26/02/2021

François Bousquet - Geração Identitária: A Solução, Não a Dissolução

por François Bousquet

(2021)


Gérald Darmanin é um homem emotivo - e apressado. Em 26 de janeiro, ele disse que estava "escandalizado" pelas operações antimigrantes da Geração Identitária nos Alpes e nos Pirineus. O pobre homem! Tartuffe sempre se escandalizada por nada, e é assim que reconhecemos o personagem de Molière. Muito bom! Mas um Ministro do Interior, não é de se admirar. Seria de se esperar que tal homem, "o primeiro policial da França", ficasse escandalizado pela enchente de migrantes que fazem selfies à medida que atravessam nossas fronteiras. Este aparentemente não é o caso: os contrabandistas de migrantes têm direito a toda a atenção midiática. Os sentinelas simbólicos, ao contrário, que vigiam nossas fronteiras, são o único perigo. Assim, em 26 de janeiro, Darmanin anunciou que não hesitaria em dissolver a Geração Identitária, usando seus poderes de censura administrativa. Quinze dias depois, em 12 de fevereiro, seus serviços incomumente diligentes e eficientes lançaram o procedimento para dissolver o movimento.

13/02/2021

Aleksandr Dugin - Sionismo é Satanismo Judaico

por Aleksandr Dugin

(2019)


Como toda religião, o judaísmo possui inúmeras facetas. Neste sentido, pensá-lo apenas em uma perspectiva pró ou contra não passa de uma atitude vulgar.

O judaísmo está associado à noção de que os judeus são o povo escolhido (principalmente no sentido religioso). Sua razão de ser? Aguardar a vinda do Messias, que deverá reinar sobre Israel. Deste modo, o judaísmo configura-se como uma religião fundamentalmente atada a um sentido de expectativa em torno da figura do Mashiach.

No início do primeiro milênio, de acordo com o judaísmo, os judeus foram dispersos: o Segundo Templo foi destruído e uma história de dois mil anos de diáspora se iniciou. No entanto, tal período não deixa de ter um sentido dentro da própria tradição judaica: seu objetivo é expiar os pecados de Israel, acumulados em etapas históricas pretéritas, de modo que, uma vez que a Expiação se consolide (nos termos de um arrependimento profundo), de acordo com a tradição judaica, o Messias se manifeste, trazendo a bênção para o povo escolhido de Deus – que, neste caso, implicará no retorno dos judeus a Israel, no estabelecimento de um Estado independente e na construção do Terceiro Templo. Essa é a estrutura da cultura judaica da expectativa.

09/02/2021

Christian Bouchet - Intermarium: A Extrema-Direita Contra o Continente

 por Christian Bouchet

(2017)


Formulada pela primeira vez no século XIX, a ideia do Intermarium só se materializou durante o período entre guerras, antes de ser totalmente esquecida após a vitória dos Aliados. Reapareceu durante o colapso do bloco soviético e, atualmente, é ativamente apoiada pelos Estados Unidos e por uma facção minoritária da extrema-direita europeia.

Intermarium: uma velha ideia

A ideia de uma aliança ou confederação das nações da Europa Central, da costa do Mar Báltico aos Bálcãs, objetivando fazer oposição à Rússia e à Prússia, surgiu no século XIX, mas permaneceu apenas como uma perspectiva geopolítica por conta da ausência de condições políticas ou por não haver um Estado capaz de sustentá-la. No entanto, foi adotada pela nacionalista polonês Józef Piłsudski que, em 1904, durante a Guerra Russo-Japonesa, chegou a solicitar o apoio japonês para implementá-la – ao que os japoneses responderam com indiferença. A conclusão da Primeira Guerra Mundial, no entanto, com a independência da Polônia, deu a Piłsudski o posto supremo de poder (que ele a ocupou entre 1918-1922 e 1925-1935). Foi então que ele tentou, em vão, forjar uma aliança de nações soberanas, do Mar Báltico ao Mar Negro, com a finalidade de se opor à União Soviética e ao Renascimento Alemão, como também de se consolidar como um fiel aliado das potências da Europa Ocidental. Paralelamente, ele desenvolveu a doutrina do Prometeísmo, que consistia no apoio e suporte a todas as minorias nacionais que pudessem contribuir com a desintegração da URSS. 

27/01/2021

Stephen Klugewicz – Salvando o General Lee

por Stephen Klugewicz

(2015)


Outrora um símbolo de unidade nacional e reconciliação, Robert E. Lee está sob ataque na América moderna. Nos últimos anos, o seu nome e o de outros generais confederados tem sido apagados das escolas do Sul, e a sua estátua e as dos seus compatriotas do Sul foram removidas de inúmeras praças de cidades por todo o país. A Universidade Washington e Lee, onde Lee serviu como presidente após a Guerra Civil, removeu as históricas bandeiras de batalha do Exército da Virgínia do Norte de Lee que há muito enfeitavam a Capela Lee, sob a qual o grande comandante está enterrado. Como a própria bandeira confederada, Lee tornou-se aos olhos de muitos um símbolo de racismo e, cada vez mais e interessantemente na nossa era jingoísta, de traição. 

Como se chegou a isto?

24/01/2021

Cristian Taborda – A Ideologia de Gênero e o Totalitarismo do Pensamento Único

 por Cristian Taborda

(2020)


Dominação Política, Disciplina Social, Subordinação Cultural

Dizia Marx em "A Ideologia Alemã": "As idéias da classe dominante são as idéias dominantes de cada época [...] portanto, na medida em que dominam enquanto classe e na medida em que determinam todo o âmbito de uma época histórica, é compreensível que o façam em toda a sua extensão e, portanto, entre outras coisas, também como pensadores, como produtores de idéias, que regulem a produção e distribuição das idéias de seu tempo; e que suas idéias sejam, portanto, as idéias dominantes da época”.

Devemos então nos perguntar, em relação ao presente, quais são as idéias dominantes de nossa época? Qual é a "classe" dominante? Quem produz, regula e distribui essas idéias? Qual é a ideologia inquestionável?

19/01/2021

Alain Soral - Esquerda do Trabalho, Direita dos Valores

por Alain Soral

(2007)



Desde da eleição de Sarkozy, parece ter sido provado que não há esquerda nem direita. Mesmo que a abertura à esquerda do governo Fillon seja na realidade a união sagrada dos liberal-atlantistas, é claro que não há mais muita diferença - tanto em termos de economia quanto de questões sociais - entre a esquerda burguesa-boêmia do Partido Socialista e a direita liberal pseudo-securitária de um Sarkozy.

Se para os esquerdistas, Sarkozy é um homem de direita (porque se diz securitarista, o que é lhe fazer uma propaganda que ele não merece: o seu securitarismo se aplica apenas à pequena burguesia branca dos automobilistas!), para os da direita nacional, Sarkozy é um homem de esquerda: "direitos humanos" e defesa dos “imigrantes ilegais”, na melhor das hipóteses uma espécie de Tony Blair francês...

Na verdade, podemos dizer hoje que os políticos do Sistema estão todos à esquerda (todos a favor do ius soli, do casamento gay...), ou todos à direita (todos aliados à dominação política integral da economia de mercado... ou da economia de mercado integral, o que dá na mesma!). Mas esta confusão entre esquerda e direita também vem da confusão das suas definições. Confusão das suas definições: de esquerda, de direita... o que nos leva a lembrar que existem duas formas de definir esquerda e direita.

14/01/2021

Giandomenico Casalino - A Realização do Espírito na Tradição Indo-Européia

por Giandomenico Casalino

(2015)


"...do século VII a.C. até Jesus há um esvaziamento contínuo e progressivo da religião olímpica indo-européia, que gradualmente vai se cristalizando cada vez mais no esteticismo dos artistas e no ritualismo dos sacerdotes, e um desenvolvimento paralelo da religião dos Mistérios que vai se ampliando cada vez mais... Toda a história da religião, e na verdade do pensamento grego, reside neste dúplice processo..." - Vittorio Macchioro, Zagreus. Studio intorno all'orfismo (Firenze, 1930)

O homem indo-europeu, se for visto do ponto de vista do sujeito moderno, é um homem cósmico aberto ao mundo[1], é "atravessado" pelo Mundo e pelos seus Poderes, ele nada sabe de "interno" e "externo", sua "consciência" é cósmica, universalizada, na verdade ele é universal no sentido de que coincide com os Deuses. O homem após a Queda, a crise, na Modernidade como categoria do Espírito, na convicção prometeica de ter adquirido ou conquistado a "liberdade", perdeu a Universalidade da consciência e a mesma foi reduzida ao pequeno Ego que acredita decidir, olha com suficiência e altivez para o homem homérico que ele considera um "escravo" dos Deuses; o seu pequeno Ego, convencido de "decidir" e de ser "autônomo", está sempre nas "mãos" de algo "diferente" de si mesmo e é sempre "algo" desconhecido e, portanto, obscuro, que vem tanto do "seu" interior (que seu não é) quanto do "exterior", um mundo que é igualmente estranho...

12/01/2021

Aleksandr Dugin - Horizonte do Império Ideal

por Aleksandr Dugin

(2017)


Às vezes se ouve a crítica de que a Quarta Teoria Política não oferece uma imagem positiva do futuro, operando, em vez disso, com o que para muitos parecem ser "abstrações". Eu gostaria de responder a esta crítica e delinear como eu vejo o futuro.

O que segue abaixo não é, naturalmente, mais do que uma metáfora científica. No entanto, aqui está como a sociedade e o mundo devem ser após a vitória, ou mesmo no curso da luta pela Quarta Teoria Política.

07/01/2021

Francesco Dalmazio Casini – A Narrativa Contra-Hegemônica (e Democrática) do Soberanismo

por Francesco Dalmazio Casini

(2019)


"Soberanismo" é uma palavra que agora pode ser encontrada ininterruptamente nas manchetes dos jornais mais importantes do mundo ocidental, no entanto, em meio a mistificações, críticas e apologias, a definição desta categoria política continua a parecer elusiva e polimórfica. Há aqueles que acusam os soberanistas de perigosas tendências autocráticas e aqueles que, por outro lado, tentam reconduzi-los dentro das categorias históricas de direita e esquerda. Uma análise politológica do fenômeno, no entanto, não pode deixar de definir este conjunto de formações políticas através da lente da Identidade, o verdadeiro fulcro do movimento, que une os soberanistas do Bel Paese [Itália] a São Paulo no Brasil, de Londres a Paris.

05/01/2021

Israel Lira - Crítica Epistemológica ao “Ur-Fascismo” de Umberto Eco

 por Israel Lira

(2017)


“Nota-se que, como é usada, a palavra ‘fascismo’ não tem quase nenhum significado. Em conversas ela é usada ainda mais insanamente do que na imprensa. Pelo que ouvi, ela se aplica a agricultores, a comerciantes, ao crédito social, aos castigos corporais, à caça à raposa, às touradas, ao comitê de 1922, ao comitê de 1941, a Kipling, a Gandhi, a Chiang Kai-Shek, à homossexualidade, aos programas de Priestley, aos albergues juvenis, à astrologia, às mulheres, aos cães e a não sei o que mais” [1] Uma citação orwelliana que hoje mais do que nunca se faz presente, pois diante da instabilidade da região, parece haver mais fascistas do que na época do surgimento do fascismo, e é porque o termo já foi completamente esvaziado de conteúdo.

Umberto Eco, o escritor e filósofo italiano, definitivamente não é o tipo de pessoa que abandona sua objetividade apenas para apoiar um sistema de pensamento; pelo contrário, sempre se caracterizou por sua grande sabedoria sobre muitos assuntos, especialmente quando se trata de semiótica[2]. Sem prejuízo disso, e em homenagem ao amicus plato sed magis amicas est veritas[3], não se pode deixar de notar que, a respeito de suas dissertações que tratam da fenomenologia fascista, e embora não deixem de revelar posições interessantes que exigiriam maior contraste empírico – devido à falta de interesse geral na investigação objetiva do assunto – há certas deficiências que diminuem a objetividade do discurso econiano, isto dentro de uma crítica estritamente enquadrada pela epistemologia.