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18/02/2023

Guillermo Mas Arellano - Tecnopolítica

 por Guillermo Mas Arellano

(2023)


A modernidade se baseia na suposição de que o homem domina o mundo e pode dispor dele como bem entender. Com suas consequências catastróficas para a natureza e para a comunidade humana, partindo da Reforma Protestante em diante. Porém, somente o século XX evoluiu para nos permitir compreender que a máquina havia substituído o homem neste processo. É o inevitável devir da tecnologia: "O destino da verdade de tudo o que é em sua totalidade", como disse Heidegger. Tudo isso coincide com a crítica que Heidegger fez sobre o assunto em sua palestra de 1953 sobre A Questão da Tecnologia. Partindo de postulados muito semelhantes, em certos aspectos, à noção de biopolítica que Foucault desenvolveria décadas depois, Heidegger descobre que por trás de cada projeto técnico existe uma clara intencionalidade política. Embora todos os objetos feitos pelo homem sejam orientados para um fim específico, que chamamos de "utilidade", a essência destes objetos, que é inerente a eles e deriva da concepção política daqueles que construíram o objeto, vai muito além da noção de utilidade, para se tornar embutida em uma visão mais ampla da realidade: algo como uma "tecnopolítica". A tecnologia não é mais um meio para um fim criado pelo homem; em vez disso, ela evoluiu para um modelo de transformação, consumado através das próprias máquinas, de impor sua lógica sobre a lógica humana e afetiva. Consequentemente, a noção outrora compartilhada da essência do humano está agora em grave perigo.