por Diego Luis Sanromán
(1998)
A derrota das forças do Eixo em 1945 resultou no descrédito sem paliativos da ideologia fascista e implicou o desaparecimento do clima sociopolítico que havia favorecido o surgimento de movimentos de ultranacionalismo palingenético (nos termos do politólogo britânico Roger Griffin) em todo o continente europeu.
Um traço sobressalente daqueles movimentos fascistas triunfantes, que qualquer nacional-revolucionário estava disposto a imitar, era a sua capacidade de constituir uma nova força política que combinava quatro elementos fundamentais: tanto o fascismo como o nazismo eram ao mesmo tempo um partido eleitoral, uma organização paramilitar, um movimento de massas e um vigoroso discurso, cuja chave se encontrava no líder carismático, demiurgo da regeneração nacional. O ambiente do pós-guerra não resultava, não obstante, nada benigno para uma tal combinação: as organizações fascistas e nacional-socialistas foram declaradas ilegais tanto na Itália como na Alemanha, enquanto as populações estavam esgotadas pelos desastres da guerra. O resultado foi a fragmentação, a clandestinidade e o terrorismo, e o surgimento de uma produção ideológica relativamente autônoma e não diretamente vinculada com os grupúsculos e corpos paramilitares que se reclamavam herdeiros dos fascismos históricos. Os teóricos do fascismo – ou, pelo menos, seu setor mais flexível e inteligente – se viram obrigados a se adaptar às novas circunstâncias, e tomaram uma dupla via estratégica: a internacionalização e a metapolitização [1].
Iniciativas como a Jeune Europe de Jean Thiriart ou a Europe-Action de Dominique Venner podem ser interpretadas, respectivamente, como expressões dessas duas vias de readaptação. Os caminhos convergem, não obstante, nas produções teóricas dos autores da mais original tentativa de renovação do ideário fascista desde 1945, o da Nouvelle Droite de Alain de Benoist e seus seguidores. Os membros do GRECE (Groupement de Recherche et d’Études sur la Civilisation Européenne) adotam, desde o começo, a teoria gramsciana do poder cultural enquanto território no qual se desenvolvem as lutas políticas fundamentais, ao mesmo tempo que tratam de superar o nacionalismo estreito de suas origens no sentido de um nacionalismo europeísta de nova geração.
