por Esaúl Alvarez
(2014)
Uma das noções metafísicas que tem sido mais pervertida e desnaturalizada pela new age é a do karma. Chama a atenção em particular que esse termo do karma tenha se estendido amplamente no ocidente uma vez que se nega de maneira fervorosa toda concepção metafísica própria da tradição ocidental, e muito particularmente se nega aquela que vem sendo a contraparte ocidental da ideia de karma: o destino.
Isto demonstra a profunda confusão em que está imerso o homem moderno, que renega tudo aquilo que lhe é mais próprio e próximo -com o consabido argumento do obscurantismo e da superstição- só para acabar abraçando exotismos e modas alheias que não compreende, e que frequentemente resultam ser ainda mais obscurantistas e falsas, quando não obedecem a interesses suspeitos [1].
Se se nega no ocidente a existência do destino não é com base em razões filosóficas ou metafísicas senão em virtude de uma suposta "liberdade individual" de que dispomos para reger nossas vidas e com a qual seria incompatível a ideia de destino. Isso é, se pensa e se decide com base em critérios meramente sentimentais, relativos ao gosto e ao desejo; não importa a verdade. Até aqui tem chegado a debilidade mental do ocidente.
Desse modo, se certas ideias, como a do destino, são -ou parecem ser a juízo da 'polícia do pensamento' moderno- contrárias à superstição da liberdade, que é um dos 'termos fetiche' da modernidade, então tais ideias devem ser rechaçadas e combatidas. Pouco importa se há ou não nelas algo de verdade, o fato é que são incompatíveis com a ideologia da modernidade.










