envolvidos, é totalmente irrelevante. Realmente, a grande adaptabilidade dos judeus tem sido levada a extremos ao longo de milhares de anos de sua história através de características raciais específicas por meio das quais a virtuosidade da mímica foi ainda mais cultivada por uma longa prática. Nós podemos ver isso, mas não podemos compreender. Porém, nós não podemos perder de vistas o fato de que há uma virtuosidade judaica.

Eu repito de novo e de novo o apelo urgente para que leiam cada frase sobre a questão judaica no Mein Kampf de Adolf Hitler, e especialmente seus comentários sobre a "dialética judaica". O que foi apresentado em nosso encontro por especialistas em muitos trabalhos científicos e em fantásticos discursos é dito em linguagem simples para cada camarada nacional de um modo completamente compreensível. Sempre remetam nossos estudantes de Direito àquelas frases do Führer.

Mas além do problema judaico não esqueçamos o lado alemão dessa questão. Por exemplo, em uma aplicação direita do que o Dr. Falk Ruttke disse, nós poderíamos mencionar o caso de Karl Marx e o impacto que ele teve, como representado pelo caso de Friedrich Engels, ou Bruno Bauer, ou Ludwig Feuerbach, ou talvez até mesmo Hegel. Aqui está um problema trágico. Como foi possível que um alemão de Wuppertal, tal como Engels, caísse vítima do judeu Marx tão completamente? Como foi possível que milhares de camaradas nacionais decentes e honestos sucumbissem de tal modo à mente judaica? De onde vem essa falta de resistência de muitos homens alemães e de onde vem essa fraqueza e o escurecimento do estilo alemão em tal momento histórico? O exame dessa questão pertence a nossa auto-consciência científica bem como a nossa armadura pela nova luta.

Nós reconhecemos tudo isso nessa conferência com a maior das clarezas científicas. Comparados com a cegueira e ignorância de tempos passados, essas são percepções revolucionárias. Se equipados com isso nós podemos entrar na luta cuja nova fase começou. Não nos deixemos enganar a respeito da seriedade dessa luta. Os discursos do Congresso do Partido em Nuremberg não deixam dúvidas. O judaísmo, como o Führer afirma em Mein Kampf, não apenas é hostil a tudo que é hostil aos judeus; ele é um inimigo mortal de qualquer produtividade real de qualquer outro povo. Seu poder mundial não tolera a produtividade nacional porque de outro modo seu tipo de existência seria refutado. O interesse judaico na produtividade real de outras nações, a velocidade com a qual o artista judeu ou o comerciante intelectual colidem com o artista, poeta, ou acadêmico alemão - e dando-lhes uma pensão ou posição os aproveitam para si - não são virtudes e não são qualidades que devem nos distrair do essencial. Nós estamos lidando com o judeu não por si mesmos. O que nós buscamos e aquilo pelo que lutamos é nossa autêntica natureza e a pureza incorrupta de nosso povo alemão. "Ao resistir ao Judeu", disse nosso Führer, "eu luto pela obra do Senhor".

09/01/2012

A Guerra como Experiência Interior - Análise de uma Falsa Polêmica

por Laurent Schang



"Para o soldado - escreve Philippe Masson em L'Homme en Guerre 1901-2001 - para o verdadeiro combatente, a guerra se identifica com estranhas associações, uma mescla de fascinação e horror, humor e tristeza, ternura e crueldade. No combate, o homem pode manifestar covardia ou uma loucura sanguinária. Encontra-se sujeito entre o instinto pela vida e o instinto mortal, pulsões que podem lhe conduzir à morte mais abjeta ou ao espírito de sacrifício.

Há alguns meses apareção a última edição francesa de A Guerra como Experiência Interior, de Ernst Jünger, com prefácio do filósofo André Glucksmann, na editora de Christian Bourgois, a qual de uns anos para cá se especializou na tradução da obra jüngeriana. Um texto verdadeiramente importante, que vem completar oportunamente os escritos bélicos já aparecidos do escritor alemão, Tempestades de Aço, O Bosque 125 e Tenente Sturm, obras de juventude que os especialistas de seu legado poliédrico consideram ao mesmo tempo os mais vindicativos, passos iniciais de suas ulteriores posições políticas e, ao mesmo tempo, anunciadoras do Jünger metafísico, explorador do Ser, confidente da intimidade cósmica.

Voluntário desde o primeiro dia em que se desencadearam as hostilidades em 1914, ferido catorze vezes, titular da Cruz de Ferro de Primeira Classe, Cavaleiro da Ordem dos Hohenzollern, e da Ordem "Pour le Mérite", distinção suprema e nada habitual, Ernst Jünger publica a partir de 1920, por conta própria e, como ele se jactará em mais de uma ocasião, "sem intenção literária alguma", Tempestades de Aço que o lançam subitamente, frente às memórias lacrimosas dos Barbusse, Remarque, von Unruh ou Dorgelès, como um náufrago inclassificável, um colecionador tanto de revelações ontológicas como de feridas psíquicas e morais. André Gide e Georges Bataille acreditaram no gênio.

Uma Teoria do Guerreiro Emancipado

Considerando não ter alcançado completamente seu objetivo, em 1922 publicou Der Kampf als inneres Erlebnis, A Guerra como Experiência Interior, que dedicou a seu irmão Friedrich Georg, também destacado combatente e escritor: "A meu querido irmão Fritz em memória de nosso reencontro no campo de batalha de Langemarck". Divide seu manuscrito em treze pequenos capítulos, marcados pelas memórias de sua guerra, aos quais entitula sem rodeios: Sangue, Honra, Bravura, Lansquenetes, Fogo, ou inclusive Velada de Armas. Nem uma só evasiva na pluma de Jünger, nem um só arrependimento: "Há tempo suficiente. Para toda uma camada da população e acima de tudo da juventude, a guerra surge como uma necessidade interior, como uma busca da autenticidade, da verdade, da conquista de si mesmo (...) uma luta contra as taras da burguesia, o materialismo, a banalidade, a hipocrisia, a tirania". Estas línhas de W. Deist, extraídas de seu ensaio Le moral des troupes allemandes sur le front occidental à la fin de 1916", nos revelam o essencial de Jünger recém concluída a Grande Guerra.

A leitura do prefácio de André Glucksmann deixa transluzir seu ceticismo em relação à legitimidade do romance. "O manifesto, novamente reeditado, é um texto louco, porém em absoluto a obra de um louco. Uma história cheia de ruído, de furor e de sangue, a nossa". Aferrando-se aos triviais clássicos do gênero, o filósofo relega o pensamento de Jünger a uma simples prefiguração do nacional-socialismo, construindo uma artificiosa comparação entre Der Kampf... e Mein Kampf. E se anota acertadamente que o lansquenete dessa obra o Trabalhador de 1932, não deixa de restringir a obra de Jünger à exaltação da radicalidade, do niilismo revolucionário (citando confusamente a Malraux, Breton e Lênin), a união do proletariado e da raça sem distinguir a distância jüngeriana da sede de sangue e do ódio que nutrirão o fascismo, o nacional-socialismo, e o bolchevismo. Ao pretender moralizar uma obra essencialmente situada mais além de toda moral, Glucksmann acaba por desnaturalizar a Jünger e passar longe em relação a sua mensagem profunda.

O Inimio, Espelho da Própria Miséria



Lá onde Malraux percebe o "fundamental", Jünger adverte "o elemental". O adversário, o inimigo, não é o combatente que se esconde na trincheira do fronte, senão o próprio Homem, sem bandeira, o Homem sozinho frente a seus instintos, ao irracional, despojado de todo intelecto, de toda referência religiosa. Jünger lavra ata dessa cruel realidade e a torna sua, se conforma e retrata em suas páginas aqueles valores novos que emergem, terríveis e salvíficos, na linha de um espírito muito próximo a Teilhard de Chardin quando escrevia: "A experiência inolvidável do fronte, a meu ver, é a de uma imensa liberdade". Homo metaphysicus, Jünger canta a tragédia do fronte de batalha e coloca poesia ao império da bestialidade onde séculos de civilização vacilante sucumbem diante do peso dos assaltos em onda e do fracasso dos bombardeios. "E as estrelas que nos rodeiam se escurecem em sua fogueira, as estátuas dos falsos deuses acabam em pedaços de argila, e de novo todas as formas prefiguradas se fundem em mil fornos incandescentes, para ser refundidas em forma de valores novos". E neste universo de furor planificado, o mais débil deve "perecer", sob o aplauso de um Jünger darwinista convicto que contempla como renasce o homem em sua condição primigênia de guerreiro errante. "Assim será, e para sempre". Na luta paroxística que travam os povos sob o mandato hipnotizador das leis eternas, o jovem tenente dos Stoßtruppen adverte o aparecimento de uma nova humanidade, consciente da medida de sua própria força, terrível: "uma raça nova, a energia encarnada, carregada ao máximo de força".

Jünger lega ao leitor algumas das mais belas páginas sobre esses homens que, como ele, sabem-se em liberdade condicional, e não deixam de se sentir vivos cada vez que amanhece: "Tudo isto imprimia ao combatente das trincheiras a marca do bestial, a incerteza, uma fatalidade elemental, uma circunstância onde pesava, como nos tempos primitivos, uma permanente ameaça (...) Em cada funil de no man's land, um grupo de gaiatos acabava sendo uma brusca carnificina, uma explosiva orgia de fogo e sangue (...) Saúde em tudo isso? Contava para todos aqueles que esperavam uma longa velhice. (...) Cada dia que respiro é um dom, divino, não merecido, do qual é necessário gozar de forma embriagadora, como se tratasse de um vinho excelente". Assim, submerso no torvelinho de uma guerra sem precedentes, total, de massas, no qual o inimigo não é tanto na medida em que defende uma pátria adversária, senão como obstáculo à realização própria - espelho da própria miséria, da própria grandeza - o jovem Jünger, de fato, questiona a herança da Aufklärung (Iluminismo), seu sentido da história, seu mito do progresso, para pressentir uma pós-guerra na qual uns poucos se baterão por um ideal, soldados nietzscheanos filhos dos hoplitas de Salamina, das legiões de Roma e das mesnadas medievais aos quais se acrescentam a ética da moderna cavalaria, "o martelo que forja os grandes impérios, o escudo sem o qual nenhuma civilização sobrevive".

Um sentido do Homem mais elevado que o que confere a nação

Jünger conhece o horror ao quotidiano, aborda sem descanso e o assenta sem concessão alguma sobre o papel - "Se reconhece entre outros o odor do homem em decomposição, pesado, enjoativo, toscamente tenaz como cola (...) ao ponto de que os mais comilões perdem o apetite" - porém, diferente dos destacamentos que conformarão as vanguardas fascistas dos anos vinte e trinta, não hasteia nem ódio nem nacionalismo exacerbado, e sonha, ao contrário, com pontes entre as nações estendidas por homens feitos com o mesmo molde de quatro anos de fogo e sangue, e que respondem às mesmas querências viris: "O país não é uma consigna: trata-se de uma pequena e modesta palavra, o punhado de terra onde a alma se enraiza. O Estado, a nação, são conceitos desbotados, porém se sabe o que querem dizer. O país é um sentimento que as plantas são capazes de sentir". Longe de toda xenofobia, vomitando a propaganda que atiça os ódios fáticos, o "gladiador" Jünger, amante da França e para o qual é tão ruim o estouro de uma granada como ser insultado de boche, se proclama próximo aos pacifistas, "soldados da idéia" que ele estima por sua grandeza de espírito, sua coragem para sofrer mais além dos campos de batalha, e seu conceito de Homem mais elevado do que aquele que se nutre da nação. Sonha, longe da calmaria, a nova união dos lansquenetes e dos pacifistas, de D'Annunzio e Roman Rolland. Efeito das bombas ou profetismo iluminado, A Guerra como Experiência Interior toma aqui uma dimensão e uma ressonância infinitamente superiores às dos outros testemunhos de pós-guerra, que prefigura em forma de filigrana o Jünger do seguinte conflito mundial, o da Paz.

O que torna boa a existência

"A guerra me mudou profundamente, como fez, estou convicto, com toda minha geração"; mais ainda, "seu espírito está entre nós, servos de sua mecânica, e da qual jamais poderemos nos desembaraçar". Toda a obra de Jünger está impregnada da seleção arbitrária do fogo que cortou aos povos europeus e deixou sequelas irreparáveis na geração das trincheiras. Não se pode compreender O Trabalhador, Heliópolis, Tratado do Rebelde, sem penetrar na formidável (no sentido original do termo) limpeza cultural, intelectual e filosófica que foi a "guerra de 14": talho radical em relação às esperanças com as quais o século XX havia nascido.

Aquilo que outorga força a Jünger, sua peculiaridade estranha em meio ao caos consiste em não se resignar e persistir em pensar sobre o homem livre, por cima da fatalidade - "que nessa guerra só experimenta a negação, o sofrimento e não a afirmação, o movimento superior, a aura vivida como escravidão. Ele a terá vivido desde fora e não desde o interior". Enquanto que André Glucksmann se perde em um humanismo beato e dilui seu pensamento em um moralismo fora de lugar, Jünger nos ensina o que faz boa a existência, sua qualidade de ilusória.

"Parece evidente - escreve o acadêmico Michel Déon - que Jünger não esteve nunca fascinado pela guerra, senão todo o contrário, pela paz (...) Sob o nome de Jünger, não observo outra divisa que esta: "Sem ódio e sem censura" (...) Se tratará em vão de encontrar uma apologia da guerra, a sombra de uma fanfarronada, o menor lugar comum sobre a resposta de uns povos expostos ao fogo e - mais ainda - a busca de responsabilidades nos três conflitos mais nomeados que, desde 1870 a 1945, colocaram a França contra a Alemanha".

05/01/2012

A Democracia Burguesa

por Ernst Niekisch


A democracia burguesa é uma forma básica de "integração", de incorporação das massas no organismo social - sua subordinação a uma direção política. Não é de nenhum modo a direta autodeterminação do povo tal e como tantas vezes costuma autodefinir-se. É muito duvidoso que, exceto para grupos numericamente pequenos, possa chegar a ser realmente um veículo possível para uma autodeterminação real. Na expressão "soberania popular" fica claramente indicado que a relação de soberania não ficou de nenhum modo superada. Chega-se a esta conclusão, quando contempla-se a democracia em seu desenvolvimento histórico como o resultado de lutas sociais e políticas internas nas Nações. Par isso, é necessário considerá-la em sua relação com as outras duas formas de soberania, a monarquia e a aristocracia.

A monarquia é a soberania de uma família. Através de seu monopólio da soberania, eleva-se como a família mais distinta. Ela necessita de uma grande autoridade para poder manter-se em sua posição sem ser discutida. Não obstante ela somente conservará sua autoridade impoortunada sempre e quando se mostre como administrador e fiduciária dos poderes particulares estamentais, assim como dos interesses gerais do país. Os interesses particulares estamentais são os que lhe outorgam proteção e defesa; quando estes interesses veem no monarca o garantidor de seus privilégios, este pode chegar a converter-se para eles, inclusive, no símbolo de sua própria existência. Tão estreitamente chegavam a vincular-se os interesses estamentais com os da família que representava a monarquia, que com esta existiam e caíam. Os estratos mais baixos da população estavam expostos à exploração das classes mais privilegiadas, porém por outro lado disfrutavam de um mínimo de proteção que lhes permitia seguir existindo; e este mínimo foi o que permitiu que se deixassem dominar pela ordem político-social da época.

A aristocracia, aqui a soberania de uma nobreza hereditária, se posiciona perante a monarquia, a soberania de um só, sobre seus próprios pés. O monarca já não é a figura representativa e organizadora de uma determinada ordem social, esta ordem social busca sustentar-se por si mesma. Os membros estamentais guardam para si mesmos as honras que eram concedidas a uma família dominante na monarquia. Eles conformam um grupo mais ou menos fechado, entrar nele eleva um indivíduo ao mais alto graude distinção na sociedade. A aristocracia é o poder ordenador, a cabeça do corpo social. Todos os privilégios pertencem-lhes devido a sua função diretora. É sacrílego, como no caso do monarca, observar-lhes ou seus atos de u modo crítico para os membros dos estratos inferiores da sociedade. As câmaras de tortura de Veneza, foram um dos meios mais terrivelmente intimidatórios para silenciar qualquer intenção crítica. A massa é protegida como na monarquia, seu bem-estar é garantido unicamente através dos corpos estamentais. Às massas falta a capacidade de se protegerem por conta própria, carecem de um nível de preparação suficiente, são mantidos na ignorância e este nível de dependência das classes superiores permite a exploração. Para as classes altas- eles são o populacho estúpido e inculto incapaz de saber por si mesmos o que lhe convém - e em sua maioria as classes populares também aceitam esta idéia sobre si mesmas.

A democracia surge como movimento de protesto e oposição frente à ordem própria da monarquia e da aristocracia. Membros dos estratos inferiores, sem autoridade nem direitos na sociedade estamental, que devido a uma série de transformações econômicas e sociais lograram alcançar a riqueza e o bem-estar, não querem seguir encontrando-se no desprezo social e na incapacidade política na qual se encontram - são os burgueses. Eles se erguem como porta-vozes das massas mais desfavorecidas, as quais encontram-se igualmente longe dos privilégios estamentais e por isso resulta-lhes fácil seduzir. Nesse enfrentamento contra os privilégios formam uma frente comum, burgueses e massas proletárias, as diferenças de interesses entre uns e outros se desviam e desaparecem diante do inimigo uniforme. Frente a monarcas e aristocratas se proclamam como "Povo". O sentido de seu movimento é expulsar a nobreza. O "Povo" que se quer autodeterminar, é em realidade um grupo de plebeus enriquecidos, novos ricos, aqueles burgueses que lograram chegar a algo economicamente e que agora também querem alcançar algo social e políticamente. Este grupo usa o idioma do homem comum para obter assim o posto de representante dele, sua direção, frente aos privilegiados. Assim conseguem eles um apoio nas massas com o qual podem transformar a ordem anterior para seu benefício particular. A democracia é o governo, a soberania, do estrato burguês, que convenceu às massas que entre eles não existe nenhuma contradição de interesses, que quando eles se autodeterminam também a massa proletária logra por sua vez a autodeterminação para si mesma.

Foi uma ficção, porém a ficção funcionou e foi aceita como verdade. O "Povo" elevou-se à soberania frente aos poderes anteriores, este era o argumento da fábula construída. Em realidade o estrato social dos novos ricos, os burgueses, somente haviam empurrado a aristocracia contra a parede para colocar-se ela própria em seu lugar; eles simplesmente mudaram a ordem de soberania a seu favor. A ação contra os antigos senhores fica de todo completa, quando estes se veem forçados a integrar-se na nova ordem. 

Dos aristocratas, tal e como ocorreu na Inglaterra, devém a alta burguesia. Este é o modo mediante o qual eles descenderam ao "Povo". Porém, o Povo, as massas, permanecem como objeto do poder, a nova classe alta, privilegiada, não vai renunciar de nenhum modo a seu nível superior a favor deles. Somente que agora a massa não deve perceber que ela permanece abaixo. A nova classe alta não se mostra em sua condição privilegiada tal e como anteriormente sucedeu com a aristocracia ou a monarquia. Ela se disfarça como se fosse apenas mais uma, ela não chama teatralmente a atenção; ela aparece como se não existissem diferenças. Ela tampouco fecha-se inacessível, senão que aceita com gratidão os elementos mais brilhantes, e alpinistas, do proletariado. Não somente para se rejuvenescer, senão acima de tudo para retirar às massas as melhores forças fazendo-as suas e prevenir também o aparecimento de qualquer movimento de oposição perigoso. Pois um esforço concentra agora a maior atenção entre a nova classe dirigente: não permitir nenhuma consciência de oposição entre eles e a massa explorada. Cada burguês apresenta-se como um "filho do povo"; a igualdade de direitos, que é introduzida formal e pomposamente, deve estender a aparência de que todos são iguais. Com cautela se desviam os olhares das grandes diferenças de patrimônio, privilégios e poder; estas são tratadas como casualidades insignificantes e sem importância. A propaganda também pode construir ou exagerar as histórias de filhos do proletariado que alcançaram sua privilegiada posição. As massas devem acreditar que eles e a classe alta são uma única coisa; precisamente é esta sensação de unidade, na qual se encontram a massa e a classe dirigente, a premissa básica de que surge na democracia a idéia de Povo como acontecimento. A idéia de povo, una a classe dirigente e a massa; a democracia é o aparato político mediante o qual esta unidade aparente é realizada a nível institucional.


Democracia é um conceito político originário da antiga Grécia. Naquele tempo nunca foi entendida para conceder direitos aos escravos, senão que somente os cidadãos lvires contavam como "povo". A assembléia popular na ágora era soberana na medida em que se apropriava de toda competência de governo, cada posto da administração podia ser ocupado por qualquer cidadão livre por votação ou por azar. Onde as instituições funcionavam, era insinuado a cada cidadão livre o sentimento de que ele tinha coisas para dizer e que podia participar. Porém os verdadeiros governantes, os ricos e poderosos, permaneciam na sombra; desde a escuridão compravam votos, moviam seus assalariados, colocavam suas numerosas influências em funcionamento - sendo os verdadeiros governantes, por cima dos incautos que viviam na fantasia de que participavam em tudo aquilo. Justamente a circunstância de que atuassem desde as sombras, desde onde não era possível atacá-los ou capturá-los, porém manejando as massas em público, marcou a superioridade da democracia frente à aristocracia - esta perdeu sua "popularidade". A democracia era uma coisa do povo, da massa, e não a mera questão de um escolhido ou de uma minoria. O prestígio da democracia não ficou excessivamente afetado pelo fato de que em muitos casos o grau de participação se limitasse em critérios de nível de patrimônio. A eliminação dessas limitações, que normalmente deveriam ter sido o caminho natural para uma verdadeira realização da "soberania popular", foram contempladas como degeneração, depravação, decadência e estigmatizado como Oclocracia, "o governo do populacho". Em realidade, o governo do populacho consistia naqueles casos nos quais a capacidade de controle e influência dos poderes fáticos eram interrompidos ou anulados por algum motivo, as massas ficavam liberadas e não seguiam sentindo-se ligadas a suas obrigações para com a classe dirigente, fracassando assim o objetivo fundamental da democracia. 

O desejo de toda classe dirigente é manter os governados em calma, adormecer suas intenções críticas, não permiti que aflorem dúvidas sobre o sistema utilizado, impossibilitar seus questionamentos, e fechar-lhes a boca se for necessário. A ostentosa representação da aristocracia feudal, surpreende, intimida, faz emudecer, leva os plebeus à admiração e ao maravilhamento, que assim baixam a cabeça submissos. A força exercida, a exploração, mostra-se suportável porque os que a exercem se impõem através da excelência de seus cenários. Aquilo de que se trata é de marcar as diferenças ao máximo convertendo-as em invioláveis. A nova aristocracia do dinheiro, por sua vez, não faz uso desse aspecto imponente: ela educa parasitas e não servos submissos. Ela tem todavia uma necessidade maior que os antigos terratenentes de se disfarçar, porém nesse caso de um modo totalmente distinto. A "soberania do dinheiro" move os mais altos instintos do homem contra si mesmo, se ela é contemplada como dominação. Quando se mostra alguma contradição contra ela, ela deve em seguida apaziguar, encobrindo e negando seu caráter dominador e explorador. Não existe nenhum órgão que disfarce melhor o caráter dominador da "soberania do dinheiro" que a democracia; ela é o mais notável encobridor do caráter dominador da plutocracia.

No lugar da ágora da antiguidade, apresenta-se nas democracias modernas o parlamento; este é um comitê do povo. Este é votado, e quanto mais generalizado esteja o direito ao voto, mais democraticamente válido ele será considerado. Quando todo cidadão maior de idade, de qualquer sexo, sem importar seu emprego ou posses, pode votar e ser votado sem reservas, se cumpriu com a exigência democrática essencial - o sufrágio universal. Toda a atividade política do povo consiste em seu ato de votar, é o ato mediante o qual cede seus poderes e soberania a seus escolhidos. Esta cessão de poder deve ter lugar sobre bases convictas: o povo em sua massa é totalmente incapaz politicamente, é necessário um órgão para a ação política, que o represente e dirija. O parlamento é esse órgão.

Agora exige a lógica democrática que este órgão seja algo mais que cenário ou um ponto de expressão e desenvolvimento da oposição no qual seja possível tê-la controlada tal como sucedeu na Alemanha até 1918. O "Estado" é segundo sua essência a substância da burocracia administrativa, judicial e militar que é estabelecido e organizado para a observação dos interesses de uma classe dominante; ele é o instrumento de dominação da classe dirigente. A democracia tem a tendência de desmontar toda forma de vida própria a esta burocracia. O funcionário deve ser uma mera ferramenta, sem espírito nem caráter próprio, a serviço do Estado, que se encontre em uma dependência sem condições do parlamento. Deve ser unicamente especialista em resolução de tarefas, porém sem pensar por si mesmo. Isso já faz o parlamento por ele.

Todo povo está dividido em seu seio pelas contradições de interesses das diversas facções e sensibilidades que convivem em seu seio. Estes interesses encontram nos partidos seu órgãos de expressão. No parlamento é levado a cabo um compromisso: aquele que se subordine a uns determinados códigos baseados nos interesses gerais dos cidadãos, aos quais se devem subordinar todos os interesses particulares ou de partido. Este "interesse geral" vem garantido na base constitutiva dessa ordenação e sua posta em dúvida é um ato praticamente sacrílego dentro da ordem democrática. Somente os partidos que se comprometam com estes "valores" serão considerados como "sérios", enquanto que aqueles partidos que não garantam serão perseguidos, humilhados ou marginalizados. Desse modo a democracia permanece como uma organização de dominação burguesa, cujo funcionamento está garantido sempre e quando as massas não usem seu direito a voto como arma contra os interesses burgueses - quer dizer, sempre e quando sigam votando nos partidos "sérios" (constitucionais). Se isso chega a suceder, mostram-se os interesses burgueses imediatamente deixando muito claro que estes não estão dispostos a permitir que estraguem seu brinquedo sem reagir.

A democracia burguesa moderna é a realização do sistema parlamentar. Esta é a maquinaria mediante a qual a determinação geral popular é transformada em poder em mãos de uma minoria com poder decisório nos acontecimentos práticos do dia a dia. O efeito que esta deve levar a cabo é o de que o Povo viva no convencimento de que nada acontece sem seu consentimento expresso.

03/01/2012

A Alta Cultura do Super-Homem: Futuro do Ocidente

por Ted Sallis



Pode o Ocidente e seus povos serem salvos? E o que será preciso para isso - particularmente se nós estamos preocupados com uma solução a longo prazo ao invés de um mero "quebra-molas"? Pode uma nova Alta Cultura do Ocidente emergir para garantir a existência dos povos do Ocidente por um longo tempo? Que características deve tal nova cultura possuir?

Eu assumo que o leitor seja familiar com o modelo civilizacional de Oswald Spengler, um modelo essencialmente adotado por Francis Parker Yockey em suas várias obras sobre o Ocidente e suas possibilidades futuras. Com uma Primavera, Verão, Outono e Inverno de uma Alta Cultura, "Inverno" é a fase da futura destruição. É claro, ao menos para mim (e parece que Michael O'Meara concorda com essa avaliação), que nós estamos no "Inverno" de nossa atual Alta Cultura Ocidental (i.e., "Faustiana"). E, imersa dentro dessa decadência, desprovidos de um princípio organizado que garanta uma estrutura espiritual para sua existência continuada, a raça branca está agonizando, falhando em se reproduzir, sendo substituída por estrangeiros, e oferecendo um nível inadequado de resistência à morte do Ocidente.

Em estações climáticas físicas atuais, a primavera segue o inverno. Poderia o mesmo ser verdadeiro para povos particulares e suas Altas Culturas? Se um renascimento civilizacional levará a uma sobrevivência racial a longo prazo, devemos ao menos considerar as possibilidades? É claro, não se pode prever com precisão total se um renascimento civiizacional ocorrerá, muito menos a forma precisa que tal evento assumiria. Ademais, não se pode pré-planejar e criar uma Alta Cultura à maneira em que um general formula uma estratégia e então lidera tropas na batalha. Uma Alta Cultura deve se desenvolver ao longo de suas próprias linhas, segundo fatores não inteiramente dentro do controle humano consciente. Porém, pode-se, e deve-se, examinar a evidência, considerar as possibilidades, e na medida em que seja possível, encorajar aquelas tendências que levam a um renascimento civilizacional. Ademais, essas tendências poderia, e deveria, ser guiadas, na medida em que isso seja possível, em direções que seriam as mais frutíferas e mais consistentes com a natureza de nosso povo.

Um ponto de partida é considerar nossa presente Alta Cultura, cujos restos agonizantes vemos ao nosso redor. A assim chamada civilização "ocidental" ou "faustiana" foi descrita por Spengler e é sumarizada assim:

"...os modernos ocidentais sendo faustianos. Segundo suas teorias, nós estamos agora vivendo no período invernal da civilização faustiana. Sua descrição da civilização faustiana é uma na qual a população constantemente busca o inalcançável - fazendo do homem ocidental uma figura orgulhosa porém trágica, pois enquanto ele busca e cria ele secretamente sabe que o objetivo nunca será alcançado".

Aqui nós vemos duas características definidoras da civilização "faustiana" do Ocidente moderno (i.e., pós-clássico): primeiro, um foco no infinito e no desconhecido, e em segundo lugar, que a busca por este foco nunca conhecerá o sucesso; os objetivos do homem ocidental são sempre "inalcançáveis". O segundo ponto, e suas implicações, serão discutidas mais abaixo. Por agora, aceitemos o modelo spengleriano e também aceitemos que nós estamos no inverno da cultura faustiana. Agora, a escola spengleriana, mergulhada em "aceitação estóica" ("pessimismo") nos aconselhará a aceitar, e tirar o máximo possível de nossas circunstâncias. A era na qual vivemos é o que é, e, como um soldado romano de guarda sob o Vesúvio em erupção, nós devemos permanecer em nosso posto até o fim, até que tudo esteja envolto na decadência inescapável (entropia civilizacional, se você quiser).
Mas se raça e cultura estão ligadas, a dissipação da cultura significa a destruição da raça. Ou será que não? A cultura faustiana nao é a primeira Alta Cultura da Europa; ela foi precedida pela clássica. Spengler e seu seguidor Yockey rompem com interpretações culturais prévias para enfatizar a profunda descontinuidade entre o clássico e o faustiano. Essas são percebidas como duas Altas Culturas distintas, tão diferentes uma da outra como elas são em relação à egípcia ou a magiana.


Portanto, no mesmo artigo sobre a obra de Spengler, nós lemos:

"Spengler faz uso frequente da filosofia da matemática. Ele sustenta que a matemática e a arte de uma civilização revelam sua Visão-de-Mundo. Ele nota que na matemática clássica grega há apenas integrais e não há qualquer concepção real de limites ou infinitude. Portanto, sem um conceito do infinito, todos os eventos do passado distante são vistos como igualmente distantes, assim Alexandre o Grande não teve problema em se declarar um descendente de um deus. Por outro lado, o mundo ocidental - que possui conceitos de zero, infinito e de limite - possui uma Visão-de-Mundo histórica que dá grande importância a datas exatas".

Similarmente, Revilo Oliver escreve:
"Spengler identifica como duas civilizações inteiramente separadas e discretas a clássica ("apolínea"), c.1100 a.C. - 300 d.C., e a ocidental ("faustiana"), c.900 d.C. - 2200 d.C. Essas são as duas sobre as quais possuímos a informação mais completa, e entre elas Spengler estabelece alguns de seus mais brilhantes sincronismos (por exemplo, Alexandre o Grande corresponde a Napoleão). Mesmo há um século, essa dicotomia teria parecido quase insana, pois todos sabiam e tomavam como dado que independentemente do que pudesse ser verdadeiro sobre culturas estrangeiras, a nossa própria era uma continuação, ou, pelo menos, um renascimento da clássica. A negação dessa continuidade por Spengler foi o aspecto mais radical e assombroso de sua síntese histórica, mas tão grande tem sido sua influência que ela foi aceita por uma maioria dos muitos escritores subsequentes sobre filosofia da história, dos quais podemos mencionar aqui apenas Toynbee, Raven, Bagby, e Brown. A clássica, nos é dito, foi uma civilização como a egípcia, agora morta e acabada sem qualquer conexão orgânica com a nossa... Spengler (que Brown segue especialmente a esse respeito) apoia sua drática dicotomia contrastando a matemática e tecnologia grecorromanas com a nossa; desse contraste ele deduz diferenças na percepção de espaço e tempo, exibidas particularmente na música, e chega à conclusão de que a Weltanschauung clássica era essencialmente estática, desejando e reconhecendo apenas um mundo estreitamente delimitado e familiar, enquanto a nossa é dinâmica e exibe um anseio apaixonado pelo infinito e pelo desconhecido. Pode-se propor diversas objeções às generalizações que eu curta e inadequadamente resumi (por exemplo, seria a diferença em perspectiva realmente maior do que a que existe entre a literatura "clássica" da Europa do século XVIII e o romantismo da era seguinte?), mas o ponto crucial é se as diferenças, que pertencem à ordem que devemos chamar de espiritual por falta de um termo melhor, são fundamentais ou epifenomenais".

Eu tenho tendido à explicação "epifenomenal" - mas em qualquer caso, pode-se concordar com as conclusões gerais de Oliver em suas várias obras: ou a clássica e a faustiana são fases diferentes porém conectadas da mesma Civilização, ou, mesmo se completamente distintas, o homem ocidental é capaz de produzir múltiplas Altas Culturas. De qualquer jeito, pode-se concluir duas coisas: (1) uma sucessora à Alta Cultura faustiana é possível e possui precedente, e (2) essa sucessora estará intimamente conectada em maneiras importantes com sua predecessora (ainda que Spengler e Yockey neguem que isso fosse possível).
Portanto, ou as civilizações clássica e faustiana estão realmente ligadas (por uma fonte genética, "alma racial", e perspectiva ocidental genericamente comuns) ou, se elas são de fato distintas, elas não estão completamente desconectadas, já que derivam de uma fonte ou fundação comum (novamente, a carga genética, "alma racial", e mentalidade ocidental de maior individualismo e empirismo em comparação com outros povos e culturas). Não apenas estão o clássico e o faustiano ligados de algum modo mas, contrariamente a Spengler e Yockey - e, realmente, uma blasfêmia para a escola spengleriana que rejeita uma história linear - há um senso de progressão, na medida em que a Visão-de-Mundo faustiana é mais ampla que a clássica; de fato, essa maior amplitude de visão é uma característica definidora da civilização faustiana. Essa amplitude sendo manifesta em tais fenômenos como técnica superior, e um conhecimento de base massivo em ciência, história, filosofia e moralidade, a fundação está portanto estabelecida para uma nova Alta Cultura de uma visão ainda mais ampla que a faustiana. Um spengleriano afirmaria que qualquer nova Alta Cultura do Ocidente, mesmo se possível (e eles poderiam negar essa possibilidade), seria completamente desconectada dos aspectos "faustianos" da anterior Alta Cultura ocidental faustiana. Porém, eu afirmo que, tendo sido desperto para o universo, é improvável que o homem branco criasse uma nova Alta Cultura que fosse insular, rejeitando o infinito. Na medida que possamos prever, ou mesmo influenciar, o desenvolvimento de uma nova Alta Cultura, uma direção potencial é uma que não é puramente "faustiana" - no sentido de buscar o inalcançável. Ao invés, pode-se projetar uma futura Alta Cultura que esteja baseada na conquista final e bem sucedida daquilo que outrora era considerado "inalcançável".

Eu afirmaria que a fundação cristã da Alta Cultura faustiana é responsável pelo fato de que os objetivos últimos os quais o homem ocidental busca acabam sendo "inalcançáveis" - e secretamente sabendo ele sobre sua "inalcançabilidade". A mentalidade cristã coloca limites inerentes na mente do homem ocidental, então ele está amaldiçoado a finalmente falhar mesmo que o sucesso total seja teoricamente possível. Afinal, o foco do Cristianismo é Deus e não o Homem, é a "salvação" e não a superação, e é um foco no "próximo mundo" e não nesse, nosso mundo real. O homem alcançar a divindade - ou mesmo ter isso como objetivo - é uma forma de "blasfêmia". Portanto, a derrota final deve ocorrer, pois a conquista do objetivo faustiano (a conquista em si faria do evento não mais verdadeiramente "faustiano") é simplesmente impossível em uma Alta Cultura baseada no Cristianismo. O desenvolvimento total do homem ocidental tem sido restrito por uma religião estrangeira que colocou grilhões em sua menta e sua alma. Nietszche bem reconheceu os limites impostos pelo Judaico-Cristianismo; em seu O Anticristo nós encontramos:

 
"Ter-se-á, em rigor, compreendido a famosa história que se encontra no princípio da Bíblia, a história do temor mortal de Deus perante a ciência?... Não se compreendeu. Esse livro sacerdotal par excéllence começa, como é justo, com a grande dificuldade interior do sacerdote: para ele, há apenas um único grande perigo, logo, para «Deus» há apenas um grande perigo.

O Deus antigo, inteiramente «espírito», inteiramente sumo-sacerdote, plena perfeição, passeia aprazivelmente no seu jardim; contudo, aborrecese. Também os deuses lutam em vão contra o tédio. Que faz ele? Inventa o homem – o homem distrai... Mas eis que também o homem se aborrece. A misericórdia de Deus para com a única indigência, que todos os paraísos em si têm, não conhece limites: criou então ainda outros animais. Primeiro equívoco de Deus: o homem não achou divertidos os animais – dominou sobre eles, nem sequer quis ser «animal». Deus criou, então, a mulher. E, efectivamente, cessou o tédio, mas também ainda muitas outras coisas! A mulher foi o segundo erro de Deus. «A mulher é, por essência, uma serpente, Eva». Todo o sacerdote sabe isto; «pela mulher vem todo o mal ao mundo» – também isto o sabe todo o sacerdote. «Logo, a ciência também vem dela»... Foi só pela mulher que o homem aprendeu a saborear a árvore do conhecimento. Que aconteceu? Um pânico de morte se apoderou do Deus antigo. O próprio homem tornara-se o seu maior erro, ele criara um rival, a ciência iguala a Deus: se o homem se torna científico, é o fim dos sacerdotes e dos deuses! Moral: a ciência é a interdição em si, só ela é proibida. A ciência é o primeiro pecado, o germe de todos os pecados, o pecado original. Eis a única moral. «Não conhecerás»: o resto segue-se daí. O pânico mortal de Deus não o impediu de ser astuto. Como defender-se da ciência? Eis o seu problema principal, durante muito tempo. Resposta: fora com o homem do paraíso! A felicidade, o ócio evoca pensamentos – todos os pensamentos são maus pensamentos... O homem não deve pensar: e o «sacerdote em si» inventa a indigência, a morte, o perigo mortal da gravidez, toda a espécie de miséria, a velhice, a fadiga, sobretudo a doença – simples meios na luta contra as ciências! A indigência não permite ao homem pensar... E, apesar de tudo, que coisa tremenda! A obra do conhecimento acumula-se, alcandora-se até ao céu, anuncia o crepúsculo dos deuses – que fazer? O Deus antigo inventa a guerra, separa os povos, faz que os homens entre si se aniquilem (os sacerdotes tiveram sempre necessidade da guerra...). A guerra é, entre outras coisas, um grande desmancha-prazeres da ciência! Incrível! O conhecimento, a emanciparão relativamente ao sacerdote, aumenta apesar das guerras. E uma última decisão ocorre ao Deus antigo: «o homem tornou-se científico, de nada serve, há que afogá-lo!»..."

Realmente. Se "os humildes herdarão a Terra" não há lugar para qualquer busca pelo infinito que tenha sucesso, e que coloque o Homem no mesmo plano que Deus. Se a fraqueza, a humildade, "o humilde cordeiro de Deus" é o arquétipo fundacional de uma cultura, então é claro que o infinito e o desconhecido sempre serão inatingíveis. "Não conhecerás": é incrível o quanto nós realizamos apesar disso, e essas notáveis realizações ocidentais ocorreram - não por coincidência - primariamente durante o Outono e Inverno da Alta Cultura faustiana. Apenas quando os limites impostos por uma cultura definida pelo cristianismo se dissiparam em grande medida que a aceitação a priori da falha foi enfraquecida. O problema é que com uma Alta Cultura decadente, agonizante, essa emancipação parcial do culto da humildade não servirá para nada. Apenas uma nova Alta Cultura construída sobre o conceito fundamental da transcendência humana, e sobre a conquista do infinito/desconhecido, permitirá ao homem ocidental realizar seu destino. As ruínas da Alta Cultura prévia podem servir como os blocos de construção para o futuro, certamente, elas podem garantir inspiração, certamente, e ser uma fonte de orgulho, certamente. Mas nós precisamos olhar para o Futuro, e não ficar de guarda sobre um agonizante e morto Passado, análogo ao soldado romano de Spengler.


Ainda que eu não queria desrespeitar as crenças de quem seja, seja ele cristão ou pagão, eu não vejo um renascimento dos antigos deuses pagãos como uma melhora em relação a decadência do faustianismo. Substituir Jesus por Thor, na minha mente, simplesmente substitui uma fantasia por outra. O homem branco não deve mais necessitar de deuses exógenos, sejam eles novos ou velhos; nós ao invés devemos buscar a divindade de nossa raça. Já é tempo para o homem branco crescer e abandonar as fantasias da infância, fantasias de deuses e forças inteligentes externas controlando um destino que deve ser nosso, e apenas nosso, para moldar. O lema do Mundo Clássico era "Conhece-te a ti mesmo", enquanto que a da Era Faustiana foi uma combinação de "Não Conhecerás" com "Tentarás Conhecer e Falharás". Eu proponho que a nova Alta Cultura do Ocidente tenha o lema: "Conhecerás e Superarás". Isso despertará uma era na qual o homem ocidental abrirá seu potencial para romper os grilhões impostos por uma suposta inferioridade a deuses imaginários.

A citação seguinte de O Inimigo da Europa de Yockey sumariza o objetivo palingenético que nós poderíamos, se quiséssemos buscar:

"Nossa Missão Européia é criar a Cultura-Estado-Nação-Império do Ocidente, e portanto nós realizaremos tais feitos, conquistaremos tais tarefas, e transformaremos nosso mundo de tal modo que nossa distante posteridade, quando eles contemplarem os restos de nossas construções, dirão a seus netos que sobre o solo da Europa outrora habitou uma tribo de deuses".

Em outras palavras, sem deuses imaginários. É o Homem que tornar-se-á "Deus". No livro O Nietzsche Portátil, o editor Walter Kaufmann interpreta o "Super-Homem" de Nietzsche assim:
"o que se demanda não é um super-brito mas um ser humano que criou para si mesmo aquela posição única no cosmos que a Bíblia considerou seu direito de nascença".

Isso estava indo bem até a última parte - "A Bíblia". Não, senhor Kaufmann, a Bíblia não considera o Super-Homem como sendo o direito de nascença da humanidade mas ao invés o "Último Homem" como o "prêmio" ao invés. Somos nós que devemos escolher qual nosso "direito de nascença" é, não as fantasias insanas da "Bíblia". Porém, isto sendo de tal forma, ao resto da descrição é razoável, se nós considerarmos que isso deve ser aplicado à raça como um todo e não a apenas indivíduos seletos dentro da raça. Não mais uma derrota "orgulhosa e trágica" em "buscar o inatingível" na cultura faustiana - ao invés a Cultura do Super-Homem será caracterizada pela conquista vitoriosa e orgulhosa do infinito. Isso é o que um indivíduo esperançoso pode projetar como a nova Alta Cultura do Ocidente, que liga o clássico e o faustiano, mas ultrapassando ambos no objetivo do espírito humano. É isso que o Destino Ocidental pode e deveria ser.
O que nós podemos fazer para colocar as coisas nos eixos?

Ainda que o autor judeu Isaac Asimov não seja popular entre muitos nacionalistas raciais, sua série Fundação pode dar uma analogia útil aqui. "A Fundação" foi feita para dar início a uma nova civilização após o colapso do "Império Galáctico", para que a "era de barbarismo" pós-colapso fosse de meros mil anos, ao invés de 30.000. Encarando o colapso do Ocidente através do Inverno da era faustiana, pode ser prudente plantar as sementes de uma nova civilização branca e ocidental emergente, como nós também enfrentamos as batalhas mais a curto e médio prazo para preservar a raça branca e salvar o quanto da civilização faustiana ocidental seja possível. Sem esses objetivos mais próximos, o renascimento civilizacional a longo prazo não será possível. Inversamente, sem um renascimento civilizacional a preservação racial a longo prazo seria questionável.

Então, há duas coisas que precisam ser feitas aqui. Primeiro é a luta atual pela preservação racial branca e para salvar o máximo da cultura faustiana possível, para servir como uma base de conhecimento e bloco de construção para a nova Alta cultura do Ocidente. Em segundo lugar, um esforço deve ser iniciado para começar o processo de estabelecer as fundações para essa nova Alta Cultura. Como indicado acima, é claro uma nova Alta Cultura é um fenômeno orgânico que não pode ser criado de forma pré-planejada e artificialmente imposta sobre um povo. Porém, é possível plantar as sementes e ter alguma escolha sobre que sementes são plantadas. E então, nós podemos cuidar do broto conforme ele cresce, e conforme ele se desenvolve segundo seu caráter inerente. Isso nós podemos fazer e isso nós faremos.

Essa é uma questão séria que necessita de uma estratégia de caráter extremamente visionária, e não algo que pode ser produtivamente "discutido" em "tópicos de forum" ou outros foruns públicos tipicamente inanes. Não é algo que pode acontecer de um dia para o outro. Esse é um projeto multigeneracional a longo prazo que precisa ser efetivado por indivíduos dedicados que desejem estabelecer a fundação de algo grande e nobre para a posperidade. Isso não será qualquer remedo cujos resultados possam ser vistos em uma ou duas décadas; ao invés, esse é um projeto que possui o potencial para influenciar o curso da história humana e deve ser conduzido nesse nível.

Portanto, esse ensaio é simplesmente um chamado à ação e uma consideração inicial das possibilidades. Se tal projeto for iniciado, ele não deve, não pode, degenerar nas minúcias mundanas de "movimento" com as quais muitos ficam obcecados, nem ele pode ser ligado ao ativismo mais sério, porém a curto prazo necessário para salvar nosso povo e cultura hoje. Essa é outra questão, em outro nível, inteiramente.

Muitos são chamados; poucos são escolhidos. O Futuro Aguarda.