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(..) a palavra imprensa, lançada em grandes tiragens e divulgada através de regiões ilimitadas, transformou-se numa arma sinistra nas mãos de quem soubesse manejá-la. A campanha de imprensa surge como continuação - ou preparo - de uma guerra a ser travada com outros meios. Sua estratégia de combates de vanguarda, manobras fictícias, assaltos de surpresa, ataques em massa, foi, no decorrer do século XIX, aperfeiçoada a tal ponto que uma guerra já pode estar perdida, antes de disparar-se o primeiro tiro, porque a imprensa já a ganhou anteriormente.
Hoje vive
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mos entregues, sem resistência, à ação dessa artilharia espiritual, de maneira que poucos são os que podem manter a distância interior suficiente para perceberem com toda a clareza a monstruosidade inerente a esse espetáculo. Três semanas de atividade periodística, e toda a gente terá reconhecido a verdade. Seus argumentos serão irrefutáveis, enquanto houver o dinheiro necessário para repetí-lo ininterruptamente. Mas ficarão rebatidos, quando uma potência financeira mais forte apoiar os contra-argumentos e os oferecer com maior frequência aos olhos do mundo inteiro. Também nesse ponto triunfa o dinheiro, pondo a seu serviço os espíritos livres. Não há sátira mais cruel contra a liberdade de pensamento. Outrora, não era lícito pensar livremente; agora temos tal direito, porém somos incapazes de exercê-lo. Pensa-se tão-somente o que se deve querer, precisamente isso se nos afigura hoje em dia como a nossa liberdade.
(Oswald Spengler, ''A Decadência do Ocidente'')