por Carlos Xavier Blanco
(2018)
Finalmente contamos novamente, em nossa língua espanhola, com o trabalho de Walter Schubart (1897-1942), Europa e a Alma do Oriente.
Este pensador, filósofo, eslavista, teólogo, é muito pouco conhecido em nosso país. Ele era um alemão báltico, um "ocidental no Oriente", e isso é um fato em si mesmo: é preciso levar em conta que os teutões se expandiram em direção ao leste, em direção ao que hoje é a Rússia e os países bálticos, desde os tempos medievais, contribuindo grandemente para a cultura dessas nações e deixando bolsões de população germânica, bolsões que as tragédias da guerra e os inevitáveis reajustamentos de fronteiras na Europa modificaram notavelmente. Schubart, de origem teutônica, no entanto, era muito próximo, geograficamente e psiquicamente, da grande Rússia.
Schubart é um filósofo, parece, destinado a ser uma ponte. A ponte entre o Ocidente, que está imerso na ruína e na decadência, e um Oriente que vê como promessa e salvação do europeu. O Ocidente e sua terra natal, a Alemanha, estão condenados. Não apenas o hitlerismo, mas também as forças liberais e "democráticas" que irão combatê-lo na Segunda Guerra Mundial são sintomas de uma perda da alma.
O europeu medieval era "o homem gótico". Em sua versão degenerada, o homem gótico tornou-se por volta do século XVI em "homem prometéico". O homem prometéico que desafia os deuses, querendo roubar seu fogo, que é basicamente o pecado de hybris, de insolência, falando como grego. O olhar esperançoso de Schubart, eslavista por formação, filósofo das culturas e religiões, se põe sobre a Rússia, a Grande Mãe dos povos eslavos que pode ser um dia, uma vez superado o episódio do bolchevismo, a salvação desse “homem prometeico", que é um tipo de homem degenerado e seduzido pelo dinheiro e pela técnica. A mãe Rússia vai resgatar o potro desenfreado da Europa Ocidental, prestes a despencar por pura loucura. Mas o germano-balto que foge de um nazismo que se expande para o leste, casado com uma judia, cairá cara a cara com o bolchevismo, cujas garras causarão sua morte. Um campo de prisioneiros no Cazaquistão será o lugar onde Walter e sua esposa Vera desaparecerão.
A partir dessas linhas animamos à leitura do livro que a Ediciones Fides volta a apresentar para o público que lê na língua de Cervantes. Animamos também a que se empreendam investigações em espanhol sobre um filósofo tão pouco conhecido, pelo menos em nossa língua.