por René Guénon
(1935)
Pode-se dizer que cada forma tradicional particular é uma adaptação da Tradição primordial, da qual todas derivaram, mais ou menos diretamente, em determinadas circunstâncias especiais de tempo e lugar; de modo que o que muda de uma para a outra não é de forma alguma a própria essência da doutrina, que está acima dessas contingências, mas apenas os aspectos exteriores de que ela se reveste e através dos quais se expressa. Disso resulta, por um lado, que todas essas formas são necessariamente equivalentes como fundamento, e, por outro, que geralmente há vantagem, para os seres humanos, em se ligarem, tanto quanto possível, àquela que é própria ao ambiente no qual vivem, pois é essa que normalmente deve melhor corresponder à sua natureza individual. Foi isso que nosso colaborador J.-H. Probst-Biraben destacou com justa razão ao final de seu artigo sobre o Dhikr[1]; no entanto, a aplicação que ele faz dessas verdades incontestáveis parece-nos requerer algumas precisões adicionais, a fim de evitar qualquer confusão entre domínios diferentes que, por mais que igualmente pertençam à ordem tradicional, são, no entanto, profundamente distintos[2].

